terça-feira, 9 de setembro de 2014



SÍNTESE HISTÓRICA DO MAIOR GRUPO
EMPRESARIAL DO RIO GRANDE DO NORTE
Tomislav R. Femenick – Mestre em economia, historiador e membro da diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Na última quadra do século XIX, o cenário empresarial de Mossoró registrou uma grande expansão. A cidade já contava com quase uma centena de firmas e teve um crescimento que superou todos os mercados concorrentes. Essa onda de desenvolvimento atraiu, inclusive, pessoas e empresas de outros países que para lá foram, tais como: Johan Ulrich Graf, Feles Finizola, Leges & Cia., William Dreifles, Henri Adams & Cia., Gustav Brayner, Guines & Cia., Conrad Mayer e o português José Damião de Souza Melo. Afora os estrangeiros, mossoroenses e pessoas de outros lugares do Nordeste também abriam casas de negócios. Foi o caso da Casa Mossoró & Cia., do cearense Joaquim da Cunha Freire, o Barão de Ibiapaba, Oliveira & Irmão, Souza Nogueira & Cia., Mota & Cavalcanti, Vicente da Mota & Cia., as firmas de Joaquim Zeferino de Holanda Cavalcanti, Teodoro José Pereira Tavares, Miguel Faustino do Monte, Antonio Soares do Couto, Manuel Lucas da Mota, Benício Mota e muitos outros. Dentre eles destacou-se Francisco Tertuliano de Albuquerque.
            A presença de todos esses homens de negócios se refletia na intensa movimentação do porto de Areia Branca. De 1893 a 1895, cento e cinquenta e seis embarcações atracaram naquele porto e em 1911, cento e treze navios nacionais e outros 153 estrangeiros levaram produtos negociados por empresários de Mossoró, sendo 33 noruegueses, 30 ingleses, 50 alemães, 17 dinamarqueses, 10 suecos, seis holandeses, quatro portugueses, um americano, um francês e um russo. O porto de Areia Branca movimentava anualmente de 200 a 250 mil toneladas de cargas, enquanto o porto de Natal movimentava cerca de 40 mil e os de Fortaleza e Cabedelo, 90 mil cada um deles. Era o sétimo maior porto do Brasil, em movimentação de tonelagem. O porto dos mossoroense contribuía com 58% das receitas portuárias do Estado, enquanto que Natal contribuía com 40%, e Macau apenas com 2%.
Até o final do século XIX, todas as mercadorias exportadas pelas firmas de Mossoró seguiam-se até o Porto de Santo Antônio, localizado a jusante do Rio Mossoró, em carros de bois ou comboios de burros, que conduziam fardos de algodão, peles e cera. Dali, os volumes eram transferidos em embarcações à vela até Areia Branca, de onde por sua vez, eram levados aos navios de maior calado, que ficavam ancorados em alto mar. De volta, os carros de bois e comboios traziam mercadorias importadas do exterior ou outras regiões do país, que eram levadas para Mossoró, de onde eram remetidas ao alto sertão potiguar, ao Ceará, à Paraíba ou mesmo para Pernambuco.
Foi nesse cenário que, no ano 1869 o jovem Francisco Tertuliano de Albuquerque iniciou o seu comércio de fazendas, ferragens e miudezas, tudo em pequena escala, tanto assim que o seu capital inicial foi de apenas dezenove contos de réis. No ano seguinte a empresa foi devidamente regularizada, com o nome de F. T. de Albuquerque, e com a marca de fantasia de “Casa Tertuliano”. Depois sua razão social foi alterada, sucessivamente, para F. T. de Albuquerque & Cia., Tertuliano Fernandes & Cia. e, finalmente, S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, em 1949. O primeiro gerente da firma foi o Dr. Euclides Saboia. A história da empresa está intimamente ligada à figura de Raimundo Nonato Fernandes, que nela ingressou como simples contínuo, foi nomeado gerente e, mais tarde, tornou-se sócio de seus antigos patrões.
A expansão das atividades do grupo (incluindo a negociação de cera de carnaúba, peles e outros produtos da região) e a adoção de técnicas modernas no setor algodoeiro e salineiro levaram a SAMTEF a ser o maior grupo empresarial do Rio Grande do Norte.

O IMPERIO DO SAL

No início do século passado, o sal potiguar era bem conhecido e aceito no nordeste e em poucas outras regiões do país, enquanto que no sudeste, no centro-oeste e no sul, era consumido quase que exclusivamente sal importado de Cádiz, na Espanha. Raimundo Nonato Fernandes conseguiu vender a uma firma sulina trezentas toneladas de sal, por preço irrisório. Não queria lucro com essa transação, sim abrir o mercado para o nosso produto. Com esse ato o sal de do Rio Grande do Norte se impôs aos compradores nacionais.
            Esse foi o primeiro passou para a criação do verdadeiro império empresarial representado pelas empresas produtoras e refinadoras de sal, controladas pela S/A Mercantil Tertuliano Fernandes: a SOSAL, Salinas Guanabara e SALMAC.
            Até o final da primeira metade do século passado, nas margens dos rios Mossoró e Assú e de seus afluentes, o sal era produzido por processos arcaicos e antieconômicos. Somente a privilegiada localização das salinas é que pode sustentar essa “indústria artesanal”, com uma enganadora não necessidade de novas técnicas para se produzi-lo, muito embora o produto fosse caro, industrialmente falando. O sol abrasador, os ventos constantes, o solo impermeável e água com grau de salinidade superior à da água do mar escondiam essa carência. Porém novos tempos chegaram e a SAMTEF, correu em busca de novas tecnologias, que representassem menos custos.
A Salinas Guanabara S/A foi a primeira salina brasileira integralmente planificada e totalmente mecanizada. Uma verdadeira fábrica de fazer sal. A SUDENE a considerou como um dos empreendimentos prioritários para o “desenvolvimento zonal salineiro”, com produção de 150 mil toneladas/ano, nos primeiros anos de sua atividade. Ocupava uma érea de 10.000.560 metros quadrados e operava com apenas 114 empregados, em perfeitas condições de trabalho. Dispunha de uma vila operária modelo, ambulatório, cooperativa de consumo, posto de saúde, escritórios, oficinas e garagem, tudo com água encanada, energia elétrica e rede de esgotos.
A unidade produtora da SOSAL-S/A Salineira do Nordeste ocupava uma área de 26 milhões de metros quadrados, com uma zona de cristalização de 200 mil metros quadrados, onde no final dos anos 1960 eram produzidas 400 mil toneladas de sal. Tinha 80 empregados fixos e mais de 1.200, de setembro a março. Seu projeto incluía uma vila operária, oito alojamentos, um laboratório, um posto de observações meteorológicas, um restaurante, cooperativa de consumo, escola, clube para funcionários, ambulatório médico, escritórios, almoxarifado, posto de serviço e garagem.
Por sua vez a SALMAC-Salicultores de Mossoró Macau Ltda. era proprietária da Salina São Vicente, também em Mossoró, cuja capacidade de produção era de 30 mil toneladas anuais. Entretanto suas atividades principais eram o refino e a distribuição da produção de do sal do grupo nos mercados consumidores, principalmente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso e Espírito Santo. No porto de Santos-SP, possuía instalações de desembarque, com equipamentos que possibilitavam um fluxo normal de 300 toneladas por hora e, ainda, um depósito com capacidade de armazenamento para 25 mil toneladas de sal. Na capital paulista possuía outro depósito, com capacidade de cinco mil toneladas, e, ainda, um centro de moagem e refino. No Rio de Janeiro, tinha um depósito para sete mil toneladas de sal e instalações de moagem e refino.
Visando obter recursos para incrementar o seu crescimento empresarial, a S/A Mercantil Tertuliano Fernandes se associou ao grupo do banqueiro Walter Moreira Sales (Unibanco), cedendo 50% das ações da SOSAL e Guanabara. Posteriormente, o grupo Moreira Sales transferiu sua participação para a norte-americana Morton International Inc. (hoje, Morton Nortwich Products Inc.), através de sua subsidiária Morton’s Salt Company, de Salt Lake City.

