segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

85 pessoas mais ricas do mundo ganham mais do que 3,5 bilhões pessoas.

Fonte: cartamaior.com.br
24/01/2014 - Copyleft

Pesquisa da Oxfam expõe desigualdade escandalosa no planeta

Segundo a Oxfam, cerca de 3,5 bilhões de pessoas ganham, somadas as suas rendas, o mesmo que as 85 pessoas mais ricas do mundo.


Marcelo Justo
Andy Hall/Oxfam

Londres - A desigualdade mundial é tão acentuada que até a Cúpula dos Ricos de Davos, que começou na quarta-feira, a citou como uma das grandes ameaças para a economia global. Um informe da organização humanitária Oxfam difundido segunda-feira ilustrou essa realidade com uma comparação que revela os extremos do desequilíbrio social em pleno século XXI. Segundo os cálculos da Oxfam, a metade da população mundial – cerca de 3,5 bilhões de pessoas – ganham, somadas as suas rendas, o mesmo que as 85 pessoas mais ricas do planeta. Esta aparente confluência no diagnóstico entre uma ONG que luta contra a pobreza global e o Fórum Econômico Mundial, organizador de Davos, termina com a identificação do problema.

Em uma pesquisa da empresa de consultoria internacional PricewaterhouseCoopers, publicada quarta-feira, ficava claro que as mil multinacionais que financiam o Fórum de Davos defendem que a desregulação e a redução do déficit fiscal são fundamentais para lidar com os problemas econômicos globais. No caminho oposto, a Oxfam pretende terminar com os paraísos fiscais, promover um sistema tributário progressista e salários dignos, todas soluções rechaçadas pelas multinacionais. A Carta Maior conversou com o chefe de pesquisa da Oxfam, Ricardo Fuentes-Nieva sobre os desafios de promover uma maior igualdade em um mundo  globalizado.

A Oxfam está participando em Davos e coincidiu com a avaliação do Fórum Econômico Mundial sobre os perigos colocados pela desigualdade. Mas as coincidências param por aí, não?

Ricardo Fuentes-Nieva: Em nosso informe nos vimos que em 24 dos 26 países mundiais que têm informações estatísticas dos últimos 30 anos a desigualdade aumentou. Colocado de outra maneira, sete de cada dez pessoas do mundo vivem em um lugar mais desigual que há 30 anos. Uma segunda conclusão de nosso informe é que os ricos têm uma crescente influência nos processos políticos, o que coloca sérios problemas de legitimidade. Por último, pensamos que não razões para que essa situação siga sendo assim. É um tema que pode ser corrigido com políticas públicas concretas.

Precisamente, mas o caminho que vocês apontam é o oposto daquele que ´r promovido em Davos.

RFN: Nós acreditamos que deve haver um combate global contra a evasão fiscal e os paraísos fiscais. O estouro financeiro de 2008 aprofundou a desigualdade com os programas de austeridade aplicados para solucionar uma crise que teve sua origem nos mais ricos do mundo e sua especulação financeira. Os paraísos fiscais foram fundamentais nesta especulação e constituem uma das chaves do desfinanciamento dos estados porque distorcem a política governamental. Por um lado, forçam políticas de redução fiscal para os mais ricos para que não recorram à evasão e à fuga de capital. Por outro, impedem políticas sociais e econômicas que reduziriam a desigualdade pela queda da arrecadação fiscal.

Desde a década de 70, a carga tributária diminuiu para os ricos em 29 dos 30 países onde existem dados disponíveis. Esta é uma política impulsionada pelo crescente poder político dos ricos e pelo desequilíbrio em favor das corporações na distribuição dos lucros econômicos entre trabalhadores e o capital.

O argumento mais citado em favor de salários baixos e vantagens tributárias é a competitividade das empresas em um mundo globalizado. Sem questionar a globalização atual, não parece haver solução para o problema da desigualdade.

RFN: É um ponto muito importante. Parte desta concentração de renda está vinculada à globalização que, ao mesmo tempo, teve aspectos positivos ajudando a que milhões de pessoas saíssem da pobreza. Mas o certo é que o salário real médio decresceu em muitos países. Não se pode afirmar que este fenômeno se deva pura e exclusivamente à globalização. É certo que os avanços tecnológicos que acompanharam a globalização foram enormes e geraram uma redistribuição econômica para grupos com maior nível de educação. Mas, ao mesmo tempo, a concentração de renda que temos visto nos últimos dois anos não pode ser explicada por este fator porque a globalização é um processo em curso há muito tempo.

A América Latina foi um dos lugares mais desiguais do planeta por muito tempo. Como avalia a situação da região nos últimos dez anos?

