domingo, 30 de novembro de 2014

Uma economia policial
Tomislav R. Femenick – Contador, Mestre em economia e Historiador.



Nas ciências econômicas há duas categorias, dois segmentos de estudos, que, embora com nomes e bases parecidos, são diferentes em natureza e objetivo. Essas categorias são: “economia política” e “política econômica”. O primeiro diz respeito à estrutura, a forma como os pensadores econômicos formulam suas ideias. O segundo se relaciona com a maneira como o governo se posiciona nas áreas fiscal (contas públicas), tributárias (impostos, taxas etc.), cambial, moeda, por exemplo.
Os estudos sobre economia política remontam há trezentos anos antes de Cristo, quando Aristóteles fez as primeiras observações teóricas que ligam a economia à política. Em 1615 essa linha de pensamento foi continuada por Antoine de Montchrétien (um soldado, dramaturgo, aventureiro e economista francês), em seu “Tratado de economia política”. Posteriormente o assunto foi retomado por economistas de peso, tais como Adam Smith, David Ricardo, Marx, Engels e muitos outros teóricos. As diferentes abordagens desses pensadores estão nas suas interpretações sobre o papel do governo com relação à produção, à renda, ao consumo, à proteção aos produtos nacionais, ao ganho dos trabalhadores etc.
Atualmente a “economia política” se apoia em várias disciplinas – a própria economia, o direito, a sociologia, a matemática e as ciências políticas –, para evidenciar o conjunto de fatores e eventos que são agentes das atividades econômicas, bem como interpretar seus reflexos na produção e nas condições do bem-estar da sociedade.
Voltando à “política econômica”, hoje ela equivale ao planejamento do desenvolvimento nacional, bem como as ações dos agentes públicos, via ministérios, agência regulatórias, banco central, bancos estatais, empresas públicas ou de economia mistas e outros órgãos.
Não sendo propriamente uma jabuticaba, isso é, uma invenção exclusivamente brasileira, e nem uma novidade, uma outra categorias está prestes a se institucionalizar no país. Trata-se da “economia policial”. Não é jabuticaba porque também é praticada em outros países. No passado próximo um príncipe consorte, um genro de um rei europeu, um ex-presidente francês e, mais recentemente, um ex-primeiro ministro português se envolveram em negócios escusos; foram escândalos noticiados e as justiças desses países foram à caça dos infratores.
Por aqui, em nossa pátria amada Brasil, a história registra fatos dessa espécie desde o descobrimento. Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao Rei de Portugal comunicando o achado da nova terra, já pedia favores para um genro. No tempo da colônia, João Fernandes, nomeado contratador para as regiões diamantinas das Gerais, acumulou uma fortuna tão imensa quanto inexplicável. No império, na primeira República, nos governos Vargas sempre houve “mar de lama”. Portanto, não há novidade alguma em os governantes acharem que os bens públicos são bens particulares seu. Como dizia Chico Buarque, o outrora menestrel de bem, parece até que “não existe pecado do lado de baixo do Equador”.
Então por que nos admirarmos com os escândalos políticos, econômicos e policiais como o mensalão mineiro, o mensalão do governo Lula e o petrolão do governo Dilma? Há vários motivos. Primeiro pelo volume e pela forma institucionalizada, pensada e organizada como se deram esses desvios dos recursos do Banco do Brasil, dos Correios, dos fundos de pensão, da Petrobras e de outras instituições públicas. E depois pela desfaçatez, pela forma descarada, com que alguns representantes do executivo, do legislativo e até da justiça tentam justificar o injustificável. Cada centavo ou real desviado para o bolso dos larápios representa menos recursos para a saúde, educação e a segurança pública. Representa menos qualidade de vida para nós, os brasileiros comuns.
Tribuna do Norte. Natal, 29 nov. 2014.

