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quinta-feira, 7 de julho de 2016
Brasil
Deutsche Welle - 07.07.2016
Cunha renuncia à presidência da Câmara
Deputado diz que é alvo de perseguição e renuncia para "pôr fim à
instabilidade". Ele estava afastado da função devido a suspeitas de
corrupção.
O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
renunciou nesta quinta-feira (07/07) à presidência da casa. "Resolvi
ceder ao apelos generalizados dos meus apoiadores. Somente a minha
renúncia poderá pôr fim a essa instabilidade sem prazo. A Câmara não
suportará infinitamente", disse, ao ler sua carta de renúncia em
entrevista à imprensa no Salão Nobre da Câmara.
Cunha disse que é alvo de perseguição por ter aceito a denúncia que deu
início ao processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.
"Sofri e sofro muitas perseguições em função das pautas. Estou pagando
alto preço por dar início ao impeachment", disse, ao emocionar-se, pela
primeira vez, em alguns momentos.
O peemedebista disse também que sempre falou a verdade. "Comprovarei
minha inocência nesses inquéritos. Não recebi qualquer vantagem indevida
de quem quer que seja", disse. Ele foi afastado da presidência da
Câmara devido a suspeitas de corrupção e, em várias ocasiões anteriores,
negou que iria renunciar.
Com a decisão de Cunha, a Câmara terá que convocar novas eleições no
prazo de até cinco sessões plenárias – deliberativas ou de debates com o
mínimo de 51 deputados presentes – para uma espécie de mandato-tampão,
ou seja, para um nome que comandará a casa até fevereiro de 2017, quando
um novo presidente será eleito.
Com a renúncia, pode se encerrar o impasse sobre a permanência de Waldir
Maranhão (PP-MA) no comando da Câmara. Maranhão assumiu o cargo desde
que Cunha foi afastado da presidência pelo Supremo Tribunal Federal
(STF).
AS/efe/abr
terça-feira, 5 de julho de 2016
Afinal, quem vai pagar o pato do ajuste fiscal brasileiro?
Mariana SchreiberDa BBC Brasil em Brasília - 05.07.2016 - 22h29m
Image copyrightAyrton Vignola/FiespImage caption
Campanha contra "pagar o pato" pressionou que governo interino evitasse criação de novos impostos
O governo federal
está com um enorme rombo em suas contas e basicamente só há duas
maneiras de resolver o problema: cortar despesas e/ou aumentar as
receitas.
As duas alternativas são impopulares e, dependendo da
fórmula adotada (ou seja, o que cortar e o que tributar), o resultado
pode impactar mais ou menos diferentes grupos sociais.
A grande
indústria nacional já disse que não quer "pagar o pato": esse é o slogan
da campanha contra a elevação da carga tributária liderada pela Fiesp. A
pressão tem dado resultado no governo, que num primeiro momento vem
descartando a criação de novos impostos.
Por
outro lado, o corte de gastos é dado como inevitável. A equipe
econômica, comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quer
estabelecer um teto rígido para o aumento das despesas em geral e
defende uma reforma da Previdência para limitar a expansão das
aposentadorias.
Será que essa é a escolha mais justa para resolver a crise fiscal? A questão divide economistas.
Mais impostos sobre ricos?
Dois
pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
Sérgio Gobetti e Rodrigo Orair, defendem o aumento dos impostos sobre as
classes de maior renda como forma mais justa de reequilibrar as contas
públicas.
Sua principal proposta é recriar o imposto sobre
dividendos (lucro distribuído pelas empresas a seus acionistas), que foi
extinto em 1995. Em um estudo
premiado no ano passado pelo Tesouro Nacional, com uma série de
sugestões de mudanças tributárias, eles estimaram que a volta da
alíquota de 15% cobrada sobre dividendos geraria uma receita anual de R$
50 bilhões, atingindo 2,1 milhões de brasileiros.
Já se fossem
aplicadas alíquotas progressivas, aumentando de acordo com a renda,
poderiam ser arrecadados R$ 68 bilhões, de 1,2 milhão de contribuintes.