RFN: Acreditamos que ocorreram grandes progressos que demonstram que é possível melhorar as coisas se existe vontade política. Programas sociais como o Bolsa Família no Brasil, o Trabalhar na Argentina, o Chile Solidário, e Oportunidades no México, colocaram a América Latina na vanguarda de políticas inovadoras de intervenção estatal para lidar com a desigualdade. Mas é certo que isso não foi suficiente. Os protestos no Chile ou no Brasil são sinais de que resta muito por fazer. Ainda assim, a tendência é animadora na América Latina e muito melhor do que em outras partes do mundo.

O que pode ocorrer se não se modificar este panorama de crescente desigualdade global?

RFN: Estamos diante de um perigo de ruptura do contrato social e de dissolução da ideia de cidadania. Se os governos não refletem a vontade de grande parte da população, começam a perder legitimidade, dinamismo e colocam em perigo a democracia, os direitos humanos e outras conquistas. Neste sentido, para além de se a avaliação que Davos faz da desigualdade como uma das ameaças da economia mundial é um mero exercício de relações públicas, creio que não é em interesse das mesmas empresas de Davos que essa situação se desdobra. Esse desdobre não vai passar de um ano, mas há um perigo que a sociedade se torne esclerosada com um impacto concreto econômico e com um risco crescente de explosão social porque, agora, a desigualdade está afetando ao conjunto da sociedade de muitos países, incluindo as classes médias, que foram uma das grandes perdedoras da crise de 2008.


Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Créditos da foto: Andy Hall/Oxfam





Moacir R. de Pontes - 27/01/2014
Escandalizar-se é preciso. A concentração não é apenas da riqueza, mas também do poder, que a estabiliza. Nem a progressiva destruição do ambiente natural tem sido suficiente para deter o processo. Tenho fé nas possibilidades humanas. E escandalizar-se sempre ajuda na superação de nossa tendência à passividade.

Claudio Antonio Guerra - 25/01/2014
Caro Pedro, me recordo que nos setenta, na Rua 15, você e Fani cristalinamente expunha as leis do capitalismo conforme O Capital de Marx. A concentração faz parte do sistema e surpresa seria se fosse o contrário. Afinal a tendência a cair da taxa de lucro é lei e as empresas se esmeram em fugir dela, mesmo que matem milhões de humanos e destruam a natureza.

Ladislau Dowbor - 24/01/2014
Caros, esta pesquisa da Oxfam representa uma excelente ferramenta de trabalho para todos os que lutam contra a desigualdade. Cifras impressionantes. O texto está disponível na integra em inglês, francês e espanhol, 34 páginas, não mata ninguém, linguagem clara e simples. Vejam o texto completo no meu site dowbor.org em Artigos Recebidos, ou diretamente na Oxfam em http://www.oxfam.org/en/policy/working-for-the-few-economic-inequality

Pedro de Alcantara Figueira - 24/01/2014
Não entendo a razão de se escandalizar. Esta concentração da riqueza já está prevista no Capital de Marx.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Chegou a hora do retorno à selva de pedra.

CARTAS DE COTOVELO 2014 (15)
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes
            Chegou a hora de dar adeus ao veraneio em Cotovelo 2013/2014. As obrigações nos convocam a retornar à selva de pedra.
            Às vezes chego a pensar que veranear é um exercício de masoquismo, pois após momentos lúdicos somos abruptamente chamados à realidade e forçados a deixar tudo e voltar à rotina.
            São coisas impostas pela vida!
            Em Cotovelo vivenciamos dias e noites que ficarão gravadas em nossa memória familiar e individual. Com especial carinho registro os parentes que vieram abraçar Rosa em seu aniversário e ontem, os seus velhos colegas do Colégio das Neves – dois momentos inesquecíveis.
            O contato com a natureza. A visita permanente dos parentes e amigos preencheram os dias do veraneio, aliados à paz para boas leituras, filmes selecionados, escrever minhas Cartas e meditar, num caleidoscópio de emoções permanentes.
            As mensagens dos amigos nos confortaram e fizeram fortalecer nossas amizades, não deixando que o tédio tomasse conta dos muitos momentos de solidão.
            Este ano atrevi-me a escrever mais que o normal, arriscando a primeira experiência no campo do romance ou conto. Vou ainda fazer algumas complementações e verificar se valeu a pena – o tempo dirá.
            Fica um pouco de saudade desses momentos tão agradáveis vividos, na esperança que nenhum imprevisto impeça a volta quando outro verão chegar.
            Esperamos que as coisas evoluam para as melhorias do sistema de esgoto, tão badalado, mas ainda sem funcionamento; que a edilidade e o MP resolvam a poluição sonora das casas de show em Pirangi, que se estende a Cotovelo e nos deixem em paz, sem quebrar a placidez dos momentos que procuramos descansar; que a comunicação via internet seja facilitada.
            Confesso – a nostalgia invadiu o meu espírito. Fui dar a última vista d’olhos no mar de janeiro. Sentei-me no alpendre e ouvi vários discos de Edith Piaf; li os jornais do dia; joguei uma partida de dominó com Carlos Neto e agora vou aguardar a irradiação do primeiro jogo oficial da Arena das Dunas. Vou dormir a última noite do verão de Cotovelo, pois amanhã enfrentaremos o caminho da volta.
Não quero olhar para traz para evitar a sensação desagradável da partida. Se tudo correr bem, voltarei nos finais de semana para interromper a prescrição, como me dizia sempre o saudoso amigo Mário Moacyr Porto (sempre repito isso porque é gostoso.
            Cada dia tem o seu próprio problema e o tempo pertence a Deus!

