domingo, 3 de junho de 2012

Liacir Lucena: professor emérito da UFRN.



Dr. Luciano R. da Silva.


O professor Liacir dos Santos Lucena foi saudado pelo professor Luciano R. da Silva, outro cérebro brilhante da física brasileira,  em dezembro passado. Por isso, estamos relembrando o  importante evento com a publicação do discurso do professor Luciano neste blog.



Natal 19 de Dezembro de 2011

Discurso na ocasião de entrega do título de Prof. Emérito da UFRN ao Prof. Liacir dos Santos Lucena
Por Luciano R. da Silva
Boa noite a todos. É com imensa honra e prazer que recebo a incumbência de saudar e apresentar o Prof. Liacir dos Santos Lucena como o mais novo Prof. Emérito da nossa Universidade.
A história do Prof. Liacir é paralela à história da UFRN. Inicialmente vou destacar os principais pontos de sua extensa trajetória.

(1) Em 1964 ele concluiu o curso de Engenharia Civil na UFRN (primeira turma) juntamente com mais 6 colegas. Em seguida foi contratado como Prof. do curso de EngenhariaCivil para lecionar disciplinas de Física.
                                                           
(2) Em 1965, juntamente com o Professor Juarez Pascoal de Azevedo e com o Prof. Milton Dantas de Medeiros, criou o Instituto de Física da UFRN, o qual depois se transformou em Departamento de Física Teórica e Experimental             

(3) Foi o responsável pela ênfase inicial do Instituto de Física, pela criação em larga escala, de Recursos Humanos especializados na área de Física e de estabelecer um padrão internacional de qualidade.

(4) No período 1965-1970 promoveu em Natal vários cursos para treinamento de Professores de Física das Universidades do Norte e Nordeste trazendo a Natal, para ministraresses cursos, nomes importantes da Física entre os quais podemos citar Newton Bernardes, Erasmo Ferreira, Nicim Zagury, Sérgio Costa Ribeiro, Silvio Ferraz de Melo, Humberto Siqueira Brandi, Pierre Kaufman, Silvestre Ragusa, entre outros.  Alguns participantes desses cursos tiveram destaque em várias universidades, como é o caso do prof. Hermano Tavares que veio depois a ocupar o Cargo de Reitor da UNICAMP e Reitor da Universidade Federal do ABC.

(5) Organizou e fez funcionar em 1969 o famoso Curso de Física do CETENE (Curso de Formação Técnico-Científica para Professores de Física das Escolas Técnicas e Cursos Científicos do Nordeste).  Muitos alunos daquele curso obtiveram posteriormente o doutorado em Física e integram hoje os quadros docentes de várias universidades no país.

(6) Como recompensa por realizar o Curso do CETENE obteve para o Instituto de Física da UFRN, um grande laboratório didático da marca LEYBOLD, importado diretamente da Alemanha, inclusive com equipamentos para demonstrações de Física Moderna.  Este laboratório, ainda ativo, tem servido a várias gerações de estudantes dentro da UFRN.

(7) Em 1971 organizou e estruturou os Cursos de Bacharelado e Licenciatura em Física.

(8) Em 1972, com a ajuda dos Professores, Erasmo Ferreira e Sérgio Costa Ribeiro, conseguiu firmar convênios com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) para que estudantes do Rio Grande do Norte completassem sua formação em Física naquela universidade.

(9) A partir de 1974 o curso passou a ser feito inteiramente em Natal. No final de 1975 termina a primeira turma da qual fazemos parte eu, Prof. Ananias e Prof. Ezequiel, aqui presentes.

(10) Em 1974 implantou na UFRN o Projeto de Pesquisa sobre Cintilações Ionosféricas para investigar a propagação de ondas eletromagnéticas na ionosfera e, em particular, para estudar o efeito das instabilidades de plasma na atmosfera.  Para tanto instalou um Rádio-Observatório com uma antena parabólica de 10 metros de diâmetro, que ainda pode ser vista no perímetro do campus da UFRN.

(10) Foi responsável pela aprovação dos primeiros projetos de pesquisa da UFRN com financiamento do CNPq (1974 e 1975)

(11) Implantou a Biblioteca Setorial da Física, adquirindo com a ajuda do CNPq um acervo de livros e revistas que representam hoje o núcleo daquela biblioteca.

(12) Conseguiu com a família do Professor João Cristovão Cardoso, ex-presidente do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), a doação para o Departamento de Física da biblioteca particular do Prof. Cardoso com um acervo de livros científicos históricos de valor inestimável, entre os quais um exemplar original da Tese de Doutorado da Madame Curie (premio Nobel de Física).

(13) Em 1977 foi agraciado com a Medalha do Mérito Universitário

(14) No período 1983-1987 foi Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação na gestão do Reitor Genibaldo Barros aqui presente, quando, entre outras ações, instituiu com apoio da Reitoria, o INDD, o primeiro sistema de avaliação de desempenho implantado em Universidades Brasileiras, o qual foi copiado por várias outras Universidades do país.

(15) (1988) Pioneiro em Natal na Internet: Antes da Internet existia uma rede bastante insipiente chamada Bitnet. Em Natal, no Departamento de Física tínhamos um link com o LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica) do Rio de Janeiro.

