quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

BRASIL

Porto de Mariel indica que Brasil previa fim do isolamento cubano, dizem analistas

dw.de
Para especialistas, megaprojeto em Cuba com financiamento do BNDES é sinal de que governo brasileiro apostava numa reaproximação entre Washington e Havana, antecipando-se a investidores americanos.
O polêmico projeto do Porto de Mariel, em Cuba, indica que o Brasil estava prevendo o fim do isolamento imposto pelos Estados Unidos à ilha comunista e o relaxamento do embargo econômico, afirmaram especialistas ouvidos pela DW Brasil no início deste ano.
Meses depois da inauguração da primeira parte do porto, o presidente Barack Obama anunciou a retomada das relações diplomáticas com Havana nesta quarta-feira (17/12) e disse que pretende ter um "debate honesto e sério" com o Congresso sobre as perspectivas de um total levantamento do embargo comercial que já dura mais de meio século.
"O Porto de Mariel é visto como uma maneira de se antecipar aos investidores americanos", disse Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, na ocasião da inauguração do porto, em janeiro. O megaprojeto contou com financiamento do BNDES, e a presidente brasileira, Dilma Rousseff, foi à Cuba para a abertura da primeira parte do empreendimento.
Segundo Stuenkel, já se tinha no Brasil a concepção de que numa Cuba pós-Castro a liberalização da economia prosseguirá mais rapidamente e poderia levar ao levantamento do embargo americano.
Para o professor, o modo como os EUA lidavam com Cuba era visto em toda a região como "nada construtivo". O Brasil se preparava para entrar no lugar da Venezuela como o principal parceiro do regime cubano, considerou. "A Venezuela não consegue mais transferir, em longo prazo, ajuda de grande porte a Cuba, porque luta internamente com seus próprios problemas econômicos."
A agência de investimentos alemã GTAI também já apostava há um bom tempo no relaxamento do embargo a Cuba. Peter Buerstedde, especialista da agência, observou no início do ano que, como Raúl Castro quer permanecer na presidência apenas até 2018, existiam indicações de mudança em médio prazo nos rumos da ilha. "O Porto de Mariel poderá se tornar um centro de logística no Caribe quando os EUA levantarem o embargo", previu em declarações à DW Brasil.
Relações de longa data
Brasil e Cuba mantêm uma cooperação especial, que se tornou mais intensa nos últimos anos. Enquanto médicos cubanos desembarcam em território brasileiro, a ilha caribenha recebe produtos agrícolas. E agora ambos trabalham juntos no megaprojeto do Porto de Mariel.
Há muito tempo, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro busca fortalecer os laços políticos com Cuba. "As relações Brasil e Cuba atravessam excelente momento. Por trás da cooperação existe uma visão compartilhada", afirmou o Itamaraty à DW, na época da inauguração do porto. "Nossos governos acreditam que não basta crescer; é preciso promover o desenvolvimento social e melhorar as condições de vida dos mais necessitados."
A construção do Porto de Mariel em Cuba foi, em grande parte, financiada pelo BNDES
O Brasil se vê como um dos motores do desenvolvimento, ainda que lento, da economia cubana. Em discurso na ilha caribenha por ocasião da inauguração do porto, Dilma não escondeu o desejo de reforçar a cooperação com o governo de Raúl Castro e chamou o bloqueio econômico a Cuba de "injusto".
"Laços profundos unem os nossos países, um sentimento de amizade aproxima nossas sociedades. O Brasil acredita e aposta no potencial humano e econômico de Cuba", afirmou a presidente. "Mesmo sendo submetido ao injusto bloqueio econômico. Cuba gera um dos três maiores volumes de comércio do Caribe. [...] O Brasil quer tornar-se parceiro econômico de primeira ordem para Cuba."
Investimentos estratégicos
Não é coincidência que o Porto de Mariel, maior projeto de infraestrutura em andamento em Cuba, esteja a cargo de uma empreiteira brasileira, a Odebrecht. O financiamento da obra também tem o governo brasileiro por trás: o BNDES aprovou empréstimos de 682 milhões de dólares para financiar a construção, que tem custo total de 957 milhões de dólares.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram o crescimento da parceria comercial entre os dois países. As exportações do Brasil para Cuba aumentaram de 80 milhões de dólares em 2003 para 568 milhões em 2012. De janeiro a setembro de 2013, o valor das exportações já atingia cifra próxima a 515 milhões de dólares.
Desde 1998, o BNDES garantiu empréstimos no total de 703 milhões de dólares a empresas brasileiras que investem em Cuba. Em 2013, Cuba foi o terceiro maior destino de financiamentos do banco para exportação de bens e serviços do Brasil. Para especialistas ouvidos pela DW, não há dúvida: os investimentos são estratégicos.

MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO

  • Data 17.12.2014
  • Autoria Astrid Prange (rc/lpf)

  • Link permanente http://dw.de/p/1E6Wp

CONTEÚDO RELACIONADO

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

domingo, 14 de dezembro de 2014

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN -


APÓS 112 ANOS DE EXISTÊNCIA, O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN E O LARGO VICENTE DE LEMOS, INAUGURAM SUA ILUMINAÇÃO NATALINA  


O JARDIM FOI TOTALMENTE REFEITO COM PLANTAS        DE FOLHAGEM COLORIDAS E INSTALADO UM MODERNO SISTEMA AUTOMATIZADO DE IRRIGAÇÃO 


 EM DESTAQUE O AVARANDADO DO LARGO VICENTE    DE LEMOS, CIRCULADO COM MANGUEIRAS COM ILUMINAÇÃO DE LED.

      A ILUMINAÇÃO NAS PALMEIRAS E NO PAUS BRASIL



           
                        EM DESTAQUE A COLUNA CAPITOLINA

O GRADIL QUE DIVIDE O ANTIGO PALÁCIO POTENGI, ATUALMENTE  PINACOTECA DO ESTADO, DO LARGO VICENTE DE LEMOS.


O IHGRN TOTALMENTE PINTADO, INTERNO E EXTERNAMENTE, INCLUSIVE PORTAS JANELAS E GRADES DE FERRO.








PORTAS E JANELAS CONTORNADAS COM MANGUEIRA ILUMINADAS 

               RESPEITO E DIGNIDADE PARA A 
                        "CASA DA  MEMÓRIA"


domingo, 14 de dezembro de 2014

BRASIL

Brasil tem boas ferramentas de combate à corrupção, diz delegado da PF

Lentidão jurídica, porém, ainda é entrave, afirma Ricardo Andrade de Saadi, chefe do departamento que recupera dinheiro desviado para o exterior. Valor que retorna ao Brasil ainda é "irrisório", diz ele.
Brasilia Proteste 20.06.2013
Na última década, o Brasil avançou na criação de sistemas de combate à corrupção, defendeu o delegado da Polícia Federal Ricardo Andrade de Saadi em um evento sobre corrupção nesta sexta-feira (12/12), no Rio de Janeiro.
"As ferramentas que as autoridades brasileiras têm hoje em dia são muito melhores do que as de vários países", afirmou Saadi, especialista em lavagem de dinheiro e crime organizado.
A luta contra a corrupção, no entanto, esbarra na lentidão da Justiça, lamenta o delegado. Segundo ele, as investigações dão poucos resultados porque os processos se arrastam por anos e os responsáveis não são punidos.
Como uma das principais melhorias, Saadi menciona a criação, em 2003, da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA). A iniciativa, da qual participam 60 órgãos públicos e entidades civis, teria desencadeado uma série de inovações no setor.
"Diversos softwares foram comprados para cruzar dados. Hoje, por exemplo, quando se quebra um sigilo bancário, as informações do banco chegam digitalizadas. Antes, vinham em papel e tínhamos que passá-las para tabelas manualmente. Perdia-se um tempo enorme com isso", explica Saadi, ressaltando que na Suíça, por exemplo, esse processo ainda é feito em papel.
Atual diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, Saadi trabalha tentando trazer de volta para o país dinheiro que foi enviado de maneira ilícita para o exterior. Ele avalia que, mesmo com a modernização de sistemas, o valor que retorna ao Brasil ainda é "irrisório".
"O país recuperou apenas 44 milhões de reais através de pedidos de cooperação jurídica internacional, em toda a sua história. Mas o Brasil já teve mais de 3 bilhões de dólares bloqueados no exterior. E por que voltou tão pouco? Porque o judiciário brasileiro é muito lento."
Razzia bei Petrobras in Rio de Janeiro
Presos pela Operação Lava-Jato, como o ex-diretor da Petrobras Renato Duque (foto), não devem ficar detidos por muito tempo, acredita Saadi
Risco que vale a pena
Para Saadi, a culpa da morosidade está no excesso de recursos judiciais, que impedem que os casos sejam concluídos. Assim sendo, diz ele, a impunidade faz com que a corrupção seja um "risco que vale a pena", porque o criminoso pode "roubar milhões e passar poucos dias na prisão".
"Até quando o pessoal da Lava Jato vai ficar preso? E quando eles saírem, quanto tempo vai demorar para concluir o processo? Eu não apostaria menos de 10 anos. Nesse tempo, não acontece nada", protesta.
Saadi argumenta que mesmo a obrigação de devolver o dinheiro aos cofres públicos é pouco eficiente em inibir novos crimes. Segundo ele, este risco também é previamente calculado.
"Ninguém sabe se o que eles estão devolvendo é realmente o que foi desviado. Na verdade, eles podem devolver 10% ou até 80% e ficar com o resto. Ainda assim, compensa."
Falta integração entre instituições
O delegado destaca que a PF tem total autonomia em suas investigações – o que prejudica o trabalho contra a corrupção é a falta de integração entre as instituições. Ele conta que cada órgão tem seus dados, que não são partilhados.
"Mesmo que haja boa vontade, há uma dificuldade técnica em se juntar esses dados, porque foram construídos em sistemas diferentes, que não conversam."
Ele ressalta, entretanto, que essa integração avançou muito com a Copa do Mundo. "Hoje temos um sistema de inteligência muito melhor. Só não sabemos se isso vai se retrair depois das Olimpíadas ou se vai continuar."
A palestra de Saadi foi parte de um evento sobre corrupção, organizado pela ONG Transparency International e a Fundação Konrad Adenauer.

