sábado, 19 de novembro de 2016

No caminho para o homem falar de uma nave espacial para a base em terrestre.

Carros controlados pela mente: o que já existe e o que é pura fantasia

  • 18 novembro 2016
Projeto Opel Mind, em ParisImage copyrightDIVULGAÇÃO
Image captionMontadora alemã apresentou carro que é ligado pelo pensamento durante o Salão do Automóvel de Paris
Imagine encarar as famosas curvas da estrada de Santos em um carro pilotado apenas pela sua mente.
Como uma espécie de exoesqueleto cibernético, o veículo está conectado a seu cérebro e responde a todos os seus desejos - monitorando seus reflexos involuntários e reagindo antes mesmo de que sua consciência se dê conta das situações.
Fantasia demais? E quem sabe algo mais simples pode ser mais realista, como, talvez, ligar a ignição do carro com sua mente?
Foi exatamente isso que alguns sortudos puderam experimentar durante o Salão Mundial do Automóvel de Paris, no início de outubro.
A montadora alemã Opel, subsidiária da americana General Motors, colocou um estande no evento onde o público podia testar o novo modelo Astra da marca.
Acomodados em um confortável assento, os voluntários recebiam uma faixa de plástico para colocar em volta da cabeça. E simplesmente ao pensar em ligar o carro, conseguiam fazê-lo.
Eis o truque: um sensor na faixa monitora as ondas beta do cérebro do usuário, exatamente como em um eletroencefalograma. Essas ondas, que são resultado da atividade elétrica cerebral, permitem que a faixa dê início a uma conexão Bluetooth ligada à ignição do Astra.

Leitor de pensamentos?

Dormir ao volanteImage copyrightISTOCK
Image captionFabricantes já estão investindo em tecnologia que possibilita ao carro "perceber" quando motorista está menos alerta
Não se trata de milagre. Esses detectores podem perceber quando uma pessoa está pensando, mas não têm a menor ideia sobre o que ela está pensando.
"A verdade é se que você decidir resolver uma equação matemática, o carro também vai ser ligado", revela Jean-Baptiste Herman, um dos fundadores da Tips Tank, a empresa de design de experiências que trabalhou com a Opel no projeto.
Pensar na frase "ligue o carro" poderia também ter funcionado para acionar os limpadores de para-brisas, sintonizar sua rádio preferida ou até dar início a uma cafeteira instalada do outro lado do salão - tudo só depende de onde está a conexão Bluetooth.

Exemplo no Brasil

Apesar de soar como uma grande diversão fantasiosa, o conceito do transporte telecinético - veículos cujo funcionamento é guiado pelas ondas cerebrais do condutor - não está tão longe de virar realidade.
"Essa tecnologia vem de pesquisas realizadas pela medicina", aponta Grégoire Vitry, diretor de marca da Opel Vitry.
Trata-se do mesmo mecanismo que ajuda pessoas com mobilidade reduzida a controlar alguns aparelhos que movimentam seus membros.
Um exemplo foi visto no Brasil, na abertura da Copa de 2014, quando o paraplégico Juliano Pinto, de 29 anos, conseguiu chutar uma bola usando um exoesqueleto robótico comandado pela mente.
O rapaz usou uma espécie de touca com eletrodos embutidos que monitoravam seus sinais cerebrais e os transmitiam para um computador, que, por sua vez, ativou as pernas motorizadas da roupa.
Em 2013, um grupo de pesquisadores da Universidade de Essex, na Grã-Bretanha, usou a chamada interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês) para operar uma versão simplificada de um simulador de nave espacial.
Mas o sistema, que depende de um humano usando uma touca com 66 eletrodos, ainda está em desenvolvimento.

Segurança no trânsito

Até que tudo isso vire realidade cotidiana, essa "telepatia eletrônica" está sendo estudada para outras finalidades do mundo das quatro rodas.
Uma delas é a segurança. Nos EUA, a cada ano, são reportadas à polícia cerca de 83 mil colisões provocadas por motoristas que dormem ao volante - 21% de todos os acidentes de trânsito fatais no país.
Números como esses levaram montadoras como a Mercedes-Benz a desenvolver o recurso Attention Assist, que procura por sinais do volante para identificar o nível de alerta do motorista, sugerir que ele faça uma pausa ou até apontar o local de repouso mais próximo.
Um carro conectado ao cérebro poderia ir além, reagindo ao tipo de atividade neural que corresponde a um estado de sono ou falta de atenção - pesquisadores da Universidade de Pune, na Índia, apresentaram ao mundo um sistema como esse em 2014.

