quarta-feira, 4 de março de 2015

Um dos fundadores da Al-Qaeda conta como se tornou espião britânico

bbc de Londres
  • 4 março 2015
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Aimen Dean (Foto: BBC)
Espião diz que se voltou contra al-Qaeda após investigar justificativas para cometer atentados
Aimen Dean é um membro fundador da al-Qaeda que mudou de lado em 1998 e se tornou um espião para os serviços de inteligência e segurança MI5 e MI6. Entrevistado por Peter Marshall, ele descreve os anos que passou trabalhando no Afeganistão e em Londres, sendo um dos principais recursos da luta contra militantes islâmicos.

Bósnia

Dean foi criado na Arábia Saudita, onde a oposição à ocupação soviética no Afeganistão nos anos de 1980 tornou o movimento militar da jihad um conceito nobre. Ele era um adolescente quando a Iugoslávia foi dividida e os muçulmanos bósnios se viram ameaçados pelos nacionalistas sérvios. Ele e um amigo, Khalid al-Hajj – que mais tarde se tornaria o líder da al-Qaeda na Arábia Saudita – se tornaram guerreiros mujahideen.
Aimen Dean- Eu diria que essa foi a experiência mais esclarecedora que já tive. Eu era um "nerd' que vivia mergulhado nos livros na Arábia Saudita e subitamente me vi nas montanhas da Bósnia armado com um (fuzil) AK-47 e me sentindo muito poderoso – e vivia a sensação de que estava participando da história, ao invés de apenas assisti-la sendo escrita.
E ao mesmo tempo, estar em campos de treinamento militar, recebendo informações sobre combate, tática e manobras militares que eu nunca imaginei que um dia receberia, ao lado de pessoas de diferentes nacionalidades, sendo a única coisa em comum o fato de serem todos muçulmanos. Estávamos lá para participar da jihad (luta de muçulmanos por meios militares ou não com objetivo de defender e/ou impor uma cultura baseada na religião islâmica) em defesa da população bósnia o que foi em si só uma experiência incrível.
BBC - Você não teve medo?
Dean – Cá entre nós, penso que no começo eu tinha mais medo do desconhecido do que do fato de que estava embarcando em uma jornada que poderia terminar com a morte de todos nós.
BBC - Você temia a morte?
Dean – Eu estaria mentindo se dissesse que não temia a morte, mas comecei a ficar em paz com a ideia de que sim, eu estava entrando na Bósnia. E provavelmente eu nunca sairia de lá.
BBC - Você queria o martírio, você queria morrer?
Dean – Sim.

Escola Jihad

Dean - No final do conflito bósnio eu comecei a perceber algo mais entre meus companheiros. Aqueles que sobreviveram começaram a adotar uma atitude mais contrária ao Ocidente, um sentimento antiglobalização de que a comunidade internacional estava conspirando contra os muçulmanos na Bósnia porque a maré estava mudando a favor deles (muçulmanos) – então eles quiseram acabar com a guerra antes que os muçulmanos obtivessem mais vitórias.
Pelo menos essa era a percepção, e com ela acredito que nasceu o sentimento de que o Ocidente estava lutando contra o Islã como religião... e isso levou a mais radicalização o que facilitou a transição, ao passarem de guerrilheiros mujahideens para combatentes jihadistas.
A Bósnia foi a escola para muitos líderes talentosos da al-Qaeda. Khalid Sheikh Mohamed (acusado de ser o arquiteto dos ataques de 11 de Setembro) foi um dos que passaram pela Bósnia.
A impressão que eu tinha naquele tempo era que ele estava na Bósnia para descobrir talentos, vamos dizer, para explorar talentos que seriam úteis na luta futura.
Eu me lembro de uma das coisas que ele disse - isso foi em um casamento onde estávamos sentados lado a lado: "Bom, a guerra da Bósnia parece estar acabando aqui e, você sabe, o fim está à vista, mas o que vai acontecer depois da guerra? A questão é se vamos vagar pelo mundo de uma batalha sem esperança para outra tentando salvar a população muçulmana, esperando que outros venham colher a recompensa?"
Em outras palavras, disse que iria haver um governo secular que não governaria pelas leis da Sharia. Ele disse que esse ciclo precisava acabar e que precisávamos pensar em outra frente na qual pudéssemos servir o Islã e fazer ressurgir o espírito da jihad no mundo muçulmano. Eu penso que aquele pequeno discurso foi a primeira indicação de que a jihad estava deixando de ser um instrumento para defender populações muçulmanas para se tornar uma forma de derrubar regimes e lutar uma guerra de terror... contra os interesses dos Estados Unidos na região.
BBC - Para se tornarem mais terroristas que soldados?
Dean - Definitivamente.