Entre as recomendações mencionadas pelos especialistas para coibir a prática destacam-se a criminalização do enriquecimento ilícito, a regulamentação do lobby, a reformulação do sistema de recursal e do financiamento de campanha política.

Estavam presentes, entre acadêmicos, magistrados e empresários, o diretor-executivo da Transparency International, Cobus De Swardt; o representante da Fundação Konrad Adenauer, Felix Dane; o controlador-geral do município de São Paulo, Mário Vinícius Claussen Spinelli; e o desembargador federal Fausto Martin de Sanctis.
Fonte: DW.DE

MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO

  • Data 13.12.2014
  • Autoria Marina Estarque
Administração não rima com emoção
Tomislav R. Femenick – Contador, Mestre em Economia e sócio do IHGRN.

No início dos anos 1970 tomei conhecimento de um dos grandes livros escritos no século XX e que bem retrata a alma do povo brasileiro. Trata-se de “Tristes Trópicos”, do pesquisador francês Claude Lévi-Strauss, que é considerado o pai da antropologia moderna. É um relato de suas viagens pelo interior do Brasil, realizadas nos anos 1930, quando o jovem professor veio ao nosso país para lecionar na recém-criada Universidade de São Paulo. O livro, em edição francesa, estava sendo lido pelo meu padrasto, Xavier Vieira, um poliglota, jurista, matemático, filósofo, teólogo e poeta, uma das maiores culturas que conheci, porém acomodado em um alto cargo do Banco do Brasil, na capital paulista.
            Mas o que importa é o livro e voltemos a ele. Na sua obra, por vias indiretas Lévi-Strauss descreve a alma do nosso povo. Seriamos uma nação ciclotímica, ao mesmo tempo triste e alegre, cordata e que se envolver em disputa; um padrão de personalidade caracterizado por períodos de excitação e euforia, que se alternam com tristeza e inatividade.
            Esse grande livro veio-me a mente quando recentemente me detive sobre a maneira como os homens públicos e os executivos da iniciativa privada dirigem o país: com a emoção e não com a razão. Essa maneira de ser de nós brasileiros nos mais das vezes nos leva a situações de desconforto, se não desastradas. A nossa história recente está cheia de exemplos: o golpe de 1964 foi consequência de um movimento para garantir a democracia e terminou em uma ditadura, a eleição de Collor foi contra os marajás e derivou para o esquema de P. C. Farias, a CPI da Petrobras foi instituída para evidenciar os escândalos na estatal e culminou na inocência de todo mundo, o iluminado Eike Batista era na verdade um tremendo apagão, a presidente da República trata seus ministros e outros altos escalões do governo como se fossem seus capatazes – e elegem os que ela gosta e os que deles desgosta. Exemplos desse nosso procedimento errático há muitos.
            O pior de tudo é quando esse estado de coisa impera na iniciativa privada. Muitos dirigentes de empresas tratam suas organizações como se fossem feudos. Sua maneira de se relacionar com os outros executivos e empregados são como se eles fossem simples agregados à sua Casa Grande, numa atitudes de prepotência, desrespeito e arrogância que espalha clima de medo e receio de perda de cargo ou de emprego. Esse tipo de liderança é o mais deletério que se pode ter no cenário empresarial, pois inibe o poder criativo que todas as pessoas têm e, sem criatividade, a empresa estagna no tempo, na sua qualidade e no seu poder de competitividade, dando vez a que os concorrentes ocupem todo o mercado.
            Porém não se deve confundir as coisas. Os dirigentes empresariais devem sim tomar atitudes firmes na condução de seus negócios. Cobrar desempenho, cumprimento de metas em prazos certo; cobrar resultados. Ai é que está o problema: a maneira de agir é que faz a diferença. Como fazer as cobranças, como impor os procedimentos corretos sem incorrer no erro da impropriedade?
            A meta principal de toda organização mercantil é ser economicamente produtiva, moderna e socialmente viável. As pressões são necessárias para se atingir esse alvo, porém as empresas “são construídas com base na confiança, que, por sua vez, é construída com base na comunicação e na compreensão mútua”, como diz Peter Drucker, um dos papas da moderna administração de empresas.
            Como compreensão mútua não se consegue na base do grito, há que se administrar com a razão e não com a emoção.


