Na homenagem ao físico Liacir Lucena, realizada a partir das 18h30m de hoje, no auditório da Reitoria, dezenas de familiares, amigos e professores da UFRN estiveram presentes, além dos ex-reitores Genibaldo Barros, Daladier da Cunha Lima e Ivonildo Rego. O Professor Liacir, em longo discurso, historiou a sua vida acadêmica e a sua participação no desenvolvimento das pesquisas no Campus de Natal (breve publicaremos o discurso do homenageado). Encerrando a solenidade, falou a reitora da UFRN.
Natal 19 de Dezembro de 2011
Discurso do Professor Liacir dos Santos Lucena ao receber o título de Professor Emérito da Universidade Federal do RioGrande do Norte
Magnífica Reitora da UFRN, Professora Ângela Maria Paiva Cruz
Excelentíssimas autoridades presentes e representadas
Magnífica Reitora da UFRN, Professora Ângela Maria Paiva Cruz
Excelentíssimas autoridades presentes e representadas
Magnífica Vice-Reitora, Senhores Pró-Reitores, Diretores de Centro, Chefes de Departamento, Coordenadores de Curso
Prezados Colegas, Caros Estudantes, Queridos Convidados
Minhas senhoras e Meus senhores
Estou muito honrado e feliz com este título de Professor Emérito que a Universidade Federal do Rio Grande do Norte me concedeu. Quero agradecer ao Departamento de Física Teórica e Experimental, ao Centro de Ciências Exatas e da Terra, ao CONSEPE e ao Conselho Universitário pela aprovação deste título a mim outorgado. Quero agradecer também o parecer de excessiva generosidade emitido pelos professores José Willington Germano, Técia Maria de Oliveira Maranhão e Adrião Duarte Dória Neto que fundamentou a decisão do CONSUNI. Ao professor Luciano Rodrigues da Silva, autor da proposição inicial e que proferiu a apresentação cheia de demonstrações de amizade, meus agradecimentos. Agradeço também à nossa Magnífica Reitora por possibilitar a organização de uma festa tão bonita. Muito obrigado a todos!
Costumo dizer que a vida é uma grande aventura, cheia de surpresas e desafios. Este momento corresponde a uma dessas surpresas. Uma surpresa agradável. Primeiro porque o título de Professor Emérito materializa um passaporte ou salvo-conduto que vai me permitir continuar a trabalhar, após a idade da aposentadoria compulsória, atravessando os territórios desconhecidos dos tempos futuros. Vai possibilitar dar seqüência às missões e tarefas que iniciei e também realizar novos projetos
Em segundo lugar, porque julgo, talvez de uma maneira pretensiosa, a UFRN e o Departamento de Física Teórica e Experimental como crianças que ajudei a criar, com toda dedicação e todo o carinho e os considero, de certo modo, como entes queridos, quase filhos. Gostaria portanto de acompanhá-los em seu progresso, de zelar para que nada de negativo venha a acontecer com os mesmos. Como Professor Emérito poderei estar sempre por perto, observando, apoiando, cuidando, orientando, aconselhando e até bradando um grito de alerta, se for necessário.
Esta é uma hora de muita emoção que pretendo usar para fazer uma reflexão, analisar a nossa caminhada no passado, avaliar o presente e esboçar planos para o futuro.
Ingressei nesta Universidade em 1960 como aluno da primeira turma do Curso de Engenharia. Era o instante em que a então denominada Universidade do Rio Grande do Norte começava sua existência real, exatamente o princípio de seu funcionamento. Concluí o Curso de Engenharia Civil no final de 1964 e, logo a seguir, no início de 1965, passei a integrar o corpo docente desta instituição. Até este momento, posso contabilizar 52 anos de vínculo estreito com a UFRN, dos quais quase 47 como professor. Nessa longa jornada vi a Universidade brotar e desabrochar, dando os primeiros passos, superando obstáculos e alcançando objetivos que pareciam inatingíveis. Acompanhei assim a história da UFRN desde os primórdios. Tive o atrevimento de, em muitas situações, procurar influenciar o curso de sua evolução, às vezes com resultados positivos, outras vezes sem sucesso.
O caminho que me trouxe à UFRN foi balizado por acontecimentos bafejados pela sorte, coincidências felizes e principalmente pela grande ventura de passar por boas escolas e ter encontrado excelentes professores. Nasci praticamente na Escola. Meu pai e minha mãe eram professores primários. Meu pai, Moacir de Lucena, foi meu primeiro professor. Graças a ele tive acesso precocemente ao Mundo Maravilhoso da Escola, que comecei a explorar com prazer e alegria. Enquanto cursava o primário descobri a realidade de Natal e de várias cidades do interior do Rio Grande do Norte, entre elas Apodi, Mossoró, Papari (hoje Nisia Floresta), Taipu, Jucurutu e Caicó.
