terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

E se essas quadrilhas chegarem em Natal?

Al-Qaeda e Estados Unidos disputam controle do tráfico em João Pessoa

No dia 11 de setembro de 2001, dois aviões se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, no maior ataque terrorista da história. O atentado foi cometido pela organização Al-Qaeda, de Osama Bin Laden. Durante anos, os Estados Unidos tentaram capturar o terrorista e em maio do ano passado Bin Laden acabou morto por tropas norte-americanas.
Inspirados neste conflito, bandidos de João Pessoa, na Paraíba, criaram, nos últimos anos, duas facções criminosas que disputam o controle de comunidades da cidade: a Al-Qaeda e os Estados Unidos.
A Al-Qaeda foi criada há cerca de dez anos. Segundo o titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil, Alan Murilo Terruel, a ideia surgiu de um grupo de presos que planejava se estabelecer em determinadas localidades de João Pessoa e, para isso, usava de extrema violência. Daí, o nome Al-Qaeda, que também é chamada de Okaida.
“A ideia da Al-Qaeda se alastrou e virou até funk. Eles se inspiraram no Osama Bin Laden e pretendiam realizar ações kamikazes”, diz Terruel. A facção se propagou por alguns bairros de João Pessoa, como Mandacaru, São José, Novais, Alto do Mateus e Ilha do Bispo, e nestes locais uma estrutura de tráfico de drogas.
O grupo, segundo as investigações, vendia de 20 kg a 30 kg por semana de crack, droga fornecida pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), organização que age nos presídios de São Paulo.
No ano passado, após sucessivas ações da polícia para reprimir o tráfico, integrantes da Al-Qaeda chegaram a promover badernas na cidade, como a queima de dois ônibus. Um de seus principais líderes, criminoso conhecido como Fão, acabou transferido para o presídio federal de Porto Velho (Rondônia).
O delegado Terruel afirmou ao iG que os integrantes da Al-Qaeda tem peculiaridades próprias. Entre elas, tatuar palhaços (bobo da corte) e o boneco Chuck, do filme “Brinquedo Assassino”. Outra característica, segundo ele, era montar um “Exército de Viciados”, ou seja, recrutar jovens consumidores de drogas para trabalhar para o tráfico e, em troca, oferecer entorpecentes como pagamento pelos serviços. Crianças e adolescentes também são admitidos pelo grupo.
O promotor Herbert Carvalho, do Gaeco (Grupo de Combate às Organizações Criminosas), afirmou ao iG ter informações de que o ingresso na Al-Qaeda é feito mediante um “ritual de iniciação” no qual a pessoa precisa matar outra para se filiar ao grupo. Segundo ele, neste caso, as principais vítimas seriam os que possuem dívidas com os traficantes. No entanto, caso não existam alvos específicos, os suspeitos procuram vítimas, quem quer que seja, informou o representante do Ministério Público.
Os traficantes seguidores da Al-Qaeda desafiavam a polícia. Ousados, os criminosos escreveram uma mensagem em um muro: “Não entre. Vai levar bala”. Em setembro do ano passado, pelo menos três escolas de João Pessoa fecharam após surgirem boatos de que os criminosos desta facção iriam incendiá-las. Os bandidos picharam a sigla do grupo (OKD) no muro de um dos colégios.
Bandeira e carpa japonesa
A facção Estados Unidos surgiu depois da Al-Qaeda. O delegado Terruel não tem uma data exata para a criação do grupo, mas disse que o objetivo era fazer frente aos rivais da Al-Qaeda. O grupo atuava principalmente no Mandacaru, onde dividia as bocas de fumo com a facção inimiga, e também na comunidade Bola na Rede, no bairro dos Novais. A quadrilha tinha como uma das características recrutar menores de idade para trabalharem no tráfico.
De acordo com o coordenador da DRE, para demonstrar a força da quadrilha, os bandidos chegaram a pintar a bandeira dos Estados Unidos em seus domínios. Os criminosos também usavam tatuagens com o símbolo ou de uma carpa japonesa (espécie de peixe), sendo este último também utilizado por membros do PCC paulista. O principal líder da facção, o bandido conhecido como Alexandre Neguinho, foi transferido para o presídio federal de Porto Velho.
“Os ‘americanos’ comercializam até mesmo o oxi. Há cobrança de dívidas de drogas que chegam a culminar com mortes”, disse o promotor Herbert Carvalho.
Bala perdida
Um capítulo da guerra entre os dois grupos ocorreu no último domingo (26). Bandidos ligados aos Estados Unidos atacaram os rivais no bairro dos Ipês. O tiroteio deixou uma criança de quatro anos ferida por bala perdida.
No último dia 16, dois homens foram presos em Mandacaru suspeitos de terem matado um adolescente de 14 anos. Um deles tinha a bandeira norte-americana tatuada na perna e disse à polícia ser inimigo da Al-Qaeda.
Outros confrontos entre integrantes dos dois grupos resultaram em mortes no Mandacaru, na comunidade Bola na Rede (que fica no bairro dos Novais) e também na localidade de Taipa, no bairro Costa e Silva. Na Bola na Rede, a Al-Qaeda expulsou os rivais.
Presídio
A rivalidade entre Al-Qaeda e os Estados Unidos também ocorre no sistema penitenciário. Na última semana de outubro, um confronto entre detentos das duas facções resultou em uma rebelião no presídio do Roger. Dois presos acabaram mortos e 13 ficaram feridos. Dias antes, também devido a uma briga entre as gangues, um presidiário acabou morto e teve o corpo esquartejado na mesma unidade.
Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da Secretaria Estadual da Cidadania e da Administração Penitenciária, Manoel Leite, as brigas entre as gangues são frequentes nos presídios.
De acordo com ele, os presos das duas facções ficam em celas separadas mas acabam se encontrando durante os banhos de sol ou refeições quando ocorrem as confusões. Na semana passada, cinco presos ficaram feridos durante uma briga entre os grupos rivais, segundo o sindicalista.
O promotor Herbert Carvalho disse ao iG que, em razão da transferência de integrantes das duas facções para presídios do interior do Estado, houve uma migração de integrantes para outros municípios da Paraíba. A Al-Qaeda, por exemplo, teria ramificações em outras cidades paraibanas também como Bayeux, Cabedelo e Santa Rita.
Assim como acontece no Rio de Janeiro com as facções Comando Vermelho (CV), Amigos dos Amigos (ADA) e Terceiro Comando Puro (TCP), os grupos paraibanos lançaram funks na internet e nas letras há mensagens incitando a violência contra os rivais.
Entrada do PCC
O delegado Alan Murilo Terruel disse ao iG que a facção criminosa PCC estaria planejando se estabelecer no Estado. Segundo ele, já haveria conversas entre integrantes da facção paulista com membros da Al-Qaeda em presídios de Pernambuco para firmar uma aliança.
O policial afirmou que o PCC forneceria, a cada 20 dias, cerca de 50 kg de crack para os traficantes paraibanos. No entanto, estaria tendo dificuldades de se obter lucro porque nem tudo é vendido em razão da violência empregada pelas facções nas comunidades, o que tem resultado em diversas ações da polícia.
“O PCC não domina as áreas de venda de drogas de João Pessoa e quer traçar uma nova linha de comando na cidade, mudar o funcionamento destas facções. Para eles, quanto mais violência mais vai ter ação da polícia e prejudicará a venda de venda de drogas”, disse.
O delegado disse temer que integrantes das duas facções reajam aos interesses do PCC porque isso poderia provocar novos confrontos. No final de 2010, um suposto integrante da organização paulista foi morto no bairro de São José, reduto da Al-Qaeda. Na ocasião, ele estava de posse de um estatuto do grupo de São Paulo.
Mario Hugo Monken, iG
Bananeiras Online

