segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O saque dos piratas ingleses na Ilha de Manoel Gonçalves, em Macau/Rn.



Corsários ingleses na Ilha de Manoel Gonçalves, 1818

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG
Manoel Rodrigues de Melo escreveu na Revista Bando um artigo, intitulado O Saque da Ilha de Manoel Gonçalves, baseado no livro Documentos do Arquivo – Presidentes de Províncias (1818) - editado pela Secretaria de Interior e Justiça de Pernambuco no ano de 1943. Quando estive em Recife, recentemente, fiz imagens de tais documentos, entre eles as duas correspondências emitidas da Ilha de Manoel Gonçalves que transcrevo aqui.
A primeira é uma carta do Comandante do Degredo da Ilha de Manoel Gonçalves, Alexandre José Pereira, para o Capitão Manoel Varella Barca, carta esta copiada pelo Padre Manoel Pinto de Castro que servia de Secretário do Governo da Província do Rio Grande.
Ilustríssimo Senhor Capitão Manoel Varella Barca//Ilha de Manoel Gonçalves, 13 de Dezembro de 1818//.
Dou parte a Vossa Mercê que ontem, treze de Dezembro do corrente, às onze horas do dia, deu fundo fora da Barra do Amargozo um Corsário de ladrões estrangeiros armado em guerra, com muito armamento, e entraram nos seus lanchões de tarde dentro do Rio, e roubaram cinco Sumacas, e conduziram tudo para seu bordo, e ainda se acha ancorado no mesmo lugar, e penso ser com intenção de virem saquear, e roubar a terra; aqui se acham alguns homens, mas sem armas, e creio que tudo se acabará, aqui já se acham pelo que diz seis feridos com tiros que fizeram para terra, e a mais da gente desta praia vejo esmorecidos, e eu pior que nenhum, pois me acho doente para morrer, Vossa Mercê mandará o que for servido// Deus Guarde a Vossa Mercê por muitos anos// De Vossa Mercê atento súdito// Alexandre José Pereira// Comandante deste Degredo Ilha de Manoel Gonçalves.
Entre as cartas do nosso Governador para o da Província de Pernambuco, Luis do Rego Barreto, há uma, datada de 31 de Dezembro de 1818, onde ele escreve: Entre as diferentes partes que tive sobre este objeto, a que me parece mais correta, e circunstanciada, foi a de um morador da Ilha de Manoel Gonçalves correspondente de Bento Joze da Costa, que por isso a ofereço na Cópia N1 para com ela informar a Vossa Excelência do que se passou no Assu.
N1. Ilustríssimo Senhor Governador Joze Ignacio Borges.
Participo a Vossa Senhoria, que no dia 12 do corrente, pelas onze horas da manhã, apareceu, três léguas a Leste desta Ilha à popa, uma Escuna com um sinal, ou bandeira estranha no mastro de proa e veio fundiar defronte da Barra do Amargozo a barlavento da Sumaca Santa Rita Galatéa de Pernambuco, que se achava fora acabando de carregar de peixe de vários negociantes destas praias, e logo que fundiou, mandou o Comandante desta a bordo uma jangada com três homens saber o que queriam, disseram, que refresco de aguada, e mantimento, que aquela embarcação era Inglesa, e de guerra.
 Os ditos jangadeiros viram muito armamento, gente de toda a nação; imediatamente que largou de bordo a dita jangada, largaram eles três escaleres, ficando um a bordo da dita Sumaca Santa Ritta, e dois entraram na Barra do Amargozo, e achando-se ancoradas naquele Rio, com distancia uma das outras, quatro embarcações, a saber, o Penha, e Victoria de Pernambuco, Conceição, e Almas da Paraíba, e Flor do Mar de Goiana, e atracando o primeiro escaler a bordo do Penha, armados tomaram conta da embarcação, e o segundo seguiu de rio acima, e atracando no último vazo também  armados, principiaram a roubar dinheiro, roupa, maçame, e escravos, e da mesma forma continuaram nas mais embarcações até chegarem de regresso na Penha, e incorporando-se  com os que estavam já de posse da Sumaca, meteram os oficiais, e a Campanha no Castelo, e continuaram o saque, estando em terras no Pontal do Amargozo os passageiros que tinham vindo no Penha, e moradores; entraram-lhe a fazer fogo de bordo, ferindo de bala quatro dos moradores, a fim de melhor conduzirem o saque nos escaleres, e na lancha do Victoria, que levaram com seis escravos do Penha e Victoria, três homens forros, tudo feito na tarde  que ancorou.
Imediatamente que soube nesta Ilha fui com dez homens daqui por terra mais de uma légua, tomando em caminho seis do Lagamar, e chegando já de noite, tinham saído.
No dia 14 vimos por um óculo de terra estarem saqueando o Santa Ritta, e no dia 15 indo eu, e os mestres das Sumacas Penha e Victoria, e os passageiros a bordo do Penha, ver o estrago que teriam feito, e chegando, tendo deixado os moradores desta Ilha prontos de pólvora, e bala com as poucas armas de fogo que há de guarda a Ilha, viu largar de bordo da dita Escuna, os três Escaleres, e providenciando-se esperá-los na Barra do Amargozo, aqui não vieram, e foram a boca do Rio, distante desta duas léguas saquear seis casas de palha que tem, porém pouco ou nada acharam.
No dia 16 pelas quatro horas da tarde, estando parte dos habitantes desta, e de Guamaré juntos de guarnição à Ilha, viram entrar na Barra do Amargozo o escaler grande carregado de gente, e tornando a abordar as Embarcações á conduzir o resto do que ainda lhe faltava, e pegando a lancha da Sumaca Conceição e Alma saíram.
No dia 17 pelas duas horas da tarde mandaram para terra a dita lancha pelos marinheiros forros que lá tinha das Sumacas, e um passageiro carregador de peixe no Santa Ritta, e o Contramestre da mesma, e mandaram dizer ao Comandante que lhes mandasse um Prático para os botar fora da Ponta Gorda, que queria ir pelo canal, e se o não fizesse até as quatro horas da manhã, que havia mandar atacar esta Ilha, e tocar fogo nas casas, e nas Sumacas, porém destas ameaças caso nenhum se fez.
No dia 18 de manhã se viu velejar a Escuna para barlavento. Contam os marinheiros que lhes ouviram dizer que iam para America Espanhola, e que ainda haverão de andar três meses fora, e que iam esperar os navios que haviam saído de Lisboa para o Brasil, e Índia, e que a gente que traz são noventas e oito pessoas, e que já tinham feito três presas, que as tinham mandado para America Inglesa de onde tinham saído cento e tantas velas. A fortificação que traz são seis peças por banda de 12, e uma na proa de rodízio de 18; este malvados vão de Costa acima esperar as embarcações que navegam na costa do Sertão até o Maranhão, e Pará.
Eu tenho aviso de Pernambuco do coronel Bento Joze da Costa, que nas águas próximas da lua nova despedia para esta a Sumaca Xica, e em Janeiro o Brigue São Manoel
Deus Guarde a Vossa Senhoria, Ilha de Manoel Gonçalves, 18 de Dezembro de 1818. João Martins Ferreira.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Projeto pioneiro de médico usa escolas como postos de saúde

