quarta-feira, 30 de maio de 2012



PGR »Sinal Fechado: desembargador Expedito Ferreira move ações

Publicação: 30/05/2012 08:45 Atualização: 30/05/2012 08:26
Do Diário de Natal
 
Investigado pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o desembargador Expedito Ferreira de Souza moveu, na última semana, ações judiciais contra cinco pessoas por calúnia, difamação e injúria. As petições foram feitas entre os dias 17 e 18 deste mês e pedem explicações ao marido da governadora Rosalba Ciarlini, Carlos Augusto Rosado, o ex-secretário da Casa Civil, Paulo de Tarso Fernandes, o procurador geral do Estado, Miguel Josino, e os envolvidos na Operação Sinal Fechado, José Gilmar Carvalho Lopes, Alcides Fernandes e George Olímpio.

De acordo com o site do TJ-RN, o processo contra Carlos Augusto foi arquivado por falta de elementos para comprovar a calúnia. Foi solicitado ao juiz da 7º Vara Criminal, José Armando, que o marido da governadora desse explicações em juízo sobre eventuais citações do nome de Expedito. "Não consegui extrair da narrativa quais teriam sido as referências, alusões ou frases proferidas pelo interpelado [Carlos Augusto] que eventualmentepudessem configurar crimes de calúnia, difamação ou injúria em desfavor do interpelante", diz a sentença.

Na 8ª Vara Criminal foram movidos dois processos. Um contra Miguel Josino e outro contra Paulo de Tarso. Ao procurador geral do Estado também caberia explicações em juízo sobre o envolvimento do desembargador na operação Sinal fechado. Porém, como Josino possui foro privilegiado, o juiz Ivanaldo Bezerra Ferreira dos Santos se declarou incompetente para o caso e determinou a remessa do processo ao TJ. Em relação a Paulo de Tarso, o magistrado relatou que o mesmo não fez nenhuma acusação usando o nome do desembargador e julgou extinta a interpelação judicial movida por Expedito.

As interpelações contra Gilmar da Montana e George Olímpio aparecem nas movimentações do TJ-RN como ainda não julgadas. Ambos são réus no processo decorrente da Sinal Fechado, mas ainda não teriam feito nenhuma acusação pública ao desembargador, ao contrário de Alcides, que durante delação premiada falou ao Ministério Público sobreExpedito ter recebido propina. O processo movido contra Alcides corre na 4ª Vara Criminal.

Apesar de Alcides ter dito ao MP que o desembargador recebeu propina durante as fraudes do sistema de inspeção veicular, o nome de Expedito surgiu pela primeira vez ainda nas interceptações telefônicas feitas nas investigações da Sinal Fechado. O nome do desembargador foi citado várias vezes em conversas entre os empresários Gilmar da Montana e Edson Cézar.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Tribuna publica matéria sem novidade.

A fonte é o blog de Anna Ruth, na Tribuna do Norte de hoje, transcrevendo o jornalão Valor Econômico, sobre fato profusamente divulgado na imprensa potiguar sobre a antiga Mina São Francisco, que pertenceu a um dos homens mais ricos do Brasil. O que chama a atenção é a nossa imprensa publicar que nos anos 20, já se extraía ouro em Currais Novos, quando o que se sabia e se divulgava era que a Mina Brejuí foi a pioneira na extração de minério  (xelita) naquele muncípio, de propriedade do desembargador Tomaz Salustino Gomes de Melo, nos anos quarenta.
------------------------------
Tribuna do Norte.

22 de maio de 2012 às 10:12
A cidade de Currais Novos é hoje destaque na mídia nacional. Reportagem do jornal Valor Econômico, produzida pela correspondente em Sidney Vanessa Dezem , mostra que a região do Seridó receberá um investimento de R$ 400 milhões para uma mina em Currais Novos.
Veja a matéria na íntegra:
A região de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, é tradicional para a história de produção do ouro no Brasil. Ali, o garimpo começou na década de 20, produção depois evoluída para novas tecnologias, com o interesse de grandes empresários na região. Agora, quem pisa nas reservas nordestinas é um grupo australiano, em busca do metal precioso. A Crusader, empresa com capital aberto em Sydney, vai investir R$ 400 milhões na construção de uma unidade de beneficiamento de ouro e prevê uma capacidade de produção de 5 toneladas do metal (150 mil onças) por ano por dez anos. O projeto Borborema fará com que a companhia se torne uma das principais produtoras brasileiras de ouro.
“Nós arriscamos e agora acreditamos que essa área tem potencial para ser uma das maiores do país”, afirmou ao Valor, o presidente executivo global da Crusader, Robert Smakman. Em 2010, a australiana adquiriu o projeto de uma pequena empresa que o havia comprado do empresário Eike Batista.
A região foi explorada desde a década de 90, mas com o recuo dos preços do ouro e a exigência de novos investimentos, à medida que o ouro de mais fácil extração ia acabando, decidiu vender o negócio. A pequena empresa que comprou o Borborema, por sua vez, não tinha capital suficiente para dar continuidade à exploração. “Eles achavam que Eike tinha tirado todo o ouro dali. Nós tínhamos uma opinião diferente”, conta Smakman.
A aquisição na época foi concluída por US$ 2,4 milhões e desde então, a australiana iniciou os estudos na região. Foram gastos US$ 15 milhões até hoje e, em setembro do ano passado, a empresa concluiu a fase preliminar dos estudos de viabilidade e no início deste ano, assinou um protocolo de intenções com o governo do Estado do Rio Grande do Norte para a produção.
Com o preço do ouro no patamar dos cerca de US$ 1.500 a onça-troy (31 gramas), estima-se faturamento anual de cerca de US$ 230 milhões com o projeto.
Os custos de extração e exploração do metal no projeto, no entanto, são grandes. Segundo Smakman, o custo de produção de uma onça de ouro soma cerca de US$ 700 e o teor aurífero da jazida na região não é elevado: de 1,2 grama de ouro por tonelada de minério extraída e beneficiada. “A produção é difícil, mas as empresas australianas estão acostumadas com isso e detemos tecnologia”, explica o executivo australiano.
Além disso, a construção da unidade de beneficiamento vai enfrentar diversos desafios, informa ele. Problemas com os recursos naturais e os de infraestrutura locais para a operação estão entre os mais complicados. Na região, de solo muito seco, falta água, insumo que precisa ser abundante para o processo de produção do ouro, principalmente nas operações de beneficiamento do minério. Dentre as soluções consideradas estão a utilização de reservatórios subterrâneos e a reutilização da água da cidade de Currais Novos. Para o escoamento da produção, será necessário também o desvio de uma rodovia da região.
Para obter os R$ 400 milhões para a construção da unidade, a Crusader pretende levantar recursos no mercado, o que deve incluir empréstimos em bancos. “Consideramos ainda a opção de abrirmos capital da empresa no Brasil”, afirma Smakman. A companhia, que tem outros três projetos no país – envolvendo minério de ferro, tungstênio, estanho e urânio – ainda não tem receita e conseguiu levantar seu capital no mercado financeiro australiano a partir de uma oferta inicial de ações local e com posteriores vendas dos papéis.
Smakman prevê que em 2013 será possível construir a unidade de beneficiamento e em 2014 iniciar a produção. Geólogo, fundador da companhia em 2004, o executivo nasceu em Perth, forte região mineradora da Austrália. Apesar de a empresa estar na Austrália, todo o corpo administrativo está no Brasil, com 90 funcionários. “No Brasil faltam empresas com capital para explorar recursos minerais. Na Austrália, há 5 mil empresas como nós, menores e com apetite ao risco, explorando, enquanto no Brasil há cerca de 50. Há muitas oportunidades para exploração de projetos que foram ignorados e para novas áreas de exploração”, conta Smakman.

