QUARTA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2011
O VÔO RASANTE DO "AVIADOR" ALUÍZIO ALVES NO AEROPORTO DE SÃO GONÇALO!
Ô TERRINHA, A NOSSA!
Júnior Santos
Aeroporto de São Gonçalo do Amarante está com a construção da pista praticamente concluída
"Há cerca de um mês, os membros da Academia e do CEC se reuniram conjuntamente para discutir o assunto. Segundo Diógenes, houve consenso na escolha do nome de Aluízio Alves. No entanto, o presidente da ANL disse que "particularmente, preferia que o nome do aeroporto fosse 'Acadêmico Aluízio Alves', mas avalio que a decisão foi sábia. A atuação como ministro tem um peso maior. Estamos falando da nomenclatura de um aeroporto internacional e, como ministro, a biografia de Aluízio é riquíssima".
Aluízio Alves integrava a ANL onde ocupou a cadeira de número 17, cujo patrono era Antônio Basílio Ribeiro Dantas, intelectual que também foi governador do Estado.
O jornalista e membro da ANL, Ticiano Duarte, reconhece que é justa a homenagem ao ex-ministro Aluízio Alves. Para o escritor, a história do Rio Grande do Norte pode ser dividida entre antes e depois do político. "Existe um Rio Grande do Norte antes e um Rio Grande do Norte depois de Aluízio Alves. Aluízio sempre sonhou e lutou, a vida inteira, pelo desenvolvimento do povo potiguar. Ele foi grande e trouxe várias obras de infraestrutura e indústrias, mesmo fora do governo, para cá. A denominação do aeroporto de São Gonçalo é mais do que justa, é um reconhecimento a essa personalidade tão importante", afirmou.
Para o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) e também membro da ANL, Valério Mesquita, a proposta apresentada na Câmara dos Deputados deve ser aprovada, pois, para ele, "é uma forma de reconhecer o trabalho desbravador de Aluízio Alves". "Acho justa e necessária essa aprovação", completou.
"Aluízio Alves representa uma fronteira na história do desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Norte", resumiu o jornalista, escritor e membro da ANL, Vicente Serejo. Segundo ele, a população de São Gonçalo do Amarante já demonstrou que é a favor da ideia, além disso, a proposta é "uma homenagem incontestável. Já temos o nome de Augusto Severo no aeroporto de Parnamirim e agora teremos o nome de Aluízio Alves nesse novo aeroporto internacional".
A ANL e o CEC sempre são consultados quando o Governo do Estado nomeia novos equipamentos públicos. Foi assim, por exemplo, com a ponte Newton Navarro. "Sugerimos nomes de personalidades que têm importância na história do Estado", explicou Diógenes da Cunha Lima." (Tribuna do Norte, 30/11/2011)
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COITADOS DE DONA MILITANA E DO SARGENTO MENEZES...!
Dona Militana, romanceira
O AEROPORTO...
"Nome da romanceira de São Gonçalo do Amarante é mais uma aposta que surge para o batismo da obra" (Sérgio Vilar, no Diário de Natal))
Não vá nessa não, Sérgio!
Pobre da Dona Militana - morreu com o Tesouro Estadual lhe devendo!
Você, meu caro, acha que tem quem tome do juramentado politiqueiro Aluízio Alves o nome do Aeroporto - logo agora que o filho sabidório manda e desmanda em Brasília e aqui no Rio Grande sem Sorte?
Esqueça, meu jovem!
Dias atrás, passei um e-mail para Diógenes da Cunha Lima, velho contemporâneo, lembrando o nome do SARGENTO MENEZES (João Menezes de Melo), irmão de Othoniel, pioneiro e mártir da aviação brasileira, O PRIMEIRO AVIADOR DO RIO GRANDE DO NORTE, natalense da gema, morto, no Campo dos Afonsos, em 1920, aos 24 anos, num desastre, fazendo o tal do "parafuso da morte" - macho todo!
Sobre ele já escrevi muita coisa (querendo, procure no afamado Professor Google).
Pois bem, até que Diógenes, lá no tal Conselho de Cultura, em meio aos seus compenetrados pares, fez referência ao herói, atendendo o apelo.
Pelo visto, ficou por isso mesmo...
Aluízio, pois, corre na frente, disparado, na carreira - não tem quem pegue.
