segunda-feira, 9 de junho de 2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Qual será o melhor regime para o Brasil? O PIB do Brasil equivale a 1/6 do da China.

China, EUA e Brasil
Adriano Benayon * 19.05.2014
1. Qual será o melhor regime para o Brasil? Aquele que lhe garanta autodeterminação e lhe assegure desenvolvimento tecnológico e social.
2. Para chegar a isso, não poderá continuar com a economia desnacionalizada e concentrada, nem com suas políticas sendo determinadas por carteis financeiros e econômicos. Então, o que se deve fazer? Para conceber algo próximo ao ideal, há que avaliar o que ocorre na prática.
3. À parte as questões da tradição e da cultura, o  regime e as políticas da China têm obtido êxitos consideráveis na consecução dos objetivos nacionais, inclusive ombrear-se com as grandes potências, e elevar o  bem-estar social.  Mas seu sistema pode ser criticado, entre outros aspectos, por não estar evitando excessiva concentração de renda no setor privado, embora esta seja ainda muitíssimo menor que a das tradicionais economias capitalistas e suas dependências periféricas.
4. Tem-se falado muito na ascensão econômica da China. Segundo  novas estimativas  do Banco Mundial, conforme a PPP (paridade do poder de compra) o PIB da China já supera o dos EUA, ficando ultrapassadas as que não atualizavam os dados, desde 2005. Essas só o previam para 2019.
5. Alguns números não fecham. Diziam que, pela PPP, o PIB da China equivalia em 2003 a 60% do dos EUA. Ora, se aplicarmos as respectivas taxas de crescimento acumuladas de 2003 a 2013 (164,1% e 16,05%), resulta que o PIB chinês já superava o estadunidense em 35,5%.
6. Ademais, o BM não retrata as coisas com precisão, já que: 1) as estatísticas dos EUA superestimam o produto real e subestimam a inflação; 2) com a enorme financeirização da economia, parte significativa da “renda”, não deveria ser considerada produto real; 3)  os gastos militares astronômicos – e nisso os EUA batem de longe qualquer país – não representam algo que possa ser contado, se adotarmos  um critério de bem-estar ao valorar a “produção econômica”.
7. Há mais considerações denotativas de que os aspectos qualitativos têm importância bem maior que cifras monetárias do PIB. Um dos feitos do regime chinês foi tirar mais 600 milhões de pessoas da linha de pobreza, em apenas 10 anos. Outro, tem sido a elevação dos salários reais acima do crescimento da produtividade.
8. Norton Seng, especialista brasileiro em assuntos chineses,  destaca a qualidade da educação e que a ênfase no emprego de engenheiros na administração tem  viabilizado planejamento capaz de promover o emprego de centenas de milhões de pessoas em atividades de crescente conteúdo tecnológico.
9. Ora, isso requer eficientes infra-estruturas urbanas, de transportes, telecomunicações e outras. Diz Norton: “Tudo meticulosamente planejado: das fronteiras agrícolas até os grandes centros habitacionais. Com toda a infraestrutura necessária para comportar, adequadamente e sem maiores conflitos sociais,  a sua gigantesca população com complexos viários compatíveis com o crescimento exponencial de suas cidades em harmonia com o crescimento das várias demandas.”
10. Muitos observadores espantam-se com o fato de, mesmo após mais de 30 anos seguidos, até 2012, com média acima de 10% aa., as taxas de crescimento do PIB chinês ainda estarem elevadas, acima de 7% aa., não obstante  a estagnação reinante nos EUA, Europa e Japão, desde 2008.
11. A ideologia faz alguns crerem que a economia obedece a leis inexoráveis, independentes da política. Esses preveem crise, agora, na China. Diferentemente deles, penso que só há crise em países em que assim deseja o sistema de poder nele dominante.
12. A meu ver, o capitalismo caracteriza-se pela ilimitada concentração do poder financeiro e político nas mãos de pequeno grupo de famílias e indivíduos.
13. Na medida em que a China não seja – pelo menos, por enquanto - país capitalista – as tendências de crise que ali surjam, podem ser afastadas sem dificuldade, pois,  detendo-se poder sobre as finanças e havendo vontade política, estas podem pôr a economia em rumo certo.
14. Os seguidores de Deng admitem que o desenvolvimento econômico obtido desde o final dos anos 70 não teria sido possível sem ter havido Mao, sob cuja direção a China, além de conseguir alimentar população superior ao bilhão, construiu significativa indústria pesada e colocou a China entre as grandes potências militares e nucleares.
15. Após 1978, o Estado continuou a dirigir a economia e permaneceu com sua maior parte estatizada, além de  manter o controle do sistema financeiro. Mas abriu grandes espaços para o crescimento de capitais privados nacionais e admitiu investimentos diretos estrangeiros de grandes corporações transnacionais. Isso, entretanto, foi feito em condições diametralmente opostas às que prevalecem no Brasil, especialmente a partir de 1954/1955.
16. Enquanto o governo egresso do golpe que derrubou o presidente Vargas em 1954, propiciou aos pretensos investidores transnacionais ganharem capital no Pais e esvaziá-lo dele -   controlando o mercado brasileiro e recebendo subsídios escandalosos -  o planejamento central chinês fez as transnacionais cumprirem condições que levaram à absorção e à melhora de tecnologias estrangeiras.
17. Na China, os investimentos diretos estrangeiros são submetidos a regras rigorosamente  aplicadas,  pois  o sistema político ali não depende de campanhas eleitorais influenciadas por dinheiro privado ou estrangeiro.
18. E quais as regras essenciais?  Não se trata somente de favorecer as produções intensivas de tecnologia, poupadoras de matérias-primas, sobre tudo locais,  e menos nocivas ao ambiente. É exigido: 1) quanto à propriedade, haver associação com capitais chineses; 2) ser assegurada transferência de tecnologia à China.
19. Em geral, próxima a  uma fábrica de empresa transnacional, encontra-se uma controlada por capital chinês, replicando a mesma produção e  inovando-a para torná-la mais competitiva.
20. Já no Brasil, desperdiçam-se os investimentos públicos em ciência e tecnologia, na proporção da ausência de empresas nacionais em competição no mercado, e exponenciam-se as consequências da subordinação às transnacionais estrangeiras: preços absurdamente altos, transferências de ganhos ao exterior sob todas as formas, endividamento acelerado por taxas de juros abusivas, política e administração corrompidas etc.
21. Não nos devemos iludir com as estatísticas de 6ª ou 7ª maior economia do mundo. Para começo de conversa, o grosso do PIB aqui gerado não pertence a brasileiros, e o que resta para estes está muito mal distribuído.
22. Além disso, pelo critério da paridade do poder de compra, o Brasil cai para 9º. Mais importante, o crescimento não decorre de ganhos qualitativos, mas, sim, da ocupação de parte dos imensos espaços territoriais e da exploração desmedida de recursos naturais, tanto na agropecuária como nos minérios, tudo para servir a grupos concentradores estrangeiros.
23. Desde o colapso de 2007/2008, amplia-se a vantagem da China sobre as principais economias capitalistas, vinculadas à oligarquia financeira angloamericana, porque a estagnação destas se acentua, com infra-estruturas físicas em deterioração, desemprego muito grande, implicando deterioração do “capital humano” e da infra-estrutura social.
24. Isso porque, diante da crise, o Estado, comandado pela oligarquia financeira, só trata de socorrer os bancos e apenas adia novas bolhas, pois: 1) o dinheiro fica nos bancos ou é aplicado em mercados especulativos e títulos públicos; 2)  o Estado vai falindo, mesmo sem investir o que deveria na economia real ou em favor dela, diretamente ou através de empréstimos para a produção. 
25. Se o Estado tem real poder sobre a economia, se deseja que a sociedade eleve  seus padrões de vida, se dispõe de quadros que sabem o que fazer, qualquer crise financeira pode ser debelada, e a casa arrumada: dívidas podem ser simplesmente canceladas, e novos mecanismos monetários e de crédito, instituídos.
26.  A finança, portanto,  é algo que sempre pode ser posto em ordem, de uma vez, por decisões políticas, enquanto que são necessários decênios para construir estruturas e infra-estruturas econômicas e sociais, bem como ativos tecnológicos para viabilizar níveis adequados de produção e de atendimento às necessidades sociais.
27. Em suma, dinheiro e crédito criam-se à vontade, com ou sem lastro, só com impulsos nos computadores. Já atender adequadamente a demanda (sem  reprimi-la) por bens e serviços reais depende de bem mais que isso.
28. Nota final. Há mais de 100 bilionários da China. O Brasil mostra 77 bilionários, mas o PIB do País, além de não pertencer, na maior parte, a brasileiros - equivale a menos de 1/6 do da China. Os 15 mais ricos do Brasil totalizam U$ 116,5 bilhões, e os da China, US$ 79,6 bilhões. Entre os brasileiros, muitos pertencem aos mesmos grupos e famílias.
* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização.
 