Lembrando Djalma Maranhão.



No final da manhã de hoje, 22, encontrei-me com o xará Luiz Gonzaga de Carvalho, aposentado da Assembléia Legislativa, que em abril de 1964, soldado d0 Exército, servindo no R.O., em Santos Reis, participou do grupo de militares designados para prender o Prefeito de Natal, na rua Ulisses Caldas, e conduzi-lo para o QG, ao lado da Catedral. Comandava o grupo um oficial cearense, tenente Borges, cumprindo ordens do coronel Leitão. Feita a prisão de Djalma, ele foi conduzido para o 16º R.I., no Tirol, onde não teve uma recepção educada do capitão Lacerda que tentou dar-lhe um sôco. Djalma se abaixou e deu  uma certeira bofetada no pé do ouvido de Lacerda, que caiu pronto, se cagando todo no chão. O resto é outra história. Procurem Luiz Manchinha para ouvir outras histórias. a) Luiz Cortez, jornalista.




Reproduzido de O Santo Ofício

DJALMA MARANHÃO, O QUIXOTE POTIGUAR
Por Antenor Laurentino Ramos

Conheci Djalma Maranhão em Nova Cruz, quando eu era ainda estudante secundarista. Estava no ardor da mocidade. O grande político fora fazer uma palestra juntamente com Aldo Tinoco, o pai. Salatiel, George, Marcílio de Dr. Otacílio, Claudionor Soares, Raimundo Menezes e eu fôramos convidados por Eliezer Menezes, líder operário comunista da cidade. A reunião teria lugar no Cinema Éden, de Paulo Bezerra Souto, simpatizante também esquerdista também, da época.

Tempos depois, iria reencontrá-lo no seu exílio em Montevidéu. Já o conhecia de vista no Jornal de natal de sua propriedade. Via-o sempre, em conversa animada com meu irmão Afonso e Luis Maranhão Filho. Eu trabalhava, nesse tempo, no Diário de Natal. Como revisor.

Na viagem ao Uruguai, comemorávamos a conclusão de nosso curso, os Bacharéis de Direito de 1971, o Planex. Fazia parte dessa excursão 13 alunos, 6 homens e 7 mulheres. Entre eles relembro Lúcio Teixeira dos Santos, Andrier Abreu, Molina, Mizael Barreto, Elias Maciel, Cléa Bacurau, Lúcia Barbosa, Méssia Feitosa, Jandira, Nadja Lopes Cardoso, Salete do Ó Pacheco…

Foi uma longa e estafante viagem via terrestre. Saíramos de Natal, pernoitando no Rio, para retomarmos nossa viagem rumo às terras gaúchas. Chegamos mesmo a assistir em Porto Alegre a um jogo no Estádio Beira-Rio, Internacional versus Atlético Mineiro.

Na capital do Uruguai ficamos hospedados no Hotel Campeotti, Calle General Artigas. Após um demorado repouso, saíramos para o primeiro encontro com a bela cidade. Era uma das que nos tempos de estudante do Ginásio Natal desejava conhecer e o responsável por esse desejo o era meu saudoso professor de geografia.

Djalma já nos procurara à noite com Dona Dária, sua esposa. Trazíamos uma carta de seu filho, Marcus, nosso contemporâneo de Faculdade. Não chegamos a vê-lo nesse primeiro contato, Mizael e eu. Fôramos convidados por um amigo que fizéramos em Montevidéu a um passeio noturno pelo lugar com direito a vinho e cerveja.

