segunda-feira, 21 de maio de 2012


O URUBU E COLIBRI
                                                                                                                                                             


      Públio José – jornalista
(publiojose@gmail.com)

OBS: Qualquer semelhança com a realidade política, jurídica e parlamentar brasileira, não é mera coincidência.


                            Conta a fábula que o colibri morria de inveja do urubu. Acostumado a voar em baixas altitudes, via o urubu ganhar o espaço em longo bater de asas, desafiar grandes distâncias, planar sereno sobre montes, montanhas, conviver na companhia de brancas nuvens. “Como é majestoso o vôo do urubu”, pensava, diante da insignificância do contexto em que vivia. Parado, ficava a imaginar a beleza dos cenários, a diversidade geográfica, a imensidão dos espaços observados do alto. Olhava para si e se via pequeno, frágil, impotente pela diminuta estrutura corporal que carregava. “Como alcançar grandes altitudes, conhecer novos horizontes, almejar ter uma visão larga do mundo sendo tão pequeno?”, se indagava. Perguntas, perguntas e mais perguntas. E quase nenhuma resposta para apascentar a sua angústia interior. De fato, de concreto mesmo, só a tristeza pela distância que o separava do urubu.
                        Acalentava um grande desejo de, um dia, conhecer de perto tão fascinante personagem. “Ah, pensava, quantas histórias bonitas o urubu terá para me contar, quantas pessoas interessantes ele deverá ter conhecido como fruto de suas exuberantes expedições aéreas”. Enquanto cuidava da casa, do seu exasperante dia-a-dia, o colibri remoia uma vontade enorme de travar conhecimento com o urubu, de vê-lo de perto diante dos olhos. Mexe daqui, indaga dali, tenta dacolá, terminou conseguindo marcar uma audiência com o importante viajor dos altos ares. O urubu recebeu-o entediado. “O que quererá comigo ave tão insignificante? Porventura pensa que posso ficar aqui perdendo tempo com as bobagens que, com certeza, me trará? Esse povo miúdo abusa da nossa educação, da nossa boa vontade. Afinal, receber colibri para tratar de quê? Colibri, bahhhh!”
                        Indiferente ao clima abusado que iria encontrar, o colibri antegozava a grande conquista. E se preparava para o dia do grande encontro. Que durou poucos minutos. Após manifestar a sua admiração por tão grande deferência, o colibri não deu nem tempo ao urubu de raciocinar. Sapecou-lhe um convite para almoçar em sua casa. Sem ter outra resposta em mente, o urubu aceitou. Agendaram o futuro compromisso para dali a quinze dias. O urubu bateu suas grandes asas e se foi. O colibri ficou embasbacado. Deu-se umas beliscadas para ter certeza de que não estivera sonhando e voltou para casa – saltitante. Passada a euforia inicial, uma coisa lhe chamou a atenção: o mau cheiro que exalava do urubu. “Seria dele próprio ou fruto de uma coincidência? Ah, certamente algum animal morto por perto fizera aquela descortesia”. Pediria desculpas ao visitante no dia do almoço – conformou-se.
                        O preparo da refeição lhe deixou afogueado. Pesquisou as mais finas iguarias, os repastos mais saborosos. Com rigor planejou sua agenda para que nada atrapalhasse tão esperado momento. Mas malditas das malditas desgraças!!!! Ao acordar naquele dia encontrou o corpo de um burro morto, putrefato, em frente à sua casa. O fedor era insuportável, nauseabundo. Tentou de todas as maneiras resolver a questão. Chamou o serviço municipal de limpeza, ensaiou um mutirão com outros habitantes do bairro. Não houve jeito. A hora se aproximava e o cadáver do burro permanecia lá, inamovível, impregnando a região com um odor terrível. O urubu chegou e – interessante – nem reclamou do forte mau cheiro, enquanto o colibri se desculpava e se esmerava nos salamaleques. Para piorar a situação, nada agradava ao ilustre convidado. O urubu rejeitava as iguarias e os manjares postos à sua frente.
                        Aflito, o colibri pediu licença ao urubu e internou-se na cozinha para tentar um novo prato. Perdeu tempo na nova empreitada. Quando deu por si imperava na casa um grande silêncio. “Onde estará o visitante?”, afligiu-se mais ainda. Procura, procura e nada. “Vergonha, vexame! Com certeza ele foi embora”. O colibri não se perdoava a afronta feita ao urubu – e lastimava a amizade perdida. Desalentado, deu uma chegadinha no terraço da casa. Qual não foi sua surpresa ao flagrar o urubu inclinado sobre o burro morto, refestelando-se com a carniça fedorenta, engolindo, com sofreguidão, nacos e mais nacos do corpo do finado animal. Estupefato – e impotente – o colibri a tudo assistia. Terminada a refeição o urubu bateu suas longas asas e alçou vôo. Do colibri nem se despediu. Como herança deixou apenas uma forte fedentina no ar. E foi curtir a podre refeição na imensidão azul celeste.  
  
