Desigualdade, queda na renda e desemprego entre jovens: o que o novo relatório do IDH diz sobre o Brasil
GETTY IMAGESBrasil é o nono mais desigual do mundo, destaca relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento O Brasil nem piorou, nem melhorou no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede o progresso dos países em saúde, educação e renda. A posição do país no ranking de 2017, divulgado nessa sexta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), não mudou. Além disso, o IDH do país é praticamente o mesmo dos dois anos anteriores.Um dos aspectos que mais frearam o avanço brasileiro foi a queda da renda da população, causada pela crise econômica. A renda per capita, um dos critérios que compõem o IDH, caiu em 4% de 2015 a 2017 - de 14,3 mil dólares por ano para 13,7 mil dólares. Já os indicadores de educação e saúde tiveram ligeira melhora.- As surpresas do ensino de Xangai, um dos mais desconhecidos (e bem-sucedidos) do mundo
- Por que as mulheres do país com natalidade mais baixa do mundo não querem ter filhos?
Além disso, o relatório destaca que o Brasil tem a nona maior desigualdade de renda do mundo, medida pelo coeficiente de Gini. É o país mais desigual do continente americano. No mundo, o pior é a África do Sul, que viveu durante quase meio século um regime de segregação racial, o apartheid.Veja abaixo cinco destaques do novo relatório do IDH sobre o Brasil e dois destaques mundiais:IDH do Brasil fica estável, mas indicador de renda cai
O Brasil manteve a posição 79 no ranking do IDH, em uma lista de 189 países. Assim, continua a ser considerado um país de IDH alto - as categorias são muito alto, alto, médio e baixo.Também estão no grupo do Brasil países como China, Cuba, México, Venezuela e Líbia. Já Chile, Argentina e Urugual estão no grupo de elite, de IDH muito alto.O IDH varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor é a situação de um país. Em 2017, a Noruega, que tem o melhor IDH do mundo, pontuou 0,953. Na outra ponta, o Níger registrou 0,354.O Brasil, por sua vez, ficou com 0,759, em 2017. É praticamente o mesmo valor de 2015, 0,757.Isso representa uma inversão de tendência. De 1990 a 2014, o IDH do Brasil vinha crescendo significativamente. Era de 0,611, em 1990, subiu para 0,684, em 2000. Depois, em 2010, atingiu 0,727. Em 2014, chegou a 0,752.Desde então, a degradação da situação econômica limitou o crescimento do IDH. Por outro lado, entre 2015 e 2017, o Brasil teve leves avanços na expectativa de vida (de 75,3 anos para 75,7 anos) e na média de anos de estudo (de 7,6 para 7,8 anos). Já os anos esperados de escolaridade (o tempo de estudo oferecido pelo país) permaneceram os mesmos, 15,4.
GETTY IMAGES'Estar na escola não é o mesmo que estar aprendendo na escola', alerta Pnud Brasil tem o maior desemprego jovem da América Latina
Outro ponto apontado pelo Pnud é o desemprego da população jovem. No Brasil, chega a 30,5%. É o maior percentual da América do Sul.Além disso, um de quatro jovens brasileiros é "nem-nem" - não trabalha, nem estuda. É um sinal da falta de oportunidade de empregos e de estímulo à educação no país.Mulheres têm mais saúde e educação que homens, mas renda é 43% menor
O PNUD também divulgou o Índice de Desenvolvimento de Gênero, que leva em conta a desigualdade entre homens e mulheres, também nos quesitos saúde, educação e renda.No Brasil, os indicadores das mulheres são melhores que os dos homens em saúde e educação, mas a renda das mulheres é 43% menor. Enquanto os homens brasileiros ganham 17 mil dólares por ano, as mulheres recebem 10 mil dólares por ano.Outro fator de desigualdade é a presença feminina na política. No Brasil, as mulheres ocupam apenas 11% das cadeiras do Congresso. É o menor número da América do Sul.