Se juntando à al-Qaeda

Dean - Eu fui convidado para ir a Kandahar (Afeganistão) basicamente para jurar fidelidade. Como ocorria com todos os que prestavam o juramento, Osama bin Laden concedeu um encontro individual para me receber na organização. Ele disse basicamente que haveria muitos anos de dificuldades e sofrimento e que a causa da jihad não estava começando nem terminaria com ele.
BBC - Você fez o juramento?
Dean – Sim.
BBC - Qual era o juramento?
Dean – "Eu te dou minha fidelidade para lutar a seu lado em bons tempos e maus tempos e lutar a jihad contra os inimigos de Deus e obedecer meus comandantes".
BBC – O que você fazia enquanto jurava? Ficava em pé? Se ajoelhava?
Dean – Você fica sentado perto dele, no chão, e você coloca a mão sobre um exemplar do Corão e diz o juramento. Os joelhos de um e do outro se tocam, praticamente.
BBC – E imagino que esse foi um momento de mudança.
Dean – Sim, revendo aquele momento, vejo que senti o mesmo pavor do desconhecido que tinha sentido antes da Bósnia.
BBC – Você sabia que estava dando um grande salto?
Dean – Sim.

Afeganistão

Osama Bin Laden (Foto: AP)
Ex-espião diz que encontrou Bin Laden antes de se voltar contra al-Qaeda e trabalhar para britânicos
Em casa na Arábia Saudita, Aimen Dean havia sido um teórico muçulmano prodígio. No Afeganistão era sua responsabilidade treinar os recrutas da al-Qaeda – muitos do Iêmen – nos princípios básicos da teologia e da história islâmica e nos elementos essenciais da prática religiosa. Isso abriu seus olhos para as diferentes motivações dos jihadistas.
Dean - Não há um processo único de radicalização. Algumas pessoas levam anos para se convencerem a participar da jihad, para outras o processo leva minutos. Algumas pessoas estavam estudando em seminários religiosos – eles são uma minoria, a propósito – e se juntaram. Outras estavam consumindo álcool em clubes noturnos e procuraram redenção no mundo jihadista. Então não há uma jornada clássica, mas sim muitas delas.
BBC – Mas todos eles buscam o martírio?
Dean – Todos eles querem se tornar um mártir e obter redenção em diferentes níveis. Algumas pessoas se aproximam e dizem: "Estou realmente cansado, quero me tornar mártir o mais rapidamente possível". Outros dizem: "Eu quero me tornar um mártir, mas não antes de tornar um inferno a vida aqui na Terra dos inimigos de Deus".

Dúvidas

Dean estava em um campo de treinamento no Afeganistão quando aconteceram os atentados a bomba nas embaixadas americanas em Nairóbi e Dar es Salaam em 1998. Ele disse ter se preocupado ao saber que além das 12 baixas americanas, mais de 240 cidadãos locais morreram e 5 mil ficaram feridos.
Dean - Eu acho que foi assim que o horror começou. Foi assim que percebi que se aquele era o início dessa guerra, qual seria o próximo alvo? Argentina, África do Sul, Moçambique? Vamos lutar com os americanos na África para expulsá-los do Oriente Médio ou da península árabe? Não fazia sentido.
Como teólogo passei a questionar a legalidade de todo movimento. Comecei a fazer perguntas. Fui a Abdullah al Mohaja, que era o mufti (teórico) da al-Qaeda... Eu disse: "Não é que eu tenha dúvidas, mas você poderia me iluminar sobre as justificativas religiosas para atacar uma embaixada pertencente ao inimigo causando ao mesmo um grande dano colateral?"
Socorro após ataque à embaixada americana em Nairobi (Foto: AFP)
Ex-jihadista, Dean diz que repassou informações e vigiou suspeitos para o MI6
E ele me respondeu: "Veja, há uma fátua (um esclarecimento legal no Islã emitido por um especialista em lei religiosa sobre algo que não esteja tão claro na lei islâmica) produzida no século 13 no mundo muçulmano, que legitima atacar um inimigo mesmo que isso signifique provocar mortes de civis, porque o inimigo os usa como escudos humanos". E ele disse: "Essa fátua compreende isso e nos dá justificativa, então não há dúvidas sobre a legalidade do que fizemos".
Então decidi fazer minha própria pesquisa e foi assim que tive um choque. As fátuas tinham sido divulgadas em resposta a questionamentos enviados pelas cidades muçulmanas de Tashkent, Samarkand e Bukhara, no atual Uzbequistão, sobre uma questão particular: "Veja, os mongóis estão invadindo. Toda vez que saqueiam uma cidade, levam uma parcela da população, mil, duas mil ou três mil pessoas e fazem elas empurrarem as torres de cerco contra as muralhas da próxima cidade. Então, devemos atirar em nossos colegas muçulmanos, que estão sendo obrigados a empurrar as torres de cerco até nossa cidade, ou não?"
E a fátua decidiu: "Sim, este é um caso em que os mongóis estão usando civis muçulmanos como escudos humanos para atingir um objetivo militar e se vocês não atirarem neles e o ataque tiver sucesso, vocês acabarão sendo mortos".
Quando aprendi sobre isso comecei a pensar: "Ok, como fazer para conciliar o preceito dessa fátua que se aplicava a uma situação de vida ou morte, relacionada a um inimigo perverso que usou pessoas como escudos humanos para saquear outro lugar e matar cada homem, mulher e criança naquela cidade, com o que aconteceu em Nairóbi e na Tanzânia? Não há nenhuma semelhança entre as duas situações."
BBC – E essa fátua baseada em torres de cerco de 800 anos atrás é usada para justificar atos de jihadismo terrorista?
Dean – Sim, para os casos em que resultam em baixas civis.
BBC – Então, isso é importante?
Dean – Não vou dizer que isso tem um fundamento débil. Isso não tem fundamento nenhum. É basicamente um castelo de areia. Dois meses depois eu decidi que queria sair.

