quarta-feira, 30 de novembro de 2011

QUARTA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2011

O VÔO RASANTE DO "AVIADOR" ALUÍZIO ALVES NO AEROPORTO DE SÃO GONÇALO!

Ô TERRINHA, A NOSSA!



Júnior Santos

Aeroporto de São Gonçalo do Amarante está com a construção da pista praticamente concluída



"Há cerca de um mês, os membros da Academia e do CEC se reuniram conjuntamente para discutir o assunto. Segundo Diógenes, houve consenso na escolha do nome de Aluízio Alves. No entanto, o presidente da ANL disse que "particularmente, preferia que o nome do aeroporto fosse 'Acadêmico Aluízio Alves', mas avalio que a decisão foi sábia. A atuação como ministro tem um peso maior. Estamos falando da nomenclatura de um aeroporto internacional e, como ministro, a biografia de Aluízio é riquíssima".



Aluízio Alves integrava a ANL onde ocupou a cadeira de número 17, cujo patrono era Antônio Basílio Ribeiro Dantas, intelectual que também foi governador do Estado.



O jornalista e membro da ANL, Ticiano Duarte, reconhece que é justa a homenagem ao ex-ministro Aluízio Alves. Para o escritor, a história do Rio Grande do Norte pode ser dividida entre antes e depois do político. "Existe um Rio Grande do Norte antes e um Rio Grande do Norte depois de Aluízio Alves. Aluízio sempre sonhou e lutou, a vida inteira, pelo desenvolvimento do povo potiguar. Ele foi grande e trouxe várias obras de infraestrutura e indústrias, mesmo fora do governo, para cá. A denominação do aeroporto de São Gonçalo é mais do que justa, é um reconhecimento a essa personalidade tão importante", afirmou.



Para o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) e também membro da ANL, Valério Mesquita, a proposta apresentada na Câmara dos Deputados deve ser aprovada, pois, para ele, "é uma forma de reconhecer o trabalho desbravador de Aluízio Alves". "Acho justa e necessária essa aprovação", completou.



"Aluízio Alves representa uma fronteira na história do desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Norte", resumiu o jornalista, escritor e membro da ANL, Vicente Serejo. Segundo ele, a população de São Gonçalo do Amarante já demonstrou que é a favor da ideia, além disso, a proposta é "uma homenagem incontestável. Já temos o nome de Augusto Severo no aeroporto de Parnamirim e agora teremos o nome de Aluízio Alves nesse novo aeroporto internacional".



A ANL e o CEC sempre são consultados quando o Governo do Estado nomeia novos equipamentos públicos. Foi assim, por exemplo, com a ponte Newton Navarro. "Sugerimos nomes de personalidades que têm importância na história do Estado", explicou Diógenes da Cunha Lima." (Tribuna do Norte, 30/11/2011)



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COITADOS DE DONA MILITANA E DO SARGENTO MENEZES...!




Dona Militana, romanceira





O AEROPORTO...



"Nome da romanceira de São Gonçalo do Amarante é mais uma aposta que surge para o batismo da obra" (Sérgio Vilar, no Diário de Natal))





Não vá nessa não, Sérgio!

Pobre da Dona Militana - morreu com o Tesouro Estadual lhe devendo!

Você, meu caro, acha que tem quem tome do juramentado politiqueiro Aluízio Alves o nome do Aeroporto - logo agora que o filho sabidório manda e desmanda em Brasília e aqui no Rio Grande sem Sorte?

Esqueça, meu jovem!

Dias atrás, passei um e-mail para Diógenes da Cunha Lima, velho contemporâneo, lembrando o nome do SARGENTO MENEZES (João Menezes de Melo), irmão de Othoniel, pioneiro e mártir da aviação brasileira, O PRIMEIRO AVIADOR DO RIO GRANDE DO NORTE, natalense da gema, morto, no Campo dos Afonsos, em 1920, aos 24 anos, num desastre, fazendo o tal do "parafuso da morte" - macho todo!

Sobre ele já escrevi muita coisa (querendo, procure no afamado Professor Google).

Pois bem, até que Diógenes, lá no tal Conselho de Cultura, em meio aos seus compenetrados pares, fez referência ao herói, atendendo o apelo.

Pelo visto, ficou por isso mesmo...

Aluízio, pois, corre na frente, disparado, na carreira - não tem quem pegue.

A Jerimunlândia, meu jovem jornalista, adora desconsagrar!

E o piloto era poeta também, como o irmão...

Ô terrinha, esta nossa, Sérgio!



Abraço,

Laélio Ferreira






Quadro existente no MUSAL (Museu Aeroespacial-Campo dos Afonsos/RJ)




Hangar "Sargento Menezes", construído em 1927, no Campo dos Afonsos/RJ, em homenagem

ao Sargento Piloto. Foi a segunda construção desse gênero de edificação; a primeira está à esquerda - levando o nome de "Santos Dumont". Continuam de pé, na atual Base Aérea dos Afonsos.




A Segunda Turma da Escola de Aviação do Exército (Campo dos Afonsos - 1920). Menezes é o n. 4, à esquerda,

com um dos joelhos no chão. Pelo menos três dos seus colegas alcançaram o generalato. No centro, com

o capacete e logo abaixo da hélice do "Nieuport", o Capitão francês Etiene Lafay, responsável pela morte

do aviador natalense - o primeiro a receber o brevê do Aeroclube Internacional da França, em maio de 1920.




O editor do blogue, - sobrinho do pioneiro e mártir - à frente de um Nieuport semelhante ao

que vitimou, em 1920, o Sargento-piloto João Menezes de Melo (MUSAL, Campo dos

Afonsos, Rio de Janeiro - 2009)

SARGENTO MENEZES






3º Sargento-Piloto João Menezes de Melo

O Pesquisador e Jornalista Laélio Ferreira de Mello, que utiliza o pseudônimo de Laferre de Melo, é sobrinho do Sargento Menezes, e publicou na "Tribuna de Parnamirim", da cidade Parnamirim, RN, breve síntese da vida de seu tio, destacado militar, resgatando, assim, heróico episódio da História da Aviação Militar Brasileira.

A RUA SARGENTO MENEZES

Começando ali na Estação Ferroviária, quieta, sem bulício, está, existe, desde o tempo dos americanos, uma rua.“Sargento Menezes” é o seu nome. Raríssimas pessoas sabem, tanto ontem quanto hoje, quem foi o Piloto-Aviador JOÃO MENEZES DE MELO (1896-1920). Era natalense da gema, batizado em Nova Cruz. Filho do Capitão João Felismino Ribeiro Dantas de Melo (do Ceará-Mirim) e de Da. Maria Clementina Menezes de Melo (de Canguaretama). Desde 1927 é nome de hangar no Campo dos Afonsos (RJ) e no Campo de Marte (SP.). Um ano depois do seu sacrifício, em 1920, era (e é) rua em Bento Ribeiro, bairro carioca onde Ronaldinho nasceu e aprendeu a jogar bola. Somente há uns três ou quatro anos, decorridos oitenta, Natal, seu berço, sua terra, lembrou-lhe o nome para uma rua de periferia, nos cafundós-do-judas. Isso depois, parece, de um puxão de orelhas muito bem dado por Luiz G.M.Bezerra! Deixemos para lá a deslembrança do povo da Cidade dos Reis Magos...

Entretanto sobre um fato incontestável é bom, aqui, se dar notícia: no Estado, foi o povo de Parnamirim e os colegas aviadores do Sargento Menezes, na maioria “gente de fora” – como se dizia -, que antes, muito antes daqueles da capital, com clara primazia homenagearam o herói esquecido, pioneiro e mártir da Aviação Militar Brasileira.

Câmara Cascudo, dois anos mais novo (1898-1986), dizia-no “curumiaçu do meu lote” (leia-se “rapaz do meu tempo, da minha patota”), recordando-lhe “o espírito esfuziante, comunicativo, original”. Alistado no Exército, em Natal, setembro de 1914, já de outubro a novembro, recruta ainda, prestou, como soldado de infantaria, “serviços de guerra” no Ceará, combatendo os jagunços do Padre Cícero do Juazeiro, comandados por Floro Bartolomeu - político metade-médico, metade-cangaceiro. Transferido, em 1915, para o 3º Regimento de Infantaria, no Rio. Garboso 3º. Sargento, em fevereiro de 1920 era aluno da 2ª. Turma da Escola de Aviação Militar, sediada no legendário Campo dos Afonsos. A Primeira, formada apenas por oficiais (12 capitães e tenentes), concluíra o curso em 22 de janeiro. Apenas dois desses chegariam, mais tarde, a oficiais-generais: Henrique R.D.Fontenelle e Ivan Carpenter Ferreira.