Pneumonias

       Todas as vezes que surge uma nova terapia de qualquer natureza que
seja e que se propõe a ser uma panaceia, isto é, a cura definitiva de
inúmeras patologias ao mesmo tempo, sempre fico com uma pulga atrás da
orelha. Por mais “lógico” que pareça, a evolução da ciência não se
baseia numa lógica observacional pura – as teorias necessitam de ser
postas em provas para que sejam confirmadas, ou não.
       Digo isso pois com o surgimento dos antibióticos alguns séculos
atrás, imaginou-se que dentro de alguns anos as doenças
infecto-contagiosas deixariam de existir. Acreditou-se nisso e, no
entanto, somente aqueles que ficaram vivos para ver constataram que
não foi isso que aconteceu. Só existe um método capaz de erradicar
doenças infecciosas: as vacinas. Não contávamos, décadas atrás, com a
astúcia das bactérias em criarem mecanismos de resistência contra os
antibióticos chegando a extremos que não temos o que fazer contra
elas!
       As pneumonias são um bom exemplo disso. Velhas conhecidas da
alopatia, tratam-se de patologias mediadas por uma bactéria, sendo a
mais comum delas o “pneumococo” na faixa etária adulta. Em todos nós,
seres humanos, bactérias vivem sem geralmente provocarem problema
algum na chamada microbiota– na verdade muitas vezes auxiliando em
nossa defesa. Misteriosamente, uma importante parcela da população
convive com o pneumococo em sua microbiota sem, no entanto,
desenvolverem doenças por muitos anos. Sabemos hoje que não basta um
“germe” para que uma doença se desenvolva, sendo também necessário o
terreno fértil para que ele “germine”.
       Como não temos o poder de atuar no “terreno”, isto é, na psique das
pessoas evitando que elas desenvolvam as doenças, atuamos nos
“germes”. Num adulto normal, as pneumonias costumam se manifestar com
febre, tosse cheia com secreção amarelada ou esverdeada, dor quando se
respira profundamente e um Rx e exame de sangue sugestivos, embora
esses exames não sejam necessários para que se dê o diagnóstico da
doença. Isso é o quadro típico num adulto normal. Crianças, idosos e
portadores de doenças como AIDS e câncer podem apresentar um quadro
completamente diferente e até mesmo jovens saudáveis podem
apresentar-se de maneira atípica. Só uma boa avaliação médica pode nos
dar o diagnóstico.
       O tratamento das pneumonias e com antibióticos e com medicações para
a febre. Ressalto, no entanto, que é fundamental que se faça todo o
tratamento prescrito pelo médico mesmo que você já se “sinta bem”. Não
gostamos de passar remédio e quando o assunto é antibiótico, menos
ainda. A interrupção do tratamento pela metade pode ajudar a criar
populações de bactérias resistentes aos antibióticos que temos até que
não tenhamos com que tratá-las.  À medida que se iniciarem as chuvas,
mais e mais doenças respiratórias surgirão. Na dúvida, procure seu
médico e se for confirmada a pneumonia, tome a medicação até o final.
O que “ofende” é não seguir o que está na receita.

paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN
Paulo_tarcisio@hotmail.com

sábado, 19 de maio de 2012

FICHA LIMPA, AMPLA E IRRESTRITA
Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor

A Democracia brasileira, embora com passos lentos, vem caminhando na direção de melhorar o conceito ético da administração pública.

O primeiro passo aconteceu com a aprovação da Lei Complementar nº 135, de 2010, que deu nova conformação à Lei Complementar nº 64, de 1990, a qual ganhou polêmica quanto ao tempo de sua aplicabilidade.

Um segundo passo, ocorreu quando o Supremo Tribunal Federal deliberou sobre a sua constitucionalidade e aplicação já para as próximas eleições municipais, o que aconteceu na sessão histórica do dia 16 de fevereiro do ano em curso.

Com a introdução do novo preceito, ficam alijados da política, por oito anos,aqueles políticos que ardilosamente renunciaram os seus mandatos, quando acossados com processos éticos ou foram condenados por órgãos colegiados da Justiça ou equivalentes, vale dizer, em decisão de segunda instância, apesar da relutância de alguns, de que tal decisão afrontaria o princípio da presunção de inocência.

Deixando à margem a interpretação jurídica, em meu sentir, o preceito legal veio ao encontro dos anseios da sociedade no instante em que caracteriza o combate às posturas deletérias que, seguidamente, são praticadas na política brasileira, reforçando a busca da lisura das eleições e legitimidade do mandato. Aliás, não esquecer, que essa LC teve a iniciativa popular.

Está, assim,consagrada a ideia da “Ficha Limpa”, em sua amplitude espacial e de maneira irrestrita no campo do Poder Legislativo.

Contudo, o regramento ético carece de ampliar os seus efeitos, pois não e incomum, que os derrotados nas urnas ou impedidos de exercer mandatos, procurem sustentabilidade de poder na condição de integrantes da gestão executiva, ocupando cargos comissionados de primeiro escalão e demais, notadamente Secretários de Estado e dos Municípios.

Em Natal, porém, essa tertúlia está com os seus dias contados, salvo se houver veto da Prefeita, pois a Câmara Municipal aprovou o projeto de lei da autoria do Vereador George Câmara, proibindo nomeação para tais cargos, de pessoas que tenham condenação, na mesma sistemática já consagrada na decisão do Supremo.

Assim, o natalense já possui o alento de saber que a partir das eleições deste ano, não poderão se candidatar aqueles que tiveram as suas contas reprovadas, ou que praticaram crimes, como lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, dilapidação do patrimônio público ou outro ato enquadrado como de improbidade administrativa, corrupção eleitoral ou conduta incompatível com a moralidade pública.

No entanto, é fundamental que os Chefes dos Poderes fiquem atentos para a escolha dos seus auxiliares, exigindo deles, igualmente, “ficha limpa”, pois do contrário poderão ser responsabilizados pela escolha equivocada e, por isso, processados por improbidade, a se deduzir dos dizeres do projeto aprovado, que alcança os que tenham abusado do poder político ou econômico para beneficio próprio ou de outras pessoas.

A Prefeita de Natal tem em suas mãos um instrumento de moralidade. A sociedade aguarda a sua decisão! E o Legislativo Estadual ficará omisso?


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Investigação policial é trabalho de equipe.

Este artigo foi republicado na p.19 do Diário de Natal, na edição de hoje, 18.05.2012. Por julgar oportuno, tendo em vista a rápida elucidação do bárbaro crime ocorrido em Nova Parnamirim/Parnamirim/RN, onde um jardineiro matou duas mulheres (mãe e filha), decidi republicá-lo neste blogue.


Colunas

Edição de sexta-feira, 6 de abril de 2012 








Investigação científica



Adalberto Targino



Um dos objetivos mais elogiáveis daqueles que são autênticos e despretenciosos policiais é, creio, o trabalho integrado e científico visando à elucidação de crimes. Cada Delegado ou Perito Criminal deve considerar-se integrante de uma equipe que busca a solução de problemas resultantes de atos e fatos criminosos, após haver elaborado um plano racional de trabalho. Da mesma forma o mútuo reconhecimento e compreensão dos óbices existentes constituem as bases de uma eficaz aliança para os serviços de investigação.

Essa tarefa policial não poderá surtir efeito, caso seja realizada por pessoas leigas, utilizando-se de métodos empíricos, pois, "a elucidação científica do crime é um serviço que exige atividade integral do indivíduo e que requer um completo preparo científico universitário".