sábado, 29 de novembro de 2014

Misteriosa escultura 'fálica' causa polêmica em Milão

  • 28 novembro 2014
Crédito: Marcelo Crescenti/BBC Brasil
Localizada em uma praça da cidade, obra que parece representar quatro órgãos masculinos eretos dividiu moradores
Uma escultura surgida da noite para o dia em uma praça de Milão vem provocando protestos na cidade. A obra, instalada na Piazza Risorgimento, na zona central da cidade do norte da Itália, é composta de quatro estruturas que se assemelham a aspargos, dedos ou – segundo muitas pessoas – órgãos masculinos eretos.
"Têm indubitavelmente uma forma fálica", comentou o jornal La Repubblica.
Moradores e políticos conservadores locais criticaram fortemente a escultura, que ninguém parecia saber de onde viera - ou como viera.
Especulações se multiplicaram nas redes sociais sobre a origem da obra: as versões eram de que se tratava desde uma brincadeira de mau gosto até uma provocação por um artista de vanguarda.
A vereadora Silvia Sardone, do partido de direita Forza Italia - do ex-premiê Silvio Berlusconi -, foi uma das que protestaram pela presença de um "símbolo fálico" em uma praça frequentada por crianças e idosos.
"É uma obra constrangedora e que vem causando muito desgosto aos moradores locais", afirmou Sardone. A vereadora exigiu a retirada do que chamou de "monumento ridículo".

Mistério resolvido

Em um primeiro momento, a prefeitura de Milão informou que não sabia de onde tinha vindo a escultura. A cidade chegou até a declarar que poderia mesmo retirá-la da praça.
No entanto, a secretaria de Cultura municipal acabou pondo um fim ao mistério: a estátua com o título Four Sentinels (Quatro Sentinelas), foi feita pelo artista americano Gavin Kenyon, e deverá ficar exposta na praça milanesa até janeiro de 2015.
O secretário de Cultura de Milão, Filippo Del Corno, defendeu a obra. "Sabemos que ela causou polêmica e discussões, mas essa é uma reação frequente com obras de arte", disse ele.
Segundo Del Corno, a escultura representaria "uma nova interpretação dos monumentos da cidade através de um processo de abstração e experimentação de novas formas".
Em um bar à frente do monumento, o assunto gerou polêmica imediata. Há quem considere a escultura divertida: "Acho que pode ser considerada uma exaltação da sexualidade", brinca um morador.
A obra, no entanto, não agradou outra moradora: "É uma obra ridícula, devia ser retirada já". Informada de que a escultura vai ficar ali até janeiro, ela criticou: "É horrível".
Houve um consenso entre os frequentadores do bar: independentemente do conceito original, a escultura, segundo eles, parece mesmo representar quatro falos eretos.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

CURIOSIDADES- Sobre a 3ª Ponte para o Potengi .

CURIOSIDADES- Sobre a 3ª Ponte para o Potengi

  
Adicionar estrela  

FRED ROSSITER - È engenheiro civil e professor da aposentado da UFRN.

28 de novembro de 2014 11:57
Para: ABREU EMAIL NOVO 

Estou compartilhando com vcs esse diálogo básico inicial sobre a possibilidade de construção da 3ª ponte, apenas por curiosidade e interesse de cidadão, não sou especialista no assunto, nem desejo cargo no governo.
 
Retirei os nomes  dos/das colegas que deram informações para não exacerbar alguma eventual discussão mais calorosa.
 
É conveniente ler esse e-mail a partir do final ,são 4 textos básicos introdutórios (questões e respostas) curtos bem separados  espero que as figuras coladas no e-mail estejam visíveis.
 
Observem  pelas figuras o investimento considerável q será necessário nas duas margens da possível nova ponte
 
Quem tiver alguma informação ou opinião e quiser compartilhar  , será interessante.
 
 
 
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

Bom dia, Fred!

1. A planície de mangue constitui APP;
2. Para intervir numa Área de Preservação Permanente - APP a Legislação abre uma "brecha" para casos excepcionais tal como as obras de utilidade pública e cita quais, ou sejam: abastecimento de água, drenagem, esgoto e sistema viário (RESOLUÇÃO CONAMA No 369, de 28 de março de 2006);
3. O problema que vejo, é que foram feitos dois EIA/RIMA' e ambos descartaram duas localidades - Baldo e RAMPA (alternativas locacionais), devido ao chamado "canal de navegação" que adentra para o estuário se aproximando da margem direita (lado da Marinha). Daí a Marinha exigiu uma ponte com a altura de 50,00m (salvo engano)  o que, pela tecnologia da época, obrigava a ponte a ter seu caimento lá pela Cidade da Criança (quando no Baldo) e lá p'rá dentro de Santos Reis (quando da área da Rampa).
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Em relação às áreas de salina/mangue vc sabe se existem restrições para construção de vias por lá ?  Todas as 4 opções vão impactar nesse aspecto
 