Em 1953 prestei o Exame de Admissão em Caicó, iniciando o Curso Ginasial no Ginásio Diocesano Seridoense. Em 1954 consegui transferência para o Colégio Estadual do Atheneu Norte-Rio-Grandense em Natal. Era o primeiro ano de funcionamento do principal colégio do Estado em seu novo prédio, no Bairro de Petrópolis. As instalações modernas incluiam uma Biblioteca com um acervo rico e diversificado, o Ginásio desportivo mais equipado do Rio Grande do Norte, salas de aula amplas e ventiladas, além de mobiliário recentemente adquirido. O melhor do Atheneu entretanto estava concentrado no corpo de Professores que representava a elite intelectual de Natal. No Atheneu ensinavam Vicente de Almeida, Câmara Cascudo, Francisco Rodrigues Alves, Newton Navarro, Miriam Coeli, Antônio Pinto de Medeiros, Octávio Tavares, Álvaro Tavares, Ewerton Dantas Cortez, Luiz Maranhão Filho e Moacyr de Góis, entre outros. Tive o privilégio de ser aluno desse conjunto único de pessoas que conseguiam reunir competência, idealismo e vontade de transmitir conhecimentos. Foi este, outro mundo que explorei com avidez até 1956 quando terminei o Curso Ginasial.
Em 1957, minha família foi transferida para Mossoró e novamente a sorte me favoreceu. Por coincidência naquele ano começou a funcionar pela primeira vez no interior do Estado, especificamente em Mossoró, o Curso Científico que era a denominação do curso do segundo grau. Fui assim aluno da primeira turma do Científico do Colégio Santa Luzia. Estudei com os professores que simbolizavam o que havia de mais seleto em Mossoró: Dalva Stella Nogueira Freire, Bruno Nogueira, Cônego Francisco Sales Cavalcanti, João Batista Cascudo Rodrigues, Heleno Gurgel, Padre Sátiro Dantas, só para citar alguns.
Ao retornar a Natal em 1959 encontrei o Atheneu com a mesma qualidade dos professores. Fui aluno de Floriano Cavalcanti, José Gurgel, Sebastião Monte, Clóvis Gonçalves dos Santos, Esmeraldo Siqueira e Luiz Herculano Soares. Nesse ano concluí o Curso Científico e sem nenhum curso preparatório consegui ser aprovado no Vestibular para o Curso de Engenharia Civil. Este fato atestava o grau elevado da aprendizagem nas escolas do Rio Grande do Norte, particularmente no Atheneu, naquele tempo. O Atheneu, sem nenhum favor, apresentava o melhor nível de ensino no Estado, comparado com os demais colégios.
Nas minhas aulas afirmo que o bem mais valioso do patrimônio da humanidade corresponde ao conhecimento científico acumulado durante milhares de anos. Para justificar esta afirmação lanço mão dos fatos e acontecimentos registrados na História. As nações e povos que não se preocuparam em conhecer, explicar, controlar e utilizar bem a Natureza não conseguiram sobreviver ou sucumbiram subjugados por outras nações que tiveram a capacidade de ampliar e aproveitar esta fonte de riqueza e poder. É nossa responsabilidade então lutar, não apenas para preservar o referido patrimônio, mas multiplicá-lo e colocá-lo a serviço do nosso povo. A melhor maneira de proteger esta riqueza inestimável consiste em disseminá-la através da educação das novas gerações e de enriquecê-la através da busca de avanços científicos. Cabe à Universidade desempenhar o papel de principal gerador de novos conhecimentos e de propagador do acervo da Ciência. Somente este fato já serviria para justificar a necessidade da existência da universidade como repositório desse patrimônio e locus privilegiado do seu desenvolvimento
Este não é o único bem que devemos preservar e desenvolver. Há um outro que integra e complementa o patrimônio da humanidade, servindo de bússola para orientar a utilização da fôrça e do poder da Ciência. Refiro-me à Cultura em sentido amplo, esse ramo do conhecimento que imprime identidade própria aos animais pensantes e no qual nossa espécie revela suas características mais humanas. A Cultura inclui a Arte, os Padrões, os Costumes, as Tradições, a Ética, as Crenças e todo esse conjunto de valores fruto do cultivo, do uso e da experimentação, feita por todos os homens, durante toda a vida. Ciência e Cultura são indissociáveis. Ciência sem Cultura parece uma nave sem rumo, um navio sem leme. Além de servir como consciência da Ciência, a Cultura, por intermédio dos seus Padrões de Estética e Beleza, tem sido a inspiração para os Modelos e Teorias mais frutíferos da Ciência. Nesta classe estão enquadradas as Regras de Simetria, as Leis de Conservação e os Princípios de Mínima Ação, paradigmas largamente utilizados na Física, na Química e na Engenharia.