Tribuna do Norte. Natal, 14 dez. 2014.

sábado, 13 de dezembro de 2014

O Abandono da Travessa Pax, por Cláudio Abdon.

Travessa localizada no bairro da Ribeira, em Natal, foi tombada por meio do Decreto nº 19.930, de 25/07/2007.



Esta rua está situada entre as ruas São Tomé e Junqueira Ayres. Existe uma foto de 1937
que mostra um grupo de integralistas na casa de Sérgio Severo de Albuquerque Maranhão,
na esquina, defronte a antiga Escola de Comércio, fundada por Ulisses de Góis.
A pavimentação da rua Pax é de pedras dos arrecifes das proximidades da praia do Forte.
 



--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo em 12,12,14






quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Negociação salarial dos jornalistas no RN fracassa e sindicato indica estado de paralisação

JORNALISTAS DO RN EM LUTO - SINDJORN
 
Hoje (10/12/14) encerramos as negociações da nossa campanha salarial desse ano e como não chegamos a um acordo, a situação será levada a dissídio na justiça do trabalho.
 
O nosso piso salarial atual é de R$ 1.225,80 (O PIOR DO BRASIL) e na nossa proposta defendemos que o piso fosse de 3 salários mínimos, o que corresponde a R$ 2.172. Nas cláusulas sociais, pedimos auxílio-alimentação, auxílio-creche, vale-cultura (de R$ 50 e subsidiado pelo governo federal), plano de cargos, carreira e salários e ampliação da licença maternidade de 4 para 6 meses.
 
Os patrões simplesmente não aceitaram nem negociar nenhumas dessas cláusulas e absurdamente ainda apresentaram a proposta de reajuste de apenas 6% (menor que a inflação). Vejam bem, 6%, é simplesmente uma VERGONHA para nós que já temos a VERGONHA maior de recebermos o pior salário do Brasil.
 
Pois bem, em assembleia, a categoria decidiu por unanimidade dos presentes, NÃO ACEITAR ESSA ESMOLA que nos foi proposta. E na assembleia nós também decidimos por unanimidade, entrar a partir de agora, em ESTADO DE PARALISAÇÃO.
 
Ou seja, nossa negociação salarial vai a dissídio, mas dessa vez não vamos aceitar passíveis e vamos agir. Os patrões vão assistir um novo comportamento da nossa categoria que não admite mais ser humilhada.
 
Portanto, nesta quinta-feira (11/12/14) teremos uma nova assembleia geral e aqui convocamos todos os colegas que estão nas redações, nas assessorias, como autônomos, nos órgãos públicos, enfim. Venham fazer parte dessa luta, porque agora é hora de encorparmos nossa própria decisão. Vamos definir como agir e por onde começar.
 