Essa 2ª.Turma do Sargento Menezes era formada por dois tenentes, três oficiais uruguaios, onze sargentos, um cabo e um soldado. Ao generalato chegariam o uruguaio Tydeo Larre Borges – o maior herói da aviação platina – e os sargentos Rodolpho Prates e Raul Dinoá Costa, do Exército Brasileiro. Entre todos, Menezes foi o primeiro a solar (voar só, sem instrutor), o primeiro a receber o brevê internacional do Aeroclube da França e o primeiro a concluir o curso de Piloto-Aviador Militar. Alegre, esportista (remador do Flamengo), elegante, fazia sucesso com as mulheres e era considerado por colegas e superiores como o melhor piloto do curso. Um indivíduo competente, uma “cobra criada” ! –dir-se-ia hoje.

Voando na manhã de 29 de setembro de 1920, notou um defeito no motor do caça “Nieuport”. Pousou para comunicar a ameaça de pane ao instrutor da Missão Militar Francesa, Cap. Etienne Lafay. Além de não atendê-lo na requisição de outro aparelho para a manobra do “parafuso” (piruetas complicadas, desligando o motor, planando e religando) o francês, que não se dava bem com o Sargento, fê-lo de maneira sarcástica. Tomando a atitude do superior como uma ofensa ao seu brio - e não atendendo aos apelos dos colegas que lhe advertiam, nervosos, para o extremo perigo que correria - voltou ao avião, subiu, fez o que era para ser feito e... caiu! Falhara-lhe o motor ! Não havia pára-quedas, na época; tampouco condições de pouso de emergência. Antes de o avião espatifar-se nas cercanias da estação de trens de Marechal Hermes, livrando-se dos cintos, saltou, livre e só, para a morte. Tombou perto de um campo de futebol, no início da Rua Gravatá. Era solteiro, bonito e tinha só 24 anos de idade. Descansa na “Cripta dos Aviadores” do Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Era o “Tio Joãosinho”, que não conheci - irmão do meu pai e também Poeta.








Foto de 1920 da 2ª Turma de Alunos - 3- Bandeira, 4- MENEZES, 5- Peixoto, 6- Level, 7- Lafay ( instrutor francês ), 8 Vasques, 9- Rocha, 10- Reynaldo, 11 Arthur, 12- N/I






1920 - Escola de Aviação Militar - Da esquerda para a direita: Prates; Rocha; Cunha; Vasques; NI; Scarniel; Level; Araújo e MENEZES.




Foto do Campo dos Afonsos em 1919




Hangar Sargento Menezes em 2001

Colaboração: Laélio Ferreira de Melo ( sobrinho do Sgt Menezes ), Cel Av Fernando Hippólyto da Costa ( autor do livro Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira ) e Cel Av Manoel J. C. de Albuquerque Filho











SEGUNDA-FEIRA, 25 DE ABRIL DE 2011

O SARGENTO MENEZES E O BRIGADIER-GENERAL URUGUAIO

http://www.pilotoviejo.com/elpajaroblanco.htm



Prólogo

Laferre de Melo es un ex-periodista brasileño, oriundo de Natal.

Su tío João Menezes de Melo, el Sargento Menezes, fue un héroe y un temprano mártir de la Aviación Militar brasileña. Los precursores uruguayos Tydeo Larre Borges, José Luis Ibarra y Coralio Lacosta, fueron sus compañeros de "turma", en el curso de vuelo realizado en 1920, en el Campo dos Afonsos, en Río de Janeiro.

Este relato es uno de tantos que ha publicado con los temas de los gloriosos comienzos de la aviación verde-amarelha. Laferre de Melo cuenta que la anécdota del "Pássaro Branco", así como la "gaffe" social de Larre Borges, están aún frescas en la memoria colectiva de su tierra natal.

Pilotoviejo

















No tempo dos americanos





O “PÁSSARO BRANCO”





Antes do tempo dos americanos, numa madrugada de muita chuva e relâmpago, voando baixo e sem nenhuma visibilidade, o monomotor Breguet passou por cima de Parnamirim, roncando. Pouco depois, no lusco-fusco do alvorecer, os poucos moradores da Fazenda “Maracujá”, em Santo Antônio do Salto da Onça, assombrados, ouviram o rojo daquele “bicho do céu” torando mato ralo no tabuleiro até parar, fumaçando, nas moitas de xiquexique. Correu, todo mundo, para acudir. Um dos aviadores, socorrido pelo colega, gemia baixo, com profundo corte na testa. Destroçado, o avião, pintado de branco, tinha, na fuselagem, a figura azulada de um pássaro e uma legenda: “L’Oiseau Blanche” (“O Pássaro Branco”). Começara mal, para os tripulantes, o raiar do dia 17 de dezembro de 1929.Voando a 150 KMs por hora, com um moderníssimo motor Lorraine de 450 HPs, tinham saído de Sevilha (La Tablada), na Espanha, 48 horas antes da queda, ao meio-dia de 15 de dezembro. Haviam sobrevoado o Marrocos e a Mauritânia – de onde, em Port Etienne, embicaram na direção da América do Sul. Natal e Parnamirim serviriam apenas como pontos de referência. A meta, o recorde que buscavam, era chegar a Montevidéu, no Uruguai, sem escalas. São Pedro e a tempestade não permitiram! Viram, de longe, do mar, o piscar do farol da Fortaleza dos Reis Magos. Neca de Parnamirim, da pista dos franceses da Aeropostale! Tudo breu, escuridão !

Molhado, sangrando na testa, o fidalgo Capitão León Challe, do Exército francês, herói condecorado na Grande Guerra, filho de General, detentor de mais de uma dezena de recordes mundiais de aviação, é acolhido com carinho por um casal de velhos, na humilde casinha de taipa e chão batido. O Tenente-Coronel Tydeo Larre Borges, do Exército uruguaio, na solidária companhia de vaqueiros, vai pedir socorro na vizinha Fazenda “Jucá”, de Epaminondas Martins, por coincidência Prefeito do município.

Tydeo Larre Borges, nesse final de década (1929), já era figura legendária no Uruguai e tinha, tanto quanto o francês Challe, renome internacional. Dois anos antes, em 03 de março de 1927, comandando um hidroavião, o “Uruguay”, caiu no litoral marroquino (Guad Fatma) e com três companheiros de vôo foi capturado por nômades do deserto, que pediram resgate de 5.000 pesetas ao governo do Marrocos Espanhol. No dia 05, os franceses da Aeropostale, Ville e Mermoz, baseados em Cap Juby, localizaram os restos da aeronave. Presos aos lombos de camelos, os uruguaios foram localizados, do ar, no dia 07, por Guillaumet e Riguelle. Exupery – aquele mesmo, o do “Pequeno Príncipe” - e Reine, no dia seguinte, chegam ao acampamento dos seqüestradores, em Puerto Casando, para negociar. Os árabes, alvoroçados, resolvem aumentar o preço para a soltura de Larre e seus companheiros. Estabelecida a confusão, três reféns correm para o Breguet de Reine. Borges, num golpe de sorte, entre tiros e desaforos em três idiomas, também se escafede no outro avião, com Saint-Exupery. Um dos pilotos resgatados foi o Capitão José Luis Ibarra. Coincidentemente ele e Larre Borges foram, no Campo dos Afonsos, colegas de turma do Sargento João Menezes, falecido em 1920, natalense, com quem fizeram larga amizade, no Rio. O diabo é que – vamos ver - a terra do Sargento não tratou muito bem o oficial uruguaio! Depois da estadia forçada no Rio Grande do Norte, obtendo alta León Challe, partiram os aviadores, no dia 22, para Montevidéu, onde foram homenageados. Além do pouso não previsto, do acidente, um incidente lamentável marcaria a passagem do futuro Brigadier General Larre Borges por Natal. Sem dúvida dolorido na alma e no corpo, acompanhando, no hospital, o tratamento do companheiro francês e amargando a derrota por não ter concluído o reide, ao não aceitar um intempestivo e provinciano convite para “um banquete de homenagem” na Escola Doméstica de Natal – na época era “chiquérrimo” ! –, o grande aviador entrou em rota de colisão com os costumes locais, provocando a ira da elite e o conseqüente ataque impiedoso da imprensa, açulada pelo padre João da Matta. Dias depois, de Montevidéu, com elegância, procurou desfazer o “imbróglio” constrangedor. Em cartas aos jornais da cidade, em bom português, afiançou a antiga admiração pelo Brasil, a convivência cordial com os brasileiros e a passagem pelo Campo dos Afonsos, revelando, ainda – para surpresa de muitos – ser a esposa (Elena Gallarreta Urrutia), a mãe dos seus filhos, brasileira ! Morreu de saudade, o Brigadier General, em 1984, aos noventa anos, uma semana depois da morte da sua Elena – com quem viveu setenta.



