quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Imagens raras mostram tribo ianomâmi isolada em Roraima

Da EFE

Fonte:UOL
  • Guilherme Gnipper Trevisan/Hutukara
Imagens raras de uma tribo de indígenas ianomâmi praticamente isolada no Brasil, perto da fronteira com a Venezuela, foram divulgadas pela ONG Survival. A organização não-governamental diz que os índios estão em perigo de ser aniquilada perante a presença de cerca de mil mineiros ilegais à procura de ouro, que contaminaram a água com mercúrio.
A ONG, que desde 1969 defende os direitos dos indígenas no mundo todo, afirmou em comunicado que a presença dos mineiros poderia propagar doenças como malária, à qual os Ianomâmis são muito vulneráveis.

Guilherme Gnipper Trevisan/Hutukara
Em imagens aéreas distribuídas pela Survival, é possível ver um grupo de indígenas em um povoado ianomâmi no meio da selva brasileira, que observa a nave desde a qual são fotografados.
A Survival informou que neste povoado pode morar cerca de 100 índios, localizado no Território Indígena Ianomâmi do Brasil, e atualmente menos protegido por funcionários governamentais perante a crise econômica.
No entanto, o xamã e ativista ianomâmi Davi Kopenawa Yanomami declarou que "o lugar onde os indígenas isolados vivem, pescam, caçam e cultivam deve ser protegido. O mundo inteiro deve saber que eles estão aí, em sua selva, e as autoridades devem respeitar seu direito a viver no local".
Davi disse que os mineiros não param de chegar e "não nos deixam em paz".

Guilherme Gnipper Trevisan/Hutukara
A Survival apontou que a escassez de funcionários para a defesa dos direitos dos indígenas corresponde, além disso, aos "planos políticos de debilitar drasticamente a proteção e os direitos territoriais dos indígenas". "Sem apoio contínuo, a equipe responsável pela região ianomâmi não será capaz de proteger o território dos invasores", segundo a ONG, e "inclusive poderia ser suprimida".
Isso deixaria os ianomâmis isolados "em perigo de aniquilação".
Os ianomâmis, aproximadamente cerca de 35 mil, dos quais 22 mil vivem em território do Brasil, segundo os dados facilitados pela Survival, são o povo indígena relativamente isolado mais numeroso da América do Sul, e antes da criação da reserva eram aniquilados pela violência dos colonos, e perante a propagação doenças como gripe e sarampo.
Os indígenas são parte fundamental do cuidado do meio ambiente, possuem um enorme conhecimento botânico e utilizam as plantas como alimentos, remédios e materiais de construção para seus lares, se alimentam por meio da caça, coleta e pesca, mas também cultivam alimentos como mandioca e bananas.

Guilherme Gnipper Trevisan/Hutukara
O diretor da Survival International, Stephen Corry, advertiu que as imagens "são outra prova a mais da existência de mais povos indígenas isolados. Não são selvagens, se não sociedades complexas e contemporâneas cujos direitos devem ser respeitados". "Está claro que são perfeitamente capazes de viver com sucesso sem necessidade alguma das noções de progresso e desenvolvimento externas", acrescentou.

Veja também

terça-feira, 22 de novembro de 2016

2/11/2016 09h12 - Atualizado em 22/11/2016 09h44

Achado em arquivo, processo contra Lampião pode virar peça de museu

Datado de 1940, prontuário lista nomes de 55 integrantes do bando.
Peça inspirou a polícia técnica do RN a idealizar museu sobre o órgão.