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Antigamente era bom dirigir em Natal.

EDIFÍCIO-GARAGEM
Públio José – jornalista
Certa ocasião um parente meu, de férias por aqui, comentava sobre a facilidade de se dirigir em Natal. Vivíamos décadas atrás. Morador do Rio de Janeiro, narrava a tortura que era dirigir no Rio e de como era tranqüilo fazê-lo em Natal. O tempo passa e vemos hoje Natal com um sistema viário complicado. Aliás, retiro o dito. Natal é, ao contrário, uma cidade bem traçada, dotada de ruas e avenidas largas, ideais para o escoamento do tráfego de veículos. Seu trânsito ficou atravancado em função de décadas e décadas de omissão dos governos em relação ao crescimento da frota e, por outro lado, pela não realização de obras que preparassem o conjunto viário da cidade para uma demanda que cresce a cada dia. Daí que o atual sistema de ruas e avenidas de Natal está adequado para uma época que já se foi, que já passou. E o novo tampo que chegou encontrou a cidade despreparada, desaparelhada para tal fim.
A estrutura de então, planejada à feição para a frota de Simcas, Gordinis, Dauphines, Aero Willys, Fuscas e assemelhados, via desfilar, pela Natal dos anos sessenta, uma realidade na qual o ritmo de vida era perfeitamente apropriado ao sistema viário da época, com estacionamento em todos os recantos. No centro, por exemplo, a Rio Branco e a João Pessoa eram usadas, sem problemas de engarrafamento, como vias de mão dupla. O que foi feito, então, para adaptá-las à realidade atual? Nada. A não ser transformá-las em mão única, permanecendo-as com o mesmo rosto urbano, o mesmo traçado original. Outra questão interessante envolvendo o assunto em Natal – principalmente no âmbito do poder público – é que nenhuma discussão é levantada, que aponte solução inteligente, viável, descomplicada para os sucessivos engarrafamentos que atingem as várias regiões da cidade.
Há um estéril silêncio como se o natalense estivesse gostando do trânsito que enfrenta diariamente, ou, por outro lado, acomodado, anestesiado, sem forças para protestar contra a omissão das autoridades, sem ao menos exigir delas idéias, por mais simples que sejam, para minorar o problema. Enquanto isso, a frota de veículos aumenta a cada dia. Segundo dados de 2011 do Denatran, Natal conta atualmente com 282.319 veículos, incluídos nessa categoria automóveis, bondes, caminhões, tratores, caminhonetes, micro-ônibus, ônibus, motocicletas, motonetas, com exclusão de bicicletas, lanchas, barcos e carroças de tração animal, embora também contribuam para engarrafamentos. Como se vê, muitos veículos para pouco planejamento! Enquanto mundo a fora o problema faz parte das preocupações rotineiras das populações e autoridades, por aqui o tema passa ao largo incólume, altaneiro.
Soluções inteligentes, criativas, existem e que até dispensam o envolvimento direto do poder público. Uma delas é a construção de edifícios garagem. Opção simples tendo em vista a dificuldade de estacionamento que a frota enfrenta, ficando a rodar um tempo acima do normal à procura de vaga, engarrafando mais ainda o que já está bastante engarrafado. Nesse sentido, cabe ao poder público trazer o assunto à discussão e incentivar a iniciativa privada a investir em edifícios garagem. Essa idéia resolve a questão? Não. Porém, sem onerar os cofres públicos, soluciona um problema gritante que a cidade enfrenta: a falta de espaços para estacionamento, fato que tanto prejudica a fluidez do tráfego. Essa, por sinal, é uma das bandeiras que quero abraçar, como forma de, pelo menos, ver o assunto trazido à luz, já que, por aqui, a discussão com frivolidades rouba tempo aos temas mais caros à cidade.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um mossoroense no comando da PRF potiguar.