Série histórica do IDH no Brasil, de 1990 a 2017 A nona maior desigualdade de renda do mundo
O coeficiente de Gini coloca o Brasil na posição de nono país mais desigual do mundo, segundo os dados divulgados nessa sexta-feira.O país fica à frente, apenas, de África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zâmbia, República Centro-Africana, Lesoto, Moçambique e eSuatini (ex-Suazilândia) - todos na África.A maior desigualdade do Brasil é de renda, não de saúde e educação
A desigualdade leva a uma perda de 24% no IDH do Brasil. Como o IDH tem três dimensões - saúde, educação e renda - o PNUD leva em consideração a desigualdade em cada um deles.Segundo a instituição, a principal dimensão da desigualdade brasileira é a de renda. Em seguida, desigualdade na educação e a desigualdade na expectativa de vida.Na Índia, por exemplo, cuja desigualdade gera uma queda no IDH parecida com a do Brasil, o principal componente é a desigualdade na educação.
GETTY IMAGESRenda das mulheres no Brasil é 43% menor que a dos homens Síria, Líbia e Venezuela estão entre os países que mais pioraram
Nos últimos cinco anos, os países que mais caíram no ranking geral do IDH são Síria (queda de 27 posições), Líbia (queda de 26 posições), Iêmen (queda de 20 posições) e Venezuela (queda de 16).Os três primeiros sofreram com guerras civis, que impactaram as condições de saúde, educação e renda. Já os dados da Venezuela caíram devido à degradação da situação econômica e política do país.Ainda assim, a Venezuela está uma posição à frente do Brasil no ranking do IDH - nos anos de Hugo Chávez, o país viveu um rápido crescimento.Estar na escola não é o mesmo que estar aprendendo na escola
Com o passar dos anos, os países avançaram em escolaridade, colocando mais crianças na escola. Mas o Pnud alerta que "estar na escola por mais tempo não significa possuir melhores capacidades e habilidades".Nos países de baixo desenvolvimento humano, por exemplo, há em média 1 professor para cada 41 alunos do ensino primário. Já nos países de alto desenvolvimento humano, existe cerca de 1 professor para cada 14 alunos. Entre um e outro, há um longo caminho para percorrer.Outros desafios são a capacitação dos professores e o acesso a tecnologias da comunicação.O alerta do Pnud também vale para o Brasil. Os indicadores do Pisa, que medem a qualidade do aprendizado em matemática, leitura e ciência, estão abaixo dos latino-americanos Argentina, Chile, Uruguai, México, Colômbia.
Um guia de como verificar se uma notícia é falsa antes de mandar no grupo da família
KAKO ABRAHAM/BBC
Você abre seu celular e recebe uma notícia encaminhada por um amigo ou parente. Ela confirma completamente suas convicções ou então causa muita surpresa ou repulsa? Há chances de que a notícia seja falsa.
A disseminação de notícias falsas com o objetivo de manipular a opinião pública preocupa ainda mais com a proximidade das eleições brasileiras.
Dá um pouco de trabalho checar se a notícia recebida é verdadeira ou falsa, mas vale a pena fazer isso e incorporar alguns desses passos a seu dia a dia e ao consumo de notícias. Não contribua para a disseminação de notícias falsas. Tenha certeza de que é uma informação verdadeira antes de compartilhá-la.
- Como 'comportamento de manada' permite manipulação da opinião pública por fakes
- 8 formas pelas quais você pode estar sendo influenciado sem perceber - das redes sociais ao supermercado
A seguir, um guia de como identificar notícias falsas e, abaixo, algumas respostas sobre esse fenômeno.
Quando receber uma notícia, tome algumas precauções e reflita:
1) Pare e pense. Não acredite na notícia ou compartilhe o texto de imediato.
2) Ela lhe causou uma reação emocional muito grande? Desconfie. Notícias inventadas são feitas para causar, em alguns casos, grande surpresa ou repulsa.
3) A notícia simplesmente confirma alguma convicção sua? Também é uma técnica da notícia inventada. Não quer dizer que seja verdadeira. Desenvolva o hábito de desconfiar e pesquisar.