                                                                       

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Snowden diz que chefes da NSA devem pagar por práticas ilegais

Num bate-papo com internautas, ex-colaborador do serviço secreto defende punição para responsáveis pela espionagem e diz que leis dos EUA impedem que ele retorne e tenha um julgamento justo.
"Pergunte a Snowden." A hashtag #asksnowden foi destaque durante toda esta quinta-feira (23/01) no serviço de mensagens curtas Twitter. Pessoas de todo o mundo encaminharam perguntas ao ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden, que atualmente está exilado na Rússia.
A primeira questão foi lançada pela internauta @savagejen, do Texas, nos EUA, que se identificou como hacker mommy. "Você acha que a nossa democracia pode se recuperar dos danos que a espionagem da NSA causou às nossas liberdades?" A resposta veio prontamente. "Sim. O que torna o nosso país forte é nosso sistema de valores e não a situação atual de nossas agências ou a redação das nossas leis", afirmou Snowden.
Das centenas de milhares de mensagens que foram enviadas via Twitter, o ex-colaborador da NSA escolheu, no início, principalmente aquelas relativas à política interna dos Estados Unidos e da NSA. Questões que davam a ele oportunidade para críticas a Washington.
As respostas foram relativamente longas. Snowden voltou a falar na "vigilância em massa indiscriminada, na qual governos capturam bilhões e bilhões e bilhões de dados de comunicação de pessoas inocentes todos os dias". Ele argumentou que isso não é feito por ser necessário, mas apenas porque é fácil e barato, devido às novas tecnologias.
Além disso, o delator disse acreditar ser possível restringir a monitorização dos serviços secretos. "Podemos corrigir as leis, restringir o alcance desses serviços e processar os funcionários superiores responsáveis ​​por esses programas ilegais."
Perguntas foram enviadas de todo o mundo
"Leis atuais não me oferecem proteção"
Quando alguém perguntou sob que circunstâncias ele voltaria aos Estados Unidos, Snowden criticou a atual lei para denunciantes, que impede que ele retorne e receba um julgamento "justo". Ele disse que retornar e receber um julgamento justo seria a melhor solução não só para si, mas também para o governo e para o público, mas as leis atuais não lhe oferecem proteção alguma.
O ex-colaborador dos serviços de espionagem americanos também respondeu a críticas. O internauta @MichaelHargrov1, que se descreve como um "ex-soldado do Exército, um democrata orgulhoso e defensor do presidente Obama", quis saber se Snowden "respeitou a privacidade de seus colegas" quando roubou as senhas pessoais deles. O usuário se referia a uma informação veiculada num artigo da agência de notícias Reuters.
No entanto, a resposta teve apenas duas linhas, tendo sido, de longe, a mais curta de todas. "Com todo o respeito a Mark Hosenball, o repórter da Reuters que publicou isso, a informação é simplesmente falsa. Nunca roubei qualquer senha nem enganei um exército de funcionários."
Perguntas sobre aliens
Além das inúmeras perguntas sérias, havia também brincadeiras. A hashtag #asksnowden foi usada para questionar Snowden sobre Justin Bieber, aliens ou o tempo. Outros queriam saber o que deveriam comer no café da manhã.
As respostas de Snowden foram disponibilizadas na página www.freesnowden.is. Nela, há também pedidos de doações e informações detalhadas sobre o ex-colaborador da NSA e sobre os segredos que ele revelou e que provocaram indignação em todo o mundo.
O endereço é da The Courage Foundation, criada para apoiar jornalistas perseguidos por causa de suas revelações. Snowden é a primeira pessoa apoiada pela fundação, que tem o fundador do Wikileaks Julian Assange entre seus apoiadores.
Ainda no final de 2013, o Parlamento da União Europeia havia discutido se deveria interrogar Snowden através de uma conferência de vídeo. No entanto, a iniciativa de alguns deputados não teve sucesso, porque não houve consenso sobre a forma como o interrogatório poderia ser realizado.