A Jerimunlândia, meu jovem jornalista, adora desconsagrar!
E o piloto era poeta também, como o irmão...
Ô terrinha, esta nossa, Sérgio!
Abraço,
Laélio Ferreira
Quadro existente no MUSAL (Museu Aeroespacial-Campo dos Afonsos/RJ)
Hangar "Sargento Menezes", construído em 1927, no Campo dos Afonsos/RJ, em homenagem
ao Sargento Piloto. Foi a segunda construção desse gênero de edificação; a primeira está à esquerda - levando o nome de "Santos Dumont". Continuam de pé, na atual Base Aérea dos Afonsos.
A Segunda Turma da Escola de Aviação do Exército (Campo dos Afonsos - 1920). Menezes é o n. 4, à esquerda,
com um dos joelhos no chão. Pelo menos três dos seus colegas alcançaram o generalato. No centro, com
o capacete e logo abaixo da hélice do "Nieuport", o Capitão francês Etiene Lafay, responsável pela morte
do aviador natalense - o primeiro a receber o brevê do Aeroclube Internacional da França, em maio de 1920.
O editor do blogue, - sobrinho do pioneiro e mártir - à frente de um Nieuport semelhante ao
que vitimou, em 1920, o Sargento-piloto João Menezes de Melo (MUSAL, Campo dos
Afonsos, Rio de Janeiro - 2009)
SARGENTO MENEZES
3º Sargento-Piloto João Menezes de Melo
O Pesquisador e Jornalista Laélio Ferreira de Mello, que utiliza o pseudônimo de Laferre de Melo, é sobrinho do Sargento Menezes, e publicou na "Tribuna de Parnamirim", da cidade Parnamirim, RN, breve síntese da vida de seu tio, destacado militar, resgatando, assim, heróico episódio da História da Aviação Militar Brasileira.
A RUA SARGENTO MENEZES
Começando ali na Estação Ferroviária, quieta, sem bulício, está, existe, desde o tempo dos americanos, uma rua.“Sargento Menezes” é o seu nome. Raríssimas pessoas sabem, tanto ontem quanto hoje, quem foi o Piloto-Aviador JOÃO MENEZES DE MELO (1896-1920). Era natalense da gema, batizado em Nova Cruz. Filho do Capitão João Felismino Ribeiro Dantas de Melo (do Ceará-Mirim) e de Da. Maria Clementina Menezes de Melo (de Canguaretama). Desde 1927 é nome de hangar no Campo dos Afonsos (RJ) e no Campo de Marte (SP.). Um ano depois do seu sacrifício, em 1920, era (e é) rua em Bento Ribeiro, bairro carioca onde Ronaldinho nasceu e aprendeu a jogar bola. Somente há uns três ou quatro anos, decorridos oitenta, Natal, seu berço, sua terra, lembrou-lhe o nome para uma rua de periferia, nos cafundós-do-judas. Isso depois, parece, de um puxão de orelhas muito bem dado por Luiz G.M.Bezerra! Deixemos para lá a deslembrança do povo da Cidade dos Reis Magos...
Entretanto sobre um fato incontestável é bom, aqui, se dar notícia: no Estado, foi o povo de Parnamirim e os colegas aviadores do Sargento Menezes, na maioria “gente de fora” – como se dizia -, que antes, muito antes daqueles da capital, com clara primazia homenagearam o herói esquecido, pioneiro e mártir da Aviação Militar Brasileira.
Câmara Cascudo, dois anos mais novo (1898-1986), dizia-no “curumiaçu do meu lote” (leia-se “rapaz do meu tempo, da minha patota”), recordando-lhe “o espírito esfuziante, comunicativo, original”. Alistado no Exército, em Natal, setembro de 1914, já de outubro a novembro, recruta ainda, prestou, como soldado de infantaria, “serviços de guerra” no Ceará, combatendo os jagunços do Padre Cícero do Juazeiro, comandados por Floro Bartolomeu - político metade-médico, metade-cangaceiro. Transferido, em 1915, para o 3º Regimento de Infantaria, no Rio. Garboso 3º. Sargento, em fevereiro de 1920 era aluno da 2ª. Turma da Escola de Aviação Militar, sediada no legendário Campo dos Afonsos. A Primeira, formada apenas por oficiais (12 capitães e tenentes), concluíra o curso em 22 de janeiro. Apenas dois desses chegariam, mais tarde, a oficiais-generais: Henrique R.D.Fontenelle e Ivan Carpenter Ferreira.