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http://tribunadonorte.com.br/coluna/2004/artigo/284176


Livro de Ivoncísio vai além da história

Nelson Patriota - escritor

Mais do que um livro de história, esse novo livro que o professor Ivoncísio Meira de Medeiros intitulou de “Contando histórias: ensaios históricos e biográficos” (Natal: FJA, 2014 – Coleção Cultura Potiguar, n. 51), é um volume que, embora se constitua num empreendimento bem-acabado no gênero, o extrapola, na medida em que se reinventa como lugar também da poesia, da literatura e das artes plásticas.

Nesse sentido, o autor conta histórias que dizem respeito a um amplo espectro de interesses, seja em sua cronologia – onde uma vasta gama de temas da história colonial potiguar, bem como de sua história mais ou menos recente – desfila aos olhos do leitor como um rico caleidoscópio de cores em permanente mobilidade, seja em sua vertente ensaística, que traz à tona temas correlatos de literatura e artes plásticas.

Mas à diferença de um compêndio regular de ensaios de história, esse novo livro de Ivoncísio não se limita a tocar em temas ou fatos consagrados pela historiografia oficial. Seu espectro de interesses inclui a análise das fontes primárias em quase todos os seus capítulos, o que revela o perfil de pesquisador do autor por trás dos textos, checando-os e confrontando-os, e deixando ao leitor as ferramentas da análise.

A esse respeito basta que se acompanhe a correspondência entre os líderes tapuias Pedro Poti, Felipe Camarão e Antônio Paraupeba, que expõe as fraturas da luta indígena no contexto das guerras coloniais potiguares que os coloca em posições contrárias e irreconciliáveis.

O capítulo que trata da carta de Feliciano Coelho de Carvalho para o rei Felipe II é outra pérola da história colonial que precisa de mais visibilidade na nossa história devido à riqueza de fatos que se cruzam na missiva. Em igual medida, a leitura do ensaio “A viagem de 1501”, bem como o texto que o segue, “Rio Grande, capitania de Sua Majestade”, são inovadores e elucidativos do estilo de Ivoncísio no trato dos temas históricos potiguares.

Aliás, esse é um tema dominante em quase toda a primeira parte do livro. Basta que se passe a vista pelo sumário da obra, que se abre para um vasto painel de história potiguar, campo em que se destacam ainda um capítulo sobre o pintor batavo Frans Post e o outro sobre o mártir potiguar Padre Miguelinho.

Os assuntos seguintes como que dão um salto no tempo para recair sobre o século 20, respingando ainda na contemporaneidade. Aí cabem discussões sobre a justiça eleitoral, o julgamento contra a diplomação do monsenhor Walfredo Gurgel, a questão autoral do hino do Rio Grande do Norte, as cinco décadas da Aliança Francesa em Natal, entre outros.

Em sua segunda parte, denominada de “Ensaios biográficos”, o livro se detém sobre personagens da vida cultural potiguar. E aí deve-se prestar especial atenção aos perfis de Jayme Adour da Câmara, Clarice Palma e José Mauro de Vasconcelos, não somente pelo que estes representam culturalmente, mas pela riqueza de informações que o autor reúne em torno deles e que poderiam servir de ponto de partida para uma futura biografia de cada um desses personagens. Isso também vale, naturalmente, para os demais perfis que compõem o capítulo.

É nesse aspecto que “Contando Histórias: ensaios históricos e biográficos” extrapola os limites da pesquisa propriamente histórica e envereda pela sociologia da cultura, etnografia, história das artes e outros temas afins. O que, de certo modo, retoma a vereda aberta com os estudos sobre duas telas, constantes na primeira parte do livro: “Frans Post e o quadro ‘Kastel Keulen aan Rio Grande’”, e “O quadro histórico de ‘Miguelinho perante o tribunal’”. 

domingo, 8 de junho de 2014

Hospital Psiquiátrico Professor Severino Lopes completou 58 anos de existência.






No dia 1° , a Casa de Saúde Natal, situada na avenida Romualdo Galvão, Tirol, completou 58 anos de atividades em prol da saúde mental. Abaixo, transcrições do noticiário da imprensa de Natal .
 