Com exceção de poucas cidades grandes e Estados, a investigação científica criminal não é aplicada em escala adequada às mais simples necessidades. Em muitos lugares do Brasil é literalmente verdadeiro que se pode "levar a melhor como bandido". A prova material recente, como mancha de sangue, pêlos, saliva, impressões digitais, plantares e outros indícios, torna-se totalmente inútil na ausência de pessoal de Polícia especialmente treinado.

O fracasso na aplicação da ciência em larga escala, no campo da investigação criminal, pode se atribuir a muitas causas. As principais entre elas talvez seja a impossibilidade da Polícia atrair pessoas com seu baixíssimo salário e, ainda, a ausência de ampla literatura sistemática dedicada ao assunto.



Bem poucos policiais graduados sabem além do direito puro e simples, pois jamais tiveram, em larga escala bibliotecas especializadas de livros relacionados com Administração Policial, Investigação Criminal Científica, Técnicas de Operações e Planejamento Policial, Papiloscopia, Criminalística, Relações Humanas na Polícia, Técnica de Interrogatório e outras tantas disciplinas indispensáveis ao desempenho da dificílima missão policial investigatória; daí, resultandouma visão nublada, embotada e distorcida dos problemas com que se defrontam.

É necessária e inadiável a atualização, em âmbito nacional, da Polícia Judiciária e que esta, como responsável pela execução das Leis, empregue a ciência, com igual zelo, tanto para inocentar, como para culpar o acusado, dependendo das provas carreados para o interior dos autos.

A Polícia é instrumento de defesa social e, para a sociedade, o infortúnio não está apenas na possibilidade de o criminoso continuar impune, mas, principalmente no perigo de um inocente ser condenado por erro ou ignorância da Polícia, cujo trabalho serve de norte e de base à propositura da denúncia criminal pelo Ministério Público à sentença judicial.

Todos devem se conscientizar que para ser um bom policial não basta saber atirar bem e ter músculos fortes; é preciso que, além dessas qualidades, angariem-se conhecimentos técnico-científicos, equilíbrio interior, serenidade, censo de justiça e aprimoramento intelectual crescente e constante.



Não basta ter coragem suicida e se julgar o dono da verdade. É necessário e até indeclinável ter muita coragem, porém, sempre conhecendo as possíveis falhas na execução de suas tarefas, não subestimando nem superestimando a força de reação dos inimigos da Lei e usando mais o cérebro, a inteligência do que a força bruta desordenada e primitiva. Afinal, nos dias atuais, já não se faz investigação como antigamente, sob pena de ser suplantado ou driblado pela engenhosidade do crime organizado.



Adalberto Targino, procurador do Estado, ex-promotor de Justiça e membro da Sociedade Brasileira de Direito Criminal, colabora às sextas-feiras.

Fonte: Diário de Natal.

Polícia Civil apreende arsenal em Caraúbas e Umarizal

Publicação: 18 de Maio de 2012 às 07:17


A Polícia Civil apreendeu armas e munições em Umarizal e no sítio Santo Francisco, em Caraúbas, nesta quinta-feira (17). Os locais onde o material foi encontrado pertencem a familiares Paulo Santhiago Sales, suspeito de vários roubos e homicídios em Umarizal e região Oeste do Estado. Paulo Santhiago é apontado pela polícia como comparsa do criminoso João da Besta.

Nos dois pontos, a polícia apreendeu: um fuzil calibre 7mm de fabricação alemã; um rifle Winchester calibre .44; uma espingarda calibre 12, uma espingarda calibre 32; um revólver calibre 38; 18 munições intactas calibre 7mm; seis munições intactas calibre 12; duas munições intactas calibre 44; seis munições intactas calibre 38; três munições intactas calibre 7,62mm; uma munição intacta calibre .30; uma munição intacta calibre 32; quatro estojos de munição deflagrada calibre 44; três estojos de munição deflagrada calibre 7mm; 17 estojos de munição deflagrada calibre 12; oito estojos de munição deflagrada calibre 38; 21 espoletas nº 05; e 47 Espoletas nº 56.

O delegado Odilon Teodósio e a delegada Karen de Caraúbas estiveram à frente das buscas e apreensões.

* Fonte: Degepol.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Como gostar de ler?


Cartaz/divulgação – clique para ampliar
Um encontro para incentivar o gosto pela leitura. De 21 a 25 de maio, o Sistema Fecomércio/RN, por meio do SESC, realiza mais um Encontro com Autor, projeto que discute, promove e dissemina o trabalho de autores locais e nacionais junto a estudantes e à população potiguar.

A programação gratuita e dinâmica acontece em horários variados no SESC Potilândia, e ainda em escolas, faculdades, na Casa da Ribeira, no Nalva Melo Café Salão e na Câmara Municipal.

Na edição deste ano, o grande parceiro do projeto é o selo Jovens Escribas, com a integração do seu “Ação Leitura”. Em junho, a instituição pretende levar o projeto também para Mossoró e Caicó.

Convidados

Para participar das conversas, foram convidados autores potiguares, como Carlos Fialho, Clotilde Tavares e Carito, e nacionais, como Fabrício Carpinejar (RS), Ana Elisa Ribeiro (MG) e Marcelino Freire (PE). Doze autores ao todo farão intercâmbios de conhecimento por meio de oficinas, debates e palestras. Toda a programação do evento está disponível no hotsite http://jovensescribas.com.br/acaoleitura2012/. Além dessas ações, os autores doarão seus livros nas instituições de ensino visitadas, para serem trabalhados pelos professores.

Outro atrativo do projeto será a presença, nas escolas e faculdades que sediam os encontros, da BiblioSESC. A biblioteca itinerante oferecerá gratuitamente –  como já o faz durante todo o ano nos bairros e presídios de Natal – consulta e empréstimo de livros, jornais e revistas. É mais uma forma de estimular alunos e a comunidade em geral a se aproximar do mundo da leitura.

Serviço:

O quê? Projeto Encontro com o Autor, em parceria com o Jovens Escribas
Quando? De 21 a 25 de maio, em horários variados
Onde? SESC Potilândia, Escolas, faculdades, Câmara Municipal, Nalva Melo Café Salão e Casa da Ribeira
ENTRADA GRATUITA

Programação


De segunda (21/05) a sexta (25/05), os autores conversam com estudantes de ensino fundamental e médio. À noite, estarão nas universidades, batendo papo com alunos de cursos superiores. Os eventos serão gratuitos e abertos ao público interessado.