(16) Responsável pela criação em 1988 do primeiro Programa Especial de Treinamento (PET) na área de Física no Brasil. Da ordem de 50 bolsistas do PET da Física da UFRN já concluíram o doutorado. O nosso programa serve de Modelo para todos os estudantes que entram no curso de Física. Todos querem entrar no programa, ou gravitam em torno dele.

(17) Responsável pela formação de um grande número de estudantes de todas as áreas, desde Física, Química, Matemática, Engenharia, etc. Foi orientador de muitos estudantes nos níveis de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado.

(18) Aprovou inúmeros projetos de pesquisa, tendo também articulado a formação de Redes Cooperativas de Pesquisa de âmbito regional abrangendo várias universidades do Nordeste.

(19) Estabeleceu programas de intercâmbio Científico com várias Universidades do Brasil e do Exterior, promovendo visitas de cientistas estrangeiros à UFRN e abrindo oportunidades para professores e estudantes brasileiros em centros de pesquisa no exterior. Dentre esses programas merecem destaque o Projeto binacional CAPES-COFECUB com a Université d’Orsay na França, o Convênio com a Universidade de Boston e um Consórcio Internacional de Pesquisa envolvendo, além da UFRN, várias universidades americanas e européias.

(20) Organizou várias Conferencias Nacionais e Internacionais. Há duas semanas atrás por exemplo, organizou uma Conferência Internacional  sobre Física do Petróleo no Departamento de Física.

(21) Publicou mais de 70 trabalhos científicos em Revistas de Difusão Internacional.

(22) É pesquisador 1 do CNPq

(23) Ganhador do Prêmio de Pesquisador FUNPEC 2003.

(24) Sabendo da vocação natural do RN para o Petróleo entrou nesta nova área de pesquisa tendo obtido sucesso, inclusive com a obtenção do Prêmio Nacional Petrobras de Tecnologia do ano 2005.

(25) Agraciado com a ordem Nacional do Mérito Científico em 2008 no grau de Comendador. 

(26) Em 2011 foi homenageado pelo XXIX Encontro Anual de Físicos do Norte Nordeste ocorrido recentemente em Mossoró

(27) Sua lista completa de realizações é longa e é conhecida por quase todos.

(28) Resumindo: o Prof. Liacir teve toda a sua vida dedicada à Academia e à Pesquisa. Ajudou a colocar o RN no cenário Nacional e Internacional. Talvez por isto tenha chamado a atenção do Comitê que julga a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico.

LEMA DO PROF LIACIR: Oportunidade a todos. O critério do Prof. Liacir é a competência. “Se o aluno ou o profissional for competente, terá todo apoio”.

(1)  Ele sempre vestiu com orgulho a camisa da UFRN, quer estivesse em Natal, no Brasil, ou no exterior. Como um bom filho tudo que conseguia fora era sempre pensando em melhorar a nossa Universidade ou o nosso Estado.

(2)  Ele é uma pessoa justa, não discrimina ninguém: dá oportunidade a todos e sabe extrair o melhor que cada um pode dar. Ele dá o mesmo tratamento quer o aluno seja do Norte, do Sul, do Centro do país ou do exterior. O critério para ele é o talento. Talento não tem Pátria.

(3)  Não se submete aos critérios de primeiro, segundo ou terceiro, mundos. Encara todos indistintamente quer esteja numa conferencia no Brasil, nos Estados Unidos ou na Europa.

(4)  Homem de larga cultura: Ele teve o olho clínico para ver com antecedência a Ciência se encaminhando para a Interdisciplinaridade. Desde 20 anos atrás ele busca criar em Natal um Centro Internacional de Sistemas Complexos. Vários ex-Reitores que estão aqui presentes são testemunhas e apoiaram este sonho.

(5)  Amor à vida: ele adora uma boa conversa, ele adora ouvir uma música de qualidade; adora uma boa cozinha; um bom vinho, ele tem uma família maravilhosa, a qual se dedica com muito amor. Podemos ver aqui sua Mãe Natália, sua esposa Regina responsável pelo sucesso dele, seus filhos e seus netos.  Ele adora dividir os seus conhecimentos com todos aqueles que o cercam. Como é bom conversar com ele e desfrutar da sua vasta amplitude cultural.

(25) O que faz o Prof. Liacir no momento?

No momento o Prof. Liacir se dedica à formação de equipes interdisciplinares, como já disse, voltadas para pesquisas na área de Sistemas Complexos, a qual foi precursor na UFRN. Nos seus artigos científicos ele sempre coloca além do endereço usual do Departamento de Física, um segundo endereço, qual seja, Centro Internacional de Sistemas Complexos (CISC).

A sua ascensão à categoria de Professor Emérito da UFRN (tendo obtido aprovação por aclamação no Departamento de Física e a indicação por unanimidade de todos os conselhos da UFRN) permitirá que continue a trabalhar em prol da UFRN com o mesmo ritmo incansável com que atuou até hoje, mesmo após ser atingido pela aposentadoria compulsória.

