quinta-feira, 7 de julho de 2016


Brasil

Deutsche Welle - 07.07.2016

Cunha renuncia à presidência da Câmara

Deputado diz que é alvo de perseguição e renuncia para "pôr fim à instabilidade". Ele estava afastado da função devido a suspeitas de corrupção.
O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), renunciou nesta quinta-feira (07/07) à presidência da casa. "Resolvi ceder ao apelos generalizados dos meus apoiadores. Somente a minha renúncia poderá pôr fim a essa instabilidade sem prazo. A Câmara não suportará infinitamente", disse, ao ler sua carta de renúncia em entrevista à imprensa no Salão Nobre da Câmara.
Cunha disse que é alvo de perseguição por ter aceito a denúncia que deu início ao processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. "Sofri e sofro muitas perseguições em função das pautas. Estou pagando alto preço por dar início ao impeachment", disse, ao emocionar-se, pela primeira vez, em alguns momentos.
O peemedebista disse também que sempre falou a verdade. "Comprovarei minha inocência nesses inquéritos. Não recebi qualquer vantagem indevida de quem quer que seja", disse. Ele foi afastado da presidência da Câmara devido a suspeitas de corrupção e, em várias ocasiões anteriores, negou que iria renunciar.
Com a decisão de Cunha, a Câmara terá que convocar novas eleições no prazo de até cinco sessões plenárias – deliberativas ou de debates com o mínimo de 51 deputados presentes – para uma espécie de mandato-tampão, ou seja, para um nome que comandará a casa até fevereiro de 2017, quando um novo presidente será eleito.
Com a renúncia, pode se encerrar o impasse sobre a permanência de Waldir Maranhão (PP-MA) no comando da Câmara. Maranhão assumiu o cargo desde que Cunha foi afastado da presidência pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
AS/efe/abr

terça-feira, 5 de julho de 2016

Afinal, quem vai pagar o pato do ajuste fiscal brasileiro?

  • Há 7 horas
Image copyright Ayrton Vignola/Fiesp
Image caption Campanha contra "pagar o pato" pressionou que governo interino evitasse criação de novos impostos
O governo federal está com um enorme rombo em suas contas e basicamente só há duas maneiras de resolver o problema: cortar despesas e/ou aumentar as receitas.
As duas alternativas são impopulares e, dependendo da fórmula adotada (ou seja, o que cortar e o que tributar), o resultado pode impactar mais ou menos diferentes grupos sociais.
A grande indústria nacional já disse que não quer "pagar o pato": esse é o slogan da campanha contra a elevação da carga tributária liderada pela Fiesp. A pressão tem dado resultado no governo, que num primeiro momento vem descartando a criação de novos impostos.
Por outro lado, o corte de gastos é dado como inevitável. A equipe econômica, comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quer estabelecer um teto rígido para o aumento das despesas em geral e defende uma reforma da Previdência para limitar a expansão das aposentadorias.
Será que essa é a escolha mais justa para resolver a crise fiscal? A questão divide economistas.

Mais impostos sobre ricos?