A escritora e professora Ana Elisa Ribeiro (MG) ministrará uma oficina de escrita de crônicas na UnP da Floriano Peixoto. Será de 23/05 a 25/05, das 15h às 17h. São 25 vagas abertas a todos, independente da instituição onde estudem. As inscrições acontecem pelo e-mail jovensescribas@gmail.com.

O Encontro com o Autor também colocará Natal na rota dos lançamentos literários nacionais: serão realizados dois eventos de lançamento durante a semana do evento. Na quinta-feira (24/05), às 19h, o Nalva Café Salão, na Ribeira, receberá a poeta e artista plástica Eveline Gomes (Sinhá), que lançará em Natal seu livro de estreia “Devolva Meu Lado de Dentro”. Também no Café Salão, na sexta-feira (25/05), ocorrerá o evento de encerramento “Lançamentão”. Diversos autores amigos serão convidados a relançarem seus livros, num grande encontro entre autores e leitores.




Assessoria de Comunicação do SESC RN


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN em 5/15/2012 09:07:00 PM

domingo, 13 de maio de 2012

Correções no livro sobre os "Moura"e "Raposo da Câmara".










Todo livro permite a contingência de equívocos e omissões, notadamente quando se trata de uma obra de genealogia.
Tive a grande satisfação de comparecer ao lançamento do livro "MOURA e RAPOSO DA CÂMARA NO RIO GRANDE DO NORTE-Ascendência & Descendência: Colônia, Império, Regência e República", excelente trabalho da autoria do Engenheiro MARCO AURÉLIO DA CÂMARA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, filho do meu saudoso Professor FLORIANO CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE.
Pois bem, após fazer a sua leitura, deparei-me, na página 326, com alguns dados que merecem reparo: o autor, ao mencionar o meu avô Jerônimo Xavier, informa que o mesmo gerou, com D. Aline Albuquerque Maranhão uma prole de quatro filhos. Contudo enumera somente três - Lígia, minha mãe, e as tias Elza e Maria de Lurdes, esquecendo da quarta, Maria da Cruz, ou "Cruzinha", que foi casada com João Batista, com quem teve as filhas Maria das Graças e Maria de Fátima.
Quando menciona os filhos de Lígia, na verdade, Maria Lígia, relacionou os filhos gerados com o Desembargador José Gomes da Costa, omitindo outros dois filhos que faleceram em tenra idade: Therezinha e João e, ao mencionar o meu nome o faz como Carlos Alberto, quanto na verdade sou Carlos Roberto e tenho um filho e um neto com o mesmo nome.
Completa a retificação e o acréscimo, gostaria de apresentar uma homenagem que fiz ao Desembargador e Professor Floriano Cavalcanti de Albuquerque, que não foi referida no livro, embora publicada na Revista UnP/Jurídica v.2, n.1, de jan/jun.2000. Eis o texto:
___________________________________________________?

FLORIANO CAVALCANTI, o filósofo da Província

?A federalização da magistratura, unificada e regida por uma lei única de organização judiciária, é imperativo da evolução político-jurídica brasileira. Não se compreende mais o pluralismo da Constituição de 1891. Talvez que àquele tempo se justificasse, em virtude mesmo da passagem brusca do unitarismo imperial para o federalismo republicano. Seria uma transição de regime. Mas hoje, que passou a obsessão descentralizadora, em que tanto o direito material como o formal, ali atribuídos, separadamente, um à União e o outro aos estados-membros, já são da exclusividade da União, não há mais lugar para essa dualidade de justiças, com juízes federais e estaduais, e multiplicidade de organizações judiciárias, que dão antes a impressão de uma Confederação de Estados do que de uma Federação.?

Essa arrojada tese, apresentada à II Conferência Nacional de Desembargadores, realizada em Salvador-Bahia, no ano de 1962, já denotava o avanço na busca da Justiça ideal, que tinha uma justificação jurídico-filosófica, assim posta:

?... o argumento que ainda se repete contra a unidade da Justiça, é o de uma pretensa incompatibilidade com o regime federativo. Derivaria do falso conceito da escola de CALHOUN, de uma soberania dupla, que não encontra mais guarida nem mesmo nos Estados Unidos da América do Norte, donde foi transplantado. Já não se confunde mais soberania com autonomia, por ser a summa potestas do Estado independente, una e indivisível. Numa federação, que se caracteriza pela união de Estados, pertence, exclusivamente, ao Estado síntese, e não aos Estados-membros, que são apenas autônomos. Logo, nenhuma incompatibilidade no fato de ser a Justiça uma só, no Estado federado, máxime quando já se acha unificado todo o Direito, quer substantivo, quer adjetivo.?

Esta é uma singela prova da exuberância do conhecimento do nosso homenageado, Paraense de Belém, nascido no crepúsculo do Século XIX, aos 10 de dezembro de 1895, FLORIANO CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, filho do casal Capitão Pedro Cavalcanti de Albuquerque e Eulália Cavalcanti de Albuquerque, seria na Província de Natal o seu mais festejado filósofo, apontado como paradigma de cultura no nosso Estado, transpondo nossos limites nas regiões Norte e Nordeste deste imenso Brasil.

Após estudos regulares, obteve o grau de Bacharel pela tradicional Faculdade de Direito do Recife - 1918, sob o clamor ainda, das Polêmicas de Tobias Barreto, dos poemas de Castro Alves e das discussões civilistas que geraram o Código Civil brasileiro, na doutrinação imorredoura de Clóvis Beviláqua e Ruy Barbosa.

Seu talento logo se faria presente, quando obteve o laurel de Professor de Lógica, Fisiopsicologia e História da Filosofia do Atheneu Norteriograndense, em 1919 e no mesmo ano, Catedrático de História Universal. Chegou a dirigir a Escola de Aprendizes Artífices, instituição exemplar, ainda hoje reconhecida e consagrada - atual CEFET.

Como todo idealista, passou pela política na condição de Deputado Estadual no período 1925/1928 e na Constituinte de 1926, chegando a comandar o Partido Republicano de 1925 a 1929.

Seu pendor pelas letras jurídicas o fez ingressar na Magistratura em 1930, iniciando pela longínqua Comarca de Pau dos Ferros, removido em 1931 para Canguaretama (Penha) e em 1934 promovido para Natal, onde assumiu a 1ª Vara.