Parabéns ao “Eternamente Jóvem” Prof. Liacir dos Santos Lucena, por sua trajetória de vida profissional e pessoal. Parabéns à UFRN que soube reconhecer a bonitahistória do Prof. Liaicr. O título de Prof. Emérito vai representar também o reconhecimento de um paradigma de dedicação, competência e eficiência que, esperamos, sirva de modelo para os nossos Jóvens Professores e nossos Estudantes.

Mais uma vez Parabéns Prof. Liacir !!!!!!!!!!

Muito obrigado a todos !!! 



             

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O bate boca repercute mundo afora.

Blog de mossoró.

quarta-feira, 30 de maio de 2012


GILMAR MENDES: LULA É A CENTRAL DE DIVULGAÇÃO DE BOATOS



Gustavo Gantois = 

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a se defender nesta terça-feira(29/5) do que considera um ataque promovido por "bandidos e gângsters" que estariam tentando atrapalhar o julgamento do mensalão. Segundo Mendes, o ex-presidente Lula estaria servindo de "central de divulgação" de boatos contra ele.

"Ele recebeu esse tipo de informação. Era gente que o subsidiou com esse tipo de informação e ele acreditou nela", afirmou o ministro.

Questionado se Lula seria responsável por disseminar a história de que teria viajado a Berlim com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) custeado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, Mendes foi ainda mais enfático. "As notícias que me chegaram é que sim. Ele era a central de divulgação disso", acusou.

O ministro entregou aos jornalistas uma pasta com documentos e extratos de cartão de crédito que acusam as despesas sobre a viagem à Granada, na Espanha, em abril do ano passado. Segundo Gilmar Mendes, ele foi participar da inauguração do Centro de Investigação de Direito Constitucional da universidade local e aproveitou para encontrar Demóstenes em Berlim. 

De acordo com os documentos, a primeira parte da viagem, até Granada, foi custeada pelo Supremo. Os papéis advertem que o voo de retorno partindo de Berlim foi alterado por conveniência do ministro Gilmar Mendes. No total, as passagens custaram R$ 16.110,61.

A hospedagem entre os dias 12 e 16 de abril foi paga pela Corte, no valor de US$ 2.425. Entre os dias 19 e 24 de abril, o ministro bancou sua própria estadia em Berlim, no valor de R$ 3.714,20, parcelado em três prestações. No entanto, Mendes não explicou como viajou de Granada para Berlim.

"Vamos parar com fofoca? A gente está lidando com gângsters, com bandidos que ficam plantando essas informações. Desde 1979 eu viajo à Alemanha. 

Sempre vou. Eu tenho uma filha que mora lá, eu dou aula lá. Sou professor de Granada. A passagem é tirada pelo Supremo. Eu preciso de alguém pagando minha passagem, minha gente? Eu não preciso ficar me apropriando de dinheiro de fundo sindical nem de dinheiro de empresa", defendeu-se.

Na avaliação do ministro do Supremo, a tentativa de desmoralizar sua relação com Demóstenes tinha como objetivo atrapalhar o julgamento do mensalão. "O objetivo era melar o julgamento, dizer que o Judiciário estava envolvido numa rede de corrupção. Tentaram fazer isso com o Gurgel e estão tentando fazer isso agora comigo", avaliou Mendes.

Avião
Ainda sobre os boatos de que Cachoeira teria custeado sua viagem, Gilmar Mendes advertiu que lembra de apenas duas ocasiões em que viajou em avião fretado ao convite do senador Demóstenes Torres. As duas foram para Goiânia.

Na primeira, em 2010, foi para um jantar acompanhado do também ministro do STF Dias Toffoli e do ex-ministro Nelson Jobim. A segunda viagem, em 2011, foi para participar como paraninfo de uma formatura de bacharéis em Direito. Desta vez, estava acompanhado pela ministra Fátima Nancy, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e também por Toffoli.

Segundo o ministro, as viagens foram feitas em aviões da empresa Voar, de táxi aéreo, e que teriam sido cedidos pelo senador. Mendes, no entanto, não soube dizer quem teria custeado o aluguel das aeronaves.

"Se eu pegar uma carona com ele, caso ele tivesse um avião, teria algo de anormal? Eu fui duas vezes a Goiânia a convite dele. Tudo combinado, tudo divulgado. Tem lá anotado qual foi o avião, da empresa Voar. Isso é público, não estou escondendo nada. Vamos dizer que eu tivesse pego um avião que ele tivesse oferecido? Eu tinha algum envolvimento com eventual malfeito dele?", reagiu nervoso.

Carlinhos Cachoeira 
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. 

O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais. 

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

Quarta – feira 30/5/2012 ás 6:05
Postado pelo Editor

"Quando um magistrado da Corte Suprema bate boca, o Estado de Direito bate os dentes".


