quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Encontro de física 2016 será sábado.

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Brasil - Deutsche Welle

Dilma Rousseff é cassada pelo Senado

Senadores condenam presidente pelo crime de responsabilidade, encerrando 13 anos de governo do PT e instalando o PMDB de volta ao poder após mais de duas décadas. Petista mantém direitos políticos.
O Senado decidiu nesta quarta-feira (31/08), com 61 votos a favor e 20 contra, condenar Dilma Rousseff pelo crime de responsabilidade e afastá-la em definitivo da Presidência da República, dando posse efetiva ao antes vice Michel Temer. Os parlamentares, porém, pouparam a petista da perda dos direitos políticos por oito anos.
Com o resultado, o PMDB de Temer volta à Presidência após um intervalo de mais de 20 anos. O último presidente filiado à legenda foi Itamar Franco (1992-1994), que também assumiu o cargo na esteira de um processo de impeachment.
O impeachment também marca o fim do ciclo petista na Presidência, que foi iniciado em 2003, com Lula. Agora, o PT vai voltar oficialmente a ser um partido de oposição, algo que já vinha fazendo interinamente desde maio, quando Dilma foi afastada temporariamente do Planalto.
Dilma conseguiu preservar seus direitos políticos após alguns senadores petistas, no último dia do julgamento, convencerem o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que presidiu a sessão do Senado, a dividir a votação em duas etapas: uma sobre a perda do mandato e outra sobre a dos direitos políticos.
O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que presidiu a sessão histórica no Senado Federal O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que presidiu a sessão histórica no Senado Federal
O Senado decidiu, então, contra a perda dos direitos políticos de Dilma, o que permite a ela se candidatar em novas eleições ou exercer cargos públicos. No total, 42 votaram a favor, 12 votos a menos que a maioria de dois terços necessária. Houve três abstenções.
“A votação em separado não trará prejuízo nem à acusação e nem à defesa, porque mantém íntegra a soberania das decisões pelo Plenário”, disse Lewandowski.
A votação encerrou um ciclo de nove meses, iniciado quando o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), um desafeto de Dilma, aceitou um pedido de impeachment elaborado por um grupo de juristas. Eles acusavam a petista de cometer crime de responsabilidade por causa das chamadas pedaladas fiscais e pela publicação de decretos sem a autorização do Congresso.
Com a queda de Dilma, chegou a seis o número de presidentes eleitos pelo voto popular que não conseguiram concluir o mandato após tomarem posse. Com índices recordes de impopularidade e em meio a uma das recessões mais graves da história brasileira, a petista deixa o cargo menos de dois anos depois de assumir o seu segundo mandato, pelo qual foi eleita por 54,5 milhões de votos.
Apoio se diluiu ao longo do processo
Desde o início do processo, Dilma perdeu todas as votações decisivas na Câmara e no Senado que envolveram a continuidade do processo. Em abril, ela não havia nem conseguido o apoio de um terço dos deputados para barrar o processo. O resultado desta quarta-feira já estava sendo previsto há semanas, conforme os aliados de Temer se mostravam confiantes, e Dilma demonstrava dificuldades em contornar a tendência de derrota.
Vários senadores admitiram que os debates e argumentações que ocorreram nas últimas semanas envolvendo o mérito das acusações não fizeram qualquer diferença, e que a maior parte dos parlamentares já havia escolhido o seu lado. Até mesmo alguns petistas já vinham admitindo que seria muito difícil reverter o quadro. Nos últimos dias, aliados de Temer vinham se preocupando apenas em ampliar a sua vantagem na votação.
Desde a votação no Senado que teve como resultado tornar Dilma ré em 10 de agosto, os aliados de Temer conseguiram ampliar sua vantagem em dois votos.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), resolveu votar desta vez e decidiu pela saída de Dilma O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), resolveu votar desta vez e decidiu pela saída de Dilma
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), resolveu votar desta vez e decidiu pela saída de Dilma. Em votações anteriores, o político alagoano vinha evitando tomar posição, alegando que seu posto exigia neutralidade. Já o senador Telmário Mota (PDT-RR), que havia votado contra o impeachment em votações anteriores, mudou de lado e se declarou contra Dilma.
Já o senador e ex-presidente Fernando Collor, que sofreu um processo de impeachment em 1992, também votou contra a petista. Antes da votação, Collor pediu a palavra no Senado e rememorou as circunstâncias da perda do seu mandato.
Vários membros de administrações petistas votaram contra Dilma. Entre eles oito ex-ministros – Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), Marcelo Crivella (PRB-RJ), Marta Suplicy (PMDB-SP), Cristovam Buarque (PPS-DF), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Romero Jucá (PMDB-RR).
Senadores como Romário (PSB-RJ) e Cristovam Buarque (PPS-DF), que chegaram a declarar ao longo do processo que tinham dúvidas sobre como votar, acabaram decidindo pela perda do mandato de Dilma.
Caso deve ser levado ao Supremo
Antes mesmo da votação final, a defesa de Dilma já havia anunciando que pretende contestar o processo de impeachment junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Duas ações nesse sentido já estão sendo preparadas.
Alvo de processo de impeachment em 1992, o ex-presidente Fernando Collor discursa antes da votação Alvo de processo de impeachment em 1992, o ex-presidente Fernando Collor discursa antes da votação
Nos últimos dias, diante da tendência de derrota, Dilma ainda lançou mão de suas últimas cartas. Na segunda-feira (29/08), compareceu pessoalmente ao Senado e discursou por 45 minutos. O tom foi parecido com o de suas últimas declarações públicas. Ela reiterou que considerava o processo uma forma de “golpe” e denunciou o que chamou a deslealdade e traição de ex-aliados.
Desde o início do processo, Dilma afirmou que não pretendia renunciar e que iria resistir até o final. Ela chegou a propor aos senadores e à população que trabalharia para convocar novas eleições caso conseguisse vencer a votação de hoje. Mas a proposta encontrou pouco apoio, sendo rejeitada até mesmo pelo seu próprio partido.
A última fase do processo de impeachment havia sido iniciada na última quinta-feira. Na terça, um total de 63 senadores discursou em uma sessão que se arrastou por 12 horas.
Michel Temer vinha demonstrando impaciência e tentou a todo custo apressar o resultado final para que o peemedebista pudesse viajar para China, onde ocorrereria uma reunião do G20 entre os dias 4 e 5 de setembro.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Discurso de Dilma não convence maioria dos senadores