Home Universo Entrevista Rosemberg Alves de Medeiros

Rosemberg Alves de Medeiros

O Mossoroense.
rosemberg_alvesAos 42 anos, natural de Mossoró, o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Rosemberg Alves de Medeiros assumiu a Superintendência do órgão em maio do ano passado.
Bacharel em Administração de Empresas e Direito pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e especialista em Segurança Pública e Cidadania pela mesma instituição de ensino, o superintendente faz um balanço do período em que está à frente da PRF-RN, revela quais são as principais dificuldades existentes no órgão atualmente e destaca as ações que estão sendo planejadas para melhorar a qualidade do serviço prestado pela Polícia Rodoviária Federal.
Na entrevista da semana do caderno Universo, Rosemberg Alves ainda aborda temas como a rotina de trabalho na PRF, avalia as condições das estradas federais que cortam o Estado e faz um alerta quanto à junção dos fatores álcool e direção. Acompanhe.
Por Maricelio Almeida
maricelio_almeida@hotmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
O Mossoroense: O senhor assumiu a Superintendência da PRF-RN em maio do ano passado. Qual o balanço que o senhor faz desse período à frente do órgão?
Rosemberg Alves:
Mesmo após 18 anos na instituição, ter dirigido a delegacia da PRF em Mossoró em duas oportunidades, ter trabalhado na implantação de projetos em diversas áreas na instituição, atuar como instrutor na área de gestão de pessoas, assim mesmo foi um grande desafio para mim. Trabalhar com segurança pública não é uma tarefa fácil de ser realizada, principalmente na gestão. Num primeiro momento, mantive o que estava dando certo, pois muita coisa estava bem engrenada. O primeiro objetivo era melhorar a gestão, pois nenhum órgão público, ou melhor, nenhuma instituição pública ou privada trabalha bem se não houver um sério compromisso nessa área. Nesse contexto, foi feito um mapeamento de processos dentro da sede de nossa regional. Com isso, pudemos enxergar as reais necessidades e os ajustes que deveriam ser feitos. Foram detectados alguns problemas cruciais e ainda estamos trabalhando para solucioná-los. A área de administração e finanças foi reforçada, pois só assim pudemos concluir, no final do ano passado, as licitações para as construções e reformas de unidades operacionais, bem como a aquisição de equipamentos, com execuções e entregas previstas para este ano. A área operacional é de extrema importância. Por conta da falta de efetivo, muitas rodovias estão descobertas, mas com o esforço de todos os policiais operacionais, administrativos e uma gestão eficiente da seção de policiamento e delegacias, conseguimos um avanço significativo no policiamento ostensivo, otimizando os recursos disponíveis. Isso é possível, realizando o deslocamento de policiais de uma delegacia para outra, de acordo com a necessidade, seja pela existência de um evento específico ou um feriado local, por exemplo.
OM: E quais as expectativas do senhor daqui para frente enquanto superintendente da PRF-RN?
RA:
A PRF tem procurado desenvolver um trabalho de excelência, mas esbarra em algumas dificuldades de ordem técnica e estrutural. Mesmo assim, sou otimista em relação ao futuro. Os próximos dois anos serão fundamentais para o RN, e a PRF não está fora dessa realidade. Com o advento da Copa do Mundo em 2014, todos os segmentos da segurança pública estão se preparando de forma a atender essa necessidade. Tenho grandes expectativas de recompor o efetivo, e com uma melhor distribuição ao longo de trechos atualmente não policiados. Há uma orientação da Coordenação-Geral de Operações para que na Região Metropolitana de Natal exista apenas uma delegacia. Isso melhorará em muito a gestão do efetivo, principalmente por conta da Copa do Mundo. Esse processo está em andamento e será detalhado junto ao efetivo das delegacias envolvidas com o intuito de chegarmos a uma decisão no tempo adequado. Por outro lado, temos uma necessidade urgente de localizar mais uma unidade operacional na Região Oeste, talvez na cidade de Pau dos Ferros. Já temos um estudo em andamento e esperamos solucionar esse problema até o final do ano. Ainda em relação às unidades operacionais, o posto 1 da PRF em Mossoró, saída para Natal, vai ter nova localização. O novo posto estará situado logo após a ponte do rio Angicos, sendo um local estratégico, pois existe ali um, digamos, filtro natural, por conta da passagem obrigatória sobre aquela ponte. Além disso, foram licitadas as construções de uma nova unidade na cidade de São Gonçalo do Amarante e outra em Caicó. Quanto aos materiais e equipamentos, foram licitados no final do ano e aguardamos receber no primeiro semestre de 2012, fardamento, composto de gandolas e botas táticas, mobiliários para os postos, viaturas para reposição, cones, material de cozinha, material de informática, dentre outros.
OM: Como o senhor avalia as condições atuais das estradas federais que cortam o Rio Grande do Norte?
RA:
Estiveram em condições piores. A relação entre a PRF e o DNIT, órgão executivo rodoviário da União, melhorou bastante. Atualmente, trabalhamos numa parceria muito salutar, existindo espaço para, levando em consideração a segurança viária, darmos sugestões e solicitarmos intervenções em trechos mais críticos. Obras importantes estão sendo realizadas na BR-304, BR-226, BR-101, dentre outras. A expectativa é que nos próximos dois anos, vejamos uma melhoria substancial. Especificamente, em Mossoró, aguardamos ansiosamente a conclusão da duplicação de parte da BR-304. Certamente os acidentes diminuirão e muitas vidas serão preservadas.
OM: Hoje, quais são os principais tipos de infrações cometidas nas rodovias federais do Estado? E em Mossoró?
RA:
No RN, para se ter um ideia, no período de 1º de janeiro de 2010 até o dia 23 de fevereiro deste ano, as multas por excesso de velocidade, ultrapassagem indevida e dirigir sem ser habilitado atingiram a marca de mais de 25 mil autos. Mesmo com essa quantidade de multas os acidentes graves envolvendo esses tipos de infrações são muitos. Em Mossoró, a ultrapassagem indevida, dirigir sem ser habilitado e licenciamento vencido são as principais.
OM: Com a implantação da Lei Seca, sancionada em 2008, o número de acidentes nas estradas federais reduziu? Qual a avaliação que o senhor faz desses quase quatro anos da nova legislação?