Foi Juiz do Estado de Sítio - de fevereiro de 1935 a março de 1936.

Em junho de 1941 nomeado Desembargador do nosso Tribunal de Justiça, empossado em 14 de junho, de onde viria a ser Presidente em 8 de dezembro de 1954 e, como membro do Tribunal Regional Eleitoral, onde ocupou todos os cargos daquela Corte Especial - Corregedor, Vice-Presidente e Presidente em novembro de 1946. A propósito, presidiu a reabertura desse Tribunal por força do Decreto nº 7.586, de 28 de maio de 1945, na histórica sessão do dia 12 de junho do mesmo ano, pelas 14 horas, no Plenário do Tribunal de Justiça, em substituição ao Desembargador Miguel Seabra Fagundes, que se encontrava em viagem oficial à então Capital da República, registrando-se as presenças dos eminentes juristas Eurico Soares Montenegro, Carlos Augusto Caldas da Silva, José Áureo Lins Bahia e Raimundo Macedo, na condição de Procurador Regional Eleitoral, tendo como Secretário da reunião o Bacharel Carlos Roberto de Oliveira. Aposentou-se para viabilizar sua candidatura a Governador do Estado pelas Oposições Coligadas, período de apaixonada campanha política, da qual não logrou êxito, retornando à Magistratura, uma vez que anulada sua aposentadoria, prestando novo compromisso em 30 de janeiro de 1951, retomando o brilhantismo dos seus votos, como já o fizera nas sentenças, quando juízo monocrático.

Pelo seu reconhecido saber, foi o 1º Titular da Cátedra de Introdução à Ciência do Direito da tradicional Faculdade da Ribeira, da qual foi Diretor em 11 de novembro de 1950 e ali lecionou até 1965. As suas aulas eram repletas de assistentes, inclusive de outras turmas, sempre terminando sob aplausos, mercê da constante empolgação com que ministrava suas lições - ?Quem desconhece a filosofia não poderá ter alcance dos vôos cosmológicos dos condores, mas apenas dos rasteiros dos galináceos?.

Conferencista requisitado, deixou várias peças escritas de inestimável valor, entre as quais os seus biógrafos registram algumas:

Antônio Marinho e o seu tempo (discurso sobre o patrono da cadeira 21, que assumiu na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras);
Amaro Cavalcanti, o homem e o jurista;
Clóvis Beviláqua e sua concepção jurídico-filosófica;
Nacionalização da Justiça;
Caxias, o estadista-soldado;
Pessimismo sob o conceito universal;
Juizes e Advogados;
Da responsabilidade civil do Estado;
Rui Barbosa e a necessidade do Culto Cívico;
Silvio Romero, o crítico, o filósofo e o jurista;
O juiz e a importância de sua missão;
A concepção filosófica da história;
Tobias Barreto e a Escola do Recife;
Farias Brito e sua influência espiritualista.

O homenageado pertenceu à Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte, a qual presidiu em 1954, foi da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Diretor da Revista do Tribunal de Justiça em 1955.

Seu falecimento ocorreu nesta Capital em 7 de outubro de 1973, aos 78 anos de idade, quando ainda gozava de lucidez e muito tinha a doar de sua invejável inteligência, incontestavelmente empobrecendo o Estado que, de coração nomeou como seu e preserva a sua memória.

Sua importância para o Rio Grande do Norte bem se pode aquilatar, quando foi biografado pelos potiguares de maior realce deste Século:

LUÍS DA CÂMARA CASCUDO, assim proclamou o nosso homenageado: ?Magistrado, filósofo, sociólogo, político, advogado, orador, conferencista, professor.? (discurso proferido em 23/3/1950 - ANL);

OTTO DE BRITO GUERRA: ?Ressaltou a sua integridade de magistrado e à fé cristã, repudiando o materialismo estéril, onde o Sermão da Montanha era seu livro de cabeceira.? (discurso proferido em 1974);

JOÃO MEDEIROS FILHO (também potiguar por adoção): ?Seus estudos jurídicos, em linguagem escorreita, denunciam o profundo conhecedor da Ciência do Direito. Proferiu sentenças que, a par dos aspectos dogmáticos, da pesquisa teórica e da formulação das doutrinas, revelam a segurança do sociólogo na observação dos fatos.? (livro Contribuição à História Intelectual do Rio Grande do Norte, Natal, 1983);

Seu mais recente biógrafo é o jovem EDUARDO ANTÔNIO GOSSON, no livro Sociedade e Justiça. Natal, DEI, 1998.

Não poderia deixar de enaltecer a lembrança da Universidade Potiguar, em parceria com a Direção do Curso de Direito, da Coordenação de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão e do Centro Acadêmico Seabra Fagundes em conferir à VIII Semana de Estudos Jurídicos o nome do "Desembargador Floriano Cavalcanti", justo preito a um homem que outra coisa não fez do que buscar um futuro melhor dentro do aperfeiçoamento do Estado de Direito e, ao mesmo tempo, agradecer a honra do convite para ser o porta-voz desta homenagem, para mim um verdadeiro presente; uma alegria incontida; uma emoção só justificável aos seus ilustres descendentes que aqui estão. Privei da amizade do Estimado Mestre, como aluno e na convivência fraterna que tinha com o meu pai - Desembargador José Gomes da Costa, tendo freqüentado a sua casa algum as vezes, quando até recebi uma de suas obras autografada.

Esta é também a minha segunda homenagem pública ao pranteado Jus-filósofo da velha Faculdade da Ribeira. Já o fizera ao publicar o ensaio ?Algumas Considerações sobre o Direito e a Norma? - Revista Paradigmas - Série Jurídica, v. 10 n. 7 - jan/mar/1998 - UnP.

Abraçando seus descendentes, agradeço a atenção de todos e, em especial à mocidade aqui presente, pedindo que continue a resgatar o nossos valores do passado, pois sem eles, não haveria futuro. FLORIANO CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE é nome para se guardar ad perpetua memoria.

OBRIGADO.

Professor CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES,
Bacharel da Turma de 1968 - 10ª da UFRN.