O IMPÉRIO DO ALGODÃO

            O complexo algodoeiro da S/A Mercantil Tertuliano Fernandes se espalhava por toda região oeste potiguar. Possuía unidades de compra e/ou beneficiamento de algodão nas cidades de Pau dos Ferros, Apodi, Caraúbas, São Miguel, José da Penha, Marcelino Vieira, Patu e outras, além de grandes instalações de descaroçamento, enfardamento de algodão e linter e prensagem e extração de óleo em Mossoró. Nessa última foi utilizado pela primeira vez no Estado, no início dos anos 1960, o sistema de extração de óleo com a utilização de solvente químico. Nessa mesma década, foram criadas duas empresas subsidiárias: a Usina São Vicente S/A passou a cuidar das operações de compra e descaroçamento de algodão, bem como a venda do produto para o mercado nacional. Por sua vez, a Fábrica Raimundo Fernandes S/A realizava a extração de óleos vegetais. Sua linha de produção era composta de óleo bruto, semirrefinado e refinado; linter, borra de linter, torta magra (farelo), casca e borra de óleo. Dentre esses produtos, destacava-se o óleo comestível da marca Pleno.
O próximo passo seria a implantação de uma unidade produtora de margarina, cuja maquinaria já estava sendo adquirida. Com o lançamento desse novo produto, a Fábrica Raimundo Fernandes completaria o ciclo de utilização integral dos recursos industrializáveis do caroço de algodão. A nova unidade estaria capacitada para produzir anualmente 2.290 toneladas de óleo bruto de algodão, 2.106 toneladas de óleo refinado, 1.310 toneladas de gordura hidrogenada, 1.700 toneladas de margarina, 61 toneladas de linter, 61 toneladas de borra de linter, 7.350 toneladas de torta magra (farelo), 1.225 toneladas de casca e 366 toneladas de borra de óleo.

OUTRAS ATIVIDADES

Além dos complexos salineiro e algodoeiro, a S/A Mercantil Tertuliano Fernandes se dedicou também ao comércio e exportação de cera de carnaúba e couros, importação, navegação, agenciamentos, comissões, representações, consignações, agricultura, pecuária, administração de bens próprios ou de terceiros e particulares em outras empresas. Na Fazenda Itaoca, localizada nos municípios de Caraúbas e Apodi (com uma área de 6.000 hectares que continha dois açudes) possuía cerca de 2.000 cabeças de gado e aproximadamente 10 mil carnaubeiras. 
            Também faziam parte do grupo as empresas Apodi de Administração e Participações S/A, a holding do grupo, e SOTRAN-Sociedade Brasileira de Transporte Rio Mossoró Ltda; está última fazia o transporte do sal das salinas ao costado dos navios em alto mar, com embarcações próprias.

OS EMPREENDEDORES

A S/A Mercantil Tertuliano Fernandes somente conseguiu crescer graça ao espírito empreendedor de seus dirigentes. Homens com a visão de Francisco Tertuliano de Albuquerque e Raimundo Nonato Fernandes, na implantação da empresa, e Euclides Saboya, Vicente José Tertuliano Fernandes, Francisco Xavier Filho, Rodolfo Fernandes, Paulo Fernandes, Rafael Fernandes Gurjão, Julio Fernandes Maia, José de Oliveira Costa, e José Martins Fernandes, na etapa seguinte da sua consolidação.
No seu grande momento, durante a expansão de seus negócios pelo país, o grupo SAMTEF foi conduzido por Valdemar Fernandes Maia (presidente) e Antônio Florêncio de Queiroz, bem como Aldemar Fernandes Porto e Francisco de Queiroz Porto, além de Heriberto Escolástico Bezerra, Renato Costa, Gabriel Fernandes de Negreiros, Jorge Paes de Carvalho, Humberto Vieira Martins, Fernando Paes de Carvalho, Francisco de Assis Queiroz, Fausto Pontes, Francisco Canindé de Queiroz, João Marcelino, Genésio Rebousas e muitos outros. Todavia, o artífice do seu crescimento foi Antônio Florêncio de Queiroz. Dele foram todas as grandes ideias e todos os grandes projetos; era o porta-voz das inovações e da modernização da empresa. Foi eleito deputado federal por quatro legislaturas consecutivas.  

A CRISE DO ALGODÃO

É comum, inclusive entre estudiosos do assunto, atribuir-se ao bicudo (Anthononus grandis) a causa da crise da cotonicultura do Nordeste e, por extensão do nosso Estado. O certo é que foi uma série de fatores – que se sucederam e se repetiram ao longo do tempo – que impactaram o setor, provocando uma verdadeira hecatombe na agricultura, no comércio e na indústria ligada ao cultivo e beneficiamento do algodão. O bicudo apenas foi mais um desses fatores; muito danoso, porém não o mais letal.
A ação de combate à praga exigia a pulverização das plantações utilizando agrotóxicos altamente danosos à outras espécies; vegetais e animais. Dependendo da região e das condições locais, o custo anual do produtor no combate ao bicudo variava entre R$ 200,00 e R$ 300,00 (em moeda corrente), por hectare, o que inviabiliza a continuidade de muitos produtores no setor. Entretanto, “causa mortis” da nossa cultura algodoeira foram fatores econômicos, acoplados à baixa produtividade.
A escassez de recursos, as altas taxas de juros para financiamento da produção e beneficiamento da pluma e do caroço foram problemas levantados há quase sessenta anos nos “Encontros de Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, organizados pela SUDENE em Mossoró, Caicó e Pau dos Ferros. Pelo que ali foi dito, o montante das linhas de créditos, oferecidas pelo Banco do Brasil e Banco do Nordeste aos agricultores e maquinistas, sempre foram insuficientes, fato que ensejou o aparecimento dos atravessadores. Esses agentes foram importantes para o sistema, porém agregavam os custos, que já eram exorbitantes.
Ainda no campo econômico, outro aspecto encarecia (e ainda encarece) a produção do algodão potiguar: a quase ausência de economia de escala. A nossa cotonicultura é oriunda de unidades produtoras familiares de pequenas dimensões, verdadeiros minifúndios, além do mais em espaços não contínuos. Cada uma dessas unidades cuida do seu preparo da terra, do seu plantio, da sua aplicação de defensivos, da sua colheita etc., numa cadeia de custos que se multiplicam. Por outro lado, a pequena dimensão das propriedades dificulta a mecanização dos processos, geralmente realizada com máquinas caras, até quando alugadas.
Matéria-prima prima escassa (e cara) sustou os projetos de crescimento e mesmo de continuidade das unidades algodoeiras do grupo SAMTEF.