Laferre de Melo



(Publicado en "TRIBUNA DE PARNAMIRIM", Parnamirim/RN, octubre de 2003)







ÁBADO, 20 DE AGOSTO DE 2011

MUSEU AEROESPACIAL DO CAMPO DOS AFONSOS - II) SARGENTO-PILOTO JOÃO MENEZES




O editor do blogue, - sobrinho do pioneiro e mártir - à frente de um Nieuport semelhante ao

que vitimou, em 1920, o Sargento-piloto João Menezes de Melo (MUSAL, Campo dos

Afonsos, Rio de Janeiro - 2009)





http://www.reservaer.com.br/galeriahonra/sgtmenezes.html



SARGENTO MENEZES




















3º Sargento-Piloto João Menezes de Melo



"O Pesquisador e Jornalista Laélio Ferreira de Mello, que utiliza o pseudônimo de Laferre de Melo, é sobrinho do Sargento Menezes, e publicou na "Tribuna de Parnamirim", da cidade Parnamirim, RN, breve síntese da vida de seu tio, destacado militar, resgatando, assim, heróico episódio da História da Aviação Militar Brasileira.



A RUA SARGENTO MENEZES



Começando ali na Estação Ferroviária, quieta, sem bulício, está, existe, desde o tempo dos americanos, uma rua.“Sargento Menezes” é o seu nome. Raríssimas pessoas sabem, tanto ontem quanto hoje, quem foi o Piloto-Aviador JOÃO MENEZES DE MELO (1896-1920). Era natalense da gema, batizado em Nova Cruz. Filho do Capitão João Felismino Ribeiro Dantas de Melo (do Ceará-Mirim) e de Da. Maria Clementina Menezes de Melo (de Canguaretama). Desde 1927 é nome de hangar no Campo dos Afonsos (RJ) e no Campo de Marte (SP.). Um ano depois do seu sacrifício, em 1920, era (e é) rua em Bento Ribeiro, bairro carioca onde Ronaldinho nasceu e aprendeu a jogar bola. Somente há uns três ou quatro anos, decorridos oitenta, Natal, seu berço, sua terra, lembrou-lhe o nome para uma rua de periferia, nos cafundós-do-judas. Isso depois, parece, de um puxão de orelhas muito bem dado por Luiz G.M.Bezerra! Deixemos para lá a deslembrança do povo da Cidade dos Reis Magos...



Entretanto sobre um fato incontestável é bom, aqui, se dar notícia: no Estado, foi o povo de Parnamirim e os colegas aviadores do Sargento Menezes, na maioria “gente de fora” – como se dizia -, que antes, muito antes daqueles da capital, com clara primazia homenagearam o herói esquecido, pioneiro e mártir da Aviação Militar Brasileira.



Câmara Cascudo, dois anos mais novo (1898-1986), dizia-no “curumiaçu do meu lote” (leia-se “rapaz do meu tempo, da minha patota”), recordando-lhe “o espírito esfuziante, comunicativo, original”. Alistado no Exército, em Natal, setembro de 1914, já de outubro a novembro, recruta ainda, prestou, como soldado de infantaria, “serviços de guerra” no Ceará, combatendo os jagunços do Padre Cícero do Juazeiro, comandados por Floro Bartolomeu - político metade-médico, metade-cangaceiro. Transferido, em 1915, para o 3º Regimento de Infantaria, no Rio. Garboso 3º. Sargento, em fevereiro de 1920 era aluno da 2ª. Turma da Escola de Aviação Militar, sediada no legendário Campo dos Afonsos. A Primeira, formada apenas por oficiais (12 capitães e tenentes), concluíra o curso em 22 de janeiro. Apenas dois desses chegariam, mais tarde, a oficiais-generais: Henrique R.D.Fontenelle e Ivan Carpenter Ferreira.



Essa 2ª.Turma do Sargento Menezes era formada por dois tenentes, três oficiais uruguaios, onze sargentos, um cabo e um soldado. Ao generalato chegariam o uruguaio Tydeo Larre Borges – o maior herói da aviação platina – e os sargentos Rodolpho Prates e Raul Dinoá Costa, do Exército Brasileiro. Entre todos, Menezes foi o primeiro a solar (voar só, sem instrutor), o primeiro a receber o brevê internacional do Aeroclube da França e o primeiro a concluir o curso de Piloto-Aviador Militar. Alegre, esportista (remador do Flamengo), elegante, fazia sucesso com as mulheres e era considerado por colegas e superiores como o melhor piloto do curso. Um indivíduo competente, uma “cobra criada” ! –dir-se-ia hoje.



Voando na manhã de 29 de setembro de 1920, notou um defeito no motor do caça “Nieuport”. Pousou para comunicar a ameaça de pane ao instrutor da Missão Militar Francesa, Cap. Etienne Lafay (*). Além de não atendê-lo na requisição de outro aparelho para a manobra do “parafuso” (piruetas complicadas, desligando o motor, planando e religando) o francês, que não se dava bem com o Sargento, fê-lo de maneira sarcástica. Tomando a atitude do superior como uma ofensa ao seu brio - e não atendendo aos apelos dos colegas que lhe advertiam, nervosos, para o extremo perigo que correria - voltou ao avião, subiu, fez o que era para ser feito e... caiu!Falhara-lhe o motor ! Não havia pára-quedas, na época; tampouco condições de pouso de emergência. Antes de o avião espatifar-se nas cercanias da estação de trens de Marechal Hermes, livrando-se dos cintos, saltou, livre e só, para a morte. Tombou perto de um campo de futebol, no início da Rua Gravatá. Era solteiro, bonito e tinha só 24 anos de idade. Descansa na “Cripta dos Aviadores” do Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Era o “Tio Joãosinho”, que não conheci - irmão do meu pai e também Poeta."



















Foto de 1920 da 2ª Turma de Alunos - 3- Bandeira, 4- MENEZES, 5- Peixoto, 6- Level, 7- Lafay ( instrutor francês ), 8 Vasques, 9- Rocha, 10- Reynaldo, 11 Arthur, 12- N/I










1920 - Escola de Aviação Militar - Da esquerda para a direita: Prates; Rocha; Cunha; Vasques; NI; Scarniel; Level; Araújo e MENEZES.










Foto do Campo dos Afonsos em 1919




Hangar Sargento Menezes em 2001

Colaboração: Texto e fotos: Laélio Ferreira de Melo ( sobrinho do Sgt Menezes ), (Fotos:) Cel Av Fernando Hippólyto da Costa ( autor do livro Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira ) e Cel Av Manoel J. C. de Albuquerque Filho



(*) O Capitão francês picareta (e fazedor de negócios):









"Cia Nacional de Navegação Costeira - Independência



Em 25 de maio de 1922 voou o segundo avião projetado e construído pelo capitão Lafay, o Independência. O aparelho era um bimotor, biplano de três lugares, com motores Cleget importados, e realizou diversos vôos de longa duração sem, contudo, sensibilizar a cúpula da Marinha sobre o potencial técnico da empresa de Henrique Lage. Até meados dos anos 30, a Marinha continuou importando aviões para suprir suas necessidades ao invés de construir aeronaves no Brasil.



Fabricante: Companhia Nacional de Navegação Costeira

Motor: 2 Cleget

Autonomia: 3 Horas

Tripulantes 2

Passageiros: 3

Armamento: Nenhum



fotos Arquivo Carlos Dufrite








ICONOGRAFIA DO SARGENTO MENEZES






Histórico no MUSAL




A homenagem dos companheiros do Exército, em 1927 (o segundo hangar do

Campo dos Afonsos, com o nome do piloto. O primeiro, à esquerda da foto,

homenageava Santos Dumont)



Carta de Oswaldo Lamartine a Cláudio Galvão




Menezes, em 1917, no Flamengo, protestando

(V.carta de Oswaldo Lamartine, acima)





A HOMENAGEM DO IRMÃO



O aeroplano



A João Menezes de Melo (*) meu irmão.





Zunindo, em longas curvas singulares,

no esplendor de um verão americano,

– gigantesca libélula –, o aeroplano

galga o horizonte e apruma-se nos ares.





Em poucas horas, léguas, aos milhares,

vence; atinge o apogeu do vôo, ufano...

Paira, afrontosamente, soberano,

sobre florestas, precipícios, mares.





Sobre as nuvens! – É um pássaro fantasma!

Em baixo, a multidão segue-lhe, pasma,

a vertigem do assomo condoreiro...





Sobe, direto ao sol e à glória! e, avante,

leva-o – mais que a sua hélice possante –

o coração de herói do timoneiro!





Othoniel Menezes (in "Obra Reunida")





(*) João Menezes de Melo (Natal/RN, 1896-Rio de Janeiro/RJ, 1920).