Natal, em 07/10/1999
(Publicado na Revista UnP/Jurídica, vol.2, nº 1- jan/jun 2000)



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Em setembro, novo encontro dos ex-alunos da Escola Industrial?


alunos01Circulam rumores de um novo encontro de ex-alunos da EIN/CEFET/RN, no primeiro sábado de setembro, no clube dos funcionários da Petrobrás, em Nova Parnamirim. È o único Estado que congrega ex-alunos do antigo de ensino  industrial federal no país. Na ocasião,será o livro de "causos" do professor Janilson Dias de Oliveira, também ex-aluno da extinta escola da rua Rio Branco, Cidade Alta.
Na foto, estão ex- alunos José Anchieta de Oliveira, José Hilton, Paulo Rodrigues, Osvaldo Garcia, Evio, Manoel Geraldo de Vasconcelos, José Vanildo da Silva (dirigente da FNF), Alfredo Nascimento (ex-cabo da Aeronáutica e senador pelo estado do Amazonas), José Carlos Morais (médico), Dionísio, Lacerda, Luis Carlos Oliveira _Defunto, Gutembergue Carneiro (dentista em Carnaubais/RN), Manoel Gonzaga (comerciário) e outros cujos nomes não recordo. Foto do arquivo de Manoel Geraldo (engenheiro).
Mais informações sobre ex-alunos nas postagens de 22 e 23 de setembro de 2010.

A JEC na Escola Industrial de Natal.




Reportagem publicada no extinto semanário DOIS PONTOS, de Natal, nos anos oitenta do século passado pelo jornalista Luiz Gonzaga Cortez numa série de matéria intitulada

"O Movimento Estudantil do RN antes e durante a Ditadura Militar "(XII)




ESCOLA TÉCNICA: Três alunos expulsos antes do AI-5.