A CRISE DO SAL

A primeira grande crise nas unidades salineiras ocorreu em 1961, quando o Rio Mossoró invadiu as salinas de Mossoró, Grossos e Areia Branca, provocando um serio prejuízo aos industriais salineiros, pela destruição de aproximadamente 600 toneladas de sal e das benfeitorias existentes nas salinas. Entretanto o maior prejuízo foi causado às iniciativas de mecanização das salinas, principalmente aquelas desenvolvidas pelos grupos S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, F. Souto, Paulo Fernandes e Miguel Faustino Souto do Monte.
A esse cenário se juntavam os altos custos de carregamento dos navios, transporte e desembarque nos portos do centro e sul do país, o mercado consumidor do produto. Essa fase era tão ou mais arcaica que a primeira, fazendo com que o sal produzido no Rio Grande do Norte custasse mais de seis vezes quando chegava a São Paulo e no Rio de janeiro.
A situação, que era delicada, caminhava para ficar alarmante. Durante a visita que realizou a Mossoró, em fevereiro de 1967, Mario Thibau, o então Ministro das Minas e Energia, declarou que a indústria salineira do Rio Grande do Norte poderia sofrer um grande abalo dentro de prazo médio. No mesmo ano, o Instituto Brasileiro do Sal foi extinto e em 1970 os norte-americanos adquiriram o restante das ações da SOSAL e da Guanabara, ficando com a totalidade do capital social de ambas, para o que teriam contado com recursos do grupo Rockefeller.
Foi o início do fim do maior grupo empresarial do Rio Grande do Norte.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Fonte: Voz da Alemanha - dw.de - 08.09.2014

Brasil

Escândalo na Petrobras não deve afetar Dilma, avaliam analistas

Nova denúncia de corrupção na Petrobras só teria efeito eleitoral se nome da presidente aparecesse nas denúncias, comentam especialistas. Já Aécio Neves pode se beneficiar, mas deve ter cuidado ao explorar o caso.
A menos de 30 dias do primeiro turno das eleição presidencial, o depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, à Polícia Federal, sobre políticos beneficiados por um esquema de corrupção na estatal, acendeu a luz vermelha nas campanhas da presidente Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva. Mas, segundo especialistas, o caso não deve provocar uma grande guinada no panorama eleitoral brasileiro.
O depoimento do ex-diretor, divulgado pela revista Veja no sábado passado (06/09), deixou os coordenadores das campanhas do PT e do PSB apreensivos, já que Costa denunciou políticos do PT, PMDB e PP – que formam a base aliada do governo Dilma – e também o ex-governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos, que morreu num trágico acidente aéreo no último dia 13 de agosto.
"De imediato, não há nada que ligue o escândalo diretamente ao nome de Dilma e, portanto, o potencial da denúncia não é tão destrutivo para a campanha dela", afirma o sociólogo Rodrigo Prando, do Mackenzie. "Mesmo com o envolvimento de gente graúda do PT, se não houver citação nominal da presidente, acho improvável uma guinada na intenção de voto dos eleitores."
Ele afirma, ainda, que o eleitor já está "anestesiado" por conta dos casos de corrupção nos últimos anos. Como exemplo, cita o Mensalão, que teve grande repercussão na mídia e, mesmo que integrantes do primeiro escalão do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham sido presos, este conseguiu ser reeleito e, ainda, eleger sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff.
Christina Peters, diretora do escritório regional da Universidade Livre de Berlim em São Paulo, argumenta que as alegações feitas no depoimento não são conclusivas e agora cabem às instituições democráticas a investigação e o esclarecimento das suspeitas. Para a historiadora, novos esclarecimentos, portanto, devem ser aguardados.
"É normal numa campanha em estágio avançado haver a tentativa de acentuar escândalos políticos", afirma Peters. "Por isso, não acredito que as denúncias necessariamente terão um impacto tão forte sobre o comportamento do eleitor na atual fase da campanha."
Possível chance para Aécio
Segundo pesquisa de 30 de agosto do Datafolha, Marina está empatada com Dilma
O novo escândalo envolvendo a Petrobras pode dar um fôlego à candidatura de Aécio Neves, que está na terceira colocação segundo a última pesquisa do Datafolha, divulgada em 30 de agosto, com 15% das intenções de voto. Na mesma sondagem, Dilma e Marina estão empatadas, com 34% cada.
Para o cientista político Leonardo Paz, professor do Ibmec/RJ e coordenador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o candidato do PSDB pode se beneficiar com as denúncias, mas deve ter cuidado ao exercer críticas, principalmente ao ex-governador Eduardo Campos, que morreu há menos de um mês.
"Essa seria uma estratégia perigosa para Aécio, pois ele poderia ser criticado por acusar quem não pode se defender. Dessa forma, acho que Marina não deve ser muito impactada por conta das denúncias que foram dirigidas a Eduardo Campos", cita Paz, para quem é necessário ainda esperar que as investigações apresentem fatos mais concretos em relação ao suposto envolvimento do governo federal e de Campos.
O especialista lembra, também, que informações mais comprometedoras não viriam de Aécio, mas da Justiça ou da Polícia Federal. Para Paz, o tucano deve se restringir apenas a relembrar aos eleitores o que os jornais estão divulgando. Assim seria difícil dizer se ele poderia mesmo se beneficiar com as denúncias.
"Até o momento, a sua coordenação de campanha não conseguiu usar quase nenhum dado negativo do governo a seu favor", ressalva.
Delação premiada
Aécio Neves pode se beneficiar do escândalo, mas deve ter cuidado ao explorar o caso
Segundo a reportagem da revista Veja, Costa denunciou pelo menos 25 deputados federais, seis senadores e um ministro. Os políticos denunciados teriam recebido uma comissão de 3% sobre o valor de cada contrato firmado durante a gestão de Costa na estatal, que foi nomeado por Lula em 2004 e ocupou o cargo até 2012, segundo ano do governo Dilma.
O ex-executivo da estatal resolveu fazer uma delação premiada no dia 22 de agosto, depois que a Polícia Federal realizou buscas nas empresas de suas filhas, genros e de um amigo dele e encontrou indícios de que Costa tem contas no exterior. Sem a delação, Costa poderia ser condenado a mais de 30 anos de prisão. Com a colaboração, porém, a Justiça poderá reduzir a pena do ex-diretor em até dois terços ou até mesmo livrá-lo de todas as acusações.
De acordo com a publicação, Costa citou, entre outros políticos, os nomes da governadora Roseana Sarney (MA) e dos ex-governadores Sérgio Cabral (RJ) e Eduardo Campos (PE); do ministro das Minas e Energia, Edilson Lobão; dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e Ciro Nogueira (PP-PI); e dos deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Cândido Vacarezza (PT-SP), Mário Negromonte (PP-BA) e João Pizzolatti (PP-SC).
Fonte: dw.de
A sorte dos africanos
Walter Medeiros*
Os africanos vitimados pelo vírus ebola tem sorte de não viverem no Brasil e estarem longe dos seus órgãos de medicina, saúde e vigilância. Se a epidemia estivesse acontecendo aqui, a orientação da Organização Mundial de Saúde – OMS passaria primeiro pelo crivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, que proíbe o uso de auto-hemoterapia e, entre outros órgãos, do Conselho Federal de Medicina – CFM, que aprovou parecer incompleto e tendencioso afirmando que a técnica não teria comprovação científica. Ou seja, aqui seriam necessários muitos anos de espera por providências que nunca chegam para testar uma terapia que vem salvando vidas há quase duzentos anos.
Neste final de semana a grande notícia na área de saúde pública é que a OMS recomenda usar sangue de pessoas curadas para tratar ebola. A OMS não diz com base em que o sangue de pessoas curadas seria ou poderia ser eficaz no referido tratamento. Isto nos leva observar que, da mesma forma que pode ser o sangue de pessoas curadas poderia ser sangue de pessoas que não foram infectadas ou das próprias pessoas infectadas, pois a imunidade do organismo é multiplicada por quatro com a aplicação da auto-hemoterapia.
Faz muito tempo que é mostrado pelo Dr. Luiz Moura que o corpo humano consegue produzir os anticorpos necessários para combater uma infecção causada pelo ebola. A OMS alega que assim, em teoria, os anticorpos que já fizeram efeito em um sobrevivente da doença podem ser transferidos pelo sangue para um paciente doente, ajudando o sistema imunológico dele para resistir ao vírus. Esta justificativa mostra que a entidade está muito atrasada na compreensão das terapias do sangue. E poderia convocar o Dr. Moura para uma consultoria de emergência, ou pelo menos fazer uma releitura do que já foi escrito por ele e outros a respeito, com base em experiências práticas e exitosas.
Antes tarde do que nunca, uma das diretoras da OMS, Marie Paule Kieny disse que "Existe uma chance real agora de que um produto derivado do sangue de pessoas curadas possa ser efetivo no tratamento de pacientes". Aliás, ela foi mais enfática ao dizer que "Nós concordamos que a terapia com sangue pode ser usada para tratar o vírus do ebola e precisamos colocar todos os nossos esforços para ajudar países infectados." Observou ainda que "Várias pessoas sobreviveram ao vírus e estão bem. Elas podem doar um pouco do seu sangue para tratar as outras pessoas que ainda estão doentes".
A OMS considera que não haveriam “dados em grande escala sobre a eficiência de uma terapia com sangue, já experimentada no passado”. Mas informa que “Estudos feitos em um surto do ebola em 1995 na República Democrática do Congo indicaram que sete de um total de oito pessoas sobreviveram à doença após terem recebido um tratamento usando sangue de pessoas que sobreviveram ao mal”. Desde o dia 30 de julho o uso da auto-hemoterapia é defendido para prevenir ebola, conforme matéria deste blog: http://hemoterapia.org/informacoes_e_debate/ver_opiniao/auto-hemoterapia-e-arma-para-tratar-ebola-a-auto.asp Entretanto, a técnica está proibida no Brasil, daí a Carta que está sendo assinada no facebook, https://www.facebook.com/photo.php?fbid=712155925505199&set=gm.624525897666332&type=1&theater . Já que a OMS propõe o uso de sangue, que seja pesquisado o efeito da auto-hemoterapia.
*Jornalista