Dois pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Sérgio Gobetti e Rodrigo Orair, defendem o aumento dos impostos sobre as classes de maior renda como forma mais justa de reequilibrar as contas públicas.
Sua principal proposta é recriar o imposto sobre dividendos (lucro distribuído pelas empresas a seus acionistas), que foi extinto em 1995. Em um estudo premiado no ano passado pelo Tesouro Nacional, com uma série de sugestões de mudanças tributárias, eles estimaram que a volta da alíquota de 15% cobrada sobre dividendos geraria uma receita anual de R$ 50 bilhões, atingindo 2,1 milhões de brasileiros.
Já se fossem aplicadas alíquotas progressivas, aumentando de acordo com a renda, poderiam ser arrecadados R$ 68 bilhões, de 1,2 milhão de contribuintes.
Apesar do reconhecimento, o Ministério da Fazenda não tem mostrado simpatia pela proposta. Opositores da medida argumentam que as empresas já pagam imposto quando auferem seus lucros, antes de distribuir parte dele como dividendos. Dessa forma, consideram que o novo imposto seria uma bitributação.
O economista José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio, considera que tributar mais os dividendos pode desestimular os investimentos no país, o que seria ruim para o crescimento.
"Dividendo é algo que você ganha porque investiu na empresa. Já taxou o lucro da empresa, aí vai taxar de novo o do investidor, é claro que é um enorme desestímulo a investir", afirmou.
Autor do estudo, Gobetti discorda do raciocínio e nota que o fim desse tributo em 1995 não implicou em aumento da taxa de investimento do país. Na sua avaliação, a tributação pode estimular as empresas a reinvestirem uma parte maior do lucro, em vez de distribuir dividendos.
De acordo com levantamento dos pesquisadores do Ipea, dos 34 países da OCDE (organização que reúne as nações mais industrializadas do mundo e alguns emergentes), apenas a Estônia não tributa dividendos. Todos os demais praticam a bitributação.
No Brasil, as empresas em geral pagam hoje 34% sobre seus lucros, antes de pagar os dividendos. Na média da OCDE, a soma das duas taxas (antes e depois da distribuição dos lucros aos acionistas) dá uma alíquota de 43,1%.
Essa é apenas uma das propostas de aumento de tributos que está em discussão, mas tem tido pouca acolhida no governo, preocupado com o desgaste popular que o aumento da carga tributária teria. Há também quem defenda aumentar impostos sobre heranças e grandes fortunas.
Image copyright Thinkstock
Image caption Volta da CPMF recairia proporcionalmente mais sobre os mais pobres
A volta temporária da CPMF (contribuição sobre transações financeiras) é outra opção, mas trata-se de um imposto regressivo - ao ser repassado pelas empresas para os preços finais dos produtos, recai proporcionalmente mais sobre os mais pobres.
Gobetti entende que parte da resistência ao aumento de impostos vem de um sentimento da classe média de não ver retorno em serviços públicos de qualidade. No entanto, ele ressalta que a crise fiscal não se deve apenas a aumento de gastos do governo, mas é reflexo em boa parte da perda de arrecadação devido às desonerações concedidas à indústria a partir da crise mundial de 2008.
O setor também tem sido beneficiado por juros subsidiados do BNDES - os empréstimos concedidos desde 2008 já somam custo de R$ 323,2 bilhões ao Tesouro Nacional -, valor que a União tem de pagar ao banco ao longo do vencimento dos empréstimos, de 2008 a 2060. Desse total, apenas nos próximos três anos serão pagos R$ 68 bilhões.
"O ajuste deve atingir todos, de forma proporcional à capacidade contributiva. Nesse sentido, a campanha da Fiesp de que não vamos pagar o pato é de uma enorme hipocrisia", critica Gobetti.
Camargo, por sua vez, considera que a carga tributária já é alta e defende o fim dos juros subsidiados pelo BNDES, em vez do aumento de impostos.
"Seria extremamente didático para o Brasil se o ajuste fiscal fosse feito sem aumentar imposto. O Brasil precisa aprender a gastar bem os seus recursos. Há um desperdício enorme", ressalta.

Regimes especiais

O economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, também critica a política de crédito subsidiado pelo BNDES. Além disso, na sua avaliação, as grandes distorções do sistema tributário estão nos regimes especiais, que beneficiam grupos específicos.
"O governo é muito sensível a grupos de pressão. E aí não tem a ver com esquerda ou direita, são os grupos organizados. O Super Simples, por exemplo, cada vez inclui mais segmentos. Agora tem advogados, vários setores de serviços, como corretor de seguros. Eles pagam muito menos imposto".
No fim de junho, o Congresso aprovou a ampliação do alcance do Super Simples, o que deve gerar perdas de R$ 1,7 bilhão em arrecadação em um ano.