  • Há 6 horas
Em projeto de 30 anos, Manoel Paiva (no centro) quer aproximar alunos de pacientes em cidades do interior
Aos 66 anos de idade, o pediatra e infectologista Manoel Francisco de Paiva pode dizer que seu trabalho em Pouso Alegre (MG) foi pioneiro da atenção básica na região - mais de uma década antes da criação do Programa de Saúde da Família, do governo federal.
Quando começou o Projeto Saúde - uma atividade de extensão que leva alunos da faculdade de Medicina onde dá aulas para realizar atendimento médico gratuito em escolas de diversos municípios -, em 1981, mal havia postos de saúde nas cidades do entorno de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais.
"Quando eu mudei pra cá, o acesso aos serviços médicos era muito difícil. Muitas das cidades aqui perto não tinham um profissional sequer. O projeto estava suprindo essa falta, fazendo esse trabalho", disse à BBC Brasil.
"No início do projeto, nem se falava de HIV, por exemplo. Eu tive até que fazer palestras com os médicos de determinadas localidades para que eles soubessem o que era."
A iniciativa do médico, um ex-participante do Projeto Rondon (que levou estudantes universitários para prestar serviços a comunidades isoladas no interior do país entre 1967 e 1989), acontece sem interrupções há 34 anos.

 Projeto Saúde em 2012 | Foto: Divulgação/Escola Luiz Pinto

 Sem política

Criado na Universidade do Vale do Sapucaí (Univas), onde Paiva é professor desde 1978, o Projeto Saúde reúne alunos a partir do 2º ano de Medicina para atendimentos de saúde gratuitos à população.
Os alunos veteranos, que atuam como monitores, fazem contato com escolas da rede pública das cidades da região e organizam os eventos. Durante a semana, a equipe dá palestras para os alunos adolescentes e também para pais, professores e outros representantes da comunidade. No sábado, a escola se transforma em uma espécide de "ambulatório global", segundo o médico. O atendimento acontece mensalmente e há um rodízio entre as escolas que recebem o projeto.
"Os alunos do 2º ano de Medicina acolhem os pacientes, conversam com eles, vão pesá-los, medi-los, fazer exames de pressão. Os alunos mais graduados fazem o atendimento clínico, sob minha supervisão. Aproveitamos o mobiliário da escola para criar mini consultórios dentro das salas de aula."
O "ambulatório na escola" também tem salas especiais para homens e mulheres, e outra em que um aluno faz exames para detectar diabetes nos pacientes.
O objetivo inicial do projeto é científico - as informações coletadas formam uma base de dados sobre a saúde da população local, a partir das crianças de 5 a 14 anos. Por isso a escolha das escolas públicas como local de atendimento. A carência de serviços, no entanto, tornou a meta mais abrangente.
"Começou a chegar gente para ser atendida que não estudava nas escolas: os irmãos dos alunos, os pais. Imagine chegar em um lugar onde não há médicos. Então continuamos coletando os dados da faixa etária que planejamos, mas abrimos o atendimento para todo mundo", diz Paiva.
Mobiliário da escola é aproveitado para criar "mini consultórios" onde alunos atendem crianças e adultos
Para que os alunos consigam realizar os atendimentos, fazem acordos com as prefeituras dos municípios, que cedem o transporte, os medicamentos da rede pública e o material. A escola fornece a alimentação para a equipe. Em alguns casos, segundo Paiva, conflitos políticos fazem com que as escolas forneçam a maior parte das necessidades.
O médico, no entanto, afirma não ter qualquer relação com partidos políticos na organização do projeto. E diz ter rejeitado ativamente as diversas tentativas de políticos de se vincularem a ele.
"Quando organizamos a palestra para os adultos, a primeira coisa que faço é dizer que estou ali espontaneamente, sem vínculo algum com religião e política. Porque se alguém virar e falar que 'quem trouxe o projeto para cá fui eu', a população já sabe que é mentira", diz.
"Isso já aconteceu algumas vezes. Em uma cidade, o prefeito começou um discurso de abertura dizendo que se empenhou em trazer o projeto para lá. Mas assim que eu peguei o microfone, disse que estava ali por vontade própria e que era a primeira vez que tinha contato com aquele prefeito."