EM FUNCIONAMENTO A “CASA DE SAÚDE NATAL”
Destina-se a preencher uma lacuna, no toante ao,  tratamento, em ambulatório ou em internamento, de doentes nervosos entre nós.




            Entrou em funcionamento a Casa de Saúde Natal, estabelecimento que obedece á orientação dos especialistas, Drs. Aldo Xavier, Otto Julio Marinho e Severino Lopes da Silva.
            Destina-se a Casa de Saúde Natal, a preencher uma lacuna no tocante ao tratamento, em ambulatório ou em internamento, de doentes nervosos entre nós.

AMBIENTE COMO TERAPEUTICA


            Tendo em vista o que recomenda a moderna terapêutica, a Casa de Saúde Natal, nos casos de internamento imprescindível, conserva a continuidade do ambiente familiar para o enfermo. O próprio estabelecimento está instalado em ampla casa de antiga residência de família numerosa, devidamente adaptada. Ali encontramos quartos de duas ou(continua na quarta página).



Em funcionamento a “Casa de...


            (Continuação da ultima página) mais camas, salão de jogos, jardins e terraços, estes proporcionando ampla vista panorâmica dos arredores da cidade.
            Tornando possível a continuidade da vida social ao doente, serão ainda realizadas palestras, exibições cinematográficas e noitadas musicais. Tudo visando a manutenção do contato social entre os pacientes, seus familiares e a sociedade em geral, fator de mais rápida readaptação. Ao doente, o internamento deve perdurar o período estritamente necessário, enquanto não puder continuar o tratamento em ambulatório. Quanto mais cedo o paciente voltar a família e a sociedade, tanto mais útil terá sido a função do internamento. O próprio internamento sobre caríssimas exceções, será voluntário. Mediante persuasão ao invés do choque emocional de uma segregação a força, muitas vezes pior que as motivações da própria doença. Uma agencia social contribuirá para a ligação entre o paciente, a família e a sociedade.


OUTROS DETALHES


            O pessoal técnico auxiliar, tais como enfermeiras, é todo constituído de pessoas com vários anos de experiências em estabelecimentos hospitalares do gênero. Enquanto isso, o plantão médico será diário, permanecendo o especialista durante toda a noite na Casa de Saúde.
            A Casa de Saúde Natal, entretanto, estará aberta a qualquer médico, que poderá assistir pessoalmente aos doentes e indicar terapêutica.
            No andar térreo foi instalado o ambulatório considerado elo importante da cadeia assistencial, permitindo que determinados doentes se curem ai mesmo, sem a necessidade do internamento ou concluam nesse setor o tratamento iniciado com o internamento.
            O tratamento no ambulatório para enfermos de ambos os sexos. O internamento, todavia, está no momento limitada aos do sexo masculino. É projeto dos diretores, porém, com o apoio que vem tendo de um grupo de capitalistas conterrâneos, construir uma casa de saúde com maiores possibilidades de ampliação no prazo de três anos, quando termina o contrato do atual imóvel.
           


Natal, 01 de junho de 1956.








Impressões de uma visita a Casa de Saúde de Natal
Bem instalado e equipado o mais novo e moderno estabelecimento hospitalar da cidade.




            Uma visita que fazemos a Casa de Saúde Natal, de pronto nos lembra passagem do moderno e interessante livro “Psiquiatria”, de Mira Y Lopez, Quarta edição, 1955, Buenos Aires. Em cujo III Tomo, XVII capítulo, denominado “Particularidades de los fenocomios modernos, às págs. 269, se lê o seguinte:“De ningum modo debe persistir el sistema de coldes   individuales de los fenocomics”.
            Que a Casa de Saúde de Natal não é destinada exclusivamente ao tratamento de doentes nervosos e mentais, e que talvez seja para lamentar, já que não temos no Estado nenhuma casa especializada desse gênero, a não ser o inapontável Asilo de Alienados, no alecrim.
            Sendo, porém, um estabelecimento hospitalar de que são proprietários e diretores três psiquiatras, é natural que suponhamos sejam as suas atividades dedicadas preferencialmente, ou principalmente, ao tratamento de doentes nervosos e mentais. E vemos então, logo ao penetrar naquela casa, que os seus diretores e proprietários cuidam zelosamente por mostrar-nos os mínimos detalhes organizada e “arrumada” de acordo com as mais modernas sugestões da psiquiatria.
            Insistem, porém o Dr. Aldo Xavier, Otto Marinho e Severino Lopes, em esclarecer que se trata de um estabelecimento hospitalar eclético, ou seja, destinado a receber portadores de quaisquer doenças não contagiosas. Adiantam que, estando a Casa de Saúde à disposição de todos os colegas, não poderiam eles limitar-lhe o campo das atividades.


CONVÍVIO SOCIAL AOS DOENTES


            São excelentes o aspecto e a primeira impressão colhida pela reportagem A Casa, aparentemente uma residência de família numerosa, com os seus amplos quartos de duas ou mais camas, evitando o nefasto isolamento do doente, sala de jogos, jardins, terraces, e uma frente sedutora de moradia burguesa de zona rural. Nos mínimos detalhes previram os seus organizadores e necessidades de possibilitar vida social aos doentes nada ali denuncia reclusão ou isolamento.

           

FUNÇÃO DO INTERNAMENTO



            Pretendem os seus diretores que o internamento seja tão rápido quanto possível. Para isso instalaram excelentemente um ambulatório, que possibilita a continuação do tratamento com o retorno do paciente ao meio de sua família. Entendem eles que, quanto mais cedo o doente retornar ao seio da família e da sociedade mais útil terá sido a função do internamento. Em vista disso, pretendem o internamento seja voluntário, salvas as raríssimas exceções naturais. Com efeito, a segregação forçada pode tornar-se a causa de um choque emocional de conseqüências piores do que as causa geradora da própria doença. A persuasão bem orientada é o recurso com que esperam vencer as resistências, nos casos em que o internamento se faça  preciso e o paciente a ele se recuse queira-submeter voluntariamente. De início, por motivos de ordem técnica, segundo explicam, só serão recebidos para internamento doentes do sexo masculino.

