quinta-feira, 10 de novembro de 2016

MUNDO

Os dólares de Trump vêm de Frankfurt

Grandes bancos americanos há tempos pararam de fazer negócios com o magnata. Seu maior credor é o alemão Deutsche Bank, numa relação turbulenta e de bilhões de dólares.
Donald Trump, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos
Os antepassados de Donald Trump vêm de Kallstadt, um vilarejo vinícola, não muito longe de Frankfurt. E é justamente da capital financeira alemã que o dinheiro vem quando o bilionário presidente eleito dos EUA precisa de um empréstimo.
Trump obtém a maior parte de seu financiamento do Deutsche Bank. O maior banco alemão já emprestou bilhões de dólares ao magnata, numa relação conturbada para ambos os lados.
Os negócios de Trump com o Deutsche Bank começaram em 1995, quando ele adquiriu o arranha-céu antes conhecido como o prédio do Bank of Manhattan Trust. Construído em 1930 e coberto por um belo telhado de cobre, o ícone arquitetônico chegou a ser o edifício mais alto do mundo.
O prédio está localizado a poucos metros da Bolsa de Valores de Nova York, ou seja, um objeto imobiliário de alto valor. Trump garantiu um empréstimo de 125 milhões de dólares com o Deutsche Bank. E, desde então, ambos fecharam diversos acordos.
De amigos a adversários
Em 2003, o banco alemão ajudou a companhia Trump Hotels & Casino Resorts com um empréstimo de renda fixa, totalizando 468 milhões de dólares, para seus cassinos na costa de Nova Jersey. O negócio foi por água a baixo depois de até mesmo o carro-chefe dos cassinos na região, o Taj Mahal, fracassar em gerar lucros.
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O cassino Taj Mahal, localizado na costa de Nova Jersey, falhou em gerar lucros e fechou em outubro de 2016
Em 2005, o Deutsche Bank emprestou 640 milhões de dólares para o Trump International Hotel & Tower, em Chicago. O banco estava ansioso em fechar o negócio, muito provavelmente devido à taxa de 12 milhões de dólares que seria recebida. Quanto a Trump, ele se esforçou no papel de anfitrião para acomodar os banqueiros, levando-os para Chicago em seu jato particular para mostrar os planos do projeto.
Embora o acordo de financiamento de Chicago fosse desejado tanto por Trump como pelo Deutsche Bank, ele também foi o que transformou amigos de negócios em adversários.
De acordo com o Wall Street Journal, Trump não conseguiu quitar 334 milhões deste empréstimo em 2008 por causa da falta de liquidez resultante do estouro da bolha imobiliária nos EUA. Trump então decidiu processar o Deutsche Bank, insistindo que a crise financeira que o impedia de quitar a dívida era na verdade um "caso de força maior" e que o banco deveria perdoá-lo por não pagar a tempo.  
Além disso, o magnata entrou com um processo contra o banco alemão pedindo uma indenização de 3 bilhões de dólares com o argumento de que as práticas de empréstimos do Deutsche Bank durante a crise hipotecária ajudaram a gerar os problemas. Em contrapartida, o Deutsche Bank entrou com uma ação contra Trump por 40 milhões de dólares, que, segundo o banco, tinham sido garantidos pessoalmente pelo magnata.
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A reforma do Old Post Office (dir.), em Washington, é o mais novo empreendimento com apoio do Deutsche Bank
Perdoe, mas não esqueça
Posteriormente, ambas as partes entraram em acordos, mas a relação azedou. Para muitos no Deutsche Bank, Trump se tornou persona non grata. Mas o serviço para clientes privados do banco seguiu aberto para negócios. Desta forma, Trump conseguiu um novo empréstimo, no valor de 125 milhões de dólares, para o Doral Golf Resort & Spa, em Miami, Flórida.
O maior acordo com o magnata veio em 2012, com o financiamento de 950 milhões de dólares para um arranha-céu de Trump no número 1290 da Avenue of the Americas – novamente um item nobre do mercado imobiliário de Nova York. Atualmente, o Deutsche Bank está financeiramente envolvido num outro projeto de Trump: o Old Post Office, em Washington, que está sendo remodelado para virar um hotel de luxo.
A soma dos empréstimos do Deutsche Bank a Trump é de impressionantes 2,5 bilhões de dólares, sem que seja levado em conta o 1 bilhão de dólares em garantias de empréstimos. O banco alemão não é apenas de longe o maior credor do magnata nova-iorquino – ele é o único.
De acordo com o Wall Street Journal, a maioria dos bancos americanos, incluindo Citigroup, JP Morgan e Morgan Stanley, há muito tempo pararam de fazer negócios com Trump, que é conhecido não só por seus sucessos, mas também por fracassos e loucuras nos empreendimentos.

