quinta-feira, 8 de dezembro de 2016



No dia 15 de dezembro, a partir das 18 horas, no Clube do Radioamador, Av. Rodrigues Alves, no Tirol (vizinho à Cidade da Criança), em Natal, haverá o lançamento do livro “Memórias, Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza”, organizado pelos professores da UFRN Geraldo Queiroz, Nicolau Frederico, Rejane Lordão e Tarcísio Gurgel.

O professor Geraldo Queiroz, ex-reitor da UFRN, esclarece que em março deste ano completou 50 anos da graduação da primeira turma, da qual ele fez parte com muito orgulho, e também 40 anos da regulamentação que consolidou o Curso de Comunicação da UFRN, criado no final de 1975 e que a sucedeu.

"Em nome dos organizadores, convido todos a participar do lançamento, especialmente aqueles que deram e dão continuidade à missão da antiga Faculdade, marco na história do Rio Grande do Norte. O livro demonstra isso, através das várias narrativas de seus autores."

Com essa obra, o leitor terá elementos para ajuizar a importância do legado da Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza para a história, a educação e a cultura do Rio Grande do Norte.
Assessoria de Comunicação 
CCHLA/UFRN /(84) 3342-2243
foto relacionada à publicação

capa livro


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Postado por João Bosco de Araujo no AssessoRN.com em 12/08/2016 06:53:00 PM
Qual o DNA de Renan?
Tomislav Femenick - Historiador

A notícia bomba deste inicio de semana foi o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado. Isso me fez voltar no tempo, para o ano de 1951, quando eu tinha doze anos e fui morar em Maceió. A capital das Alagoas era uma cidade pequena, com cerca de cem mil habitantes, muito bela e com um povo muito afável e acolhedor. Suas ruas tinham pouco movimento e, de quando em quando, passava um bonde. Eu estudava no Colégio Guido de Fontgalan, tomava banho de mar em Pajuçara e na Praia da Avenida e ia às vesperais dançantes do Clube Fênix; vez ou outra acompanhado de Marcelo Lavenère.
No ano seguinte, com treze anos de idade, comecei a trabalhar como repórter no Jornal de Alagoas, órgão dos Diários Associados, então a maior cadeia jornalística do país. Fiquei conhecido como o benjamim da imprensa alagoana, isso é, o mais jovem dos jornalistas (Benjamim foi o filho mais novo de Jacó, líder de uma das tribos de Israel). Entre outras ousadias, entrevistei Juscelino Kubitschek, quando ainda candidato a presidente; Gilberto Freyre; o governador Arnon de Melo, o pai do ex-presidente Collor; o general Janari Nunes, presidente da Petrobrás; João Agripino Filho, então secretário geral da UDN e futuro governador da Paraíba; o almirante Álvares Câmara, Ministro da Marinha; os escritores Jorge Amado e Eneida e os pintores José Pancetti, Pierre Chalita e Maria Tereza. Dois anos mais tarde, fui nomeado para o cargo de subsecretário da redação e admitido como o mais novo sócio na história da Associação Alagoana de Imprensa. No jornal fiz amizade com Otacílio Colares, Carivaldo Brandão, Aldo Ivo, os irmãos Arnoldo e Aroldo Jambo, Dóris Cristiano, Josué Jr., o Zuza da clicheria, o Arnaldo linotipista e muitos outros, inclusive com um cirurgião-dentista que, nas horas vagas, era repórter fotográfico do jornal. Até então, para mim, Alagoas era uma terra risonha e franca.
No dia 11 de novembro de 1955 – dia do chamado “golpe de Lott”, quando o então Ministro da Guerra impediu que Café Filho continuasse presidente da República – o Secretário de Segurança do governo estadual, ligou para a redação convidando-me para acompanhar uma importante ação policial. Era o empastelamento do jornal comunista “A Voz do Povo”, que tinha transcrito algumas matérias minhas; inclusive a entrevista que fiz com Juscelino. Fui, vi e fiquei preso por algumas horas. Depois, quando acumulei as funções de subsecretário com a de cronista parlamentar na Assembleia Legislativa, me deparei com a barricada de sacos de areia que havia por trás das mesas da presidência, da secretaria da casa e da “bancada” de imprensa. É que os senhores deputados eram muito afobados e costumavam andar armados, até no Plenário.
Nesse período conheci também Donizete Calheiros, um dos ícones do jornalismo da terra e pai de minha amiga Leige. Donizete usava muletas, pois tinha perdido uma perna, “lembrança” de quando os Góis Monteiros dominavam Alagoas e o tinham prendido e torturado. Fui percebendo, então, que a terra dos Marechais tinha um lado que não era assim tão risonho; um lado obscuro e não totalmente franco. Anos depois voltei para o meu Rio Grande, o do Norte, fui para o sul que eu pensava ser maravilha, andei por esse mundão de Deus e mais uma vez voltei para o meu Estado. Entretanto, sempre que possível, passo por Maceió ou telefono para um dos meus amigos alagoanos, pois lá desfrutei de alguns dos melhores anos da minha adolescência. Há alguns anos redescobri Carivaldo Brandão e com ele falava por telefone.
Uma figura recorrente em nossas conversas com Carivaldo era Donizete Calheiros, um exemplo para todos nós daquela época, em que o jornalismo era uma profissão de idealistas e o exercício da honra uma constante. Na última conversa lhe perguntei:
– O Renan Calheiros é parente do Donizete Calheiros?
– Acho que não. Só se o DNA foi trocado – A resposta lacônica, mas que disse tudo.

