domingo, 9 de abril de 2017

As aranhas e centopeias gigantes que se alimentam de grandes animais

aranha-lobo e sapoDireito de imagemYURI MESSAS
Image captionUma aranha-lobo morde um sapo (Rhinella ornata)
Você já deve ter visto um vídeo viral em que uma aranha australiana carrega um rato ao subir por uma geladeira. Bem, há bem mais do que isso na natureza.
O registro é mesmo impressionante. A aranha exibe uma força e um poder de aderência incríveis: a superfície da geladeira é lisa e não facilita a escalada.
Mas é importante notar que a aranha provavelmente não matou o rato. A cauda rígida e a barriga estufada são pistas de que o animal já estava morto havia algum tempo. O que o vídeo mostra é uma bela demonstração de levantamento de peso.
Mas ao pesquisar a fundo no reino animal encontramos muitos exemplos de bichos horripilantes como aranhas subjugando e matando animais bem maiores do que eles.
Em artigo publicado em 2016, por exemplo, pesquisadores descrevem um episódio no Brasil em que uma tarântula (Grammostola quirogai) foi encontrada comendo uma cobra que aparentemente havia dominado e matado. A cobra tinha 39 cm de comprimento.
tarântula e cobraDireito de imagemGABRIELA FRANZOI DRI
Image captionImagem capta momento em que tarântula come cobra
Esse comportamento é mais comum do que imaginamos.
Aranhas e insetos são fundamentalmente diferentes de nós porque não possuem espinhas dorsais: são invertebrados. Nós, como cães, águias, sapos e peixes, somos vertebrados - animais com espinhas dorsais.
Vertebrados podem crescer bem mais do que invertebrados. Fora do mundo de filmes B de terror, não há insetos do tamanho de elefantes. Então tendemos a pensar em vertebrados comendo invertebrados - pássaros pegando mosquitos, chimpanzés almoçando cupins - mas não o inverso.
A ideia de um invertebrado comer um vertebrado costuma dar arrepios, por ser algo que contraria a ordem natural das coisas.
Mas a natureza não está nem aí para nossas concepções. Há muitos predadores grandes, rápidos e (muitas vezes) venenosos sem espinhas dorsais. Para eles, não importa se a presa é vertebrada: talvez a espinha deixe apenas a refeição mais crocante.
Pássaro preso em teiaDireito de imagemK. NESMITH
Image captionPássaro da espécie Empidonax virescens preso em teia de aranha

Libélulas

Um relato recente apareceu no periódico alemão Salamandra. Em abril de 2016, biólogos no Brasil registraram os primeiros casos de larvas de libélulas comendo sapos adultos.
Larvas de libélulas são predadores aquáticos que costumam comer girinos, o que já desencadeou estratégias de defesa dessas presas. Girinos de certas espécies de sapos aceleram seu desenvolvimento em ambientes com larvas de libélula.
Outras espécies de girinos se escondem ou desenvolvem ornamentos nas caudas para evitar que as libélulas ataquem partes vulneráveis de seus corpos.
Essas larvas podem ser os "tigres" dos brejos, mas não se pensava que atacassem sapos. O novo estudo provou que fazem isso, ao menos de vez em quando. As larvas vorazes saltam nos sapos e começam a comê-los vivos.
E a lista não para aí. Também há flagrantes de ataques de libélulas adultas, como na foto famosa de uma grande libélula canadense que atacou um beija-flor em pleno ar. Não se trata, porém, de algo comum: o outro caso conhecido é de 1977.