Pioneiro e mártir da aviação militar brasileira (foi a sexta vítima). O primeiro

aviador do Rio Grande do Norte. Sargento-piloto, da 2ª. Turma da

Escola de Aviação do Exército. Voando num Nieuport (de caça), morreu,

caiu do céu, aos 24 anos, em Marechal Hermes, subúrbio do então Distrito

Federal, no Rio de Janeiro/RJ, nas proximidades do lendário Campo

dos Afonsos, no dia 29 de setembro de 1920. No início da carreira militar,

em 1913/1914, combateu, de arma na mão, os jagunços do “Padim Ciço”

do Juazeiro, no Ceará. Poeta, também. OM anotou, na primeira edição

deste livro: “Este soneto foi escrito para a glória de João Menezes, meu

querido irmão, morto no grande desastre de 29 de setembro de 1920, no

Campo dos Afonsos quando, intrépido sargento-aviador, tentava o Parafuso

da Morte, num dos aparelhos escangalhados que a França nos

impingiu. Deixa de ser publicado aqui o que se disse, a respeito, na revista

Terra Natal, porque pretendo, oportunamente, de maneira menos inócua,

estigmatizar o canalha do oficial francês responsável pela morte de João

Menezes”. (Nota de Laélio Ferreira, ob.cit.)

Postado por Laélio Ferreira de Melo às 03:52:00

PERFIL DA SEMANA - SGT. MENEZES - AVIADOR DE FATO EXCEPCIONAL - POR IRENIO DE FARO

por Somos Editora, terça, 1 de Novembro de 2011 às 11:40

O TRÁGICO FIM DE UM SARGENTO








Sargento-aviador João Menezes de Melo



Poucas pessoas sabem quem foi Sgt. Menezes (1896-1920), nome de rua no subúrbio carioca de Bento Ribeiro, e de dois hangares de Aviação — um no Campo dos Afonsos, também no Rio, e o outro no Campo de Marte, na capital paulista.

Segundo se sabe, é costume homenagear-se generais, brigadeiros, almirantes, altas patentes militares e raramente simples sargentos. A diferença é que o 3º sargento-aviador João Menezes de Melo não foi um militar comum, mas simplesmente um militar excepcional.

Mas, afinal, por que se homenagear um simples 3º sargento-aviador da antiga Aviação Militar Brasileira?

Vejamos:

João Menezes de Melo nasceu em Natal/RN e foi batizado em Nova Cruz. Filho do Capitão João Felismino Ribeiro Dantas e D. Maria Clementina Menezes de Melo.

Segundo o historiador e advogado Câmara Cascudo, Menezes foi sempre “um espírito esfuziante, comunicativo, original”. Alistado no Exército, em Natal, em setembro de 1914, de outubro a novembro, recruta ainda, prestou como soldado de infantaria, serviços de guerra no Ceará, combatendo os jagunços do Padre Cícero do Juazeiro, comandados por Floro Bartolomeu — um misto de político, médico, e cangaceiro.

Transferido, em 1915, para o 3º Regimento de Infantaria, no Rio, como 3º Sargento, em fevereiro de 1920, Menezes matriculou-se na 2ª Turma da Escola de Aviação Militar, sediada no Campo dos Afonsos, RJ. A primeira turma, formada somente por oficiais (12 capităes e tenentes), concluíra o curso em 22 de janeiro daquele ano.

Curiosamente, apenas dois desses alunos chegariam, mais tarde, a oficiais-generais: Henrique R.D.Fontenelle e Ivan Carpenter Ferreira.










O NIEUPORT 21E1 é uma aeronave de caça, para um só piloto, derivado do NIEUPORT 11 Bébé Nieuport (um dos melhores aviões de caça da Primeira Guerra Mundial). O modelo NIEUPORT 17 equipou as Forças Armadas de vários países aliados durante a Primeira Grande Guerra. No Brasil, o NIEUPORT 21E1 foi utilizado (de 1921 a 1930) como avião de treinamento da Escola de Aviação Militar, que funcionava no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro. O exemplar da foto, em exposição no Salão Velhas Garcas, do Rio, é uma réplica, montada com alguns componentes originais, dentre os quais: a cauda, a hélice e o motor. Especificações Técnicas Fabricado por Sociétè Anonyme des Etablissements Nieuport – França. Motor Le Rhône, 80 HP, radial rotativo, 9 cilindros Comprimento: 5,80 m Envergadura: 8,03 m Altura: 2,40 m Peso vazio: 370 kg Velocidade máxima: 150 km/h Alcance: 250 km



A 2ª Turma, à qual pertencia o Sgt. Menezes, muito mais heterogênea, era composta por dois tenentes, três oficiais uruguaios, onze sargentos, um cabo e um soldado. Ao generalato, segundo se sabe, chegariam somente Tydeo Larre Borges — o maior herói da aviaçăo uruguaia — e os sargentos Rodolpho Prates e Raul Dinoá Costa, os dois do Exército Brasileiro.

Dentre todos de sua turma, Menezes se destacou por seus primeiros lugares: primeiro a solar (voar só, sem instrutor), primeiro a receber o brevê internacional do Aeroclube da França e primeiro a concluir o curso de Piloto-Aviador Militar.

De temperamento alegre e atleta (era remador do Flamengo), Menezes era, além disso, bastante elegante, fazia sucesso com as mulheres. Consta que era considerado, por colegas e superiores, o melhor piloto do curso.



Foto de 1920 da 2ª Turma de Alunos: 3- Bandeira, 4- MENEZES, 5- Peixoto, 6- Level, 7- Lafay (instrutor francês ), 8- Vasques, 9- Rocha, 10- Reynaldo, 11- Arthur, 12- N/I.









Na manhã de 29 de setembro de 1920, percebeu um defeito no motor de seu caça Nieuport. Vai daí, pousou para comunicar o fato ao instrutor da Missăo Militar Francesa, Cap. Etienne Lafay. O problema foi que, além de năo atender à requisiçăo de uma outra aeronave, com a qual pretendia treinar operações de parafuso, Menezes foi recebido de modo sarcástico, visto que o instrutor não se dava bem com o sargento.

Levando a atitude de seu superior como uma ofensa pessoal, Menezes resolveu voltar a voar, apesar de seus companheiros o aconselharem a que não o fizesse, pois o defeito no motor do seu Neuport poderia evoluir para uma pane mais séria.

Pois bem: Menezes voltou à sua aeronave, executou com sucesso algumas das piruetas desejadas, até que os temores dos colegas se confirmaram: a falha no motor projetou a aeronave na direção do solo.

Pouco antes de o caça se espatifar no chão nas cercanias da estação ferroviária de Marechal Hermes, o piloto conseguiu se livrar dos cintos e saltar para o solo, mas já era tarde demais. Menezes caiu perto de um campo de futebol, no começo da rua Gravatá, falecendo em seguida.

Com apenas 24 anos de idade, o grande e experiente piloto encontrava tragicamente a morte. Seus restos mortais se acham na Cripta dos Aviadores, no Cemitério Săo Joăo Batista, no Rio de Janeiro. Foi o sexto mártir da aviação brasileira.



(Fonte: Artigo publicado na Tribuna de Parnamirim, de Parnamirim, RN, de autoria de Laferre de Melo, pseudônimo de Laélio Ferreira de Melo, sobrinho do Ten. Menezes e seu biógrafo).





Postado por Laélio Ferreira de Melo às 11:24:00 0 comentários

Dona Militana.
 
 
 
 
 
 
Sargento Menezes - nome de hangar em Campos dos Afonsos- Rio de Janeiro.
 
 
 
 
 
 
 
 

LIGA cancela convênio com a GEAP/RN.

Na última 6ª feira, por telefone, participantes do Plano de Saúde GEAP foram surpreendidos com uma má notícia: desmarcamentos de consultas e cirurgias programadas, marcadas antes daquela data, 25.11.11. Eu e a minha esposa recebemos a notícia por telefone também. De uma clínica odontológica, veio a notícia que a Policlínica do Alecrim não faria mais cirurgias para pacientes da GEAP porque o convênio tinha sido cancelado pela Liga Norteriograndense de Combate ao Cancer, que possui, nos seus quadros, médicos de diversas especialidades para tratamentos de múltiplas enfermidades e procedimentos cirúrgicos diversos. A LIGA é conceituada, mas não pode trabalhar sem receber os pagamentos. A Geap informou que soube do cancelamento através dos seus participantes. Um atendente do escritório da rua Romualdo Galvão informou que a GEAP iria resolver o problema no prazo mais curto possível. Até hoje, 30, nada resolvido.
O rompimento unilateral da LIGA com a GEAP causou prejuízos a muitas pessoas, principalmente as que residem no interior do Estado e que estavam com cirurgias marcadas para o dia 1º de dezembro, amanhã.
E agora?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quem elege os corruptos? Os eleitores, claro.

O autor Fábio Venturim está corretíssimo! Parabéns!   


É de Brasília...?.

"Por que tudo o que acontece é de Brasília?
Você liga na Band é o Datena dizendo “ô de Brasília”,
se falam de corrupção “vem de Brasília”,
se meteram a mão na grana “foi de Brasília”.
Tudo o que de ruim acontece vem de Brasília.

