segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

HISTÓRIA

dw.de

O alemão que mapeou o Brasil

Há dois séculos, Carl von Martius chegou ao país junto com a imperatriz Leopoldina. Partiu após três anos, deixando como legado um meticuloso levantamento da flora brasileira: o maior já realizado até hoje.
Ausstellung Carl Friedrich Philipp von Martius - Lithografie Brasilien (Moreira Salles Institut)
Von Martius retratou as paisagens em litografias, compiladas na obra "Flora brasiliensis", até hoje uma referência
Há 200 anos, Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) chegava ao Brasil como um dos integrantes da Missão Austríaca – que acompanhava a imperatriz Leopoldina por ocasião de seu casamento com dom Pedro 1º. A aventura do jovem botânico alemão, que percorreu mais de dez mil quilômetros por um Brasil inóspito, marcaria um dos mais importantes momentos para o conhecimento da flora nacional até então exótica e inatingível no imaginário mundial.
Carl Friedrich Philipp von Martius (public domain)
Von Martius ajudou a decifrar o Brasil
Durante os três anos em que passou no país (entre 1817 e 1820), Von Martius fez um meticuloso levantamento da flora brasileira – o maior já realizado. E a partir deste estudo, ele dividiu o Brasil em cinco biomas (Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Selva Amazônica e Pampas), uma divisão usada até hoje.
Para marcar a data, foi aberta no último fim de semana, no Instituto Moreira Salles (IMS), no Rio, a exposição "O mapa de Von Martius ou como escrever a história natural do Brasil". A exposição tem justamente como ponto de partida o mapa criado em 1858, em que o botânico propõe uma divisão regional para o país a partir dos biomas detalhados em sua expedição.
"Von Martius não foi o único a fazer uma proposta de regionalização do Brasil, mas teve essa visão de tentar compreender o território todo", explica a coordenadora de iconografia do IMS e curadora da exposição, Julia Kovensky. "Com o levantamento das plantas, ele visualizou esses grandes conjuntos, definiu biomas, e transferiu isso para uma divisão territorial do país."
Ausstellung Carl Friedrich Philipp von Martius - Lithografie Brasilien (Moreira Salles Institut )
Cachoeira do Rio São Francisco, chamada então de Paulo Afonso (c.1840)
Em companhia do zoólogo Johann Baptist von Spix, Von Martius fez expedições pelas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, colhendo e catalogando uma vasta quantidade de espécimes vegetais. Ele retratou as paisagens em litografias, compiladas na obra Flora brasiliensis (até hoje uma referência), reunindo 20 mil espécimes vegetais em 40 volumes. A exposição reúne 50 dessas paisagens, além do mapa.
"Estamos apresentando um pequeno conjunto de obras do primeiro volume da Flora brasiliensis, que são dedicados às paisagens brasileiras com as plantas inseridas", explica Julia. "São litografias com paisagens de diferentes regiões do Brasil, além do mapa com os biomas e algumas obras complementares."
Ausstellung Carl Friedrich Philipp von Martius - Lithografie Brasilien (Moreira Salles Institut )
As árvores que nasceram antes de Cristo na floresta às margens do Rio Amazonas (c.1840)
O mapa dá um pouco da dimensão da aventura de se lançar pelo interior do país naquela época, até a região da atual fronteira com a Colômbia, saga relatada pelo naturalista nos três volumes do livroReise in Brasilien ("Viagem pelo Brasil"), publicado entre 1823 e 1831. O trabalho vai além da questão da flora e retrata um país em transformação, que se tornara a capital do Império português poucos anos antes e se abria para o mundo.
 "Ele tinha um grande interesse por ciências naturais, mais especificamente por botânica", conta Júlia. "Mas, como muitos outros homens de sua época, tinha uma visão muito ampla e atuou em diferentes frentes."
De acordo com a historiadora Iris Kantor, da Universidade de São Paulo (USP), que também participou da curadoria da exposição, o levantamento feito por Von Martius produziu uma imagem do Brasil que até hoje está incorporada ao imaginário das elites. Para ela, analisar criticamente essa imagem é um desafio importante para compreender o país.
Ausstellung Carl Friedrich Philipp von Martius - Lithografie Brasilien (Moreira Salles Institut)
Floresta que sombreia as encostas das montanhas da Serra dos Órgãos, na Província do Rio de Janeiro (c.1840)
"Ele foi sem dúvida um dos pais fundadores da historiografia brasileira e de uma certa maneira de se fazer história", afirma Iris.
Em 1843, de Munique, Von Martius encaminhou uma proposta de como se deveria escrever a História do Brasil para um concurso organizado pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Seu programa de estudos incluía, pela primeira vez, a incorporação da participação popular na grande narrativa sobre a formação da nacionalidade.
"Assim, além dos indígenas e dos portugueses, ele sugeria a inclusão das populações de origem africana", diz Iris. "Algo muito atual como, por exemplo, o estudo da história do tráfico negreiro e das feitorias portuguesas no continente africano. Ele também chamou a atenção para a necessidade de investigar os mitos e tradições indígenas, por meio da incorporação da documentação oral."
A exposição no IMS pode ser vista até 16 de abril.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