           As escolas industriais foram criadas em 1909, no Rio Grande do Sul, pelo fundador do instituto Perobé, dr. João Luderitz, e se espalharam pelo resto do país com o objetivo de formar operários especializados para a nascente industria brasileira. O instituto Parobé foi transformado em escola industrial e, em 1912, o presidente Nilo Peçanha criou a escola de Natal, hoje denominada Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte.(ETFRN). (1)
           A Escola Industrial de Natal, denominação que perdurou até 1967, ano em que foi transferida para o moderno prédio da avenida Salgado Filho, Lagoa Seca, era uma instituição que tinha um corpo docente composto por ex-alunos da própria escola. A maioria dos seus alunos era constituída por jovens da classe pobre ou da média baixa. Praticamente não existia filho de rico ou remediado. Quase 100% eram proletários que queriam adquirir uma formação profissional, ingressar no mercado de trabalho, arranjar uma namorada, casar e ser um bom pai de família.
           Após concluir o curso de marcenaria, mecânica, eletricidade e alfaiataria, entre outros, a maioria dos formandos ia para São Paulo ou Rio de Janeiro, afim de trabalhar e fixar residência. Muitos foram e ficaram. Outros voltaram, alguns ainda estão em Natal para contar muitas histórias da Escola Industrial de Natal, que funcionava no velho prédio da avenida Rio Branco, Centro, onde hoje está instalada a Televisão Universitária da UFRN, comissão permanente do vestibular e Associação dos Funcionários da UFRN (FURN), Cooperativa Artesanal de Litoral (COPALA) e Associação dos Docentes da Escola Superior de Guerra.
           CONCLUSÃO DAS OBRAS – A Escola Industrial funcionou no grande e espaçoso prédio de dois pavimentos (frente para a Rio Branco, fundos para a rua Professor Zuza) até o final do ano letivo de 1986. antes de ser relocalizada em Lagoa Seca, a direção da escola, através de Jeremias Pinheiro, Pedro Pinheiro de Souza e Pedro Martins de Lima, além do veterano presidente do Conselho de Representantes da EIN, Luís Carlos Abbot Galvão (o conselho era um colegiado integrado por representantes da direção da escola, da indústria e do comércio. Luís Carlos era representante dos industriais, digo, dos padeiros) para conseguirem a conclusão das obras do atual prédio. A participação de Luís Carlos nessa luta foi importante, pois empenhou-se para concluir a nova escola, cujas obras tinham sido iniciadas em 1949 e paralisadas durante quase dez anos.Resultado: muitos ex-garçons e empregados da boate Hyppie Drive-In foram "remanejados" para a Escola Técnica Federal do RN, hoje aposentados.Eram tempos da ditadura militar
           As atividades estudantis eram lideradas pelo “Centro Lítero e Recreativo Nilo Peçanha”, cujas diretorias sempre foram eleitas pelo voto direto e secreto. O grêmio tinha uma verba para a sua manutenção e custeio de suas atividades “lítero e recreativas”. A ditadura militar imposta em abril de 1964 proibiu atividades políticas nas representações estudantis. Por isso, o C.L.R.N.P. , sigla como ficou conhecido pelos alunos da Escola Industrial de Natal, realizava mais festinhas, pique-niques e bailes de São João do que conferências e reuniões de conscientização política.
           CONTRA A DITADURA – A primeira manifestação política que eu vi na EIN foi no primeiro de abril de 1964, quando os militares conservadores começavam o assalto ao poder da Repúblilca. Tinha 14 anos e assisti o aliciamento de estudantada, nos corredores da escola, para uma manifestação de protesto, fora da escola, contra o golpe militar, lembro-me que um dos que mais se destacaram foi o aluno Marcos Pedroza, filho da professora Carmem Pedroza. Diante dos apelos de professoras e professores para que os alunos se retirassem da manifestação interna, Marcos acabou falando sozinho e a convocação gorou. Para fazer Marcos Pedroza desistir do seu intento a professora  Expedita, de francês, convenceu-o sob avisos “tenha juízo, menino, você pode ser preso”. A professora Expedita era casada com um oficial do Exército e deveria saber dos propósitos dos militares.
           Depois do golpe militar, os alunos notaram a ausência de vários colegas, funcionários e professores. Um dos professores mais queridos na escola era João Faustino Ferreira Neto, que ensinava matemática com uma didática agradável, as aulas de João Faustino eram assistidas por  todos os alunos com  atenção e respeito, João ficou ausente durante quase dois meses e o seu horário era preenchido por um irmão marista. Mais tarde, esse irmão marista foi substituído por um professor de religião, desconhecido de todos: Inácio Sena. Tempos depois o professor João Faustino retornou às atividades didáticas e passou, também, a ser orientador educacional, tendo sido, nesse período, o primeiro professor a dar aulas sobre educação sexual na Escola Industrial de Natal.
           JORNAIS INTERNOS – em 1964/65, criei um jornal mural, “evolução”, confecionado  com folhas de papel ofício coladas em cartolina. Mas o jornal foi muitas vezes rasgado e riscado pelos alunos mais radicais que colocavam um “R” gigante no início do título do jornal que, pelas suas posições conservadoras e neo-integralistas, ficou queimado e sem condições de “circular”. Mudamos o nome para “Mensageiro Industrial” e adotamos uma posição imparcial diante dos assuntos políticos da época. Colaboraram nos dois jornais, Luiz G Cortez, Rubens de Azevedo Maia, Lourival Cavalcanti, Lino, Wellington Corsino e Gilson Oliveira entre outros.
           Alguns companheiro sugeriram que eu me candidatasse a presidente do C.L.N.P. , idéia que aceitei levar avante após uma conversa com o inspetor Adilson de Castro Miranda, altamente popular e benquisto no meio da estudantada. Adilson era funcionário e conhecido pelos seu discursos retóricos que fazia em todas as solenidades cívicas da escola. Tinha sido militante da juventude Estudantil Católica, ex-presidente do C.L.R.N.P. e era o responsável pela disciplina interna, isto é, lidava, diariamente, com mais de seiscentos alunos. Era pau pra toda obra. Mexia com tudo, conversava, advertia e orientava os alunos. Com o seu apoio, no início de 1966, fui eleito presidente do Centro com larga maioria de votos sobre o meu opositor, cujo nome não me recordo.
           SEM ADILSON, DERROTA – Por uma desses ironias da história, dirigi o grêmio com certa liberdade e desagradei a Adilson e a direção da escola. Cometi erros. Por exemplo: editei um jornal cujo nome era “Manda Braasa”, influenciado por uma música de Roberto Carlos, que estava no auge. Depois corrigimos o erro e editamos o “Mensageiro Industrial”, com oito páginas, impresso na gráfica Graflex, na Tribuna do Norte. O então orientador educacional, professor João Faustino, tentou evitar, através do diálogo e da persuassão, que eu mandasse imprimir o “Manda Braasa”, pois o título não pegava bem para a entidade e os alunos da EIN.
           Mas antes de romper com Adilson de Castro Miranda, a diretoria do Centro realizou diversas promoções: concursos literários (poesia e contos) conferências, festinhas e piqueniques, além dos dois jornais impressos nas gráficas Manimbú e Graflex. A única vez que o escritor e historiador Luis da Câmara Cascudo esteve na EIN, foi a convite da diretoria do Centro. Cascudo falou sobre cultura popular e a formação do povo brasileiro. Foi um sucesso. Os alunos nunca tinham visto Luis da Câmara Cascudo.
           Nos primeiros meses de 1967 houve eleição para o Centro e fui fragorosamente derrotado por Ednaldo Pimentel, que contou com o apoio direto de Adilson. Antes de deixar a presidência do Centro, conseguimos financiar a primeira edição do livreto de Adilson, “Só morrem as causas pelas quais não se morre...”. o lançamento do livro ocorreu em agosto de 1966, no refeitório da escola, com discursos  do autor, do ex-professor Evaristo de Souza Lima e do funcionário José Hipólito de Santana, ambos já falecidos. A edição do livro custou cem cruzeiros e foi paga pela tesouraria do C.L.R.N.P. Em 25 de dezembro de 1981, Adilson imprimiu a segunda edição do seu livro.
           A JUVENTUDE CATÓLICA – Perdido o comando do Centro, ingressamos num  pequeno grupo que seria o embrião da Juventude Estudantil Católica (JEC) na escola. O grupo era coordenado por José Albino de Oliveira e dele faziam parte Rubens de A. Maia, Lino, Jurandir Bezerra de Oliveira e um rapaz carrancudo cujo nome naum me recordo. Lembro-me que ele se formou em medicina. O grupo de jovens católicos reuniu-se várias vezes e participou de reuniões na granja Emaús, ao lado da BR 101, com o padre Antônio Soares Costa, coordenador da JEC. As reuniões na granja contaram com a participação de dezenas de estudantes, entre os quais José Albino de Oliveira, José Bezerra Marinho e Albimar Furtado.
           Mas as reuniões do grupo da Escola Industrial de Natal foram se tornando preocupantes para a direção e o conselho de Representantes. O grupo promoveu conferências e atividades políticas contrárias ao pensamento do grupo dirigente da escola. Por isso, um dia de setembro de 1967, eu, Jurandir B. de Oliveira e outro aluno, fomos surpreendidos pelo convite da direção da escola para comparecermos  à sala do presidente do CR, Luís Carlos A. Galvão, um cidadão temido pelo alunado por causa da sua carranca e um tremendo óculos escuro. Luis Carlos foi curto e grosso: não permitiria subversão dentro da escola e que nós só tínhamos uma opção: renunciar a qualquer atividade política ou a exclusão do quadro do corpo discente.
              Todos julgaram-se inocentes de qualquer ação subversiva. Ao nosso lado, estava o professor Pedro Martins de Lima, calado. No final da “conversa”, Luis Carlos disse, taxativo: “Eu não quero subversão aqui e vocês estão expusos!”. E assim, três concluintes do ginasial foram impedidos de continuar estudando na Escola Industrial de Natal. Os três perderam o ano letivo de 1967 por causa da decisão totalitária de Luis Carlos Abbot Galvão, muito antes do AI-5, sob o olhar complacente do diretor Pedro Martins de Lima, que nada podia fazer (Ou não quis interceder, mas ficar calado. Anos depois, num encontro casual na rua Vigário Bartolomeu, provocado para falar sobre o episódio, Pedro Martins disse, sorrindo: "Luiz, Luiz, ainda não é tempo".