Essa 2ª.Turma do Sargento Menezes era formada por dois tenentes, três oficiais uruguaios, onze sargentos, um cabo e um soldado. Ao generalato chegariam o uruguaio Tydeo Larre Borges – o maior herói da aviação platina – e os sargentos Rodolpho Prates e Raul Dinoá Costa, do Exército Brasileiro. Entre todos, Menezes foi o primeiro a solar (voar só, sem instrutor), o primeiro a receber o brevê internacional do Aeroclube da França e o primeiro a concluir o curso de Piloto-Aviador Militar. Alegre, esportista (remador do Flamengo), elegante, fazia sucesso com as mulheres e era considerado por colegas e superiores como o melhor piloto do curso. Um indivíduo competente, uma “cobra criada” ! –dir-se-ia hoje.
Voando na manhã de 29 de setembro de 1920, notou um defeito no motor do caça “Nieuport”. Pousou para comunicar a ameaça de pane ao instrutor da Missão Militar Francesa, Cap. Etienne Lafay. Além de não atendê-lo na requisição de outro aparelho para a manobra do “parafuso” (piruetas complicadas, desligando o motor, planando e religando) o francês, que não se dava bem com o Sargento, fê-lo de maneira sarcástica. Tomando a atitude do superior como uma ofensa ao seu brio - e não atendendo aos apelos dos colegas que lhe advertiam, nervosos, para o extremo perigo que correria - voltou ao avião, subiu, fez o que era para ser feito e... caiu! Falhara-lhe o motor ! Não havia pára-quedas, na época; tampouco condições de pouso de emergência. Antes de o avião espatifar-se nas cercanias da estação de trens de Marechal Hermes, livrando-se dos cintos, saltou, livre e só, para a morte. Tombou perto de um campo de futebol, no início da Rua Gravatá. Era solteiro, bonito e tinha só 24 anos de idade. Descansa na “Cripta dos Aviadores” do Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Era o “Tio Joãosinho”, que não conheci - irmão do meu pai e também Poeta.
Foto de 1920 da 2ª Turma de Alunos - 3- Bandeira, 4- MENEZES, 5- Peixoto, 6- Level, 7- Lafay ( instrutor francês ), 8 Vasques, 9- Rocha, 10- Reynaldo, 11 Arthur, 12- N/I
1920 - Escola de Aviação Militar - Da esquerda para a direita: Prates; Rocha; Cunha; Vasques; NI; Scarniel; Level; Araújo e MENEZES.
Foto do Campo dos Afonsos em 1919
Hangar Sargento Menezes em 2001
Colaboração: Laélio Ferreira de Melo ( sobrinho do Sgt Menezes ), Cel Av Fernando Hippólyto da Costa ( autor do livro Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira ) e Cel Av Manoel J. C. de Albuquerque Filho
SEGUNDA-FEIRA, 25 DE ABRIL DE 2011
O SARGENTO MENEZES E O BRIGADIER-GENERAL URUGUAIO
http://www.pilotoviejo.com/elpajaroblanco.htm
Prólogo
Laferre de Melo es un ex-periodista brasileño, oriundo de Natal.
Su tío João Menezes de Melo, el Sargento Menezes, fue un héroe y un temprano mártir de la Aviación Militar brasileña. Los precursores uruguayos Tydeo Larre Borges, José Luis Ibarra y Coralio Lacosta, fueron sus compañeros de "turma", en el curso de vuelo realizado en 1920, en el Campo dos Afonsos, en Río de Janeiro.
Este relato es uno de tantos que ha publicado con los temas de los gloriosos comienzos de la aviación verde-amarelha. Laferre de Melo cuenta que la anécdota del "Pássaro Branco", así como la "gaffe" social de Larre Borges, están aún frescas en la memoria colectiva de su tierra natal.