Chega! Brasília não é a privada do Brasil.
Somos uma população de 2.606.885 habitantes (segundo o IBGE em 2009). Dos 81 senadores que aqui aportaram, somente 3 são de Brasília.
Dos 513 deputados federais, 8 são nossos.
Nossos, não, pois, mesmo os que representam Brasília dificilmente são originários daqui. Portanto, se aqui tem lixo, veio daí, do “seu” estado. O lixo é seu. Você votou nele.
Se já não bastasse termos um dos maiores custos de vida do Brasil devido aos altos salários dos representantes do “seu” estado, ainda temos que agüentar isso.
Somos 2.606.885 trabalhadores e estudantes, pais e mães de família. Acordamos cedo, ralamos o dia inteiro e temos que esbarrar todo dia no representante do “seu” estado.
Chega! Exigimos respeito.
Aqui não tem só político.
Lembre-se: se o cara é corrupto, ele é espelho do SEU voto, portanto, espelho SEU. Então, pense melhor antes de colocar seu voto dentro da urna. Brasília agradece."
(por Fábio Venturim)

E O VERDE DO TIROL?
Públio José – jornalista

(publiojose@gmail.com)

Se fizermos uma pesquisa sobre as origens do Tirol (falo do valorizado bairro da Zona Leste de Natal – também considerado Zona Sul) veremos que dele fazia parte o conjunto mais verde da cidade. De tão verde e aprazível se constituía que era utilizado pelas tradicionais famílias do pequeno aglomerado de então (aí por volta do início do século passado) como área de lazer, de descanso. Repleto de chácaras, granjas, até vacarias, o Tirol se viu desde cedo como um dos melhores locais de moradia de Natal. Também pudera! Do lado do poente, o verde exuberante do hoje denominado Parque das Dunas; mais à esquerda, o verde-azul do mar, consagrando, ao nascente, um majestoso abraço com o suave deslizar das águas do Rio Potengi; ao centro, uma geografia plana e rica da presença da Mata Atlântica, além do convívio com mangueiras, jabuticabeiras, mangabeiras, cajueiros, goiabeiras, sapotizeiros...

Festa da Natureza! Habitado desde cedo pelos mais abastados, com localização perfeita e solo adequado a altas edificações, o Tirol foi o prato cheio para os primeiros investidores. À medida que o progresso avançava, a excelência ambiental do Tirol lhe adicionava um alto preço: a ocupação de seus espaços – com o conseqüente desaparecimento de sua área verde. Àquele tempo não havia planejamento nem visão ambiental. E qualidade de vida ainda não estava associada a uma integração maior com a Natureza. Daí... O nome do bairro é uma referência ao Tirol austríaco, região histórica da parte ocidental da Europa Central, cujos domínios alcançavam a Trento de hoje. O Tirol é famoso pelos seus castelos medievais, que remontam ao tempo do Sacro Império Romano-Germânico, por volta do século XIII. Como o Tirol austríaco, o daqui tinha seu charme ligado à excelência ambiental, à beleza primitiva.

Tinha. Comprovando uma gritante diferença de cultura ambiental entre os austríacos e nós (uma vez que os de lá continuam dignificando seu nome), o Tirol natalense é hoje um amontoado de edifícios residenciais e comerciais, empreendimentos que, ao longo do tempo, sugaram suas reservas vegetais e o transformaram numa geografia sem verde, sem praças – e sem logradouros onde a população possa usufruir um pouco de sossego, de paz. O remédio encontrado pela alta classe média, proprietária da maioria de seus edifícios, foi o construção de espaços internos, onde – enclausurada – faz de conta que convive com o verde. Nesse contexto, surge uma discussão – que já circula pela internet – sobre a intenção do governo do Estado de vender uma extensa e nobre área (onde hoje se situa o Estádio Juvenal Lamartine), para, com o dinheiro arrecadado, construir um hospital na Zona Norte.

Sem querer nominar a pretensão do governo de loucura, porém tachando-a de verdadeiro despropósito, vemos neste projeto um viés pobre, tosco – desprovido de bom senso e desfocado do ponto de vista ambiental. Ora, o terreno do Juvenal Lamartine é a única área verde ainda a ser preservada no Tirol! Seria, portanto, um desserviço de largas proporções ao meio ambiente a construção ali de mais espigões, além do mais surgidos em área de propriedade pública. Os que gritam contra tal gesto o fazem na esperança de que dessa discussão sobrevenha um desfecho favorável à preservação do verde que ainda resta no bairro, fazendo do terreno do velho estádio um centro de convivência, de lazer, de prática de exercícios físicos, de cultura. Ouvindo o querer da comunidade, o governo faria o Tirol respirar um ar mais civilizado, além de devolver-lhe um pouco da perdida qualidade de vida.

domingo, 20 de novembro de 2011

A revolta de 23 de novembro de 35 em Natal.

1935 – A grande forja de Heróis – De Doidinho a Batalha de Itararé

Volney Liberato

Nos anos 30, nossa época de maior efervescência política e social, já não bastava a

simbologia que encerrava Luiz Carlos Prestes, Getúlio Vargas, Plínio Salgado, Café

Filho, Juarez Távora, José Américo de Almeida e de todos aqueles que levavam o

povo a pensamentos e ações. Já não bastavam os ânimos sempre acirrados, a

propaganda e a contra-propaganda ideológicas, os dogmas e as doutrinas... Já não

bastava simplesmente semear as idéias utópicas da luta sem a realidade da luta. Já

não bastavam as idéias, mas sim a prática.

Para se vivenciar a prática ideológica, fez-se necessária á constituição de “heróis”,

para que assim pudessem ser erguidos os totens e os monumentos eméritos e

beneméritos para a posteridade. Não a quem realmente de direito, mas sim para

aqueles a quem as circunstâncias e as oportunidades concederam toda a honra, mas

nenhuma glória, como é comum nesses partos ideológicos.

Um certo “soldado” chamado Luiz Gonzaga.

Durante sete décadas acreditou-se – porque assim foi oficialmente instituído – o fato

de que um certo “soldado” chamado Luiz Gonzaga, pertencente à corporação da

Polícia Militar do Rio Grande do Norte, teria sido o único e grande herói da

Inssurreição Comunista de 1935, que ocorreu em Natal, quando rebeldes do 21 º

Batalhão de Caçadores, liderados pelo sargento Quintino Clementino de Barros e pelo

cabo Giocondo Alves Dias, aliançados com células do Partido Comunista do Brasil

(na época PCB) e com organizações de esquerda da capital, dominaram a sede do

batalhão e metralharam o quartel da PM, saindo vencedores, materializando assim o

primeiro governo marxista-leninista das Américas, que durou exatamente 82 horas, do

dia 23 ao dia 27/11/1935, para o qual foi constituída um Comitê Popular

Revolucionário (CPR), composto pelos seguintes membros:

Quintino Clementino de Barros, 36 anos, sargento-músico do Exército – Secretário de

Defesa;

Lauro Cortês Lago, 36 anos, funcionário público estadual – Secretário do Interior e

Justiça;

José Macedo, 33 anos, Diretor dos Correios – Secretário de Finanças;

João Galvão, 33 anos, Secretário do Atheneu – Secretário de Viação;

José Praxedes, 36 anos, sapateiro – Secretário de Aprovisionamento.

Geralmente, quando se fala na Intentona Comunista de 35, relembra-se logo as

quarteladas do Recife e do Rio de Janeiro, e incluí-se aí, erroneamente, Natal como

parte integrante dessas quarteladas. É bem verdade que os movimentos comunistas

deflagrados no Recife e no Rio de Janeiro, foram realmente intentonas, pois lá,

nessas capitais, o movimento não tomou corpo e forma, como ocorreu em Natal. Na

capital potiguar houve realmente uma inssurreição, onde progrediu para o

enfrentamento bélico, culminando com a vitória dos inssurretos e a instalação de um

governo provisório, mesmo que esse tenha durado tão somente 82 horas. Mas, é uma

pena que alguns autores não queiram aceitar essa verdade histórica e ainda

prossigam subvertendo a ordem natural do desenrolar dos nossos fatos históricos.

Assim conta a história permitida ...

Após ás 14h00 do dia 24 de novembro, quando a resistência do Quartel da Polícia,

representada por dois oficiais e quarenta e seis soldados, sem munição, é obrigada a

abandonar o front pelos fundos do prédio, numa passagem que dava para o Rio

Potengí, retirada esta comandada pelos majores Luís Júlio e Pinto Soares, um

inssurreto defronta-se com um “soldado” agachado, ás margens do Rio, portando um

fuzil. Quando o tal “soldado” avistou os inssurretos, levantou-se rapidamente, aidna

segurando a arma, quando foi alvejado por um único e certeiro tiro, tombando sem

vida. Sobre isso escreveu Home Costa:...No combate do quartel da polícia militar

foram feridos os sargentos Celso Anselmo Pinheiro e Celso Dantas Neto, o cabo

Severino Mendes e os soldados Antônio Jósimo e Antônio Gervásio de Medeiros –

todos com ferimentos leves. Houve um morto: Luiz Gonzaga”. O autor do comentário

declina as graduações dos militares feridos no combate, não referindo-se a Luiz

Gonzaga como soldado ou integrante da defesa do quartel.