RA:
De certa forma sim. Num primeiro momento, quando ainda em formato de Medida Provisória, onde se proibia a venda de bebidas ao longo das rodovias, incluindo o perímetro urbano, ocorreu uma queda vertiginosa no número de acidentes graves. Quando transformada em lei, essa proibição deixou de existir. Coincidência ou não, os números voltaram a subir. Mas é importante enfatizar que a ingestão de bebida alcoólica na condução veicular é um problema cultural também. Percebe-se que ao longo desses últimos anos, e aí entra a importância da Lei 11.705, denominada Lei Seca, houve uma mudança de paradigma, onde os órgãos de segurança pública e a própria sociedade passaram a entender a gravidade da situação. As polícias de trânsito, bem como as judiciárias, passaram a conhecer e efetivar uma nova rotina. O estado do Rio de Janeiro é exemplo nacional. As estatísticas da Polícia Rodoviária Federal apontam que o fator "álcool" tem uma participação enorme nos acidentes mais graves. Essa realidade faz com que o planejamento das ações rotineiras da PRF dê um enfoque específico a esse problema. A PRF do RN tem feito seu dever de casa. Na operação de final de ano, fomos responsáveis, no âmbito das rodovias federais, por quase 10% das prisões efetuadas no Brasil pela ingestão de bebida alcoólica. No Carnaval deste ano, o percentual voltou a se repetir. Creditamos a essa e outras ações, com o apoio de nosso pessoal operacional, a redução do número de mortos em quase 70% e vítimas graves em 40% no último Carnaval.
OM: Atualmente, quantos veículos estão apreendidos pela PRF no Estado? E o que a polícia pretende fazer com eles?
RA:
Temos quase mil veículos retidos em nossos postos, e esse é um dos nossos maiores problemas, mas estamos caminhando para uma resolução. Tentarei explicar a situação. Temos veículos apreendidos, que são de responsabilidade da Justiça, a quem solicitamos que os mesmos sejam retirados e estamos aguardando. Temos veículos envolvidos em acidentes graves, que são peças de inquérito da Polícia Judiciária. Também solicitamos a retirada imediata, inclusive com auxílio do MPF, e estamos aguardando. Os automóveis nessas condições somam quase 30% do total estacionados nos postos. Os outros 70% são veículos retidos, que aguardam a regularização para liberação, mas os proprietários não aparecem, pelo fato de que os débitos de impostos, licenciamento e multas em atraso, superam o valor do bem. Bom, aqui começa o grande problema. Existe uma complexidade muito grande para leiloar esses veículos, pois depende de negociação institucional entre a PRF, Detran, Secretaria de Tributação, prefeituras e outros. Vamos iniciar um novo processo ainda no primeiro trimestre deste ano para um novo leilão, mas não será uma tarefa fácil. Mas enquanto isso, o que fazer com esses veículos? O que fazer para evitar que eles se acumulem em nossos pátios, ocasionando uma poluição visual que tanto chama a atenção do cidadão que passa em frente aos nossos postos? Abrimos também um processo para a construção de pátios em Mossoró, Natal e Currais Novos, fora de nossos postos, para organizarmos melhor os veículos retidos. Com essa medida, podemos dar um aspecto melhor aos postos que serão construídos ou reformados.
OM: Inspetor, como funciona a rotina de trabalho dos policiais rodoviários federais?
RA:
Trabalhamos em regime de escala de serviço de 24 x 72, ou seja, a cada dia trabalhado o policial goza de outros três para o descanso. Mesmo com essa aparente "folga", destaco que o trabalho policial está entre os mais estressantes na atualidade. Não é incomum afastamentos médicos ocasionados por traumas no trabalho, seja em virtude de atendimento a um acidente, que o marca sobremaneira, ou um trabalho voltado para o enfrentamento ao crime, que tenha colocado sua vida em risco. O policial sai de casa com hora marcada para entrar em serviço, mas não tem como garantir à sua família o seu retorno, infelizmente. O PRF atende todas as ocorrências ao longo das rodovias federais, incluindo o acidente de trânsito, auxílio a usuário, enfrentamento aos crimes nas suas variadas facetas, desobstrução das vias, retira de animais, dentre outras atividades. Em Mossoró mesmo, que eu lembre, já registramos em duas oportunidades a realização de partos dentro de viaturas da PRF. Na verdade, embora tenhamos um planejamento diário, também o que determina a ação da PRF é a necessidade do cidadão. Apesar da existência de postos fixos, com abordagens e fiscalizações, a área de maior atuação é na rodovia, embaixo de sol ou chuva, de dia ou de noite.
OM: Existe previsão de realização de novo concurso na PRF-RN?
RA:
No momento estamos dando continuidade ao concurso de 2009. As etapas que incluem testes de capacidade física, apresentação de exames clínicos e o psicotécnico já estão em curso, com o cronograma publicado no site do DPRF bem como no da empresa responsável pelo concurso. A última etapa será o Curso de Formação Profissional, que iniciará em junho, com a conclusão prevista para o início de setembro. Esse concurso tem previsão para 750 vagas, mas a instituição tem ainda a opção de chamar mais 50%, o que deverá ocorrer. Nesse universo de 750 vagas, apenas 04 são destinadas para o RN. Ocorre que concomitante com o ingresso dos novos policiais desse concurso em outras regionais, 46 serão removidos para cá, totalizando 50 novos policiais até o início de outubro. Se houver o acréscimo de mais 50% ainda nesse concurso, outros policiais serão acrescidos ao quadro existente no RN, mas esse quantitativo ainda não foi definido pela direção-geral. O DPRF corre para que o concurso atual seja concluído o mais breve possível, e assim possa publicar edital para um novo concurso no início de 2013. O próprio sr. ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, garantiu um acréscimo de 4.500 novos policiais rodoviários federais até a Copa do Mundo de 2014.
OM: Caso o senhor queira acrescentar algo mais, fique à vontade.
RA:
Infelizmente, o acidente de trânsito se tornou algo banal. Podemos afirmar que o acidente veicular deixou de ser apenas um problema de saúde pública, mas deve ser considerado, também, como uma questão de segurança pública, e a problemática do trânsito afeta diretamente essa garantia, por lesionar a ordem pública e o direito da própria segurança da sociedade que, por conseguinte, atinge um direito maior, o direito à vida.