03/02/2017 11h22 - Atualizado em 03/02/2017 12h20

Após banhistas invadirem Morro do Careca, fiscalização é reforçada

Placas de sinalização e câmeras de monitoramento foram instaladas. 
Invasão contribui para erosão da duna e perda de vegetação.

Do G1 RN
 Novas placas de sinalização são instaladas no Morro do Careca (Foto: Divulgação/Idema )Novas placas de sinalização são instaladas no Morro do Careca (Foto: Divulgação/Idema)
Mesmo sendo proibido, pessoas continuam a subir no Morro do Careca, cartão-postal de Natal. Por ser uma área de proteção ambiental desde 1997, não é permitido a circulação de pessoas no local para evitar a erosão da duna e a deterioração da vegetação. Junto à campanha de preservação do Morro do Careca, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) instalou novas placas que sinalizam a proibição do acesso ao morro.
Ao todo, foram recolocadas seis placas que destacam também as penalidades para quem desobedecer a decisão judicial que proíbe a subida no Morro do Careca desde 2004.“Queremos sensibilizar as pessoas para a importância de preservar o Morro do Careca e orientá-las quanto a proibição de subir no local, por isso instalamos novas placas com mensagens mais claras e objetivas, além da realização da campanha de sensibilização que acontece neste mês de fevereiro”, disse o diretor administrativo do Idema, Marcelo Gurgel.
Três equipes de voluntários do Idema trabalham na orla da praia de Ponta Negra repassando informações sobre o cartão postal de Natal, distribuindo sacolas de lixo biodegradáveis, colagem de adesivos nas mesas, carros e barracas. A campanha “Não suba no Morro, preserve!” acontece durante esse mês de fevereiro e conta com cerca de 40 voluntários, divididos em três equipes que atuam de terça a sexta-feira, das 8h30 às 11h30.
Esse ano a fiscalização do morro, que já é feita por policiais da CIPAM, foi intensificada por meio de câmeras de monitoramento.
“Assumimos o compromisso de intensificar o monitoramento no morro através das câmeras do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), principalmente na maré baixa, onde aumenta o cometimento do crime ambiental naquele local. Sendo identificado o infrator, o Ciosp registrará uma ocorrência e encaminhará a Companhia Independente de Proteção Ambiental ou na ausência da mesma, a outra unidade mais próxima”, explicou o major Júlio César Vilela, coordenador do Centro.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A vida é uma viagem.


Você já leu isso antes: a vida é uma viagem. Mas não é sobre um chavão que eu gostaria de conversar. Viver, de fato, é um contínuo caminhar e desvendar paisagens. Mas o ponto não é exatamente o caminhar e sim como caminhamos, o que inclui a maneira como construímos internamente caminhos e cenários a partir de um olhar e de um propósito.

A vida pode ser uma viagem, mas as cores, a profundidade, os brilhos e contrastes dizem respeito ao modo como nos movemos sobre a Terra.

É possível considerar nossas viagens de uma perspectiva espiritual. O filósofo e teólogo hesicasta Jean-Yves Leloup aponta-nos com precisão: existe uma maneira de caminhar que nos faz turistas, outra que nos leva a ser andarilhos e outra ainda que nos torna peregrinos. Talvez seria isso uma espécie de espiral evolucionista do caminhante, mas não se trata de contrapor uma maneira à outra.

O turista, diz Leloup, é aquele que caminha sobre a crosta do planeta. Permanece na avidez por quilometragem, no consumo de prazeres e no contato superficial com paisagens, situações e pessoas. O andarilho aprofunda  a experiência do caminhar e busca a seiva, almeja entrar no movimento do universo e tornar-se pleno com os odores da natureza, as mensagens da vida. Caminhar como peregrino exige um refinamento maior, na intenção de se estar próximo do sopro, da essência que está na seiva e é o sustentáculo último da seiva, da árvore, da crosta.

Um estágio pode levar ao outro para, no final, percebermos a realidade de que caminhamos sobre uma terra que se torna sagrada ou profana a partir da qualidade que imprimimos ao nosso caminhar. A viagem é plena quando nos leva para dentro, quando desvela  nossas paisagens internas, quando nos coloca diante da Presença.