Tornando-se um espião

Ainda bem jovem, Dean foi ao Golfo para receber tratamento médico – tendo tomado a decisão pessoal de não retornar. Porém acabou nas mãos do MI6. Em 11 dias, foi convencido. Depois de quatro anos e dois meses como um jihadista, ele aterrissou em Londres em 16 de dezembro de 1998, e as explicações começaram.
Dean - Eu acho que sete meses de explicações, isso foi o necessário para ajudá-los a ter uma visão melhor dessas organizações e quais figuras exerciam influência dentro delas.
BBC – Por você conhecer Osama Bin Laden, Khalid Sheikh Mohamed, Abu Zubeida. Você conhecia todo mundo.
Dean – Sim... depois de sete meses de explicações veio a sugestão: "Que tal você voltar ao Afeganistão e trabalhar um pouco mais para nós?" E minha resposta inequívoca foi: "Sim".
BBC – O que você fazia?
Dean – Passava informações, esse era meu objetivo primário, coletar o máximo possível de informações – e isso não era uma tarefa fácil, porque você tem que confiar inteiramente em sua memória. Você não pode escrever nada. Tudo tem que ser guardado na memória. E sobre dúvidas morais, só tenho a agradecer meus ex-companheiros por me livrar delas. Porque quanto mais eu sabia o que estavam planejando – por exemplo, eu estava lá quando a al-Qaeda construía seu primeiro dispositivo químico viável e falavam sobre aquilo com tanta alegria e uma satisfação psicopata... – aí é quando você se pergunta: Por que tenho dúvidas morais de estar espionando?". Qualquer coisa que eu fizer é justificável diante do que vocês estão fazendo.
BBC – Você tinha que fingir enquanto estava entre eles, obviamente?
Dean – Claro. Eu ainda estava pregando, ainda estava deixando claro o quanto estava comprometido com a causa.
BBC – Porém, isso deve ser complicado, porque se você está pregando está justificando ideologicamente coisas ruins que eles são capazes de fazer.
Dean – Sim, mas no final das contas se você quer pegar ratos, você tem que ir ao esgoto e se sujar.
BBC – Então você ficava se deslocando entre o Afeganistão e a Grã-Bretanha?
Dean – Sim.
BBC – Mas a al-Qaeda sabia que estava mandando você para a Grã-Bretanha?
Dean – Sim, e essa é a beleza disso.
BBC – Então eles pensavam que você estava trabalhando para eles?
Dean – Sim
BBC – Quando na verdade você estava trabalhando para o Ocidente?
Dean – Definitivamente.