A saúde começa na mente.


As doenças começam na mente.
Paulo Tarcísio.
Diversas filosofias e religiões antigas, dentre elas o budismo e o Kabalion egípcio, se referiam á comum idéia de que o Universo é Mental. Tanto no âmbito de que tudo o que existe surgiu da mente de um Grande Arquiteto Universal, quanto na perspectiva de que o nosso próprio universo pessoal é mental.
Se observarmos bem, quando estamos alegres, o mundo tem uma tonalidade; quando tristes, tudo parece cinza e as pessoas menos valorosas do que realmente são... Dizia uma grande filósofa russa, madame Blavatiski: a mente é a grande destruidora da realidade.
Se a mente consegue distorcer até a mais objetiva das realidades, imagine o que não é capaz de fazer em nosso corpo. Muitas doenças surgem simplesmente de nossa mente; aliás, ousaria dizer que são poucas as enfermidades que não tem, nem que seja, um “pezinho” na psique.
É difícil, depois que uma doença está estabelecida no físico, vencê-la apenas de “cima para baixo”, isto é, consertando a mente e esperando que o restante conserte por conseguinte. No entanto, necessitamos de trabalhar em uma mão dupla: se tratamos apenas o físico e não cuidamos de nossa psique, as doenças reaparecerão com novas facetas, porém provenientes de uma mesma raiz.
Cada caso é um caso, cada ser humano é único, mas a experiência humana, em sua essência, é muito semelhante, de maneira que algumas diretrizes gerais costumam cair bem para quase todas as pessoas.
A vida guarda um mistério presente em todas as religiões e filosofias antigas: a generosidade, de coração, é a chave da felicidade. O homem se realiza quando aprende a abrir mão de si mesmo em nome de algo que está para além dele mesmo. Uma Ideia, um sonho, uma fé...
Estar alegre ou triste é uma questão de escolha. Você acorda de manhã e deve escolher como estará o seu humor. A vida nunca deixará de ter problemas e se esperamos que eles sumam para que sejamos felizes...
Aceite a vida. Se rejeitamos a ela, ela nos rejeitará e nunca descobriremos seus mistérios assim...
A saúde começa na mente. Mens sana in corpore sano!
Paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Iminente o fim do Império dos bancos suíços.


A MAIOR LAVANDERIA DE DINHEIRO DO MUNDO AMEAÇA FALIR !
A SUÍÇA ESTREMECE
ZURIQUE ALARMA-SE





Os belos bancos, elegantes, silenciosos de Basileia e Berna estão ofegantes. Poder-se-ia dizer que eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um moribundo. Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o segredo bancário suíço.
O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo com o presidente Obama.
O primeiro tiro de advertência foi dado na quarta-feira. A UBS - União de Bancos Suíços, gigantesca instituição bancária suíça viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes americanos por ela ajudados para fraudar o fisco. O banco protestou, mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos.
Os suíços, então, passaram os nomes.
E a vida bancária foi retomada tranquilamente. Mas, no fim da semana, o ataque foi retomado.
Desta vez os americanos golpearam forte, exigindo que a UBS forneça o nome dos seus 52.000 clientes titulares de contas ilegais!
O banco protestou.
A Suíça está temerosa.
O partido de extrema-direita, UDC (União Democrática do Centro), que detém um terço das cadeiras no Parlamento Federal, propõe que o segredo bancário seja inscrito e ancorado pela Constituição federal.
Mas como resistir?
A União de Bancos Suíços não pode perder sua licença nos EUA, pois é nesse país que aufere um terço dos seus benefícios. Um dos pilares da Suíça está sendo sacudido. O segredo bancário suíço não é coisa recente.
Esse dogma foi proclamado por uma lei de 1934, embora já existisse desde  1714.
No início do século 19, o escritor francês Chateaubriand escreveu que neutros nas grandes revoluções nos Estados que os rodeavam, os suíços enriqueceram à custa da desgraça alheia e fundaram os bancos em cima das calamidades humanas.
Acabar com o segredo bancário será uma catástrofe econômica. Para Hans Rudolf Merz, presidente da Confederação Helvética, uma falência da União de Bancos Suíços custaria 300 biliões de francos suíços ou 201 milhões de dólares. E não se trata apenas do UBS.
Toda a rede bancária do país funciona da mesma maneira.
O historiador suíço Jean Ziegler, que há mais de 30 anos denuncia a imoralidade helvética, estima que os banqueiros do país, amparados no segredo bancário, fazem frutificar três trilhões de dólares de fortunas privadas estrangeiras, sendo que os activos estrangeiros chamados institucionais, como os fundos de pensão, são nitidamente minoritários.
Ziegler acrescenta ainda que se calcula em 27% a parte da Suíça no conjunto dos mercados financeiros "offshore" do mundo, bem à frente de  Luxemburgo, Caribe ou o extremo Oriente.
Na Suíça, um pequeno país de 8 milhões de habitantes, 107 mil pessoas trabalham em bancos.
O manejo do dinheiro na Suíça, diz Ziegler, reveste-se de um carácter sacramental.
Guardar, recolher, contar, especular e ocultar o dinheiro, são todos actos que se revestem de uma majestade ontológica, que nenhuma palavra deve macular e realizam-se em silêncio e recolhimento...
Onde param as fortunas recolhidas pela Alemanha Nazi?
Onde estão as fortunas colossais de ditadores como Mobutu do Zaire, Eduardo dos Santos de Angola, dos Barões da droga Colombiana, Papa-Doc do Haiti, de Mugabe do Zimbabwe e da Máfia Russa?
Quantos actuais e ex-governantes, presidentes, ministros, reis e outros instalados no poder, até em cargos mais discretos como Presidentes de Municípios têm chorudas contas na Suíça?
Quantas ficam eternamente esquecidas na Suíça, congeladas, e quando os titulares das contas morrem ou caem da cadeira do poder, estas tornam-se impossíveis de alcançar pelos legítimos herdeiros ou pelos países que indevidamente espoliaram?
Porquê após a morte de Mobutu, os seus filhos nunca conseguiram entrar  na Suíça?
Tudo lá ficou para sempre e em segredo...
Agora surge um outro perigo, depois do duro golpe dos americanos.
Na mini cúpula europeia que se realizou em Berlim, (em preparação ao encontro do G-20 em Londres), França, Alemanha e Inglaterra (o que foi inesperado) chegaram a um acordo no sentido de sancionar os paraísos fiscais.
"Precisamos de uma lista daqueles que recusam a cooperação internacional", vociferou a chanceler Angela Merkel.
No domingo, o encarregado do departamento do Tesouro britânico Alistair Darling, apelou aos suíços para se ajustarem às leis fiscais e bancárias europeias.
Vale observar, contudo, que a Suíça não foi convidada para participar do G-20 de Londres, quando serão debatidas as sanções a serem adoptadas contra os paraísos fiscais.
Há muito tempo se deseja o fim do segredo bancário. Mas até agora, em  razão da prosperidade econômica mundial, todas as tentativas eram abortadas.
Hoje, estamos em crise.
Viva a crise!!!
Barack Obama, quando era senador, denunciou com perseverança a imoralidade desses remansos de paz para o dinheiro corrompido.
Hoje ele é presidente.
É preciso acrescentar que os Estados Unidos têm muitos defeitos, mas a fraude fiscal sempre foi considerada um dos crimes mais graves no país.
Nos anos 30, os americanos conseguiram caçar Al Capone.
Sob que pretexto?
Fraude fiscal !!!
Para muito breve, a queda do império financeiro suíço !