Apesar
do reconhecimento, o Ministério da Fazenda não tem mostrado simpatia
pela proposta. Opositores da medida argumentam que as empresas já pagam
imposto quando auferem seus lucros, antes de distribuir parte dele como
dividendos. Dessa forma, consideram que o novo imposto seria uma
bitributação.
O economista José Márcio Camargo, professor da
PUC-Rio, considera que tributar mais os dividendos pode desestimular os
investimentos no país, o que seria ruim para o crescimento.
"Dividendo
é algo que você ganha porque investiu na empresa. Já taxou o lucro da
empresa, aí vai taxar de novo o do investidor, é claro que é um enorme
desestímulo a investir", afirmou.
Autor
do estudo, Gobetti discorda do raciocínio e nota que o fim desse
tributo em 1995 não implicou em aumento da taxa de investimento do país.
Na sua avaliação, a tributação pode estimular as empresas a
reinvestirem uma parte maior do lucro, em vez de distribuir dividendos.
De
acordo com levantamento dos pesquisadores do Ipea, dos 34 países da
OCDE (organização que reúne as nações mais industrializadas do mundo e
alguns emergentes), apenas a Estônia não tributa dividendos. Todos os
demais praticam a bitributação.
No Brasil, as empresas em geral
pagam hoje 34% sobre seus lucros, antes de pagar os dividendos. Na média
da OCDE, a soma das duas taxas (antes e depois da distribuição dos
lucros aos acionistas) dá uma alíquota de 43,1%.
Essa é apenas uma
das propostas de aumento de tributos que está em discussão, mas tem
tido pouca acolhida no governo, preocupado com o desgaste popular que o
aumento da carga tributária teria. Há também quem defenda aumentar
impostos sobre heranças e grandes fortunas. Image copyrightThinkstockImage caption
Volta da CPMF recairia proporcionalmente mais sobre os mais pobres
A volta temporária da CPMF (contribuição sobre
transações financeiras) é outra opção, mas trata-se de um imposto
regressivo - ao ser repassado pelas empresas para os preços finais dos
produtos, recai proporcionalmente mais sobre os mais pobres.
Gobetti
entende que parte da resistência ao aumento de impostos vem de um
sentimento da classe média de não ver retorno em serviços públicos de
qualidade. No entanto, ele ressalta que a crise fiscal não se deve
apenas a aumento de gastos do governo, mas é reflexo em boa parte da
perda de arrecadação devido às desonerações concedidas à indústria a
partir da crise mundial de 2008.
O setor também tem sido
beneficiado por juros subsidiados do BNDES - os empréstimos concedidos
desde 2008 já somam custo de R$ 323,2 bilhões ao Tesouro Nacional -,
valor que a União tem de pagar ao banco ao longo do vencimento dos
empréstimos, de 2008 a 2060. Desse total, apenas nos próximos três anos
serão pagos R$ 68 bilhões.
"O ajuste deve atingir todos, de forma
proporcional à capacidade contributiva. Nesse sentido, a campanha da
Fiesp de que não vamos pagar o pato é de uma enorme hipocrisia", critica
Gobetti.
Camargo, por sua vez, considera que a carga tributária
já é alta e defende o fim dos juros subsidiados pelo BNDES, em vez do
aumento de impostos.
"Seria extremamente didático para o Brasil
se o ajuste fiscal fosse feito sem aumentar imposto. O Brasil precisa
aprender a gastar bem os seus recursos. Há um desperdício enorme",
ressalta.
Regimes especiais
O
economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, também critica a
política de crédito subsidiado pelo BNDES. Além disso, na sua avaliação,
as grandes distorções do sistema tributário estão nos regimes
especiais, que beneficiam grupos específicos.
"O governo é muito
sensível a grupos de pressão. E aí não tem a ver com esquerda ou
direita, são os grupos organizados. O Super Simples, por exemplo, cada
vez inclui mais segmentos. Agora tem advogados, vários setores de
serviços, como corretor de seguros. Eles pagam muito menos imposto".