O equilíbrio entre Cultura e Ciência é fundamental. Cultura sem Ciência é o indício mais claro do subdesenvolvimento, da fraqueza, o prenúncio do desastre. O povo brasileiro apesar de possuidor de uma rica Cultura, até bem pouco tempo não valorizava a Ciência. Provavelmente esteja nesse ponto a causa do nosso subdesenvolvimento e a explicação para ausência de universidades no Brasil, até a década de 30 do século passado.
Fui educado por uma geração que, por falta de oportunidades, estava inicialmente mergulhada nos conhecimentos científicos do passado e sofria as consequências do desenvolvimento tardio de nossas universidades. Mas essa geração possuia uma insaciável sede de saber, uma curiosidade extraordinária sobre os fenômenos da Natureza e um desejo forte de fazer o Brasil prosperar nesse setor.
Isaac Newton, o grande físico, disse que conseguiu enxergar mais longe porque se apoiou sobre os ombros de gigantes. Parafraseando Newton, posso afirmar que, se consegui avançar um pouco, isto se deve não somente a alguns elevados pilares humanos que usei como postos de observação ou pontos de referência, mas principalmente, graças ao trabalho de um grupo de desbravadores altruistas e visionários que apontaram direções, abriram caminhos, construiram pontes e pavimentaram as vias para que pudesse caminhar nesse maravilhoso mundo novo da Ciência. Eles prepararam e adubaram o terreno com cuidado e carinho. Foi este o solo fértil que aproveitei para nele plantar a semente da Física no Rio Grande do Norte, principalmente neste canteiro chamado de UFRN. Nesta tarefa tive a companhia de dois colegas sonhadores, Juarez Pascoal de Azevedo e Milton Dantas de Medeiros, e a sorte de obter sementes de qualidade escolhidas a partir de boas fontes.
No início desta Universidade, tudo era difícil. Não havia ainda tradição científica, os recursos financeiros eram limitados, não se pesquisava, nem existia um órgão voltado para o estudo da Física. Em compensação existia o desejo de progredir, a boa vontade, a consciência de que era necessário avançar na Ciência, na Educação Científica, qualificar os professores, iniciar a investigação científica, recuperar o tempo perdido. Enquanto a Europa e os Estados Unidos viviam a era da Física Nuclear, dos transistores, da aplicação prática das Teorias da Física Moderna e começavam a usufruir das benesses do desenvolvimento científico, o Brasil e particularmente o nosso Estado ainda tentavam dar os primeiros passos na Ciência.
Em verdade, esta situação não era exclusiva do Rio Grande do Norte. Acontecia de forma semelhante em todo o Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Até 1960, nessa imensa área do território nacional, não existia um único doutor em Física. No restante do país, nas regiões Centro Sul e Sul, talvez este número não passasse de poucas dezenas.
Em compensação, a antiga Escola de Engenharia, onde a Física começou na UFRN, abraçava uma tese avançada para aquele tempo. A idéia que norteava os pioneiros era a de que nenhuma engenharia poderia se firmar sem uma base sólida de Ciência. Estes conceitos são cada vez mais válidos nos dias de hoje, mas infelizmente às vezes são esquecidos. Foi este espírito de alta sabedoria que nos guiou e motivou. Ele contaminou a mim e a meus colegas da primeira turma de Engenharia do Rio Grande do Norte, cujos nomes faço questão de mencionar: Walter Araújo, Evandro Costa Ferreira, Joaquim Elias de Freitas, José Ivaldo Borges, Jário Pereira Pinto e Romeu Gomes Soares.
De lá para cá houve um progesso extraordinário. Hoje nossa Universidade conta com mais de 1000 professores com doutorado, cerca de 100 cursos de graduação, uma quantidade quase da mesma ordem de grandeza de Programas de Pós-Graduação, Laboratórios, Institutos Internacionais, pesquisas, programas de extensão e de ensino à distância, projetos, redes de cooperação. etc. O Campus da UFRN exibe um ritmo de edificações somente visto durante a construção de Brasília.
O setor de Física da nossa universidade também alcançou um resultado que não poderia ter sido antecipado, nem nas previsões mais otimistas. Hoje, nada ficamos a dever aos melhores departamentos de Física do Brasil. Como foi possível esta evolução ? Olhando em retrospectiva posso afirmar que nada poderia ter sido realizado sem Juarez Pascoal de Azevedo, sem Milton Dantas de Medeiros, sem Remarque Fernandes da Silva, sem José Henriques Bittencourt, sem Dirceu Victor de Hollanda, sem Geraldo Pinho Pessoa, sem Nilson Rocha de Oliveira, sem Raimundo Alberto Normando, sem Gilvan Trigueiro, sem José Antomar Ferreira de Sousa, sem Clóvis Gonçalves dos Santos, sem Hélio Varela de Albuquerque, sem José Eufrânio, sem Roberto Limarujo, sem João Maurício de Miranda, sem Kleber Bezerra, sem Fernando Cysneiros, sem Malef Victorio Carvalho, sem José Pereira da Silva, sem Edgar Ramalho Dantas, sem José Bartolomeu dos Santos, sem Antonio Melo, sem Wilson de Oliveira Miranda, sem Rômulo Rubens Freire Pinto, sem Marcelo Cabral de Andrade, sem Ubiratan Pereira Galvão, sem Fernando Antônio da Nóbrega, sem Renato Gomes Soares e muitos outros professores da antiga Escola de Engenharia da UFRN. Nunca percebi uma sintonia mais perfeita de aspirações, nem uma busca do progresso baseada numa pureza de intenções como aquela encontrada no corpo docente da antiga Escola de Engenharia.