Lacraias

Outros invertebrados são predadores regulares de vertebrados. Um dos mais dedicados é a centopeia do gênero Scolopendra.
Lacraia comendo um morcegoDireito de imagemANA CAROLINA SRBEK DE ARAUJO
Image captionUma lacraia gigante (Scolopendra viridicornis) come um morcego (Eptesicus furinalis)
A maioria das centopeias são predadores, mas essas são ferozes. Podem ter até 30 cm de comprimento e possuem presas poderosas, que na verdade são pernas dianteiras modificadas.
Nos trópicos, algumas espécies de Scolopendra encontradas em cavernas são predadoras de morcegos.
As lacraias sobem até o teto das cavernas e se penduram pelas pernas, fortes e com garras afiadas nas pontas. Uma vez em posição, a centopeia balança o restante do corpo até o espaço de voo dos morcegos e faz a captura em pleno ar, ou então pode arrancar um morcego distraído direto da parede.
Além de morcegos, esses bichos podem ser predadores de ratos, lagartos, sapos e até cobras. E não estamos falando de cobras inofensivas: há registro de lacraias dominando espécies rápidas e tóxicas como a coral da Índia.
Vale lembrar que as centopeias são um dos animais venenosos mais antigos do planeta. Espécies bem parecidas com as que temos hoje já foram encontradas em rochas de 420 milhões de anos. Mamíferos, por sua vez, só apareceram há cerca de 208 milhões de anos. Ou seja, quando os primeiros mamíferos colocaram seus narizes para fora na natureza, essas lacraias já estavam à espreita.
Além do tamanho, outra característica que torna essas lacraias dignas de filmes de terror é o veneno.
Ataque de centopeiaDireito de imagemANTHONY FERREIRA
Image captionCentopeia gigante em ataque a lagarto (Cnemidophorus ocellifer)
Produzido no interior das presas, o veneno dessas lacraias contém de 10 a 62 proteínas que podem, entre outras coisas, parar o coração de um animal ou atrapalhar seu metabolismo. O veneno de algumas espécies pode matar crianças, cães de grande porte e até humanos, como no caso de um militar que engoliu uma pequena lacraia por acidente.
Também parece que essas lacraias não sabem a hora de parar.
Em estudo de 2014, Dragan Arsovski e colegas relataram o caso de uma víbora que foi encontrada com o estômago aberto. A serpente de 20 cm engoliu a lacraia de 15 cm viva, mas a centopeia parece ter comido todos os órgãos internos da cobra e tentou achar o caminho da liberdade pelo corpo da víbora. E quase conseguiu.
Lacraia saindo de dentro de cobraDireito de imagemXAVIER BONNET
Image captionUma lacraia do gênero Scolopendra rompe uma víbora (Vipera ammodytes) que a havia engolido

Insetos aquáticos

Ambientes aquáticos também estão cheios de predadores invertebrados.
Olhe para qualquer curso d'água no verão e você verá insetos com longas patas, saltando entre a vegetação e se equilibrando na superfície.
Eles se alimentam ao sugar as entranhas de insetos que se afogam. Mas abaixo da superfície da água, escondidos entre arbustos e folhas mortas, há escorpiões d'água, predadores de 2 cm de comprimento que comem o que aparecer pela frente.
Nos trópicos esses insetos são mais robustos, conhecidos como besouros d'água gigantes, e podem alcançar até 12 cm.
Eles se escondem na vegetação e então atacam. Possuem um apêndice alongado na cabeça que usam para empalar a presa, injetar sucos digestivos e sugar a "sopa" resultante. As pernas dianteiras em forma de gancho são fortes e dificultam a fuga das vítimas.
Besouro d'água e girinoDireito de imagemJOSH VAN BUSKIRK
Image captionUm besouro d'água (Dytiscus sp.) ataca um girino
Esses insetos se alimentam de peixes e girinos, e até de sapos adultos e cobras d'água. Há até um relato de um ataque a uma pequena tartaruga.
Esses insetos gigantes e as lacraias do gênero Scolopendra são predadores de emboscada. Os ataques podem ser arrepiantes, mas pelo menos a presa é morta antes de ser ingerida.
Caranguejos, contudo, não são tão piedosos. Se uma presa está no lugar errado na hora errada e não pode reagir, encara a morte diante de milhares de garras, ou pequenos cortes.
besouro d'água giganteDireito de imagemCAIO DE ANDRADE
Image captionSapo se tornou refeição para besouro d'água gigante
Um exemplo vem de Taiwan. Um estudo de 2005 mostrou que casais de sapos estavam sendo atacados por caranguejos da espécie Armases rubripes durante o acasalamento. Os sapos estavam muito distraídos para perceber a aproximação.
Nem girinos vivendo longe de lagos estão a salvo. Uma espécie de sapo do Panamá coloca ovos em buracos com água no alto de árvores, mas há registros desses ambientes sendo atacados por caranguejos.
Em Israel, besouros do gênero Epomis caçam jovens sapos e salamandras. Quando encontram um, saltam nas costas da presa e a mordem na base da espinha. Quando a vítima para de se mover, eles começam a se alimentar. Estudos de Gil Wizen e Avital Gastith, da Universidade de Tel Aviv, mostram que a dieta desses insetos de cor azul-escura e alaranjada é formada em grande parte por anfíbios.
Um besouro de caverna da Polônia chamado Pterostichus niger é menos atlético na caçada. Ataca salamandras enquanto elas hibernam no subsolo e estão muito sonolentas para reagir.
Ataque a tartarugaDireito de imagemSHIN-YA OHBA
Image captionAté pequenas tartarugas podem ser alvo de besouros d´água gigantes
Pior ainda talvez seja a morte por sanguessugas. Há casos no Brasil, Índia e sul dos EUA de sanguessugas que grudam em sapos - matando as vítimas, comendo seus ovos e ameaçando até cobras d'água.