Pilotoviejo
No tempo dos americanos
O “PÁSSARO BRANCO”
Antes do tempo dos americanos, numa madrugada de muita chuva e relâmpago, voando baixo e sem nenhuma visibilidade, o monomotor Breguet passou por cima de Parnamirim, roncando. Pouco depois, no lusco-fusco do alvorecer, os poucos moradores da Fazenda “Maracujá”, em Santo Antônio do Salto da Onça, assombrados, ouviram o rojo daquele “bicho do céu” torando mato ralo no tabuleiro até parar, fumaçando, nas moitas de xiquexique. Correu, todo mundo, para acudir. Um dos aviadores, socorrido pelo colega, gemia baixo, com profundo corte na testa. Destroçado, o avião, pintado de branco, tinha, na fuselagem, a figura azulada de um pássaro e uma legenda: “L’Oiseau Blanche” (“O Pássaro Branco”). Começara mal, para os tripulantes, o raiar do dia 17 de dezembro de 1929.Voando a 150 KMs por hora, com um moderníssimo motor Lorraine de 450 HPs, tinham saído de Sevilha (La Tablada), na Espanha, 48 horas antes da queda, ao meio-dia de 15 de dezembro. Haviam sobrevoado o Marrocos e a Mauritânia – de onde, em Port Etienne, embicaram na direção da América do Sul. Natal e Parnamirim serviriam apenas como pontos de referência. A meta, o recorde que buscavam, era chegar a Montevidéu, no Uruguai, sem escalas. São Pedro e a tempestade não permitiram! Viram, de longe, do mar, o piscar do farol da Fortaleza dos Reis Magos. Neca de Parnamirim, da pista dos franceses da Aeropostale! Tudo breu, escuridão !
Molhado, sangrando na testa, o fidalgo Capitão León Challe, do Exército francês, herói condecorado na Grande Guerra, filho de General, detentor de mais de uma dezena de recordes mundiais de aviação, é acolhido com carinho por um casal de velhos, na humilde casinha de taipa e chão batido. O Tenente-Coronel Tydeo Larre Borges, do Exército uruguaio, na solidária companhia de vaqueiros, vai pedir socorro na vizinha Fazenda “Jucá”, de Epaminondas Martins, por coincidência Prefeito do município.
Tydeo Larre Borges, nesse final de década (1929), já era figura legendária no Uruguai e tinha, tanto quanto o francês Challe, renome internacional. Dois anos antes, em 03 de março de 1927, comandando um hidroavião, o “Uruguay”, caiu no litoral marroquino (Guad Fatma) e com três companheiros de vôo foi capturado por nômades do deserto, que pediram resgate de 5.000 pesetas ao governo do Marrocos Espanhol. No dia 05, os franceses da Aeropostale, Ville e Mermoz, baseados em Cap Juby, localizaram os restos da aeronave. Presos aos lombos de camelos, os uruguaios foram localizados, do ar, no dia 07, por Guillaumet e Riguelle. Exupery – aquele mesmo, o do “Pequeno Príncipe” - e Reine, no dia seguinte, chegam ao acampamento dos seqüestradores, em Puerto Casando, para negociar. Os árabes, alvoroçados, resolvem aumentar o preço para a soltura de Larre e seus companheiros. Estabelecida a confusão, três reféns correm para o Breguet de Reine. Borges, num golpe de sorte, entre tiros e desaforos em três idiomas, também se escafede no outro avião, com Saint-Exupery. Um dos pilotos resgatados foi o Capitão José Luis Ibarra. Coincidentemente ele e Larre Borges foram, no Campo dos Afonsos, colegas de turma do Sargento João Menezes, falecido em 1920, natalense, com quem fizeram larga amizade, no Rio. O diabo é que – vamos ver - a terra do Sargento não tratou muito bem o oficial uruguaio! Depois da estadia forçada no Rio Grande do Norte, obtendo alta León Challe, partiram os aviadores, no dia 22, para Montevidéu, onde foram homenageados. Além do pouso não previsto, do acidente, um incidente lamentável marcaria a passagem do futuro Brigadier General Larre Borges por Natal. Sem dúvida dolorido na alma e no corpo, acompanhando, no hospital, o tratamento do companheiro francês e amargando a derrota por não ter concluído o reide, ao não aceitar um intempestivo e provinciano convite para “um banquete de homenagem” na Escola Doméstica de Natal – na época era “chiquérrimo” ! –, o grande aviador entrou em rota de colisão com os costumes locais, provocando a ira da elite e o conseqüente ataque impiedoso da imprensa, açulada pelo padre João da Matta. Dias depois, de Montevidéu, com elegância, procurou desfazer o “imbróglio” constrangedor. Em cartas aos jornais da cidade, em bom português, afiançou a antiga admiração pelo Brasil, a convivência cordial com os brasileiros e a passagem pelo Campo dos Afonsos, revelando, ainda – para surpresa de muitos – ser a esposa (Elena Gallarreta Urrutia), a mãe dos seus filhos, brasileira ! Morreu de saudade, o Brigadier General, em 1984, aos noventa anos, uma semana depois da morte da sua Elena – com quem viveu setenta.