BOA EQUIPE DE PESSOAL


            A Casa de Saúde Natal não é fruto de improvisação. Evidencia esse fato de iniciar as suas atividades com boa equipe de pessoal especializado e competente nas diversas funções requeridas pelo estabelecimento. Esclarecem os seus diretores que, realmente, há muita aspiravam instalar uma Casa de Saúde em Natal, sob as mais modernas técnicas de tratamento. E sempre pensaram em fazê-lo de modo não só a atender as necessidades de suas próprias clínicas especializadas, objetivando servir a toda a coletividade e a todos os colegas.

UM CENTRO DE ESTUDOS


            Com reconhecida disciplina de estudo e métodos de trabalho, pretendem os diretores da Casa de Saúde de Natal fazer dela um verdadeiro centro de estudos e pesquisas, para o que contam receber o apoio e a cooperação de toda a classe médica do nosso Estado. Tendo em vista isso, programam a realização de viagens de estudos, de grupos, recebidos e ministrados, e a emulação de atividades didáticas e científicas de intercâmbio cultural.
            A Casa de Saúde está em pleno funcionamento desde os primeiros dias deste mês, surpreendendo-se ali, sempre, um médico de plantão quer no período do dia, quer durante a noite.


MULHERES, NO AMBULATÓRIO


            Os pacientes do sexo feminino não deixam de encontrar ali a proteção da ciência, pois que tudo foi devidamente previsto pelos diretores. Com efeito, o ambulatório, muito bem instalado no andar térreo, e também aberto a todos os médicos, torna possível o tratamento das mulheres, a não ser nos casos em que o internamento seja necessário. O ambulatório representa importante elo da cadeia assistencial médica, permitindo não só internar determinados doentes, que ali mesmo podem curar-se, como um menor tempo de internamento dos pacientes, que passarão assistir o tratamento ali, já fora do internamento.


ASSISTÊNCIA SOCIAL


            Consideram os diretores imprescindível na ligação entre paciente e médico.(...)
            Em prédio próprio, mais amplo e com maiores possibilidades, o que esperam seja possível concretizar dentro de três anos para a instalação da Casa de Saúde tiveram o valioso apoio de um grupo de capitalistas, apoio do qual, não lançaram mão, por não só fazer   preciso, no momento, dentro do plano já anteriormente traçado. Contam, porém, eu o apoio desses de outros não lhes faltará no futuro, no seu esforço por dar a Natal mais um estabelecimento condigno de assistência hospitalar.






Ampliações na Casa de Saúde “Natal”
Secção feminina de internamento – já em funcionamento o Serviço Social – Em estudo um salão para cirurgia – Um moderno Pronto Socorro – Novos médicos estão compondo o corpo clínico daquela vitoriosa instituição.






            A casa de Saúde “Natal”, instituição médica organizada nesta Capital por iniciativa dos médicos conterrâneos Severino Lopes, Aldo Vieira Xavier e Otto Júlio Marinho, vem alcançando mais um ano de funcionamento. Cujas glórias lhe foram auferidas apenas por aqueles ilustres facultativos, porém pela cidade, que vem contando com mais um estabelecimento hospitalar de formação modelo.
            O estabelecimento como anteriormente pensava, não se destina de modo exclusivo a doentes nervosos e mentais, estando tecnicamente, aparelhado para clínica geral, seguindo as diretrizes da ciência moderna, dispondo, no momento, de um certo médico capaz, desgarrado de arcaicos métodos vigorantes, ainda em meios estagnados.
            Quando os fundadores da Casa de Saúde “Natal” concretizam a idéia, dispondo apenas da coragem, que os animais, os planos, traçados traduziam precipitado, arrojo de moços idealistas, jovens médicos que precisavam acima de tudo, de um conceito emanado do povo, escudo com que iriam enfrentar as lidas da profissão.
            É o hoje vemos, é a instituição alcançando, a passos firmes, todos os seus objetivos, muitos dos quais, antecedendo aos cálculos estimados.

NOVOS MÉDICOS





            O crédito de que hoje dispõe a Casa de Saúde “Natal” forjado na própria opinião do povo, vem dando motivo a que os seus dirigentes ampliem o seu corpo médico. Um intenso movimento diuturno vem justificando essa medida, a ponto mesmo de as dependências da instituição hospitalar estarem pequenas para o número de clientes vindos não somente desta Capital, porém do interior.
            Além dos médicos fundadores, militam agora, naquele centro clínico o Dr. Manuel Freitas, no setor de clínica geral, Dr. Manoel Teixeira, na especialidade neuro-oftalmológica, e Dr. Joaquim Rubens Cunha, psiquiatria.










SECÇÃO FEMININA DE INTERNAMENTO



            Atendendo as exigências do seu próprio movimento, centralizado até então ao sexo masculino, resolveu a direção da Casa de Saúde “Natal”, criar uma secção feminina de internamento.
             Para atender essa necessidade, tiveram que alugar uma casa situada ao lado, bem ampla, cujas acomodações, adaptadas o fim a que se destinam, servirão bem ao estado provisório da Casa de Saúde.
            Conforme soubemos, a seção será inauguradas dentro em breve, ficando completamente, isolada das dependências do setor masculino.
            Disporá a secção, de quinze leitos, onde serão adotadas as mesmas normas da secção masculina, isto é, aspecto familia, evitando-se o isolamento do paciente que, assim, terá mais um fator influente de cura.
            Também haverá um segundo ambulatório, destinado à secção feminina, dispondo da aparelhagem, idêntica à existente no ambulatório para homens.



SERVIÇO SOCIAL



            De conformidade com as normas estatuárias, reguladoras da vida, da entidade, há tempos está funcionando o Departamento de Serviço Social, cujo objetivo bem demonstra o interesse dos médicos da Casa de Saúde, pela situação de tantos quantos precisarem de sua assistência.
            Por intermédio de uma assistente social senhorita Sônia Galvão Campos, todos os doentes por um determinado tempo, mesmo após a alta, recebem a ----------------- responsáveis por aquela instituição, cujo trabalho de enquetes são registrados em ficha, possibilitando, assim, de maneira precisa ao médico assistente, estar a par dos reflexos que ainda venha  apresentar o doente.
            O serviço de controle das fichas é completo, nada deixando de ser registrado visando a orientação médica.


PLANOS FUTUROS




            Buscando ampliar mais e mais o sentido hospitalar da Casa de Saúde dentro de uma rigorosa clínica geral, brevemente será instalado em salão de cirurgia, dotado de aparelhagem moderna em ambiente altamente científicos.
            Outra iniciativa digna de louvares, será a criação de um Pronto Socorro, o que funciona em dependências próprias.
            Para ------------------------------------------------------------------- iniciativa  da direção da Casa de Saúde “Natal” já vem ----------------------lhando pela efetivação.
            Aí está, em linhas gerais, como voltamos a encontrar aquela vitoriosa  instituição hospitalar.

sábado, 7 de junho de 2014

O que é exemplo e o que é enrolamento.