MUNDO

dw.de    10.11.2016

Por que Trump não significa o fim do mundo

Grande parte do Ocidente está em choque após um temido cenário político se tornar realidade: Donald Trump como presidente dos EUA. Reunimos cinco motivos por que as perspectivas não são tão ruins quanto parecem.
Boné com o slogan da campanha de Trump
Slogan da campanha de Trump não é prenúncio de novo imperliasmo americano
Eleição é eleição
Eleições livres são um dos princípios da democracia e são invioláveis. Portanto, os resultados eleitorais devem ser aceitos, independentemente de quem foi o vencedor. Especialmente em um pleito extremamente polarizado, a vontade dos eleitores precisa ser respeitada.
Trump: de populista a pragmático
Provocações fazem parte das campanhas eleitorais, e a luta pela vitória inclui também golpes baixos. Mas, depois do triunfo nas urnas, vem a reconciliação com os adversários políticos. Donald Trump tentou isso em seu primeiro discurso após a eleição. Isso significa que, como presidente, ele deve abrandar ou até mesmo esquecer muito do que defendeu durante a campanha.
Tudo funciona de acordo com o lema: "não é o homem que molda o cargo, mas o cargo que molda o homem". Trump é um homem de negócios e vai agir rapidamente de forma muito pragmática.
Donal Trump
Trump deve abrandar muitas de suas propostas de campanha
A descoberta dos desfavorecidos
Trump é o líder da classe média branca. Nos últimos anos, uma grande parte desse segmento populacional vivenciou um declínio econômico e social e recebeu pouca atenção do establishment político.
O republicano reuniu a frustração da classe média negligenciada, a luta das classes sociais mais carentes pela sobrevivência, a falta de perspectivas ao longo da região chamada Rust Belt (cinturão da ferrugem) e das antigas regiões industriais. Assim, Trump assumiu o papel de representante dos interesses desses grupos.
A esse "senhor" dos desfavorecidos interessa apenas uma coisa: mais postos de trabalho para sustentar famílias. Com Trump, essa parcela da população se move das margens ao centro da opinião pública.
Mais investimentos 
Não existe política boa ou ruim, mas apenas política bem-sucedida. O slogan de Trump Make America great again ("Fazer os EUA grandiosos novamente", em tradução livre) não é, de modo algum, o prenúncio de um novo imperialismo americano.
Ele foca na política interna: infraestrutura em vez do envio de missões ao exterior; pontes e escolas em vez de Síria e Iraque. No final, a política econômica de Trump acabará determinando seu sucesso.
O recomeço de um país
Sob a presidência de Trump, os EUA têm a chance de se reinventarem, refletindo a ira de grande parte dos eleitores do republicano. Há analistas que avaliam a inesperada vitória do milionário como um grito de liberdade.
A profunda divisão no país, que com a vitória de Trump parece ter sido plantada para durar anos, proporciona a oportunidade de reformular o American Way of Life (o estilo de vida dos americanos). Para que não só os hipsters de Manhattan ou São Francisco se beneficiem dele, mas também os cidadãos comuns no sul e centro-oeste. Agora, Trump tem que fazer o que prometeu.


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terça-feira, 8 de novembro de 2016

erça-feira, 8 de novembro de 2016


Polícia detém homem desmatando área de preservação ambiental


SESED/ASSECOM

Policiais militares da Companhia Independente de Proteção Ambiental (CIPAM) detiveram, nesta segunda-feira (7), um homem que estava cometendo crime ambiental em uma área de dunas da praia de Genipabu, na Grande Natal.
Os PMs faziam patrulhamento pela região quando se depararam com um homem em um trator desmatando parte de uma área de preservação ambiental. De imediato, o suspeito foi detido em flagrante.
Tanto o veículo, quanto o tratorista foram encaminhados para a delegacia de Polícia Civil de Extremoz para os procedimentos cabíveis. A empresa responsável pela ação também será chamada para explicar o motivo do desmatamento ilegal.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

   
Ivan Lira de Carvalho
7 de novembro às 17:49
 
ESCOLAS REFERENCIAIS 

Falar da reforma do ensino médio e da Medida Provisória 746/2016, desafia lembranças de instituições que funcionam em algumas capitais nordestinas e que tiveram inegável importância na consolidação do modelo educacional traçado durante Estado Novo, mas que avançou para a era pós-redemocratização (1945), chegando à vigência de um novo regime político “forte” (o de 1964) e daí até os dias atuais, atravessando remodelações ditadas pelas políticas educacionais mutantes e nem sempre eficazes. 