Laferre de Melo
(Publicado en "TRIBUNA DE PARNAMIRIM", Parnamirim/RN, octubre de 2003)
ÁBADO, 20 DE AGOSTO DE 2011
MUSEU AEROESPACIAL DO CAMPO DOS AFONSOS - II) SARGENTO-PILOTO JOÃO MENEZES
O editor do blogue, - sobrinho do pioneiro e mártir - à frente de um Nieuport semelhante ao
que vitimou, em 1920, o Sargento-piloto João Menezes de Melo (MUSAL, Campo dos
Afonsos, Rio de Janeiro - 2009)
http://www.reservaer.com.br/galeriahonra/sgtmenezes.html
SARGENTO MENEZES
3º Sargento-Piloto João Menezes de Melo
"O Pesquisador e Jornalista Laélio Ferreira de Mello, que utiliza o pseudônimo de Laferre de Melo, é sobrinho do Sargento Menezes, e publicou na "Tribuna de Parnamirim", da cidade Parnamirim, RN, breve síntese da vida de seu tio, destacado militar, resgatando, assim, heróico episódio da História da Aviação Militar Brasileira.
A RUA SARGENTO MENEZES
Começando ali na Estação Ferroviária, quieta, sem bulício, está, existe, desde o tempo dos americanos, uma rua.“Sargento Menezes” é o seu nome. Raríssimas pessoas sabem, tanto ontem quanto hoje, quem foi o Piloto-Aviador JOÃO MENEZES DE MELO (1896-1920). Era natalense da gema, batizado em Nova Cruz. Filho do Capitão João Felismino Ribeiro Dantas de Melo (do Ceará-Mirim) e de Da. Maria Clementina Menezes de Melo (de Canguaretama). Desde 1927 é nome de hangar no Campo dos Afonsos (RJ) e no Campo de Marte (SP.). Um ano depois do seu sacrifício, em 1920, era (e é) rua em Bento Ribeiro, bairro carioca onde Ronaldinho nasceu e aprendeu a jogar bola. Somente há uns três ou quatro anos, decorridos oitenta, Natal, seu berço, sua terra, lembrou-lhe o nome para uma rua de periferia, nos cafundós-do-judas. Isso depois, parece, de um puxão de orelhas muito bem dado por Luiz G.M.Bezerra! Deixemos para lá a deslembrança do povo da Cidade dos Reis Magos...
Entretanto sobre um fato incontestável é bom, aqui, se dar notícia: no Estado, foi o povo de Parnamirim e os colegas aviadores do Sargento Menezes, na maioria “gente de fora” – como se dizia -, que antes, muito antes daqueles da capital, com clara primazia homenagearam o herói esquecido, pioneiro e mártir da Aviação Militar Brasileira.
Câmara Cascudo, dois anos mais novo (1898-1986), dizia-no “curumiaçu do meu lote” (leia-se “rapaz do meu tempo, da minha patota”), recordando-lhe “o espírito esfuziante, comunicativo, original”. Alistado no Exército, em Natal, setembro de 1914, já de outubro a novembro, recruta ainda, prestou, como soldado de infantaria, “serviços de guerra” no Ceará, combatendo os jagunços do Padre Cícero do Juazeiro, comandados por Floro Bartolomeu - político metade-médico, metade-cangaceiro. Transferido, em 1915, para o 3º Regimento de Infantaria, no Rio. Garboso 3º. Sargento, em fevereiro de 1920 era aluno da 2ª. Turma da Escola de Aviação Militar, sediada no legendário Campo dos Afonsos. A Primeira, formada apenas por oficiais (12 capitães e tenentes), concluíra o curso em 22 de janeiro. Apenas dois desses chegariam, mais tarde, a oficiais-generais: Henrique R.D.Fontenelle e Ivan Carpenter Ferreira.