No dia seguinte, lá estava Djalma de novo. Oferecera-se para ser nosso guia turístico e não largamos mais. Relembro o nosso primeiro contato, os colegas nos apresentaram a ele e a Dona Dária. Foi quando eu disse: “- Djalma, a gente já se viu em Nova Cruz. Eu era bem jovem. Depois, acostumei-me a vê-lo conversar com o meu irmão”. “- Quem é seu irmão?” “- Afonso Laurentino Ramos”. “- Não acredito, disse-me ele.

Desde ontem que eu pergunto a esses meninos se conhecem Afonso e deparo-me agora com o seu irmão!” “- Como vai ele? Namora ainda Lourdinha Alves, Diúda, irmã de Aluizio?” E notava em seu semblante, a alegria de saber notícias do Afonso! Maior surpresa, para mim, foi quando me perguntou: “- E Antonio Laurentino, seu pai?” “- E você conhece meu pai?” “- Ora, responde-me rindo: mas que a Afonso! Tomei muita cachaça e uísque com teu pai na praia da Redinha”. Sentia-me orgulhoso e emocionado por sabê-lo íntimo de meu pai e de meu querido irmão. Foi assim que vi Djalma Maranhão pela última vez.

Só falava em Natal; sentia-se nele a saudade do solo querido. Contou-nos muitas de suas peripécias após a prisão em Natal, a caminho do exílio. Que figura interessante e carismática, o Djalma! Um ano depois, voltava a Natal, não mais para retomar as suas atividades políticas que era a razão de ser de toda a sua história. Chegava morto e aplaudido pelo povo, com gritos de alegria e de lágrimas, ele que fora o maior prefeito de Natal de todos os tempos, o verdadeiro prefeito do povo!

Djalma era um político raro nos dias de hoje, uma espécie em extinção. Sentia Natal e o seu povo; confundia-se com ele, e a sua popularidade não era uma popularidade fabricada pela mídia, era natural, fruto da sua empatia com a gente potiguar. Tinha aquele que os franceses chamam de rapport, uma ligação afetiva que se estabelecia num primeiro momento com as massas.

Djalma merecia ser mais bem lembrado em Natal. O muito que se fizer em sua homenagem, é pouco pelo que para nós representou como líder e administrador. Revolucionou mesmo a administração da cidade. Foi, com Aluizio Alves, o exemplo maior, infelizmente não continuado, de excelência administrativa aliada a um idealismo sem par. Considero-me um privilegiado em ter com ele privado da sua convivência, do seu sonho de ser o redentor de sua terra. Grande Djalma, figura marcante, Dom Quixote mesmo, condestável de seu tempo em Natal! Salve!
_________________
Reproduzido de "O SANTO OFÍCIO", de Franklin Jorge



segunda-feira, 21 de maio de 2012


O URUBU E COLIBRI
                                                                                                                                                             


      Públio José – jornalista
(publiojose@gmail.com)

OBS: Qualquer semelhança com a realidade política, jurídica e parlamentar brasileira, não é mera coincidência.


                            Conta a fábula que o colibri morria de inveja do urubu. Acostumado a voar em baixas altitudes, via o urubu ganhar o espaço em longo bater de asas, desafiar grandes distâncias, planar sereno sobre montes, montanhas, conviver na companhia de brancas nuvens. “Como é majestoso o vôo do urubu”, pensava, diante da insignificância do contexto em que vivia. Parado, ficava a imaginar a beleza dos cenários, a diversidade geográfica, a imensidão dos espaços observados do alto. Olhava para si e se via pequeno, frágil, impotente pela diminuta estrutura corporal que carregava. “Como alcançar grandes altitudes, conhecer novos horizontes, almejar ter uma visão larga do mundo sendo tão pequeno?”, se indagava. Perguntas, perguntas e mais perguntas. E quase nenhuma resposta para apascentar a sua angústia interior. De fato, de concreto mesmo, só a tristeza pela distância que o separava do urubu.
                        Acalentava um grande desejo de, um dia, conhecer de perto tão fascinante personagem. “Ah, pensava, quantas histórias bonitas o urubu terá para me contar, quantas pessoas interessantes ele deverá ter conhecido como fruto de suas exuberantes expedições aéreas”. Enquanto cuidava da casa, do seu exasperante dia-a-dia, o colibri remoia uma vontade enorme de travar conhecimento com o urubu, de vê-lo de perto diante dos olhos. Mexe daqui, indaga dali, tenta dacolá, terminou conseguindo marcar uma audiência com o importante viajor dos altos ares. O urubu recebeu-o entediado. “O que quererá comigo ave tão insignificante? Porventura pensa que posso ficar aqui perdendo tempo com as bobagens que, com certeza, me trará? Esse povo miúdo abusa da nossa educação, da nossa boa vontade. Afinal, receber colibri para tratar de quê? Colibri, bahhhh!”
                        Indiferente ao clima abusado que iria encontrar, o colibri antegozava a grande conquista. E se preparava para o dia do grande encontro. Que durou poucos minutos. Após manifestar a sua admiração por tão grande deferência, o colibri não deu nem tempo ao urubu de raciocinar. Sapecou-lhe um convite para almoçar em sua casa. Sem ter outra resposta em mente, o urubu aceitou. Agendaram o futuro compromisso para dali a quinze dias. O urubu bateu suas grandes asas e se foi. O colibri ficou embasbacado. Deu-se umas beliscadas para ter certeza de que não estivera sonhando e voltou para casa – saltitante. Passada a euforia inicial, uma coisa lhe chamou a atenção: o mau cheiro que exalava do urubu. “Seria dele próprio ou fruto de uma coincidência? Ah, certamente algum animal morto por perto fizera aquela descortesia”. Pediria desculpas ao visitante no dia do almoço – conformou-se.
                        O preparo da refeição lhe deixou afogueado. Pesquisou as mais finas iguarias, os repastos mais saborosos. Com rigor planejou sua agenda para que nada atrapalhasse tão esperado momento. Mas malditas das malditas desgraças!!!! Ao acordar naquele dia encontrou o corpo de um burro morto, putrefato, em frente à sua casa. O fedor era insuportável, nauseabundo. Tentou de todas as maneiras resolver a questão. Chamou o serviço municipal de limpeza, ensaiou um mutirão com outros habitantes do bairro. Não houve jeito. A hora se aproximava e o cadáver do burro permanecia lá, inamovível, impregnando a região com um odor terrível. O urubu chegou e – interessante – nem reclamou do forte mau cheiro, enquanto o colibri se desculpava e se esmerava nos salamaleques. Para piorar a situação, nada agradava ao ilustre convidado. O urubu rejeitava as iguarias e os manjares postos à sua frente.
                        Aflito, o colibri pediu licença ao urubu e internou-se na cozinha para tentar um novo prato. Perdeu tempo na nova empreitada. Quando deu por si imperava na casa um grande silêncio. “Onde estará o visitante?”, afligiu-se mais ainda. Procura, procura e nada. “Vergonha, vexame! Com certeza ele foi embora”. O colibri não se perdoava a afronta feita ao urubu – e lastimava a amizade perdida. Desalentado, deu uma chegadinha no terraço da casa. Qual não foi sua surpresa ao flagrar o urubu inclinado sobre o burro morto, refestelando-se com a carniça fedorenta, engolindo, com sofreguidão, nacos e mais nacos do corpo do finado animal. Estupefato – e impotente – o colibri a tudo assistia. Terminada a refeição o urubu bateu suas longas asas e alçou vôo. Do colibri nem se despediu. Como herança deixou apenas uma forte fedentina no ar. E foi curtir a podre refeição na imensidão azul celeste.  
  