A denominação, a proposta pedagógica e conteudística e até mesmo a arquitetura dos prédios diziam (e dizem) do papel desses colégios no contexto de multiplicação do saber. 

Em Natal, o Atheneu, criado em 1834, teve vários nomes na sua trajetória (Atheneu, Ginásio Potiguar, Instituto de Educação, Atheneu Norte-Rio-Grandense e Colégio Estadual do Atheneu Norte-Riograndense). Quando da inauguração da sede atual - 1954 - o nome do educandário era Instituto de Educação, atendendo à padronização de então. O mesmo acontecia em João Pessoa com o Lyceu Paraibano, criado em 1836 e que além de Instituto sustentou outras denominações (Colégio Estadual da Paraiba e Colégio Estadual de João Pessoa). 

Atendendo à filosofia traçada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação então em vigor, e por influxo de Anísio Teixeira, os Institutos de Educação irradiavam o ensino de excelência a partir das Capitais. 

Com objetivos educacionais e programas mínimos idênticos, as propostas arquitetônicas geralmente tinham similitude, embora com construções separadas por vários anos. O do RN, projeto de José Quirino de Alencar Simões, tem forma de "x", proporcionando a confluência dos alunos para a interseção. Reflete o país redemocratizado, na segunda fase do getulismo. O da PB, concebido por Clodoaldo Gouveia no estilo "art déco", é de 1938, pleno Estado Novo, tem área de retângulo, meio compridão, por si mesmo pouco estimulante a encontros e manifestações. 

Atheneu e Lyceu escaparam da sanha de remodelações físicas que de vez em quando acomete os gestores públicos, ficando os seus prédios atuais como marcos da arquitetura educacional das épocas respectivas. 
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[Crônica minha, publicada no jornal CORREIO DA PARAÍBA, 06.11.16].
ESCOLAS REFERENCIAIS

Fa
07/11/2016 19h02 - Atualizado em 07/11/2016 19h14

MP pede que colunista social devolva R$ 500 mil por ser 'fantasma' na ALRN

Hilneth Correia recebeu quase R$ 500 mil sem trabalhar, diz MP.
Outras quatro pessoas foram denunciadas por viabilizar pagamento.