4) A notícia está pedindo para você acreditar nela ou, por outro lado, ela está mostrando por que acreditar? Quando a notícia é verdadeira, é mais provável que ela cite fontes, dê links ou cite documentos oficiais e seja transparente quanto a seu processo de apuração.
5) Produzir uma reportagem assim que eventos acontecem toma tempo e exige profissionais qualificados. Desconfie de notícias no calor do momento.


O que fazer na prática:
1) Leia a notícia inteira, não apenas o título;
2) Averigue a fonte:
a. É uma corrente de WhatsApp ou de outra rede sem autoria alguma ou link para um site? Desconfie e, de preferência, não compartilhe;
b. Tem autoria? É uma fonte legítima, na qual você já confiou no passado? Se não, talvez seja melhor não confiar. Pesquise o nome do veículo, autor ou da autora no Google e veja o que mais essa pessoa está produzindo e para qual veículo de imprensa. Além disso, preste atenção para averiguar se o site que reproduz a notícia está publicando só notícias de um lado político, por exemplo, mostrando que talvez haja algum viés ideológico;
c. Há no texto referência a um veículo de imprensa, como se fosse o autor da notícia? Entre no site original do veículo de imprensa para verificar se a notícia está lá de fato;
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3) Digite o título da notícia recebida no Google. Se for verdadeira, é provável que outros veículos de imprensa confiáveis estejam reproduzindo a mesma notícia; se for falsa, pode ser que veículos de checagem já tenham averiguado o boato. Pesquise nos resultados da busca;
4) Pesquise, também, os fatos citados dentro da notícia. Ela se apoia em acontecimentos verificáveis? Por exemplo, se ela afirma que alguma autoridade disse algo, há outros veículos de imprensa reproduzindo o que essa autoridade falou? Tente procurar isso na internet;
5) Verifique o contexto, como a data de publicação. Tirar a notícia verdadeira de contexto, divulgando-a em uma data diferente, por exemplo, é um tipo de desinformação;
6) Pergunte para a pessoa que encaminhou a notícia para você de quem ela recebeu, se confia na pessoa e se conseguiu checar alguma informação;
7) Recebeu uma imagem que conta uma história? É possível fazer uma busca "reversa", por meio da imagem, e não por texto, e verificar em que outros sites ela foi reproduzida, o que pode dar pistas de sua veracidade. Salve a foto no seu computador e suba ela no seu mecanismo de busca ou cole o url dela nesse navegador:
Se estiver no celular, tente neste site independente do Google:https://reverse.photos/
8) Recebeu um áudio ou um vídeo com informações? Tente resumir essas informações e procurá-las no Google. Exemplo: você recebe um áudio dizendo que no dia seguinte haverá greve de ônibus. Procure no Google: "greve de ônibus" junto com a data. Outra opção é buscar no Google: "áudio greve de ônibus WhatsApp", por exemplo. Essa busca pode resultar em um desmentido de uma agência de checagens de notícia, se ela não for verdadeira, ou em uma notícia real de algum órgão de imprensa, se for verdadeira;
9) Números: a notícia cita números de pesquisas ou de outros dados? Tente procurá-los isoladamente para checar se fazem sentido;
Fontes: NewsLitTip, CNJ (Conselho Nacional de Justiça), BBC, Factcheck.org

O que são 'fake news' ou notícias falsas e por que isso deve te interessar?
Notícias falsas são um termo para designar notícias fabricadas, comprovadamente falsas - normalmente feitas para prejudicar outras pessoas e muitas vezes com objetivos políticos ou que procurem o lucro.
E elas sempre existiram, diz Sam Wineburg, professor de História da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, mas, "no passado, dependiam de jornais ou papéis que circulavam de mão em mão".
O que mudou? "Hoje, uma notícia falsa pode viralizar em um instante - as redes sociais permitem um alcance enorme. Além disso, hoje, há mais produtores de informação", afirma ele.
Ou seja, o alcance e a difusão de notícias falsas aumentaram.