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 9/08/2014 09:54:00 AM

domingo, 7 de setembro de 2014

Uma boa medida para o Governo copiar:


Suécia inova e cria 'barreira do álcool' para punir motoristas bêbados

Atualizado em  7 de setembro, 2014 - 17:11 (Brasília) 20:11 GMT

Bafômetro na barreira do álcool na Suécia / Crédito: MHF
'Barreira do álcool' promete reduzir casos de motoristas dirigindo com nível de álcool acima do permitido
A polícia da Suécia inaugura formalmente, na semana que vem, um novo modelo para o controle da embriaguez no trânsito: barreiras eletrônicas móveis que testam, automaticamente, se o motorista está com o nível de álcool no sangue acima do limite permitido por lei.
As novas barreiras eletrônicas, que são transportáveis, se assemelham a cancelas de pedágio. Para que a cancela se abra e o motorista continue seu trajeto, ele é obrigado a soprar o bafômetro.
Caso o condutor esteja com o nível de álcool no sangue (alcoolemia) acima do limite legal, a cancela permanece fechada ─ e a polícia entra em cena.
Em reportagem exibida na TV sueca SVT, foi demonstrado que basta soprar o bafômetro por um segundo e meio para completar o processo.
"As novas barreiras vão facilitar bastante o trabalho da polícia. E poderemos também reduzir o número de policiais nos postos de controle", disse Bengt Svensson, da Polícia Nacional sueca, em entrevista à SVT.
As "barreiras do álcool", como já estão sendo chamadas, foram desenvolvidas pela Polícia Nacional da Suécia, em cooperação com a Associação pela Sobriedade no Trânsito (Motorförarnas Helnykterhetsförbund, MHF).
As barreiras eletrônicas já foram testadas com êxito no porto da cidade sueca de Gotemburgo. E a partir da próxima quarta-feira, já começa a ser usada para controlar o nível de álcool dos motoristas que utilizam as balsas no porto de Frihamnen, na capital Estocolmo.

Controle

A ideia é expandir gradualmente o uso das "barreiras do álcool" em rodovias, portos e postos de controle policial da Suécia, um país conhecido pela cultura de extrema intolerância a infrações, especialmente àquelas relacionadas à embriaguez no trânsito.
A lei sueca estabelece um limite máximo de 0,02% de nível de álcool no sangue de quem dirige. A punição para quem viola a lei inclui multa e pena de até dois anos de prisão.
Em 2013, uma lei brasileira acabou com qualquer tolerância permitida de bebidas alcoólicas.
Nos testes realizados com as barreiras eletrônicas no porto de Gotemburgo no outono de 2013, foi registrada uma redução significativa do número de motoristas com taxa de álcool acima da permitida.
O principal fator dessa redução, segundo os idealizadores do projeto, foi uma campanha eficiente de informação aos motoristas sobre a instalação das cancelas automáticas contra embriaguez nas linhas de saída e chegada das balsas.
Antes da instalação das barreiras no porto, os registros apontavam que a cada 95 carros que passavam pelos controles manuais feitos por funcionários da alfândega, um motorista era flagrado dirigindo sob influência de álcool.
Após a instalação das novas barreiras, apenas dez condutores foram parados pelo equipamento durante todo o período de testes – o que significa, segundo os organizadores do projeto, que apenas um motorista, em cada grupo de 875 veículos que passou pelas barreiras, tinha alcoolemia acima da permitida segundo a lei sueca.
"É uma redução expressiva, que mostra o potencial deste novo conceito de ’barreiras do álcool'", diz Arne Winerdal, diretor da Associação pela Sobriedade no Trânsito (MHF).
Os testes de Gotemburgo também demonstraram que a medida não prejudicou o fluxo do tráfego no porto.
"As barreiras eletrônicas funcionaram de forma rápida e eficaz", afirmou o líder do projeto, Tomas Jonsson.
De acordo com a MHF, os testes realizados em Gotemburgo foram pioneiros no mundo, e as novas 'barreiras do álcool' já têm atraído o interesse da União Europeia.

sábado, 6 de setembro de 2014

Renan Calheiros é citado em depoimentos de delator da Operação Lava Jato .


 
 
 
 
Renan Calheiros é citado em depoimentos de delator da Operação Lava Jato

Andreza Matais, Fausto Macedo e Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo
05 Setembro 2014 | 19h 02

 

Segundo Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás que fechou acordo de delação premiada, empresas ganhariam contratos em troca do pagamento de propina de 3% para deputados e senadores