Do G1 RN
MP pede que Hilneth Correia devolva R$ 500 mil que teria recebido sem trabalhar (Foto: Reprodução/Twitter)MP pede que Hilneth Correia devolva R$ 500 mil que
teria recebido sem trabalhar
(Foto: Reprodução/Twitter)
O Ministério Público Estadual denunciou a colunista social Hilneth Correia como funcionária 'fantasma' da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Outras quatro pessoas, dentre elas o atual secretário geral da AL, Augusto Viveiros, foram denunciadas por viabilizar os pagamentos irregulares a ela. O MP quer reparação da colunista no valor de quase R$ 500 mil que recebeu de remuneração sem contraprestação laborativa. Essa é a primeira denúncia ofertada pelo Ministério Público Estadual, relacionada a funcionários “fantasmas” da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.
O juiz de Direito Raimundo Carlyle de Oliveira Costa, da 4ª Vara Criminal da Comarca de Natal, citou os denunciados Pedro Lopes da Silva Filho, José Eduardo Costa Mulatinho, Augusto Carlos Garcia de Viveiros, Bernadete Batista de Oliveira e Hilneth Maria Correia Santos a responderem a acusação do MPRN, por escrito, no prazo de dez dias.
Ao G1, a colunista Hilneth Correia afirmou que nunca foi funcionária fantasma. "Sou jornalista, sou assessora de imprensa, sempre fiz o meu serviço através dos meios de comunicação. Sempre estive presente nos eventos da Assembleia, sempre noticiei. Atualmente sou lotada no memorial da Assembleia e em breve vou estrear um programa de rádio sobre o memorial", disse. Ela confirmou que quando era assessora de imprensa do gabinete da presidência não cumpria expedianete diariamente. "Antes eu não ia todos os dias. Eu ia em alguns dia da semana. Muita gente trabalha mais fora do que dentro e hoje em dia com internet, computador, se faz esse trabalho de qualquer lugar".
Em desfavor dos denunciados, o MPRN pede a condenação pela prática de condutas tipificadas no artigo 312, caput, do Código Penal (peculato) combinado com o artigo 327, § 1º do CP (para quem equipara-se a funcionário público) e também combinado com o artigo 71 do CP (quando o agente, mediante ação ou omissão, pratica os crimes em continuação).
Na peça acusatória, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Natal relata que Pedro Lopes da Silva Filho e José Eduardo Mulatinho nos anos de 2011 a 2015, o secretário-geral da Assembleia Legislativa Augusto Viveiros a partir do ano de 2015, e Bernadete Batista de Oliveira neste ano de 2016 viabilizaram o desvio de recursos públicos em favor de Hilneth Correia, que em razão do cargo recebeu remuneração sem desempenhar efetivamente qualquer função, no valor de quase R$ 500 mil.
Na denúncia recebida pelo juiz da 4ª Vara Criminal de Natal, o MP requer a condenação dos denunciados; além da reparação dos danos causados pela infração, considerando o prejuízo causado pela denunciada Hilneth Correia no valor de R$ 491.525,13 a ser corrigido monetariamente e acrescido de juros.
A investigação que ensejou a instauração da ação penal é decorrente da reformulação do Portal da Transparência do site da Assembleia Legislativa na internet, permitindo que a sociedade tivesse acesso à informação sobre os valores das remunerações dos servidores da Casa Legislativa sem a identificação do usuário, o que provocou intensa discussão na mídia e redes sociais acerca da existência de servidores fantasmas no âmbito da ALRN.
Na ocasião, ganhou destaque, segundo o MPRN, dentro os possíveis indivíduos que recebiam remuneração do poder público, sem desempenhar efetivamente qualquer função, a pessoa de Hilneth Correia, tradicional colunista social, que divulgava amplamente nas redes sociais seus momentos de lazer e viagens realizadas.
O MPRN constatou que muitas dessas pessoas pediram exoneração e outras retornaram aos seus postos de trabalho na tentativa de desconstruir a alegação de que não compareciam à Assembleia Legislativa. Tal postura não foi adotada por Hilneth Correia. Por meio da interceptação telefônica devidamente autorizada judicialmente constatou-se que a mesma anunciou mudança de rotina, esclarecendo que, doravante, compareceria às dependências da AL/RN na parte da manhã, ainda que rapidamente.
Vários áudios que constam da denúncia confirmam que até então a investigada não comparecia ao local de trabalho, como também revela a postura de servidor de alto escalão, o secretário-geral Augusto Viveiros, que orienta a adoção de prática que dificulte a comprovação de que a subalterna seria servidora “fantasma” do Legislativo estadual.
“Não se trata, portanto, de uma determinação para que comparecesse ao expediente com assiduidade, mas sim de uma escusa para obstacularizar eventual produção de prova por parte dos órgãos de investigação”, traz trecho da denúncia.
Segundo o MPRN, a colunista retornou para a Assembleia e foi lotada no Memorial, exatamente no contexto de intenso patrulhamento social, contudo, com determinação expressa que fosse atestada a sua presença mesmo quando não comparecesse. Tempo em que a Assembleia anunciava ampla reforma administrativa.
“Constata-se, de maneira irrefutável, que em vários dias Hilneth sequer compareceu às dependências da Assembleia Legislativa e que nos demais dias monitorados a sua estada no órgão foi meteórica, apenas para 'marcar presença' e 'ser vista'.”, assegura o MPRN.
O MPRN também juntou registros da Polícia Federal, de entrada e saída, bem como informações prestadas por companhias aéreas, que revelam rotina repleta de viagens nacionais e internacionais da denunciada, sem que se tenha notícias de que a funcionária estivesse de férias ou licenciada.
Na denúncia, o Ministério Público Estadual também destaca que a inassiduidade da colunista não era eventual, o que poderia acarretar apenas sanção na esfera administrativa, mas desvio mesmo de recursos públicos ante a flagrante ausência de contraprestação laborativa, inclusive com falsificação de documentos públicos, a exemplo do que se constatou com folhas de ponto e ofícios dirigidos ao Setor de Recursos Humanos.
O MPRN requereu autorização à Justiça para dar publicidade sobre o conteúdo da denúncia e provas nela citadas, como áudios de interceptação telefônica, e-mails, depoimentos e documentos, considerando que os fatos narrados guardam inegável interesse público, o que foi deferido pelo Juízo da 4ª Vara Criminal, considerando que, “em regra, prevalece o princípio da publicidade, e não havendo necessidade de se restringir o acesso aos presentes autos, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal”.
Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (Foto: ALRN/Divulgação)