No
fim de junho, o Congresso aprovou a ampliação do alcance do Super
Simples, o que deve gerar perdas de R$ 1,7 bilhão em arrecadação em um
ano.
Primeiro as despesas
A
principal proposta do governo Temer para reverter gradualmente o rombo
fiscal - que neste ano deve ser de R$ 170 bilhões - é brecar a expansão
das despesas. O Planalto quer que o Congresso aprove um teto de 20 anos
para expansão dos gastos, que nesse período ficaria limitado à reposição
da inflação.
Segundo anúncio de Meirelles, gastos em educação e
saúde também devem entrar no novo regime. Hoje essas despesas crescem
obrigatoriamente em proporção à expansão das receitas, segundo regras
previstas na Constituição Federal.
"A proposta do teto do gasto
público praticamente congela as despesas em saúde e educação. A
vinculação das receitas havia sido a forma que o constituinte
(assembleia que redigiu a Constituição em 1988) havia encontrado para
proteger os direitos sociais. A escolha agora é penalizar os mais pobres
para não onerar os mais ricos", critica a coordenadora do Centro de
Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento da UFF, Celia Lessa.
Para
a economista, esse projeto não teria apoio das urnas se fosse
apresentado em campanha eleitoral. "Uma medida como essa só pode ser
tomada no limbo político em que estamos, sem a participação do eleitor",
ressaltou.
Lisboa, por sua vez, diz que o impacto sobre os mais
pobres vai depender de quais despesas serão cortadas. Ele ressalta que
os gastos em ensino superior, por exemplo, beneficiam em geral os mais
ricos, já que a maioria dos que conseguem uma vaga nas universidades
públicas são pessoas de maior renda. No caso da Previdência, Lisboa
destaca que os 40% mais pobres da população não são alcançados pelo
regime, porque não conseguem contribuir para se aposentar.
"Tem
esse mito no Brasil de que a maioria do gasto social vai para o mais
pobre. Isso não é verdade. A grande maioria do gasto primário (gasto não
financeiro do governo) é destinada aos grupos de renda média ou alta.
Os gastos com saúde básica, com educação básica e as transferências para
os 10% mais pobres, segundo o Banco Mundial, custam 16,4% da despesa
primária", afirma.
Os dados do Tesouro Nacional indicam que os
gastos discricionários (despesas não obrigatórias) com saúde e educação
já sofreram recuo real (se descontada a inflação) no ano passado e
registram nova queda nos cinco primeiros meses de 2016. Image copyrightThinkstockImage caption
Programas sociais sofreram alguns cortes, mas aumentos para servidores federais foram aprovados
Alguns programas sociais também já sofrem impacto do
ajuste fiscal. O Minha Casa Minha Vida, por exemplo, desde 2015 teve
queda expressiva na contratação de novas moradias para a faixa 1 - que
atende famílias de menor renda e, por ter subsídio maior, é a que mais
consome recursos do governo. Com isso, o valor gasto no programa caiu
61% de janeiro a maio deste ano na comparação com o mesmo período de
2016.
No entanto, alguns gastos sobem: o governo interino decidiu
conceder aumento parcelado para diversas categorias de servidores
federais. O reajuste chega a 41,47% no caso de servidores do Judiciário
que justificam o aumentam sob argumento de que seus salários estão
defasados. A proposta - que deve ser aprovada no Congresso - prevê
impacto total de R$ 68 bilhões no Orçamento até 2018.
Já o benefício do Bolsa Família, com aumento de 12,5%, terá impacto de R$ 2,1 bilhões nos gastos federais até 2018.
"O
aumento para os servidores nesse momento é incoerente e aponta para um
ajuste fiscal que tende a penalizar os mais pobres. Servidores federais
têm salários altíssimos para a média brasileira", afirma Rodrigo Orair,
do Ipea.
"O governo está dizendo que vai conter o Orçamento como
um todo. Então, quando aumenta uma das despesas, quer dizer que as
outras vão ter que ser comprimidas. E o grosso das outras são políticas
relacionadas ao nosso tardio e ainda mal construído Estado do bem-estar
social", ressaltou.