Pneumonias

       Todas as vezes que surge uma nova terapia de qualquer natureza que
seja e que se propõe a ser uma panaceia, isto é, a cura definitiva de
inúmeras patologias ao mesmo tempo, sempre fico com uma pulga atrás da
orelha. Por mais “lógico” que pareça, a evolução da ciência não se
baseia numa lógica observacional pura – as teorias necessitam de ser
postas em provas para que sejam confirmadas, ou não.
       Digo isso pois com o surgimento dos antibióticos alguns séculos
atrás, imaginou-se que dentro de alguns anos as doenças
infecto-contagiosas deixariam de existir. Acreditou-se nisso e, no
entanto, somente aqueles que ficaram vivos para ver constataram que
não foi isso que aconteceu. Só existe um método capaz de erradicar
doenças infecciosas: as vacinas. Não contávamos, décadas atrás, com a
astúcia das bactérias em criarem mecanismos de resistência contra os
antibióticos chegando a extremos que não temos o que fazer contra
elas!
       As pneumonias são um bom exemplo disso. Velhas conhecidas da
alopatia, tratam-se de patologias mediadas por uma bactéria, sendo a
mais comum delas o “pneumococo” na faixa etária adulta. Em todos nós,
seres humanos, bactérias vivem sem geralmente provocarem problema
algum na chamada microbiota– na verdade muitas vezes auxiliando em
nossa defesa. Misteriosamente, uma importante parcela da população
convive com o pneumococo em sua microbiota sem, no entanto,
desenvolverem doenças por muitos anos. Sabemos hoje que não basta um
“germe” para que uma doença se desenvolva, sendo também necessário o
terreno fértil para que ele “germine”.
       Como não temos o poder de atuar no “terreno”, isto é, na psique das
pessoas evitando que elas desenvolvam as doenças, atuamos nos
“germes”. Num adulto normal, as pneumonias costumam se manifestar com
febre, tosse cheia com secreção amarelada ou esverdeada, dor quando se
respira profundamente e um Rx e exame de sangue sugestivos, embora
esses exames não sejam necessários para que se dê o diagnóstico da
doença. Isso é o quadro típico num adulto normal. Crianças, idosos e
portadores de doenças como AIDS e câncer podem apresentar um quadro
completamente diferente e até mesmo jovens saudáveis podem
apresentar-se de maneira atípica. Só uma boa avaliação médica pode nos
dar o diagnóstico.
       O tratamento das pneumonias e com antibióticos e com medicações para
a febre. Ressalto, no entanto, que é fundamental que se faça todo o
tratamento prescrito pelo médico mesmo que você já se “sinta bem”. Não
gostamos de passar remédio e quando o assunto é antibiótico, menos
ainda. A interrupção do tratamento pela metade pode ajudar a criar
populações de bactérias resistentes aos antibióticos que temos até que
não tenhamos com que tratá-las.  À medida que se iniciarem as chuvas,
mais e mais doenças respiratórias surgirão. Na dúvida, procure seu
médico e se for confirmada a pneumonia, tome a medicação até o final.
O que “ofende” é não seguir o que está na receita.

paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN
Paulo_tarcisio@hotmail.com

sábado, 19 de maio de 2012

FICHA LIMPA, AMPLA E IRRESTRITA
Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor

A Democracia brasileira, embora com passos lentos, vem caminhando na direção de melhorar o conceito ético da administração pública.

O primeiro passo aconteceu com a aprovação da Lei Complementar nº 135, de 2010, que deu nova conformação à Lei Complementar nº 64, de 1990, a qual ganhou polêmica quanto ao tempo de sua aplicabilidade.

Um segundo passo, ocorreu quando o Supremo Tribunal Federal deliberou sobre a sua constitucionalidade e aplicação já para as próximas eleições municipais, o que aconteceu na sessão histórica do dia 16 de fevereiro do ano em curso.