Sobre a conturbada figura de Luiz Gonzaga, muita polêmica foi travada. Agora, á luz

dos acontecimentos históricos, sem paixões e sem ideologias, procuramos pesquisar

a vida do tal “soldado” na bibliografia disponível, chegando á conclusão de que,

realmente, Luiz Gonzaga nunca pertenceu aos quadros da Polícia Militar do Rio

Grande do Norte, pelo menos até novembro de 1935. Era um débil mental, natural de

Santana do Matos, que residia nas imediações do quartel, e que costumeiramente

vivia a fazer mandados da soldadesca, recebendo deles gorros, gandolas, calças e

botas usadas, com o que passou a se trajar, por força das necessidades. Era

comensal do quartel da polícia. Sobre isso escreveu o desembargador João Maria

Furtado: (...) sempre afirmaram que, realmente morreu nas proximidades do quartel

da polícia um pobre demente que vivia perambulando pelas ruas de Natal, ms nunca

fora soldado da polícia militar (...)

Sizenando Figueira, então militante do Partido Comunista, que participou ativamente

do movimento de novembro de 1935, disse, referindo-se a Luiz Gonzaga: “(...) ele não

era nem herói nem militar na época. Era apenas um débil mental (...). Afirma o Sr.

Sizenando Figueira que foi quem matou o tal “soldado”, “em legítima defesa”,

adiantou.

Passado o período do movimento, resolveu então o comando da Polícia Militar alistar,

com data retroativa, o tal “Luiz Gonzaga”, única vítima fatal do movimento, como bem

disse o desembargador João Maria Furtado: “Entretanto, o major Luiz Júlio resolveu

alistar depois de morto Luiz Gonzaga como soldado da polícia que, assim, teve uma

morte de herói(...) Segundo um artigo do jornalista Luiz Gonzaga Cortez, intitulado “O

Comunismo e as Lutas Políticas no Rio Grande do Norte na Década de 30”, publicado

no Jornal “O Poti”, edição de 29/09/1985, diz: (...) Houve uma adulteração no relatório

da inssurreição, no qual Luiz Gonzaga teria sido inscrito como soldado depois dos

acontecimentos (...) O escritor Manuel Rodrigues de Melo, integralista á época dos

acontecimentos, comentou em entrevista: Muitos anos depois é que começaram a

falar nesse soldado...” No livro “Meu Depoimento”, publicado em 1937, o Dr. João

Medeiros Filho exibe anexo um relatório do delegado auxiliar Enock Garcia, que

referindo-se ás vítimas do movimento, não aparece o nome de Luiz Gonzaga. O

professor Homero Costa prossegue: “No dia 30 de novembro de 1935, portanto, logo

após a derrota da inssurreição, o governador Rafael Fernandes visita os quartéis do

21º BC e da Polícia Militar. Acompanhado pela imprensa, e não faz qualquer

referência á morte de soldado da polícia militar. No dia 5 de dezembro de 1935, o

coronel Otaviano Pinto Soares, comandante do 21º BC, em longa entrevista que

concedeu ao jornal “Correio da Manhã”, do Rio de Janeiro, detalha sua participação e

não faz também qualquer referência á morte de soldado da polícia militar. No entanto,

em documento datado de 7 de janeiro de 1936, o governador do estado envia ao

comandante da 7ª Região Militar o relatório do comandante da Polícia Militar (anexos

2, 3 e 4) datado de 23 de dezembro de 1935, em que diz: “... Após a retirada do

quartel foi atingido e morto por certeiros tiros do inimigo o soldado Luiz Gonzaga, que

na metralhadora pesada se salientara como um bravo(...). O fato mais curioso é que o

jornal oficial do governo do estado “A República” publica diversas matérias nos dias

subseqüentes á insurreição e não faz qualquer referência á morte de soldado da

polícia militar, nem que existisse tal soldado manobrando essa tal “metralhadora

pesada”.

Em 1980, o Dr. João Medeiros Filho, em outro livro - “82 Horas de Subversão” - ao

transcrever o mesmo relatório, acrescenta, como primeiro da lista, o “soldado” Luiz

Gonzaga, do batalhão Policial. Finalmente, no dia 12 de outubro de 1985, o jornal

publica uma carta do Dr. João Medeiros Filho, chefe de polícia á época, autor do livro

anteriormente citado, afirmando o mesmo que, “reconhece ter adulterado o relatório,

mas que o fez de boa fé”. Esta foi a prova maior de que a farsa foi realmente feita,

resistindo até os nossos dias, onde o “soldado” Luiz Gonzaga nasceu por “obra e

graça” do major Luiz Júlio, então comandante da Polícia Militar do RN, e que foi,

posteriormente, transformado em mártir e herói da “Intentona Comunista de 1935”,

Infelizmente, aquela era a hora de se fabricar “heróis”, e o herói foi feito. Hoje, Luiz

Gonzaga, o “soldado” mártir, é reverenciado como patrono da PM, tendo inclusive

uma medalha de mérito da corporação que leva o seu nome e um mausoléu no

cemitério do alecrim. “O feitichismo político exigia manipansos de farda. Escolheramno

para novo ídolo”.

A Batalha de Itararé

Em 1930, Getúlio Vargas e seus tenentes necessitavam urgentemente de um motivo

incisivo para deflagrar a Revolução. O assassinato á bala do seu candidato a vicepresidente

pela Aliança Liberal, João Pessoa, na Confeitaria Glória, no Recife, pelas

mãos do advogado João Dantas, serviu de estopim e motivo para a deflagração,

mesmo se sabendo hoje que o assassinato de João Pessoa tenha se dado por

motivos meramente passionais e nunca políticos, que envolveu Anaíde Beiriz,

namorada de João Dantas e a publicação de cartas amorosas pela imprensa.

Getúlio Vargas precisava urgentemente de um objeto de culto para impressionar s

sugestionar o povo. O corpo de João Pessoa foi esse objeto sugestivo, tanto que,

andaram com seu esquife, “país acima, país abaixo”, servindo de bandeira ao

movimento dos tenentes.

Mais tarde, em Natal...

Assim como Luiz Gonzaga de Souza ou “doidinho”, como era mais conhecido em

Natal, foi feito herói e mártir da Inssurreição Comunista de 1935, o ex-Governador

Dinarte de Medeiros Mariz também o foi. Não foi Dinarte um herói fabricado por uma

corporação ou sistema, mas foi um herói forjado nele próprio e por ele próprio, diante

do aproveitamento das circunstâncias, e que também foi instituído no consciente

coletivo do povo do Rio Grande do Norte, principalmente no povo do Seridó, de onde

era natural e exercia as suas atividades comerciais e políticas.

É sabido por toda a população do estado, que o político e empresário do ramo de

algodão Dinarte Mariz, natural de Serra Negra do Norte, mas com domicílio em Caicó,

município no qual mantinha o seu grande reduto eleitoral, que naquele fim de tarde de

26 de novembro de 1935, havia ele pegado em armas e tiroteado contra comunistas

em retirada da capital, na Serra do Doutor. Esse episódio da história política do Rio

Grande do Norte foi passado para as gerações futuras sob diversos prismas. Da parte

do ex-senador e do seu sistema político, a verdade consta que Dinarte realmente foi o

grande contra-revolucionário da Inssurreição, entretanto, para os seus opositores ou

mesmo para alguns pesquisadores e até mesmo para integralistas e comunistas que

participaram ativamente do movimento e da ofensiva na Serra do Doutor, tudo não

passou de um jogo de cena inteligente e eficiente. Porém, os fatos não foram

relatados pela mídia da época como realmente aconteceram. Leiamos o que diz o

escritor Homero Costa, sobre a inicial da questão:

“... no dia 26 de novembro de 1935, praticamente 41 municípios do estado estavam

ocupados pelos rebeldes. À tarde, uma parte da tropa que estava na cidade de Santa

Cruz se desloca pra a vizinha cidade de Currais Novos. No caminho, numa serra

conhecida como “Serra do Doutor”, são surpreendidos por uma grande fuzilaria.

Alguns fazendeiros, tendo á frente o 'coronel' Dinarte Mariz, que residia na cidade de

Caicó, já informados sobre as ocorrências em Natal e o deslocamento de tropas para

o interior do estado, se articulam para resistir. Vão a Campina Grande, na Paraíba, e

conseguem, além de armas, arregimentar um considerável contingente (...) No

caminho, sabem da ocupação de Santa Cruz e ficam entrincheirados na Serra do

Doutor. Com a passagem de dois caminhões que saíam de Santa Cruz em direção a

Currais Novos, abrem fogo, pegando-os de surpresa, e impõem a primeira derrota

pelas armas aos inssurretos”.