Os policiais
e bombeiros militares realizarão um ato público nesta quinta-feira (07), às
14h, em frente à Governadoria. A ação tem como objetivo cobrar das autoridades
respostas às demandas legalmente estabelecidas e que não estão sendo cumpridas
pelo Governo do Estado.
A
reivindicação prioritária é quanto às questões financeiras e da legislação
desatualizada.No quesito financeiro
falta à categoria o pagamento do retroativo de quem foi promovido em dezembro
de 2015; o pagamento das promoções de abril de 2016, como também das promoções
do período entre 2012 e 2014. Falta também o pagamento dos níveis
remuneratórios do subsídio - atrasados desde julho de 2012.
Quanto à
legislação, a Associação pede o encaminhamento da Lei de Organização Básica
(LOB) que organiza a Polícia Militar e Bombeiros internamente; atualização do
estatuto; criação do código de ética; e previdência dos militares sociais. “Não
estamos pedindo privilégios, aumento. Estamos cobrando o cumprimento da lei que
foi elaborada com a participação do Governo”, acrescenta Eliabe.
A decisão do
Ato Público se deu na Assembléia Geral desta última quarta-feira (29), com a
participação de mais de duzentos agentes de segurança pública, entre policiais
e bombeiros militares do Rio Grande do Norte, no Clube Tiradentes.
“Nós
da Associação dos Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e
Bombeiros Militares do RN (ASSPMBMRN) encaminhamos documentos,
notificações, para todos os gestores dos órgãos competentes. Desde abril
estamos cobrando o cumprimento dessas demandas e até agora não tivemos
nenhum retorno por parte do executivo”, coloca Eliabe Marques,
presidente da Associação. [por assessoria de imprensa]
--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 7/05/2016 05:48:00 PM
Brasil
"Crime organizado preocupa mais que terrorismo no Rio"
Ex-estrategista antiterrorismo do governo dos EUA questiona se
autoridades estadual, municipal e federal serão capazes de responder de
forma coordenada a uma emergência nos Jogos Olímpicos, evitando crise
ainda maior.
Policiais em treinamento no Rio de Janeiro: para especialista, Brasil não é terreno fértil para terroristas
A um mês da abertura dos Jogos Olímpicos, o Rio ainda vem tentando
responder a questionamentos sobre sua capacidade para sediar o maior
evento esportivo do mundo. Além da estrutura para os atletas e turistas,
uma das preocupações é sobre a possibilidade de ataque terrorista.
Em entrevista à DW Brasil, o especialista em terrorismo David Kilcullen,
ex-estrategista-chefe de Antiterrorismo do Departamento de Estado dos
EUA, afirma que o Brasil será capaz de prover a segurança necessária aos
visitantes durante os Jogos. Kilcullen, no entanto, alerta que a crise
política no país pode prejudicar a coordenação dos trabalhos em âmbitos
estadual, municipal e federal.
Embora ressalte que terroristas "sempre encontram uma desculpa" na
escolha do alvo, o australiano explica que o Brasil não reúne as mesmas
condições de exclusão social de comunidades muçulmanas como países da
Europa Ocidental, que facilitam o recrutamento por parte do "Estado
Islâmico".
"Não acho que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que
tenha sediado Jogos", afirma. "Eu estaria mais atento à população nas
favelas e ao crime organizado e à possibilidade de fecharem linhas de
transporte de acesso aos locais das competições."
DW Brasil: Como o senhor avalia o risco de ataques terroristas durante os Jogos do Rio?
David Kilcullen: Qualquer evento de grande porte,
especialmente internacional, pode ser alvo de terrorismo. Mas não acho
que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que tenha sediado
Jogos Olímpicos, como Atenas e Londres. O Rio é, sim, uma cidade maior e
mais complexa do que Londres, mais complicada para prover segurança.