Atualizada às 21h29
O nome do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi mencionado pelo ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, em depoimento prestado à Justiça na tentativa de conseguir o perdão judicial por meio da delação premiada. O peemedebista também foi citado por outros colaboradores da Justiça flagrados na Operação Lava Jato. 
Um dos negócios mencionados supostamente envolvendo Renan é um acerto com o doleiro Alberto Youssef para que o fundo de pensão dos Correios, o Postalis, comprasse R$ 50 milhões em debêntures (um título que confere a seu detentor um direito de crédito contra a companhia emissora) emitidos da Marsans Viagens e Turismo, que tinha Youssef como um dos investidores. 
Segundo o relato de um colaborador ao Ministério Público Federal no Paraná, o doleiro teria se reunido com Renan, em Brasília, no início de março, para acertar a comissão do PMDB nesse negócio. O negócio não ocorreu porque Youssef e Paulo Roberto foram presos antes. A Marsans fechou seus escritórios e pediu recuperação judicial após as prisões. 
O fundo de pensão dos Correios é controlado pelo PMDB e PT. Em julho, os quatro integrantes da cúpula do Postalis tiveram sua exoneração pedida por dois conselheiros. A acusação é que a interferência dos partidos políticos no Postalis levou a “operações suspeitas” que explicam o rombo de R$ 2,2 bilhões acumulado de 2013 a junho de 2014. 
Procurada na tarde desta sexta-feira, 5, a assessoria de Renan Calheiros afirmou que não localizou o senador para comentar o assunto até o fechamento desta edição. O Estado também tentou falar com o senador pelo celular, mas o aparelho estava desligado. 
Dida Sampaio/Estadão
Renan Calheiros foi mencionado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa em depoimentos prestados à Justiça
As investigações também revelaram que um apadrinhado de Renan tinha contato com Paulo Roberto. Na agenda e cadernos de anotação do ex-executivo, quando este já havia deixado a Petrobrás e operava negócios na iniciativa privada, o nome do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, constava quatro vezes em anotações nos anos de 2012 e 2013. 
A Transpetro é o braço da Petrobrás em processamento de gás natural e transporte e logística de combustível. Indicado para o cargo ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva, Sérgio Machado se mantém há dez anos e quatro meses no posto com o apoio de Renan. Na agenda de Paulo Roberto há registros da anotação de celulares de Machado e de uma menção a "curso c/ Sérgio Machado, 5%", ao lado do valor R$ 5 mil e da inscrição "dois meses". A PF tenta decifrar a anotação. Em julho de 2012, Paulo Roberto, já ex-servidor da estatal, chamou a atenção ao comparecer a uma cerimônia de entrega do navio petroleiro Sergio Buarque de Holanda para a Transpetro. 
Deputados. As investigações da Lava Jato pela Polícia Federal apontaram nomes de vários parlamentares e partidos supostamente envolvidos no esquema de corrupção. Entre eles, o tesoureiro do PT, João Vaccari, os deputados André Vargas (sem partido-DF), Luiz Argôlo (SD-BA) e o senador Fernando Collor (PTB-AL). Todos negam envolvimento em esquema de propina, mas não que tenham relações com o ex-diretor. 
Por causa do envolvimento dos parlamentares, o depoimento de Paulo Roberto será encaminhado para à Procuradoria Geral da República ao final para ser submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre a validade da delação. O procurador-geral, Rodrigo Janot, acompanha com atenção o acordo de delação premiada que está sendo feita por Paulo Roberto Costa a colegas da força-tarefa da Procuradoria da República no Paraná que cuidam do caso. A reportagem apurou que Janot já foi informado da menção de autoridades com foro privilegiado nos depoimentos que estão sendo dados por Costa diariamente. 
Com a palavra, a Transpetro. A Transpetro esclareceu que "não há novidade" em relação a seu presidente. Em abril, a empresa já havia se manifestado ao Estado sobre a  citação a Machado na agenda do ex-diretor da Petrobrás.  Na ocasião, a Transpetro informou que as reuniões ocorreram a pedido de Costa para tratar de um pleito do Sindicato Nacional dos Mestres de Cabotagem e Contramestres em Transportes Marítimos. "O sindicato solicitava que a Transpetro patrocinasse um curso para que contramestres pudessem se formar mestres de cabotagem. A companhia reuniu-se com o sindicato e recebeu deste o pleito para realizar o curso. A Gerência de Recursos Humanos estudou o assunto e elaborou documento em que listava ao sindicato as razões pelas quais não era de interesse da Companhia patrocinar o curso. A Transpetro possui apenas contramestres em seu quadro funcional, os quais não pilotam embarcações da empresa. O curso não foi realizado."

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

UFRN produz GPS para monitorar meio-ambiente.

Fonte: Tribuna do Norte - 05.09.2014
Pedro Andrade
repórter

Desenvolver  e inovar pela independência tecnológica e para facilitar estudos científicos brasileiros. Esses são os objetivos do “aeroGPS”, projeto criado e desenvolvido por um professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pioneiro no Brasil. Já lançado seis vezes em foguetes suborbitais (que não vão para o espaço) e utilizado em praticamente todos os lançamentos da Agência Espacial Brasileira (AEB), agora será aprimorado para uso em satélites.
DivulgaçãoFoguete com aeroGPS foi lançado na segunda, em AlcântaraFoguete com aeroGPS foi lançado na segunda, em Alcântara

O último lançamento de foguete com aeroGPS ocorreu na noite da segunda-feira passada, 1º de setembro, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. “É um equipamento de localização e velocidade aprimorado, mais preciso que os radares usados hoje em dia no Brasil. Mas isso não os substitui, eles se acrescentam”, resumiu o professor Francisco das Chagas Mota, que desenvolveu software específico para foguetes.

Executado, testado e bem-sucedido, o projeto nasceu em 2001 nos Estados Unidos, mas começou a se desenvolver para sua aplicabilidade atual em 2006, no laboratório de Engenharia da Computação e Automação da UFRN, graças a um edital da AEB para projetos que visam desenvolver equipamentos a serem usados pela agência.

“A AEB é financiadora por edital que dura dois anos e estamos conseguindo renovar. Recebemos R$ 400 mil para equipamentos  e material para montagem de cerca de 30 GPS”, explica. Segundo ele, o custo unitário de um aparelho desse fica em torno de R$ 200 e são usados cerca de dois por ano.

A importância do desenvolvimento desse GPS no país, segundo Francisco Mota, é para facilitar o acesso a esse tipo de equipamento no Brasil. Para importar o produto o custo é alto e é preciso atender ao Internacional Traffic in Arms Regulations (Itar), ou “Normas para Tráfego Internacional de Armas” em tradução livre. “É preciso atender ao Itar, uma série de quesitos que vão avaliar em que será usado, de que forma, até com visita ao laboratório, porque o aeroGPS é considerado equipamento de risco, já que pode ser usado em mísseis”, conta o professor.

Segundo ele, esse é um equipamento estratégico e vantajoso, de importância fundamental pela parte de localização de um foguete, o que pode para levar a certa autonomia tecnológica do país.  Outra parceria destacada pelo professor Francisco Mota foi com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), de São José dos Campos, no interior do Estado de São Paulo.

“A parceria começou com a dificuldade que tivemos para conseguir os equipamentos e montar. Hoje, eles executam o nosso projeto de montagem e fazem a integração com o foguete. É uma parceria de interesses, boa para a gente, que tem o equipamento pronto, e bom para eles, que tem o nosso projeto”, explica.

Para o próximo edital da AEB, há um projeto que inclui as universidades federal de Brasília e Santa Catarina entre outras. Essas entrariam com a parte dos satélites que portariam o aeroGPS. O equipamento também precisa ser aprimorado e para ir a órbita. Mas, antes disso, participará do Projeto Sara, que deve lançar em dezembro o maior foguete dos últimos anos do Centro de Lançamento Barreira do Inferno, em Parnamirim.