Sobre os fatos ocorridos na Serra do Doutor, naquele fim de tarde do dia 26 de

novembro de 1935, há muitas versões, relatadas por jornalistas, militares, sitiantes da

região, integralistas, comunistas, etc., cada um, no caso dos sistemas políticos,

“puxando a brasa para as suas sardinhas”, a fim de colherem dividendos para si e

para os seus sistemas. Mas á luz dos acontecimentos históricos e da verdade dos

fatos, podemos afirmar que, Dinarte Mariz, muito embora tenha participado

ativamente da resistência aos inssurretos e ao próprio movimento de novembro de

1935, não encontrava-se presente, especificamente, á tardinha da quarta feira, dia 26

de novembro de 1935, na Serra do Doutor, quando se deu o confronto entre

comunistas e os sertanejos do Seridó. Sobre isso, atesta o jornalista Luiz Gonzaga

Cortez, escrevendo sobre entrevista que lhe foi concedida pelo senhor Manoel Lúcio

de Macedo Filho, um dos chefes integralistas do Acari, entre 1933 e 1937:

“A batalha da Serra do Doutor foi travada entre comunistas que viajavam em dois

caminhões e os integralistas aliciados pelo padre Walfredo Gurgel, que também era

integralista e vigário de Acari. Este, com medo, não foi até a serra, viajando para

Santa Luzia, no vizinho estado da Paraíba. Quanto a Dinarte Mariz, não participou de

qualquer combate, só aparecendo na serra por volta das 19h00, quando tudo havia

acabado”.

A Sra. Otávia Bezerra Dantas, esposa do Sr. Manoel Lúcio, dá também a sua versão

á luz dos fatos, como contemporânea e partícipe do movimento:

“Depois da debandada geral, sem nenhum integralista ferido, Dinarte apareceu. Padre

Walfredo e o seu motorista José Francisco Lúcio, apareceram no outro dia, de manhã,

num chevrolet. Dias depois, andaram dizendo que Dinarte foi o 'general' da Serra do

Doutor. Eu respondia na hora: “É mentira. Foram os doze “bobos” de carnaúba que

fizeram as bombas e estragou a fuga dos comunistas”.

As versões do Sr. Manoel Lúcio e da Sra. Otávia Bezerra Dantas são depois

confirmadas pelo próprio Enock Garcia (delegado auxiliar de Natal, na época) que, em

depoimento prestado em 1987, confirma que tanto ele como Dinarte Mariz só

chegaram ao local, com 400 homens, na madrugada de quarta feira, 26/11 –

apresentando outra versão de horário, mas que nada infere na afirmação do casal

integralista de Carnaúba dos Dantas.

Esses dois fatos aqui apresentados, falam por toda a convicção ideológica de uma

época, em que a bandeira do anticomunismo serviu de estandarte para emoldurar

campanhas políticas e fazer sobressair homens do quase anonimato para as lides do

poder e da glória. Naquela época – como ainda hoje reclama-se – necessitava-se de

“heróis” e de “mártires”. O poder estadual (e mesmo federal) carecia de que o

capitalismo, sustentáculo e esteio da “livre iniciativa” e da manutenção dos grandes

latifúndios – eleitorais e agrários – fosse mantido, e que o comunismo ateu, símbolo

do materialismo histórico e dialético, jamais procurasse sair do campo das idéias

filosóficas para a prática, como ocorreu naquelas 82 horas em que Natal,

principalmente, sentiu o gosto de haver engendrado, pela caminho da luta armada, o

primeiro governo marxista-leninista das Américas, e legado para a posteridade os

muitos exemplos e as muitas lições retiradas daquele fatídico episódio. Mas, é o

próprio Marx que resume: “Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de

diversas maneiras; o que imposta é modificá-lo”.
Retrato falado do "Luiz de Né ", com base nas informações de André Batista, vivissimo e morador de Candelária, conterâneo do decujo, transformado em herói pela polícia política do regime de Vargas, após 1937 e no auge da repressão.
 

Laélio e os comentários sobre o festival de Pipa.

Laélio Ferreira de Melo 19 de novembro de 2011 17:08


SÁBADO, 19 DE NOVEMBRO DE 2011

FESTIVAL DE POTES, PIPAS, PIPADOS, VASELINA, COSTUME DE CASA E TRIUNFANTE ABERTURA DE ARMÁRIO !



Marcos Silva, Edna Rangel e Diógenes da Cunha Lima

falaram sobre o diálogo dos mestres

Câmara Cascudo e Mário de Andrade. Foto: Rogério Vital

QUEM NÃO PODE COM O POTE... “Achei que a primeira mesa, sobre Oswaldo Lamartine não rendeu o esperado. Todos os participantes, Paulo de Tarso (mediador), Paulo Bezerra e Humberto Hermeneglido (sic) leram textos. (Tácito Costa)

KY 50mg !

“Jarbas Martins e Arnaldo Antunes encerraram o primeiro dia do evento. O resultado dessa mesa também me agradou.Embora ache que o poeta Jarbas poderia ter sido mais sintético em suas intervenções. O público ficou impaciente – e demonstrou isso – com a longa introdução que ele fez sobre Arnaldo.” (Tácito Costa)



COSTUME DE CASA VAI À PRAÇA...

“TC é um diplomata. Entendo-o. Não houve mediação na primeira mesa. Paulo de Tarso fez uma palestra por escrito. Embolou geral, Vilar no post acima refere-se à mesa como decepcionante. É o termo apropriado.
Na última mesa, Jarbas Martins se alongou, elogiou excessivamente e foi repetivivo. Tratamento respeitoso é uma coisa, comportamento de tiete e bajulatório são coisas bem diferentes. Fica a lição.” (Júlio Neves de Araújo)
TEM ONG NA JOGADA?

"A Flipipa investiu diretamente R$ 100 mil. E conseguiu mais uns R$ 300 mil indiretos, em forma de publicidade, apoios como a biblioteca itinerante do Sesc, etc. É muito? Difícil afirmar. Ou concordar. Quando se vê muitas crianças circulando entre muitos livros, escritores e um ambiente literário contagiante, qual o valor do dinheiro?" (Sérgio Vilar)

O PAGÉ DA USP, DO ALTO DAS DUNAS...
“Sérgio:

Como vc sabia, antes de acontecer, que o debate sobre as cartas Mário/Cascudo seria o já manjado? Nasce um vidente! Marcos Silva (um dos debatedores) (Marcos Silva)

MISTURA BOA...
“Marcos,

mantenho minha posição de tema manjado. Aliás, eu e o público. Foi a palestra menos visitada. O assunto já foi muito discutido, inclusive este ano. No último Flipipa, Moacy Cirne passeou por esse assunto, também. Enfim. Mas assisti e gostei da palestra. Até escrevi agora há pouco em meu blog, antes de ler seu comentário, da mistura boa do seu discurso mais acadêmico e dos causos coloquiais de Diógenes. Mas acredito que sua pessoa, pelo conhecimento que possui, poderia ser convidada para comentar outros vários assuntos que julgo mais pertinentes. Abraço do vidente!” (Sérgio Vilar)

CU DE BÊBO (E DROGADO) NÃO TEM DONO...

"Mas foi Paulo Coelho a piada do dia. Fernando Morais contou que o mago se emputeceu quando leu o livro pronto, não respondeu mais e-mails, telefonemas. Pudera. Morais relatou no livro três experiências homossexuais de Paulo Coelho quando jovem. E detalhou alguma coisa na palestra, para risadas do público. Isso para enfatizar a dificuldade de biografar personagens vivos. A nenhum deles o biógrafo mostra os originais antes da publicação." (Sérgio Vilar)

PRIMA VOLTA - BREVÍSSIMA ABERTURA DA PORTA DO ARMÁRIO...

“Caras e caros:

Confesso meu profundo desinteresse pela sexualidade de personalidades públicas. Da maneira que costumam aparecer (fofocas), lembram a revista Caras. Mesmo que com um aspecto de Bravo, quando não de suplemento literário em inglês.

Não assisti à fala de Fernando Morais, li as notícias (inclusive, boutades sobre gays e ex-gays). Faltou falarem sobre futuros gays – aquela bela música de Chico Buarque poderia servir de fundo musical, “Futuros amantes”. Sem esquecer que ninguém é obrigado a ser nem a não ser gay.

Sexo é muito importante para quem está fazendo. Comentar o tesão alheio (pessoas com quem não tenho intimidade) não faz parte de minhas preocupações. Só tenho interesse por esses assuntos quando estou querendo convidar alguém para fazermos amor (há um bom tempo, tenho relação estável, não ando convidando terceiros para tanto). Deve ser por esse motivo que nunca escrevi biografias nem sou best-seller… Nada contra autores de bs.Mas nenhum escritor é condenado a escrever bs, escritor é condenado a escrever.

É claro que defendo o direito de cada um falar sobre o que quer, comprar o que quer. Bom proveito.” (Marcos Silva)

FONTE: "Substantivo Plurianal"

Postado por Laélio Ferreira de Melo às 15:51:00 0 comentários




terça-feira, 15 de novembro de 2011

Alimentos naturais e pedalar: receita para longa vida.