Formação

Além do interesse acadêmico de fazer um levantamento de dados de saúde nas cidades, Paiva diz que o projeto pretende contribuir para "melhorar a relação entre o médico e o paciente" e formar profissionais com a experiência de atendimento humanizado - que ele afirma ser uma lacuna no currículo universitário.
"A ideia é dar ao aluno uma formação generalista e estimular que os alunos se doem à comunidade. A formação médica atual é centrada no hospital. Agora que estamos vendo os alunos indo para o posto de saúde, agora é que estão sendo incentivados os médicos de família e comunidade. Os próprios professores querem ficar nos hospitais porque é mais prático para eles."
Maria Luiza Baldassaris, de 30 anos, foi monitora do Projeto Saúde durante o curso de Medicina. Da intenção inicial de se especializar em pediatria, chegou à medicina de família e comunidade - formação considerada desejável na atenção básica, mas que atualmente corresponde a apenas 1% do total de médicos no Brasil.
"A monitoria me influenciou muito. Quando tive mais contato com a clínica e com as ações sociais que aconteciam na faculdade, me interessei pela saúde pública", disse à BBC Brasil.
Equipe em 2008: ex-aluna de Paiva será a 1º docente da universidade com a especialização
Acompanhando as mudanças curriculares antecipadas pelo projeto de Paiva, Maria Luiza será a primeira médica de família a ensinar na Univas, como preceptora (orientadora de residentes) do estágio em Saúde Coletiva. Ela diz que em sua turma de monitores do projeto, foi a única a seguir a carreira no SUS. "Todos se empenhavam muito e gostavam muito, mas só eu resolvi fazer medicina de família e comunidade. Eles pensavam muito na pouca valorização do profissional".
"Durante a faculdade tivemos muito pouco contato com a atenção básica. O enriquecimento do currículo vem acontecendo de uns tempos para cá. Hoje sei que os alunos são inseridos na atenção básica desde o segundo ano."
Para o médico, a precarização da carreira pública de Medicina contribui para que os médicos recém-formados nem sempre ofereçam um bom atendimento aos pacientes nos postos de saúde. O contato com a população desde a faculdade, ele espera, pode mudar isso.
"O Brasil tem muito esse problema. Como o salário é pequeno nos postos de saúde, um finge que paga e o outro finge que trabalha. O aluno que é formado com uma visão diferente do atendimento, de que precisa oferecer um bom atendimento a todos, já pode ter outra postura. Mesmo que só tenha que trabalhar no SUS até passar em uma residência", afirma.
Leia mais na BBC Brasil: Médica de família 'dirige Chevette e namora Creisom' em apostila para concurso

Cirurgia

Apesar do foco em problemas básicos, como infecções e doenças parasitárias, a equipe encontrou uma série de casos graves e raros. Entre eles, o de uma garota de 13 anos que foi diagnosticada com uma grave má formação no coração. A suspeita inicial, na verdade, partiu do motorista da van que levava a menina e outras crianças até a escola todos os dias.
"Durante o atendimento, o motorista me disse que estava preocupado com essa menina. Ele achava que ela vinha sempre correndo para o transporte, e ela dizia que não. Mas estava sempre cansada. Fiquei interessado no caso e pedi para ele buscá-la", relembra o médico.
Além de doenças comuns, equipe de alunos também encontrou casos graves e raros
Um aluno do 2º ano de Medicina, que fez os exames iniciais na menina, descobriu que sua pressão arterial estava altíssima. Com mais exames clínicos, a equipe detectou o sopro no coração, um ruído que pode indicar a má formação.
"Liguei imediatamente para o hospital da faculdade e avisei que mandaria a criança. Em paralelo, pedi para chamarem a mãe dela. Quando fizeram os exames, perceberam que a menina tinha uma anomalia muito importante no coração. Pessoas com essa anomalia geralmente não passam dos 30 anos de idade."
"Eu atendi a garota na hora do almoço na cidade de Santa Rita do Sapucaí e meia-noite ela já estava sendo operada no Incor, em São Paulo. Tudo pela saúde pública. Hoje ela tem 25 anos e está muito bem. E eu cuido da criança dela, olha só que interessante", conta Paiva.
O diagnóstico da garota aconteceu na Escola Estadual Dr. Luiz Pinto de Almeida, na cidade de Santa Rita do Sapucaí. O local recebe o Projeto Saúde a cada dois anos desde o ano 2000.
"O primeiro que fizemos foi um sucesso tão grande que colocamos o projeto no nosso programa escolar. Os pais já sabem que vai acontecer e cobram de nós. Quase 100% dos alunos vêm para as consultas", disse à BBC Brasil a diretora da escola, Rosemary Mendes.
Em uma das edições, a equipe chegou a levar microscópios e bioquímicos para a escola. O objetivo era fazer exames de fezes nos alunos, com resultado imediato. Após casos como o da garota diagnosticada com a ajuda do motorista da van, segundo Rosemary, os funcionários passaram a ficar mais atentos a possíveis problemas apresentados pelos alunos.
"Professores e alunos conversam mais sobre problemas de visão de audição, até ginecológicos. Depois damos um toque para os médicos. Os alunos precisam estar bem fisicamente para ter um bom aprendizado", diz.
Fonte: bbc.co.uk -
25.09.2014