Fred, certamente que sim. Mas engenharia (boa) é para resolver esses problemas. Se assim não fosse,  não haveria um metro quadrado de construção em Miami que é construída em cima de pântanos! (só existe porque R S não é de lá kkkk.)
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Fred,bom dia
 
 
Não sei se você já ouviu falar em uma proposta de Arnaldinho Gaspar, presidente do Sinduscon: ele advoga que se tirar o canteiro central da ponte de Igapó, aumentar as duas laterais, como foi feito em balanço no viaduto de Ponta Negra, teríamos mais a terceira faixa nos dois sentidos, mais acostamento. Além disso, a bela ponte, quase destruída, poderia ser re-aproveitada e reformada para passagem de motos e bicicletas. Esse fluxo iria necessitar de adequações no transito, nas saidas e chegadas da ponte. O problema não está na ponte,(QUE ALIAS PRECISA DE URGENTE MANUTENÇÂO), mas sim, complementações  e obras de adaptação.
 
 A região metropolitana tem estudos de corredores ferroviários entre ceará Mirim, Extremoz, passando na Zona Norte, e outro indo até Parnamirm que poderia ser levado até S.J.Mipibu, integrando-se a onibus para outras regiões de Natal. Este estudo, demorou 1 ano, com técnicos de todas as áreas (universidades, população, governo), feito por Tania Barcelar. Nunca foi sequer aberto ou discutido no conselho da região metropolitano (inativo, morto, quase enterrado!).
Gostaria de continuar discutindo,  abraços

 

Subject: CURIOSIDADE- 3ª Ponte para o Potengi
Date: Sun, 23 Nov 2014 21:56:38 -0300

Oi
 
    Estão começando a discutir a construção da ponte 3 sobre o Potengi, fiquei curioso de analisar pelo que saiu na imprensa  e tenho dúvidas básicas como cidadão.
 
Entrei no GOOGLE MAPS para visualizar melhor...
 
As 4 opções "em estudo" atravessam a área de salinas/mangues  e irão requerer obras relevantes em ambas as margens, não será barato. 
 
 
1- PROPOSTA DO PROF. RUBENS RAMOS (publicada no Jornal TN)
A ponte seria mais ou menos no ponto 1 indicado abaixo (sequência da ALEXANDRINO DE ALENCAR e Base Naval), entroncando na AV Itapetinga na Zona Norte, o traçado é meu não do projetista.
 
 
2- PROLONGAMENTO DO VIADUTO DO BALDO 
 
3- Prolongamento da Capitão Mor Gouveia para S.G. do Amarante
 
4- Perto do Porto (Av. Tavares de Lira)
 
A pergunta: essa área de salinas é de preservação? á a ZPA-08 ? pode construir a ponte atravessando e entroncando através dela por novas vias ? ver segunda figura
 
 
 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Polícia. E quem precisa?

Polícia. E quem precisa?
Postado em 12 Nov 2014 17 36 Outro Olhar










A reinvenção da violenta polícia brasileira  
exige a mudança da ideologia de segurança, o fim  
da corrupção e a excelência na formação profissional  


por JOMAR MORAIS


Dados da ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública deixariam o país estarrecido, não fosse a vitoriosa cultura do medo que há décadas vem sendo promovida pelas autoridades de segurança, com a conivência interesseira de certos comunicadores e empresas de mídia, como forma de sustentar, de um lado, uma máquina policial falida e o sistema de corrupção no serviço público do qual ela é uma das jóias da coroa e, de outro, os lucros advindos de uma guerra por audiência imoral e hipócrita.

Segundo o Fórum, entre 2009 e 2013 a polícia brasileira matou 11.197 pessoas, mais do que a polícia dos Estados Unidos nos últimos 30 anos (11.090 mortos)! 

À primeira vista o número já é um horror e mostra que algo essencial está falhando em nossas corporações policiais. Mas isso se torna mais grave quando se leva em conta que a comparação foi feita com um país que não é exemplo de sociedade pacificada e com uma polícia que não se destaca pela abordagem civilizada. Que o digam os negros americanos e a própria estatística estadunidense. Mais de um 11 000 assassinatos cometidos por policiais em 30 anos é um escândalo, se comparados à eficiente polícia do Reino Unido, que até há pouco -- antes que a Grã- Bretanha virasse alvo do terrorismo –   não raro disparava apenas uma bala por ano, sem registro de vítima fatal.