Além disso, o Brasil mantém-se neutro em termos geopolíticos, mas
empresas como a Embraer fornecem aeronaves para a força aérea afegã
atacar o "Estado Islâmico". E se você é um jihadista, sempre consegue
encontrar uma desculpa para atacar alguém. Por isso, preocupar-se em
tornar-se menos alvo não é uma abordagem realista. É preciso, sim, fazer
com que as cidades sejam mais resistentes em caso de ataque, saibam
responder a ele, para que não haja um desastre.
Na América Latina e no Brasil, há muito tempo vivem comunidades árabes –
particularmente libanesas – que não são imigrantes marginalizados, mas
sim, ligados a negócios. A existência de populações marginalizadas,
excluídas da participação econômica e política, e observadas sob
suspeita, gera um ambiente fértil para extremismos e violência. Olhando
para o Brasil, eu estaria mais atento à população nas favelas e ao crime
organizado e à possibilidade de fecharem linhas de transporte de acesso
aos locais das competições.
A crise que o Brasil vive no momento poderia afetar a eficiência da resposta no caso de um ataque?
O que observo no Brasil é uma abordagem de policiamento militar muitas
vezes ineficaz, pode até funcionar em certas circunstâncias, mas pode
acabar saindo pela culatra, gerando ressentimento e criando áreas
praticamente sem presença de policiamento e, quando a polícia aparece,
sabe que será atacada de volta. Existe também uma questão de capacidade:
cidade e Estado serão capazes de responder rapidamente em caso de
urgência, evitando transformar a situação em uma crise ainda maior?
Acredito que o Brasil será capaz de responder efetivamente. Há alguns
anos funciona no Rio um centro de controle de segurança que centraliza
dados. Há ainda um protocolo de ação estabelecido e a experiência
positiva da Copa do Mundo. Mas é claro que instabilidade política em um
nível alto pode tornar mais difícil, porque você poderá ter que contar,
durante os Jogos Olímpicos, com pessoas que não tiveram experiência
anteriormente à frente desses sistemas.
Policiais patrulham praia na Zona Sul carioca: para Kilcullen, Rio é cidade mais complexa do que Londres
Como a segurança poderia ser afetada?
Há o envolvimento, durante as Olimpíadas, de diferentes forças policiais
e esferas políticas. E coordenar tudo é algo complicado. Estabelecer um
mecanismo para compartilhar informações rapidamente, verificar o que
está acontecendo, onde, e responder de maneira apropriada, é mais
difícil do que se imagina.
Durante o ataque de Mumbai em 2008, por exemplo, a força policial da
cidade, o Mahastra State Constabulary, e o governo federal não
conseguiram coordenar muito bem as ações, e acabaram a atrasando uma
resposta em mais de quatro horas, e houve mortes até eles chegarem.
Quando um ataque acontece, há a tendência de responder a ele achando que
acabou aí. E aí em seguida outros atentados ocorrem. Este foi o caso de
Paris, quando sete ataques aconteceram num intervalo de 90 minutos.
Primeiramente houve três ataques – uma estratégia para desviar a atenção
dos órgãos: polícia, bombeiros, serviços de emergência. Quando todos
estavam ocupados, e a cidade praticamente fechada, outros ataques
ocorreram. Esta é uma estratégia adotada agora pelos terroristas.
E como lidar com essa estratégia terrorista?
O mais importante é admitir que pode haver ataques e não ficar pensando
muito em como evitá-los, mas em como responder quando acontecerem. Vou
dar um exemplo que vai parecer extremo: a Primeira Guerra Mundial
começou com um ataque terrorista contra o arquiduque Francisco Fernando.
O ataque em si causou três mortes, mas a guerra gerou milhões. O número
de pessoas que morreram no atentado às Torres Gêmeas foi superado em
muito pelas mortes que ocorreram nos conflitos decorrentes do 11 de
Setembro.