"Temos cuidado com a alimentação e somos felizes", dizem gêmeos de 91 anos


Aliny Gama

Especial para o UOL Notícias

Em Maceió
Comentários 9
Os gêmeos Francisco e Pedro Gurgel não aparentam já ter vivido nove décadas: aos 91 anos esbanjam saúde e disposição na pequena cidade de Janduís (RN), a 283 km de Natal. Dos cinco irmãos, apenas a irmã mais nova deles continua viva.

Francisco e Pedro contam que o segredo para alcançar a longevidade é ter uma vida tranquila, feliz, com cuidados alimentares e a prática de exercícios físicos –como andar de bicicleta.
Ver em tamanho maiorGêmeos de 91 anos esbanjam saúde em Janduís (RN)Foto 10 de 10 - Os gêmeos Pedro Gurgel e Francisco Gurgel são exemplo de longevidade, saúde e união. Eles têm 91 anos e contam que o segredo para não adoecer é viver com tranquilidade, ter cuidado na alimentação e praticar exercícios físicos Ednilto Neves/Arquivo pessoalApesar da idade, Francisco ainda cuida de plantações de cana de açúcar, feijão, milho, jerimum, mandioca e batata. E é do sítio que vêm os alimentos dos irmãos. “A gente é o que atrai e o que come. Temos cuidado com a alimentação e somos felizes. Nossos alimentos são naturais, que vêm da minha propriedade”, disse.
Segundo Francisco, outro segredo também está no caldo de cana, que os gêmeos adicionaram à alimentação há muitos anos e tomam frequentemente.

“Tanto meu pai [Pedro] quanto meu tio [Francisco] são muito ativos. Eles continuam trabalhando e isso faz eles viverem felizes”, afirma Socorro Gurgel, destacando que os gêmeos não têm doenças comuns para idade deles, como diabetes e hipertensão.
Apesar da semelhança física, na profissão os gêmeos foram para caminhos distintos: Francisco escolheu a agricultura e Pedro, o comércio. “Meu pai trabalha vendendo sucata. Também faz pequenas peças”, completa Socorro.
Segundo Gurgel, quando os gêmeos eram mais jovens “eram tão parecidos que as namoradas não sabiam quem era quem”.
“Meu tio sempre foi mais extrovertido. Meu pai conta que, quando jovem, se atrasou para ir a uma festa na cidade e meu tio Francisco ficou com a namorada dele. Quando ele chegou à festa flagrou os dois juntos”, relembra.
Mas as divergências amorosas não foram suficientes para afastar os irmãos. “Nascemos juntos e só Deus para nos separar”, finaliza Pedro.
Fonte: UOL Brasil.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Se fizeram com a Líbia, podem fazer com o Brasil".

A defesa do pré-sal e a mensagem da Líbia



Se quiser de fato ter soberania nacional sobre o petróleo pré-sal, o Brasil deve investir, até 2030, nada menos que 223,5 bilhões de reais para dotar o país de poder naval do porte das riquezas a defender. Foi esta a tônica de audiência pública realizada na Comissão de Relação Exteriores do Senado, nesta semana, com depoimentos de autoridades militares. O tema: “Como defender o pré-sal?”, Despertou vivo interesse no corpo diplomático, lá presente. Mas, não teve cobertura da mídia convencional à altura da envergadura dos temas ali tratados, afinal, decisivos para os destinos da Nação, mesmo para quem tem reservas, políticas ou filosóficas, a temas militares.



Vale constatar: defesa nacional não é debate prioritário na sociedade brasileira hoje, para o que contribui, em boa medida, o não fornecimento de informações objetivas por parte da mídia à sociedade, em contraste do estardalhaço sensacionalista da overdose de coberturas sobre violência e criminalidade, sob clichê de segurança pública. Tampouco é tema com presença regular na agenda das forças progressistas, muito embora o Governo Lula tenha dado uma boa mexida na Política Nacional de Defesa.
As autoridades militares deram o tamanho do problema: o Brasil precisa ter 20 novos submarinos convencionais e pelo menos seis nucleares. Precisa ainda de uma segunda esquadra. Sem esquecer, a continuidade do Programa Nuclear, que recebeu novos aportes durante o governo Lula. Enfatizou-se: isto não é megalomania, mas indispensável poder de dissuasão em tempos de paz para evitar o conflito armado. Leia-se, tempos em que o mundo dispõe de reservas petrolíferas para apenas mais 45 anos e os EUA para apenas mais 10 anos. Tempos em que os EUA estão tomando na marra as riquezas energéticas de quem as possui, invadindo o Iraque, o Afeganistão e agora, com carnificina selvagem, a Líbia.
Um dos expositores, o professor da Escola Superior de Guerra, Simon Rosental, desenvolveu um pouco mais o quadro internacional em que deve ser programada e planejada a forma mais adequada para garantir a soberania nacional sobre as riquezas do pré-sal. “ O Brasil descobriu o pré-sal quando no mundo as reservas declinam. O que devemos fazer? Utilizar as três Forças conjuntamente para garantir poder de dissuasão sobre toda essa área e defender a soberania e a integridade do país. É comum ouvir que não há necessidade de recursos para as Forças Armadas, pois estamos no Atlântico Sul, o lugar mais tranquilo do planeta. Há certa verdade nisso, mas o erro é o foco. A ameaça vem da linha do Equador para cima” — alertou o especialista.

Área sensível

Ampliando este raciocínio, o presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate, ¬brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, sustentou em sua exposição que a região onde estão localizadas as reservas do pré-sal será uma "área sensível" do território brasileiro, e que o país precisará estar preparado para garantir "pronta resposta" a qualquer ameaça externa.

“O pré-sal é e será ponto de cobiça. Trata-se de uma riqueza que precisa ser defendida, por isso a dissuasão deve ser permanente” ressaltou Baptista.

Informando que na região será construído um dos mais modernos sistemas de controle de tráfego aéreo do mundo, o Brigadeiro, destacou que Aeronáutica aguarda ansiosa a decisão sobre a compra dos jatos supersônicos. Recentemente, em entrevista á TV Senado, Ozires Silva, fundador da Embraer, disse que estes contratos para a compra de aviões devem ser dados não a estrangeiros, mas àquela indústria aeronáutica nacional, assegurando que ela teria plenas de fabricar aqui mesmo os caças indispensáveis. “A Boeing também terceiriza parte do que produz. Nenhuma empresa produz todos os componentes fundamentais, Se derem a oportunidade a Embraer dá conta do recado”, assegurou. Construir aqui gera emprego, tecnologia e, especialmente, independência tecnológica.

“Armas, o último argumento” ?

Diante da magnitude do volume de recursos mencionados para de verdade organizar uma defesa soberana do petróleo do fundo do mar, o senador Cristovam Buarque, que presidiu a audiência pública, assinalou que, se os investimentos para defesa dos recursos do pré-sal forem maiores do que os previstos para a defesa do país, isso deve ser feito com recursos provenientes dessas próprias riquezas e "não da nação brasileira como um todo. Nenhuma menção foi feita ao fato de Brasil esterilizar, anualmente, uma verdadeira montanha de recursos para o pagamento dos encargos da dívida - já chamada de a Bolsa Selic, regiamente paga aos que odeiam o Bolsa Família - muito embora problemas cruciais continuem a ser não enfrentados, entre eles o da defesa do país. Isto é, o Brasil se dá ao luxo de direcionar enorme fluxo de recursos orçamentários para os rentistas, em que pese não ter recursos para controlar o tráfico de armas e, pior ainda, em que pese a gravidade do cenário internacional hoje, com crescentes intervenções militares imperiais, de multiplicação de seus orçamentos bélicos.

Assim, , o que se pode dizer pode-se dizer após uma audiência com duros alertas de especialistas é que , diante do porte do país e das riquezas a defender, o Brasil ainda anda desarmado. A audiência foi encerrada com citação de provérbio romano: “Nossa soberania termina onde finda o alcance de nossas armas”. Tudo indica, na caserna entendeu-se com mais realismo a Mensagem da Líbia, enviada pelo império, consumidor viciado em petróleo. Não devem as forças progressistas agendar concretamente, sob a sua ótica, o debate da sinistra Mensagem da Líbia.? Ao participar, em julho, de uma reunião ampliada na Escola Superior de Guerra, quando estava em curso o bombardeio sobre a Líbia, Lula sintetizou numa frase: “se fizeram com a Líbia, podem fazer com outro país depois”.
Afinal, convém lembrar que face ao seqüestro do Conselho de Segurança da ONU pelos poderes imperiais, atropelando qualquer vestígio de legalidade e arrancando resoluções na marra, o que pode estar sendo colocado em prática é outro provérbio romano: “Armas, o último argumento”.

Beto Almeida, Jornalista