Com a introdução do novo preceito, ficam alijados da política, por oito anos,aqueles políticos que ardilosamente renunciaram os seus mandatos, quando acossados com processos éticos ou foram condenados por órgãos colegiados da Justiça ou equivalentes, vale dizer, em decisão de segunda instância, apesar da relutância de alguns, de que tal decisão afrontaria o princípio da presunção de inocência.

Deixando à margem a interpretação jurídica, em meu sentir, o preceito legal veio ao encontro dos anseios da sociedade no instante em que caracteriza o combate às posturas deletérias que, seguidamente, são praticadas na política brasileira, reforçando a busca da lisura das eleições e legitimidade do mandato. Aliás, não esquecer, que essa LC teve a iniciativa popular.

Está, assim,consagrada a ideia da “Ficha Limpa”, em sua amplitude espacial e de maneira irrestrita no campo do Poder Legislativo.

Contudo, o regramento ético carece de ampliar os seus efeitos, pois não e incomum, que os derrotados nas urnas ou impedidos de exercer mandatos, procurem sustentabilidade de poder na condição de integrantes da gestão executiva, ocupando cargos comissionados de primeiro escalão e demais, notadamente Secretários de Estado e dos Municípios.

Em Natal, porém, essa tertúlia está com os seus dias contados, salvo se houver veto da Prefeita, pois a Câmara Municipal aprovou o projeto de lei da autoria do Vereador George Câmara, proibindo nomeação para tais cargos, de pessoas que tenham condenação, na mesma sistemática já consagrada na decisão do Supremo.

Assim, o natalense já possui o alento de saber que a partir das eleições deste ano, não poderão se candidatar aqueles que tiveram as suas contas reprovadas, ou que praticaram crimes, como lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, dilapidação do patrimônio público ou outro ato enquadrado como de improbidade administrativa, corrupção eleitoral ou conduta incompatível com a moralidade pública.

No entanto, é fundamental que os Chefes dos Poderes fiquem atentos para a escolha dos seus auxiliares, exigindo deles, igualmente, “ficha limpa”, pois do contrário poderão ser responsabilizados pela escolha equivocada e, por isso, processados por improbidade, a se deduzir dos dizeres do projeto aprovado, que alcança os que tenham abusado do poder político ou econômico para beneficio próprio ou de outras pessoas.

A Prefeita de Natal tem em suas mãos um instrumento de moralidade. A sociedade aguarda a sua decisão! E o Legislativo Estadual ficará omisso?


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Investigação policial é trabalho de equipe.

Este artigo foi republicado na p.19 do Diário de Natal, na edição de hoje, 18.05.2012. Por julgar oportuno, tendo em vista a rápida elucidação do bárbaro crime ocorrido em Nova Parnamirim/Parnamirim/RN, onde um jardineiro matou duas mulheres (mãe e filha), decidi republicá-lo neste blogue.


Colunas

Edição de sexta-feira, 6 de abril de 2012 








Investigação científica



Adalberto Targino



Um dos objetivos mais elogiáveis daqueles que são autênticos e despretenciosos policiais é, creio, o trabalho integrado e científico visando à elucidação de crimes. Cada Delegado ou Perito Criminal deve considerar-se integrante de uma equipe que busca a solução de problemas resultantes de atos e fatos criminosos, após haver elaborado um plano racional de trabalho. Da mesma forma o mútuo reconhecimento e compreensão dos óbices existentes constituem as bases de uma eficaz aliança para os serviços de investigação.

Essa tarefa policial não poderá surtir efeito, caso seja realizada por pessoas leigas, utilizando-se de métodos empíricos, pois, "a elucidação científica do crime é um serviço que exige atividade integral do indivíduo e que requer um completo preparo científico universitário".

Com exceção de poucas cidades grandes e Estados, a investigação científica criminal não é aplicada em escala adequada às mais simples necessidades. Em muitos lugares do Brasil é literalmente verdadeiro que se pode "levar a melhor como bandido". A prova material recente, como mancha de sangue, pêlos, saliva, impressões digitais, plantares e outros indícios, torna-se totalmente inútil na ausência de pessoal de Polícia especialmente treinado.

O fracasso na aplicação da ciência em larga escala, no campo da investigação criminal, pode se atribuir a muitas causas. As principais entre elas talvez seja a impossibilidade da Polícia atrair pessoas com seu baixíssimo salário e, ainda, a ausência de ampla literatura sistemática dedicada ao assunto.



Bem poucos policiais graduados sabem além do direito puro e simples, pois jamais tiveram, em larga escala bibliotecas especializadas de livros relacionados com Administração Policial, Investigação Criminal Científica, Técnicas de Operações e Planejamento Policial, Papiloscopia, Criminalística, Relações Humanas na Polícia, Técnica de Interrogatório e outras tantas disciplinas indispensáveis ao desempenho da dificílima missão policial investigatória; daí, resultandouma visão nublada, embotada e distorcida dos problemas com que se defrontam.

É necessária e inadiável a atualização, em âmbito nacional, da Polícia Judiciária e que esta, como responsável pela execução das Leis, empregue a ciência, com igual zelo, tanto para inocentar, como para culpar o acusado, dependendo das provas carreados para o interior dos autos.

A Polícia é instrumento de defesa social e, para a sociedade, o infortúnio não está apenas na possibilidade de o criminoso continuar impune, mas, principalmente no perigo de um inocente ser condenado por erro ou ignorância da Polícia, cujo trabalho serve de norte e de base à propositura da denúncia criminal pelo Ministério Público à sentença judicial.