Eu tendo a focar em como fazer com que o sistema seja suficientemente
robusto para que possa resistir em caso de ataque sem que sofra um
colapso total, sem que haja uma onda de violência. Um bom exemplo disso
seria Sidney em dezembro de 2014, quando um homem fez reféns em um café
no coração financeiro da cidade. A resposta imediata das autoridades foi
fechar a área onde o ataque estava acontecendo. Mas fizeram de tal
maneira que apenas aquela área foi bloqueada. O resto do centro, ruas,
trens, continuaram funcionando. Eles tentaram minimizar a interrupção no
restante da cidade, por isso, embora o caso tenha levado um dia inteiro
para ser resolvido, e reféns acabaram sendo mortos, a cidade não foi
tumultuada mais do que deveria.
Este é um exemplo de sistema flexível, que não fica totalmente destruído
quando um incidente acontece. Além disso, as pessoas em Sidney foram às
comunidades muçulmanas para dizer "não foi culpa de vocês, foi um cara
maluco, estamos com vocês", como num movimento para abraçar a
comunidade. Voluntários se ofereceram para andar de trem com pessoas que
se sentiam inseguras; houve um movimento no Twitter para diminuir a
reação negativa. Isso foi de grande importância para que os ataques
terroristas não gerassem uma paranoia, o que levaria a mais violência.
Fonte: Voz da Alemanha.
Arquiteto projeta "cidade aquática" no Rio
O escritório do arquiteto Vincent Callebaut apresentou o projeto na
forma de uma carta fictícia escrita por uma menina em 2065, num universo
em que essas construções saíram do papel. De acordo com essa “carta”,
os edifícios seriam construídos a partir de um material chamado
“algoplast”, uma mistura de material plástico e algas.
Brasil
"Crime organizado preocupa mais que terrorismo no Rio"
Ex-estrategista antiterrorismo do governo dos EUA questiona se
autoridades estadual, municipal e federal serão capazes de responder de
forma coordenada a uma emergência nos Jogos Olímpicos, evitando crise
ainda maior.
Policiais em treinamento no Rio de Janeiro: para especialista, Brasil não é terreno fértil para terroristas
A um mês da abertura dos Jogos Olímpicos, o Rio ainda vem tentando
responder a questionamentos sobre sua capacidade para sediar o maior
evento esportivo do mundo. Além da estrutura para os atletas e turistas,
uma das preocupações é sobre a possibilidade de ataque terrorista.
Em entrevista à DW Brasil, o especialista em terrorismo David Kilcullen,
ex-estrategista-chefe de Antiterrorismo do Departamento de Estado dos
EUA, afirma que o Brasil será capaz de prover a segurança necessária aos
visitantes durante os Jogos. Kilcullen, no entanto, alerta que a crise
política no país pode prejudicar a coordenação dos trabalhos em âmbitos
estadual, municipal e federal.
Embora ressalte que terroristas "sempre encontram uma desculpa" na
escolha do alvo, o australiano explica que o Brasil não reúne as mesmas
condições de exclusão social de comunidades muçulmanas como países da
Europa Ocidental, que facilitam o recrutamento por parte do "Estado
Islâmico".
"Não acho que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que
tenha sediado Jogos", afirma. "Eu estaria mais atento à população nas
favelas e ao crime organizado e à possibilidade de fecharem linhas de
transporte de acesso aos locais das competições." DW Brasil: Como o senhor avalia o risco de ataques terroristas durante os Jogos do Rio? David Kilcullen: Qualquer evento de grande porte,
especialmente internacional, pode ser alvo de terrorismo. Mas não acho
que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que tenha sediado
Jogos Olímpicos, como Atenas e Londres. O Rio é, sim, uma cidade maior e
mais complexa do que Londres, mais complicada para prover segurança.
Além disso, o Brasil mantém-se neutro em termos geopolíticos, mas
empresas como a Embraer fornecem aeronaves para a força aérea afegã
atacar o "Estado Islâmico". E se você é um jihadista, sempre consegue
encontrar uma desculpa para atacar alguém. Por isso, preocupar-se em
tornar-se menos alvo não é uma abordagem realista. É preciso, sim, fazer
com que as cidades sejam mais resistentes em caso de ataque, saibam
responder a ele, para que não haja um desastre.