Que a polícia brasileira precisa ser reinventada, é uma conclusão quase consensual, ainda que não sejam as mesmas as motivações dos brasileiros que apontam para esse rumo. Mas qualquer reforma do aparelho policial se perderá no nascedouro, se não focar as raízes dessa crise institucional: a ideologia de segurança, que até aqui serve para assegurar privilégios e reprimir os mais pobres; o sistema corrupto gerido fora da corporação policial, no ambiente político, que sustenta e protege o mar de lama dos policiais truculentos ou corruptos; e a formação profissional – a seleção, a instrução e o cuidado humano com o policial.

Por escassez de espaço, concentro-me aqui em apenas um dos itens: o da formação profissional, o mais importante, pois interage diretamente com a população que paga impostos e deveria ser beneficiada com serviços eficientes.

Desconfio que, no Brasil, a polícia se tornou o desaguadouro de jovens que, incapacitados para outras funções numa sociedade competitiva, encontram na corporação policial um porto de estabilidade e status. Não são, portanto, vocacionados para a missão. Entre esses, muitos são portadores de transtornos de personalidade que não são detectados em testes psicológicos superficiais e que se agravam no dia a dia tenso de uma profissão crítica. 

Some-se isso a falta de instrução sobre leis, psicologia, direitos humanos e, sobretudo, nenhuma aplicação de técnicas de centramento da mente e controle das emoções no treinamento do profissional e se terá, no fim da linha, o desequilibrado perfeito para enfrentar a violência com o único recurso possível a quem está dominado pelo medo: a violência.

Bingo! O sistema venceu.

[ Publicado na edição do Novo Jornal de 11/11/14 ]

sábado, 15 de novembro de 2014

DESENGANOS DA RAÇA HUMANA!


Vaidade pura, amor, nesta sua lida.
Cabelos lisos, nariz empinado...
O silicone que tem programado...
Tenta fazer a alma embranquecida.

Sendo jovem, é bem aproveitado
Esse ato de soberba destemida,
Acha que assim pode ufanar a vida,
À luz do mundo comercializado.

Então, que goze esse agora de prazer.
Que essa vaidade lhe traga saúde
E alegria aos que rodeiam você.

Pro futuro é melhor ter a virtude
Da sabedoria: cuidar-se! Porque
É efêmera a nossa juventude!

04/08/2009 - DILSON - NATAL/RN.

DILSON POETA

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Após pouso em cometa, veja quais os próximos desafios no espaço

Fonte: bbc.co.ku
  • 14 novembro 2014
Representação artística de como poderia ser um planeta habitável e semelhante à Terra (Nasa)
Há missões espaciais em busca de planetas habitáveis, que poderiam parecer com a ilustração acima
O robô Philae fez história ao pousar na superfície de um cometa a 500 milhões de quilômetros da Terra. O módulo, enviado pela sonda Rosetta, enviará para a Terra dados com os quais os cientistas pretendem ajudar a elucidar questões fundamentais sobre a formação do Sistema Solar e a própria vida no nosso planeta.
Uma teoria sustenta que os cometas foram responsáveis pela distribuição de água aos planetas. Outra ideia é que eles poderiam ter "semeado" a Terra com a química necessária para dar o pontapé inicial na biologia.
Enquanto os cientistas analisam as imagens que começam a ser enviadas pela sonda, outras explorações espaciais estão em andamento - com prospectos igualmente animadores para a Ciência. Veja algumas das iniciativas.

Hubble, Spitzer e Kepler

Imagem captada pelo telescópio Hubble mostra galáxia a 25 milhões de anos-luz da Terra
Com esses três telescópios, os cientistas vêm explorando o universo há alguns anos. A missão Kepler, lançada em 2009 para identificar planetas habitáveis, já encontrou um planeta do tamanho da Terra orbitando uma estrela -a uma distância do corpo em que água líquida pode se concentrar em sua superfície.

Curiosity

Buraco em Marte realizado pela exploração da sonda Curiosity
Curiosity explora atualmente uma montanha em Marte
A sonda da Nasa em Marte encanta os fãs de exploração espacial com as imagens do planeta vermelho. Atualmente, o veículo está explorando uma montanha em Marte e, como resultado, já levou à criação de um mapa mineral do planeta, que vai ajudar a guiar futuras missões.