Primeiro as despesas

A principal proposta do governo Temer para reverter gradualmente o rombo fiscal - que neste ano deve ser de R$ 170 bilhões - é brecar a expansão das despesas. O Planalto quer que o Congresso aprove um teto de 20 anos para expansão dos gastos, que nesse período ficaria limitado à reposição da inflação.
Segundo anúncio de Meirelles, gastos em educação e saúde também devem entrar no novo regime. Hoje essas despesas crescem obrigatoriamente em proporção à expansão das receitas, segundo regras previstas na Constituição Federal.
"A proposta do teto do gasto público praticamente congela as despesas em saúde e educação. A vinculação das receitas havia sido a forma que o constituinte (assembleia que redigiu a Constituição em 1988) havia encontrado para proteger os direitos sociais. A escolha agora é penalizar os mais pobres para não onerar os mais ricos", critica a coordenadora do Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento da UFF, Celia Lessa.
Para a economista, esse projeto não teria apoio das urnas se fosse apresentado em campanha eleitoral. "Uma medida como essa só pode ser tomada no limbo político em que estamos, sem a participação do eleitor", ressaltou.
Lisboa, por sua vez, diz que o impacto sobre os mais pobres vai depender de quais despesas serão cortadas. Ele ressalta que os gastos em ensino superior, por exemplo, beneficiam em geral os mais ricos, já que a maioria dos que conseguem uma vaga nas universidades públicas são pessoas de maior renda. No caso da Previdência, Lisboa destaca que os 40% mais pobres da população não são alcançados pelo regime, porque não conseguem contribuir para se aposentar.
"Tem esse mito no Brasil de que a maioria do gasto social vai para o mais pobre. Isso não é verdade. A grande maioria do gasto primário (gasto não financeiro do governo) é destinada aos grupos de renda média ou alta. Os gastos com saúde básica, com educação básica e as transferências para os 10% mais pobres, segundo o Banco Mundial, custam 16,4% da despesa primária", afirma.
Os dados do Tesouro Nacional indicam que os gastos discricionários (despesas não obrigatórias) com saúde e educação já sofreram recuo real (se descontada a inflação) no ano passado e registram nova queda nos cinco primeiros meses de 2016.
Image copyright Thinkstock
Image caption Programas sociais sofreram alguns cortes, mas aumentos para servidores federais foram aprovados
Alguns programas sociais também já sofrem impacto do ajuste fiscal. O Minha Casa Minha Vida, por exemplo, desde 2015 teve queda expressiva na contratação de novas moradias para a faixa 1 - que atende famílias de menor renda e, por ter subsídio maior, é a que mais consome recursos do governo. Com isso, o valor gasto no programa caiu 61% de janeiro a maio deste ano na comparação com o mesmo período de 2016.
No entanto, alguns gastos sobem: o governo interino decidiu conceder aumento parcelado para diversas categorias de servidores federais. O reajuste chega a 41,47% no caso de servidores do Judiciário que justificam o aumentam sob argumento de que seus salários estão defasados. A proposta - que deve ser aprovada no Congresso - prevê impacto total de R$ 68 bilhões no Orçamento até 2018.
Já o benefício do Bolsa Família, com aumento de 12,5%, terá impacto de R$ 2,1 bilhões nos gastos federais até 2018.
"O aumento para os servidores nesse momento é incoerente e aponta para um ajuste fiscal que tende a penalizar os mais pobres. Servidores federais têm salários altíssimos para a média brasileira", afirma Rodrigo Orair, do Ipea.
"O governo está dizendo que vai conter o Orçamento como um todo. Então, quando aumenta uma das despesas, quer dizer que as outras vão ter que ser comprimidas. E o grosso das outras são políticas relacionadas ao nosso tardio e ainda mal construído Estado do bem-estar social", ressaltou.

Bombeiros farão ato público 5ª feira.

Os policiais e bombeiros militares realizarão um ato público nesta quinta-feira (07), às 14h, em frente à Governadoria. A ação tem como objetivo cobrar das autoridades respostas às demandas legalmente estabelecidas e que não estão sendo cumpridas pelo Governo do Estado.
A reivindicação prioritária é quanto às questões financeiras e da legislação desatualizada. No quesito financeiro falta à categoria o pagamento do retroativo de quem foi promovido em dezembro de 2015; o pagamento das promoções de abril de 2016, como também das promoções do período entre 2012 e 2014. Falta também o pagamento dos níveis remuneratórios do subsídio - atrasados desde julho de 2012.
Quanto à legislação, a Associação pede o encaminhamento da Lei de Organização Básica (LOB) que organiza a Polícia Militar e Bombeiros internamente; atualização do estatuto; criação do código de ética; e previdência dos militares sociais. “Não estamos pedindo privilégios, aumento. Estamos cobrando o cumprimento da lei que foi elaborada com a participação do Governo”, acrescenta Eliabe.

A decisão do Ato Público se deu na Assembléia Geral desta última quarta-feira (29), com a participação de mais de duzentos agentes de segurança pública, entre policiais e bombeiros militares do Rio Grande do Norte, no Clube Tiradentes.