Também não poderíamos ter avançado rapidamente naquela fase inícial sem a ajuda de físicos brasileiros importantes, tais como Erasmo Ferreira, Sérgio Costa Ribeiro, Newton Bernardes, Nicim Zagury, Pierre Henri Lucie, Raimundo Alberto Normando, José Maria Filardo Bassalo, Pierre Kaufman, Milton Ferreira de Sousa, Fernando de Sousa Barros, Humberto Siqueira Brandi, Sérgio Mascarenhas, Silvestre Ragusa, Silvio Ferraz de Melo, Ernesto Hamburguer e Sérgio Porto. Erasmo Ferreira, chefiando o setor de Física do CNPq, foi o grande amigo da UFRN nos primeiros tempos.
Mais recentemente tivemos o apoio relevante de Constantino Tsallis, hoje Doutor Honoris Causa da UFRN, Ricardo Ferreira, Cesar de Sá Barreto, Silvio Salinas, Márcia Barbosa, Maurício Domingues Coutinho Filho, Yvon Palmeira Fittipaldi, Cid Bartolomeu de Araújo, José Rios Leite, José Soares de Andrade Jr., Roberto da Silva Andrade, Marcelo Lyra, Giovani Vasconcelos, Madras Gandhi Mohan Viswanathan , Gilberto Corso, Celso Pinto de Melo, Josué Mendes Filho, Ervin Kaminski Lenzi, Rênio Mendes, Murilo Pereira de Almeida, Gil de Aquino Farias, Moysés Nussenzweig, Marco Antônio Raupp, Ronald Dickman e Sérgio Machado Rezende. Sérgio Rezende como ministro da Ciência e Tecnologia introduziu a Ciência Brasileira no cenário mundial, de uma maneira quase irreversível.
Fomos beneficiados também pela herança deixada por Luiz Freire, o precursor da Física Brasileira, professor da Escola de Engenharia de Pernambuco, e por outros pioneiros como José Leite Lopes, Mário Schemberg, Jaime Tiomno, Cesar Lattes, Richard Feynman e João Christovão Cardoso. Eles indicaram o rumo certo e demonstraram que o Brasil, a despeito da grande desvantagem em relação aos outros países, poderia dar um salto para o futuro, queimando etapas, para atingir uma posição de realce entre as nações. Esta situação de destaque começou a despontar depois da passagem de Sérgio Machado Rezende pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Contamos ainda com a ajuda fundamental de físicos e cientistas de vários países, dentre eles William Klein, Stéphane Roux, Hendrik Hilhorst, Alex Hansen, Albert V. Baez, Michael Mendillo, Antonio Coniglio, Roger Maynard, José Teixeira, Peter King, Luiz Amaral, Attilio Stella, Hans Herrmann, Shlomo Havlin, Dietrich Stauffer, Armin Bunde, Bernard Sapoval e especialmente Eugene Stanley, do Center for Polymer Studies de Boston, que em várias ocasiões ajudou a UFRN. Eugene Stanley é um dos cientistas mais proeminentes de todo o mundo, tendo recebido vários prêmios e honrarias, entre eles a prestigiosa Medalha Boltzmann. Neste último mês de novembro ele novamente esteve em Natal participando de duas conferências internacionais.
Com relação a este gigantesco avanço relativo, observado no campo da Física, tenho também de render minha homenagem ao primeiro Reitor, Professor Onofre Lopes da Silva, o qual propiciou as condições para que o grupo de Física crescesse e prosperasse. Ele contratou os dois primeiros professores em dedicação exclusiva de toda a universidade. Um deles era professor de Física, o professor Raimundo Alberto Normando, o qual posteriormente alcançou a posição de Vice-Reitor da Universidade Federal do Ceará. Aparentemente um pequeno passo, mas este foi o início de uma grande transformação. Até aquele instante todos os professores exerciam suas atividades em regime de 12 horas semanais de trabalho. Foi também o Reitor Onofre Lopes que assinou o ato de criação do antigo Instituto de Física, e, com o seu entusiasmo pela Ótica e pela Holografia, proporcionou os meios para a expansão da área de Física na universidade que estava nascendo. Concedeu bolsas para nossos estudantes concluirem o Curso de Física na PUC do Rio de Janeiro, universidade com a qual firmamos um acordo de cooperação. Era o início de um ambicioso programa de formação de recursos humanos, antes mesmo de as iniciativas do CNPq e CAPES tomarem vulto. Permitiu ainda Dr. Onofre o início do Bacharelado e da Licenciatura em Física aqui em Natal, quando dispúnhamos de apenas 3 professores.