Aracnídeos

E, claro, há aranhas.
Muitas pessoas têm algum tipo de medo de aranha, mesmo quando elas comem apenas insetos como moscas. Aquele fator de terror aumenta, contudo, quando esses bichos peludos de oito patas atacam parentes mais próximos.
Um estudo de 2012 enumerou registros de 54 espécies de pássaros de 23 famílias que foram presos em teias de aranha apenas nos EUA.
A maioria dessas teias foi produzida por espécies do gênero Nephila. Fêmeas adultas têm o tamanho de um polegar humano e suas teias podem ter até três metros de largura. A maioria das vítimas eram beija-flores pesando menos de 15 gramas. Quando encontrados, já estavam enrolados e envenenados, prontos para serem sugados até o final.
Um estudo de 2007 descreveu o caso de um ferreirinho-relógio encontrado em uma teia no Brasil. a aranha Nephilengys cruentata tinha quase o tamanho do pássaro de 7 gramas.
Aranha comendo sapoDireito de imagemMARIO MOURA
Image captionAranha pescadora (Ancylometes rufus) se alimentando de um sapo (Dendropsophus melanargyreus)
É quase o peso de um morcego que já foi localizado preso em teia da aranha Argiope savigni, como mostrou em 2005 um relato do biólogo Robert Timm.
E aranhas também podem atacar anfíbios, como revelou um artigo de 2010 sobre uma aranha-lobo que comeu uma rã recém-saída da metamorfose.
E não há como não mencionar a aranha-golias-comedora-de pássaros, que está entre as maiores do mundo. Apesar do nome, ela raramente ataca pássaros, mas isso não significa nunca. Em 2016, pesquisadores descreveram um episódio em que essa aranha matou um pássaro que ficara preso em sua teia.

Entendendo nossas reações

Essas aranhas gigantes trazem à tona a questão do tamanho. A maioria das pessoas fica satisfeita em ver vertebrados caçando vertebrados. Se um leão mata uma girafa, podemos sentir tristeza, mas não repulsão; e vibramos quando o filhote de iguana escapa de dezenas de cobras. Do mesmo modo, parece normal se um invertebrado caça um invertebrado: um jovem pássaro capturando uma minhoca é algo "do jogo".
Mas invertebrados comendo vertebrados é outra história. Ficamos horrorizados ao ver caranguejos comendo pequenas tartarugas ou uma lacraia gigante atacando um morcego. Parece algo errado, como se a ordem natural tivesse sido subvertida - mas por que?
pássaro em teiaDireito de imagemPEDRO LUIZ PELOSO/VALDEMIR PEREIRA DE SOUSA
Image captionFerreirinho-relógio (Todirostrum cinereum) caiu em teia e se tornou presa fácil para aranha da espécie Nephilengys cruentata
Talvez seja porque reconheçamos instintivamente uma verdade evolutiva: outros vertebrados são mais parecidos conosco do que invertebrados.
Pode ser que nem pensemos na palavra "vertebrado", mas um cachorro é claramente mais parecido com um humano do que uma centopeia gigante. O cão tem pêlos e o mesmo número de membros, e também age de maneira compreensível, demonstrando emoções conhecidas como alegria e raiva.
Na pré-história humana, poder prever o comportamento de um animal era obter segurança. Mas não entendemos os invertebrados como já deciframos cachorros, leões ou águias. Esses bichos são muito diferentes, com comportamento muito estranho e corpos muito distintos. Não possuem caudas que balançam e olhos que ajudam a traduzir suas emoções.
Talvez em algum nível mais profundo não confiemos nos invertebrados, então somos agradecidos por sua estranheza não se manifestar em ações predatórias. Isso poderia explicar porque ficamos tão abalados quando isso ocorre. Se um morcego comer uma aranha, nós mal nos levantamos do sofá; mas se uma aranha comer um morcego, talvez fujamos atrás das almofadas.
Mas seria um erro reduzir esses invertebrados a apenas uma fonte de pesadelos e filmes ruins de terror. Até essas criaturas aparentemente assustadoras estão provando ser valiosas.
Em um desses casos, os complexos venenos das centopeias gigantes estão sendo estudados a fundo pelos possíveis benefícios medicinais de suas proteínas. Até agora, compostos com grande potencial para tratamento de câncer de mama, pressão sanguínea, asma e trombose estão sob investigação. E os animais até ganharam um novo apelido: centopeias medicinais.