Temos a chance de fazer história e faremos.
 
Breno Perruci.
 
Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RN.
 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Cenário inusitado
“O que deve ser globalizado é a civilização, não o capital”. (Perry Anderson, historiador)
(*) Rinaldo Barros
Estamos assistindo aos primeiros clarões da alvorada de uma nova era política.
Com a “marolinha” disparada lá na economia estadunidense atingindo em cheio a economia mundial; já há alguns anos, temos uma nova realidade político-econômica no Brasil, em toda América Latina e Caribe, como de resto em todo o planeta. Certamente, com nova lógica e novas relações entre os mesmos atores.
Diante desse quadro, o “remédio” adotado, até esta data, pelo PT governo, é ineficaz e em desacordo com a gravidade e abrangência da crise. E vai continuar, com o monetarista liberal conservador, Joaquim Levy (“o chefe da CIA na direção da KGB”). O maior equívoco tem sido a redução do IPI dos veículos. Implica na redução do FPM, um empurrão para a falência dos municípios. Um tiro no pé.
Sabemos que a crise não é meramente conjuntural, abala a estrutura do sistema. Neste sentido, (re) atualiza-se o pensamento marxiano “o limite do capital é o próprio capital”. Ou seja, está provado que a voracidade da ganância não pode ser deixada sem controles públicos, sob pena de transformar-se numa tormenta, na qual o risco de sucumbir ameaça a todos.
Em verdade, penso que nossos governantes, gestores, parlamentares e intelectuais, assim como, todos os homens de boa vontade, estão obrigados a repensar o nosso tempo.
Faz tempo que estamos pensando a partir do que já foi, e já não é mais.
Entendo que, neste início de Milênio, não estamos atravessando apenas mais um momento de turbulência. Estamos dentro do olho do furacão. Vejamos.
A história contemporânea nos levou ao término da onda industrial, à universalização da sociedade da informação (dominada pelo grande capital financeiro internacional), ao crescimento extraordinário dos fundos de previdência e aos lucros astronômicos das grandes instituições financeiras, fenômeno que fez explodir o estoque de recursos financeiros disponíveis, dos quais uma boa parte tem se destinado a perigosas especulações de curtíssimo prazo.
Falo do “capital volátil”. Um dinheiro sem pátria, ganancioso, sem coração nem coloração política, que quer ganhar muito e, se possível, muito rapidamente. Algumas fontes chegaram a estimá-lo em mais de 30 (trinta) trilhões de dólares. Com um poder diabólico.
Nada deste dinheiro é investido para aumentar a qualidade de vida, não há interesse em acabar com a fome, nem preservar o meio ambiente, nem desenvolver qualquer economia, além de ser incontrolável.
É a especulação pura e simples, a busca insensata do lucro máximo.
O atual sistema político e financeiro do mundo é, sob qualquer ângulo que se analise, insustentável. Um sistema que reproduz um padrão de desigualdade brutal, vitimizando milhões de seres humanos, condenando a população da vasta maioria dos países a uma existência física abaixo da linha da pobreza.
O que criticamos é o tipo de globalização produzida (hoje, sob hegemonia do capital financeiro, fundado na especulação), geradora de exclusão social, miséria, ignorância, violência, criminalidade, e crises.
E, pior, geradora do desemprego estrutural, com o desaparecimento de postos de trabalho.
Falo do monetarismo, uma política econômica assumida e praticada, de forma consciente, em detrimento do processo de desenvolvimento sustentável e includente.
A atual crise financeira, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica mundial, escancara o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive, o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta: presença do Estado - como indutor do desenvolvimento - na economia e na sociedade.
Ou seja, tudo indica que é preciso caminhar na direção da estrutura de um novo Modo de Produção, no qual o lucro não será mais o único parâmetro mas, isso sim, o mercado combinado com os valores de cada segmento social, fundado no conhecimento e na tecnologia, dialogando soberanamente com o Estado.
Resumo da ópera: estamos inaugurando um cenário inusitado para todos os aspectos da vida, afetando todas as dimensões da condição humana. É o fim de um ciclo.
À exceção apenas aqui do patropi, é claro. No Pindorama tropical, essa encrenca toda não passa de uma “marolinha”. Nada que o Bolsa-família e o Pronatec não resolvam.
Pois, sim!
 (*) Rinaldo Barros é professor – rinaldo.barros@gmail.com

domingo, 30 de novembro de 2014

Cientistas captam pela 1ª vez imagens de ‘diabo negro do mar’

