Espaço para veiculação de notícias, artigos e reportagens de interesse da comunidade potiguar.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
Artigo de um Gomes de Melo.
100 anos, Estagiando
na Vida
José Gomes de Melo Filho
Bel. Ciências Contábeis
Ele veio ao mundo pelo
estado do Ceará, na cidade de Barbalha, em 22 de outubro de 1903,
filho de Vicente Silva e de Antônia
Maria da Conceição, e na pia batismal levou o nome de Antônio Silva. Quando
tinha 2 anos, seu pai deixa a sua
mãe, fugindo para o Amazonas, em
companhia de uma amante. Seu Silva, como é mais conhecido, aos 15 anos foi morar na cidade de Crato, onde
começou a lavar frascos numa farmácia de manipulação. De Crato vai morar na
cidade de Granito, no alto sertão pernambucano, onde estudou até o 3º ano
primário, iniciando os seus primeiros contatos com as letras. Em 1920, sua mãe já bastante doente, ciente que ia
morrer, disse para seu Silva, meu filho,
vou morrer, mas em breve venho lhe buscar. Seu Silva, incontinente, lhe respondeu: mamãe, deixe passar mais um
tempinho. E que tempinho foi esse, que já faz 100 anos. Depois da morte de sua
mãe, seu Silva, volta a Barbalha, para morar com um seu único irmão, por parte de mãe, José Pequeno da
Silva. Ali morou cerca de 3 meses.
Como na saga
dos aventureiros, e próprio dos
cearenses pai-d'égua, seu Silva, é sempre transferido de cidade em cidade, como funcionário dos
Serviços de Obras Contra as Secas. Em 1940, foi trabalhar na cidade de Catolé
do Rocha, como prático de farmácia. Boêmio, já com vários kms rodados ao longo
de sua vida, bom fazedor de amizades, sempre trazendo um sorriso nos lábios, próprio de um coração
alegre, pé de valsa, gostava de dançar, tomar uma de Rum com Água Tônica, só
bastava tomar uma, que a noite estava feita.
Conhecidíssimo nos bailes, era sempre vigiado pelas mães
das dançarinas que a tiravam para dançar. Certa noite, num desses bailes, na
cidade de Caraúbas, seu Silva, como bom cavalheiro, pediu permissão à mãe de uma moça para dançar uma parte, um ritual
próprio da época, no qual foi atendido. Lá pras tantas, a mãe da dama observou
que seu Silva, estava dançando muito
próximo da moça, a mãe não contou
história, foi lá, onde o casal dançava, e largou o braço no meio dos
dois, para cientificar-se da distância permitida.
Depois do episódio, a moça cochichou ao ouvido de seu
Silva: Tem nada não no meio do salão,
nós se aconchega de novo.
Em 1942, deixa Catolé do Rocha e vem residir em Natal,
tendo antes trabalhado na Usina Maravilha, na cidade de Goiana-PE. Em Natal,
consegue emprego na Farmácia Guilherme, na Pça. Augusto Severo, em frente ao
Tabuleiro da Baiana, depois de algum tempo deixa a Farmácia Guilherme, e vai trabalhar
na Drogaria Brasil, na Rua Dr. Barata, por um certo tempo.
Depois de ter retornando a Farmácia Guilherme, 2 meses
depois, é contratado para trabalhar na Estrada de Ferro Sampaio Correia, no
ambulatório da Farmácia, no cargo de Escriturário nível 10, ficando na Estrada
de Ferro até 1973, quando se aposentou.
Em
1943, casa-se com a Viúva Maria de Lourdes do Nascimento e Silva, num gesto
nobre, seu Silva, registra as duas filhas da Viúva, como sendo suas
filhas.legitimas, Marta e Judite. Hoje
ambas casadas.
Da
união com Dª Maria, nasceram os filhos, Ideíse, formada em medicina, Mires,
fisioterápeutica. Edval, prof. de educação física e Valder,
eletrotécnico, hoje aposentado da Caern.
Todos os seus filhos, são casados. Seu Silva, tem 14 netos e 8 bisnetos.
Seu Silva é viúvo há mais de 6 anos.
Como enfermeiro, seu Silva, atendeu
muita gente importante em Natal, a saber: a senhora mãe, e também do hoje, Arcebispo Dom. Heitor de
Araújo Sales, Otoniel Meneses, o historiador Câmara Cascudo, o ex-governador
Aluízio Alves, Des. Sinval Moreira Dias, os filhos de Dr. Ernani Alves da
Silveira, a família Ramalho, o Dep.
Dr.Raul de Alencar.
Mas a vida do enfermeiro Seu Silva,
muitas vezes chamado carinhosamente de Doutor. Silva, não foi fácil, até pelos
muitos casos difíceis que ele teve de
enfrentar, para salvar uma vida.
Na sua trajetória de andarilho da
vida.”Não correu atrás das borboletas, simplesmente cuidou de um jardim, e elas
vieram até ele.”
Seu Silva, moreno claro, magro de
baixa estatura, com uma arcada dentária um pouco saliente, usa óculos de lentes
muito grossas, provocado por uma miopia bastante acentuada, portador de uma
memória fantástica, capaz de relatar muitos fatos de sua adolescência.
Morando há bastante tempo, na Rua
Teófilo Brandão, 807, em Petrópolis, vai quase que diariamente ao mercado de
Petrópolis, vem sempre de ônibus à Igreja do Bom Jesus das Dores, na Ribeira, saltando por trás do Teatro
Alberto Maranhão, caminhando à pé até a
igreja.
Pode ser considerado o acólito mais antigo
do Rio Grande do Norte, quiçá do Brasil. Como está, há mais de 33 anos, na
Igreja do Bom Jesus das Dores, ministrando quase que diariamente a Eucaristia, Deus não lhe impôs
uma pena, mas sim, a felicidade de um
bom cristão.
Nestes
seus 100 anos, seu Silva, continua fazendo da vida um estágio, que
hoje, comemora junto dos seus filhos, netos, bisnetos, familiares e
amigos. A seu Silva, muita memória, muita saúde, a
minha homenagem.
Assinar:
Postagens (Atom)