Por Flávio Rezende*
Os seres que cultivam os valores humanos tais como fraternidade, tolerância, amizade, pureza, generosidade, paz, serviço voluntário e os demais que já sabemos, ficam encantados com lindas fotos, vídeos enobrecedores, frases edificantes e buscam ajudar ou fazer parte de ações humanitárias, pois, sentem prazer e júbilo no envolvimento com as coisas do bem.
Esses seres, que existem espalhados pelo planeta, gostam dos arquitetos que trabalham unindo conhecimento técnico com projeção de suas obras impregnadas de respeito à natureza e formas que elevem o pensar e a boa mobilidade de todos. Esses seres curtem quando todos os profissionais liberais executam seus ofícios levando em conta todas as nuances positivas e ofertam serviços diversos com o tempero do amor e o açúcar do humanismo.
Os seres de bons hábitos e pensamentos altruístas vibram quando pessoas decidem direcionar suas existências para o universo político, pois acreditam que a difícil decisão, precisa necessariamente agregar valores missionários, uma vez que esse rumo constrói ou destrói vários outros caminhos, daí ser fundamental que a política seja o espaço de almas boas e verdadeiramente servidoras do bem-estar coletivo.
Quando esses seres observam os movimentos de um semelhante chamado Mujica, que habita ao sul do continente, entram em êxtase com sua simplicidade, com a dispensa de aparatos exagerados de segurança, de transporte e de moradia, que apesar de ocupar o mais alto cargo de seu País, o Uruguai, vive da mesma maneira que antes, não perdendo nenhuma oportunidade de estar com as pessoas, ouvindo, abraçando, sorrindo, como um cidadão qualquer, vestindo as mesmas roupas de sempre e buscando a todo custo melhorar a vida do coletivo.
Seres da seara política como Mujica, Gandhi, Luther King, Mandela, Lincoln e tantos outros, elevam a alegria planetária dos seres de bem, que nutrem nestes exemplos suas vidas, buscando amparo em suas posições, falas e posturas, tornando o planeta mais lúcido e a história mais bela.
Aqui no Brasil, os seres do bem ficaram todos animados quando tempos atrás surgiu uma estrela no céu da política nacional, anunciando uma constelação de novas maneiras de agir e um modus operandi ético e cheio de esperanças para um novo cenário.
O tempo passou, importantes e salutares políticas públicas foram implementadas, o céu estava em constante êxtase até que as nuvens negras começaram a surgir encobrindo o límpido e apreciado azul celeste.
No começo os seres acreditavam que aquele extraordinário líder não sabia de nada, ouviam suas desculpas e promessas de afastamento das nuvens negras, mas, infelizmente, a tempestade foi aumentando, novos temporais surgindo de todos os lados, enchentes, todo tipo de precipitação apareceu e, o líder, encharcado, começou a vacilar, uma conversa aqui, outra diferente ali, até que a nação, vítima do dilúvio, entendeu que o meteorologista sabia sim de tudo, mas não podia informar e nem medidas tomar para estancar as águas, pelo simples fato de estar todo molhado, impossível fazer algo, era parte do temporal e só lhe restava bazofiar.
Hoje os seres de bem lamentam a perda de um Mujica verde e amarelo. O que se apresentou como um possível líder do bem, não anda mais como antes, perdeu a humildade no caminho, prefere a companhia dos companheiros filósofos do esquerdismo ineficiente, buscando inspiração em mumificados sistemas falidos e em decomposição, do que a companhia do povo, do qual se aproxima apenas para pedir, justo o povo que tanto lhe deu.
Hoje o que poderia ser o nosso Mujica distribui frases desconexas e compartilha alegorias vazias para parte de uma plateia eletrizada e anestesiada, virou um ilusionista, ainda prometendo requentados paraísos, que teve oportunidade de criar, mas cedeu a tentação de dominar a tudo e a todos e governar sob o signo da subordinação e da coação.
Mujica é um homem do povo e dá sem querer nada em troca, nem para si e nem para os seus, pois não os tem. Não se apossa dos seres, serve-os com dignidade e humildade crescentes.  O nosso arremedo de líder perdeu todas as características de suas origens, no vestuário, na aparência, nos hábitos, sendo hoje um traidor da esposa e da pátria, a mãe maior, posto que cheio de conversa fiada, não faz um “mea culpa” corajoso e assume que junto com seu stablishment, equivocadamente projetou tomar posse do Brasil, no lugar de governá-lo com os valores que alguns acreditam que já teve um dia.
Agora é tarde. A esposa ainda aguenta a farsa da fidelidade, mas a pátria, acordada, brada aos quatro cantos: queremos o prometido e não concordamos que práticas condenáveis ontem e sempre, sejam ainda utilizadas sob o manto da mentira, deixando os seres de bem decepcionados e os demais sem o mínimo que um bom gestor deve ofertar: segurança, saúde e transporte de boa qualidade.
Dinheiro tem e muito, mas o líder se faz de doido e o povo já atento pode sentenciar que doido também apanha (nas urnas).
*É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Mundo