DW.DE

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sobre a Coluna Miguel Costa e Prestes em São Miguel/RN em 1926.

A Coluna Preste no Rio Grande do Norte - VII
Tomislav R. Femenick – Membro da diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Uma das tarefas mais árduas do historiador ao relatar um acontecimento histórico é manter-se imparcial perante os acontecimentos e para isso há que “separar o joio do trigo”, os fatos das versões e, principalmente, se desviar das ciladas preparadas por fontes cheias de preconceitos, lacunas propositais e interpretações ideológicas. No caso das ocorrências mais recentes, eventos das primeiras décadas do século passado, por exemplo, nem as fontes primárias (depoimentos de pessoas envolvidas, documentos escritos, fotografias etc.) escapam dessa armadilha.

            É o que se dá quando se escreve sobre episódios da Coluna Prestes. Muitos dos relatos primários estão impregnados de versões adversas à realidade, de ataques injustificados ou com viés de caráter laudatório. O mesmo também acontece com as fontes secundárias, a historiografia baseada nas fontes primárias. É o caso de uma obra de Jorge Amado, um dos maiores escritores do país que, ao escrever sobre a Coluna Prestes, produziu uma versão edulcorada, doce, mansa, suave. “Vida de Luis Carlos Prestes: el caballero da Esperanza”, foi escrita em Buenos Aires em 1942 e publicada em espanhol, pelo Editorial Claridad, depois reeditada no Brasil pelas editoras Martins, Record, Circulo do Livro e mais recentemente pela Cia. das Letras. Segundo Marcelo Bortoloti publicou na revista Época em dezembro passado, a biografia de Prestes escrita pelo escritor baiano é laudatória, sem equilíbrio e com grande dose de parcialidade. 

Estranhamente o próprio autor (ou a Editora Record) baniu o livro da relação de “Obras de Jorge Amado”, inserida na última página do seu romance “Tieta do Agreste”, publicada em 1977. Talvez tenha sido porque o pensamento político de Jorge tenha mudado quando ele deixou o Partido Comunista, em 1958, e ele já não mais concordava com o que tinha escrito sobre Prestes.

            Essas palavras – a propósito da necessidade de “exigência crítica” sobre as fontes primárias e secundárias dos relatos históricos – estão sendo aqui inseridas com referência à série de artigos que está sendo publicada pelo historiador Luiz Gonzaga Cortez (meu confrade do Instituto Histórico e Geográfico do Rio do Norte), sobre o mesmo evento aqui abordado: a passagem da Coluna Prestes pelo Rio Grande do Norte, em 1926. Minhas únicas vantagens é que comecei primeiro e falo sobre o Rio Grande do Norte e ele, até agora, tem falado somente sobre São Miguel. No resto estamos juntos na tarefa de reavivar a historia de uma época que poucos conhecem, história presa nas páginas de livros velhos armazenados em estantes empoeiradas ou em papéis amarelecidos pelo tempo.

            Cortez tem baseado seu trabalho em um depoimento feito por José Guedes do Rêgo, em “cinco páginas datilografadas sobre o que viu e ouviu”. E, com muita sutileza, desde o primeiro artigo tem deixado aflorar fatos contraditórios ou que mostram a parcialidade do depoente. Em primeiro lugar deixou ver que na cidade de São Miguel uma parcela da população – certamente a maior – tomou posição contraria aos revoltosos e outra se dispôs a acolher e dar guarida os membros da Coluna. No primeiro caso estavam os liderados pelo presidente da Intendência Municipal (prefeito), cel. João Pessoa de Albuquerque, também conhecido por João Leite; no outro, estavam os simpatizantes dos revolucionários, os que acompanhavam o comerciante Manoel Vieira de Carvalho que, segundo o historiador Rostand Medeiros (2010), hospedou os líderes dos revoltosos em sua na casa e “buscou receber o grupo da melhor forma possível”, com o que garantiu a segurança de sua família e a integridade de seu patrimônio, enquanto que o cel. João Pessoa e seus familiares tiveram que se refugiar na zona rural.