domingo, 4 de dezembro de 2016

http://carloscostajornalismo.blogspot.com.br/2016/11/fidel-historia-e-realidade.html


FIDEL A HISTÓRIA E A REALIDADE

Enquanto o mundo discute pelas redes sociais, principalmente, qual será o futuro de Cuba, com a morte aos 90 anos, do “el comandante” Fidel Castro, muitas vezes com ódio extremo, outras vezes com simpatia, aqui no Brasil mais escândalos e denúncias contra o Governo Michel Temer são reveladas, advogados da Comissão de Direitos Humanos de SP são presos, conivências de agentes penitenciários que deixam entrar  aparelhos celulares, drogas e outras coisas mais que deveriam ser barradas nas revistas.  Os carcereiros estão cumprindo dupla jornada trabalhando: uma para o Estado; outra, para os criminosos e fazem vista grosa! Com a  pecaminosa e  socialmente prejudicial a todos,  bandidos de SP começaram a usar seus “escritórios do crime”  nas cadeias, estão telefonando para presos do Rio de Janeiro, com promessas variadas tentando arregimenta-los para aderir à facção criminosa deles, como se fosse uma empresa legalizada e normal. Cadê os bloqueadores de celulares, que por um fim nessa balbúrdia toda?

Não reduzirei e nem defenderei a importância histórica de Fidel Castro. Querendo ou não os críticos, ele foi um dos mais duradouros e emblemáticos líderes de revolução em cubana e serviu para várias ideologias de esquerda na América Latina. Derrubou do poder o “menino de ouro americano”, Fulgêncio Batista, implantou o comunismo na ilha e  sobreviveu com o empobrecimento dos que viviam na pobreza  em Cuba. O ditador Fidel teve como mérito erradicar o analfabetismo, desenvolver a saúde e investir no esporte. A miséria do povo cubano, porém,  em termos gerais, ficou muito bem registrada no livro O REI DE HAVANA, romance  que faz parte da “Trilogia suja de Havana”, escrito por  Pedro Juan Gutiérez, disponível para ser baixado em PDF. (https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=o%20rei%20de%20havana%20pedro%20juan%20gutierrez)  Enquanto se discute o futuro de Cuba pós-Fidel, sob o comando do  irmão Raul Castro, os Estados Unidos de Donald do presidente Trump anuncia que vai rever o acordo de aproximação com Cuba, assinado por  Barak Obama, com a mediação do papa argentino Francisco.

Voltemos ao Brasil, onde o Governo Michel Temer enfrenta dificuldades políticas com denúncias contra seu governo vindo do próprio ministro da cultura, Marcelo Calero, que disse “o servidor público tem que ser leal; mas conivente, não!” O primeiro dado pelo ex-ministro  Celero abateu  o Ministro Gedel Vieira Lima, responsável pela interlocução política do Governo Temer. Para ocupar a pasta da articulação política, o presidente ainda não indicou ninguém. Enquanto isso, advogados que defendiam direitos humanos são presos em SP, envolvidos em denúncias de conluio com os bandidos. O advogado  presidente do Conselho de Direitos Humanos já admitiu ter recebido dinheiro dos criminosos para fazer denúncias falsas contra autoridades e fiscalizar só prisões indicadas por eles. Na outra ponta, criminosos de SP começaram a aliciar bandidos presos do RJ, pelo telefone celular, prometendo benefícios, diversos, ajuda jurídica em vários Estados do Brasil, inclusive para seus familiares, cooptando-os a entrar em sua facção criminosa para que possam dominar a distribuição e venda de drogas na capital paulista.

Em quais presídios foram instalados os bloqueadores de celulares adquiridos?  Esse problema é tão antigo que remonta da época em que o falecido vice-presidente de Lula, empresário José de Alencar, já falecido, quase caía no golpe do falso sequestro de uma de suas filhas! Ele prometeu que trabalharia em prol da imediata aquisição dos bloqueadores para serem instalados nos presídios. José de Alencar já morreu faleceu em 1º de janeiro de 2011 e hoje quase ninguém fala mais nesse assunto.