Essa 2ª.Turma do Sargento Menezes era formada por dois tenentes, três oficiais uruguaios, onze sargentos, um cabo e um soldado. Ao generalato chegariam o uruguaio Tydeo Larre Borges – o maior herói da aviação platina – e os sargentos Rodolpho Prates e Raul Dinoá Costa, do Exército Brasileiro. Entre todos, Menezes foi o primeiro a solar (voar só, sem instrutor), o primeiro a receber o brevê internacional do Aeroclube da França e o primeiro a concluir o curso de Piloto-Aviador Militar. Alegre, esportista (remador do Flamengo), elegante, fazia sucesso com as mulheres e era considerado por colegas e superiores como o melhor piloto do curso. Um indivíduo competente, uma “cobra criada” ! –dir-se-ia hoje.
Voando na manhã de 29 de setembro de 1920, notou um defeito no motor do caça “Nieuport”. Pousou para comunicar a ameaça de pane ao instrutor da Missão Militar Francesa, Cap. Etienne Lafay (*). Além de não atendê-lo na requisição de outro aparelho para a manobra do “parafuso” (piruetas complicadas, desligando o motor, planando e religando) o francês, que não se dava bem com o Sargento, fê-lo de maneira sarcástica. Tomando a atitude do superior como uma ofensa ao seu brio - e não atendendo aos apelos dos colegas que lhe advertiam, nervosos, para o extremo perigo que correria - voltou ao avião, subiu, fez o que era para ser feito e... caiu!Falhara-lhe o motor ! Não havia pára-quedas, na época; tampouco condições de pouso de emergência. Antes de o avião espatifar-se nas cercanias da estação de trens de Marechal Hermes, livrando-se dos cintos, saltou, livre e só, para a morte. Tombou perto de um campo de futebol, no início da Rua Gravatá. Era solteiro, bonito e tinha só 24 anos de idade. Descansa na “Cripta dos Aviadores” do Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Era o “Tio Joãosinho”, que não conheci - irmão do meu pai e também Poeta."
Foto de 1920 da 2ª Turma de Alunos - 3- Bandeira, 4- MENEZES, 5- Peixoto, 6- Level, 7- Lafay ( instrutor francês ), 8 Vasques, 9- Rocha, 10- Reynaldo, 11 Arthur, 12- N/I
1920 - Escola de Aviação Militar - Da esquerda para a direita: Prates; Rocha; Cunha; Vasques; NI; Scarniel; Level; Araújo e MENEZES.
Foto do Campo dos Afonsos em 1919
Hangar Sargento Menezes em 2001
Colaboração: Texto e fotos: Laélio Ferreira de Melo ( sobrinho do Sgt Menezes ), (Fotos:) Cel Av Fernando Hippólyto da Costa ( autor do livro Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira ) e Cel Av Manoel J. C. de Albuquerque Filho
(*) O Capitão francês picareta (e fazedor de negócios):
"Cia Nacional de Navegação Costeira - Independência
Em 25 de maio de 1922 voou o segundo avião projetado e construído pelo capitão Lafay, o Independência. O aparelho era um bimotor, biplano de três lugares, com motores Cleget importados, e realizou diversos vôos de longa duração sem, contudo, sensibilizar a cúpula da Marinha sobre o potencial técnico da empresa de Henrique Lage. Até meados dos anos 30, a Marinha continuou importando aviões para suprir suas necessidades ao invés de construir aeronaves no Brasil.
Fabricante: Companhia Nacional de Navegação Costeira
Motor: 2 Cleget
Autonomia: 3 Horas
Tripulantes 2
Passageiros: 3
Armamento: Nenhum
fotos Arquivo Carlos Dufrite
ICONOGRAFIA DO SARGENTO MENEZES
Histórico no MUSAL
A homenagem dos companheiros do Exército, em 1927 (o segundo hangar do
Campo dos Afonsos, com o nome do piloto. O primeiro, à esquerda da foto,
homenageava Santos Dumont)
Carta de Oswaldo Lamartine a Cláudio Galvão
Menezes, em 1917, no Flamengo, protestando
(V.carta de Oswaldo Lamartine, acima)
A HOMENAGEM DO IRMÃO
O aeroplano
A João Menezes de Melo (*) meu irmão.