            A descrição que José Guedes do Rêgo faz dos fatos – segundo mostra Cortez – é ambígua. Ao mesmo tempo em que indiretamente louva a atitude de seu empregador (sim, em 1926 Zé Guedes era empregado de Manoel Vieira de Carvalho), classifica o cel. João Pessoa, um cidadão com 72 anos de idade, como “fujão” e “chefete” e apresenta seu filho, José Augusto Pessoa, como um covarde “que nunca se envolveu em luta”.

            Luiz Carlos Prestes esteve ligeiramente na zona urbana de São Miguel, deixando o comando das operações a cargo dos tenentes João Alberto, Siqueira Campos e Djalma Dutra. O líder da Coluna passou a maior parte do tempo em seu Estado Maior, localizado a pequena distancia da cidade. Porém em determinado momento o comando dos revoltosos, a convite do próprio Manoel Vieira, se instalou na sua residência “como se fosse seu escritório e começaram a ouvir todas as pessoas que conseguiram prender fora da cidade”. Isso está dito no depoimento de José Guedes do Rêgo, que teria presenciado o episódio.
Comentando a passagem da Coluna Prestes por nosso Estado, o historiador Geraldo Maia, em artigo de 01.04.2009, sintetizou: “o fato histórico ocorrido aqui na região, mostrando que longe de atingir os seus objetivos, a Coluna dos Revoltosos, como ficou aqui conhecida, deixou um rastro de medo e destruição”. 

João Pessoa de Albuquerque foi Presidente da Intendência de São Miguel de 1911 a 1913, deputado estadual em 1915 a 1926 e, em 1963 quando o antigo distrito Baixio de Nazaré foi desmembrado de São Miguel e se tornou Município, recebeu o nome de Coronel João Pessoa, em sua homenagem. Depois da Revolução de Trinta, Manoel Vieira de Carvalho foi prefeito nomeado de São Miguel de 1930 a 1932. José Guedes do Rêgo foi eleito vice-prefeito de Pau dos Ferros em 1957.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Depois da Alemanha, o Brasil foi o mais espionado pelos americanos.

Agência dos EUA espionou 100 mil computadores em todo o mundo, diz jornal

Fonte: UOL.
De Washington

 

Espionagem pelo mundo52 fotos

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24.out.2013 - O governo alemão afirmou haver indícios de que o telefone celular da chanceler Angela Merkel foi monitorado por serviços de espionagem dos EUA. O governo alemão não deu detalhes de como obteve os indícios, nem da forma ou período da suposta escuta. A Alemanha é mais um país que teria sido espionado pelos EUA, após Brasil, França e México, de acordo com os documentos da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) vazados por seu ex-consultor Edward Snowden. Merkel cobrou o presidente americano Barack Obama e afirmou que "condena categoricamente" tais práticas, classificadas de "totalmente inaceitáveis" Leia mais Fabrizio Bensch/Reuters
A Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês) dos Estados Unidos implantou programas de vigilância em quase 100 mil computadores de todo o mundo, informou nesta terça-feira (15) o jornal "New York Times", a partir de documentos revelados pelo ex-técnico da agência, Edward Snowden.

ALVOS DE ESPIONAGEM

Telefonemas, e-mails e IPs de computadores de Dilma e assessores
Rede privada de computadores da Petrobras
Telefonemas e e-mails do Ministério de Minas e Energia do Brasil
Telefone celular da chanceler alemã, Angela Merkel
E-mail do ex-presidente do México Felipe Calderón
A NSA colocou esses programas tanto em computadores conectados a uma rede como em computadores sem conexão, graças a uma centenária tecnologia adaptada aos tempos modernos: a radiofrequência, cujas ferramentas, normalmente um cartão USB, são instaladas fisicamente por uma pessoa no computador monitorado.

Segundo o "New York Times", entre os alvos mais frequentes de vigilância da NSA através desse sistema estão o Exército da China, as Forças Armadas da Rússia, a Polícia do México e os cartéis do tráfico de drogas, instituições de comércio da União Europeia e países aliados na luta contra o terrorismo como Arábia Saudita, Índia e Paquistão.

Essa versão avançada de radiofrequência, que a NSA utiliza pelo menos desde 2008 e que foi batizada de "Quantum", se baseia em um canal secreto de ondas de rádio que podem ser transmitidas através de cartões USB instalados secretamente nos computadores.

Em alguns casos, a informação é recolhida por uma estação do tamanho de uma maleta que as agências de inteligência podem colocar a milhares de quilômetros do alvo.

A NSA, que se negou a fazer comentários sobre o programa Quantum, garantiu em comunicado que seus "esforços são mais uma defesa ativa" contra os ciberataques estrangeiros do que uma ferramenta ofensiva.