Na América Latina e no Brasil, há muito tempo vivem comunidades árabes –
particularmente libanesas – que não são imigrantes marginalizados, mas
sim, ligados a negócios. A existência de populações marginalizadas,
excluídas da participação econômica e política, e observadas sob
suspeita, gera um ambiente fértil para extremismos e violência. Olhando
para o Brasil, eu estaria mais atento à população nas favelas e ao crime
organizado e à possibilidade de fecharem linhas de transporte de acesso
aos locais das competições. A crise que o Brasil vive no momento poderia afetar a eficiência da resposta no caso de um ataque?
O que observo no Brasil é uma abordagem de policiamento militar muitas
vezes ineficaz, pode até funcionar em certas circunstâncias, mas pode
acabar saindo pela culatra, gerando ressentimento e criando áreas
praticamente sem presença de policiamento e, quando a polícia aparece,
sabe que será atacada de volta. Existe também uma questão de capacidade:
cidade e Estado serão capazes de responder rapidamente em caso de
urgência, evitando transformar a situação em uma crise ainda maior?
Acredito que o Brasil será capaz de responder efetivamente. Há alguns
anos funciona no Rio um centro de controle de segurança que centraliza
dados. Há ainda um protocolo de ação estabelecido e a experiência
positiva da Copa do Mundo. Mas é claro que instabilidade política em um
nível alto pode tornar mais difícil, porque você poderá ter que contar,
durante os Jogos Olímpicos, com pessoas que não tiveram experiência
anteriormente à frente desses sistemas.
Policiais patrulham praia na Zona Sul carioca: para Kilcullen, Rio é cidade mais complexa do que Londres
Como a segurança poderia ser afetada?
Há o envolvimento, durante as Olimpíadas, de diferentes forças policiais
e esferas políticas. E coordenar tudo é algo complicado. Estabelecer um
mecanismo para compartilhar informações rapidamente, verificar o que
está acontecendo, onde, e responder de maneira apropriada, é mais
difícil do que se imagina.
Durante o ataque de Mumbai em 2008, por exemplo, a força policial da
cidade, o Mahastra State Constabulary, e o governo federal não
conseguiram coordenar muito bem as ações, e acabaram a atrasando uma
resposta em mais de quatro horas, e houve mortes até eles chegarem.
Quando um ataque acontece, há a tendência de responder a ele achando que
acabou aí. E aí em seguida outros atentados ocorrem. Este foi o caso de
Paris, quando sete ataques aconteceram num intervalo de 90 minutos.
Primeiramente houve três ataques – uma estratégia para desviar a atenção
dos órgãos: polícia, bombeiros, serviços de emergência. Quando todos
estavam ocupados, e a cidade praticamente fechada, outros ataques
ocorreram. Esta é uma estratégia adotada agora pelos terroristas. E como lidar com essa estratégia terrorista?
O mais importante é admitir que pode haver ataques e não ficar pensando
muito em como evitá-los, mas em como responder quando acontecerem. Vou
dar um exemplo que vai parecer extremo: a Primeira Guerra Mundial
começou com um ataque terrorista contra o arquiduque Francisco Fernando.
O ataque em si causou três mortes, mas a guerra gerou milhões. O número
de pessoas que morreram no atentado às Torres Gêmeas foi superado em
muito pelas mortes que ocorreram nos conflitos decorrentes do 11 de
Setembro.
Eu tendo a focar em como fazer com que o sistema seja suficientemente
robusto para que possa resistir em caso de ataque sem que sofra um
colapso total, sem que haja uma onda de violência. Um bom exemplo disso
seria Sidney em dezembro de 2014, quando um homem fez reféns em um café
no coração financeiro da cidade. A resposta imediata das autoridades foi
fechar a área onde o ataque estava acontecendo. Mas fizeram de tal
maneira que apenas aquela área foi bloqueada. O resto do centro, ruas,
trens, continuaram funcionando. Eles tentaram minimizar a interrupção no
restante da cidade, por isso, embora o caso tenha levado um dia inteiro
para ser resolvido, e reféns acabaram sendo mortos, a cidade não foi
tumultuada mais do que deveria.