terça-feira, 9 de setembro de 2014



SÍNTESE HISTÓRICA DO MAIOR GRUPO
EMPRESARIAL DO RIO GRANDE DO NORTE
Tomislav R. Femenick – Mestre em economia, historiador e membro da diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Na última quadra do século XIX, o cenário empresarial de Mossoró registrou uma grande expansão. A cidade já contava com quase uma centena de firmas e teve um crescimento que superou todos os mercados concorrentes. Essa onda de desenvolvimento atraiu, inclusive, pessoas e empresas de outros países que para lá foram, tais como: Johan Ulrich Graf, Feles Finizola, Leges & Cia., William Dreifles, Henri Adams & Cia., Gustav Brayner, Guines & Cia., Conrad Mayer e o português José Damião de Souza Melo. Afora os estrangeiros, mossoroenses e pessoas de outros lugares do Nordeste também abriam casas de negócios. Foi o caso da Casa Mossoró & Cia., do cearense Joaquim da Cunha Freire, o Barão de Ibiapaba, Oliveira & Irmão, Souza Nogueira & Cia., Mota & Cavalcanti, Vicente da Mota & Cia., as firmas de Joaquim Zeferino de Holanda Cavalcanti, Teodoro José Pereira Tavares, Miguel Faustino do Monte, Antonio Soares do Couto, Manuel Lucas da Mota, Benício Mota e muitos outros. Dentre eles destacou-se Francisco Tertuliano de Albuquerque.
            A presença de todos esses homens de negócios se refletia na intensa movimentação do porto de Areia Branca. De 1893 a 1895, cento e cinquenta e seis embarcações atracaram naquele porto e em 1911, cento e treze navios nacionais e outros 153 estrangeiros levaram produtos negociados por empresários de Mossoró, sendo 33 noruegueses, 30 ingleses, 50 alemães, 17 dinamarqueses, 10 suecos, seis holandeses, quatro portugueses, um americano, um francês e um russo. O porto de Areia Branca movimentava anualmente de 200 a 250 mil toneladas de cargas, enquanto o porto de Natal movimentava cerca de 40 mil e os de Fortaleza e Cabedelo, 90 mil cada um deles. Era o sétimo maior porto do Brasil, em movimentação de tonelagem. O porto dos mossoroense contribuía com 58% das receitas portuárias do Estado, enquanto que Natal contribuía com 40%, e Macau apenas com 2%.
Até o final do século XIX, todas as mercadorias exportadas pelas firmas de Mossoró seguiam-se até o Porto de Santo Antônio, localizado a jusante do Rio Mossoró, em carros de bois ou comboios de burros, que conduziam fardos de algodão, peles e cera. Dali, os volumes eram transferidos em embarcações à vela até Areia Branca, de onde por sua vez, eram levados aos navios de maior calado, que ficavam ancorados em alto mar. De volta, os carros de bois e comboios traziam mercadorias importadas do exterior ou outras regiões do país, que eram levadas para Mossoró, de onde eram remetidas ao alto sertão potiguar, ao Ceará, à Paraíba ou mesmo para Pernambuco.
Foi nesse cenário que, no ano 1869 o jovem Francisco Tertuliano de Albuquerque iniciou o seu comércio de fazendas, ferragens e miudezas, tudo em pequena escala, tanto assim que o seu capital inicial foi de apenas dezenove contos de réis. No ano seguinte a empresa foi devidamente regularizada, com o nome de F. T. de Albuquerque, e com a marca de fantasia de “Casa Tertuliano”. Depois sua razão social foi alterada, sucessivamente, para F. T. de Albuquerque & Cia., Tertuliano Fernandes & Cia. e, finalmente, S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, em 1949. O primeiro gerente da firma foi o Dr. Euclides Saboia. A história da empresa está intimamente ligada à figura de Raimundo Nonato Fernandes, que nela ingressou como simples contínuo, foi nomeado gerente e, mais tarde, tornou-se sócio de seus antigos patrões.
A expansão das atividades do grupo (incluindo a negociação de cera de carnaúba, peles e outros produtos da região) e a adoção de técnicas modernas no setor algodoeiro e salineiro levaram a SAMTEF a ser o maior grupo empresarial do Rio Grande do Norte.

O IMPERIO DO SAL

No início do século passado, o sal potiguar era bem conhecido e aceito no nordeste e em poucas outras regiões do país, enquanto que no sudeste, no centro-oeste e no sul, era consumido quase que exclusivamente sal importado de Cádiz, na Espanha. Raimundo Nonato Fernandes conseguiu vender a uma firma sulina trezentas toneladas de sal, por preço irrisório. Não queria lucro com essa transação, sim abrir o mercado para o nosso produto. Com esse ato o sal de do Rio Grande do Norte se impôs aos compradores nacionais.
            Esse foi o primeiro passou para a criação do verdadeiro império empresarial representado pelas empresas produtoras e refinadoras de sal, controladas pela S/A Mercantil Tertuliano Fernandes: a SOSAL, Salinas Guanabara e SALMAC.
            Até o final da primeira metade do século passado, nas margens dos rios Mossoró e Assú e de seus afluentes, o sal era produzido por processos arcaicos e antieconômicos. Somente a privilegiada localização das salinas é que pode sustentar essa “indústria artesanal”, com uma enganadora não necessidade de novas técnicas para se produzi-lo, muito embora o produto fosse caro, industrialmente falando. O sol abrasador, os ventos constantes, o solo impermeável e água com grau de salinidade superior à da água do mar escondiam essa carência. Porém novos tempos chegaram e a SAMTEF, correu em busca de novas tecnologias, que representassem menos custos.
A Salinas Guanabara S/A foi a primeira salina brasileira integralmente planificada e totalmente mecanizada. Uma verdadeira fábrica de fazer sal. A SUDENE a considerou como um dos empreendimentos prioritários para o “desenvolvimento zonal salineiro”, com produção de 150 mil toneladas/ano, nos primeiros anos de sua atividade. Ocupava uma érea de 10.000.560 metros quadrados e operava com apenas 114 empregados, em perfeitas condições de trabalho. Dispunha de uma vila operária modelo, ambulatório, cooperativa de consumo, posto de saúde, escritórios, oficinas e garagem, tudo com água encanada, energia elétrica e rede de esgotos.
A unidade produtora da SOSAL-S/A Salineira do Nordeste ocupava uma área de 26 milhões de metros quadrados, com uma zona de cristalização de 200 mil metros quadrados, onde no final dos anos 1960 eram produzidas 400 mil toneladas de sal. Tinha 80 empregados fixos e mais de 1.200, de setembro a março. Seu projeto incluía uma vila operária, oito alojamentos, um laboratório, um posto de observações meteorológicas, um restaurante, cooperativa de consumo, escola, clube para funcionários, ambulatório médico, escritórios, almoxarifado, posto de serviço e garagem.
Por sua vez a SALMAC-Salicultores de Mossoró Macau Ltda. era proprietária da Salina São Vicente, também em Mossoró, cuja capacidade de produção era de 30 mil toneladas anuais. Entretanto suas atividades principais eram o refino e a distribuição da produção de do sal do grupo nos mercados consumidores, principalmente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso e Espírito Santo. No porto de Santos-SP, possuía instalações de desembarque, com equipamentos que possibilitavam um fluxo normal de 300 toneladas por hora e, ainda, um depósito com capacidade de armazenamento para 25 mil toneladas de sal. Na capital paulista possuía outro depósito, com capacidade de cinco mil toneladas, e, ainda, um centro de moagem e refino. No Rio de Janeiro, tinha um depósito para sete mil toneladas de sal e instalações de moagem e refino.
Visando obter recursos para incrementar o seu crescimento empresarial, a S/A Mercantil Tertuliano Fernandes se associou ao grupo do banqueiro Walter Moreira Sales (Unibanco), cedendo 50% das ações da SOSAL e Guanabara. Posteriormente, o grupo Moreira Sales transferiu sua participação para a norte-americana Morton International Inc. (hoje, Morton Nortwich Products Inc.), através de sua subsidiária Morton’s Salt Company, de Salt Lake City.