O carnaval do passado em Natal, segundo o "Le Grand" Petit.


10 + de Petit das Virgens

MARCOS SÁ DE PAULA 
DO NOVO JORNAL
NA DÉCADA DE 1960 Petit foi escolhido diretor do jornal mural de sua turma do Colégio Marista em Natal. Não imaginava então que em 1974 ele estaria cursando a primeira turma de jornalismo da UFRN. Cinco anos antes, já ensinava Inglês na extinta SCBEU – Sociedade Cuilktural Brasil-Estados Unidos, e seria ao mesmo tempo Orientador Pedagógico do Yazigi.
Foi professor de Inglês do Salesiano e de Português da turma de americanos do Corpo da Paz. Também ensinou Inglês aos cadetes da Base Aérea de Natal. Tinha diploma de proficiência em Inglês pela Universidade de Michigan e já tinha sido tradutor/intérprete do Navio Hospital Hope. Tinha decidido ser professor, mas o jornalismo o seduziu. Foi ser repórter do Diário de Natal e depois ganhou um concurso internacional de jornalismo. Foi o único jornalista do Brasil escolhido entre 48 participantes da América Latina. Trabalhou em vários meios de comunicação do Maine-EUA em 1986. Depois foi trabalhar na TV Tropical onde ficou até 1992 quando foi com sua mulher Margot Ferreira, passar uma temporada em Portugal. Hoje faz trabalhos esporádicos na área de marketing político e produção cultural. Como desde que se entende por gente foi fascinado pelo Carnaval, a coluna pediu para Petit enumerar as suas 10 maiores lembranças dessa festa que enlouquece grande parte dos brasileiros.
1 Matinée no Aero Clube - Em 1960, aos nove anos de idade, lembro como era o carnaval de Natal. Nessa época morava na Gonçalves Ledo. A Cidade Alta ainda era uma zona residencial. A chegada do carnaval era uma festa. Uma simples caminhada pela Rio Branco podia se ver caixas de lança perfume  amarradas em cordão girando ao vento nas cigarreiras. Meu pai comprava uma caixa com três lanças Rodouro. Uma pra cada dia. Eu ficava maravilhado com os blocos de sujo e seus papangus jogando água, talco, maizena etc. Era o famoso mela mela, uma festa inocente. À tarde, matinée no Aero Clube ao som da orquestra de frevo. Parecia um paraíso.A diversão preferida era  jogar confete, serpentina, lança perfume no cangote das meninas e arriscar um cheiro nelas. Às vezes, levava um tapa;
2 O pior Carnaval da minha vida - Aos 12 anos eu já estava maravilhado com o Carnaval e passava o ano todo esperando pelo próximo. O ano mágico de 1962 terminava em festa. Em novembro papai e mamãe comemoraram seus 25 anos de casados. A festa foi na nossa recém construída casa em estilo funcional no alto do Barro Vermelho. Era um sonho a casa com quintal, jardim e garagem. No entanto, 1963 começou mal para nossa família. Papai ficou doente sem diagnóstico preciso. O carnaval se aproximava e aumentava a esperança que ele ficasse logo bom. O caso foi complicando até a véspera de carnaval. Era sexta-feira, fim de tarde e eu chorando do Hospital São Lucas para casa ao som das orquestras dos blocos de alegoria que já invadiam as ruas do Tirol. No sábado de manhã, mais blocos e mais Carnaval. Nosso bloco, entretanto, era de tristeza. Nossa família e amigos formamos uma grande passeata partindo da Jaguarari até o Cemitério do Alecrim para deixar o nosso pai na última morada.
3 Os blocos de alegoria - Bons tempos em que assalto era apenas uma grande festa de carnaval. Até os anos setenta Natal ainda tinha muitos blocos de carnaval. Eram formados por grupos de amigos que economizavam durante o ano todo para poder pagar a jóia do bloco, comprar as fantasias e ainda sobrar algum dinheiro para a folia. Esses blocos já perto de seu fim foram apelidados de “Bloco de Elite” e faziam um tipo de carnaval diferente do resto Brasil. Geralmente tinham cerca de cem componentes. Alugava-se um trator e duas caçambas de carregar cana de açúcar e contratava-se uma orquestra de frevo para acompanhar a turma durante o dia todo até as 10 da noite quando iam para os bailes dos clubes tradicionais. O Aero Clube e o América disputavam quem fazia as melhores festas;
4 Carnaval a 25 graus abaixo de zero - Em novembro de 1971  eu e o amigo Fon (Afonso Lima) influenciados pelo movimento hippie, festival de Woodstock e o filme Sem Destino, resolvemos conhecer os Estados Unidos de carona. Na época, ninguém tinha feito ainda uma loucura dessas em Natal. Fui sem o consentimento de minha mãe, pois já era maior de idade. Foi uma grande aventura. Viajamos mais de vinte estados americanos e só tivemos alegria. Só uma coisa fazia com que a viagem não fosse perfeita: eu iria perder o carnaval de Natal. Lá não existe essa festa e nos dias de carnaval nós estávamos numa cidadezinha chamada Nevada, em Iowa em pleno inverno americano a 25 graus negativos. À noite, na hora de dormir eu só pensava no carnaval no Brasil. Matava a saudade ouvindo um radio de ondas curtas que transmitia ao vivo o carnaval do Rio de Janeiro;