Espionando em Londres

Enquanto estava na Grã-Bretanha, Dean deveria vigiar e recolher informações sobre pessoas como Babar Ahmed, um britânico que admitiu fornecer recursos para terroristas, e Abu Hamza, condenado neste ano nos Estados Unidos por apoiar o terrorismo, e Abu Qatada, que foi inocentado de acusações de terrorismo pela Justiça da Jordânia, depois de uma batalha judicial que poderia resultar em sua extradição para a Grã-Bretanha. Ele os vigiava enquanto pregava em mesquitas e sociedades islâmicas.
BBC – Quaias são as dificuldades de estar disfarçado e ser recebido como um membro da al-Qaeda? Você tem que manter o fingimento, falando com as pessoas na mesquita, ou as encorajando a se juntar à jihad?
Dean – Sim, mas há limites. Eu sabia até onde podia ir e incitar. Usava palavras veladas sobre questões gerais, ao invés de fazer algum incitamento específico. Mas a parte mais difícil foi depois de 7/7/2005 (data de três atentados simultâneos realizados no metrô e ônibus de Londres). Foi lá que as leis e regulações sobre incitamento foram endurecidas.
BBC – Você se sente culpado de ter mandado alguém para a jihad?
Dean – Sim.
BBC – Qual é a natureza dessa culpa? É em relação às ações com as quais eles se envolveram ou pelo jeito como terminaram?
Dean - Estou grato que ninguém foi morto. Mas uma pessoa em particular acabou na prisão por um longo tempo.

Salvando vidas

Dean disse ter frustrado ataques envolvendo atentados suicidas a bomba e uso de veneno contra civis. Ele também conseguiu entregar à inteligência britânica planos para a construção de um aparelho que poderia ser usado para um ataque químico no metrô de Nova York. Na ocasião, Ayman al-Zawahiri, o vice de Bin Laden cancelou o ataque.
Dean – Eles teriam usado armas químicas não fosse por Zawahiri ter dito: "Não usem isso".
Era uma célula que tentava conseguir permissão de Zawahiri dizendo: "Nós estamos com essa arma, sabemos como usá-la, sabemos como instalá-la e temos um alvo para você. É o metrô de Nova York porque acreditamos que há um mecanismo de ventilação que seria o veículo perfeito para espalhar o gás por uma grande rede".
E Zawahiri disse: "Não, não façam isso porque a retaliação pode sair do controle".
BBC – Então ele não pensou que seria errado fazer aquilo, colocar gás no metrô?
Dean- Ele parou a ação porque tinha medo de ramificações.
O disfarce de Aimen Dean teve um fim abrupto. Um escritor americano revelou sua identidade com detalhes que poderiam ter sido fornecidos apenas por Dean, há cerca de oito anos.

domingo, 1 de março de 2015

DO QUOTIDIANO  EU FAÇO CRÔNICAS – I
Por Eduardo Gosson(*)
JACINTO, UM HOMEM BOM

Para quem não sabe Jacinto é o meu barbeiro ou melhor dizendo o nosso barbeiro. Ele mora e corta cabelo lá  na Rua Juvino Barreto, próximo  ao restaurante do SESC, quase no lugar onde viveu o poeta Antonio Pinto de Medeiros. Jacinto tem uma particularidade que o distingue: ele corta os cabelos dos nossos homens  de letras e a sua cadeira é mais disputada do que as da Academia  Norte –Rio-Grandense de Letras. Na barbearia do seu Jacinto funciona uma pequena biblioteca de autores potiguares, sem burocracia. Vejamos os escritores que ajeitam o seu visual com Jacinto: Deífilo Gurgel (in memoriam). Tem vários livros autografados pelo nosso poeta e folclorista; Moacyr Cirne (in memoriam) foi uma indicação minha. Encontrei-me com o papa do Poema-Processo em plena Avenida Rio Branco e este me disse que gostaria de cortar o cabelo e aparar a barba com um barbeiro tradicional. Foi e gostou. Nunca mais deixou de ir; Eduardo Gosson, Ubiratan Queiroz, irmão da cineasta Jussara Queiroz, entre outros.
Mas o que mais chama atenção em seu Jacinto são três elementos: simplicidade, humildade e bondade. Quando vou até lá cortar os poucos cabelos que restam não dá mais vontade de ir embora. Seu Jacinto  ao contrário do poema de Luís Carlos Guimarães não é necessariamente funcionário publico, mas tem mulher, filhos (o3) e (05) cinco netos. E também não mora no Edifício Flor das Laranjeiras; seu Jacinto mora em nosso coração!
Viva o povo brasileiro!
(*)Eduardo Gosson é poeta. Presidiu a União Brasileira de Escritores – UBE (2008-2013)


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Ciência

Deutsche Welle.