O fenômeno começou a ser observado mais de perto - estudado por pesquisadores e reportado pela mídia - com a profusão de notícias falsas nas redes sociais durante as eleições americanas em 2016, quando Donald Trump foi eleito para a presidência do país. Também foi quando o termo "fake news", cuja tradução por aqui é "notícias falsas", começou a ser usado.
Há pesquisas que apontam que as notícias falsas que circularam nas redes sociais durante o pleito americano podem ter influenciado seu resultado.
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Há outros fatores que contribuem para a profusão das notícias falsas atualmente e para a conversa em torno desse tema: a alta polarização política - destaque nesse estudo recente sobre o assunto -, a forma como as redes sociais funcionam e a fácil receita de sites com anúncios online são alguns exemplos.
O próprio uso do termo "fake news" é polêmico. Depois que foi eleito, Trump começou a usar a expressão para atacar parte da imprensa americana, usando a expressão para se referir à cobertura de sua gestão, ressignificando-a.
Especialistas preferem falar em "desinformação" ou, em português, "notícias falsas" mesmo. "O termo se politizou. Não ajuda mais", diz Peter Adams, vice-presidente da área de educação da News Literacy, instituição que promove aulas sobre o assunto. "É melhor falar em vários tipos de desinformação. Alguns exemplos são: uma sátira que não é interpretada como tal, conteúdo deliberadamente manipulado e notícias disseminadas fora de contexto."
E por que você deve se importar com isso tudo? "Porque a verdade é justamente a base da democracia. A qualidade da informação está diretamente ligada à democracia", diz Wineburg. Tudo bem discordar, mas que seja de fatos verdadeiros, não inventados. Principalmente agora, com as eleições brasileiras em outubro deste ano.
Mas muita gente cai nessa?
Sim.
Um dos estudos mais importantes sobre o assunto, publicado em março por pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), mostrou que as notícias falsas se disseminam mais rapidamente e com maior alcance que notícias verdadeiras - isso porque as pessoas as espalham mais.
Segundo o trabalho, notícias falsas são 70% mais prováveis de serem retuitadas (o estudo foi conduzido no Twitter) do que notícias verdadeiras.
Há várias teorias para explicar porque isso acontece: a hipótese dos pesquisadores do MIT, segundo disseram ao site da universidade, é que as pessoas gostam de compartilhar novidades para mostrar que estão "por dentro".
Também pode ser relacionado às emoções das pessoas - eles observaram que notícias falsas causam mais surpresa e repulsa, enquanto as verdadeiras causam mais ansiedade e tristeza. Quanto maior a surpresa com uma notícia, portanto, maior a vontade de compartilhá-la. E as pessoas, segundo o estudo, se surpreendem mais com as notícias inventadas (por isso faz todo sentido observar suas emoções ao ler uma notícia e desconfiar se ela for muito exaltada, como indicado no guia acima).

"Se algo te faz ficar muito bravo ou feliz, pare um pouco e pense antes de compartilhar a notícia. É como dizer: 'Se algo é muito bom para ser verdade, provavelmente não é", diz Melissa Zimdars, professora de mídia da faculdade de Merrimack, nos EUA, que pesquisa sobre desinformação.
Além disso, qualquer um pode cair nessa. Enquanto alguns pesquisadores apontam que pessoas mais velhas estão ligadas à difusão de notícias falsas, outros dizem que pessoas mais jovens tampouco estão ilesas.
Esse estudo mostra que pessoas mais velhas seguem no Facebook "páginas engajadas, que lideram a polarização do debate político", enquanto os jovens se atêm às páginas da imprensa tradicional, "que costumam adotar um tom mais neutro nas reportagens".
Um estudo de pesquisadores de Stanford, que teve participação do professor Wineburg, mostrou como estudantes têm dificuldade de distinguir anúncios de notícias e de identificar de onde vieram informações.
"O argumento de que são 'nativos digitais' não cola", diz Wineburg. "Jovens podem, sim, ser nativos digitais e ainda assim cair nos truques. As pessoas confundem a habilidade dos jovens em operar tecnologia com a sofisticação necessária para entendê-la."