Onofre Lopes deu liberdade total para que iniciativas ousadas fossem concretizadas. Atraímos, para visitas de intercâmbio científico, os melhores físicos brasileiros. Promovemos Cursos de Atualização para Professores de Física das Universidades do Nordeste. Firmamos convênios com o Banco do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, BDRN, para financiamento dessas atividades de intercâmbio e ainda para a cobertura financeira para a contratação de dois novos professores em regime de dedicação exclusiva. Era Governador do Estado o Monsenhor Walfredo Gurgel.
Obtivemos do CETENE, Centro de Educação Técnica do Nordeste, dirigido por Jurandir Tahim, um dos melhores Laboratórios de Física do país, importado da Alemanha. Isto foi conseguido sem custos para a UFRN, em troca de cursos que ministramos para os docentes das Escolas Técnicas do Nordeste. O CETENE havia sido instalado no Rio Grande do Norte depois de uma disputa acirrada entre o Ceará e Pernambuco. Foi uma época de crescimento vertiginoso de nossas atividades. Era a resposta acelerada da universidade para compensar pelo menos um século de atraso científico de nosso Estado. A Física na UFRN ganhou momentum e energia para enfrentar as dificuldades que surgiriam no futuro.
Também quero prestar homenagens aos reitores seguintes, Genário Alves da Fonseca, Domingos Gomes de Lima, Diógenes da Cunha Lima, Genibaldo Barros, Daladier Pessoa da Cunha Lima, Geraldo dos Santos Queiroz, José Ivonildo do Rego, Ótom Anselmo de Oliveira, novamente José Ivonildo do Rego e agora a atual reitora Professora Ângela Maria Paiva Cruz. Todos desempenharam um papel importante na história de nossa universidade e em particular de nosso Departamento de Física.
Na gestão de Genário Fonseca observamos o início da construção do campus universitário. Outro feito relevante, nesse período, foi que a UFRN conseguiu recrutar o primeiro doutor para o seu corpo docente, um doutor em Física, o professor Franciscus Jozef Vanhecke, hoje na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nessa tarefa tivemos a valiosa ajuda do vice-reitor Leide Morais. Foi também nessa época a instalação do nosso Rádio Observatório com a montagem de uma antena parabólica de 10 metros de diâmetro, capaz de atuar em faixas de frequência acima de Gigahertz. Tivemos também a aprovação dos dois primeiros projetos de pesquisa da universidade junto ao CNPq. Não preciso dizer que eram na área de Física. Logramos obter também, por doação ao Instituto de Física, todos os equipamentos do Posto de Pesquisa da Marinha, sediado em Guarapes na vizinhança de Natal, inclusive um sismógrafo que até hoje funciona na UFRN. Firmamos ainda convênios de cooperação em pesquisa com a Universidade de Illinois e com o Air Force Geophysical Laboratory.
No período do Reitor Domingos Gomes de Lima expandimos o programa de qualificação dos docentes e enviamos um expressivo número de professores para obtenção do doutorado nas melhores instituições do Brasil e do exterior. A Universidade cresceu rapidamente, multiplicando instalações, ampliando o corpo docente e o número de estudantes. O Instituto de Física, transformado em Departamento de Física Teórica e Experimental, ganhou espaço físico para seus laboratórios. Como havíamos partido na frente, tiramos o maior proveito do PICD, Plano Institucional de Capacitação Docente. Batemos o recorde em número de docentes fazendo pós-graduação.
O Reitor Diógenes da Cunha Lima, por sua vez, dirigiu a atenção da Universidade para o Estado do Rio Grande do Norte. Fortaleceu os campi do interior e criou novos campi. Construiu o Centro de Convivência Djalma Marinho. Foi um período de grande valorização da Cultura e das Artes. Neste quadriênio, o Departamento de Física continuou com seu plano de qualificação dos docentes e de implantação de novas áreas de pesquisa.
O Reitor Genibaldo Barros propiciou à UFRN um clima de Pacificação, Democratização, de Abertura e Conciliação. Foi a época de consolidação da pesquisa na UFRN. Houve grande participação da nossa comunidade universitária na 1ª. Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, na qual defendemos a proposta, que terminou vitoriosa, de eliminação das desigualdades regionais. Também foram aprovados os primeiros projetos voltados para a Educação Científica. Noutra frente, a UFRN celebrou um Convênio de Cooperação com a Universidade do Estado de NovaYork, a maior universidade pública dos Estados Unidos. Para concretizar esta cooperação no domínio do Ensino, Pesquisa e Extensão, o Reitor Genibaldo efetuou uma visita de intercâmbio ao campus de Albany e a vários outros campi dessa instituição. Outro acordo de cooperação foi assinado com a Universidade de Boston. Ainda neste período foi efetivada a criação do Curso de Mestrado em Física.