Como descobrir tudo que o Google sabe de você – e como apagar seu rastro

GoogleDireito de imagemREUTERS
Image captionComo o 'Grande Irmão' do livro '1984', de George Orwell, o Google tem acesso a um mundo de informações
"Quando usa os serviços do Google, você confia a nós sua informação", deixam logo claro os termos e condições de privacidade do principal site de buscas do mundo.
Pode ser que isso não te surpreenda, pois sabemos que o serviço coleta informações sobre seus usuários.
Mas estamos falando de exatamente quanta e qual tipo de informação?
Seu nome, seu endereço, sua idade, seu endereço de e-mail. Seu modelo de telefone, sua operadora de telefonia celular, seu plano consumo telefônico e de internet.
As palavras que usa com mais frequência em seus e-mailsTodos os e-mails que tenha escrito ou recebido, incluindo spam. Os nomes de seus contatos, seus endereços e telefones.
As fotos que faz com seu telefone Android, ainda que tenha apagado tudo e nunca publicado em redes sociais. Os sites em que navega, dentro e fora do país; a data da visita e o caminho que levou para chegar. A rapidez com que chegou. O cartão de crédito ou débito que usa para pagar.
O Google sabe muito sobre você, certo? E de quem é a culpa? Sua, claro
Lee Munson, especialista em segurança
Todos os sites da internet que visitou por meio do Google, a frequência e o que viu dentro de cada um. Em qual idioma procura. A hora em que navega. Com quem conversou via Hangouts. Quais vídeos te agradam e quais músicas escuta.
Essas e outras categorias aparecem no documento de política de privacidade do Google (aqui o link, em inglês), que soma 2.874 palavras.
"O Google sabe muito sobre você, certo? E de quem é a culpa? Sua, claro", diz Lee Munson, investigador em segurança da Comparitech.com.
"As pessoas confiam demais e compartilham sem pensar muitas informações sobre si, quando a recompensa é uma conta gratuita de e-mail, alguns gigas de armazenamento e a possibilidade de pertencer a um mundo virtual com seus amigos e conhecidos."
Tudo é feito de forma legal, assim que você marca concorda com os termos e condições da empresa.
Confira como você pode encontrar seus dados.

'Minha conta'