5 O Cabação - Fui um dos fundadores do bloco Ressaka, assim com K mesmo. Na época era moda em Natal o C pelo K: Kasarão, Kasa disso Kasa daquilo, etc. As reuniões eram na casa de Ricardo Gomes, hoje conceituado ortopedista da cidade. Os cabeças do bloco eram Ricardo Bezerra (Destaque) e o biólogo Graco Viana entre outros. Participei de tudo, mas na hora de sair pra folia eu queria mesmo era tá na gandaia com fantasias improvisadas e irreverentes. Então eu e os amigos de uma turma mais velha alugamos um jipe para sair atrás dos blocos. Éramos eu, os irmãos Magela e Geraldo Bezerra, os irmão Domingos e Gerardo Guará, Dedé Galego e Baú além de outros que se agregavam ao jipe;
6 Meus dias de Governador - Em 1980 eu era o Chefe de Gabinete da Câmara Municipal a convite do então presidente, o saudoso vereador Érico Hackradt, grande folião. Também trabalhavam lá outros dois foliões que ficaram famosos em Natal: Tota Zerôncio, autor do sucesso “Meninos eu vim da lua”; e Severino Galvão, o eterno Rei Momo da oposição. Na sala da presidência tinha lá em numa gaveta uma foto oficial do então governador Lavoisier Maia. Érico disse: “essa foto é muito feia, parece uma máscara.” E eu perguntei: “posso ficar com ela pra sair no carnaval?” Ele disse que podia levar.  Na época eu tinha um Dodge Dart e logo vesti o terno, sentei no banco de trás e Geraldinho Galvão vestiu a roupa de motorista. Saímos visitando todos os bares de Natal. Foi uma grande presepada que podia ter dado uma cadeia, pois era época de ditadura. A sorte é que a polícia não sabia nem quem era o governador.
7 O bloco de anões e o super homem voando de verdade - Em 1994 fui para o meu primeiro carnaval em Olinda. Margot estava grávida da nossa filha Isabel, mas isso não foi empecilho para irmos conhecer a festa. Naquela época ainda tinha um camping num casarão com um terreno imenso todo arborizado e um riachinho no meio. Era ali na Rua Bom Sucesso vizinho a sede do bloco do Homem da Meia Noite. Nunca ri tanto na minha vida. Entre tantas presepadas a que mais me chamou atenção foi um bloco só de anões. Bem uns quinze, todos vestidos de palhaço. A princípio pensei que fossem crianças, mas ao me aproximar vi os caras de barba e bigode, etc. Outra  gaiatice impressionante era o bloco “Enquanto isso na Sala de Justiça” só de super heróis. O mais impressionante era a hora em que a multidão vai passando o Super Homem de mão em mão dando a impressão de que ele está voando;
8 Sargento me dê um cheiro - Certa vez numa manhã de carnaval a turma fazia uma farra grande. Todo mundo contando piadas e alguém conta aquela que tem um monte de recruta nu e o sargento chamando de um em um para saber se  alguém  tinha alguma doença venérea. Arregaça… desarregaça … O matuto no fim da fila pensava que era com ele e arregaçava e desarreegaçava toda vez que o sargento falava. Quando chegou a vez dele o matuto já não  aguentava  mais e disse “sargento me dê um cheiro”. À noite, Domingos Gurára depois do dia de farra ia se aproximando da sede do América em cima da calçada do quartel da polícia. Na época isso era proibido e o sentinela mandou ele descer da calçada. Aí ele lembrou da piada e  retrucou: Sargento me dê um cheiro”. Resultado: ficou preso no quartel mas foi solto logo em seguida intercedido pelo seu pai. Acontecimentos saudosos de uma Natal inocente e divertida;
9 A decadência do carnaval de Natal – A partir da década de setenta o carnaval de Natal começou a entrar em decadência. A crise do petróleo se instalou no mundo gerando a crise econômica. Até os ricos que davam grandes assaltos carnavalescos, festas caríssimas regadas a uísque escocês, decidiram “passar o carnaval na praia para  descansar”. De repente a cidade começou a ficar vazia enquanto iam se formando grandes carnavais nas praias de Pirangi, Redinha, Pitangui, Barra de Maxaranguape, etc. Eram carnavais baratos de brincar e superanimados. Um certo ano, foi tanta gente de Natal para Pitangui que o prefeito saiu num carro de som pedindo ao povo para voltar pra Natal pois já faltava água e comida na praia;
10 A resistência do carnaval natalense – Se alguém quer  descansar durante o carnaval o lugar perfeito é o centro da cidade. Pode armar uma rede na calçada pois é certeza não ouvir uma só buzina de carro. Pois é, o Carnaval de Natal acabou mas as festas pré carnavalescas ainda resistem.  A Banda da Ribeira, o Baile das Kengas e o da Confeitaria Atheneu, entre outros, ainda juntam muita gente para brincar o carnaval tradicional.  Hoje resistem grandes festas nos carnavais de Pirangi e Redinha além do de Macau e Caicó. Durante o carnaval  poucos  blocos saem. Entre eles o dos Poetas que também promove o carnaval de rua com fantasias e mascarados em Ponta Negra. Na redinha, o Baiacu na Vara e em Pirangi, a Banda do Cajueiro.