New Horizon

Desenho artístico da missão New Horizon orbitando Plutão
Plutão ainda não recebeu nenhuma espaçonave, portanto os cientistas não têm uma visão detalhada de sua geografia. No entanto, a missão da Nasa chamada "Novos Horizontes", lançada em 2006, deve mudar isso no ano que vem. A sonda deve ser retirada de seu período de hibernação nas próximas semanas para se preparar para sua missão histórica com o corpo celeste.

Missão Dawn

Croquis artístico ilustrando a aproximação da missão Dawn do planeta-anão Ceres
Em uma ambiciosa missão da Nasa, uma nave foi lançada para orbitar dois gigantescos corpos celestes localizados entre Marte e Júpiter. O veículo já orbitou o protoplaneta Vesta por mais de um ano e agora deve atingir o planeta-anão Ceres em abril de 2015. A expectativa dos cientistas é que a missão forneça novos dados sobre a formação e a evolução do Sistema Solar.

Cassini

Imagem mostra reflexo do sol na lua de Titã
A missão conjunta entre Estados Unidos e Europa foi lançada em 1997. A sonda já explorou os anéis de Saturno e muitas de suas luas congeladas. A Cassini pousou em Titã, a maior lua de Saturno, em 2005. Os cientistas estão especialmente interessados em Titã porque pode haver semelhantes com a Terra em seus primeiros anos. A missão seguirá em curso até 2017, pelo menos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Isso é Democracia!
(*) Rinaldo Barros
            Esta conversa pretende alumiar os desafios atuais pós-eleição, na busca de um projeto de Nação.
Democracia não anula a oposição. A oposição é necessária, na maioria das vezes aponta soluções.
Diz a sabedoria popular que “o pior cego é aquele que não quer enxergar”. Acendeu uma luz.
Por unanimidade de votos, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolheu, na sessão da última terça-feira (4), pedido do PSDB para que a sigla tenha pleno acesso aos sistemas de votação, apuração e totalização dos votos, para que possa, se desejar, realizar uma auditoria própria. Sábia decisão pacificadora!
Na oposição (sem adjetivo), ninguém odeia pobre, rico, negro, branco, nordestino, paulista, homem ou mulher! Odeia-se ladrões, e parece que parte da população brasileira também demonstrou isso: mais de 88 milhões de eleitores, aptos a votar, não votaram no PT (Dilma foi reeleita dentro do que determina a lei).
É indispensável e urgente aprofundar investigações sobre todo e qualquer tipo de corrupção, com foco na roubalheira da Petrobras e depoimentos de delação premiada (porque não podem mentir).
Fechadas as urnas e conhecido o resultado da mais disputada e acirrada eleição presidencial desde 1989, com 3% de diferença para a vencedora, a presidente reeleita terá de se defrontar com o desafio de governar um País de ânimos políticos acirrados como há muito não se via.
Além disto, o processo eleitoral, em tudo que o abarca, deixou para os próximos anos um cenário político mais complexo do que o encontrado pelos presidentes nos últimos 20 anos. E essa complexidade se refere a um conjunto de problemas. Vivemos um momento muito difícil, no patropi. Vejamos.
O menor problema (embora não seja simples) é o novo Congresso. Ao que se nota, a presidente reeleita terá de contar mais do que antes com os partidos de adesão - aqueles que apoiam qualquer governo, independentemente da coloração programática, desde que bem recompensados com cargos e verbas.
Na Câmara, esses partidos contavam com 13 agremiações até antes das eleições, saindo dela com 20. É bem verdade que, dentre eles, “apenas” 9 têm uma bancada de ao menos 15 parlamentares. E esses possuem o simbólico número de 50,1% das cadeiras. Ou seja, sem sua adesão, não se governará.
A dependência dessa adesão fisiológica se tornou ainda maior com o declínio da bancada do PT e aliados. Com o apoio do PSB, esse grupo beirava, formalmente, os 30% da Câmara e do Senado. Mas com o rompimento das siglas, bem como a perda de deputados pelo PT, esse número se reduziu para menos de 20% na Câmara e ficou em um quarto do Senado. A situação melhoraria um pouco no caso de um reatamento entre PT e PSB - hoje pouco provável.
O segundo problema será fazer a economia voltar a crescer e, ao mesmo tempo, por freio à inflação. Isso requererá medidas que, no curto prazo, poderão ser impopulares (cortes de gastos, aumento nos preços de energia e combustíveis, elevação dos juros), provocando um desgaste logo de saída. Serão também necessários sinais concretos ao setor privado que possibilitem uma retomada da confiança empresarial, viabilizando o aumento do investimento privado no médio prazo.
Caso o investimento privado aumente, poderá propiciar um influxo favorável à popularidade governamental. Porém, se demorar a ocorrer, para além de seus problemas intrínsecos, tende a gerar um desgaste que aumentará ainda mais o custo das negociações políticas.
O terceiro problema está relacionado ao clima de conflagração e acirramento de ânimos que vem caracterizando de forma crescente o debate nacional. Nas redes sociais e nas ruas, o ânimo político tem sido mais acerbado do que entre as lideranças partidárias. A criminalização pura e simples do adversário, a sabotagem digital e a disseminação de boatos perigosos indica que o próximo período promete turbulências indesejáveis.
O uso cada vez mais intenso e pouco rigoroso da palavra “golpe”, as analogias histórica e teoricamente descabidas do Brasil com regimes autoritários, tudo isto produz um clima político que requererá da presidente reeleita, e de seu partido, uma iniciativa real para o diálogo e uma ordem de moderação aos seus correligionários e simpatizantes. O diálogo deve vir em forma de projetos que interessem ao povo brasileiro: um Projeto de Nação. Para além das bolsas e das cotas, onde o Brasil quer chegar?
Afinal, deve-se governar para o conjunto da população, e não apenas para o PT e aliados.
Não levar isto em consideração, seja fomentando ainda mais a radicalização do debate, seja não orientando seus militantes para tentar unir o país, pode até mesmo não ocasionar uma deterioração mais séria das condições institucionais, mas tornará o ato de governar muito mais difícil.
Para que nosso povo volte a sonhar novamente, no caminho da mudança, vamos precisar de todo mundo.