Brasil

Dilma encerra defesa com apelo a senadores

Interrogada no Senado, presidente afastada fala em "morte da democracia", volta a denunciar "golpe" e apela à consciência dos parlamentares, mas placar do impeachment se mantém desfavorável. Sessão durou 14 horas.

Assistir ao vídeo 01:23

 

 

Veja o apelo de Dilma aos senadores






Após uma sessão que durou mais de 14 horas, a presidente afastada Dilma Rousseff encerrou na madrugada desta terça-feira (30/08) sua defesa no Senado, com apelo à consciência dos

parlamentares que decidirão sobre sua destituição definitiva do cargo.
Mas, segundo analistas políticos e estimativas dos jornais brasileiros, a intervenção de Dilma não servirá para mudar a situação de ampla desvantagem, apesar do tom emotivo e do forte teor político do discurso e de suas respostas.

Assistir ao vídeo 03:07

 

O passo a passo do impeachment

Durante o interrogatório que se seguiu a um discurso de 40 minutos, a presidente afastada denunciou que o país está "perto de um golpe de Estado" e manifestou temor pela "morte da democracia" e que não haja continuidade das melhorias sociais que se alcançaram durante os governos do PT.
Ela também disse que "ainda que minimamente" provou que não havia intenção de sua parte de assinar os decretos que alteraram o Orçamento e que não há razão para acusá-la de ter cometido um "crime de responsabilidade", que a Constituição estabelece como uma razão para o impeachment de um chefe de Estado.

Em seu argumento final, ela pediu aos senadores que tenham "consciência" na hora de votar e advertiu que é "muito grave afastar um presidente da República sem crime de responsabilidade", o que será uma "ferida muito difícil de ser curada".
"Por isso eu peço aos senhores senadores e às senhoras senadoras que tenham consciência na hora de avaliar este processo", disse ao final, já com a voz um pouco rouca e falhando. "É muito grave afastar uma presidente da República sem crime de responsabilidade, mesmo que o impeachment esteja previsto na nossa Constituição."
Enquanto Dilma era sabatinada pelos senadores, houve atos contra o impeachment em várias cidades. Em São Paulo, manifestantes favoráveis à petista entraram em confronto com a polícia, que usou bombas de efeito moral para dispersar a manifestação. No Rio, o protesto foi no centro da cidade, porém sem episódios de violência.
O depoimento de Dilma encerrou a fase de instrução do processo de impeachment. Agora, o julgamento passa à etapa final – com declarações dos senadores; e a votação, marcada para esta terça-feira.
A última votação no plenário do Senado, em 10 de agosto, terminou com 59 votos favoráveis ao impedimento de Dilma e 21 contrários, levando a presidente a julgamento. São necessários 54 votos entre os 81 senadores para que a petista seja afastada definitivamente, e as estimativas da imprensa local são de que a oposição tem apoio mais do que suficiente.
Dilma discursa para o Senado: fala durou 40 minutos, numa sessão de mais de 14 horas Dilma discursa para o Senado: fala durou 40 minutos, numa sessão de mais de 14 horas
"Estamos a um passo do golpe"
As respostas de Dilma aos senadores tiveram o mesmo tom do discurso, que antecedeu a sabatina e durou cerca de 40 minutos. Nele, a presidente afastada denunciou o governo do interino Michel Temer como "usurpador", atacou adversários como o deputado Eduardo Cunha e fez uma espécie de compilação de argumentos da narrativa do “golpe”, que já vinham sendo usados em plateias de apoiadores nos últimos meses.
Para especialistas, apesar da presença dos senadores, a fala de Dilma foi voltada mais uma vez para a militância e não deve ter algum efeito prático na votação do processo de impeachment, cujo placar já sinaliza uma derrota da petista.
Dilma usou a palavra golpe em cinco oportunidades para descrever o processo de impeachment contra ela e ainda fez paralelos entre a sua situação política e a de ex-presidentes brasileiros que foram derrubados ou sofreram com conspirações, como Getúlio Vargas, João Goulart e Juscelino Kubitschek.
“Estamos a um passo da consumação de uma grave ruptura institucional, a um passo da consumação de um golpe de Estado”, disse Dilma.
RPR/ots/efe/rtr
dw.de - 30.08.2016