Este é um exemplo de sistema flexível, que não fica totalmente destruído
quando um incidente acontece. Além disso, as pessoas em Sidney foram às
comunidades muçulmanas para dizer "não foi culpa de vocês, foi um cara
maluco, estamos com vocês", como num movimento para abraçar a
comunidade. Voluntários se ofereceram para andar de trem com pessoas que
se sentiam inseguras; houve um movimento no Twitter para diminuir a
reação negativa. Isso foi de grande importância para que os ataques
terroristas não gerassem uma paranoia, o que levaria a mais violência.
Arquiteto projeta "cidade aquática" no Rio
Projeto
O escritório do arquiteto Vincent Callebaut apresentou o projeto na
forma de uma carta fictícia escrita por uma menina em 2065, num universo
em que essas construções saíram do papel. De acordo com essa “carta”,
os edifícios seriam construídos a partir de um material chamado
“algoplast”, uma mistura de material plástico e algas.
Cerveja: cinco mitos mais comuns sobre a bebida mais antiga do mundo
Chope é uma coisa, cerveja é outra
Não é bem assim. O processo de criação da cerveja e do chope é o
mesmo. A única diferença é que a cerveja, aquela que se vende em
garrafas, passa por um processo de pasteurização para dar uma sobrevida
maior ao líquido. "Um chope dura, em um recipiente específico, de cinco a
sete dias. Já a cerveja, quando há a pasteurização, dura pelo menos
seis meses. Mas a concepção da bebida é a mesma", explica Thomé Calmon. Colarinho é ruim e rouba o espaço no copo
Cada um que utilize de uma técnica para não deixar a espuma da
cerveja se formar. Evitar copos de plástico ou descartáveis, inclinar a
taça ou até mesmo colocar o dedo indicador dentro da bebida são as mais
conhecidas. Mas a espuma é responsável por manter o sabor característico
do estilo, o amargor, a temperatura, assim como ajuda na liberação do
aroma. “Por isso que para as cervejas artesanais o colarinho é muito
importante, já que o intuito é proporcionar interação entre todos os
sentidos. A espuma faz parte da degustação”, ressalta Thomé Calmon. Reinheitsgebot foi a primeira lei sobre cerveja
A Reinheitsgebot, ou a Lei da Pureza Alemã, foi aprovada no dia 23 de
abril de 1516 em Ingolstadt, na Região da Bavária e diz que uma boa
cerveja deve conter apenas água, cevada, lúpulo e levedura. Mas não foi a
primeira lei sobre cerveja. Na Babilônia, por volta de 1772 a.C., foi
compilado o famoso Código de Hamurabi que, entre outras muitas leis,
ditava sobre itens como a quantidade de cerveja que poderia ser
consumida por dia, além de instituir um controle de qualidade bastante
rígido. Basicamente, ele dizia que quem servisse cerveja ruim seria
afogado no líquido. Os alemães inventaram a cerveja
A cerveja alemã é reconhecida por seu alto padrão de qualidade e o
povo do país é lembrado como grandes consumidores da bebida. Talvez por
isso muita gente ache que ela veio de lá. Mas, na verdade, ela surgiu há
cerca de 6 mil anos e bem longe. Os primeiros registros de cerveja são
da região da Suméria, hoje território do Iraque e Kuwait. O homem foi o grande inventor e produtor da cerveja
Apesar de hoje ser atribuída mais ao universo masculino, a cerveja
foi inventada e inicialmente produzida apenas por mulheres. No passado, o
homem ficava responsável pela caça e a mulher pelos cuidados do lar e
da terra – sendo também consideradas as inventoras da agricultura.
Durante o manuseio dos grãos, algum recipiente deve ter ficado exposto à
agua, germinando e iniciando o processo de malteação. A partir de
então, a cerveja foi fabricada em sua maioria por mulheres, que só
“perdeu” espaço quando o comércio, rentável, chamou a atenção masculina,
fazendo com que surgissem as grandes indústrias cervejeiras.