O IMPÉRIO DO ALGODÃO

            O complexo algodoeiro da S/A Mercantil Tertuliano Fernandes se espalhava por toda região oeste potiguar. Possuía unidades de compra e/ou beneficiamento de algodão nas cidades de Pau dos Ferros, Apodi, Caraúbas, São Miguel, José da Penha, Marcelino Vieira, Patu e outras, além de grandes instalações de descaroçamento, enfardamento de algodão e linter e prensagem e extração de óleo em Mossoró. Nessa última foi utilizado pela primeira vez no Estado, no início dos anos 1960, o sistema de extração de óleo com a utilização de solvente químico. Nessa mesma década, foram criadas duas empresas subsidiárias: a Usina São Vicente S/A passou a cuidar das operações de compra e descaroçamento de algodão, bem como a venda do produto para o mercado nacional. Por sua vez, a Fábrica Raimundo Fernandes S/A realizava a extração de óleos vegetais. Sua linha de produção era composta de óleo bruto, semirrefinado e refinado; linter, borra de linter, torta magra (farelo), casca e borra de óleo. Dentre esses produtos, destacava-se o óleo comestível da marca Pleno.
O próximo passo seria a implantação de uma unidade produtora de margarina, cuja maquinaria já estava sendo adquirida. Com o lançamento desse novo produto, a Fábrica Raimundo Fernandes completaria o ciclo de utilização integral dos recursos industrializáveis do caroço de algodão. A nova unidade estaria capacitada para produzir anualmente 2.290 toneladas de óleo bruto de algodão, 2.106 toneladas de óleo refinado, 1.310 toneladas de gordura hidrogenada, 1.700 toneladas de margarina, 61 toneladas de linter, 61 toneladas de borra de linter, 7.350 toneladas de torta magra (farelo), 1.225 toneladas de casca e 366 toneladas de borra de óleo.

OUTRAS ATIVIDADES

Além dos complexos salineiro e algodoeiro, a S/A Mercantil Tertuliano Fernandes se dedicou também ao comércio e exportação de cera de carnaúba e couros, importação, navegação, agenciamentos, comissões, representações, consignações, agricultura, pecuária, administração de bens próprios ou de terceiros e particulares em outras empresas. Na Fazenda Itaoca, localizada nos municípios de Caraúbas e Apodi (com uma área de 6.000 hectares que continha dois açudes) possuía cerca de 2.000 cabeças de gado e aproximadamente 10 mil carnaubeiras. 
            Também faziam parte do grupo as empresas Apodi de Administração e Participações S/A, a holding do grupo, e SOTRAN-Sociedade Brasileira de Transporte Rio Mossoró Ltda; está última fazia o transporte do sal das salinas ao costado dos navios em alto mar, com embarcações próprias.

OS EMPREENDEDORES

A S/A Mercantil Tertuliano Fernandes somente conseguiu crescer graça ao espírito empreendedor de seus dirigentes. Homens com a visão de Francisco Tertuliano de Albuquerque e Raimundo Nonato Fernandes, na implantação da empresa, e Euclides Saboya, Vicente José Tertuliano Fernandes, Francisco Xavier Filho, Rodolfo Fernandes, Paulo Fernandes, Rafael Fernandes Gurjão, Julio Fernandes Maia, José de Oliveira Costa, e José Martins Fernandes, na etapa seguinte da sua consolidação.
No seu grande momento, durante a expansão de seus negócios pelo país, o grupo SAMTEF foi conduzido por Valdemar Fernandes Maia (presidente) e Antônio Florêncio de Queiroz, bem como Aldemar Fernandes Porto e Francisco de Queiroz Porto, além de Heriberto Escolástico Bezerra, Renato Costa, Gabriel Fernandes de Negreiros, Jorge Paes de Carvalho, Humberto Vieira Martins, Fernando Paes de Carvalho, Francisco de Assis Queiroz, Fausto Pontes, Francisco Canindé de Queiroz, João Marcelino, Genésio Rebousas e muitos outros. Todavia, o artífice do seu crescimento foi Antônio Florêncio de Queiroz. Dele foram todas as grandes ideias e todos os grandes projetos; era o porta-voz das inovações e da modernização da empresa. Foi eleito deputado federal por quatro legislaturas consecutivas.  