Política
Edição de sexta-feira, 1 de junho de 2012 
Ponteio

Aluisio Lacerda // aluisiolacerda@gmail.com

Tudo pelo índio

O Código Florestal e as reservas indígenas não estavam na pauta do Congresso Nacional da Unale, realizado com sucesso em Natal, mas o ex-ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki, cutucou os ambientalistas ao proferir sua palestra na manhã de ontem sobre o tema central da conferência (energia): "Em nenhum outro país o índio vive apenas da caça e da pesca, só no Brasil". E botou a culpa no Constituinte de 1988 que "concedeu direitos que nem mesmo os índios esperavam". Importantes para a nossa matriz energética, as hidrelétricas não podem avançar porque lá adiante há uma imensa reserva indígena. Além da redução das áreas agrícolas. "Nunca tivemos nem a preocupação de perguntar ao índio se ele não quer ser aculturado", fustigou o nissei que já presidiu a Petrobras. Mas o Brasil é o único país que atingiu a meta da Agência Internacional de Energia, ao estimar para 2030 que o mundo consuma 30% de energia renovável. Nossa matriz energética já supera os 40%. Qual a nossa meta, então? Energia barata, que não deve ser uma política estadual ou municipal, mas nacional. O consumo médio per capita no planeta está em torno de 2.730 kwh/hab. O Brasil perde para Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela e nações menos desenvolvidas, como África do Sul.

- O advogado Erick Pereira é o convidado da Federação das Câmaras Municipais do Rio Grande do Norte que realiza hoje, em Caicó, o 1º Simpósio Legislativo do Seridó. "A Ficha Limpa e o Futuro das Candidaturas" é o mote.

- O PSB, que indicará candidato a vice-prefeito na chapa de Carlos Eduardo Alves (PDT), ainda não definiu se o nome é o da deputada estadual Márcia Maia, que resiste, ou o da vereadora natalense, também do PSB, Júlia Arruda.

- Tem cacique analisando as pesquisas eleitorais em Natal. São qualitativas. E que o candidato dele à prefeitura não precisa estar bem nas amostras, basta ser experiente e preparado. Leitura: o novo nem sempre traduz mudanças.

- O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte/RN) terá mesmo de recolher as custas judiciais. O Sinte entrou com ação judicial pedindo a isenção, mas o juiz Ibanez Monteiro, da Vara da Fazenda, negou.

Leitos de UTI 

Pode ter sido mera coincidência, mas a exposição do caos da saúde pública do Rio Grande do Norte na mídia nacional produziu efeitos. O Ministério da Saúde habilitou 29 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) adulto para o Hospital Walfredo Gurgel e dez leitos pediátricos para o Hospital Infantil Varela Santiago. Portaria nº 497, de 29/05/2012.

Ação parlamentar 

O governador Eduardo Campos (PSB/PE) não ouviu a palestra do ex-ministro Shigeaki Ueki, que criticou o legislador Constituinte de 1988, mas fez o contraponto ao falar para os congressistas da Unale: "A Lei de Responsabilidade Fiscal equilibrou os Estados, temos um sólido sistema financeiro e combatemos as desigualdades. Foram os políticos que construíram isso".

Até os dentes

Numa roda de deputados de vários Estados, momentos antes da abertura do segundo dia do Congresso da Unale, no Centro de Convenções da Via Costeira, um deles resumiu a encrenca entre Lula e Gilmar Mendes citando artigo de Eugênio Bucci, do jornal O Estado de S. Paulo: "Quando um magistrado da Corte Suprema bate boca, o Estado de Direito bate os dentes". 


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Acessem à verdade nacional.

Amigos
O site da Biblioteca Nacional com jornais antigos tem um novo enderêço. Por sua importância para as nossas pesquisas informo a todos. 
Vale a pena excursionar por ele. É uma viagem ao passado. Muitas histórias que nos chegaram distorcidas por cronistas tem outras versões nesses jornais. A política era braba como agora. Dependendo do dono do jornal, como hoje, as versões são as mais diversas.Santos viram diabos e o contrário.

http://memoria.bn.br/hdb/periodicos.aspx


PGR »Sinal Fechado: desembargador Expedito Ferreira move ações

Publicação: 30/05/2012 08:45 Atualização: 30/05/2012 08:26
Do Diário de Natal
 
Investigado pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o desembargador Expedito Ferreira de Souza moveu, na última semana, ações judiciais contra cinco pessoas por calúnia, difamação e injúria. As petições foram feitas entre os dias 17 e 18 deste mês e pedem explicações ao marido da governadora Rosalba Ciarlini, Carlos Augusto Rosado, o ex-secretário da Casa Civil, Paulo de Tarso Fernandes, o procurador geral do Estado, Miguel Josino, e os envolvidos na Operação Sinal Fechado, José Gilmar Carvalho Lopes, Alcides Fernandes e George Olímpio.

De acordo com o site do TJ-RN, o processo contra Carlos Augusto foi arquivado por falta de elementos para comprovar a calúnia. Foi solicitado ao juiz da 7º Vara Criminal, José Armando, que o marido da governadora desse explicações em juízo sobre eventuais citações do nome de Expedito. "Não consegui extrair da narrativa quais teriam sido as referências, alusões ou frases proferidas pelo interpelado [Carlos Augusto] que eventualmentepudessem configurar crimes de calúnia, difamação ou injúria em desfavor do interpelante", diz a sentença.