  • 25 novembro 2014
Compartilhar
Credito: MBARI
O exemplar filmado é uma fêmea de 9cm que estava a 600m de profundidade
Cientistas do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterrey, na Califórnia, conseguiram filmar um exemplar do misterioso "diabo negro do mar", uma espécie de peixe abissal conhecida pelo nome científicoMelanocetus johnsonii.
Segundo os pesquisadores da instituição, esta foi a primeira vez que este estranho e pequeno animal foi filmado em seu habitat natural. O peixe pode chegar a viver em uma profundidade de até 3 mil metros.
O exemplar filmado é uma fêmea de 9 centímetros que se encontrava a cerca de 600 metros da profundidade no cânion submarino de Monterrey, na costa californiana.
Credito: MBARI
O peixe foi filmado em Monterrey, na Califórnia
As imagens foram gravadas por um veículo operado remotamente batizado de Don Ricketts.
O "diabo negro do mar" tem uma antena que se ilumina graças a bactérias bioluminescentes, o que o ajuda a atrair suas presas. Elas acabam atraídas para suas temidas mandíbulas, repletas de dentes afiados.
As fêmeas podem medir até 20 centímetros, enquanto o macho é dez vezes menor e não pode sobreviver sozinho - ele se acopla à companheira como um parasita.
Para os que assistiram ao filme Procurando Nemo, da Disney/Pixar, este peixe é conhecido: ele aparece em uma cena perseguindo os protagonistas do desenho animado.
Uma economia policial
Tomislav R. Femenick – Contador, Mestre em economia e Historiador.



Nas ciências econômicas há duas categorias, dois segmentos de estudos, que, embora com nomes e bases parecidos, são diferentes em natureza e objetivo. Essas categorias são: “economia política” e “política econômica”. O primeiro diz respeito à estrutura, a forma como os pensadores econômicos formulam suas ideias. O segundo se relaciona com a maneira como o governo se posiciona nas áreas fiscal (contas públicas), tributárias (impostos, taxas etc.), cambial, moeda, por exemplo.
Os estudos sobre economia política remontam há trezentos anos antes de Cristo, quando Aristóteles fez as primeiras observações teóricas que ligam a economia à política. Em 1615 essa linha de pensamento foi continuada por Antoine de Montchrétien (um soldado, dramaturgo, aventureiro e economista francês), em seu “Tratado de economia política”. Posteriormente o assunto foi retomado por economistas de peso, tais como Adam Smith, David Ricardo, Marx, Engels e muitos outros teóricos. As diferentes abordagens desses pensadores estão nas suas interpretações sobre o papel do governo com relação à produção, à renda, ao consumo, à proteção aos produtos nacionais, ao ganho dos trabalhadores etc.
Atualmente a “economia política” se apoia em várias disciplinas – a própria economia, o direito, a sociologia, a matemática e as ciências políticas –, para evidenciar o conjunto de fatores e eventos que são agentes das atividades econômicas, bem como interpretar seus reflexos na produção e nas condições do bem-estar da sociedade.
Voltando à “política econômica”, hoje ela equivale ao planejamento do desenvolvimento nacional, bem como as ações dos agentes públicos, via ministérios, agência regulatórias, banco central, bancos estatais, empresas públicas ou de economia mistas e outros órgãos.
Não sendo propriamente uma jabuticaba, isso é, uma invenção exclusivamente brasileira, e nem uma novidade, uma outra categorias está prestes a se institucionalizar no país. Trata-se da “economia policial”. Não é jabuticaba porque também é praticada em outros países. No passado próximo um príncipe consorte, um genro de um rei europeu, um ex-presidente francês e, mais recentemente, um ex-primeiro ministro português se envolveram em negócios escusos; foram escândalos noticiados e as justiças desses países foram à caça dos infratores.
Por aqui, em nossa pátria amada Brasil, a história registra fatos dessa espécie desde o descobrimento. Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao Rei de Portugal comunicando o achado da nova terra, já pedia favores para um genro. No tempo da colônia, João Fernandes, nomeado contratador para as regiões diamantinas das Gerais, acumulou uma fortuna tão imensa quanto inexplicável. No império, na primeira República, nos governos Vargas sempre houve “mar de lama”. Portanto, não há novidade alguma em os governantes acharem que os bens públicos são bens particulares seu. Como dizia Chico Buarque, o outrora menestrel de bem, parece até que “não existe pecado do lado de baixo do Equador”.
Então por que nos admirarmos com os escândalos políticos, econômicos e policiais como o mensalão mineiro, o mensalão do governo Lula e o petrolão do governo Dilma? Há vários motivos. Primeiro pelo volume e pela forma institucionalizada, pensada e organizada como se deram esses desvios dos recursos do Banco do Brasil, dos Correios, dos fundos de pensão, da Petrobras e de outras instituições públicas. E depois pela desfaçatez, pela forma descarada, com que alguns representantes do executivo, do legislativo e até da justiça tentam justificar o injustificável. Cada centavo ou real desviado para o bolso dos larápios representa menos recursos para a saúde, educação e a segurança pública. Representa menos qualidade de vida para nós, os brasileiros comuns.
Tribuna do Norte. Natal, 29 nov. 2014.