Zunindo, em longas curvas singulares,
no esplendor de um verão americano,
– gigantesca libélula –, o aeroplano
galga o horizonte e apruma-se nos ares.
Em poucas horas, léguas, aos milhares,
vence; atinge o apogeu do vôo, ufano...
Paira, afrontosamente, soberano,
sobre florestas, precipícios, mares.
Sobre as nuvens! – É um pássaro fantasma!
Em baixo, a multidão segue-lhe, pasma,
a vertigem do assomo condoreiro...
Sobe, direto ao sol e à glória! e, avante,
leva-o – mais que a sua hélice possante –
o coração de herói do timoneiro!
Othoniel Menezes (in "Obra Reunida")
(*) João Menezes de Melo (Natal/RN, 1896-Rio de Janeiro/RJ, 1920).
Pioneiro e mártir da aviação militar brasileira (foi a sexta vítima). O primeiro
aviador do Rio Grande do Norte. Sargento-piloto, da 2ª. Turma da
Escola de Aviação do Exército. Voando num Nieuport (de caça), morreu,
caiu do céu, aos 24 anos, em Marechal Hermes, subúrbio do então Distrito
Federal, no Rio de Janeiro/RJ, nas proximidades do lendário Campo
dos Afonsos, no dia 29 de setembro de 1920. No início da carreira militar,
em 1913/1914, combateu, de arma na mão, os jagunços do “Padim Ciço”
do Juazeiro, no Ceará. Poeta, também. OM anotou, na primeira edição
deste livro: “Este soneto foi escrito para a glória de João Menezes, meu
querido irmão, morto no grande desastre de 29 de setembro de 1920, no
Campo dos Afonsos quando, intrépido sargento-aviador, tentava o Parafuso
da Morte, num dos aparelhos escangalhados que a França nos
impingiu. Deixa de ser publicado aqui o que se disse, a respeito, na revista
Terra Natal, porque pretendo, oportunamente, de maneira menos inócua,
estigmatizar o canalha do oficial francês responsável pela morte de João
Menezes”. (Nota de Laélio Ferreira, ob.cit.)
Postado por Laélio Ferreira de Melo às 03:52:00
PERFIL DA SEMANA - SGT. MENEZES - AVIADOR DE FATO EXCEPCIONAL - POR IRENIO DE FARO
por Somos Editora, terça, 1 de Novembro de 2011 às 11:40
O TRÁGICO FIM DE UM SARGENTO
Sargento-aviador João Menezes de Melo
Poucas pessoas sabem quem foi Sgt. Menezes (1896-1920), nome de rua no subúrbio carioca de Bento Ribeiro, e de dois hangares de Aviação — um no Campo dos Afonsos, também no Rio, e o outro no Campo de Marte, na capital paulista.
Segundo se sabe, é costume homenagear-se generais, brigadeiros, almirantes, altas patentes militares e raramente simples sargentos. A diferença é que o 3º sargento-aviador João Menezes de Melo não foi um militar comum, mas simplesmente um militar excepcional.
Mas, afinal, por que se homenagear um simples 3º sargento-aviador da antiga Aviação Militar Brasileira?
Vejamos:
João Menezes de Melo nasceu em Natal/RN e foi batizado em Nova Cruz. Filho do Capitão João Felismino Ribeiro Dantas e D. Maria Clementina Menezes de Melo.
Segundo o historiador e advogado Câmara Cascudo, Menezes foi sempre “um espírito esfuziante, comunicativo, original”. Alistado no Exército, em Natal, em setembro de 1914, de outubro a novembro, recruta ainda, prestou como soldado de infantaria, serviços de guerra no Ceará, combatendo os jagunços do Padre Cícero do Juazeiro, comandados por Floro Bartolomeu — um misto de político, médico, e cangaceiro.
Transferido, em 1915, para o 3º Regimento de Infantaria, no Rio, como 3º Sargento, em fevereiro de 1920, Menezes matriculou-se na 2ª Turma da Escola de Aviação Militar, sediada no Campo dos Afonsos, RJ. A primeira turma, formada somente por oficiais (12 capităes e tenentes), concluíra o curso em 22 de janeiro daquele ano.