Na 8ª Vara Criminal foram movidos dois processos. Um contra Miguel Josino e outro contra Paulo de Tarso. Ao procurador geral do Estado também caberia explicações em juízo sobre o envolvimento do desembargador na operação Sinal fechado. Porém, como Josino possui foro privilegiado, o juiz Ivanaldo Bezerra Ferreira dos Santos se declarou incompetente para o caso e determinou a remessa do processo ao TJ. Em relação a Paulo de Tarso, o magistrado relatou que o mesmo não fez nenhuma acusação usando o nome do desembargador e julgou extinta a interpelação judicial movida por Expedito.

As interpelações contra Gilmar da Montana e George Olímpio aparecem nas movimentações do TJ-RN como ainda não julgadas. Ambos são réus no processo decorrente da Sinal Fechado, mas ainda não teriam feito nenhuma acusação pública ao desembargador, ao contrário de Alcides, que durante delação premiada falou ao Ministério Público sobreExpedito ter recebido propina. O processo movido contra Alcides corre na 4ª Vara Criminal.

Apesar de Alcides ter dito ao MP que o desembargador recebeu propina durante as fraudes do sistema de inspeção veicular, o nome de Expedito surgiu pela primeira vez ainda nas interceptações telefônicas feitas nas investigações da Sinal Fechado. O nome do desembargador foi citado várias vezes em conversas entre os empresários Gilmar da Montana e Edson Cézar.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Tribuna publica matéria sem novidade.

A fonte é o blog de Anna Ruth, na Tribuna do Norte de hoje, transcrevendo o jornalão Valor Econômico, sobre fato profusamente divulgado na imprensa potiguar sobre a antiga Mina São Francisco, que pertenceu a um dos homens mais ricos do Brasil. O que chama a atenção é a nossa imprensa publicar que nos anos 20, já se extraía ouro em Currais Novos, quando o que se sabia e se divulgava era que a Mina Brejuí foi a pioneira na extração de minério  (xelita) naquele muncípio, de propriedade do desembargador Tomaz Salustino Gomes de Melo, nos anos quarenta.
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Tribuna do Norte.

22 de maio de 2012 às 10:12
A cidade de Currais Novos é hoje destaque na mídia nacional. Reportagem do jornal Valor Econômico, produzida pela correspondente em Sidney Vanessa Dezem , mostra que a região do Seridó receberá um investimento de R$ 400 milhões para uma mina em Currais Novos.
Veja a matéria na íntegra:
A região de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, é tradicional para a história de produção do ouro no Brasil. Ali, o garimpo começou na década de 20, produção depois evoluída para novas tecnologias, com o interesse de grandes empresários na região. Agora, quem pisa nas reservas nordestinas é um grupo australiano, em busca do metal precioso. A Crusader, empresa com capital aberto em Sydney, vai investir R$ 400 milhões na construção de uma unidade de beneficiamento de ouro e prevê uma capacidade de produção de 5 toneladas do metal (150 mil onças) por ano por dez anos. O projeto Borborema fará com que a companhia se torne uma das principais produtoras brasileiras de ouro.
“Nós arriscamos e agora acreditamos que essa área tem potencial para ser uma das maiores do país”, afirmou ao Valor, o presidente executivo global da Crusader, Robert Smakman. Em 2010, a australiana adquiriu o projeto de uma pequena empresa que o havia comprado do empresário Eike Batista.
A região foi explorada desde a década de 90, mas com o recuo dos preços do ouro e a exigência de novos investimentos, à medida que o ouro de mais fácil extração ia acabando, decidiu vender o negócio. A pequena empresa que comprou o Borborema, por sua vez, não tinha capital suficiente para dar continuidade à exploração. “Eles achavam que Eike tinha tirado todo o ouro dali. Nós tínhamos uma opinião diferente”, conta Smakman.
A aquisição na época foi concluída por US$ 2,4 milhões e desde então, a australiana iniciou os estudos na região. Foram gastos US$ 15 milhões até hoje e, em setembro do ano passado, a empresa concluiu a fase preliminar dos estudos de viabilidade e no início deste ano, assinou um protocolo de intenções com o governo do Estado do Rio Grande do Norte para a produção.
Com o preço do ouro no patamar dos cerca de US$ 1.500 a onça-troy (31 gramas), estima-se faturamento anual de cerca de US$ 230 milhões com o projeto.
Os custos de extração e exploração do metal no projeto, no entanto, são grandes. Segundo Smakman, o custo de produção de uma onça de ouro soma cerca de US$ 700 e o teor aurífero da jazida na região não é elevado: de 1,2 grama de ouro por tonelada de minério extraída e beneficiada. “A produção é difícil, mas as empresas australianas estão acostumadas com isso e detemos tecnologia”, explica o executivo australiano.
Além disso, a construção da unidade de beneficiamento vai enfrentar diversos desafios, informa ele. Problemas com os recursos naturais e os de infraestrutura locais para a operação estão entre os mais complicados. Na região, de solo muito seco, falta água, insumo que precisa ser abundante para o processo de produção do ouro, principalmente nas operações de beneficiamento do minério. Dentre as soluções consideradas estão a utilização de reservatórios subterrâneos e a reutilização da água da cidade de Currais Novos. Para o escoamento da produção, será necessário também o desvio de uma rodovia da região.
Para obter os R$ 400 milhões para a construção da unidade, a Crusader pretende levantar recursos no mercado, o que deve incluir empréstimos em bancos. “Consideramos ainda a opção de abrirmos capital da empresa no Brasil”, afirma Smakman. A companhia, que tem outros três projetos no país – envolvendo minério de ferro, tungstênio, estanho e urânio – ainda não tem receita e conseguiu levantar seu capital no mercado financeiro australiano a partir de uma oferta inicial de ações local e com posteriores vendas dos papéis.
Smakman prevê que em 2013 será possível construir a unidade de beneficiamento e em 2014 iniciar a produção. Geólogo, fundador da companhia em 2004, o executivo nasceu em Perth, forte região mineradora da Austrália. Apesar de a empresa estar na Austrália, todo o corpo administrativo está no Brasil, com 90 funcionários. “No Brasil faltam empresas com capital para explorar recursos minerais. Na Austrália, há 5 mil empresas como nós, menores e com apetite ao risco, explorando, enquanto no Brasil há cerca de 50. Há muitas oportunidades para exploração de projetos que foram ignorados e para novas áreas de exploração”, conta Smakman.