“Nós da Associação dos Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros Militares do RN (ASSPMBMRN) encaminhamos documentos, notificações, para todos os gestores dos órgãos competentes. Desde abril estamos cobrando o cumprimento dessas demandas e até agora não tivemos nenhum retorno por parte do executivo”, coloca Eliabe Marques, presidente da Associação. [por assessoria de imprensa]


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 7/05/2016 05:48:00 PM

Brasil

"Crime organizado preocupa mais que terrorismo no Rio"

Ex-estrategista antiterrorismo do governo dos EUA questiona se autoridades estadual, municipal e federal serão capazes de responder de forma coordenada a uma emergência nos Jogos Olímpicos, evitando crise ainda maior.
Policiais em treinamento no Rio de Janeiro: para especialista, Brasil não é terreno fértil para terroristas

 Policiais em treinamento no Rio de Janeiro: para especialista, Brasil não é terreno fértil para terroristas
 A um mês da abertura dos Jogos Olímpicos, o Rio ainda vem tentando responder a questionamentos sobre sua capacidade para sediar o maior evento esportivo do mundo. Além da estrutura para os atletas e turistas, uma das preocupações é sobre a possibilidade de ataque terrorista.
Em entrevista à DW Brasil, o especialista em terrorismo David Kilcullen, ex-estrategista-chefe de Antiterrorismo do Departamento de Estado dos EUA, afirma que o Brasil será capaz de prover a segurança necessária aos visitantes durante os Jogos. Kilcullen, no entanto, alerta que a crise política no país pode prejudicar a coordenação dos trabalhos em âmbitos estadual, municipal e federal.
Embora ressalte que terroristas "sempre encontram uma desculpa" na escolha do alvo, o australiano explica que o Brasil não reúne as mesmas condições de exclusão social de comunidades muçulmanas como países da Europa Ocidental, que facilitam o recrutamento por parte do "Estado Islâmico".
"Não acho que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que tenha sediado Jogos", afirma. "Eu estaria mais atento à população nas favelas e ao crime organizado e à possibilidade de fecharem linhas de transporte de acesso aos locais das competições."
DW Brasil: Como o senhor avalia o risco de ataques terroristas durante os Jogos do Rio?
David Kilcullen: Qualquer evento de grande porte, especialmente internacional, pode ser alvo de terrorismo. Mas não acho que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que tenha sediado Jogos Olímpicos, como Atenas e Londres. O Rio é, sim, uma cidade maior e mais complexa do que Londres, mais complicada para prover segurança. Além disso, o Brasil mantém-se neutro em termos geopolíticos, mas empresas como a Embraer fornecem aeronaves para a força aérea afegã atacar o "Estado Islâmico". E se você é um jihadista, sempre consegue encontrar uma desculpa para atacar alguém. Por isso, preocupar-se em tornar-se menos alvo não é uma abordagem realista. É preciso, sim, fazer com que as cidades sejam mais resistentes em caso de ataque, saibam responder a ele, para que não haja um desastre.
Na América Latina e no Brasil, há muito tempo vivem comunidades árabes – particularmente libanesas – que não são imigrantes marginalizados, mas sim, ligados a negócios. A existência de populações marginalizadas, excluídas da participação econômica e política, e observadas sob suspeita, gera um ambiente fértil para extremismos e violência. Olhando para o Brasil, eu estaria mais atento à população nas favelas e ao crime organizado e à possibilidade de fecharem linhas de transporte de acesso aos locais das competições.
A crise que o Brasil vive no momento poderia afetar a eficiência da resposta no caso de um ataque?