DOM EUGÊNIO IMPLANTOU O ECUMENISMO NA EIN




           Altamiro Galvão de Paiva foi da Juventude Estudantil Católica, apesar de ser protestante, na antiga Escola Industrial de Natal, hoje Escola Técnica Federal do RN, foi vice-presidente do Centro Lítero Recreativo Nilo Peçanha, em 1961, ano de intensa agitação social e política no Brasil. Para chegar a ser eleito vice-presidente do Centro, Altamiro teve que fazer intensa propaganda e diversas gestões políticas, pois os seus adversários diziam que ele era protestante e, por isso, os alunos da escola não teriam mais páscoa.
           “Consegui levar o bispo Dom Eugênio Sales para celebrar uma missa na escola e as dúvidas desapareceram. Depois  da missa, Dom Eugênio Sales disse que o ecumenismo estava implantado dentro da Escola Industrial”, disse Altamiro Galvão de Paiva, coronel da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Ele derrotou a chapa encabeçada por Francisco Gomes, católico, e apoiada pela ala esquerda dos estudantes. O presidente eleito foi Antonio Quirino.
           Altamiro recorda que a participação de Jô Resende, atual vice-prefeito do Rio de Janeiro, foi intensa na Escola Industrial de Natal, pois se tratava de um rapaz com forte liderança na escola e nos  meios estudantis da cidade, haja vista que ele era militante da Juventude Estudantil Católica, coordenada em Natal pelo então padre Antonio Soares Costa, hoje bispo-auxiliar.
           “Eu não era militante de esquerda, mas um estudante protestante, com atuação no Centro da Escola Industrial de Natal e amigo de Jô Resende, com quem fui, em 1961, a um congresso da União Nacional dos Estudantes Técnicos Industriais (UNET), em Fortaleza-CE. Durante o congresso, distribuiu-se, fartamente, panfletos de elogios a revolução cubana, com fotos de Fidel Castro. Quando vi aquela agitação e distribuição de fotos de Fidel, retirei-me do recinto do congresso, pois tive uma espécie de premonição de que aquilo iria dar  em confusão. Pouco tempo depois, o Exército ocupou as dependências do congresso e prendeu dezenas de estudantes. Escapei por pouco”, disse Altamiro Galvão.
           Ele lamenta a extinção da Escola Industrial nos moldes em que  funcionou até 1967. Durante décadas, as escolas industriais do país funcionaram em regime de tempo integral, pois os alunos recebiam café da manhã, almoço e lanches reforçados, ale de livros, batas e fardamento. Os cursos eram: marcenaria, mecânica, eletricidade, alfabetização, artesanato em cerâmica e artes em couro. (continua na próxima edição)
           Em tempo: A professora Expedita Medeiros não é casada com militar do Exército. Seu marido, desde os 18 anos, é Argentino Jacó de Medeiros, civil. (1) - A atual denominação é Instituto Federal de Educação e Ciência Tecnológica-IFRN.


Nota: Hoje, 10.5.2012, recordo que Adilson de Castro Miranda, no encontro de ex-alunos da EIN/CEFET/RN, sentado numa cadeira de rodas, disse que Luiz Carlos disse que eu era comunista e que "esse mal tinha ser cortado pela raiz, antes que a subversão tomasse conta da escola". Fato presenciado pelo ex-aluno Francisco de Assis Barros, o guia de Adilson e outros estudantes não identificados no Clube da Petrobrás, em setembro de 2009. Luiz Carlos era dinartista radical, dono de padaria e o meu pai, aluizista.






Grupo de ex-alunos da Escola Industrial de Natal, no encontro de 2010. Fred Galvão é o 1º da esuqerda, Sr. Laércio, ex-aluno, ex-inspetor de alunos e funcionário aposentado e artesão e produtor de garrafadas em Natal, uma memória viva da escola. (84) 3208.1606. Não cito os nomes dos demais ex-alunos porque perdi as anotações.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ex-aluno relembra a Escola Industrial de Natal.

Momento Inesquecível
Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br
Uma penumbra de nuvens densas e frias na tarde da segunda-feira, 7 de Maio de 2012, criou um ambiente de sonhos para mim. Lá estava eu assistindo ao meu filho Walter defender uma monografia perante uma banca de professores do Instituto Federal de Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Norte, para formar-se em Construção Civil. Depois de uma apresentação emocionada e bela, eis o resultado: aprovado. Felicidade em seu semblante e da sua namorada, também presente.
Impossível conter as palavras no momento em que senti que era possível dizer algo. Para dizer aos presentes que inaugurei aquele prédio junto com as turmas de alunos de 1967. Naquele ano a Escola Industrial de Natal passava a funcionar na Salgado Filho com Bernardo Vieira e ali cursei o Ginásio Industrial. E falei sobre outros momentos da história daquela escola, que este ano completa 103 anos de fundação.
Andando naqueles corredores tive de comparar os tempos. Nos anos 60/70 a escola atendia apenas estudantes do sexo masculino. Tinha apenas o prédio central, que terminava com uns galpões de oficinas. De lá para cá ganhou urbanização em lugar da areia e cajueiros; ginásio coberto; estádio; auditório; centro de convivência; laboratórios e tantos outros recursos. Na minha avaliação de quem não tem muita amizade com matemática, em 67 a escola seria 20% do que é hoje, em termos de estrutura. Um professor estimou na hora em cerca de 40%. O fato é que cresceu muito.
Cresceu e mudou. Moderna já era, mas modernizou-se muito mais. Acompanhou a evolução e hoje continua uma escola jovem, embora centenária. Onde nem telefone se sonhava em ter, estão dispostos notebooks, projetores, internet e todos os demais recursos que os professores, alunos e funcionários precisam dispor para se manterem sintonizados com o mundo lá fora e com os tempos que sempre mudam.
Fiquei emocionado com aquela aconchego de jovens, estudantes, namorados, naquela movimentação tão viva, cada um em busca de suas obrigações, cada um com certeza vivendo momentos importantes de suas vidas. O vento da janela, vindo do Morro Branco, é o mesmo que batia em meu rosto nos anos sessenta. E nos laboratórios, o olhar dos jovens para as máquinas, visores e medidores são os mesmos olhares que hoje aprendem as coisas do Século XXI, com os mesmos sonhos dos olhos que aprendiam a montar um rádio ouvindo o professor Názaro explicar como se media os nanofarades e microfarades.
Mesmo tendo crescido tanto, a escola de 1967 está lá. Sabemos onde ela começa e onde começou a ser ampliada. Foi extasiante, embora tenha procurado disfarçar, caminhar naquela corredor onde pegava a xepa; olhar pela varanda de onde se via a escola em forma para cantar o Hino Nacional; passar naquela rampa vendo os mesmos desenhos de Newton Navarro e observar que as suas paredes receberam azulejos de cores discretas para quebrar a monotonia da construção original, e que mudaram para melhor.