A CRISE DO ALGODÃO

É comum, inclusive entre estudiosos do assunto, atribuir-se ao bicudo (Anthononus grandis) a causa da crise da cotonicultura do Nordeste e, por extensão do nosso Estado. O certo é que foi uma série de fatores – que se sucederam e se repetiram ao longo do tempo – que impactaram o setor, provocando uma verdadeira hecatombe na agricultura, no comércio e na indústria ligada ao cultivo e beneficiamento do algodão. O bicudo apenas foi mais um desses fatores; muito danoso, porém não o mais letal.
A ação de combate à praga exigia a pulverização das plantações utilizando agrotóxicos altamente danosos à outras espécies; vegetais e animais. Dependendo da região e das condições locais, o custo anual do produtor no combate ao bicudo variava entre R$ 200,00 e R$ 300,00 (em moeda corrente), por hectare, o que inviabiliza a continuidade de muitos produtores no setor. Entretanto, “causa mortis” da nossa cultura algodoeira foram fatores econômicos, acoplados à baixa produtividade.
A escassez de recursos, as altas taxas de juros para financiamento da produção e beneficiamento da pluma e do caroço foram problemas levantados há quase sessenta anos nos “Encontros de Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, organizados pela SUDENE em Mossoró, Caicó e Pau dos Ferros. Pelo que ali foi dito, o montante das linhas de créditos, oferecidas pelo Banco do Brasil e Banco do Nordeste aos agricultores e maquinistas, sempre foram insuficientes, fato que ensejou o aparecimento dos atravessadores. Esses agentes foram importantes para o sistema, porém agregavam os custos, que já eram exorbitantes.
Ainda no campo econômico, outro aspecto encarecia (e ainda encarece) a produção do algodão potiguar: a quase ausência de economia de escala. A nossa cotonicultura é oriunda de unidades produtoras familiares de pequenas dimensões, verdadeiros minifúndios, além do mais em espaços não contínuos. Cada uma dessas unidades cuida do seu preparo da terra, do seu plantio, da sua aplicação de defensivos, da sua colheita etc., numa cadeia de custos que se multiplicam. Por outro lado, a pequena dimensão das propriedades dificulta a mecanização dos processos, geralmente realizada com máquinas caras, até quando alugadas.
Matéria-prima prima escassa (e cara) sustou os projetos de crescimento e mesmo de continuidade das unidades algodoeiras do grupo SAMTEF.

A CRISE DO SAL

A primeira grande crise nas unidades salineiras ocorreu em 1961, quando o Rio Mossoró invadiu as salinas de Mossoró, Grossos e Areia Branca, provocando um serio prejuízo aos industriais salineiros, pela destruição de aproximadamente 600 toneladas de sal e das benfeitorias existentes nas salinas. Entretanto o maior prejuízo foi causado às iniciativas de mecanização das salinas, principalmente aquelas desenvolvidas pelos grupos S/A Mercantil Tertuliano Fernandes, F. Souto, Paulo Fernandes e Miguel Faustino Souto do Monte.
A esse cenário se juntavam os altos custos de carregamento dos navios, transporte e desembarque nos portos do centro e sul do país, o mercado consumidor do produto. Essa fase era tão ou mais arcaica que a primeira, fazendo com que o sal produzido no Rio Grande do Norte custasse mais de seis vezes quando chegava a São Paulo e no Rio de janeiro.
A situação, que era delicada, caminhava para ficar alarmante. Durante a visita que realizou a Mossoró, em fevereiro de 1967, Mario Thibau, o então Ministro das Minas e Energia, declarou que a indústria salineira do Rio Grande do Norte poderia sofrer um grande abalo dentro de prazo médio. No mesmo ano, o Instituto Brasileiro do Sal foi extinto e em 1970 os norte-americanos adquiriram o restante das ações da SOSAL e da Guanabara, ficando com a totalidade do capital social de ambas, para o que teriam contado com recursos do grupo Rockefeller.
Foi o início do fim do maior grupo empresarial do Rio Grande do Norte.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Fonte: Voz da Alemanha - dw.de - 08.09.2014