Ele faz um paralelo: é como ser fluente em uma língua, como somos quando crianças, e não saber sua gramática - que só aprendemos depois, na escola.
O que se sabe sobre notícias falsas no Brasil?
Esse guia tem razão de ser: há muitas notícias falsas circulando no Brasil.
Há pessoas e empresas que ganham dinheiro produzindo e sustentando sites e páginas de notícias falsas no Brasil. Em 2017, uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrou como funcionava um desses sites. Reportagens recentes do programa Profissão Repórter e do portal G1, ambos da Globo, mostraram como funcionam outras páginas.
O próprio Facebook removeu 196 páginas e 87 perfis no Brasil, em julho, após uma "rigorosa investigação".
As páginas e perfis removidos fariam "parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo, com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação", afirmou em comunicado.
Várias das páginas afetadas eram relacionadas ao MBL (Movimento Brasil Livre) - grupo de direita que teve participação significativa nas manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Roussef (PT), em 2016. Mais recentemente, o Facebook derrubou uma rede brasileira que vendia curtidas e seguidores após uma investigação com um think tank americano chamado Digital Forensic Research Lab, do Atlantic Council.
Também há um grande número de correntes falsas circulando pelo WhatsApp, no Brasil e em outros países.
Alguns exemplos locais são as notícias falsas que circularam após o assassinato da vereadora Marielle Franco e durante a greve dos caminhoneiros, entre tantas outras.
A natureza fechada da rede - de mensagens privadas - dificulta o rastreamento dessas notícias falsas. Há pesquisadores que apontam outro problema na difusão de notícias falsas do Brasil: o fato de que muita gente só tem acesso à internet por meio de aplicativos como WhatsApp e o Facebook e, portanto, acesso a informação por meio dessas redes.
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Há, por fim, perfis falsos nas redes sociais - o Facebook anunciou, por exemplo, ter encerrado 583 milhões de contas nos três primeiros meses de 2018. Pesquisadores das universidades do Sul da Califórnia e de Indiana estimam que haja entre 9% a 15% de robôs no Twitter.
Uma reportagem da BBC Brasil de 2017 mostrou que existia no Brasil pelo menos uma empresa que supostamente criava e vendia perfis falsos em redes sociais para políticos e empresas.
Os perfis eram controlados por pessoas de verdade, sentadas atrás de computadores em diversas partes do Brasil, inventando rotinas e mensagens para seus "personagens" para fazê-los parecerem mais reais. Eles não compartilhavam necessariamente notícias falsas, mas criavam uma falsa sensação de apoio a políticos.
Mas veículos de notícias e agências de checagem no Brasil têm tentado combater notícias falsas - até unindo esforços -, assim como pesquisadores têm acompanhado o fenômeno e desenvolvido ferramentas para tentar combatê-lo.
Qual é o papel do Estado e o das empresas de tecnologia nisso tudo?
No Brasil, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até meados de agosto, já disse que as notícias falsas podem colocar em risco o processo democrático durante as eleições, e que a Justiça irá remover notícias falsas que forem abusivas. Não há mais detalhes de como isso se dará. Um grupo de trabalho foi criado para estudar o tema na corte.
Alguns países no mundo introduziram legislação contra notícias falsas - o que alguns especialistas apontam como potencialmente perigoso. A Alemanha é um exemplo, com uma lei que entrou em vigor neste ano exigindo que redes sociais removam discurso de ódio e notícias falsas de suas plataformas em até 24 horas, sob pena de multa.
Outros países, como os Estados Unidos, cobram regulação de empresas como Facebook e Twitter. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, foi chamado ao Congresso em abril deste ano para responder a questões sobre anúncios e perfis e notícias falsos circulando na rede durante as eleições americanas.
Depois que de ter páginas "amigas" removidas, o MBL acusou o Facebook de "censura" e falou-se na Câmara dos Deputados em criar uma "CPI do Facebook".