'Cavalo e cavaleiro'

Apesar de a Opel não ter planos de desenvolver a fundo a tecnologia, o sucesso do projeto em Paris indica uma aceitação desse cenário futuro de mais harmonia entre o ser humano e um carro.
A japonesa Toyota está buscando isso com seu Heart Project ("Projeto Coração", em tradução literal).
A iniciativa influenciou o design do carro-conceito FV2, de 2013, que utiliza sensores de voz e de reconhecimento facial para criar uma relação de "cavalo e cavaleiro" entre o veículo e o motorista.
Trata-se de uma ideia que hoje está sendo levada adiante pela empresa no projeto do acompanhante-robô Kirobo Mini.
O carro-esporte GT Concept, da própria Opel, apresentado no Salão de Genebra, em março, exibia uma interface que conseguia compreender o humor e a personalidade do motorista ao monitorar seu comportamento ao volante e usando os dados para fazer ajustes dependendo das situações externas.
"Talvez não cheguemos a controlar um carro com nossos pensamentos. Mas estamos tentando fazer com que os carros entendam melhor seus motoristas", explica Vitry.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sentimentos do mundo nas crônicas de Marcius Cortez

Ramon Ribeiro
Repórter


Para o publicitário e escritor Marcius Cortez, vir a Natal é sempre como voltar a casa do pai. Criado na capital potiguar, desde 1965 que ele vive por aí, dando um tempo num estado e outro – e até fora do Brasil. Mas uma coisa é certa, não importa a distância, o contato com sua terra de origem permanece forte. Um pouco dessa relação pode ser vista nas 51 crônicas que compõem seu mais novo livro “Presente de Natal”, cujo lançamento acontece nesta quinta-feira (17), a partir das 18h, no Clube de Rádioamadores (Tirol).
Ana SilvaMarcius Cortez diz que a publicidade lhe ensinou a objetividade. As crônicas trazem esse olhar rápido e envolvente do autorMarcius Cortez diz que a publicidade lhe ensinou a objetividade. As crônicas trazem esse olhar rápido e envolvente do autor

As crônicas presentes no livro foram produzidas de 2013 até 2016 – algumas publicadas nesta Tribuna do Norte. De tão recentes, algumas tratam de uma Natal inserida no contexto dos últimos acontecimentos no Brasil e no mundo. “O livro é uma mistura de sentimentos. Apesar de recentes, o forte das crônicas é afeto e memórias”, diz o autor em conversa ao VIVER. “É um livro sentimental”.

A capa de “Presente de Natal” é assinada pelo publicitário Kélio Rodrigues. A orelha foi escrita pelo amigo e poeta pernambucano Jomard Muniz de Britto, que diz de maneira nada convencional: “O leitor não se deve atrever em procurar nosso autor com o menor deslize narcisista. Seja narcisismo primário, lunático ou militante. Sua prática inaugura outra imagem convicção e destino. Sem medo de encarar a fé leiga, pulsante, arrebatadora. Redesenhando afetos sem afetação. Ainda nos estimulando com a esperança dificílima em tempo sombrio de transcapitalismos”.

O livro está dividido em quatro sessões. A primeira é voltada para reminiscências de família. Na segunda, o autor parte para um papo mais aberto com o leitor, falando de cultura, política, futebol. Na sessão seguinte ele abre ainda mais o leque de temas, para tratar de lugares da cidade e impressões de viagens. Na última parte do livro é quando o Marcius explora sua literatura de forma mais livre, beirando a ficção. Cada crônica encerra com uma dedicatória a alguém que de alguma forma foi importante para ele.

“A crônica é literatura rápida. Como costumo dizer, quando escrevo lembro daquelas pessoas que estão em um congestionamento”, diz o autor, 72 anos, publicitário aposentado que construiu a carreira em agências de São Paulo, cidade onde vive atualmente. “Aprendi muito com a publicidade. É uma forma de se comunicar de maneira envolvente e objetiva”.

Apesar de ver a Natal de hoje muito diferente do tempo em que era adolescente, seu sentimento, apesar de ora nostálgico, não é saudosista ou pessimista, mas esperançoso. “Vivemos atualmente tempos esquisitos. Mas não há como saber com precisão o que está acontecendo, para onde estamos indo”, comenta. “Acredito que a gente tem mais é que alimentar uma esperança lunática”, afirma.

Para ele, uma das marcas do natalense é a presença de espírito. “O natalense, ao contrário do paulistano, aproveita a vida com prazer.  O paulistano abre mão disso por causa do trabalho”, reflete. “Por outro lado, Natal não consegue ter a vida cultural de São Paulo”.

Cinéfilo, o autor também é estudioso da obra do cineasta Stanley Kubrick. No primeiro semestre de 2017 vai lançar pela editora Perspectiva “Stanley Kubrick – O Monstro de Coração Mole”. O livro é o resultado de oito anos de pesquisa sobre os treze longas dirigidos pelo americano. “Seus filmes não enjoam. Você assiste e sabe que verá de novo várias vezes”, diz. Para ele, sua obra preferida é “De Olhos Bem Fechados” (1999) - “Foi a fase final da carreira. Ele já estava mais amolecido. Fez um rico retrato psicanalisado da mulher”.

Depois do lançamento de “Presente de Natal” na capital potiguar, o escritor pretende lançar o livro em São Paulo. “Às vezes vou no jogo do ABC em São Paulo e vejo como tem potiguar por lá”. Depois, quando encontrar tempo, Marcius pensa em escrever sobre uma figura icônico do Brasil: o vira-lata. “É um tipo de cachorro resistente, inteligente, que sabe sobreviver nas ruas. É um animal tão misturado como a gente”, comenta.

Serviço
Lançamento de “Presente de Natal”, de Marcius Cortez
Dia 17 de novembro, às 18h
Clube de Rádio Amadores (Av. Rodrigues Alves, 1004, Petrópolis)