Na gestão de Genibaldo Barros também foi aprovado e implementado na UFRN, o Primeiro Programa de Avaliação Universitária numa Instituição do Ensino Superior, em todo o Brasil, o INDD. A Avaliação do Desempenho dos Departamentos, realizada através do INDD, estava acoplada a um sistema de distribuição de vagas para concursos de docentes e a uma política de estímulo à Pós-Graduação. A Universidade floresceu. O ambiente de liberdade total favoreceu o debate de idéias e a reflexão. A Universidade mostrava que estava viva e vibrante. Tive a oportunidade de participar da equipe do Professor Genibaldo como Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, o que muito me envaidece.
O período do Reitor Daladier Pessoa Cunha Lima foi marcado pelo incentivo à Musica e às Artes, culminando com a construção do prédio da Escola de Música. Para nós, foi muito significativa a implementação dos Programas Especiais de Treinamento, PET, nas áreas de Estatística, Química e Física, com apoio financeiro da CAPES. O PET da Física constituiu o primeiro programa desta área a ser aprovado em todo o Brasil. Pelo PET da Física já passaram mais de 100 bolsistas sendo que mais de 50 já obtiveram o doutorado. Temos ainda a assinalar neste período, a primeira conexão feita entre a UFRN e a Rede Mundial de Computadores BITNET, a precursora da INTERNET. A ligação foi estabelecida entre o Departamento de Física e o Laboratório Nacional de Computação Científica no Rio de Janeiro.
Na gestão do Reitor Geraldo Queiroz aconteceu algo de muita relevância para nós: foi criado o Primeiro Curso de Doutorado da UFRN, na área de Física da Matéria Condensada. Este Doutorado, atualmente avaliado com o nível 6 pela CAPES, é um dos dos Programas de Pós-Graduação com conceito mais elevado em nossa instituição. Geraldo Queiroz também dinamizou o setor de comunicação da UFRN e transferiu a TV Universitária para modernas instalações no Campus Central, onde hoje também funciona a Superintendência de Comunicação.
A primeira Gestão do Reitor José Ivonildo do Rêgo ganhou destaque pela tentativa de institucionalizar o Centro Internacional de Sistemas Complexos, iniciativa que teve o suporte do Governo do Estado e do Ministro da Ciência e Tecnologia José Israel Vargas. O apoio do Reitor José Ivonildo a esta idéia, talvez avançada de mais para aquele momento, constitui uma demonstração de sua visão de futuro. Seu reitorado ainda ficou notabilizado pela criação da CIENTEC, o maior evento em Ciência, Tecnologia e Cultura do Estado e por progressos no ensino, pesquisa e pós-graduação.
No Período do Professor Ótom Anselmo de Oliveira como Reitor, foram feitos grandes avanços na concretização de uma das vocações naturais da UFRN: a pesquisa na área do petróleo. A nossa Universidade conseguiu atrair financiamentos da PETROBRAS e dos Fundos Setoriais de Pesquisa, notadamente do CTPETRO. Vários grupos de Pesquisa foram implantados e professores da UFRN participaram ativamente de Redes Nacionais de Pesquisa. Prédios foram construidos e Laboratórios equipados.
O retorno à Reitoria da UFRN do Professor José Ivonildo do Rego foi marcado por uma fase de acelerada expansão das construções no Campus, em grande parte financiada pelos recursos do REUNI. Ocorreu também um evento de uma dimensão incomensurável: com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia a UFRN criou o Instituto Internacional de Física, órgão cujos objetivos e alcance das ações ultrapassam as fronteiras da nossa Universidade e de nosso Estado.
Estamos agora em pleno período da Reitora Ângela Maria Paiva Cruz, e vemos a UFRN continuar a manter o seu impulso vigoroso buscando se transformar numa universidade de grande porte, não apenas pelas bitolas e modelos brasileiros, mas pelos padrões internacionais. Claro que isto constitui um grande desafio. Para tanto é necessário promover a expansão da UFRN sem sacrificar a qualidade e sem banalizar o espírito da Universidade, procurando ao mesmo tempo servir à população e ao país, como nos ensinava Anísio Teixeira. Tenho certeza que a Magnífica Reitora Ângela Maria Paiva Cruz saberá liderar a nossa Instituição Acadêmica na direção do seu grande destino.
Na luta pela consolidação da UFRN, aprendemos algumas lições. Os bons resultados do Instituto de Física, e do órgão que o sucedeu, o Departamento de Física Teórica e Experimental, não aconteceram por acaso. Foram fruto de um trabalho coletivo que teve continuidade, planejamento e uma correção de rumos permanente, envolvendo o esforço coordenado de um grande número de professores. Além de Juarez Pascoal de Azevedo e de Milton Dantas de Medeiros que estavam presentes desde o primeiro momento, quero registrar o esforço de Remarque Fernandes da Silva, de Luciano Bezerra de Melo, de João Wilkes Rebouças Chagas, de José Wilson de Paiva Macedo, Mário Bravo Barbery, Eudenilson Lins de Albuquerque, Franciscus Jozef Vanhecke, Carlos Alberto dos Santos, Eraldo Costa Ferreira, José Alzamir Pereira da Costa, Artur da Silva Carriço, Nilson Sena de Almeida, Paulo Fulco, Nai Cheng Chao, Joel Câmara de Carvalho Filho, Jackson de Oliveira, Ciclâmio Leite Barreto e de muitos outros.