Lembrando Djalma Maranhão.



No final da manhã de hoje, 22, encontrei-me com o xará Luiz Gonzaga de Carvalho, aposentado da Assembléia Legislativa, que em abril de 1964, soldado d0 Exército, servindo no R.O., em Santos Reis, participou do grupo de militares designados para prender o Prefeito de Natal, na rua Ulisses Caldas, e conduzi-lo para o QG, ao lado da Catedral. Comandava o grupo um oficial cearense, tenente Borges, cumprindo ordens do coronel Leitão. Feita a prisão de Djalma, ele foi conduzido para o 16º R.I., no Tirol, onde não teve uma recepção educada do capitão Lacerda que tentou dar-lhe um sôco. Djalma se abaixou e deu  uma certeira bofetada no pé do ouvido de Lacerda, que caiu pronto, se cagando todo no chão. O resto é outra história. Procurem Luiz Manchinha para ouvir outras histórias. a) Luiz Cortez, jornalista.




Reproduzido de O Santo Ofício

DJALMA MARANHÃO, O QUIXOTE POTIGUAR
Por Antenor Laurentino Ramos

Conheci Djalma Maranhão em Nova Cruz, quando eu era ainda estudante secundarista. Estava no ardor da mocidade. O grande político fora fazer uma palestra juntamente com Aldo Tinoco, o pai. Salatiel, George, Marcílio de Dr. Otacílio, Claudionor Soares, Raimundo Menezes e eu fôramos convidados por Eliezer Menezes, líder operário comunista da cidade. A reunião teria lugar no Cinema Éden, de Paulo Bezerra Souto, simpatizante também esquerdista também, da época.

Tempos depois, iria reencontrá-lo no seu exílio em Montevidéu. Já o conhecia de vista no Jornal de natal de sua propriedade. Via-o sempre, em conversa animada com meu irmão Afonso e Luis Maranhão Filho. Eu trabalhava, nesse tempo, no Diário de Natal. Como revisor.

Na viagem ao Uruguai, comemorávamos a conclusão de nosso curso, os Bacharéis de Direito de 1971, o Planex. Fazia parte dessa excursão 13 alunos, 6 homens e 7 mulheres. Entre eles relembro Lúcio Teixeira dos Santos, Andrier Abreu, Molina, Mizael Barreto, Elias Maciel, Cléa Bacurau, Lúcia Barbosa, Méssia Feitosa, Jandira, Nadja Lopes Cardoso, Salete do Ó Pacheco…

Foi uma longa e estafante viagem via terrestre. Saíramos de Natal, pernoitando no Rio, para retomarmos nossa viagem rumo às terras gaúchas. Chegamos mesmo a assistir em Porto Alegre a um jogo no Estádio Beira-Rio, Internacional versus Atlético Mineiro.

Na capital do Uruguai ficamos hospedados no Hotel Campeotti, Calle General Artigas. Após um demorado repouso, saíramos para o primeiro encontro com a bela cidade. Era uma das que nos tempos de estudante do Ginásio Natal desejava conhecer e o responsável por esse desejo o era meu saudoso professor de geografia.

Djalma já nos procurara à noite com Dona Dária, sua esposa. Trazíamos uma carta de seu filho, Marcus, nosso contemporâneo de Faculdade. Não chegamos a vê-lo nesse primeiro contato, Mizael e eu. Fôramos convidados por um amigo que fizéramos em Montevidéu a um passeio noturno pelo lugar com direito a vinho e cerveja.

No dia seguinte, lá estava Djalma de novo. Oferecera-se para ser nosso guia turístico e não largamos mais. Relembro o nosso primeiro contato, os colegas nos apresentaram a ele e a Dona Dária. Foi quando eu disse: “- Djalma, a gente já se viu em Nova Cruz. Eu era bem jovem. Depois, acostumei-me a vê-lo conversar com o meu irmão”. “- Quem é seu irmão?” “- Afonso Laurentino Ramos”. “- Não acredito, disse-me ele.