Criado por um potiguar, desenvolvido no RN para aplicação no país, Francisco Mota já contou com quatro alunos da pós-graduação em Engenharia Elétrica e agora tem apenas uma equipe no IAE, de cerca de cinco pessoas, trabalhando nisso. “Com essa tentativa de aplicabilidade em satélites, estou tentando trazer o projeto pra cá e instalar no Instituto Metrópole Digital, onde já tem um laboratório destinado a isso”.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Espaços públicos com nomes de árvores
Por Anchieta Fernandes
Foto pesquisa Google/Canindé Soares
Quando, em 1928, visitou Natal, Mário de Andrade, um dos criadores do modernismo na literatura brasileira, guardou boas impressões sobre a arborização da cidade, dizendo depois, em seu livro “O Turista Aprendiz”, a seguinte constatação entusiasmada: “Gosto de Natal demais. Com os seus 35 mil habitantes, é um encanto de cidadinha clara, moderna, cheia de ruas conhecidas encostadas na sombra de árvores formidáveis”.
Citando a frase de Mário em seu livro “Breviário da Cidade do Natal” (Edições Clima, 1979), o escritor Manoel Onofre Júnior lamenta que, “os ´espigões`começam a emparedar a paisagem”, e que das “árvores formidáveis” a que se referiu Mário de Andrade “restam apenas algumas na rua Jundiaí e na praça André de Albuquerque.” Teve contudo épocas, mesmo depois da visita de Mário, em que Natal foi bastante arborizada, inclusive contando com o maior cajueiro do mundo.
Os cronistas mais antigos lembram de como era agradável sentar-se nos bancos de madeira da Praça Padre João Maria, onde à gostosa sombra da gameleira e dos pés de fícus-benjamin chegava-se até a armar redes nos galhos, dormindo-se uma boa sesta após o almoço. Alguns tipos de árvores caracterizavam algumas ruas e avenidas, como as mungubeiras da Avenida Rio Branco, as carnaubeiras da Rua Potengi etc. Ou caracterizavam os quintais das casas dos ricos (fruteiras).
Hoje, os canteiros de algumas avenidas são arborizados (jambeiros, acácias, castanholas etc.). Mas, se atualmente, existe o perigo dos “espigões” emparedarem a paisagem – como alertou o escritor Manoel Onofre Júnior -, tirando o oxigênio tão necessário aos nossos pulmões hoje tão encharcados de etanol e hidrocarbonetos, existe contudo uma vocação arbórea a denominar ruas, avenidas, praças, travessas e alamedas de Natal com nomes de árvores. Exemplos:
Rua das Tílias (no Alecrim). Rua Babaçulândia  e Rua Buriti (no Conjunto Amarante), Rua Cajarana (Conjunto Boa Vista), Rua das Laranjeiras (no centro da cidade), Rua Bananeira, Rua Cajazeira e Rua Timbaúba (na Cidade da Esperança), Rua Algaroba, Rua das Carnaúbas, Rua Ciprestes, Rua Rio Curuá, Rua do Loureiro e Rua do Marmeleiro (na Cidade Satélite), Rua da Tamarineira (no bairro Felipe Camarão), Alameda das Acácias e Alameda dos Eucaliptos (Neópolis).
De outros conjuntos natalenses, os campeões em nomes de árvores denominando seus espaços públicos são o Panorama e o Potengi, ambos com dez árvores homenageadas, respectivamente: Rua do Sapotizeiro, Rua Umbuzeiro, Rua Castanhola, Rua Jaboticabeira, Rua Casuarina, Rua Cerejeira, Avenida das Oliveiras, Rua Mangabeira, Rua Maracujazeiro (que são as dez do Conjunto Panorama). Do Conjunto Potengi são as seguintes:
Rua do Cajueiro, Rua Jurema, Rua das Pitombeiras, Rua do Limoeiro, Rua do Coqueiro, Rua do Abacateiro, Rua Pau Brasil, Rua Oiticica, Rua da Jaqueira e Rua da Goiabeira. De todas as árvores mencionadas, algumas são mais vulgares e outras são árvores nobres, ricas de tradição na vida urbana e econômica de determinado país. Compare-se, por exemplo, a casuarina com o pau brasil. A primeira é apenas ornamental, a segunda é presença marcante, dando nome ao nosso país.
Mas cada árvore, até mesmo a mais aparentemente desimportante, tem a sua importância para a vida como representante do reino vegetal. As árvores entrelaçam dois objetivos: o de nos levar à comunhão com as raízes da vida, e o de nos deliciar com o sabor dos seus frutos juntamente com as magias da beleza ao exporem suas flores perfumadas, nos jardins, nos vasos caseiros, nas mesas de reuniões e seminários, e no nosso coração a cada primavera.
Por isso que elas motivam tantos artistas. Da mesma maneira que as tensões psicológicas de Van Gogh levaram-no a pincelar nervosamente os ciprestes, como chamas expressivas de sua febre interior, o natalense Vatenor pinta seus cajueiros, ou apenas detalhes dos seus frutos e folhas. Contudo, ao contrário do pintor holandês, que apresenta nas suas telas imagens angustiadas, Vatenor traz aos nossos olhos uma memória de infância vivida na Redinha.
Aliás, os artistas plásticos tem amor pelas árvores desde o próprio material com que trabalham, que usam para produzirem suas imagens e formas recriadas. O pincel com que Maria do Santíssimo desenhava seus galos e flores e folhas era feito de palito de coqueiro. Quanto aos artesãos, utilizam bastante madeiras, principalmente a umburana, para criarem seus objetos, seus carros de bois, seus cangaceiros, seus santos, seus vaqueiros, suas bandinhas de música.
Os cronistas desenham com as palavras, para expressarem seus sentimentos em relação às árvores, O saudoso Berilo Wanderley  fixou assim um momento inesquecível visto da janela do seu quarto: “Às vezes, quando não acordo tarde, ainda descubro lágrimas de orvalho escorrendo pelas folhas espalmadas das bananeiras que, vistas da janela, parecem diamantes, cintilando no sol” (trecho de uma das crônicas de Berilo Wanderley no livro “B.W. Revista da Cidade”, organizado por Maria Emília Wanderley, e publicado em 1994 pela Editora da UFRN).
O conjunto de todas as árvores inclusas na toponímia de espaços públicos de Natal pode ser dividido em várias espécies, conforme sua serventia prática ou apenas simbólica pelos seres humanos. Por exemplo: fruteiras (Rua do Abacateiro, Rua Bananeira, Rua do Coqueiro, Rua da Goiabeira, Rua Jaboticabeira, Rua das Laranjeiras, Rua Lagoa da Mangueira – no conjunto Soledade II; Rua do Sapotizeiro, Rua da Tamarineira, Rua Umbuzeiro). Outras espécies são ornamentais, medicinais etc.
Dentro do conjunto de todas as árvores com presença, pelo nome, nos espaços urbanos de Natal, existe a lacuna de algumas importantes em sua origem ou adaptação a solos nordestinos. Eu lembraria a canafístula, a cuitezeira, o licurizeiro, o pequizeiro, a quixabeira e o trapiazeiro. Veja-se a descrição científica delas: a canafístula é uma espécie do gênero Cássia, ornamental, apresentando-se com belas flores, ora vermelhas ora amarelas, nascendo em grandes cachos. Também é chamada tapira-caiena.
A cuitezeira, que tem também o nome cabaceiro amargoso, é uma árvore da família das cucurbitáceas (Lagenaria vulgaris), apresentando flores brancas e um fruto cuja polpa é amarga, prestando-se a tratamentos purgativos. O licurizeiro, ou aricuri, é da família das palmáceas (cocos coronata), com frutos comestíveis, dos coquilhos extraindo-se óleo, e das folhas cera (como a gloriosa carnaubeira, ambas resistentes às secas. Falarei agora do forte pequizeiro:
É da família das cariocaráceas (caryoca brasiliense), vem do cerrado mas muitas mudas foram plantadas no Nordeste, onde se adaptou bem. Com folhas trifoliáceas e grandes flores com bastantes estames. Os frutos, aromáticos, podem servir de tempero e para se fabricar licor. A quixabeira – não vi este nome em qualquer espaço urbano de Natal. É uma árvore de cor leitosa, da família das sapotáceas (Brumelia sartorum), proliferando bastante na caatinga.
Por fim, o trapiazeiro, também chamado catauari, vindo da Amazônia, mas também adaptado ao Nordeste. É da família das caparidáceas (cratalia benthami), com flores de pétalas lanceoladas e com frutos de bagas globosas. Tem propriedades medicinais. Esta árvore e as outras já mencionadas como vindas de outras regiões (originais do Nordeste é o juazeiro, a mangabeira e plantas cactáceas como o xique-xique ou a macambira), são adaptadas ou elas próprias sobrevivem através do xerofilismo.
O mestre José Guimarães Duque (o mesmo que deu nome à fundação mossoroense que, durante algum tempo se tornou responsável pela publicação da enciclopédia “Coleção Mossoroense”) explicou, em seu livro “Solo e Água no Polígono das Secas” (1949), que “no Nordeste seco, o clima de estabilização é o xerofilismo, é a caatinga, ou cerrado ou sertão, vegetação xerófila, baixa, retorcida, unida, espinhenta e agressiva, em solo raso, pedregoso, seco, quase sem húmus.” Esta vegetação natural possibilita restaurar o solo.
Outro botânico, F. von Luetzelburg, explicou sobre a resistência da vegetação xerófila às secas, principalmente quando a flora arbórea apresenta raízes tuberculadas, “verdadeiro sistema xilêmico ou tecido lignoso com os característicos particulares de zonas geratrizes ou de câmbio, gerando novas camadas de madeira ou lenho.” Ter estas árvores fornecedoras de madeira é de grande utilidade ao habitante da região, que assim pode ter com que construir o madeiramento de suas casas e saber porque uma árvore dá nome a
*Com postagem na página online do Jornal Zona Sul