"Nós não usamos nossos serviços de inteligência para roubar segredos comerciais de companhias estrangeiras em benefício das empresas dos EUA e sua competitividade internacional", afirmou a porta-voz da NSA Vanee Vines, segundo o "New York Times".

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Escândalos e polêmicas do governo Obama26 fotos

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Violação de privacidade - Edward Snowden, 29, ex-técnico da CIA que trabalhou como consultor da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, assumiu a responsabilidade pelos recentes vazamentos sobre a espionagem americana. O técnico revelou voluntariamente que é a fonte utilizada pelos jornais britânico "The Guardian" e norte-americano "The Washington Post", que revelaram dois programas de espionagem que permitem consultar diariamente registros de ligações nos Estados Unidos e extrair informação de servidores de gigantes da internet com o objetivo de espionar estrangeiros suspeitos de terrorismo Leia mais Ewen MacAskill/The Guardian/AP
Por enquanto, não existe nenhuma prova de que a NSA tenha instalado programas de vigilância similares em computadores dos EUA.

A espionagem através da introdução de programas de vigilância em computadores foi uma das práticas criticadas pelo o comitê de especialistas encarregados pelo presidente Barack Obama para analisar os sistemas de espionagem, após o escândalo gerado pelas revelações de Snowden.

Obama anunciará nesta sexta-feira quais as medidas sugeridas pelos especialistas vai adotar na reforma dos sistemas de vigilância da NSA, que lhe renderam um dos maiores desafios de sua Presidência.
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Tumblr 'Obama está lendo seu e-mail' ironiza espionagem digital dos EUA 19 fotos

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Com a divulgação de que o governo dos Estados Unidos tem acesso a dados privados de usuários (como conversas telefônicas ou mesmo e-mails), internautas começaram a fazer montagens brincando com essa situação. Um dos mais famosos é o tumblr "Obama is checking your e-mail" (Obama está checando seu e-mail), que mostra imagens do político (geralmente em compromissos oficiais) vendo telas de computador em diversas ocasiões. A brincadeira é dar a impressão de que Obama está está "xeretando" a vida digital dos internautas Reprodução/obamaischeckingyouremail.tumblr.com

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Bancos de leite com baixos estoques.

A cada início de ano uma triste realidade se repete nos Bancos de Leite Humano do Rio Grande do Norte, que já sofrem constantemente com estoques limitados. A chegada do período de férias leva os estoques a níveis muito baixos, o que compromete a alimentação dos recém-nascidos internados nos hospitais.
 
“O leite materno é insubstituível, nenhuma fórmula industrializada é capaz de fornecer os mesmos nutrientes, por isso a falta dele compromete a recuperação dos bebês”, afirma Evanuzia Dantas, Coordenadora do Aleitamento Materno da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap).
 
O Estado do Rio Grande do Norte conta com seis Bancos de Leite Humano (BLH), distribuídos entre os municípios de Natal (3), Mossoró (1), Parnamirim (1) e Caicó (1). Neles o leite materno doado fica armazenado e, depois de devidamente processado, é fornecido com qualidade e segurança de acordo com a necessidade de cada criança.
 
Em média, esses bancos alimentam mais de 880 bebês por mês, além de realização de atendimento individual e visita domiciliar às mães doadoras. Entretanto, o número de mães doadoras de leite humano está em baixa, e essa redução se agrava ainda mais no início do ano, quando as famílias saem de férias para veranear. Recebem o leite materno os recém-nascidos prematuros, aqueles que necessitam de algum cuidado médico, ou ainda quando a mãe é impossibilitada de amamentar por algum problema de saúde.
 
Dados da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano mostram que de agosto a dezembro de 2013 o número de doadoras caiu quase 50%, enquanto que o número de crianças que receberam leite humano, no mesmo período, aumentou em mais de 25%.
 
“Nesta terça-feira (07) o estoque de leite na Maternidade Escola Januário Cicco era de apenas três litros, quando a demanda diária é de 10 litros, havendo necessidade de priorizar os recém-nascidos para receber o leite materno”, conta a coordenadora. No BLH do Hospital Dr. José Pedro Bezerra (Santa Catarina) a situação é a mesma, lá o leite disponível não é suficiente para todos os bebês internados. “Solicitamos às mães que amamentam e que têm leite em excesso que procurem um banco de leite ou telefonem e doem um pouco do seu leite para ajudar tantas vidas”.
 