Astrônomos descobrem buraco negro gigantesco

Gigantesco buraco negro localizado no centro de uma galáxia distante provavelmente surgiu logo após o Big Bang e pode ajudar a entender a origem e expansão do universo.
O imenso buraco negro que os astrônomos recentemente descobriram tem uma massa enorme, 12 bilhões de vezes maior que o Sol. Esse número é inimaginável para a maioria das pessoas. Uma outra formulação possível: por causa de sua massa gigantesca, esse buraco suga tudo o que se aproxima dele.
Como uma aranha sentada na teia, o buraco negro fica – como, aliás, a maioria dos buracos negros – no centro de uma galáxia. E suga tudo à sua volta: gás, poeira, estrelas, e com isso fica sempre maior. Pouco antes de esse material desaparecer para sempre, num redemoinho gigante na garganta do buraco, ele incandesce devido ao calor extremo, gerando luz.
Essa incandescência é enorme no caso desse novo buraco negro. Cientistas dizem que ele ilumina 420 trilhões de vezes mais do que o Sol. Disso eles concluem que esse buraco negro deve ter surgido no período inicial do nosso universo.
Pelos cálculos deles, o buraco negro deve estar a 12,8 bilhões de anos-luz da Terra. Isso significa que a luz que hoje é visível já percorreu, na verdade, 12,8 bilhões de anos. O que hoje podemos ver desse buraco negro é a sua condição há 12,8 bilhões de anos, quando o nosso universo tinha "só" 900 milhões de anos de existência.
Buracos negros de elevada massa, extremamente luminoso e que remontam aos primórdios do universo são chamados pelos astrônomos de quasares. Esse novo quasar pode desvendar alguns segredos. Por exemplo, como era pouco depois do Big Bang, como o universo surgiu e como ele se expandiu ao longo de milhares de anos.
A equipe internacional de cientistas liderada por Xue-Bing Wu, da Universidade de Pequim, teve sua descoberta publicada pela revista científica Nature.

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Links externos

Ciência

Álcool é 114 vezes mais letal que maconha, diz estudo

Em vez de focar na contagem de mortes, cientistas alemães comparam as doses mortais de cada substância com a quantidade consumida por uma pessoa comum. Na lista, cannabis é classificada como a droga mais segura.
Um estudo divulgado na publicação científica Scientific Reports, subsidiária da revista Nature, mostra que a maconha é 114 menos letal do que o álcool. A pesquisa procurou quantificar o risco de morte associado ao uso de várias substâncias tóxicas e descobriu que a maconha, proibida em tantos países é, de longe, a droga mais segura.
Em vez de focar na contagem de mortes, como em outras pesquisas, os autores do relatório compararam as doses letais de cada substância com a quantidade consumida por uma pessoa comum.
Os cientistas deixam claro que o uso de maconha "não é seguro", mas que estudos têm descoberto que o consumo da droga é "de fato mais seguro do que o do álcool".
Ao listar as drogas mais mortais, a maconha aparece no final da lista, enquanto álcool, heroína, cocaína e tabaco lideram. A maconha, inclusive, é a única que representa um risco de mortalidade baixo entre os usuários, apesar de não ser inexistente.
Os autores do estudo são os cientistas alemães Dirk W. Lachenmeier, de Karlsruhe, e Jürgen Rehm, de Dresden, mas atualmente diretor do Departamento de Pesquisa Epidemiológica e Social (SER) e do Centro de Dependência e Saúde Mental, em Toronto, no Canadá.
A pesquisa foi apoiada pela polícia do Colorado, o primeiro estado americano a legalizar a droga. Autoridades de segurança estadual comunicaram recentemente que durante o primeiro ano sob a nova legislação tudo transcorreu normalmente e que o trabalho policial ficou praticamente inalterado.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Devolução do imposto de renda sobre o abono de permanência dos técnicos da UFRN será em abril

(Sirleide Pereira – ASCOM-reitoria/UFRN

O valor do imposto de renda cobrado sobre o abono de permanência dos cerca de 890 servidores técnicos-administrativos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) será devolvido no contracheque de março, a ser pago em abril. A informação é da Diretoria de Administração de Pessoal da Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (DAP-PROGESP/UFRN).

Os cálculos estão sendo feitos pelo Setor e, como se trata de índices individuais, a primeira devolução se restringe aos meses de janeiro e fevereiro de 2015. Em seguida, a Coordenadoria de Pagamento do DAP vai calcular os valores correspondentes aos meses de setembro a dezembro de 2014.