O que observo no Brasil é uma abordagem de policiamento militar muitas vezes ineficaz, pode até funcionar em certas circunstâncias, mas pode acabar saindo pela culatra, gerando ressentimento e criando áreas praticamente sem presença de policiamento e, quando a polícia aparece, sabe que será atacada de volta. Existe também uma questão de capacidade: cidade e Estado serão capazes de responder rapidamente em caso de urgência, evitando transformar a situação em uma crise ainda maior?
Acredito que o Brasil será capaz de responder efetivamente. Há alguns anos funciona no Rio um centro de controle de segurança que centraliza dados. Há ainda um protocolo de ação estabelecido e a experiência positiva da Copa do Mundo. Mas é claro que instabilidade política em um nível alto pode tornar mais difícil, porque você poderá ter que contar, durante os Jogos Olímpicos, com pessoas que não tiveram experiência anteriormente à frente desses sistemas.
Policiais patrulham praia na Zona Sul carioca: para Kilcullen, Rio é cidade mais complexa do que Londres Policiais patrulham praia na Zona Sul carioca: para Kilcullen, Rio é cidade mais complexa do que Londres
Como a segurança poderia ser afetada?
Há o envolvimento, durante as Olimpíadas, de diferentes forças policiais e esferas políticas. E coordenar tudo é algo complicado. Estabelecer um mecanismo para compartilhar informações rapidamente, verificar o que está acontecendo, onde, e responder de maneira apropriada, é mais difícil do que se imagina.
Durante o ataque de Mumbai em 2008, por exemplo, a força policial da cidade, o Mahastra State Constabulary, e o governo federal não conseguiram coordenar muito bem as ações, e acabaram a atrasando uma resposta em mais de quatro horas, e houve mortes até eles chegarem.
Quando um ataque acontece, há a tendência de responder a ele achando que acabou aí. E aí em seguida outros atentados ocorrem. Este foi o caso de Paris, quando sete ataques aconteceram num intervalo de 90 minutos. Primeiramente houve três ataques – uma estratégia para desviar a atenção dos órgãos: polícia, bombeiros, serviços de emergência. Quando todos estavam ocupados, e a cidade praticamente fechada, outros ataques ocorreram. Esta é uma estratégia adotada agora pelos terroristas.
E como lidar com essa estratégia terrorista?
O mais importante é admitir que pode haver ataques e não ficar pensando muito em como evitá-los, mas em como responder quando acontecerem. Vou dar um exemplo que vai parecer extremo: a Primeira Guerra Mundial começou com um ataque terrorista contra o arquiduque Francisco Fernando. O ataque em si causou três mortes, mas a guerra gerou milhões. O número de pessoas que morreram no atentado às Torres Gêmeas foi superado em muito pelas mortes que ocorreram nos conflitos decorrentes do 11 de Setembro.
Eu tendo a focar em como fazer com que o sistema seja suficientemente robusto para que possa resistir em caso de ataque sem que sofra um colapso total, sem que haja uma onda de violência. Um bom exemplo disso seria Sidney em dezembro de 2014, quando um homem fez reféns em um café no coração financeiro da cidade. A resposta imediata das autoridades foi fechar a área onde o ataque estava acontecendo. Mas fizeram de tal maneira que apenas aquela área foi bloqueada. O resto do centro, ruas, trens, continuaram funcionando. Eles tentaram minimizar a interrupção no restante da cidade, por isso, embora o caso tenha levado um dia inteiro para ser resolvido, e reféns acabaram sendo mortos, a cidade não foi tumultuada mais do que deveria.
Este é um exemplo de sistema flexível, que não fica totalmente destruído quando um incidente acontece. Além disso, as pessoas em Sidney foram às comunidades muçulmanas para dizer "não foi culpa de vocês, foi um cara maluco, estamos com vocês", como num movimento para abraçar a comunidade. Voluntários se ofereceram para andar de trem com pessoas que se sentiam inseguras; houve um movimento no Twitter para diminuir a reação negativa. Isso foi de grande importância para que os ataques terroristas não gerassem uma paranoia, o que levaria a mais violência.