Todos devem se conscientizar que para ser um bom policial não basta saber atirar bem e ter músculos fortes; é preciso que, além dessas qualidades, angariem-se conhecimentos técnico-científicos, equilíbrio interior, serenidade, censo de justiça e aprimoramento intelectual crescente e constante.



Não basta ter coragem suicida e se julgar o dono da verdade. É necessário e até indeclinável ter muita coragem, porém, sempre conhecendo as possíveis falhas na execução de suas tarefas, não subestimando nem superestimando a força de reação dos inimigos da Lei e usando mais o cérebro, a inteligência do que a força bruta desordenada e primitiva. Afinal, nos dias atuais, já não se faz investigação como antigamente, sob pena de ser suplantado ou driblado pela engenhosidade do crime organizado.



Adalberto Targino, procurador do Estado, ex-promotor de Justiça e membro da Sociedade Brasileira de Direito Criminal, colabora às sextas-feiras.

Fonte: Diário de Natal.

Polícia Civil apreende arsenal em Caraúbas e Umarizal

Publicação: 18 de Maio de 2012 às 07:17


A Polícia Civil apreendeu armas e munições em Umarizal e no sítio Santo Francisco, em Caraúbas, nesta quinta-feira (17). Os locais onde o material foi encontrado pertencem a familiares Paulo Santhiago Sales, suspeito de vários roubos e homicídios em Umarizal e região Oeste do Estado. Paulo Santhiago é apontado pela polícia como comparsa do criminoso João da Besta.

Nos dois pontos, a polícia apreendeu: um fuzil calibre 7mm de fabricação alemã; um rifle Winchester calibre .44; uma espingarda calibre 12, uma espingarda calibre 32; um revólver calibre 38; 18 munições intactas calibre 7mm; seis munições intactas calibre 12; duas munições intactas calibre 44; seis munições intactas calibre 38; três munições intactas calibre 7,62mm; uma munição intacta calibre .30; uma munição intacta calibre 32; quatro estojos de munição deflagrada calibre 44; três estojos de munição deflagrada calibre 7mm; 17 estojos de munição deflagrada calibre 12; oito estojos de munição deflagrada calibre 38; 21 espoletas nº 05; e 47 Espoletas nº 56.

O delegado Odilon Teodósio e a delegada Karen de Caraúbas estiveram à frente das buscas e apreensões.

* Fonte: Degepol.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Como gostar de ler?


Cartaz/divulgação – clique para ampliar
Um encontro para incentivar o gosto pela leitura. De 21 a 25 de maio, o Sistema Fecomércio/RN, por meio do SESC, realiza mais um Encontro com Autor, projeto que discute, promove e dissemina o trabalho de autores locais e nacionais junto a estudantes e à população potiguar.

A programação gratuita e dinâmica acontece em horários variados no SESC Potilândia, e ainda em escolas, faculdades, na Casa da Ribeira, no Nalva Melo Café Salão e na Câmara Municipal.

Na edição deste ano, o grande parceiro do projeto é o selo Jovens Escribas, com a integração do seu “Ação Leitura”. Em junho, a instituição pretende levar o projeto também para Mossoró e Caicó.

Convidados

Para participar das conversas, foram convidados autores potiguares, como Carlos Fialho, Clotilde Tavares e Carito, e nacionais, como Fabrício Carpinejar (RS), Ana Elisa Ribeiro (MG) e Marcelino Freire (PE). Doze autores ao todo farão intercâmbios de conhecimento por meio de oficinas, debates e palestras. Toda a programação do evento está disponível no hotsite http://jovensescribas.com.br/acaoleitura2012/. Além dessas ações, os autores doarão seus livros nas instituições de ensino visitadas, para serem trabalhados pelos professores.

Outro atrativo do projeto será a presença, nas escolas e faculdades que sediam os encontros, da BiblioSESC. A biblioteca itinerante oferecerá gratuitamente –  como já o faz durante todo o ano nos bairros e presídios de Natal – consulta e empréstimo de livros, jornais e revistas. É mais uma forma de estimular alunos e a comunidade em geral a se aproximar do mundo da leitura.

Serviço:

O quê? Projeto Encontro com o Autor, em parceria com o Jovens Escribas
Quando? De 21 a 25 de maio, em horários variados
Onde? SESC Potilândia, Escolas, faculdades, Câmara Municipal, Nalva Melo Café Salão e Casa da Ribeira
ENTRADA GRATUITA

Programação


De segunda (21/05) a sexta (25/05), os autores conversam com estudantes de ensino fundamental e médio. À noite, estarão nas universidades, batendo papo com alunos de cursos superiores. Os eventos serão gratuitos e abertos ao público interessado.

A escritora e professora Ana Elisa Ribeiro (MG) ministrará uma oficina de escrita de crônicas na UnP da Floriano Peixoto. Será de 23/05 a 25/05, das 15h às 17h. São 25 vagas abertas a todos, independente da instituição onde estudem. As inscrições acontecem pelo e-mail jovensescribas@gmail.com.

O Encontro com o Autor também colocará Natal na rota dos lançamentos literários nacionais: serão realizados dois eventos de lançamento durante a semana do evento. Na quinta-feira (24/05), às 19h, o Nalva Café Salão, na Ribeira, receberá a poeta e artista plástica Eveline Gomes (Sinhá), que lançará em Natal seu livro de estreia “Devolva Meu Lado de Dentro”. Também no Café Salão, na sexta-feira (25/05), ocorrerá o evento de encerramento “Lançamentão”. Diversos autores amigos serão convidados a relançarem seus livros, num grande encontro entre autores e leitores.




Assessoria de Comunicação do SESC RN


--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN em 5/15/2012 09:07:00 PM

domingo, 13 de maio de 2012

Correções no livro sobre os "Moura"e "Raposo da Câmara".