Desde junho de 2015, o Google reúne toda a informação que coleta sobre seus usuários em um lugar chamado "minha conta" ou "my account", em inglês.
Você tem uma conta do Google se já fez um e-mail Gmail ou até se já iniciou uma sessão em telefone ou tablet Android, se trabalhou em arquivos no Google Docs ou está registrado no YouTube.
Se você nunca fez nada disso, parabéns. Google ainda terá suas informações, mas não poderá associá-las a seu nomeAqui você pode comprovar se é uma dessas pessoas.
Segundo dados citados pela publicação Business Insider em janeiro deste ano, estima-se que haja 2,2 bilhões de usuários ativos no Google. Ou seja: é bem provável que seu nome esteja na lista.
Comecemos com sua conta no Gmail. O círculo no canto superior esquerdo com sua inicial é o ponto de partida.
Passo 1
Você chegará a uma página como a reproduzida acima.
Algumas categorias interessantes em termos de dados coletados são "aplicativos e sites conectados", "suas informações pessoais", "configurações de anúncios", "idiomas e ferramentas de entrada".
"Verificação de segurança" e "check-up de privacidade" são duas janelas que permitem ajustar e restringir informação diretamente.
Mas vamos seguir com a opção marcada pela seta: a janela "Minha atividade".
GoogleDireito de imagemREPRODUÇÃO
"Minha atividade" abre, de novo, várias opções.
A tela exibida abaixo é a geral (que aqui aparece em inglês, mesmo com a conta configurada para português como idioma principal). Inclui atividade diária no YouTube, busca, notificações, notícias e ajuda, item por item.
Mas é possível filtrar o material por data e produto específico, clicando na seta vermelha mais ao alto.
Há ainda a opção de apagar seu histórico, indicada pela seta mais abaixo na tela.
Mas antes de confirmar a ação, aparecerá uma mensagem do Google que diz que "sua atividade pode fazer com o Google seja mais útil, com melhores opções de transporte pelos mapas e melhores resultados de busca".
GoogleDireito de imagemREPRODUÇÃO
No canto superior esquerdo, o ícone de menu (três listas horizontais) abre outro mundo de dados.
Use a opção "outra atividade no Google" para acessar o que o Google guarda sobre suas viagens, telefone e muito mais.
Dentro de
Tudo o que já fez pelo Google Maps deverá estar registrado. Para checar todos os dados nessa categoria, volte a "minha atividade" e filtre os resultados pelas categorias "maps" e "maps timeline".
O Google dá a opção de informar o endereço de casa e do trabalho.
GoogleDireito de imagemREPRODUÇÃO
Outra categoria reveladora são os anúncios. Para chegar lá, volte ao primeiro passo, "minha conta".
Clique em "configurações de anúncios". Uma vez lá, selecione a opção "gerenciar as configurações de anúncios" e descubra o que o Google imagina que te interesse (a partir do que procura com mais frequência).
GoogleDireito de imagemREPRODUÇÃO
Você também pode solicitar ao Google uma cópia de toda a informação que a empresa guarda sobre você.
Para isso, volte a "minha conta" (canto superior direito, no círculo com sua inicial).
Logo abaixo de "configuração de anúncios" está "controlar seu conteúdo". Escolha essa opção e encontrará uma tela como esta:
GoogleDireito de imagemREPRODUÇÃO
"Criar arquivo" levará a uma janela com a opção de decidir quais dados de serviços.
O Google adverte que compilar os dados pode levar dias. No caso da repórter, em cerca de duas horas três arquivos chegaram ao Gmail.
Baixar os arquivos levou mais duas horas. E abrir alguns deles foi um pouco complicado: alguns vêm em formatos que não são comuns, como .json o .mbox.
Meu arquivo
Os arquivos continham todas as mensagens de e-mail da repórter - foi possível abri-las após encontrar uma programa que lia arquivos com extensão .mbox.
Não é possível acessar uma lista de "palavras mais usadas" nas mensagens - o Google diz que o processo de monitoramento das mensagens é "totalmente automatizado".
Arquivo de mensagens
Image captionO arquivo com as mensagens pessoais recuperadas
E o Google ainda tinha as fotos. Todas que a repórter havia feito com seu telefone nos últimos dois anos. Deletadas our não, compartilhadas ou não.

Como isso é possível?

A resposta é simples: tudo tem um preço.
Você não paga seu e-mail nem seu serviço de vídeos em dinheiro vivo, mas em dados.
Como diz o especialista em segurança Lee Munson, "a informação é a nova moeda de troca".
"É uma mina de ouro. Para o Google, representa bilhões de dólares", concorda Jonathan Sander, vice-presidente da Lieberman Software.
Logotipos do GoogleDireito de imagemAFP
Image captionOs dados são fonte de renda para o Google
Desde que diga que concorda com termos e condições que quase sempre não lê, você está entregando suas informações.
Mas há quem discorde dessas condições.
"A legalidade e a interpretação da lei dependem das regras e normais locais", afirma Mark James, especialista em segurança da ESET.
"O Google e a Europa já se enfrentaram por temas como privacidade, monopólio, direito a ser esquecido, coleta de dados. A empresa foi multada em alguns casos, mais geralmente se considera que opera dentro do marco legal."

O que fazer?

Estamos à mercê desse gigante da tecnologia então?
Especialistas concordam que há muito pouco a ser feito nesse sentido.
"É preciso um esforço consciente e organizado para evitar ser seguido (em sua navegação na internet). Por exemplo, não usar o Google e executar atividades diferentes em máquinas distintas, ou com contas diferentes", afirma James.
"Considere a possibilidade de apagar a localização, de usar contas de e-mail que na verdade não usa para entrar em sites de compras, usar datas de nascimento ligeiramente incorretas desde que seja legalmente possível e nunca, nunca, nunca diga ao Facebook, Twitter ou outra rede social o que comeu no café da manhã, e muito menos detalhes pessoais e principais fatos de sua vida", aconselha Munson.