sábado, 29 de novembro de 2014

Misteriosa escultura 'fálica' causa polêmica em Milão

  • 28 novembro 2014
Crédito: Marcelo Crescenti/BBC Brasil
Localizada em uma praça da cidade, obra que parece representar quatro órgãos masculinos eretos dividiu moradores
Uma escultura surgida da noite para o dia em uma praça de Milão vem provocando protestos na cidade. A obra, instalada na Piazza Risorgimento, na zona central da cidade do norte da Itália, é composta de quatro estruturas que se assemelham a aspargos, dedos ou – segundo muitas pessoas – órgãos masculinos eretos.
"Têm indubitavelmente uma forma fálica", comentou o jornal La Repubblica.
Moradores e políticos conservadores locais criticaram fortemente a escultura, que ninguém parecia saber de onde viera - ou como viera.
Especulações se multiplicaram nas redes sociais sobre a origem da obra: as versões eram de que se tratava desde uma brincadeira de mau gosto até uma provocação por um artista de vanguarda.
A vereadora Silvia Sardone, do partido de direita Forza Italia - do ex-premiê Silvio Berlusconi -, foi uma das que protestaram pela presença de um "símbolo fálico" em uma praça frequentada por crianças e idosos.
"É uma obra constrangedora e que vem causando muito desgosto aos moradores locais", afirmou Sardone. A vereadora exigiu a retirada do que chamou de "monumento ridículo".

Mistério resolvido

Em um primeiro momento, a prefeitura de Milão informou que não sabia de onde tinha vindo a escultura. A cidade chegou até a declarar que poderia mesmo retirá-la da praça.
No entanto, a secretaria de Cultura municipal acabou pondo um fim ao mistério: a estátua com o título Four Sentinels (Quatro Sentinelas), foi feita pelo artista americano Gavin Kenyon, e deverá ficar exposta na praça milanesa até janeiro de 2015.
O secretário de Cultura de Milão, Filippo Del Corno, defendeu a obra. "Sabemos que ela causou polêmica e discussões, mas essa é uma reação frequente com obras de arte", disse ele.
Segundo Del Corno, a escultura representaria "uma nova interpretação dos monumentos da cidade através de um processo de abstração e experimentação de novas formas".
Em um bar à frente do monumento, o assunto gerou polêmica imediata. Há quem considere a escultura divertida: "Acho que pode ser considerada uma exaltação da sexualidade", brinca um morador.
A obra, no entanto, não agradou outra moradora: "É uma obra ridícula, devia ser retirada já". Informada de que a escultura vai ficar ali até janeiro, ela criticou: "É horrível".
Houve um consenso entre os frequentadores do bar: independentemente do conceito original, a escultura, segundo eles, parece mesmo representar quatro falos eretos.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

CURIOSIDADES- Sobre a 3ª Ponte para o Potengi .

CURIOSIDADES- Sobre a 3ª Ponte para o Potengi

  
Adicionar estrela  

FRED ROSSITER - È engenheiro civil e professor da aposentado da UFRN.

28 de novembro de 2014 11:57
Para: ABREU EMAIL NOVO 

Estou compartilhando com vcs esse diálogo básico inicial sobre a possibilidade de construção da 3ª ponte, apenas por curiosidade e interesse de cidadão, não sou especialista no assunto, nem desejo cargo no governo.
 