Uma segunda fase do Departamento de Física ocorreu na época do Ciclo Indiferenciado quando conseguimos recrutar os melhores alunos da Área Tecnológica para o Curso de Física. Ananias Monteiro Mariz, Luciano Rodrigues da Silva e Ezequiel Silva de Souza foram os primeiros desta safra. Nas turmas seguintes surgiram José Renan de Medeiros, Fernando Dantas Nobre, Douglas Soares Galvão, José Ademir Sales de Lima, Francisco Alexandre da Costa, Janilo Santos, João da Mata Costa, entre outros. Infelizmente, apesar de todo o sucesso acadêmico do Ciclo Indiferenciado, ele acabou sendo extinto por decisão dos colegiados.
Uma terceira etapa foi registrada após o funcionamento do PET, do qual fui o tutor durante um período de 18 anos. O PET produziu um grande fluxo de bons estudantes que alimentou não somente a nossa Pós-Graduação em Física, mas Programas de Pós-Graduação semelhantes de outras universidades. Realmente mais de 50 bolsistas que passaram pelo nosso PET lograram obter o título de doutor e hoje integram os quadros de várias universidades e instituições de pesquisa. Somente para citar alguns nomes de ex-bolsistas do PET, quero mencionar Claudionor Gomes Bezerra, atual chefe do DFTE, Carlos Chesman de Araújo Feitosa, Professor Titular da UFRN e Suzana Nóbrega de Medeiros, que ocupou a função de Coordenadora do Curso de Graduação em Física. Outro que se destacou dentre ex-bolsistas do PET foi Deilson de Melo Tavares, cuja Tese de Doutorado em Física foi contemplada com o primeiro lugar na Primeira Edição do Prêmio Petrobras de Tecnologia, na categoria de Exploração de Petróleo. Deilson Tavares, hoje professor da UFRN, tenta dinamizar o Campus de Caicó. Hênio Henrique Aragão do Rego foi outro doutor oriundo do PET que agora está contribuindo fortemente para o desenvolvimento do Estado do Maranhão, tanto pela sua atuação na Secretaria de Ciência e Tecnologia, como pelas suas atividades como professor do Instituto de Educação Ciência e Tecnologia daquele Estado. Além desses, Dory Hélio Aires de Lima Anselmo, Raimundo Silva Júnior e José Dias do Nascimento Júnior também fazem parte da equipe do DFTE. Edemerson Solano Batista de Morais, Amadeu Albino Júnior e Samuel Rodrigues Gomes Júnior são professores do IFRN e acabam de conseguir a aprovação de novo Programa PET voltado para a Física naquela instituição.
Atingimos assim o status de um centro de formação de cientistas. Somos hoje uma fábrica de pesquisadores, um celeiro de bons físicos. Além do Rio Grande do Norte estamos suprindo as necessidade de várias regiões do país: temos ex-alunos nossos em São Paulo, no Rio Grande do Sul, no Paraná, no Amazonas, em Rondônia, na Bahia, na Paraiba, no Piauí, no Ceará, em Pernambuco, no Maranhão, em Brasília, no Rio de Janeiro e até na Austrália.
Muitos dos físicos que iniciaram suas carreiras na UFRN agora são Professores Titulares na UNICAMP, na Universidade de São Paulo, a USP, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte ou se destacaram em muitas outras instituições. É o caso, por exemplo, de Douglas Soares Galvão, professor titular da UNICAMP e ganhador há alguns anos do Prêmio de Melhor Pesquisador do Estado de São Paulo. Fernando Dantas Nobre, outro exemplo, é Pesquisador Titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. José Ademir Sales de Lima por sua vez é Professor Titular do Instituto de Física da USP. Carlos Alberto dos Santos depois de passar pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul atingiu a posição de Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UNILA, Universidade da América Latina. Nilson Sena de Almeida e José Alzamir Pereira da Costa são professores titulares da UERN em Mossoró e no momento estão envolvidos na criação de um novo Curso de Doutorado enquanto Francisco Edcarlos Alves Leite dirige o campus da UFERSA na cidade de Angicos.
Um lema que tenho seguido desde o início é o de procurar me adaptar e me amoldar às necessidades da Universidade ou necessidades da população que possam ser estudadas ou atendidas pela universidade, em lugar de tentar fazer com que a universidade se adapte aos meus conhecimentos e interesses. Várias vezes tive de mudar a área de pesquisa para atender a este princípio.