Todo livro permite a contingência de equívocos e omissões, notadamente quando se trata de uma obra de genealogia.
Tive a grande satisfação de comparecer ao lançamento do livro "MOURA e RAPOSO DA CÂMARA NO RIO GRANDE DO NORTE-Ascendência & Descendência: Colônia, Império, Regência e República", excelente trabalho da autoria do Engenheiro MARCO AURÉLIO DA CÂMARA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, filho do meu saudoso Professor FLORIANO CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE.
Pois bem, após fazer a sua leitura, deparei-me, na página 326, com alguns dados que merecem reparo: o autor, ao mencionar o meu avô Jerônimo Xavier, informa que o mesmo gerou, com D. Aline Albuquerque Maranhão uma prole de quatro filhos. Contudo enumera somente três - Lígia, minha mãe, e as tias Elza e Maria de Lurdes, esquecendo da quarta, Maria da Cruz, ou "Cruzinha", que foi casada com João Batista, com quem teve as filhas Maria das Graças e Maria de Fátima.
Quando menciona os filhos de Lígia, na verdade, Maria Lígia, relacionou os filhos gerados com o Desembargador José Gomes da Costa, omitindo outros dois filhos que faleceram em tenra idade: Therezinha e João e, ao mencionar o meu nome o faz como Carlos Alberto, quanto na verdade sou Carlos Roberto e tenho um filho e um neto com o mesmo nome.
Completa a retificação e o acréscimo, gostaria de apresentar uma homenagem que fiz ao Desembargador e Professor Floriano Cavalcanti de Albuquerque, que não foi referida no livro, embora publicada na Revista UnP/Jurídica v.2, n.1, de jan/jun.2000. Eis o texto:
___________________________________________________?

FLORIANO CAVALCANTI, o filósofo da Província

?A federalização da magistratura, unificada e regida por uma lei única de organização judiciária, é imperativo da evolução político-jurídica brasileira. Não se compreende mais o pluralismo da Constituição de 1891. Talvez que àquele tempo se justificasse, em virtude mesmo da passagem brusca do unitarismo imperial para o federalismo republicano. Seria uma transição de regime. Mas hoje, que passou a obsessão descentralizadora, em que tanto o direito material como o formal, ali atribuídos, separadamente, um à União e o outro aos estados-membros, já são da exclusividade da União, não há mais lugar para essa dualidade de justiças, com juízes federais e estaduais, e multiplicidade de organizações judiciárias, que dão antes a impressão de uma Confederação de Estados do que de uma Federação.?

Essa arrojada tese, apresentada à II Conferência Nacional de Desembargadores, realizada em Salvador-Bahia, no ano de 1962, já denotava o avanço na busca da Justiça ideal, que tinha uma justificação jurídico-filosófica, assim posta:

?... o argumento que ainda se repete contra a unidade da Justiça, é o de uma pretensa incompatibilidade com o regime federativo. Derivaria do falso conceito da escola de CALHOUN, de uma soberania dupla, que não encontra mais guarida nem mesmo nos Estados Unidos da América do Norte, donde foi transplantado. Já não se confunde mais soberania com autonomia, por ser a summa potestas do Estado independente, una e indivisível. Numa federação, que se caracteriza pela união de Estados, pertence, exclusivamente, ao Estado síntese, e não aos Estados-membros, que são apenas autônomos. Logo, nenhuma incompatibilidade no fato de ser a Justiça uma só, no Estado federado, máxime quando já se acha unificado todo o Direito, quer substantivo, quer adjetivo.?

Esta é uma singela prova da exuberância do conhecimento do nosso homenageado, Paraense de Belém, nascido no crepúsculo do Século XIX, aos 10 de dezembro de 1895, FLORIANO CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, filho do casal Capitão Pedro Cavalcanti de Albuquerque e Eulália Cavalcanti de Albuquerque, seria na Província de Natal o seu mais festejado filósofo, apontado como paradigma de cultura no nosso Estado, transpondo nossos limites nas regiões Norte e Nordeste deste imenso Brasil.

Após estudos regulares, obteve o grau de Bacharel pela tradicional Faculdade de Direito do Recife - 1918, sob o clamor ainda, das Polêmicas de Tobias Barreto, dos poemas de Castro Alves e das discussões civilistas que geraram o Código Civil brasileiro, na doutrinação imorredoura de Clóvis Beviláqua e Ruy Barbosa.

Seu talento logo se faria presente, quando obteve o laurel de Professor de Lógica, Fisiopsicologia e História da Filosofia do Atheneu Norteriograndense, em 1919 e no mesmo ano, Catedrático de História Universal. Chegou a dirigir a Escola de Aprendizes Artífices, instituição exemplar, ainda hoje reconhecida e consagrada - atual CEFET.

Como todo idealista, passou pela política na condição de Deputado Estadual no período 1925/1928 e na Constituinte de 1926, chegando a comandar o Partido Republicano de 1925 a 1929.

Seu pendor pelas letras jurídicas o fez ingressar na Magistratura em 1930, iniciando pela longínqua Comarca de Pau dos Ferros, removido em 1931 para Canguaretama (Penha) e em 1934 promovido para Natal, onde assumiu a 1ª Vara.

Foi Juiz do Estado de Sítio - de fevereiro de 1935 a março de 1936.