Retirei os nomes  dos/das colegas que deram informações para não exacerbar alguma eventual discussão mais calorosa.
 
É conveniente ler esse e-mail a partir do final ,são 4 textos básicos introdutórios (questões e respostas) curtos bem separados  espero que as figuras coladas no e-mail estejam visíveis.
 
Observem  pelas figuras o investimento considerável q será necessário nas duas margens da possível nova ponte
 
Quem tiver alguma informação ou opinião e quiser compartilhar  , será interessante.
 
 
 
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

Bom dia, Fred!

1. A planície de mangue constitui APP;
2. Para intervir numa Área de Preservação Permanente - APP a Legislação abre uma "brecha" para casos excepcionais tal como as obras de utilidade pública e cita quais, ou sejam: abastecimento de água, drenagem, esgoto e sistema viário (RESOLUÇÃO CONAMA No 369, de 28 de março de 2006);
3. O problema que vejo, é que foram feitos dois EIA/RIMA' e ambos descartaram duas localidades - Baldo e RAMPA (alternativas locacionais), devido ao chamado "canal de navegação" que adentra para o estuário se aproximando da margem direita (lado da Marinha). Daí a Marinha exigiu uma ponte com a altura de 50,00m (salvo engano)  o que, pela tecnologia da época, obrigava a ponte a ter seu caimento lá pela Cidade da Criança (quando no Baldo) e lá p'rá dentro de Santos Reis (quando da área da Rampa).
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Em relação às áreas de salina/mangue vc sabe se existem restrições para construção de vias por lá ?  Todas as 4 opções vão impactar nesse aspecto
 
Fred, certamente que sim. Mas engenharia (boa) é para resolver esses problemas. Se assim não fosse,  não haveria um metro quadrado de construção em Miami que é construída em cima de pântanos! (só existe porque R S não é de lá kkkk.)
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Fred,bom dia
 
 
Não sei se você já ouviu falar em uma proposta de Arnaldinho Gaspar, presidente do Sinduscon: ele advoga que se tirar o canteiro central da ponte de Igapó, aumentar as duas laterais, como foi feito em balanço no viaduto de Ponta Negra, teríamos mais a terceira faixa nos dois sentidos, mais acostamento. Além disso, a bela ponte, quase destruída, poderia ser re-aproveitada e reformada para passagem de motos e bicicletas. Esse fluxo iria necessitar de adequações no transito, nas saidas e chegadas da ponte. O problema não está na ponte,(QUE ALIAS PRECISA DE URGENTE MANUTENÇÂO), mas sim, complementações  e obras de adaptação.
 
 A região metropolitana tem estudos de corredores ferroviários entre ceará Mirim, Extremoz, passando na Zona Norte, e outro indo até Parnamirm que poderia ser levado até S.J.Mipibu, integrando-se a onibus para outras regiões de Natal. Este estudo, demorou 1 ano, com técnicos de todas as áreas (universidades, população, governo), feito por Tania Barcelar. Nunca foi sequer aberto ou discutido no conselho da região metropolitano (inativo, morto, quase enterrado!).
Gostaria de continuar discutindo,  abraços

 

Subject: CURIOSIDADE- 3ª Ponte para o Potengi
Date: Sun, 23 Nov 2014 21:56:38 -0300

Oi
 
    Estão começando a discutir a construção da ponte 3 sobre o Potengi, fiquei curioso de analisar pelo que saiu na imprensa  e tenho dúvidas básicas como cidadão.
 
Entrei no GOOGLE MAPS para visualizar melhor...
 
As 4 opções "em estudo" atravessam a área de salinas/mangues  e irão requerer obras relevantes em ambas as margens, não será barato. 
 
 
1- PROPOSTA DO PROF. RUBENS RAMOS (publicada no Jornal TN)
A ponte seria mais ou menos no ponto 1 indicado abaixo (sequência da ALEXANDRINO DE ALENCAR e Base Naval), entroncando na AV Itapetinga na Zona Norte, o traçado é meu não do projetista.
 
 
2- PROLONGAMENTO DO VIADUTO DO BALDO 
 
3- Prolongamento da Capitão Mor Gouveia para S.G. do Amarante
 
4- Perto do Porto (Av. Tavares de Lira)
 
A pergunta: essa área de salinas é de preservação? á a ZPA-08 ? pode construir a ponte atravessando e entroncando através dela por novas vias ? ver segunda figura