Concluida a formação em Engenharia Civil transferi-me com armas e bagagens para o Campo da Física, movido pela necessidade de ajudar o desenvolvimento deste setor na UFRN. Inicialmente trabalhei em novas técnicas e métodos modernos para ensino de Física, inclusive com o uso da televisão. Depois fiz um Mestrado realizando pesquisas sobre Partículas Elementares e Altas Energias, usando técnicas de Teoria de Campo, uma área fascinante, na qual atuava a grande maioria dos físicos brasileiros, porém de contribuição muito reduzida ou remota para o desenvolvimento econômico e para o bem estar da população. O interesse da UFRN e preocupações sociais ditaram minha saída desse tipo de pesquisa. Passei então a estudar a Propagação de Ondas de Rádio na Ionosfera. A razão determinante era que a UFRN precisava de alguém com competência nessa área para trabalhar no Rádio Observatório. As transmissões de rádio via satélite representavam naquela ocasião o principal meio de comunicação a longa distância.
Após consolidar o grupo da UFRN neste campo, mudei novamente de área, durante o doutorado nos Estados Unidos, quando percebi as enormes possibilidades para o nosso país que seriam decorrentes da pesquisa em Física da Matéria Condensada e especialmente do estudo dos materiais poliméricos. Para tanto tive de aprender as teorias e métodos da Física Estatística. Contribuí um pouco para a consolidação dessa área de pesquisa no Brasil. Depois mudei novamente de área, passei a estudar a Física do Petróleo, tentando ajudar a UFRN a alcançar uma de suas vocações. Este esforço produziu resultados porque, quando o governo federal criou o CTPETRO, Fundo Setorial do Petróleo, estávamos preparados para tirar proveito total do programa. Paralelamente tenho me dedicado ao estudo dos Sistemas Complexos, antevendo a grande abrangência de suas aplicações que vão desde a Economia e a Linguística, aos fenômenos sociais e até a Física Biomédica.
Realmente este procedimento de mudança permanente não é uma tarefa fácil pois exige um esforço redobrado para recomeçar, pensar sobre novos conceitos e modelos e aprender novas técnicas. A grande vantagem é a de podermos nos antecipar aos problemas e estarmos preparados para as crises que chegam sem aviso prévio. Existe ainda o bonus adicional de que profissionais treinados dessa forma terão mais versatilidade para enfrentar as dificuldades do mundo em processo constante de transformação e de se manterem atualizados com as tecnologias que se renovam praticamente a cada ano. Recentemente descobri que várias universidades americanas já se preocupam com esse novo paradigma. Na USP, o Centro de Altos Estudos dirigido pelo Prof. Sérgio Mascarenhas está exatamente buscando novas idéias e novas direções para que a universidade não perca o bonde da história. Por uma grande coincidência a idéia em pauta neste momento no Centro de Altos Estudos da USP é a dos Sistemas Complexos.
Confesso que sou um homem de muita sorte. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte representa para mim um sonho bem vivido, que está se concretizando, que está se tornando realidade. Há ainda um longo caminho a percorrer. Temos de fazer o melhor para assegurar a sua trajetória ascendente. Não podemos desperdiçar a chance única de construirmos uma boa universidade.
Antes de concluir este discurso quero registrar o meu agradecimento à minha família. Grande parte do que consegui fazer devo ao meu pai e à minha mãe. Eles realizaram todos os esforços para que pudesse desfrutar da melhor Educação possível.
Além disso, nestes últimos 46 anos, tive a sorte de ganhar uma parceira que tem me acompanhado até hoje, minha esposa Regina. Dela tenho recebido permanentemente demonstrações de amor, de carinho e de muita paciência. É necessário ter muita paciência para ser mulher de um físico. Ela tem me proporcionado o ambiente de tranquilidade para me concentrar no trabalho e enfrentar situações difíceis, até mesmo quando desafiávamos o inverno frio e prolongado de Boston. Com ela, a caminhada no tempo se transformou numa viagem muito prazerosa e feliz.
Também quero agradecer a meus filhos, Leonardo e Moacir Neto, exemplos de bondade e integridade, dos quais tenho muito orgulho. Tenho certeza que meus netos Daniel e Beatriz seguirão o mesmo caminho.
Sinto-me muito honrado e feliz, repito. Entrando neste grupo seleto de Professores Eméritos da UFRN, estarei ingressando na galeria dos ilustres professores que me precederam, verdadeiros ícones, entre eles Luiz da Câmara Cascudo, Onofre Lopes, Diógenes da Cunha Lima, José Idelfonso Emerenciano, Terezinha de Queiroz Aranha, Múcio Vilar Ribeiro Dantas, Paulo Bittencourt, Max Cunha de Azevedo, José Antomar Ferreira de Souza, Hiran Diogo Fernandes e muitos outros.
Farei tudo o que estiver ao meu alcance para honrar este título!