O abono de permanência é um incentivo financeiro pago pelo governo federal aos que atingiram o tempo de aposentadoria, mas continuam na ativa. O desconto de impostos sobre o valor é legal, mas os servidores da UFRN ganharam, na justiça, o direito de cessar o recolhimento e receber o que já foi pago à Receita Federal.
Anos de chumbo

"Nostalgia da Luz" mistura história e astronomia para falar sobre os desaparecidos políticos no Chile

Filme em cartaz na Capital a partir desta quinta é dirigido por Patricio Guzmán, documentarista autor de obras referenciais sobre a ditadura militar de Augusto Pinochet

por Roger Lerina - zerohora.
26/02/2015 | 06h31
"Nostalgia da Luz" mistura história e astronomia para falar sobre os desaparecidos políticos no Chile IMS/Divulgação
Foto: IMS / Divulgação
Definições estritas não dão conta de Nostalgia da Luz (2010): o filme que entra em cartaz nesta quinta-feira hoje no Espaço Itaú 3 convida o espectador a flanar de um tema a outro, surpreendendo ao propor analogias que acabam conduzindo a narrativa rumo a territórios inauditos. Longe de causar desconforto, porém, essa derivação é justamente o maior atrativo do longa dirigido por Patricio Guzmán — um dos mais importantes documentaristas em atividade no mundo, realizador do monumental A Batalha do Chile.
Chileno radicado na França, o cineasta ganhou no recente Festival de Berlim o troféu de melhor roteiro e o Prêmio do Júri Ecumênico com o documentário El Botón de Nácar. (A boa fase do cinema chileno, aliás, também foi premiada na Berlinale com o Grande Prêmio do Júri, o segundo em importância do festival, para El Club, de Pablo Larraín.)
Melhor documentário do European Film Awards de 2010, Nostalgia da Luzcomeça como se fosse um documentário científico de canal de TV a cabo, mostrando telescópios, observatórios astronômicos e estrelas. Já de partida, no entanto, a narração de Guzmán propõe caminhos paralelos ao acrescentar lembranças pessoais e comentários sobre o golpe que mergulhou o Chile nas trevas a partir de 1973.
Aos poucos, as conexões vão se esclarecendo: graças a características como a baixíssima umidade do ar, o deserto do Atacama é um dos melhores lugares do planeta para o acompanhamento dos astros no céu; o isolamento da região também serviu para os militares criarem um campo de prisioneiros durante a ditadura, aproveitando as instalações de uma mina de salitre abandonada.
O filme mostra que, ao lado de sofisticadas instalações que perscrutam galáxias em busca dos mistérios sobre a origem do universo, mulheres esquadrinham pacientemente a imensidão desértica atrás de pistas e fragmentos de ossos que possam indicar o paradeiro de maridos e parentes desaparecidos políticos, que podem estar enterrados em valas comuns.
Costurando depoimentos de astrônomos, arqueólogos e ex-prisioneiros do regime militar, Nostalgia da Luz liga os pontos: tanto o estudo dos corpos celestes quanto a busca pelos corpos dos entes queridos são maneiras de interrogar a memória e o passado — um anátema para muitos chilenos, que preferem deixar a história recente do país enterrada.
Com rara sensibilidade poética, Guzmán transcende o mero panfleto e adensa sua obra com questionamentos existenciais e metafísicos, sem nunca esquecer o contexto político-social.
Como os mais recentes documentários da cineasta belga Agnès Varda, Nostalgia da Luz é um filme-ensaio — um tipo híbrido de cinema que mistura investigação, autobiografia, poesia, documentário, divagação e até drama.
Falando à imprensa chilena sobre El Botón de Nácar, em que entrelaça o extermínio de indígenas no sul, os desaparecimentos políticos e a enorme extensão costeira de seu país, Guzmán forneceu uma chave de leitura também para Nostalgia da Luz: "Me interessa muito a geografia chilena e creio que se podem fazer metáforas por meio desses elementos. O que mais me interessa é a memória. Me interessa lutar contra a amnésia do Chile, o desejo de aparentar ser um grande país, o que também é, mas onde as diferenças sociais são enormes". 
Cinco filmes sobre a ditadura militar no Chile
No (2012)O diretor Pablo Larraín, encena o início do fim da ditadura de Augusto Pinochet, quando foi realizado um plebiscito para decidir pela continuidade ou não do regime militar
Rua Santa Fé (2007)
Carmen Castillo conta a história de seu marido, um líder sindical assassinado pelos militares, e destaca episódios da resistência popular sufocados pela repressão
Machuca (2004)
Andrés Wood destaca um menino pobre que vai estudar em escola de elite durante o governo Allende e testemunha as mudanças decorrentes do golpe que levou Pinochet ao poder
Desaparecido: Um Grande Mistério (1982)Mestre do cinema político, Costa-Gavras mostra a saga de um pai americano (Jack Lemmon) que busca pelo filho desaparecido  no 11 de Setembro chileno e descobre a participação da CIA no golpe
A Batalha do Chile (1975 – 1979)Aclamado projeto em três partes no qual Patricio Guzmán passa em revista o processo político e social que o Chile viveu nos momentos anteriores e posteriores ao golpe de 1973

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Curso de Desenvolvimento de Sistemas do Campus Macaíba é reconhecido com nota máxima pelo MEC

(Sirleide Pereira – Ascom-reitoriaa/UFRN)
Fotos: Cícero Oliveira

O Curso de Análises e Desenvolvimento de Sistemas, do Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em Macaíba, foi reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) com o conceito 5. Isso significa a nota máxima atribuída pelas avaliações do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa (INEP/MEC).  