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

quinta-feira, 6 de novembro de 2014


quinta-feira, 6 de novembro de 2014


 O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE VIVEU UMA NOITE MEMORÁVEL.


          Numa noite memorável, a Centenária da Memória Histórica do Rio Grande do Norte, realizou uma sessão especial e solene, reabrindo as suas portas à comunidade pesquisadora.
            Logo à porta de entrada se postou a Banda de Música da nossa Gloriosa Polícia Militar, que brindou a todos com inúmeros dobrados e marchas tradicionais.
          Rigorosamente às 20 horas, sob a Presidência do Escritor VALÉRIO MESQUITA, teve início à sessão solene do dia 05 de novembro corrente, com a presença de Autoridades, dos novos sócios e suas famílias e de uma grande assistência, que lotou o Salão Nobre e o Largo Vicente Lemos, que permitiu o acompanhamento através de um telão.

A Mesa dos Trabalhos
Após a composição da Mesa e palavras iniciais do Presidente, foi executado o Hino Nacional Brasileiro, pela briosa Banda de Música da Polícia Militar do Estado.
Em nome do IHGRN, saudando os empossandos, falou o Diretor Orador 
JOSÉ ADALBERTO TARGINO ARAÚJO. 

 Em seguida ocorreu a entrega dos diplomas e, em nome dos empossandos, usou da palavra o novo sócio FRANCISCO DE ASSIS CÂMARA, proferindo um discurso marcante.


Na sequência dos trabalhos houve o lançamento do livro do consagrado Jurista, Político e Humanista AUGUSTO TAVARES DE LIRA sobre a "História do Rio Grande do Norte", edição do Senado Federal.
Encerrada a sessão, o Presidente convidou os presentes para o recital do Grupo Musical "UFRN CELOS" no alto do espaço Vicente Lemos, tendo sido executadas cinco peças eruditas.
O CERIMONIAL foi impecavelmente conduzido por Ana Grova, da Prefeitura Municipal do Natal.
Ao final, foi servido um coquetel aos presentes.
Tudo dentro do "figurino", deixando a Diretoria e Conselho Fiscal plenamente satisfeitos com o resultado do prestígio da sociedade para com a Casa da Memória.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Atenção colecionadores: com esquadro e compasso, cédulas reaparecem e tornam-se relíquias em Berlim.