Uma pena que hoje os bandidos mandem mais do que o próprio Estado nas prisões!

Enviado do meu LG Claro

Artigo-opinião de Carlos Santos - jornalista
A revolução sem ternura
Tomislav R. Femenick - Historiador

No final dos anos cinquenta do século passado, o mundo vivia o período da guerra fria ao mesmo tempo em que as ideias liberais e democráticas afloravam no mundo ocidental. Na França, um referendo popular aprovou a Constituição da V República, logo revisada para permitir a independência das antigas colônias. Na Inglaterra também se iniciou uma política de descolonização.

No inicio da década seguinte, Kennedy foi eleito presidente dos Estados Unidos e Kubitschek presidente do Brasil. Foi nesse clima de boa vontade, que eclodiu a revolução que derrubou o frágil e corrupto governo do ditador cubano Fulgencio Batista e levou o “comandante” Fidel Castro ao poder, em 1959.

A luta revolucionária começou sua vitória no verão de 1958, quando Fidel se firmou em Sierra Mestra, seu irmão Raul em Sierra Del Cristal e Che Guevara e Camilo Cienfuegos nas montanhas de Escambray. No dia primeiro de janeiro de 1959 Guevara e Cienfuegos ocuparam Havana. Fidel chegou à capital oito dias depois, quando formou um governo integrado por todos os que faziam oposição ao ditador Batista, assumindo o poder como um nacionalista, liberal e socialdemocrata. De sua plataforma constava a realização de eleições livres e a restauração da Constituição.

O famoso historiador comunista inglês Eric Hobsbawn, faz duas afirmações que devem ser levadas em conta. A vitória do exército rebelde foi genuinamente apoiada pela maioria dos cubanos como um momento de libertação e de infinitas promessas. No período de luta revolucionária, “nem Fidel Castro, nem qualquer de seus camaradas eram comunistas [...] e o Partido Comunista Cubano era notadamente não simpático a Fidel”. Entretanto, logo após a tomada do poder os revoltosos deram mostra da sua radicalização, quando o processo revolucionário extrapolou para o fuzilamento dos seus inimigos (reais ou pretensos), que eram julgados sem defesa e sumariamente fuzilados. As cenas de fuzilamento, em pleno campo de esportes de Havana, eram transmitidas pela televisão. Calcula-se que 400.000 pessoas foram detidas como prisioneiros políticos. Só em dezembro de 1961 Fidel Castro se proclamou marxista-leninistas e afirmou o caráter socialista da revolução cubana.

Mas a revolução cubana também teve as suas vítimas internas. Vários destacados guerrilheiros acabaram presos, exilados ou morreram de forma enigmática. Aníbal Escalante (fundador do Partido Comunista de Cuba e integrante do governo) foi mandado para o exilo e, em um segundo julgamento, condenado a 15 anos de prisão. O comandante Abel Palomino passou 30 anos de sua vida na prisão de “La Cabana”. Outro comandante, Huber Matos, foi condenado a 20 anos de prisão. O ministro da Reforma Agrária, comandante Sorí-Marin, foi preso e fuzilado. Houve estranhos acidentes, como o misterioso desastre aéreo em que morreu Camilo Cienfuegos, comandante do Exército Rebelde.

Existe, ainda, a polêmica: Che Guevara foi ou não alijado do governo e traído por Fidel? Há evidências que sim e outras que não. O certo é que a presença de Guevara “bipolarizava”, dividia, a liderança carismática da ilha entre ele e Fidel. É certo, também, que as informações que foram dadas ao argentino sobre as condições reais da revolução boliviana foram superdimensionadas, o que o induziu ao erro, fazendo com que caísse numa armadilha que o levou à morte.

Quem faz essas acusações é Dariel Alarcón Ramírez, o “comandante Benigno”, ex-chefe e instrutor dos latino-americanos que treinavam em Cuba, um dos cinco que sobreviveram à campanha do Che na Bolívia e exilado na França. O bizarro é que Guevara e Cienfuegos estão enterrados no panteão dos heróis da Revolução Cubana, na catedral de Havana, ao lado dos túmulos de Cristóvão Colombo (?) e de José Martí, este o herói máximo dos cubanos.

O regime de Fidel Castro fuzilou entre 15 mil e 17 mil pessoas, 10 mil só na década de 1960. Entre as últimas vítimas do “paredón” cubano estão Lorenzo Enrique Copeyo Castillo, Bárbaro Leodán Sevilla García e Jorge Luis Martínez Isaac, executados em 2 de abril de 2004.

Em uma entrevista, a filha de Fidel Castro, Alina Fernandez Revuelta, disse: “O grande problema deste país [Cuba] é que várias gerações embarcaram na conquista de um sonho, mas só alcançaram um pesadelo, e não querem reconhecê-lo”.

Tribuna do Norte. Natal, 03 dez. 2016