Curiosamente, apenas dois desses alunos chegariam, mais tarde, a oficiais-generais: Henrique R.D.Fontenelle e Ivan Carpenter Ferreira.
O NIEUPORT 21E1 é uma aeronave de caça, para um só piloto, derivado do NIEUPORT 11 Bébé Nieuport (um dos melhores aviões de caça da Primeira Guerra Mundial). O modelo NIEUPORT 17 equipou as Forças Armadas de vários países aliados durante a Primeira Grande Guerra. No Brasil, o NIEUPORT 21E1 foi utilizado (de 1921 a 1930) como avião de treinamento da Escola de Aviação Militar, que funcionava no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro. O exemplar da foto, em exposição no Salão Velhas Garcas, do Rio, é uma réplica, montada com alguns componentes originais, dentre os quais: a cauda, a hélice e o motor. Especificações Técnicas Fabricado por Sociétè Anonyme des Etablissements Nieuport – França. Motor Le Rhône, 80 HP, radial rotativo, 9 cilindros Comprimento: 5,80 m Envergadura: 8,03 m Altura: 2,40 m Peso vazio: 370 kg Velocidade máxima: 150 km/h Alcance: 250 km
A 2ª Turma, à qual pertencia o Sgt. Menezes, muito mais heterogênea, era composta por dois tenentes, três oficiais uruguaios, onze sargentos, um cabo e um soldado. Ao generalato, segundo se sabe, chegariam somente Tydeo Larre Borges — o maior herói da aviaçăo uruguaia — e os sargentos Rodolpho Prates e Raul Dinoá Costa, os dois do Exército Brasileiro.
Dentre todos de sua turma, Menezes se destacou por seus primeiros lugares: primeiro a solar (voar só, sem instrutor), primeiro a receber o brevê internacional do Aeroclube da França e primeiro a concluir o curso de Piloto-Aviador Militar.
De temperamento alegre e atleta (era remador do Flamengo), Menezes era, além disso, bastante elegante, fazia sucesso com as mulheres. Consta que era considerado, por colegas e superiores, o melhor piloto do curso.
Foto de 1920 da 2ª Turma de Alunos: 3- Bandeira, 4- MENEZES, 5- Peixoto, 6- Level, 7- Lafay (instrutor francês ), 8- Vasques, 9- Rocha, 10- Reynaldo, 11- Arthur, 12- N/I.
Na manhã de 29 de setembro de 1920, percebeu um defeito no motor de seu caça Nieuport. Vai daí, pousou para comunicar o fato ao instrutor da Missăo Militar Francesa, Cap. Etienne Lafay. O problema foi que, além de năo atender à requisiçăo de uma outra aeronave, com a qual pretendia treinar operações de parafuso, Menezes foi recebido de modo sarcástico, visto que o instrutor não se dava bem com o sargento.
Levando a atitude de seu superior como uma ofensa pessoal, Menezes resolveu voltar a voar, apesar de seus companheiros o aconselharem a que não o fizesse, pois o defeito no motor do seu Neuport poderia evoluir para uma pane mais séria.
Pois bem: Menezes voltou à sua aeronave, executou com sucesso algumas das piruetas desejadas, até que os temores dos colegas se confirmaram: a falha no motor projetou a aeronave na direção do solo.
Pouco antes de o caça se espatifar no chão nas cercanias da estação ferroviária de Marechal Hermes, o piloto conseguiu se livrar dos cintos e saltar para o solo, mas já era tarde demais. Menezes caiu perto de um campo de futebol, no começo da rua Gravatá, falecendo em seguida.
Com apenas 24 anos de idade, o grande e experiente piloto encontrava tragicamente a morte. Seus restos mortais se acham na Cripta dos Aviadores, no Cemitério Săo Joăo Batista, no Rio de Janeiro. Foi o sexto mártir da aviação brasileira.
(Fonte: Artigo publicado na Tribuna de Parnamirim, de Parnamirim, RN, de autoria de Laferre de Melo, pseudônimo de Laélio Ferreira de Melo, sobrinho do Ten. Menezes e seu biógrafo).
Postado por Laélio Ferreira de Melo às 11:24:00 0 comentários
Dona Militana.

Sargento Menezes - nome de hangar em Campos dos Afonsos- Rio de Janeiro.