ESPECIAL

Cédulas misteriosas contam pedaço da história das duas Alemanhas

Eliminadas, esquecidas, inexplicavelmente reaparecidas: notas de 200 e 500 marcos orientais são relíquias da antiga RDA. Banco KfW, onde elas estão preservadas, é joia arquitetônica de Berlim.
Lysann Goldbach dirige arquivo do KfW
Lysann Goldbach ri ao contar a história, mas foi com certa apreensão que ela atravessou o controle de segurança do Aeroporto de Frankfurt portando 1 milhão em cédulas. Mas não demorou até que começasse a despertar suspeita entre os funcionários.
A diretora do arquivo do banco estatal KfW tentava explicar, mas continuou sendo alvo de olhares céticos. O mal entendido só se dissipou com a chegada de uma funcionária mais idosa: "É sim, são marcos da antiga Alemanha Oriental", atestou.
Do arquivo dirigido por Goldbach, de 36 anos, também faz parte o espólio do extinto Banco Estatal da República Democrática Alemã (RDA). Ele tinha em seu tesouro notas de recém-impressas de 200 e 500 marcos alemães orientais, que nunca entraram em circulação: o regime socialista da RDA considerou fora de propósito liberar cédulas que valiam o salário de um mês.
De forma surpreendente, anos após a queda do Muro de Berlim essas notas apareceram em diferentes locais da Alemanha. A suspeita é que tivessem sido roubadas.
Cédulas misteriosas
Foi na cidade de Frankfurt an der Oder, na antiga Alemanha Oriental, que a polícia confiscou as cédulas em questão, as quais a promotoria pública entregou, então, ao KfW, o antigo Kreditanstalt für Wiederaufbau (Instituto de Crédito para a Reconstrução).
Goldbach está convencida de que elas só podem ter ido parar no mercado devido a um "assalto". Ainda assim, enquanto arquivista, as cédulas novinhas em folha são motivo de alegria para ela.
Notas intactas e "moedas de brinquedo"
Em decorrência da união monetária de 1990-91, todo o dinheiro impresso da RDA foi depositado em duas minas de calcário na Saxônia-Anhalt, para lá se decompor. Após a fusão com o Staatsbank, o Banco Central da RDA, em 1994, o KfW se tornou proprietário do dinheiro, acreditando que se encontrava em segurança.
Até que começaram a surgir, aqui e ali, as cédulas que, a rigor, não deveriam existir. Ladrões haviam encontrado o acesso aos túneis. Numa laboriosa operação, em março de 2002 o KfW mandou que se retirassem todas as notas de depósito e as destruíssem definitivamente.
Pelo menos é o que se pensava. No entanto, continuam aparecendo notas de 200 e 500 marcos orientais, como em Frankfurt an der Oder. Os comerciantes teriam pago 15 euros por unidade.
Prédio com tradição
O Grupo KfW tem sua sede berlinense bem no centro da capital, na Charlottenstrase. Ela já foi a Wall Street da Alemanha: em 1914 lá se contavam mais de 170 bancos nas suas imediações. Dentre eles, o mais imponente, projetado pelo arquiteto Alfred Messel, era o da Associação de Comércio de Berlim, dirigida pelo banqueiro Carl Fürstenberg.
Depois da quase destruição na Segunda Guerra Mundial e desapropriação pelo Exército soviético, em 1945, o Staatsbank da Alemanha Oriental se instalou ali. Ele era encarregado da emissão de cédulas e diretamente subordinado ao governo comunista.
Até hoje estão guardadas em seu tesouro esboços de notas de dinheiro da RDA. Goldbach exibe os projetos gráficos que não foram aplicados depois que, com a reunificação de ambos os Estados, em 1990, o deutsch Mark da República Federal da Alemanha foi adotado como moeda única em todo o território nacional.
Riqueza arquitetônica e histórica
Na arca cheia de trocados do tempo da RDA, as moedas parecem dinheiro de brinquedo. "Veja só, estas fichinhas de alumínio foram vendidas para a indústria automobilística. Provavelmente as moedas da RDA viraram peças de carros", comenta Goldbach.
Arquivo do KfW documenta dinheiro em circulação na RDA
Atualmente o arquivo do banco KfW é acessado, em média, 250 vezes por ano. No jubileu dos 25 anos da queda do Muro, o número de consultas aumentou. A maior parte dos visitantes vem da Coreia.
"Como foi, na época, com a união monetária?", querem saber, e se espantam com o bom estado de conservação das cédulas. Ao fim, todos pedem para fazer um giro pelo prédio, meticulosamente restaurado e saneado pelo Grupo KfW.
Martina Köchling, diretora de seção do banco, recorda com satisfação que no contexto da fusão com o Staatsbank, o KfW assumiu responsabilidade tanto por suas funcionárias e funcionários quanto pelos edifícios histórica e arquitetonicamente significativos no coração de Berlim.
Assim, a história do tradicional prédio é perpetuada. Lysann Goldbach é especialmente orgulhosa da Sala de Ácer: o magnífico revestimento de madeira, quase inteiramente preservado, e a gigantesca lareira conferem presença imponente ao aposento, com seu pé direito de mais de seis metros.
Sede do KfW no centro de Berlim
Adeus à RDA
É difícil imaginar que justamente essa sala de recepção destinada aos abastados clientes da antiga Associação de Comércio de Berlim tenha abrigado a central da Volkspolizei, a "Polícia Popular" da RDA. Seu assoalho foi coberto de PVC, o teto, rebaixado. Fotos dos anos 1980 mostram os agentes que lá circulavam.
A arquivista Lysann Goldbach estudou em Potsdam e é entusiasta da história da economia. Em 9 de novembro de 1989, quando caiu o Muro de Berlim, ela tinha 11 anos de idade.
"No dia depois da queda, nós éramos só cinco alunos na classe: todos os outros tinham ido ver o Oeste. Eu não pude, porque os meus pais queriam ir primeiro sozinhos, achavam que fosse mais seguro", conta, rindo.
Está claro que Goldbach gosta do que faz. Por fim, pega as notas de 200 e 500 marcos alemães orientais, recoloca-as no saco de papel e fecha o tesouro. Com a arquivista, os tesouros da antiga RDA estão em boas mãos.