Três argumentos justificam o conceito alcançado pelo curso: a qualidade do projeto pedagógico, motivador para docentes e discentes desenvolverem soluções computacionais para a área de ciências agrárias, conforme o relatório oficial dos avaliadores. Os avaliadores do INEP destacaram, também, a articulação ensino/pesquisa e extensão e o corpo docente, esse último considerado “adequadamente qualificado, com a maioria de doutores (seis doutores, três mestres e um especialista)”.  

Histórico
Ofertado pela Escola Agrícola de Jundiaí, na região Metropolitana da Grande Natal, o curso entrou em funcionamento em 2012, ofertando 40 vagas anuais em turno integral, com entrada única pelo Sistema de Seleção unificada (SiSu).

Sob a coordenação da doutora Laura Emmanuella Alves dos Santos Santana de Oliveira, o curso está organizado em regime seriado semestral, com 06 (seis) semestres letivos, com uma carga horária total de 2.295 horas. Os 10 docentes trabalham integrados aos demais cursos da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), como Zootecnia, Engenharia Florestal e Engenharia Agronômica. 







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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Universidade europeia propõe parceria para pós-graduação

(Wilson Galvão – ASCOM – Reitoria/UFRN - Fotos: Cícero Oliveira)

A reitora em exercício da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Maria de Fátima Freire de Melo Ximenes, recebeu na manhã desta quinta-feira, 12, a vice-reitora da Universidade Aberta de Portugal, Carla Padrel.

O objetivo da reunião foi a proposição de um acordo para que docentes da UFRN tenham a possibilidade de se pós-graduar na área de educação à distância pela instituição europeia. “O ponto inicial desta parceria é a qualificação do quadro docente neste campo específico, algo em torno de 30 educadores. Entretanto, queremos expandir para outras áreas esta possibilidade de capacitação à distância e on-line”, colocou a secretária adjunta da Secretaria de Educação à Distância (SEDIS), Ione Rodrigues Diniz Morais.

Além dela, estava presente o Secretário de Relações Internacionais (SRI), Márcio Venício Barbosa. A Universidade Aberta (UAb) foi criada em Dezembro de 1988, sendo a primeira  instituição pública de ensino universitário a distância existente em Portugal.

Vice Reitora Universidade Aberta de Portugal_12Fev15_Cícero Oliveira BR6.jpg
91% dos municípios tiveram todas as vagas preenchidas na 1ª chamada. Das 1.294 cidades que aderiram ao Programa, 1.181 atraíram profissionais para ocupar integralmente a demanda disponível.
A demanda de 91% dos municípios que aderiram ao novo edital do Programa Mais Médicos foi integralmente atendida já com a primeira chamada de médicos com CRM Brasil. Dentre as 1.294 cidades, 1.181 conseguiram atrair profissionais para suprir 100% das vagas disponíveis no novo edital, lançado em janeiro. Outras 46 tiveram a solicitação parcialmente atendida e 67 municípios ainda não conseguiram atrair nenhum médico. Destas, 30 cidades não foram escolhidas por nenhum profissional dentre as quatro opções disponíveis. Apenas um, dos 12 Distritos Indígenas, não preencheu todas as vagas.

Das 4.146 opções disponíveis para os médicos, 3.936 já foram ocupadas. Ao todo, 1.227 cidades e 12 DSEIs atraíram médicos para ocupar integral ou parcialmente as vagas nas unidades básicas de saúde. Cerca de 50% (605) dos municípios escolhidos estão dentro do critério de vulnerabilidade social e econômico, como as cidades com 20% de sua população em extrema pobreza, com IDH baixo e muito baixo, localizadas no semiárido, Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Ribeira e nas periferias de capitais e regiões metropolitanas. Também foi garantida expansão para os distritos indígenas. [Portal Saúde > Saiba mais]

- Confira aqui dados da primeira chamada

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O pavor do homem diante das extremidades.

Por Flávio Rezende*
 
Quase todos nós vivemos uma existência que pode ser rotulada de normal. Ao longo de nossas vidas vamos cumprindo ritualmente as passagens comuns de paparicação, estudos, trabalhos, reprodução, envelhecimento, doenças e morte.
 