sábado, 30 de agosto de 2014

Formatura da 1ª Turma de engenheiros da UFRN : 1964-2014.

Um encontro de confraternização está sendo programado para 50º aniversário de formatura da primeira turma de engenheiros civis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN, no dia 12 de dezembro próximo. Foram cinco os formados em 1964: Romeu Gomes Soares e Walter Araújo (falecidos), Liacir Lucena, Jario Pereira Pinto, José Ivaldo Borges, Joaquim Elias de Freitas e Evandro Costa Ferreira. Os cinco engenheiros se reuniram recentemente em Natal, após a missa de 30º dia do falecimento do engenheiro Romeu G. Soares, quando decidiram realizar o encontro comemorativo. O local do evento está sendo pesquisado e será brevemente divulgado.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Não foi Cabral quem descobriu o Brasil nem Jesus nasceu em dezembro.

Estes são os fatos
(*) Rinaldo Barros

“O grande oceano da verdade permanece completamente por descobrir à minha frente”.  (Isaac Newton)

            Prepare o seu coração, e para mudar tudo o que você aprendeu na escola sobre as origens da nossa história. Segundo fontes credenciadas, nem foi Cabral quem descobriu o Brasil, nem foi Colombo quem descobriu a América, nem o menino Jesus nasceu no dia do Natal.
Vamos começar pelo que há de verdade nas circunstâncias do descobrimento do Brasil.
            Naquele tempo, manter segredo sobre os descobrimentos no Novo Mundo era questão de Estado para a coroa portuguesa. Os diários de bordo eram trancados a sete chaves, e quem ousasse revelar seu conteúdo era condenado à morte.
            Pois bem. Em uma dessas missões secretas, o cosmógrafo e navegante Duarte Pacheco Pereira teria chegado por aqui em 1498. Cabral teria vindo depois apenas tomar posse oficial, e fazer estardalhaço sobre a descoberta. O feito encontra-se registrado no Tratado dos Novos Lugares da Terra, de autoria do próprio Pacheco e publicado somente em 1882. Tudo confirmado pelo historiador português Jorge Couto, em seu livro A Construção do Brasil, publicado em 1995.
            Existem também alguns escritos que comprovam a presença anterior do italiano Américo Vespúcio, e dos espanhóis Yanez Pinzon e Diego de Lepe. Sem falar nos chineses, por volta de 1421...
            Por outro lado, o caro leitor já deve ter percebido que o nosso continente tem o nome de América, e não de Columbia. Claro, homenageia-se a Vespúcio, o verdadeiro descobridor do Novo Mundo. Vespúcio dá a entender, em seu Novus Mundus, que esteve por aqui em junho de 1499, provavelmente no litoral do Maranhão.
Colombo jurou até o fim da vida que havia chegado à China ou à Índia, e essa teimosia arruinou sua carreira; somente tendo sido reabilitado, em 1866, quando americanos de origem italiana inventaram o Columbus Day: um truque ideológico dos imigrantes italianos, com o objetivo de obterem o reconhecimento como cidadãos estadunidenses.
Temos ainda a comprovação documental de que os navegadores espanhóis Yanez Pinzon e Diego Lepe foram condecorados pelo rei da Espanha, por terem “descoberto o Brasil”, em janeiro de 1500.
Calma. Misture tudo e respire. Agora, vamos enfrentar a revelação mais impressionante: Cristo não nasceu em 25 de dezembro.
Mitra, um deus persa que representava a Luz, a Benevolência e a Sabedoria, esse sim, era o aniversariante na data de 25 de dezembro, em Roma, pelo menos até o século II.
A data coincide com o início do solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério Norte. Daí em diante, o sol fica mais tempo no céu até o final do verão e significa a certeza de boas colheitas no ano seguinte. Motivo para festas, com trocas de presentes.
Com o mesmo motivo, e no mesmo período, os gregos celebravam Dionísio, o deus do vinho, os egípcios festejavam o deus Osíris, e na China até hoje homenageiam a harmonia da Natureza, através dos símbolos yin-yang.
Os primeiros seguidores de Jesus guardavam apenas o martírio, a Sexta-feira Santa e a ressurreição, a Páscoa. Diziam que não fazia sentido comemorar o nascimento de um santo ou mártir, já que ele somente se torna sagrado após a morte. Também concordo.
Ninguém fazia idéia da data do nascimento de Jesus. Somente em 221 d.C o historiador Sextus Julius Africanus afirmou, com o aval da Igreja, que Jesus havia nascido na mesma data do deus Mitra. O Novo Testamento não se refere ao assunto.
Segundo o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp, somente a partir do século IV, portanto, quando o Cristianismo virou religião oficial do Império, a comemoração do solstício do inverno, o Festival do Sol Invicto, mudou de homenageado.
Associado ao deus-Sol, Jesus assumiu a forma da Luz que traria a salvação para a humanidade. Uma troca cultural, telúrica, e bastante inteligente. Perdura há mais de 2 mil anos.
O caro leitor pode até não gostar de ter suas ilusões destruídas, mas estes são os fatos.
           
(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

domingo, 24 de agosto de 2014

Analise o que pode acontecer com a enconomia se a Marina for eleita.



