quinta-feira, 4 de maio de 2017

O que vi e aprendi aos70
BERILO DE CASTRO 

· a dormir em rede;

· a dormir e acordar cedo;

· a cuidar mais da saúde;

· a viajar no imaginário das boas leituras;

· a escutar mais e falar menos;

· a gastar menos e guardar mais;

· a administrar os paraefeitos da idade;

· a usar mais a razão do que a a emoção;

        a repelir com horror e indignação as danosas,  maléficas e criminosas torcidas organizadas de  
          futebol;

· a continuar praticando atividade física;

· a continuar com os divertidos, animados e relaxantes papos com amigos, regados a um bom uísque;

· a admirar cada dia mais as belas  poesias musicais (raras, hoje);

· a detestar e não suportar a poluição sonora, com o uso criminoso de" paredões"- um atrazo secular e sem solução;

· a admirar  mais os homens de bom caráter;

· a ojerizar a mentira e detestar a falsidade;

· a conviver com a simplicidade e valorizar mais o humano;

· a não aceitar o gene da ganância como dominante;

· a me indignar mais e mais com a corrupção institucionalizada;

· a continuar a não entender as pessoas raivosas e mesquinhas;

· a repulsar veementemente a ingratidão;

· a assistir, cada vez mais revoltado e deprimido, ao descaso, à indiferença e ao abandono na saúde pública;

· a continuar  assistindo tristemente ao descaso e à deteriorização do sistema de ensino público;

        a acreditar e me sentir triste, envergonhado e roubado em saber que nos  últimos quinze anos o país foi criminosamente governado por um antro de corruptores de  um Departamento de Propina da Empresa Construtora Odebrecht;

· a avistar, finalmente, políticos corruptos e empresários corruptores na cadeia;

· a acreditar e louvar o novo perfil do Ministério Público;

· a enaltecer a coragem e a independência da nova geração de Promotores Públicos e da Polícia Federal;

· a continuar a não vislumbrar solução para o  combate às drogas, o  mal maior do século;

· a, infelizmente, assistir à falência total do sistema carcerário e o seu domínio  nas  mãos das facções criminosas;

· a assistir; indignado, triste e revoltado, à total insegurança que assombra, ameaça e domina a população nos dias atuais;


· a, infelizmente, continuar enxergando as pessoas mais egoístas e o mundo mais desumano e cruel.

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