Um ou outro tem em suas andanças coisas bem radicais como viver perigosamente e confrontar a morte ou estágios avançados de evolução espiritual. Como disse, esses são poucos.
 
Nessa vida quase de gado, como um cantor já revelou tempos atrás, tendemos a existir no caminho do meio, sem problemas muito complicados e sem alguns êxtases desejados, lembrando que as referências do presente escrito não levam em conta questões financeiras e nem correlatas.
 
Essa navegação humana por caminhos nem tão espinhosos e nem tão floridos, possibilita um fluxo normal de seres em passagem expiatória por este mundo material, com cada individualidade cumprindo sua sina e, imprimindo a sua história, as conquistas ou débitos que naturalmente temos devido a nosso DNA cósmico.
 
Ao se aproximar dos extremos saímos dessa navegação mais tranquila e suave e passamos a experimentar picos de adrenalina que podem ser do bem ou do mal. Seja para um lado ou para o outro, o homem quando está diante do extremo, sente certo pavor e toda sua estrutura físico-química muda, com o interno buscando elementos que possuímos para fazer frente a novidade, e o emocional em estado de choque tentando entender a situação.
 
No caso negativo isso pode ocorrer na iminência de um acidente de trânsito, diante de um bandido armado, numa briga mais barra ou sabendo de uma notícia bem negativa. Ficamos paralisados, trêmulos, pernas bambas, coração dispara, desmaios podem ocorrer, confusão mental, enfim, o extremo negativo desestrutura o ser e, nesta situação, não conseguimos sobreviver muito tempo. É preciso se restabelecer. Continuar muito tempo assim, é morte certa.
 
Mas situações desconfortáveis também acontecem diante do extremo positivo. Quem tem familiaridade com relatos místicos, textos religiosos ou metafísicos, já leram que alguns seres evoluídos foram indo, seguindo em seus caminhos ascendentes até que diante de suas divindades, tremeram, não conseguiram olhar, ficaram cegos diante da luz, tímidos, sem voz, envergonhados e muitos voltaram ao plano normal sem conseguir dar prosseguimento a essa vivência espiritual profunda.
 
Que leitura podemos fazer deste confronto do ser comum - qualquer um de nós, com altos representantes do mundo espiritual? Que vacilo é esse? Por qual motivo poucos conseguem abrir os olhos e se fundir na energia divina que o encontro proporciona?
 
Não sei a resposta mas identifico isso em pequenos detalhes em meu cotidiano. Como dirigente de uma organização não governamental lisa, que vive constantemente pedindo recursos para continuar suas ações humanitárias, percebo claramente que muitas pessoas temem a proximidade com as coisas do bem. No meu caso, sou mais ajudado por pessoas que não conheço, do que por milhares e milhares que conheço e que até elogiam o trabalho, mas não concretizam o que seus lábios proferem, em forma de ajuda concreta.
 
Vejo em minhas reflexões que as pessoas preferem ajudar aquelas entidades em que elas muitas vezes não conhecem seus dirigentes mais a fundo, preferindo manter certa distância. Na ONG que atuo já realizei muitos e muitos eventos e convidei todos os amigos e familiares. Conto nos dedos das mãos os que foram. Sinto então que as pessoas temem essa proximidade com o bem, temem se comprometer de alguma forma, preferindo a distância.
 
Podia aqui citar muitos e muitos exemplos de como fico isolado neste ato de tentar apoio para o projeto que realizo, de como é difícil ver meus milhares de conhecidos, amigos e parentes, não prestigiando os acontecimentos, não ajudando financeiramente, não doando nada, apenas para não estar perto, pois sei que são pessoas de bem.
 
Finalizo então deixando essa reflexão. Somos seres do meio, que encontram neste setor a tranquilidade que não apavora. Se para baixo as pernas tremem diante da morte iminente, para cima, para o bem, também não queremos muita conversa, não é um espaço que nos deixe tão confortáveis assim, daí muitos terem uma filosofia ativa de elogios e uma prática morna de ações concretas.
 
Diante da percepção que boas amizades e milhares de amigos não movem os moinhos da caridade e da fraternidade que me propus a realizar e que venho tocando há muitos e muitos anos, estou caminhando para passar o bastão e continuar ajudando de maneira mais livre, sem o peso de uma entidade e os compromissos diários de um dirigente.
 
Por enquanto continuo acreditando em dias melhores e sonhando em ganhar na loteria para deixar os amigos em paz e tocar sozinho o projeto social. Nada mais humano que sonhar, pois nossa divindade anda distante e envolvida na névoa cotidiana de nossos egos imperfeitos.
        
*É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 2/11/2015 07:06:00 PM