Andrea TavaresDo G1 RN
'Prontuário' lista nomes dos 55 cangaceiros do bando   (Foto: Andrea Tavares/G1)Prontuário lista nomes dos 55 cangaceiros do bando (Foto: Andrea Tavares/G1)
Em meio a arquivos centenários do que hoje é o Instituto Técnico de Perícia do Rio Grande do Norte (Itep), se esconde a história da polícia técnica do estado. Em uma sala prestes a ser desativada, foi encontrado um prontuário datado de 29 de abril de 1940, cujo primeiro nome chama atenção: Virgolino Ferreira, vulgo ‘Lampião’. Agora, o chefe de gabinete do Itep, Tiago Tadeu, quer que o documento se transforme em peça de museu. “Vai ajudar a contar não apenas a história forense em nosso estado, mas do próprio instituto”, ressaltou.
"Foram fotos antigas que começaram a despertar curiosidade aqui", conta Tadeu. Antigas fotos do prédio, câmeras que registraram locais de crimes, fichas de identificação, máquinas de datilografia também farão parte do acervo do museu, que ainda não tem data de inauguração nem local definido. O objetivo, no entanto, é claro: "preservar a história da instituição e possibilitar a divulgação do importante acervo documental que foi produzido ao longo deste período, como o documento que cita o mais famoso cangaceiro da história", explica o diretor geral do órgão, o perito Marcos Guimarães Brandão.
Foto antiga revela momento de Lampião e seu bando  (Foto: Reprodução/TV Sergipe)Foto antiga revela momento de Lampião e seu
bando (Foto: Reprodução/TV Sergipe)
Lampião no RN
A passagem do 'rei do cangaço' pelo Rio Grande do Norte foi meteórica, tanto na rapidez quanto na devastação. "Ele passou 96 horas no estado, e por onde passou só deixou desgraça", conta o coronel da PM aposentado Ângelo Dantas, que também é pesquisador. A história já é conhecida: em 1927, Lampião e seu bando foram rechaçados pelos habitantes de Mossoró, cidade da região Oeste potiguar, que, liderados pelo então prefeito Rodolfo Fernandes, defenderam a cidade. Após a passagem dos cangaceiros, segundo o pesquisador Rostand Medeiros, foram abertos três processos contra Lampião e seu bando. "São de onde o bando deixou rastros. Em Martins, Pau dos Ferros e Mossoró", destaca.
Documento achado no arquivo do Itep, em Natal, é uma lauda escrita à fina caligrafia onde constam os nomes dos 55 criminosos mais temidos do sertão nordestino. Ao final, a informação de que os homens citados são enquadrados nos artigos 294 (Matar alguém)  (Foto: Andrea Tavares/G1)Documento achado no arquivo do Itep, em Natal, é uma lauda escrita à fina caligrafia onde constam os nomes dos 55 criminosos mais temidos do sertão nordestino. Ao final, a informação de que os homens citados são enquadrados nos artigos 294 (Matar alguém) (Foto: Andrea Tavares/G1)
O documento achado no arquivo do Itep, em Natal, é uma lauda escrita à fina caligrafia onde constam os nomes dos 55 criminosos mais temidos do sertão nordestino. Ao final, a informação de que os homens citados são enquadrados nos artigos 294 (Matar alguém) e 356 (Subtrahir, para si ou para outrem, cousa alheia movel, fazendo violencia á pessoa ou empregando força contra a cousa", como consta no Código Penal dos Estados Unidos do Brasil de 1890).
“Pouco se sabe sobre esse documento, mas tem ligação com o processo da comarca de Pau dos Ferros. O fato de estar em Natal pode ser apenas para deixar registrados os nomes e deixar alguma informação sobre o bando", explica o coronel Ângelo. Lampião foi morto em 1938, e o documento exibe a data de feitio em 1940, reforçando a ideia de que é uma ata dos processos contra o bando.
No Itep, o trabalho de apuração e restauração do material começou com o resgate de peças que estão em salas que serão desativadas em breve. Feito isso, seguem as etapas de higienização, reparo de documentos e classificação. Tiago Tadeu explica que as atividades também irão contemplar a digitalização de todo o acervo do instituto.
 