Fonte: Voz da Alemanha.

Brasil

"Crime organizado preocupa mais que terrorismo no Rio"

Ex-estrategista antiterrorismo do governo dos EUA questiona se autoridades estadual, municipal e federal serão capazes de responder de forma coordenada a uma emergência nos Jogos Olímpicos, evitando crise ainda maior.
Policiais em treinamento no Rio de Janeiro: para especialista, Brasil não é terreno fértil para terroristas Policiais em treinamento no Rio de Janeiro: para especialista, Brasil não é terreno fértil para terroristas
A um mês da abertura dos Jogos Olímpicos, o Rio ainda vem tentando responder a questionamentos sobre sua capacidade para sediar o maior evento esportivo do mundo. Além da estrutura para os atletas e turistas, uma das preocupações é sobre a possibilidade de ataque terrorista.
Em entrevista à DW Brasil, o especialista em terrorismo David Kilcullen, ex-estrategista-chefe de Antiterrorismo do Departamento de Estado dos EUA, afirma que o Brasil será capaz de prover a segurança necessária aos visitantes durante os Jogos. Kilcullen, no entanto, alerta que a crise política no país pode prejudicar a coordenação dos trabalhos em âmbitos estadual, municipal e federal.
Embora ressalte que terroristas "sempre encontram uma desculpa" na escolha do alvo, o australiano explica que o Brasil não reúne as mesmas condições de exclusão social de comunidades muçulmanas como países da Europa Ocidental, que facilitam o recrutamento por parte do "Estado Islâmico".
"Não acho que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que tenha sediado Jogos", afirma. "Eu estaria mais atento à população nas favelas e ao crime organizado e à possibilidade de fecharem linhas de transporte de acesso aos locais das competições."
DW Brasil: Como o senhor avalia o risco de ataques terroristas durante os Jogos do Rio?
David Kilcullen: Qualquer evento de grande porte, especialmente internacional, pode ser alvo de terrorismo. Mas não acho que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que tenha sediado Jogos Olímpicos, como Atenas e Londres. O Rio é, sim, uma cidade maior e mais complexa do que Londres, mais complicada para prover segurança. Além disso, o Brasil mantém-se neutro em termos geopolíticos, mas empresas como a Embraer fornecem aeronaves para a força aérea afegã atacar o "Estado Islâmico". E se você é um jihadista, sempre consegue encontrar uma desculpa para atacar alguém. Por isso, preocupar-se em tornar-se menos alvo não é uma abordagem realista. É preciso, sim, fazer com que as cidades sejam mais resistentes em caso de ataque, saibam responder a ele, para que não haja um desastre.
Na América Latina e no Brasil, há muito tempo vivem comunidades árabes – particularmente libanesas – que não são imigrantes marginalizados, mas sim, ligados a negócios. A existência de populações marginalizadas, excluídas da participação econômica e política, e observadas sob suspeita, gera um ambiente fértil para extremismos e violência. Olhando para o Brasil, eu estaria mais atento à população nas favelas e ao crime organizado e à possibilidade de fecharem linhas de transporte de acesso aos locais das competições.
A crise que o Brasil vive no momento poderia afetar a eficiência da resposta no caso de um ataque?
O que observo no Brasil é uma abordagem de policiamento militar muitas vezes ineficaz, pode até funcionar em certas circunstâncias, mas pode acabar saindo pela culatra, gerando ressentimento e criando áreas praticamente sem presença de policiamento e, quando a polícia aparece, sabe que será atacada de volta. Existe também uma questão de capacidade: cidade e Estado serão capazes de responder rapidamente em caso de urgência, evitando transformar a situação em uma crise ainda maior?
Acredito que o Brasil será capaz de responder efetivamente. Há alguns anos funciona no Rio um centro de controle de segurança que centraliza dados. Há ainda um protocolo de ação estabelecido e a experiência positiva da Copa do Mundo. Mas é claro que instabilidade política em um nível alto pode tornar mais difícil, porque você poderá ter que contar, durante os Jogos Olímpicos, com pessoas que não tiveram experiência anteriormente à frente desses sistemas.
Policiais patrulham praia na Zona Sul carioca: para Kilcullen, Rio é cidade mais complexa do que Londres Policiais patrulham praia na Zona Sul carioca: para Kilcullen, Rio é cidade mais complexa do que Londres
Como a segurança poderia ser afetada?
Há o envolvimento, durante as Olimpíadas, de diferentes forças policiais e esferas políticas. E coordenar tudo é algo complicado. Estabelecer um mecanismo para compartilhar informações rapidamente, verificar o que está acontecendo, onde, e responder de maneira apropriada, é mais difícil do que se imagina.
Durante o ataque de Mumbai em 2008, por exemplo, a força policial da cidade, o Mahastra State Constabulary, e o governo federal não conseguiram coordenar muito bem as ações, e acabaram a atrasando uma resposta em mais de quatro horas, e houve mortes até eles chegarem.
Quando um ataque acontece, há a tendência de responder a ele achando que acabou aí. E aí em seguida outros atentados ocorrem. Este foi o caso de Paris, quando sete ataques aconteceram num intervalo de 90 minutos. Primeiramente houve três ataques – uma estratégia para desviar a atenção dos órgãos: polícia, bombeiros, serviços de emergência. Quando todos estavam ocupados, e a cidade praticamente fechada, outros ataques ocorreram. Esta é uma estratégia adotada agora pelos terroristas.
E como lidar com essa estratégia terrorista?
O mais importante é admitir que pode haver ataques e não ficar pensando muito em como evitá-los, mas em como responder quando acontecerem. Vou dar um exemplo que vai parecer extremo: a Primeira Guerra Mundial começou com um ataque terrorista contra o arquiduque Francisco Fernando. O ataque em si causou três mortes, mas a guerra gerou milhões. O número de pessoas que morreram no atentado às Torres Gêmeas foi superado em muito pelas mortes que ocorreram nos conflitos decorrentes do 11 de Setembro.
Eu tendo a focar em como fazer com que o sistema seja suficientemente robusto para que possa resistir em caso de ataque sem que sofra um colapso total, sem que haja uma onda de violência. Um bom exemplo disso seria Sidney em dezembro de 2014, quando um homem fez reféns em um café no coração financeiro da cidade. A resposta imediata das autoridades foi fechar a área onde o ataque estava acontecendo. Mas fizeram de tal maneira que apenas aquela área foi bloqueada. O resto do centro, ruas, trens, continuaram funcionando. Eles tentaram minimizar a interrupção no restante da cidade, por isso, embora o caso tenha levado um dia inteiro para ser resolvido, e reféns acabaram sendo mortos, a cidade não foi tumultuada mais do que deveria.
Este é um exemplo de sistema flexível, que não fica totalmente destruído quando um incidente acontece. Além disso, as pessoas em Sidney foram às comunidades muçulmanas para dizer "não foi culpa de vocês, foi um cara maluco, estamos com vocês", como num movimento para abraçar a comunidade. Voluntários se ofereceram para andar de trem com pessoas que se sentiam inseguras; houve um movimento no Twitter para diminuir a reação negativa. Isso foi de grande importância para que os ataques terroristas não gerassem uma paranoia, o que levaria a mais violência.