Homenagens a soldados e civis marcam 70 anos do Dia D

Cerimônias na Normandia reuniram líderes de 20 países e 1.800 veteranos da Segunda Guerra. Eventos começaram com fogos de artifícios ao longo da costa e terminaram com discursos de Obama e Hollande.
Os Aliados da Segunda Guerra Mundial lembraram, nesta sexta-feira (06/06), na Normandia, os 70 anos do desembarque das tropas aliadas na região, na data que ficou conhecida como Dia D. A cerimônia realizada na praia de Ouistreham reuniu 20 chefes de Estado e governo, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, o presidente russo, Vladimir Putin.
A série de eventos em diversas localidades para relembrar a data crucial para a libertação da Europa ocupada pela Alemanha nazista começou durante a noite. Fogos de artifício iluminaram os céus dos 80 quilômetros de costa da Normandia. No dia 6 de junho de 1944, mais de 150 mil soldados, principalmente ingleses, franceses, americanos e canadenses, desembarcaram na região.
Pela manhã, alguns dos sobreviventes prestaram homenagem às 20 mil vítimas civis no memorial de Caen. "Quero hoje, neste 70º aniversário, que a homenagem da nação possa se dirigir a todos civis e militares. Iniciado pouco depois da meia-noite, com tumulto e fogo, esse dia terminou com sangue e lágrimas, lágrimas de dor e de alegria, no final de 24 horas que mudaram o mundo e marcaram para sempre a Normandia", declarou o presidente francês, François Hollande.
Evento começou com praias iluminadas
A cerimônia foi o primeiro reconhecimento oficial dos 20 mil civis que perderam suas vidas nas batalhas entre 6 de junho e 22 de agosto de 1944. "Essa batalha foi também a dos civis", afirmou Hollande. O presidente inaugurou durante o evento um monumento dedicado ao sofrimento e sacrifício da população da Normandia.
De Caen, Hollande seguiu para o cemitério de Coleville-sur-Mer, onde participou, ao lado Obama, de uma cerimônia em homenagem aos dez mil soldados americanos enterrados no local.
Cerca de 1.800 veteranos participaram das cerimônias
"O grito dos Estados Unidos, o nosso compromisso com a liberdade, com a igualdade, está escrito com sangue nestas praias. Ao amanhecer, o sangue tingia a água e as bombas cortavam o céu. Milhares de paraquedistas caíram em zonas erradas, milhares de rajadas atingiram carne e areia. Companhias inteiras caíram em minutos. A praia do inferno conquistou o seu nome", disse Obama.
Obama homenagenou veteranos em Coleville-sur-Mer
O discurso do presidente americano durou 25 minutos e foi interrompido diversas vezes para aplausos aos 1.800 veteranos que participaram das cerimônias. "Trabalhamos para transformar antigos adversários em novos aliados. Construímos uma nova prosperidade. Permanecemos, mais uma vez, ao lado das pessoas deste continente no combate até que um muro foi derrubado e uma cortina de ferro também", lembrou Obama do momento atual.
À tarde, os presidentes voltaram a se encontrar na cerimônia realizada na praia de Ouistreham, que reuniu 20 chefes de governo Estado e governo. Além de Merkel, Putin e Obama, estiveram presentes a rainha Elizabeth 2ª, o príncipe Charles e o presidente eleito da Ucrânia, Petro Poroshenko.
No evento, Hollande homenageou a "coragem do Exército Vermelho" durante a Segunda Guerra, e lembrou a contribuição decisiva da antiga União Soviética para o fim do conflito.
 Artistas simulam o famoso desembarque, 70 anos depois
Um jantar oferecido pelo presidente francês, no Palácio do Eliseu, em honra à rainha da Inglaterra encerra os eventos oficiais em lembrança do Dia D.
CN/dpa/lusa/afp/ap

DW.DE

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Rosalba chora e deixa reunião da executiva do Democratas

Rosalba Ciarlini 2

Por Ivo Freire
A governadora Rosalba Ciarlini deixou a reunião da Executiva do Democratas na manhã de hoje sem esperar sua conclusão.
Rosalba chegou à reunião acompanhada do marido e chefe do Gabinete Civil, Carlos Augusto Rosado.
Discursou lembrando seu direito de ser candidata à reeleição e chegou a chorar.
A direção executiva do Democratas, que tem como presidente estadual e nacional o senador José Agripino, decidiu que, hoje, só iria votar a proposta de coligação para as disputas de deputado federal e estadual ao PMDB.
O senador José Agripino quer o DEM sem candidato ao Governo do Estado, e sem a candidatura à reeleição da governadora Rosalba Ciarlini,
Agripino quer também apoiar a provável candidatura do deputado Henrique Eduardo Alves, do PMDB, à sucessão da governadora do seu partido, o DEM, Rosalba Ciarlini.
Fonte:companhiadanotícia.com.br

domingo, 1 de junho de 2014

Sim, eu tenho medo!

Publicação: 01 de Junho de 2014 às 00:00 | Comentários: 0
Fonte:Tribuna do Norte.
Salomão Gurgel [ Psiquiatra ]

Quando era moleque, nas bandas de Janduís, a gente tinha medo de alma, de bicho papão, de papafigo, da besta-fera e de muitos outros fantasmas. Os adultos nos enchiam desses temores, a fim de conseguirem a nossa obediência. Mas nos encorajavam a ser homem, enfrentar o mal e não temer os inimigos que nos queriam ofender e destruir.  Assim, em meio as superstições e a dureza da vida pela sobrevivência, formava-se a nossa personalidade!  Na vida adulta, conscientes, tínhamos que nos libertar dos nossos medos, frutos dos nossos “fantasmas”. Era tudo mais fácil! Quem, já amadurecido, continuava acreditar em bicho papão e dele ter medo?

 Viver, então, era a construção de um processo de superação dos nossos temores induzidos na infância e na adolescência e da consolidação de um equilíbrio interior, que se baseava na descoberta de um valor imprescindível, tanto do ponto-de-vista individual, como coletivo, como é a Segurança. Eu nasci! Sou um Indivíduo!  Eu tenho consciência do meu Ser em expansão num mundo que se considerava seguro! Daí, a minha sensação de leveza e desapego, de destemor e bravura, de coragem e determinação. Em mim havia um sensação maravilhosa do homem bom e pacífico, que se sentia seguro e que, por não atentar contra a vida dos outros seres humanos , podia caminhar, seguro, pelas veredas da vida.

Hoje, já não ligo o radinho de pilhas, às cinco da manhã, para ouvir as notícias, enquanto faço o suco que adoro. Mas a empregada chega, em seguida, sem dar bom dia,  dizendo que mataram dois no seu bairro. Não me atrevo, muito menos, a ligar a TV. Antes de tomar banho, olho para a Bíblia, penso nos Salmos do xará Salomão, o Rei, mas desisto, pois não sei quem são, hoje, os meus inimigos. Antes de sair pro trabalho, a mulher manifesta uma “virose”. Ligo pra farmácia peço que me mandem uns antitérmicos e antitussígenos por um moto-taxista. O rapaz chega, encara-me, sem me entregar os remédios, e abre o verbo: “Doutor, cuide de sua casa, coloque cerca elétrica e monte câmeras filmadoras, pois essa noite a polícia matou três assaltantes!” Já na clínica, a secretária confirma a instalação de um caríssimo sistema eletrônico de segurança, mostrando que é o medo o que determina o nosso “modo de viver”.

Fomos “convencidos” a não ir mais passar fim-de-semana no sítio, nem andarmos mais juntos. A clínica, que tinha em Janduís, e atendia a mais de 3 mil pessoas da região, fui obrigado a fechar. Sinto-me aliviado, quando chego em casa, às 19 horas, mas tenho que ficar todo trancado como se fosse um prisioneiro. Olho pros jornais, mas não me interessa abri-los. Sintonizo canais de TV internacionais, inclusive em russo, mas não me animo.