Para fazer a doação, a mãe pode entrar em contato com qualquer banco de leite, pessoalmente ou por telefone, onde receberá as devidas orientações sobre a ordenha e armazenamento corretos. O Corpo de Bombeiros, por meio da parceria “Amigos do Peito”, faz a coleta das doações diretamente nos domicílios em toda a Grande Natal.
 
Contatos dos Bancos de Leite do Rio Grande do Norte
 
Natal
• Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) – (84) 3215-5957 / 0800-721-0078.
• Hospital Dr. José Pedro Bezerra (Hospital Santa Catarina) – (84) 3232-7728.
• Hospital Cel. Pedro Germano (Hospital da Polícia Militar) – (84) 3232-3669.
 
Parnamirim
• Maternidade do Divino Amor – (84) 3272-4367
 
Mossoró
• Banco de Leite de Mossoró (vizinho à Casa de Saúde Dix-Sept Rosado – (84) 3315-3471/3478
 
Caicó
• Banco de Leite de Caicó – (84) 3421-2018 /2354.
 
Assessoria de Comunicação - ASCOM
(84)- 3232-2618/3232-2630/8137-2493
Fonte: Assessorn.com.br

Artigo de Sávio Hackradt.

Ah, se eu pudesse!

Publicação: 09/01/14Tribuna do Norte.

Sávio Hackradt 
secretário chefe do Gabinete Civil da Prefeitura do Natal

Pois é. Se eu pudesse trancaria todos os partidos do Rio Grande do Norte, representantes dos poderes (judiciário, executivo e legislativo), representantes da sociedade civil, de empresários e trabalhadores numa sala, fechava a porta e jogava a chave fora. Mas antes diria a todos os presentes: vocês têm duas semanas para se entenderem e apresentarem um plano que tire o estado deste atoleiro; quebrem o pau nas discussões, apresentem suas ideias, propostas, gritem, defendam seus argumentos, se engalfinhem nas discussões, usando palavras ásperas ou não, mas, definam diretrizes para o estado; acabem com essa discussão atrasada e inútil sobre nomes para governador, vice-governador, senador, deputados federais e estaduais. Ninguém suporta mais isso. O povo quer saber como viver melhor o seu dia-a-dia, desde a hora que sai de casa para o trabalho até a hora de retornar com segurança. Apresentem ao povo potiguar soluções para os próximos 20 anos. E só depois disso é que serão apresentados nomes que vão liderar a jornada da salvação do Rio Grande do Norte. Sim, jornada, porque o estado, só então – e assim –, terá condições e percorrer um longo caminho e entrar com segurança numa nova era capaz de acompanhar o desenvolvimento no Brasil e no mundo.

Somos um elefante perdido na imensidão do Brasil, que caminha tropeçando nas próprias pernas, cambaleante, como se estivesse bêbado à procura de um porto seguro. Até quando suportaremos essa caminhada?

Não é possível mais o Rio Grande do Norte continuar da maneira que se encontra. A maioria expressiva da sociedade só perde com a atual situação.

O Rio Grande do Norte precisa de um líder – ou líderes – surgido(s) de uma forte conjunção de forças políticas (partidos), sociais (sociedade civil organizada), empresarial (empresários) e sindical (trabalhadores) para iniciar um novo caminho, capaz de colocar o estado neste novo milênio e novo século. Não podemos e não devemos permanecer no milênio e século passados. A permanecer como estamos, estaremos construindo o desastre de nosso futuro. É hora de grande responsabilidade e os partidos políticos, atores protagonistas nas transformações, precisam assumir o papel de vanguarda e conclamar os outros atores (sociedade civil organizada, os poderes constituídos, empresários e trabalhadores) para juntos construírem um grande pacto de salvação do Rio Grande do Norte. Sem “salvador da pátria” – mas sim com homens e mulheres de bem, comprometidos em resgatar condições dignas para o povo potiguar. Com certeza, no meio desses homens e mulheres de bem surgirá naturalmente o líder ou líderes. Não é preciso que todos concordem com o Pacto de Salvação do Rio Grande do Norte, mas é obrigatório que a maioria expressiva o deseje. Alguns ficarão no meio do caminho, outros se agregarão à longa jornada.

O Rio Grande do Norte não suporta mais conviver com os poderes executivo, legislativo e judiciário acima do bem e do mau. Os movimentos de protestos nas ruas já sinalizam: os líderes dos poderes vão ter que mudar, se adaptar aos novos tempos e às exigências, porque a sociedade está deixando claro que não aceitará mais poderes que se consideram intocáveis, castas privilegiadas. Quem viver, verá.
Tribuna do Norte

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Prefeitura compra fardamento para os alunos da rede de ensino de Natal.