A política, a economia e os sonhos
Tomislav R. Femenick – Mestre em economia e historiador

            Remontam a Aristóteles, trezentos anos antes de Cristo, as primeiras observações teóricas que ligam a economia à política, estudos esses que foram retomados por Montchrétien, dois mil anos mais tarde, e continuados por Adam Smith, David Ricardo, Marx, Engels e muitos outros teóricos. As diferentes abordagens desses pensadores estão nas suas interpretações sobre o papel do governo com relação à produção, à renda, ao consumo, à proteção aos produtos nacionais, ao ganho dos trabalhadores etc.
            Atualmente o termo “economia política” é mais comumente usado para identificar os trabalhos que se apoiam em várias disciplinas – tais como a própria economia, o direito, a sociologia, a matemática e as ciências políticas –, objetivando evidenciar uma visão conjunta dos fatores e eventos que são agentes das atividades econômicas, bem como interpretar seus reflexos na produção e nas condições do bem estar da sociedade.
            No Brasil temos inúmeros exemplos de atos governamentais que afetaram a economia. Uns deram bons resultados, outros nem tanto e alguns foram desastrosos. Na lista dos bons, por exemplo, pode-se citar o pragmatismo de Getulio Vargas com o início de nossa indústria de base com a criação da Cia. Siderúrgica Nacional e da Petrobras; a implantação da indústria automobilística por Juscelino Kubitschek; a ampliação da infraestrutura de transporte e comunicação pelos governos militares; a reestruturação econômica (com o Plano Real) e o início da reforma fiscal, implantadas por Fernando Henrique Cardoso, e a ampliação da política social, realizada pelos governos Lula e Dilma. Na relação dos nem tanto bons, há as tentativas de revitalização da indústria naval efetuada pelos generais presidentes. No rol dos desastres, têm lugar garantido os Planos Sarney e Collor que, ao tentar segurar a inflação nada mais fizeram que incentivar seu crescimento acelerado. 
            Ao analisar esses fatos se constata que os desacertos, acontecidos na história econômica nacional das últimas décadas, resultam do caráter messiânico dos governos que o realizaram. A reconquista da democracia e a trágica morte de Tancredo Neves deram a Sarney e a seu Ministro da Fazenda, Dílson Funaro, um caráter de salvadores da pátria. Deu no que deu. Fernando Collor de Melo, que se via e era visto como a mola do modernismo, terminou cassado, depois de confiscar a poupança do povo e de jogar o país em nova crise inflacionária.  
            Na realidade, nós brasileiros somos mais emocionais que racionais e, além dos mais, sempre queremos que um salvador venha nos tirar das nossas dificuldades. No entanto, em economia não há milagres; a razão prevalece sobre as emoções.
            Agora um novo acontecimento funesto atinge a política nacional. A morte prematura de Eduardo Campos, candidato a presidente da República pelo PSB, fez com que Marina Silva, sua candidata à vice, assumisse novamente a posição de candidata ao cargo máximo do poder Executivo do país. A tragédia e a forte exposição na mídia a levaram ao segundo lugar nas pesquisas, ponto antes ocupado por Aécio Neves, candidato do PSDB.
            Nesse novo cenário político é importante que se analise o que poderá acontecer com a economia, caso Marina Silva seja eleita Presidente da República. “Sonhática” e messiânica, ela pode novamente levar o país pelos caminhos da instabilidade, da incerteza ou, talvez, pode nos levar de volta à trilha do desenvolvimento. O grande perigo são suas atitudes exacerbadas com relação à ecologia, muitas vezes saindo da posição de análise para simplesmente ser crítica, o que pode travar o crescimento econômico. Um alerta deve ser dado: na economia os sonhos somente têm vez se foram pragmáticos; do contrário se tornam pesadelos. E disso nós temos experiência de sobra.
Tribuna do Norte. Natal, 24 ago. 2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Derrocada do homo sapiens
(*) Rinaldo Barros
Em artigos anteriores, abordei, a voo de pássaro, a história do surgimento da vida em nosso planeta. Lembro que o Homo sapiens sapiens (também chamado de pessoa, gente, homem) surgiu há aproximadamente 200 mil anos atrás, possivelmente na África. Em verdade, deveríamos falar que o que somos hoje é o resultado da intersecção de duas histórias paralelas: a história natural e a história social.
Daí porque a própria evolução deve ser repensada como uma co-evolução. Os Homo sapiens sapiens co-evoluímos em conjunto com as outras espécies, com o meio ambiente e com o cosmos. Ou seja, participamos de um sistema vivo complexo, aberto e em expansão. Voltemos ao começo.
Após a derrocada dos nossos primos, Homo Sapiens neanderthalensis, ficou a impressão de que a nossa subespécie, Homo sapiens sapiens, a exemplo dos demais animais, passaria a relacionar-se com a Natureza como uma unidade harmoniosa. Santa Ingenuidade! No começo, até que era assim. Mas, alguns de nós logo descobrimos o fascínio que é exercer o poder sobre os demais. E as formações sociais tornaram-se cada vez mais divididas.
A ciência comprova que foi na passagem do estágio superior da barbárie para a civilização que, com um maior domínio sobre a Natureza, pôde o homem aumentar sua produção e com isso obter um excedente.
Neste momento, nasceu a ganância.
Surge então a propriedade privada, a divisão do trabalho e com ela um salto no desenvolvimento da história. Com a propriedade privada, os produtores não produzem mais em comum para seu próprio consumo, mas individualmente. E se separam do resultado de seu trabalho, não sabem mais de seu destino. Agora produzem para a troca, para a venda. Percebemos que tudo pode virar mercadoria.
Surge a exploração individual da terra e sua posse privada, tornando-a, por conseqüência, uma mercadoria. No seu desenvolvimento, a troca fez surgir o mercador. Alguém separado totalmente da produção que passa a dominar o produto e a produção.
O mercador, como parasita, passa a dominar e acumula grande riqueza e com ela, prestígio e poder. Aparece o dinheiro e a moeda cunhada, instrumento de domínio do mercador sobre os produtores e a produção.
O dinheiro, como equivalente geral, elevou-se à condição de mercadoria especial. Aparecem o empréstimo, os juros e a usura. Logo, o próprio homem, como força de trabalho, virou também mercadoria.
O conflito social entre classes antagônicas levantadas sobre o modo de produzir desenvolve-se como fator subjetivo na condição de motor da história, impulsionando o desenvolvimento da tecnologia, e da competição.
Como ensina Oscar Motomura (motomura@amana-key.com.br), “tecnologia nada mais é do que a extensão de nosso dom de criar”.
Definitivamente, o Homo sapiens sapiens é um ser que cria. É a nossa natureza, nossa essência.
Gradualmente, século após século, década após década, ano após ano, cada vez mais rapidamente, vamos descobrindo mais e mais sobre como tudo funciona.
Mas criamos para quê? Com que propósito, estamos usando o dom de criação? Para que criamos novas tecnologias, novos produtos, novos jeitos de morar, de cozinhar, de movimentar, de transportar, de comunicar?
Imagine o leitor os impactos positivos que poderiam advir com a aplicação do conhecimento novo nas áreas da Biotecnologia (genes), da Neurociência (neurônios) e da Nanotecnologia (átomos).  
Essa brincadeira poderia até estar nos levando a criar mais e mais produtos para melhorar a vida e potencializar o conforto de bilhões de seres humanos. Mas, apenas a minoria está sendo beneficiada.
Sem falar na tecnologia a serviço da irracionalidade destruidora das guerras. Guerra também dá lucro.
Com nossa insuperável estupidez, inventamos a barbárie tecnológica (vide Iraque, Síria, Ucrânia, Israel, Palestina e algo em torno de 19 guerras no continente africano; todas com efeitos devastadores).
O que fazer para que não se consolide a regressão moral do homem pós-moderno (egoísta, acanhado, agachado, pequeno, sem grandeza), para o qual somente importa o “Eu” e o “Agora”?
Resumo da ópera: a desigualdade e a ganância resultam na agressão à Natureza, no desvio de recursos tecnológicos - e em nossa própria capacidade criativa - para a busca do lucro máximo e do consumo supérfluo, motores da derrocada do homo sapiens (assim mesmo, com minúsculas).

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com