Tiago Tadeu, chefe de gabinete do Itep (Foto: Andrea Tavares/G1)Tiago Tadeu, chefe de gabinete do Itep (Foto: Andrea Tavares/G1)
‘Aqui se faz ciência’
"Aqui se faz ciência. Aqui se faz história", ressalta Tadeu sobre o instituto. Em 2016, o Itep comemorou 41 anos, mas sua história é mais antiga. Aqui no Rio Grande do Norte existem registros de laudos confeccionados já nos séculos XVIII e XIX. Mas esses exames eram sempre realizados por peritos e não existia órgão específico para tal. Somente em agosto de 1909, através de Decreto, foi que o governador, à época, criou dois cargos de médico, sendo: um de médico do Batalhão de Segurança (denominação da Polícia Militar) e o outro de médico da polícia. Este último recebeu as atribuições de médico legista. Mas como a carência desse tipo de profissional era muito grande, o mesmo médico foi nomeado para os dois cargos. Trata-se do Dr. Antônio Emereciano China, verdadeiramente, o primeiro médico legista, devidamente nomeado e empossado no cargo, de que se tem notícia aqui no RN. Em 1910, foi criado um órgão denominado Enfermaria de Urgência, cuja finalidade era funcionar em caráter ininterrupto para atender às requisições das autoridades policiais como exames de corpo de delito e perícias. E em 30 de abril de 1975 o órgão passou a ser o Instituto de Medicina Legal e Criminalística.
Coronel Ângelo Dantas deixou o comando da PM nesta quinta-feira (21) (Foto: Fernanda Zauli/G1)Coronel Ângelo Dantas
(Foto: Fernanda Zauli/G1)
Segundo o chefe de gabinete do Itep, o trabalho de se criar um museu está sendo idealizado para contribuir com o fortalecimento de uma responsabilidade social. “Nesse projeto de resgate da memória técnica do instituto, pretendemos apresentar um acervo que contemple a devida importância do órgão no estado", explica. Já para o coronel Ângelo Dantas, a ideia do museu é promessa de sucesso. "Eu só tenho a aplaudir. Ele está no caminho certo, cultura é produtiva", comemora.
Morte de Lampião
Faz 78 anos que Lampião e seu bando foram mortos. Eles acamparam na fazenda Angicos, no Sertão de Sergipe, no dia 27 de julho de 1938. A área era considerada por Virgulino como de extrema segurança, longe das vistas das forças policiais. Mas, na manhã do dia seguinte, os cangaceiros foram vítimas de uma emboscada, organizada por soldados do estado vizinho, Alagoas, sob a batuta do tenente João Bezerra. De acordo com pesquisadores, o combate durou somente 10 minutos.

domingo, 20 de novembro de 2016

Como conviver com a seca.

A ASA realiza de 21 a 25 de novembro, em Mossoró (RN), o seu nono Encontro Nacional

Visibilizar a convivência com o Semiárido, o armazenamento de sementes crioulas e a
agroecologia como o modelo de produção a ser implementado em toda a região semiárida. É com este desafio, que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) realiza a IX edição do EnconASA (Encontro Nacional da ASA), na cidade de Mossoró (RN), no território Vale do Açu no oeste Potiguar. O evento abordará o tema “Povos e Territórios: Resistindo e Transformando o Semiárido” e reunirá mais de 400 pessoas vindas de todos os estados do Nordeste e do Norte e Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.

Contudo, neste primeiro encontro pós a Articulação completar mais de 15 anos de história e de luta, os desafios têm maiores dimensões, afinal o Brasil enfrenta uma grave crise social, política e econômica que já começa a afetar os programas e políticas de convivência com o Semiárido. “O EnconASA vai acontecer em meio a essa grande crise política. Com isso, está em jogo também a continuidade das nossas ações; está em jogo as políticas públicas de convivência, as cisternas para beber, produzir e educar, o crédito, PAA [Programa de Aquisição de Alimentos], PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar] que ajudam o homem e a mulher do Semiárido a viver com dignidade”, salienta o coordenador-executivo da ASA pelo estado do Rio Grande Norte, Yure Paiva.

Ele destaca ainda, que a situação deve se agravar, sobretudo ao analisar os novos prefeitos e vereadores eleitos que vão gerenciar os municípios brasileiros pelos próximos quatro anos. “Os resultados das eleições municipais ajudou no fortalecimento da direita conservadora, homofóbica, perseguidora que quer tirar do povo brasileiro os direitos conquistados à custa de muito suor, sangue e de vidas. E essas PECs (Projetos de Emenda à Constituição) são de fato uma afronta a tudo isso que conquistamos até hoje”, reitera Paiva.