sábado, 18 de fevereiro de 2012


Criança saudável é criança que cresce
 Paulo Tarcísio Neto.

            De certa maneira, tal concepção é presente no inconsciente coletivo: criança saudável é criança gordinha. As coisas, na medicina, não são bem assim, aliás longe disso: aquelas “dobrinhas” que as avós adoram são uma bomba-relógio prestes a explodir em alguns anos. São as primeiras sementes de muitas doenças futuras.
            No entanto, não podemos cair no extremismo de querer que as crianças sejam magrinhas como as modelos. Como tudo na vida, existe um “caminho do meio”, um equilíbrio que devemos seguir. O que não se pode perder de vista num exame pediátrico é que criança saudável é criança que cresce.
            Trata-se de um marcador fundamental no acompanhamento de qualquer criança. Do mesmo jeito que quando uma pessoa tem febre é muito provável que ela tenha uma infecção, se uma criança não cresce da maneira como se esperava, é bem provável que exista algo errado.
            Daí ser tão fundamental visitas regulares ao pediatra ou ao médico da família. Se você me perguntasse se seu filho de quatro anos e um metro de altura é ou não saudável eu responderia que não sei. Como ele estava a um mês atrás? Como ele estava há seis meses? É necessário um seguimentorotineiro para que se possa tirar alguma conclusão.
            A importância disso é que muitas doenças podem ser precocemente diagnosticadas e, portanto, precocemente tratadas e curadas, podendo-se evitar que aquela criança leve seqüelas para toda a vida. Se um adulto tem febre, inicio uma investigação para descobrir qual o foco daquela provável infecção; se uma criança não cresce, o pediatra ou médico da família logo se pergunta: o que está errado? Iniciando uma investigação que perpassa desde os aspectos alimentares até possíveis doenças físicas e sociais.
            Logicamente, como tudo em medicina, há exceções a essa regra que só um pediatra ou médico da família podem identificar. Cada criança tem o que se chama de um “canal de crescimento” que é aquilo que ela pode crescer se tudo correr bem na sua infância. O papel dos pais, com o auxílio dos profissionais de saúde, é garantir que a criança desenvolva o máximo de seu potencial nessa vida, física, psíquica e moralmente. 

Paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Capas, galochas e blusões na folia de Caicó?


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
E haja chuva no Carnaval de Caicó!
Carnaval traz a chuva para Caicó; chove há duas horas
Mantendo a tradição do 'Carnaval Chuvoso", a chuva resolveu dar o ar da graça nesta quinta-feira em Caicó. Por volta das 21h00 os primeiros sinais já eram percebidos no Complexo Turístico Ilha de Sant'Ana e em vários pontos da cidade. A chuva já dura mais de duas horas, e pela intensidade, a previsão é de que a segunda noite de folia seja marcada pela precipitação pluviométrica.
Os meteorologistas da Emparn preveem precipitações durante os quatro primeiros meses de 2012. Acho que agora é pra valer. Haja chuva no Carnaval de Caicó! [por Gláucia Lima em seu blog]


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Americanos e a Al Qaeda estão juntos na Síria.

Obama e Al Qaeda estão do mesmo lado e apoiam oposição armada a Assad na Síria.
 no twitter @gugachacra
Gustavo Chacra - O Estado de S. Paulo. - 16.02.2012.

Veja como funciona o novo sistema de comentários dos blogs do Estadão.com.br

Os Estados Unidos e a Al Qaeda estão do mesmo lado na Síria. Não que seja o errado. Mas não deixa de ser irônico que Washington e a rede terrorista compartam os mesmos interesses no conflito que opõe Bashar al Assad e a oposição.

Esta será a terceira vez que os EUA e os integrantes da rede terrorista adotam a mesma posição. A primeira, claro, foi no Afeganistão, nos anos 1980. Na época, o nome Al Qaeda ainda não existia. Diante de um governo aliado da União Soviética, os americanos treinaram e armaram os mujahedin e integrantes do Taleban. Uma década mais tarde, o Taleban, tratando as mulheres como lixo, dava guarida à Al Qaeda, composta por mujahedins como Bin Laden, que estiveram ligados ao 11 de Setembro.

Em 1991, os EUA lançaram uma guerra para expulsar as forças de Saddam Hussein do Kuwait. George Bush, o pai, evitou os erros de Ronald Reagan e não derrubou o regime e tampouco aceitou o apoio dos mujahedin, que eram inimigos radicais do regime de Bagdá. Uma década mais tarde, o ditador iraquiano era um “pato manco”, como dizem nos EUA, sem poder algum. Mas o Bush filho decidiu derrubá-lo e hoje o governo é o principal (isso mesmo) aliado de Teerã, maior inimigo dos americanos.

Desta vez, a administração de Barack Obama quer a queda de Assad. A Al Qaeda, também, afinal o governo sírio é o mais secular do mundo árabe, sendo tolerante com homossexuais, drogas, bebidas e proibindo, até pouco tempo atrás, que mulheres cobrissem a cabeça com o véu em prédios públicos. A rede terrorista estaria por trás de atentados contra o regime em Damasco e Aleppo. Cada vez mais, membros das milícias opositores se aliam aos herdeiros de Bin Laden. Seu sucessor, Ayman al Zawahiri, declarou apoio à oposição em Homs.

Mas, insisto, a Al Qaeda estar apoiando os opositores não significa que o movimento anti-Assad esteja errado. Apenas serve de advertência para os EUA. Na Líbia, bandeiras da rede terrorista são hasteadas em instituições governamentais. As armas também aos poucos passam para simpatizantes da organização de Bin Laden, que ocuparam o espaço de um regime derrubado justamente pela OTAN.

Na verdade, o maior inimigo dos EUA é o Irã. E, da Al Qaeda, também.

Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacio

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Eita! Ricardo Teixeira vai deixar a CBF! Acreditas?

  • Nota: Hoje, 18, confirmado pela CBF de que Ricardo Teixeira voltará ao cargo após o carnaval, pondo fim as especulações sobre a sua saída..
Ricardo Teixeira está em sua casa, onde recebeu a filha Joana Havelange, diretora-executiva do COL, o homem de compras do comitê, o cunhado Leonardo Wigand e despacha com seu secretário particular Alexandre Silveira.
O cartola também não irá à CBF amanhã.
Sua renúncia será publicada no portal da CBF.
Em seguida, viajará.
Entre as inúmeras plantações de notícias, comuns em momentos como este, duas são risíveis:
1. a de que ele renunciará por causa da reportagem da “Folha de S.Paulo” (leia), como se ele pudesse saber desde a semana passada que a matéria seria publicada hoje, coisa que nem o jornal sabia;
2. a de que ele não renunciará para não dar razão aos que informaram antecipadamente a sua saída.
Há, também, a hipótese de ele se licenciar para não entregar a presidência definitivamente para José Maria Marin, mas escolher Fernando Sarney.
Ou seja com ele, com Marin ou com Sarney não mudaria nem a mosca.
ATENÇÃO/ATUALIZAÇÃO (22h35): Notícia de Brasília dá conta de que Dilma Rousseff vê com bons olhos que Ronaldo Nazário substitua Teixeira no COL, mesmo que interinamente.