Brasil

Escândalo na Petrobras não deve afetar Dilma, avaliam analistas

Nova denúncia de corrupção na Petrobras só teria efeito eleitoral se nome da presidente aparecesse nas denúncias, comentam especialistas. Já Aécio Neves pode se beneficiar, mas deve ter cuidado ao explorar o caso.
A menos de 30 dias do primeiro turno das eleição presidencial, o depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, à Polícia Federal, sobre políticos beneficiados por um esquema de corrupção na estatal, acendeu a luz vermelha nas campanhas da presidente Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva. Mas, segundo especialistas, o caso não deve provocar uma grande guinada no panorama eleitoral brasileiro.
O depoimento do ex-diretor, divulgado pela revista Veja no sábado passado (06/09), deixou os coordenadores das campanhas do PT e do PSB apreensivos, já que Costa denunciou políticos do PT, PMDB e PP – que formam a base aliada do governo Dilma – e também o ex-governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos, que morreu num trágico acidente aéreo no último dia 13 de agosto.
"De imediato, não há nada que ligue o escândalo diretamente ao nome de Dilma e, portanto, o potencial da denúncia não é tão destrutivo para a campanha dela", afirma o sociólogo Rodrigo Prando, do Mackenzie. "Mesmo com o envolvimento de gente graúda do PT, se não houver citação nominal da presidente, acho improvável uma guinada na intenção de voto dos eleitores."
Ele afirma, ainda, que o eleitor já está "anestesiado" por conta dos casos de corrupção nos últimos anos. Como exemplo, cita o Mensalão, que teve grande repercussão na mídia e, mesmo que integrantes do primeiro escalão do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham sido presos, este conseguiu ser reeleito e, ainda, eleger sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff.
Christina Peters, diretora do escritório regional da Universidade Livre de Berlim em São Paulo, argumenta que as alegações feitas no depoimento não são conclusivas e agora cabem às instituições democráticas a investigação e o esclarecimento das suspeitas. Para a historiadora, novos esclarecimentos, portanto, devem ser aguardados.
"É normal numa campanha em estágio avançado haver a tentativa de acentuar escândalos políticos", afirma Peters. "Por isso, não acredito que as denúncias necessariamente terão um impacto tão forte sobre o comportamento do eleitor na atual fase da campanha."
Possível chance para Aécio
Segundo pesquisa de 30 de agosto do Datafolha, Marina está empatada com Dilma
O novo escândalo envolvendo a Petrobras pode dar um fôlego à candidatura de Aécio Neves, que está na terceira colocação segundo a última pesquisa do Datafolha, divulgada em 30 de agosto, com 15% das intenções de voto. Na mesma sondagem, Dilma e Marina estão empatadas, com 34% cada.
Para o cientista político Leonardo Paz, professor do Ibmec/RJ e coordenador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o candidato do PSDB pode se beneficiar com as denúncias, mas deve ter cuidado ao exercer críticas, principalmente ao ex-governador Eduardo Campos, que morreu há menos de um mês.
"Essa seria uma estratégia perigosa para Aécio, pois ele poderia ser criticado por acusar quem não pode se defender. Dessa forma, acho que Marina não deve ser muito impactada por conta das denúncias que foram dirigidas a Eduardo Campos", cita Paz, para quem é necessário ainda esperar que as investigações apresentem fatos mais concretos em relação ao suposto envolvimento do governo federal e de Campos.
O especialista lembra, também, que informações mais comprometedoras não viriam de Aécio, mas da Justiça ou da Polícia Federal. Para Paz, o tucano deve se restringir apenas a relembrar aos eleitores o que os jornais estão divulgando. Assim seria difícil dizer se ele poderia mesmo se beneficiar com as denúncias.
"Até o momento, a sua coordenação de campanha não conseguiu usar quase nenhum dado negativo do governo a seu favor", ressalva.
Delação premiada
Aécio Neves pode se beneficiar do escândalo, mas deve ter cuidado ao explorar o caso
Segundo a reportagem da revista Veja, Costa denunciou pelo menos 25 deputados federais, seis senadores e um ministro. Os políticos denunciados teriam recebido uma comissão de 3% sobre o valor de cada contrato firmado durante a gestão de Costa na estatal, que foi nomeado por Lula em 2004 e ocupou o cargo até 2012, segundo ano do governo Dilma.
O ex-executivo da estatal resolveu fazer uma delação premiada no dia 22 de agosto, depois que a Polícia Federal realizou buscas nas empresas de suas filhas, genros e de um amigo dele e encontrou indícios de que Costa tem contas no exterior. Sem a delação, Costa poderia ser condenado a mais de 30 anos de prisão. Com a colaboração, porém, a Justiça poderá reduzir a pena do ex-diretor em até dois terços ou até mesmo livrá-lo de todas as acusações.
De acordo com a publicação, Costa citou, entre outros políticos, os nomes da governadora Roseana Sarney (MA) e dos ex-governadores Sérgio Cabral (RJ) e Eduardo Campos (PE); do ministro das Minas e Energia, Edilson Lobão; dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e Ciro Nogueira (PP-PI); e dos deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Cândido Vacarezza (PT-SP), Mário Negromonte (PP-BA) e João Pizzolatti (PP-SC).
Fonte: dw.de
A sorte dos africanos
Walter Medeiros*
Os africanos vitimados pelo vírus ebola tem sorte de não viverem no Brasil e estarem longe dos seus órgãos de medicina, saúde e vigilância. Se a epidemia estivesse acontecendo aqui, a orientação da Organização Mundial de Saúde – OMS passaria primeiro pelo crivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, que proíbe o uso de auto-hemoterapia e, entre outros órgãos, do Conselho Federal de Medicina – CFM, que aprovou parecer incompleto e tendencioso afirmando que a técnica não teria comprovação científica. Ou seja, aqui seriam necessários muitos anos de espera por providências que nunca chegam para testar uma terapia que vem salvando vidas há quase duzentos anos.
Neste final de semana a grande notícia na área de saúde pública é que a OMS recomenda usar sangue de pessoas curadas para tratar ebola. A OMS não diz com base em que o sangue de pessoas curadas seria ou poderia ser eficaz no referido tratamento. Isto nos leva observar que, da mesma forma que pode ser o sangue de pessoas curadas poderia ser sangue de pessoas que não foram infectadas ou das próprias pessoas infectadas, pois a imunidade do organismo é multiplicada por quatro com a aplicação da auto-hemoterapia.
Faz muito tempo que é mostrado pelo Dr. Luiz Moura que o corpo humano consegue produzir os anticorpos necessários para combater uma infecção causada pelo ebola. A OMS alega que assim, em teoria, os anticorpos que já fizeram efeito em um sobrevivente da doença podem ser transferidos pelo sangue para um paciente doente, ajudando o sistema imunológico dele para resistir ao vírus. Esta justificativa mostra que a entidade está muito atrasada na compreensão das terapias do sangue. E poderia convocar o Dr. Moura para uma consultoria de emergência, ou pelo menos fazer uma releitura do que já foi escrito por ele e outros a respeito, com base em experiências práticas e exitosas.
Antes tarde do que nunca, uma das diretoras da OMS, Marie Paule Kieny disse que "Existe uma chance real agora de que um produto derivado do sangue de pessoas curadas possa ser efetivo no tratamento de pacientes". Aliás, ela foi mais enfática ao dizer que "Nós concordamos que a terapia com sangue pode ser usada para tratar o vírus do ebola e precisamos colocar todos os nossos esforços para ajudar países infectados." Observou ainda que "Várias pessoas sobreviveram ao vírus e estão bem. Elas podem doar um pouco do seu sangue para tratar as outras pessoas que ainda estão doentes".
A OMS considera que não haveriam “dados em grande escala sobre a eficiência de uma terapia com sangue, já experimentada no passado”. Mas informa que “Estudos feitos em um surto do ebola em 1995 na República Democrática do Congo indicaram que sete de um total de oito pessoas sobreviveram à doença após terem recebido um tratamento usando sangue de pessoas que sobreviveram ao mal”. Desde o dia 30 de julho o uso da auto-hemoterapia é defendido para prevenir ebola, conforme matéria deste blog: http://hemoterapia.org/informacoes_e_debate/ver_opiniao/auto-hemoterapia-e-arma-para-tratar-ebola-a-auto.asp Entretanto, a técnica está proibida no Brasil, daí a Carta que está sendo assinada no facebook, https://www.facebook.com/photo.php?fbid=712155925505199&set=gm.624525897666332&type=1&theater . Já que a OMS propõe o uso de sangue, que seja pesquisado o efeito da auto-hemoterapia.
*Jornalista