Então, eu me pergunto: tenho medo de uma violência contra mim e meus familiares? Ou perdi a esperança ao sentir o desmoronamento de valores  individuais e coletivos,o que faz com que nos tornemos apáticos e emocionalmente embotados, onde “viver não é preciso, apenas navegar é preciso!

sábado, 31 de maio de 2014

Brasil

Admirado ou odiado, Joaquim Barbosa teve papel de destaque no STF

Ao anunciar aposentadoria, ministro surpreende colegas e líderes dos outros poderes. Protagonismo no julgamento do mensalão rendeu elogios e críticas ao presidente do Supremo Tribunal Federal.
Após 11 anos de atuação no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da instituição, Joaquim Barbosa, causou surpresa em muitos ao anunciar sua aposentadoria nesta quinta-feira (29/05). Aos 59 anos, ele tem mais de 40 de serviço público – tempo suficiente para pedir o afastamento.
"Desde a minha sabatina – talvez vocês não se lembrem –, eu deixei muito claro que não tinha intenção de ficar a vida toda aqui no Supremo Tribunal Federal. A minha concepção da vida pública é pautada pelo princípio republicano. Acho que os cargos devem ser ocupados por um determinado prazo e depois deve se dar oportunidade a outras pessoas", disse o ministro, em conversa com jornalistas, após presidir a sessão em que anunciou oficialmente sua aposentadoria. O afastamento deverá se concretizar na última sessão de junho.
O protagonismo de Barbosa – ministro do STF desde 2003 e presidente do órgão desde 2012 – durante o julgamento do processo do mensalão e a alta exposição a que as sessões foram submetidas levaram parte da opinião pública a admirar a atuação do magistrado, enquanto outra parte o criticou duramente. Barbosa foi aclamado por aqueles que viam em seu trabalho uma resposta à corrupção. Outros o acusaram de estar em uma cruzada pessoal contra o PT.
Ao anunciar a aposentadoria, Barbosa disse estar satisfeito de ter podido "compor esta corte no que talvez seja seu momento mais fecundo, de maior criatividade e de importância no cenário político-institucional".
"Foi o maior desafio e a maior oportunidade de se observar a interação entre seu temperamento e seu papel na Corte Suprema", diz o professor Paulo Henrique Blair, doutor em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília.
Perfil difícil
Apesar das polêmicas, Blair aponta a capacidade de gestão de Barbosa durante o processo como um destaque de sua carreira. "Isso é algo que a gente pode destacar de muito positivo do estilo de gestão administrativa que depois aracterizou o estilo do ministro Joaquim." Durante o julgamento do mensalão, o STF precisou superar um "desafio extraordinário" de conciliar as demandas cotidianas com a coleta de provas e depoimentos, explica o professor. "Isso é próximo do impossível de conciliar", considera.
Entretanto, para o doutor em Direito Público pela Universidade de Berlim e pesquisador da UnB Juliano Zaiden, Barbosa acabou perdendo apoio com algumas decisões mais polêmicas. "Ele não é um jurista que foge da média em termos de qualidade. Ele teve o destaque no mensalão, mas não sei se foi um destaque positivo", avalia.
Na opinião de Zaiden, Barbosa teve atitudes "institucionalmente ruins" em plenário. "Ele passou um pouco dos limites do poder."
Não foram raras as discussões, por exemplo, entre Barbosa e o também ministro Ricardo Lewandowski – revisor do processo do mensalão. Em um dos momentos mais notórios, Barbosa acusou Lewandowski de estar promovendo "chicana" – uma manobra para atrasar o andamento do processo.
Joaquim Barbosa Joaquim Barbosa assumiu a presidência do STF em 2012, como o primeiro negro a ocupar o cargo
Despedida lamentada e respeitada
Antes de anunciar publicamente sua aposentadoria, Barbosa encontrou-se com a presidente Dilma Rousseff pela manhã. Em seguida, conversou com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o da Câmara, Henrique Eduardo Alves.
O presidente da Câmara avaliou a presidência de Barbosa como "importante", mas reconheceu a atuação "polêmica". Já Calheiros classificou a conversa que manteve com o ministro como "surpreendente" e lamentou a saída de "uma das melhores referências do Brasil".
Tradicionalmente, os juízes que compõem o STF ficam até a chamada aposentadoria compulsória, aos 70 anos, como foi o caso de Ayres Britto. Apesar da tendência, há casos recentes de afastamento antes desse tempo, a exemplo de Ellen Gracie, que se aposentou aos 63 anos, em 2011.
Colega de plenário, o ministro Marco Aurélio Mello, lamentou a saída de Joaquim Barbosa. "Penso que devemos ocupar a cadeira até a décima hora, mas compreendo a decisão tomada, já que estou muito acostumado a conviver com a divergência."
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também se manifestou a respeito da aposentadoria antecipada. "Fica aqui um protesto pela saída prematura e fica também o agradecimento do Ministério Público brasileiro pelo comportamento de vossa excelência como membro desta alta corte e asseguramos que, ao ver do Ministério Público, essa incorreta decisão, de se aposentar antes do tempo desse honroso cargo, conta com nosso aplauso e elogio."
Biografia internacional
Mineiro de Paracatu, Joaquim Barbosa complementou a educação básica em Brasília, onde também cursou Direito. Complementou os estudos na Universidade de Paris-II e atuou como docente no Rio de Janeiro e em Nova York.
Antes de assumir o posto de ministro do STF, há 11 anos – indicado pelo ex-presidente Lula da Silva –, Barbosa atuou no Ministério Público Federal, no Ministério da Saúde, das Relações Exteriores e serviu na Embaixada do Brasil em Helsinki, capital da Finlândia.
A próxima atividade profissional de Barbosa ainda é desconhecida, mas a candidatura a um cargo eletivo este ano não é uma das opções, pois todos os prazos já se esgotaram. Em entrevistas recentes, entretanto, Barbosa não descartou fazer carreira política. Mas ele também pretende descansar e assistir à Copa do Mundo.

DW.DE

terça-feira, 27 de maio de 2014

Aeroporto Augusto Severo vai sumir do mapa?



