O jovem que passou do pior vendedor de telefones a guru da tecnologia
- Há 3 horas
"Antes de começar tinha imposto uma meta de dobrar meu salário básico, mas o único problema era que eu tinha que trabalhar. Os celulares estavam no auge, mas isso não era o que eu queria. Não consegui fazer nenhuma venda sequer."
O chefe logo se cansou da falta de rendimento do funcionário. "Fora do escritório e não volte até que consiga fazer uma venda!", disse o chefe a Heavens.
"Assim que entrei no carro comecei a chorar. Liguei para a minha mãe e falei que eu era um inútil, que tinha que deixar de trabalhar naquilo."
Apesar da crise de choro, Heavens decidiu ficar no emprego e criou uma estratégia para conseguir vender telefones.
E hoje Jacy Heavens é o fundador e presidente da Epos Now, uma das empresas com crescimento mais rápido na área de tecnologia na Grã-Bretanha.
Segurança econômica
Em 2004 o trabalho de Heavens era muito simples: ele fazia telefonemas, um atrás do outro, para tentar vender celulares para empresas e sempre recebia um não como resposta.O jovem então percebeu que a razão de nenhuma empresa estar interessada no que ele vendia era que ainda faltava muito para o fim dos contratos que já possuíam com empresas de telefonia celular.
Então, ao invés de tentar vender telefones, Heavens começou a perguntar para as empresas quando seus contratos iam acabar.
Assim ele começou a fechar muitas vendas.
"Na lista dos empregados que mais vendiam eu estava na posição 500 entre 500 pessoas. Mas quando comecei com minha estratégia, de repente passei para o 200º lugar e depois para o 50º e, em pouco tempo, acabei virando o número um", contra o empreendedor.
Vendo o sucesso do jovem, uma empresa de telefonia celular de Londres ofereceu um emprego e, quando chegou na cidade, Heavens continuou aumentando as vendas e começou a receber comissões.
Com tanto sucesso na capital britânica, ao completar 24 anos ele tinha "segurança financeira suficiente" para comprar uma Ferrari.
Apesar disso, dois anos depois Heavens decidiu abandonar o mundo das vendas.
"Estava um pouco queimado. Decidi voltar para Norwich e simplesmente relaxar."
"Tinha chegado ao topo nas vendas. Consegui tudo o que poderia conseguir. Então pensei em abrir um bar com um amigo", contou.
Oportunidade
"Mas o maior problema chegou quando começamos a ganhar dinheiro. Fizemos as contas e aí nos demos conta de todos os custos: fornecedores, telecomunicações, banda larga, produtos de limpeza etc."
Foi então que ele descobriu que precisava de um ponto de venda eletrônico. Um sistema informatizado que, em geral, tem uma tela sensível e o software permite que pequenos comerciantes comprovem facilmente quais são seus lucros e gastos.
Heavens pesquisou o preço do que já existia no mercado para atender aos comerciantes e achou tudo muito caro para ele e para outros, cerca de US$ 8 mil (quase R$ 26 mil).
Neste momento ele viu uma oportunidade de negócios: produzir uma versão sistema por menos de um quarto do preço.
E, para isso, Heavens vendeu a Ferrari, voltou a hipotecar sua casa e decidiu entrar no mercado de pontos de venda eletrônicos.
Assim a Epos Now nasceu em Norwich em 2011 com hardware importado da China.
As vendas foram um sucesso.
Mas nem tudo foi tranquilo. Há um ano o negócio enfrentou um grande problema quando seu fornecedor de software abandonou a empresa.
A Epos Now teve que encontrar e contratar seu próprio especialista imediatamente para continuar no ramo.
"Ninguém sabe se vai ter sucesso (quando começa um negócio), mas é preciso se comprometer e superar qualquer problema", afirmou Heavens.
Faturamento
De acordo com Heavens hoje a Epos Now fatura US$ 2,6 milhões por ano (cerca de R$ 73,4 milhões). O produto já entrou nos mercados da Alemanha e Estados Unidos e a empresa abriu escritório em Orlando, na Flórida.Mas o jornalista especializado em tecnologia Adrian Marte alerta que empresas como a Epos Now precisam encarar um número cada vez maior de competidores no setor, que oferecem seus produtos a um preço mais baixo, devido as grandes quedas de preços do hardware.
Heavens, por sua vez, confia na empresa e já declarou que ela deve chegar a um faturamento anual de US$ 133 milhões em cinco anos (mais de R$ 432 milhões).
"Todo mundo está me oferecendo dinheiro para comprar a empresa. No ano passado tive uma oferta de US$ 66,5 milhões (mais de R$ 216 milhões)."
"Mas não faço isso por dinheiro, faço porque é divertido. Gosto das negociações e de fechar acordos", acrescentou o em