domingo, 2 de novembro de 2014

Uma casa de líderes da política potiguar.

A casa onde moraram os pais de Henrique Alves e de Robinson Faria.
Algumas coincidências

Luiz Gonzaga Cortez*

Na Rua Felipe Camarão, 467, Centro de Natal, há uma residência que foi ocupada por duas famílias de destaques na política potiguar, desde os anos 30/40 do século passado. Nela viveram lideranças políticas já falecidas, portanto, com os seus nomes gravados na História, enquanto outras estão no cume de suas carreiras.
Situada na esquina das ruas Felipe Camarão e Auta de Souza, a casa, hoje ocupada por uma empresa de planos de saúde, foi de propriedade do comerciante Manoel Alves, “seu Nézinho”, pai do ex-Governador e ex-Ministro Aluizio Alves, o maior líder político do Rio Grande do Norte em todos os tempos. Toda a família de “seu Nézinho” morou naquela casa até meados da década de 40. Nos fundos da casa ainda está edificado o apartamento de Aluizio e Agnelo, nos anos em que estiveram enfermos.
O segundo proprietário do imóvel foi o Sr. Juvenal Justiniano de Faria e sua esposa e prima, Pocina. Sr. Juvenal, natural do Ceará, ainda menino, fugiu de uma longa seca e migrou para Serra Negra do Norte, onde encontrou abrigo e ajuda de parentes. Dedicou-se a agricultura e pecuária e, quando os bons ventos sopravam a seu favor, transferiu-se para Natal e constituiu família. Pois é, o Sr. Juvenal, que conheci pessoalmente, era o avô do governador eleito, Robinson Faria, filho de Osmundo Faria, empresário já falecido.
Robinson Faria, o eleito, não morou na casa de Sr. Juvenal, mas deve ter visitado os avós paternos quando criança ou adolescente. Henrique Eduardo Alves, filho de Aluizio Alves, que não venceu a disputa pela governança do Estado, no último pleito, também não residiu na antiga residência de seu avô paterno e nunca esteve lá.
Quanto a Agnelo Alves, não é necessário dizer que o seu filho Carlos Eduardo Nunes Alves é o prefeito de Natal e com futuro político promissor. E mais: Carlos Eduardo é amigo de Robinson desde os anos 70, época em que estudavam, na mesma turma, no Colégio Salesiano São José, na Ribeira, ao lado de outros jovens que se destacaram na sociedade, como Raniére Barbosa, vereador muito ligado ao prefeito da capital.
Finalmente, a casa que serviu de moradia às famílias dos pais de Henrique Alves e de Robinson Faria, tem história. Quem se habilita a resgatar a sua história, ouvindo ex-moradores e testemunhas dos seus possíveis eventos sociais e políticos?

*Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador.

À esquerda, pintada com tinta azul, a casa onde moraram as famílias Alves e Faria. Hoje pertence aos herdeiros de Juvenal Justiniano de Faria e dona Pocina.