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 9/08/2014 09:54:00 AM

domingo, 7 de setembro de 2014

Uma boa medida para o Governo copiar:


Suécia inova e cria 'barreira do álcool' para punir motoristas bêbados

Atualizado em  7 de setembro, 2014 - 17:11 (Brasília) 20:11 GMT

Bafômetro na barreira do álcool na Suécia / Crédito: MHF
'Barreira do álcool' promete reduzir casos de motoristas dirigindo com nível de álcool acima do permitido
A polícia da Suécia inaugura formalmente, na semana que vem, um novo modelo para o controle da embriaguez no trânsito: barreiras eletrônicas móveis que testam, automaticamente, se o motorista está com o nível de álcool no sangue acima do limite permitido por lei.
As novas barreiras eletrônicas, que são transportáveis, se assemelham a cancelas de pedágio. Para que a cancela se abra e o motorista continue seu trajeto, ele é obrigado a soprar o bafômetro.
Caso o condutor esteja com o nível de álcool no sangue (alcoolemia) acima do limite legal, a cancela permanece fechada ─ e a polícia entra em cena.
Em reportagem exibida na TV sueca SVT, foi demonstrado que basta soprar o bafômetro por um segundo e meio para completar o processo.
"As novas barreiras vão facilitar bastante o trabalho da polícia. E poderemos também reduzir o número de policiais nos postos de controle", disse Bengt Svensson, da Polícia Nacional sueca, em entrevista à SVT.
As "barreiras do álcool", como já estão sendo chamadas, foram desenvolvidas pela Polícia Nacional da Suécia, em cooperação com a Associação pela Sobriedade no Trânsito (Motorförarnas Helnykterhetsförbund, MHF).
As barreiras eletrônicas já foram testadas com êxito no porto da cidade sueca de Gotemburgo. E a partir da próxima quarta-feira, já começa a ser usada para controlar o nível de álcool dos motoristas que utilizam as balsas no porto de Frihamnen, na capital Estocolmo.

Controle

A ideia é expandir gradualmente o uso das "barreiras do álcool" em rodovias, portos e postos de controle policial da Suécia, um país conhecido pela cultura de extrema intolerância a infrações, especialmente àquelas relacionadas à embriaguez no trânsito.
A lei sueca estabelece um limite máximo de 0,02% de nível de álcool no sangue de quem dirige. A punição para quem viola a lei inclui multa e pena de até dois anos de prisão.
Em 2013, uma lei brasileira acabou com qualquer tolerância permitida de bebidas alcoólicas.
Nos testes realizados com as barreiras eletrônicas no porto de Gotemburgo no outono de 2013, foi registrada uma redução significativa do número de motoristas com taxa de álcool acima da permitida.
O principal fator dessa redução, segundo os idealizadores do projeto, foi uma campanha eficiente de informação aos motoristas sobre a instalação das cancelas automáticas contra embriaguez nas linhas de saída e chegada das balsas.
Antes da instalação das barreiras no porto, os registros apontavam que a cada 95 carros que passavam pelos controles manuais feitos por funcionários da alfândega, um motorista era flagrado dirigindo sob influência de álcool.
Após a instalação das novas barreiras, apenas dez condutores foram parados pelo equipamento durante todo o período de testes – o que significa, segundo os organizadores do projeto, que apenas um motorista, em cada grupo de 875 veículos que passou pelas barreiras, tinha alcoolemia acima da permitida segundo a lei sueca.
"É uma redução expressiva, que mostra o potencial deste novo conceito de ’barreiras do álcool'", diz Arne Winerdal, diretor da Associação pela Sobriedade no Trânsito (MHF).
Os testes de Gotemburgo também demonstraram que a medida não prejudicou o fluxo do tráfego no porto.
"As barreiras eletrônicas funcionaram de forma rápida e eficaz", afirmou o líder do projeto, Tomas Jonsson.
De acordo com a MHF, os testes realizados em Gotemburgo foram pioneiros no mundo, e as novas 'barreiras do álcool' já têm atraído o interesse da União Europeia.