Natalense questiona a provável desativação do Aeroporto Augusto Severo. Confira, abaixo, seu comentário em postagem que destaca o patrono do aeroporto, um norte-rio-grandense saído de Macaíba:   
Foto: Canindé Soares/com pesquisa no Google
O histórico Aeroporto Augusto Severo vai sumir do mapa? Esta é a pergunta que muita gente está fazendo. Eu também. O aeroporto é um das maiores homenagens ao gênio potiguar que deu uma das maiores contribuições ao desenvolvimento inicial da aviação mundial.
A transferência dos vôos civis para São Gonçalo do Amarante provocará o abandono ou demolição do histórico prédio que, segundo dizem, foi construído pelos americanos na II Guerra? Eu fiz essa indagação na manhã do dia 21, 4ª feira, quando fui à Base Aérea de Natal assinar uma Declaração no setor de inativos, representando um irmão.
Todos devem dar uma paradinha na frente do Aeroporto Augusto Severo e refletir sobre o futuro do histórico Monumento arquitetônico, que deveria ser patrimônio da Humanidade. Pense e sugira o que fazer para a sua preservação. a) Luiz G. Cortez G. de Melo, natalense e aficionado da aviação


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 5/26/2014 07:14:00 PM


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Algo de podre no reino da Dinamarca ! 

Economistas comentam críticas de investidor dinamarquês ao Brasil

O economista-chefe de investimentos do Saxo Bank da Dinamarca, Steen Jakobsen, fez uma série de críticas à economia brasileira durante evento realizado em São Paulo no início deste mês. Para ele, presidente e Banco Central estão perdidos e país é "campeão em fracassos". Economistas brasileiros consultados pelo JB reforçam que as “análises pessimistas” podem ser resultado de uma visão superficial, ou ainda o ponto de vista do investidor que apenas visa o lucro. Apontam, no entanto, que algumas medidas do governo geraram grande resistência e um certo recuo, e ainda a real necessidade do país de realizar um planejamento estratégico de longo prazo, que dê continuidade ao movimento de distribuição de renda iniciado na década passada.
Jakobsen declarou que a situação macro do Brasil é a pior dos países que ele visitou, criticou Dilma Rousseff por não saber o que quer e ainda estar "completamente perdida", assim como o Banco Central. Reclamou ainda da ausência de reformas e decisões políticas "fora do bom tom" e disse que o Brasil precisa de uma crise de verdade, "com uma magnitude enorme", para "tomar jeito" - apesar de ter ressaltado que o país é "campeão mundial de fracassos" e que nunca aprende. Comentou também que receber a Copa e as Olimpíadas foi um erro gigante, que acabou desviando recursos importantes para "coisas inúteis".
O economista Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acredita que existe no discurso do setor financeiro e de parte da mídia uma "realidade inventada". “Acho que esse tipo de pessimismo beira a irracionalidade e a esquizofrenia. Por mais que haja problemas na economia brasileira, em especial o baixo crescimento, o país vive o seu índice de desemprego mais baixo das últimas décadas (5%) e vem distribuindo renda, o que melhora as condições de vida da população mais pobre, ou seja, não estamos à beira do colapso”, completa Rossi.
Heron do Carmo, professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP), esclarece que as críticas parecem ser baseadas mais em impressões sobre o Brasil do que em análise fundamentada. “Por exemplo, com relação à Copa ele deve ter esquecido que o Brasil recebeu o evento em 1950 e o realizou a contento, incluindo a construção do Maracanã. Naquela época nosso PIB era cerca de 5% do atual.”
Francisco Lopreato, também professor de Economia na Unicamp, reforça a necessidade de avaliação dos interesses e perspectivas de Jakobsen, um investidor, focado, provavelmente, na maior rentabilidade para suas aplicações financeiras. “Talvez, para esse tipo de gente, realmente as condições estavam melhores anos atrás do que no momento mais recente. Durante o governo do Fernando Henrique e até mesmo em alguns momentos do Lula, mas na gestão de FH muito mais, depois que passou turbulência de 1999, a rentabilidade que eles estavam conseguindo no Brasil era extremamente elevada. A taxa de juros era bastante alta, para eles era o melhor dos mundos.”
O ponto de vista do investidor dinamarquês pode não ser o mesmo da população brasileira, que, reforça Lopreato, assistiu a uma melhor distribuição de renda e melhor nível de emprego, que está entre os mais baixos do mundo, além do maior número de bolsas de financiamento estudantil e de programas como o Ciência sem Fronteiras.
Em relação às críticas diretas à presidente Dilma Rousseff, de que ela estaria completamente perdida, o professor destaca que o governo realmente perdeu um pouco o rumo, devido à resistência que enfrentou com algumas medidas como as adotadas para favorecer a indústria, que exigiu mudanças nos juros, na questão tributária e no câmbio.
“Ela defendeu e ampliou a política de apoio ao setor industrial que veio do Lula, contrária a do FHC, e, principalmente quando reduziu a taxa de juros, causou frenesi. A gente não pode esquecer que, desde o final do período de alta inflação, nós temos como característica da economia brasileira um nível de rentabilidade das aplicações financeiras muito alto. Quando você mexe na taxa de juros, isso causa uma resistência muito grande. Ela comprou uma série de brigas e pagou caro para isso, perdeu algumas batalhas”, esclarece.
Isso fez com que o governo recuasse em alguns momentos, como na taxa de juros, na inflação e na questão tributária. Havia um rumo claro, destaca Lopreato, mas o governo teve que “dar um passo atrás”. “Quando ela mudou a trajetória da taxa de juros, ela perdeu um pouco o rumo, teve que ceder um pouco para atender demandas e, talvez, o foco que ela tinha muito claro, nesse último ano, está meio difuso.”
Sobre as críticas à realização da Copa e da Olimpíadas no Brasil - o dinamarquês falou em um desvio de recursos importantes para "coisas inúteis" -, Lopreato destaca que seria ingenuidade imaginar que se não tivéssemos a Copa os recursos iriam para educação e saúde. Ele explica ainda que um investimento maciço nos setores sociais, no entanto, seria o passo seguinte ao movimento de distribuição de renda iniciada no governo Lula.
“O problema não é a Copa. O que está em falta no Brasil é uma discussão mais consubstancial de um projeto de longo prazo, mas para fazer isso depende de consolidação de interesses mínimos, o que, no Brasil, é difícil, porque cada um puxa para um lado. O último movimento de planejamento estratégico em regime democrático foi com Juscelino. Depois disso, tivemos alguns momentos como o milagre econômico, mas foi da Ditadura, né? Tivemos um proposta na época de Fernando Henrique, que era de reforma, não tinha grandes planejamentos de longo prazo”, comentou.
Fonte:jb.com.br