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Tribuna do Norte.
22 de maio de 2012 às 10:12
A cidade de Currais Novos é hoje destaque na mídia nacional.
Reportagem do jornal Valor Econômico, produzida pela correspondente em
Sidney Vanessa Dezem , mostra que a região do Seridó receberá um
investimento de R$ 400 milhões para uma mina em Currais Novos.
Veja a matéria na íntegra:
A região de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, é tradicional para
a história de produção do ouro no Brasil. Ali, o garimpo começou na
década de 20, produção depois evoluída para novas tecnologias, com o
interesse de grandes empresários na região. Agora, quem pisa nas
reservas nordestinas é um grupo australiano, em busca do metal precioso.
A Crusader, empresa com capital aberto em Sydney, vai investir R$ 400
milhões na construção de uma unidade de beneficiamento de ouro e prevê
uma capacidade de produção de 5 toneladas do metal (150 mil onças) por
ano por dez anos. O projeto Borborema fará com que a companhia se torne uma das principais produtoras brasileiras de ouro.
“Nós arriscamos e agora acreditamos que essa área tem potencial para
ser uma das maiores do país”, afirmou ao Valor, o presidente executivo
global da Crusader, Robert Smakman. Em 2010, a australiana adquiriu o
projeto de uma pequena empresa que o havia comprado do empresário Eike
Batista.
A região foi explorada desde a década de 90, mas com o recuo dos
preços do ouro e a exigência de novos investimentos, à medida que o ouro
de mais fácil extração ia acabando, decidiu vender o negócio. A pequena
empresa que comprou o Borborema, por sua vez, não tinha capital
suficiente para dar continuidade à exploração. “Eles achavam que Eike
tinha tirado todo o ouro dali. Nós tínhamos uma opinião diferente”,
conta Smakman.
A aquisição na época foi concluída por US$ 2,4 milhões e desde então,
a australiana iniciou os estudos na região. Foram gastos US$ 15 milhões
até hoje e, em setembro do ano passado, a empresa concluiu a fase
preliminar dos estudos de viabilidade e no início deste ano, assinou um
protocolo de intenções com o governo do Estado do Rio Grande do Norte
para a produção.
Com o preço do ouro no patamar dos cerca de US$ 1.500 a onça-troy (31
gramas), estima-se faturamento anual de cerca de US$ 230 milhões com o
projeto.
Os custos de
extração e exploração do metal no projeto, no entanto, são grandes.
Segundo Smakman, o custo de produção de uma onça de ouro soma cerca de
US$ 700 e o teor aurífero da jazida na região não é elevado: de 1,2
grama de ouro por tonelada de minério extraída e beneficiada.
“A produção é difícil, mas as empresas australianas estão acostumadas
com isso e detemos tecnologia”, explica o executivo australiano.
Além disso, a construção da unidade de beneficiamento vai enfrentar
diversos desafios, informa ele. Problemas com os recursos naturais e os
de infraestrutura locais para a operação estão entre os mais
complicados. Na região, de solo muito seco, falta água, insumo que
precisa ser abundante para o processo de produção do ouro,
principalmente nas operações de beneficiamento do minério. Dentre as
soluções consideradas estão a utilização de reservatórios subterrâneos e
a reutilização da água da cidade de Currais Novos. Para o escoamento da
produção, será necessário também o desvio de uma rodovia da região.
Para obter os R$ 400 milhões para a construção da unidade, a Crusader
pretende levantar recursos no mercado, o que deve incluir empréstimos
em bancos. “Consideramos ainda a opção de abrirmos capital da empresa no
Brasil”, afirma Smakman. A companhia, que tem outros três projetos no
país – envolvendo minério de ferro, tungstênio, estanho e urânio – ainda
não tem receita e conseguiu levantar seu capital no mercado financeiro
australiano a partir de uma oferta inicial de ações local e com
posteriores vendas dos papéis.
Smakman prevê que em 2013 será possível construir a unidade de
beneficiamento e em 2014 iniciar a produção. Geólogo, fundador da
companhia em 2004, o executivo nasceu em Perth, forte região mineradora
da Austrália. Apesar de a empresa estar na Austrália, todo o corpo
administrativo está no Brasil, com 90 funcionários. “No Brasil faltam
empresas com capital para explorar recursos minerais. Na Austrália, há 5
mil empresas como nós, menores e com apetite ao risco, explorando,
enquanto no Brasil há cerca de 50. Há muitas oportunidades para
exploração de projetos que foram ignorados e para novas áreas de
exploração”, conta Smakman.