Em junho de 1941 nomeado Desembargador do nosso Tribunal de Justiça, empossado em 14 de junho, de onde viria a ser Presidente em 8 de dezembro de 1954 e, como membro do Tribunal Regional Eleitoral, onde ocupou todos os cargos daquela Corte Especial - Corregedor, Vice-Presidente e Presidente em novembro de 1946. A propósito, presidiu a reabertura desse Tribunal por força do Decreto nº 7.586, de 28 de maio de 1945, na histórica sessão do dia 12 de junho do mesmo ano, pelas 14 horas, no Plenário do Tribunal de Justiça, em substituição ao Desembargador Miguel Seabra Fagundes, que se encontrava em viagem oficial à então Capital da República, registrando-se as presenças dos eminentes juristas Eurico Soares Montenegro, Carlos Augusto Caldas da Silva, José Áureo Lins Bahia e Raimundo Macedo, na condição de Procurador Regional Eleitoral, tendo como Secretário da reunião o Bacharel Carlos Roberto de Oliveira. Aposentou-se para viabilizar sua candidatura a Governador do Estado pelas Oposições Coligadas, período de apaixonada campanha política, da qual não logrou êxito, retornando à Magistratura, uma vez que anulada sua aposentadoria, prestando novo compromisso em 30 de janeiro de 1951, retomando o brilhantismo dos seus votos, como já o fizera nas sentenças, quando juízo monocrático.

Pelo seu reconhecido saber, foi o 1º Titular da Cátedra de Introdução à Ciência do Direito da tradicional Faculdade da Ribeira, da qual foi Diretor em 11 de novembro de 1950 e ali lecionou até 1965. As suas aulas eram repletas de assistentes, inclusive de outras turmas, sempre terminando sob aplausos, mercê da constante empolgação com que ministrava suas lições - ?Quem desconhece a filosofia não poderá ter alcance dos vôos cosmológicos dos condores, mas apenas dos rasteiros dos galináceos?.

Conferencista requisitado, deixou várias peças escritas de inestimável valor, entre as quais os seus biógrafos registram algumas:

Antônio Marinho e o seu tempo (discurso sobre o patrono da cadeira 21, que assumiu na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras);
Amaro Cavalcanti, o homem e o jurista;
Clóvis Beviláqua e sua concepção jurídico-filosófica;
Nacionalização da Justiça;
Caxias, o estadista-soldado;
Pessimismo sob o conceito universal;
Juizes e Advogados;
Da responsabilidade civil do Estado;
Rui Barbosa e a necessidade do Culto Cívico;
Silvio Romero, o crítico, o filósofo e o jurista;
O juiz e a importância de sua missão;
A concepção filosófica da história;
Tobias Barreto e a Escola do Recife;
Farias Brito e sua influência espiritualista.

O homenageado pertenceu à Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte, a qual presidiu em 1954, foi da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Diretor da Revista do Tribunal de Justiça em 1955.

Seu falecimento ocorreu nesta Capital em 7 de outubro de 1973, aos 78 anos de idade, quando ainda gozava de lucidez e muito tinha a doar de sua invejável inteligência, incontestavelmente empobrecendo o Estado que, de coração nomeou como seu e preserva a sua memória.

Sua importância para o Rio Grande do Norte bem se pode aquilatar, quando foi biografado pelos potiguares de maior realce deste Século:

LUÍS DA CÂMARA CASCUDO, assim proclamou o nosso homenageado: ?Magistrado, filósofo, sociólogo, político, advogado, orador, conferencista, professor.? (discurso proferido em 23/3/1950 - ANL);

OTTO DE BRITO GUERRA: ?Ressaltou a sua integridade de magistrado e à fé cristã, repudiando o materialismo estéril, onde o Sermão da Montanha era seu livro de cabeceira.? (discurso proferido em 1974);

JOÃO MEDEIROS FILHO (também potiguar por adoção): ?Seus estudos jurídicos, em linguagem escorreita, denunciam o profundo conhecedor da Ciência do Direito. Proferiu sentenças que, a par dos aspectos dogmáticos, da pesquisa teórica e da formulação das doutrinas, revelam a segurança do sociólogo na observação dos fatos.? (livro Contribuição à História Intelectual do Rio Grande do Norte, Natal, 1983);

Seu mais recente biógrafo é o jovem EDUARDO ANTÔNIO GOSSON, no livro Sociedade e Justiça. Natal, DEI, 1998.

Não poderia deixar de enaltecer a lembrança da Universidade Potiguar, em parceria com a Direção do Curso de Direito, da Coordenação de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão e do Centro Acadêmico Seabra Fagundes em conferir à VIII Semana de Estudos Jurídicos o nome do "Desembargador Floriano Cavalcanti", justo preito a um homem que outra coisa não fez do que buscar um futuro melhor dentro do aperfeiçoamento do Estado de Direito e, ao mesmo tempo, agradecer a honra do convite para ser o porta-voz desta homenagem, para mim um verdadeiro presente; uma alegria incontida; uma emoção só justificável aos seus ilustres descendentes que aqui estão. Privei da amizade do Estimado Mestre, como aluno e na convivência fraterna que tinha com o meu pai - Desembargador José Gomes da Costa, tendo freqüentado a sua casa algum as vezes, quando até recebi uma de suas obras autografada.

Esta é também a minha segunda homenagem pública ao pranteado Jus-filósofo da velha Faculdade da Ribeira. Já o fizera ao publicar o ensaio ?Algumas Considerações sobre o Direito e a Norma? - Revista Paradigmas - Série Jurídica, v. 10 n. 7 - jan/mar/1998 - UnP.

Abraçando seus descendentes, agradeço a atenção de todos e, em especial à mocidade aqui presente, pedindo que continue a resgatar o nossos valores do passado, pois sem eles, não haveria futuro. FLORIANO CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE é nome para se guardar ad perpetua memoria.

OBRIGADO.

Professor CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES,
Bacharel da Turma de 1968 - 10ª da UFRN.

Natal, em 07/10/1999
(Publicado na Revista UnP/Jurídica, vol.2, nº 1- jan/jun 2000)