Desde ontem que eu pergunto a esses meninos se conhecem Afonso e deparo-me agora com o seu irmão!” “- Como vai ele? Namora ainda Lourdinha Alves, Diúda, irmã de Aluizio?” E notava em seu semblante, a alegria de saber notícias do Afonso! Maior surpresa, para mim, foi quando me perguntou: “- E Antonio Laurentino, seu pai?” “- E você conhece meu pai?” “- Ora, responde-me rindo: mas que a Afonso! Tomei muita cachaça e uísque com teu pai na praia da Redinha”. Sentia-me orgulhoso e emocionado por sabê-lo íntimo de meu pai e de meu querido irmão. Foi assim que vi Djalma Maranhão pela última vez.

Só falava em Natal; sentia-se nele a saudade do solo querido. Contou-nos muitas de suas peripécias após a prisão em Natal, a caminho do exílio. Que figura interessante e carismática, o Djalma! Um ano depois, voltava a Natal, não mais para retomar as suas atividades políticas que era a razão de ser de toda a sua história. Chegava morto e aplaudido pelo povo, com gritos de alegria e de lágrimas, ele que fora o maior prefeito de Natal de todos os tempos, o verdadeiro prefeito do povo!

Djalma era um político raro nos dias de hoje, uma espécie em extinção. Sentia Natal e o seu povo; confundia-se com ele, e a sua popularidade não era uma popularidade fabricada pela mídia, era natural, fruto da sua empatia com a gente potiguar. Tinha aquele que os franceses chamam de rapport, uma ligação afetiva que se estabelecia num primeiro momento com as massas.

Djalma merecia ser mais bem lembrado em Natal. O muito que se fizer em sua homenagem, é pouco pelo que para nós representou como líder e administrador. Revolucionou mesmo a administração da cidade. Foi, com Aluizio Alves, o exemplo maior, infelizmente não continuado, de excelência administrativa aliada a um idealismo sem par. Considero-me um privilegiado em ter com ele privado da sua convivência, do seu sonho de ser o redentor de sua terra. Grande Djalma, figura marcante, Dom Quixote mesmo, condestável de seu tempo em Natal! Salve!
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Reproduzido de "O SANTO OFÍCIO", de Franklin Jorge



segunda-feira, 21 de maio de 2012


O URUBU E COLIBRI
                                                                                                                                                             


      Públio José – jornalista
(publiojose@gmail.com)

OBS: Qualquer semelhança com a realidade política, jurídica e parlamentar brasileira, não é mera coincidência.


                            Conta a fábula que o colibri morria de inveja do urubu. Acostumado a voar em baixas altitudes, via o urubu ganhar o espaço em longo bater de asas, desafiar grandes distâncias, planar sereno sobre montes, montanhas, conviver na companhia de brancas nuvens. “Como é majestoso o vôo do urubu”, pensava, diante da insignificância do contexto em que vivia. Parado, ficava a imaginar a beleza dos cenários, a diversidade geográfica, a imensidão dos espaços observados do alto. Olhava para si e se via pequeno, frágil, impotente pela diminuta estrutura corporal que carregava. “Como alcançar grandes altitudes, conhecer novos horizontes, almejar ter uma visão larga do mundo sendo tão pequeno?”, se indagava. Perguntas, perguntas e mais perguntas. E quase nenhuma resposta para apascentar a sua angústia interior. De fato, de concreto mesmo, só a tristeza pela distância que o separava do urubu.
                        Acalentava um grande desejo de, um dia, conhecer de perto tão fascinante personagem. “Ah, pensava, quantas histórias bonitas o urubu terá para me contar, quantas pessoas interessantes ele deverá ter conhecido como fruto de suas exuberantes expedições aéreas”. Enquanto cuidava da casa, do seu exasperante dia-a-dia, o colibri remoia uma vontade enorme de travar conhecimento com o urubu, de vê-lo de perto diante dos olhos. Mexe daqui, indaga dali, tenta dacolá, terminou conseguindo marcar uma audiência com o importante viajor dos altos ares. O urubu recebeu-o entediado. “O que quererá comigo ave tão insignificante? Porventura pensa que posso ficar aqui perdendo tempo com as bobagens que, com certeza, me trará? Esse povo miúdo abusa da nossa educação, da nossa boa vontade. Afinal, receber colibri para tratar de quê? Colibri, bahhhh!”
                        Indiferente ao clima abusado que iria encontrar, o colibri antegozava a grande conquista. E se preparava para o dia do grande encontro. Que durou poucos minutos. Após manifestar a sua admiração por tão grande deferência, o colibri não deu nem tempo ao urubu de raciocinar. Sapecou-lhe um convite para almoçar em sua casa. Sem ter outra resposta em mente, o urubu aceitou. Agendaram o futuro compromisso para dali a quinze dias. O urubu bateu suas grandes asas e se foi. O colibri ficou embasbacado. Deu-se umas beliscadas para ter certeza de que não estivera sonhando e voltou para casa – saltitante. Passada a euforia inicial, uma coisa lhe chamou a atenção: o mau cheiro que exalava do urubu. “Seria dele próprio ou fruto de uma coincidência? Ah, certamente algum animal morto por perto fizera aquela descortesia”. Pediria desculpas ao visitante no dia do almoço – conformou-se.
                        O preparo da refeição lhe deixou afogueado. Pesquisou as mais finas iguarias, os repastos mais saborosos. Com rigor planejou sua agenda para que nada atrapalhasse tão esperado momento. Mas malditas das malditas desgraças!!!! Ao acordar naquele dia encontrou o corpo de um burro morto, putrefato, em frente à sua casa. O fedor era insuportável, nauseabundo. Tentou de todas as maneiras resolver a questão. Chamou o serviço municipal de limpeza, ensaiou um mutirão com outros habitantes do bairro. Não houve jeito. A hora se aproximava e o cadáver do burro permanecia lá, inamovível, impregnando a região com um odor terrível. O urubu chegou e – interessante – nem reclamou do forte mau cheiro, enquanto o colibri se desculpava e se esmerava nos salamaleques. Para piorar a situação, nada agradava ao ilustre convidado. O urubu rejeitava as iguarias e os manjares postos à sua frente.
                        Aflito, o colibri pediu licença ao urubu e internou-se na cozinha para tentar um novo prato. Perdeu tempo na nova empreitada. Quando deu por si imperava na casa um grande silêncio. “Onde estará o visitante?”, afligiu-se mais ainda. Procura, procura e nada. “Vergonha, vexame! Com certeza ele foi embora”. O colibri não se perdoava a afronta feita ao urubu – e lastimava a amizade perdida. Desalentado, deu uma chegadinha no terraço da casa. Qual não foi sua surpresa ao flagrar o urubu inclinado sobre o burro morto, refestelando-se com a carniça fedorenta, engolindo, com sofreguidão, nacos e mais nacos do corpo do finado animal. Estupefato – e impotente – o colibri a tudo assistia. Terminada a refeição o urubu bateu suas longas asas e alçou vôo. Do colibri nem se despediu. Como herança deixou apenas uma forte fedentina no ar. E foi curtir a podre refeição na imensidão azul celeste.  
  