Ano novo, roupa nova

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO GARANTE FARDAMENTO PARA 58.098 ALUNOS DA REDE DE ENSINO DE NATAL AO CUSTO DE R$ 8,42 MILHÕES, VALOR QUE SUPERA EM 32% O QUE FOI GASTO EM 2011

07:31 01 de Janeiro de 2014
 
Jalmir Oliveira
DO NOVO JORNAL
A Secretaria Municipal de Educação (SME) comprou R$ 8,42 milhões em fardamento para os mais de 54 mil alunos da rede municipal de ensino. O valor é 32% maior que a última compra feita pelo município, em 2011, quando foram gastos R$ 6,37 milhões.

A empresa vencedora da licitação foi a Nilcatex Têxtil LTDA, com sede em Blumenau (SC), cujo resultado foi homologado no Diário Oficial do Município (DOM) em 20 de dezembro. O contrato só será assinado na próxima semana, quando os representantes da empresa desembarcam em Natal para fechar o negócio.

O contrato de compra foi calculado para atender 58.098 alunos. No entanto, a atual rede de ensino soma 54.300 alunos. “A diferença foi proposital. Precisamos de uma sobra. No início do próximo ano, por exemplo, vamos abrir outras mil vagas”, afirma Justina Iva. Ela faz referência à inauguração de dois CMEIs e uma escola fundamental.

Até o fim do próximo ano, detalha a secretária, a previsão é de que outros 20 centros infantis e nove escolas sejam inaugurados. Hoje, a SME conta com 144 unidades de ensino – 72 centros e 72 escolas.

“O valor é mais alto, sim, mas fizemos uma compra bem maior”, explica Justina Iva. Ainda na gestão Micarla de Sousa, em novembro de 2011, a compra de fardamento contemplou 56 mil alunos.

Naquele ano, a Prefeitura de Natal firmou dois contratos de fardamento. As empresas Mercosul Comercial e Múltiplos Comércio e Serviços de Acessórios Especiais receberam R$ 4,89 milhões e R$ 1,48 milhão, respectivamente. O contrato milionário, no entanto, não se refletiu em entrega. Várias escolas não receberam o material.

“A diferença agora é que todos os alunos receberão o material”, ressalta ela. Os uniformes serão distribuídos a partir do dia 4 de fevereiro, quando será iniciado o ano letivo do município. Cada um vai receber camiseta de manga curta, camisa regata, bermuda de helanca, calça tactel, meia de algodão e tênis.

A distribuição do material será feita pela SME. A entrega do fardamento vai seguir os registros das matrículas. Os diretores das escolas informaram o tamanho de roupa de cada aluno.
A qualidade do material foi avaliada pelo Departamento de Atenção ao Estudante (DAE). “Nós tínhamos um profissional contratado para avaliar a resistência e qualidade dos uniformes. O critério de escolha foi técnico”, alega Justina Iva. Ao todo, 11 empresas participaram do certame licitatório.

O processo para a contratação dessas empresas foi semelhante ao que ocorreu em 2011. O modelo de licitação adotado foi o de pregão eletrônico. A aquisição do fardamento foi definida pelo menor preço e qualidade. Quando a licitação foi deflagrada, em 11 de novembro, a previsão era de que seriam gastos R$ 9,3 milhões.

“Foi considerado o melhor preço e qualidade técnica do uniforme. É um produto tão bom quanto os das escolas particulares. Houve uma economia de R$ 900 mil”, afirmou Gustavo Costa de Miranda, pregoeiro da SME.

MATERIAL
A Secretaria Municipal de Educação comprou 70.393 camisas de manga curta. O valor de cada unidade é de R$ 12,80. Parte dos alunos das escolas de ensino fundamental e do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) terá direito a duas unidades. O produto é 60% de poliéster e 40% de algodão. Serão camisas de cor branca e detalhes (mangas e golas) em azul marinho. A SME também comprou 46.204 calças de tactel, um tecido feito com fibras sintéticas, que custam R$ 27,58 cada uma.

Para as escolas que ofertam atividade física, serão destinadas 64.713 camisas regata, com custo de R$ 12,35. Para compor o fardamento, o aluno também recebe uma bermuda de helanca, um tecido elástico feito com fio texturizado em poliamida, que soma a mesma quantidade das camisas. O valor unitário é de R$ 22,75.

A SME comprou 64.713 pares de tênis. O produto é confeccionando em material sintético e lona de algodão. A unidade ficou estabelecida em R$ 49,50. Foram adquiridos ainda 129.426 pares de meia. A unidade custou R$ 5,95 para a prefeitura.