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Cerveja: cinco mitos mais comuns sobre a bebida mais antiga do mundo

Chope é uma coisa, cerveja é outra
Não é bem assim. O processo de criação da cerveja e do chope é o mesmo. A única diferença é que a cerveja, aquela que se vende em garrafas, passa por um processo de pasteurização para dar uma sobrevida maior ao líquido. "Um chope dura, em um recipiente específico, de cinco a sete dias. Já a cerveja, quando há a pasteurização, dura pelo menos seis meses. Mas a concepção da bebida é a mesma", explica Thomé Calmon.
Colarinho é ruim e rouba o espaço no copo
Cada um que utilize de uma técnica para não deixar a espuma da cerveja se formar. Evitar copos de plástico ou descartáveis, inclinar a taça ou até mesmo colocar o dedo indicador dentro da bebida são as mais conhecidas. Mas a espuma é responsável por manter o sabor característico do estilo, o amargor, a temperatura, assim como ajuda na liberação do aroma. “Por isso que para as cervejas artesanais o colarinho é muito importante, já que o intuito é proporcionar interação entre todos os sentidos. A espuma faz parte da degustação”, ressalta Thomé Calmon.
Reinheitsgebot foi a primeira lei sobre cerveja
A Reinheitsgebot, ou a Lei da Pureza Alemã, foi aprovada no dia 23 de abril de 1516 em Ingolstadt, na Região da Bavária e diz que uma boa cerveja deve conter apenas água, cevada, lúpulo e levedura. Mas não foi a primeira lei sobre cerveja. Na Babilônia, por volta de 1772 a.C., foi compilado o famoso Código de Hamurabi que, entre outras muitas leis, ditava sobre itens como a quantidade de cerveja que poderia ser consumida por dia, além de instituir um controle de qualidade bastante rígido. Basicamente, ele dizia que quem servisse cerveja ruim seria afogado no líquido.
Os alemães inventaram a cerveja
A cerveja alemã é reconhecida por seu alto padrão de qualidade e o povo do país é lembrado como grandes consumidores da bebida. Talvez por isso muita gente ache que ela veio de lá. Mas, na verdade, ela surgiu há cerca de 6 mil anos e bem longe. Os primeiros registros de cerveja são da região da Suméria, hoje território do Iraque e Kuwait.
O homem foi o grande inventor e produtor da cerveja
Apesar de hoje ser atribuída mais ao universo masculino, a cerveja foi inventada e inicialmente produzida apenas por mulheres. No passado, o homem ficava responsável pela caça e a mulher pelos cuidados do lar e da terra – sendo também consideradas as inventoras da agricultura. Durante o manuseio dos grãos, algum recipiente deve ter ficado exposto à agua, germinando e iniciando o processo de malteação. A partir de então, a cerveja foi fabricada em sua maioria por mulheres, que só “perdeu” espaço quando o comércio, rentável, chamou a atenção masculina, fazendo com que surgissem as grandes indústrias cervejeiras.


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