O cenário de perdas de direitos preocupa a sociedade civil organizada e as populações do Semiárido que agora testemunham as ameaças causadas pela chamada “PEC do fim do mundo” que agora tramita no Senado Federal e congela os investimentos em saúde, educação e previdência pelos próximos 20 anos. Soma-se a isto, o fim do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a redução de investimentos em programas como o Bolsa Família e em tecnologias de convivência com o Semiárido, em um momento em que a região enfrenta seu quinto ano consecutivo de seca. Neste sentido, o EnconASA vai visibilizar e refletir a conjuntura atual à luz de experiências de convivência com o Semiárido que perpassam por áreas como terra, água, segurança e soberania alimentar e nutricional, economia solidária, educação contextualizada, direitos das mulheres, biodiversidade, comunicação como direito, dentre outras. Além disso, estão previstos, durante o evento, espaços para a socialização de experiências representativas do território Vale do Açu que engloba o município que sediará o evento.

Em territórios como este, localizado no Oeste potiguar, são perceptíveis as ações conflituosas dos dois modelos antagônicos: o da Convivência e o da Exploração (exemplificado pelo hidro e agronegócio). É a partir desses confrontos e da resistência dos povos do Semiárido, que a ASA reafirma ao Estado e à sociedade a defesa da convivência com o Semiárido como o modelo de desenvolvimento para a região.

“O IX EnconASA visa fortalecer as ações de convivência com o Semiárido partindo das trajetórias e lutas dos diversos territórios de resistência da região. Além disso, entendemos que é importante fazer o debate acerca dos modelos de desenvolvimento em disputa: o modelo da agricultura familiar e da convivência que está sendo confrontado com o modelo do agronegócio”, pontua Yure.

VALORIZAÇÃO DO PAPEL DAS MULHERES
Outro tema desafiador para a Articulação, em seu trabalho pela promoção da convivência, está relacionado à valorização e visibilidade do papel das mulheres no campo. “Podemos dizer que avançamos em alguns aspectos, mas ainda é muito forte a questão cultural, que delimita o papel da mulher na família, na comunidade e na sociedade. Esse desafio não está posto apenas para as famílias camponesas, ele se encontra também no seio das nossas organizações e da nossa rede. Desse modo, a cultura machista e todas as suas dimensões é um grande desafio não só para ASA, mas para todos os movimentos”, provoca a Coordenadora-executiva da ASA pelo estado de Minas Gerais, Valquíria Lima.

No Semiárido, são as mulheres camponesas que dão conta da maior parte das atividades domésticas e produtivas dos quintais. A elas cabe, na maioria das vezes, a responsabilidade para cuidar dos filhos, da casa, alimentar as aves, regar os pomares e  hortas e beneficiar os produtos. Mesmo com essa sobrecarga de trabalho, muitas são vistas apenas como “a pessoa que ajuda” e na hora de decidir sobre como será usada a renda familiar é o homem quem decide onde será gasto o dinheiro da família.

Portanto, Valquíria reforça que “o EnconASA precisa dar visibilidade a essas desigualdades, fortalecer os avanços e apontar os desafios. Sair como uma das prioridades da ASA para seus próximos anos: a Justiça de Gênero na convivência com o Semiárido”. Sobre o combate ao machismo e à promoção da divisão justa do trabalho, a coordenadora destaca que é preciso “reconhecer e valorizar o papel de mulher nas ações de convivência com o Semiárido, dando visibilidade às suas experiências de vida, investindo e estimulando a formação de grupos de mulheres que possam debater temas específicos como empoderamento, autoestima, violência, participação política e as relações de gênero”.

PROGRAMAÇÃO DO ENCONASA
Várias atividades integram o Encontro Nacional da ASA: oficinas temáticas, grupos de
discussões, plenárias, assembleias, feira de saberes e sabores, visitas às experiências
temáticas, momentos culturais, atividades de comunicação, místicas/celebrações e ato
público. O evento congrega um processo participativo que valoriza os saberes e o
protagonismo dos/as agricultores/as do Semiárido Brasileiro.


Contatos:
Assessoria de Imprensa – Rio Grande do Norte
Ellen Dias (Mossoró): 84 99667.6246
José Bezerra (Natal): 84 99982.9723
Coordenação da Asa Potiguar
Yure Paiva – Coordenador – 99969-4371
José Procópio – vice-coordenador – 99928-0448
Por Elka Macedo – Asacom

Fotos relacionadas à divulgação
por Hugo de Lina, Ana Lira e 
Fábio Caffe, respectivamente
Via Assessorn.com