Pneumonias

       Todas as vezes que surge uma nova terapia de qualquer natureza que
seja e que se propõe a ser uma panaceia, isto é, a cura definitiva de
inúmeras patologias ao mesmo tempo, sempre fico com uma pulga atrás da
orelha. Por mais “lógico” que pareça, a evolução da ciência não se
baseia numa lógica observacional pura – as teorias necessitam de ser
postas em provas para que sejam confirmadas, ou não.
       Digo isso pois com o surgimento dos antibióticos alguns séculos
atrás, imaginou-se que dentro de alguns anos as doenças
infecto-contagiosas deixariam de existir. Acreditou-se nisso e, no
entanto, somente aqueles que ficaram vivos para ver constataram que
não foi isso que aconteceu. Só existe um método capaz de erradicar
doenças infecciosas: as vacinas. Não contávamos, décadas atrás, com a
astúcia das bactérias em criarem mecanismos de resistência contra os
antibióticos chegando a extremos que não temos o que fazer contra
elas!
       As pneumonias são um bom exemplo disso. Velhas conhecidas da
alopatia, tratam-se de patologias mediadas por uma bactéria, sendo a
mais comum delas o “pneumococo” na faixa etária adulta. Em todos nós,
seres humanos, bactérias vivem sem geralmente provocarem problema
algum na chamada microbiota– na verdade muitas vezes auxiliando em
nossa defesa. Misteriosamente, uma importante parcela da população
convive com o pneumococo em sua microbiota sem, no entanto,
desenvolverem doenças por muitos anos. Sabemos hoje que não basta um
“germe” para que uma doença se desenvolva, sendo também necessário o
terreno fértil para que ele “germine”.
       Como não temos o poder de atuar no “terreno”, isto é, na psique das
pessoas evitando que elas desenvolvam as doenças, atuamos nos
“germes”. Num adulto normal, as pneumonias costumam se manifestar com
febre, tosse cheia com secreção amarelada ou esverdeada, dor quando se
respira profundamente e um Rx e exame de sangue sugestivos, embora
esses exames não sejam necessários para que se dê o diagnóstico da
doença. Isso é o quadro típico num adulto normal. Crianças, idosos e
portadores de doenças como AIDS e câncer podem apresentar um quadro
completamente diferente e até mesmo jovens saudáveis podem
apresentar-se de maneira atípica. Só uma boa avaliação médica pode nos
dar o diagnóstico.
       O tratamento das pneumonias e com antibióticos e com medicações para
a febre. Ressalto, no entanto, que é fundamental que se faça todo o
tratamento prescrito pelo médico mesmo que você já se “sinta bem”. Não
gostamos de passar remédio e quando o assunto é antibiótico, menos
ainda. A interrupção do tratamento pela metade pode ajudar a criar
populações de bactérias resistentes aos antibióticos que temos até que
não tenhamos com que tratá-las.  À medida que se iniciarem as chuvas,
mais e mais doenças respiratórias surgirão. Na dúvida, procure seu
médico e se for confirmada a pneumonia, tome a medicação até o final.
O que “ofende” é não seguir o que está na receita.

paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN
Paulo_tarcisio@hotmail.com