É ainda Leloup quem nos recorda que a sabedoria de Lao Tsé pode ser aplicada aos nossos ímpetos viajeiros. Segundo o sábio do Tao, podemos dar a volta ao mundo sem dar um único passo para fora de nós. Ou seja, podemos levar conosco o mesmo olhar, as mesmas projeções, os mesmos preconceitos e, assim, nada vermos.

Se isso acontece, certamente, falta-nos a inspiração  de Carlos Castañeda para a viagem contínua da vida: “Não importa o caminho, importa se esse caminho tem um coração”. Falta-nos ainda a abertura surgerida pelo Eclesiastes: “Vai onde o teu coração te leva”. O olhar e o propósito devem corresponder ao nosso coração, nossa aspiração mais profunda, não a padrões aprisionantes. Caminhar sem coração é seguir um caminho que nos é imposto, do qual não conseguimos desfrutar.

Talvez por isso, quem sabe, deixo-me banhar pela suavidade dessas reflexões, enquanto aguardo o embarque para Roma, no aeroporto de Guarulhos, quando o pragmatismo e o próprio instinto poderiam angustiar-me neste momento em que a terra  treme na Itália central  - onde peregrinarei, solitário, pelos caminhos de Francisco de Assis -, hotéis desabam e avalanches soterram turistas.

Meu coração diz: vá! Não há lógica: vá! Só há esperança:  vou e espero voltar.

Assembleia Legislativa do RN retoma atividades parlamentares nesta quinta-feira

Crédito da Foto: Eduardo Maia

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte inicia na quinta-feira, 2 de fevereiro, às 9h30min, os trabalhos legislativos para o ano de 2017, após o recesso regimental da Casa. O recesso parlamentar tem base no artigo 57 da Constituição Federal e segue padrão regimental do Congresso Nacional. O primeiro ato que marca o retorno das atividades parlamentares é a tradicional revista às tropas da Polícia Militar, feita pelo presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira (PSDB) em frente à sede do Legislativo.

Logo após, às 10h30min, terá início a Sessão Solene de instalação dos trabalhos da 2ª Sessão Legislativa da 62ª Legislatura. O ato formal será seguido de realização de Sessão Ordinária, com a presença dos 24 deputados estaduais, incluindo a recém-empossada a deputada estadual Larissa Rosado (PSB), que assumiu a vaga com a saída do parlamentar Álvaro Dias (PMDB).

Após a abertura formal do ano legislativo, as sessões ordinárias e solenes, audiências públicas e comissões parlamentares da Assembleia Legislativa voltam a funcionar normalmente de acordo com o horário regimental. No caso das sessões ordinárias feitas em Plenário, acontecem todas as terças, quartas e quintas às 10h30min e as reuniões das comissões ocorrem todos os dias da semana, de acordo com a agenda.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A cosmovisão do Contador

Tomislav R. Femenick – Contador e mestre em economia, com extensão em sociologia e história

Durante o exercício profissional de auditor e consultor contábil, fui Diretor Adjunto da Deloitte/Revisora e da Campiglia Auditores, oportunidade em que convivi com dois dos maiores pensadores da contabilidade no Brasil, os professores Hilário Franco e Américo Osvaldo Campiglia.
Com o primeiro aprendi, principalmente, o conceito e o porquê das Ciências Contábeis dividirem em compartimentos estanques os seus registros (direitos, deveres, bens, recursos, receitas e despesas) e também como esses conjuntos se interligam e se juntam para formar um todo, que resulta no balanço e, dele derivado, as funções analíticas e gerenciais assumidas pela Contabilidade moderna. O segundo me fez ver que os valores contábeis extravasam as comportas das Ciências Contábeis e invadem os campos da economia, da administração e da sociologia, numa abordagem holística que visa o entendimento integral dos fenômenos (atos e fatos) endógenos, originados no interior da entidade – a empresa, órgãos governamentais e organismos da sociedade civil.
Aqui está o divisor de águas que separa o antigo guarda-livros do contador do século XXI. Aquele era um profissional que tinha a função de fazer, em livros mercantis, o registro das transações e dos negócios da empresa. Sua função era como as de alguns escreventes de cartório, que apenas registram o que lhes apresentam, eventualmente dando um “vista d’olhos” sobre o objeto do registro. Atualmente o Contador (não mais o simples guarda-livros) há de ter uma ação mais ampla, que vai além do simples lançamento dos atos e fatos, visando cumprir exigências legais. Não bastar tornar manifesto o estado da organização em determinada data, através dos demonstrativos financeiros anuais; uma posição tão estática tal como uma fotografia que capta uma imagem de um determinado momento.  Há de ter uma visão dinâmica, gerencial, que evidencie as tendências de caminhos da entidade e apontar os acertos e falhas de sua administração. Para isso faz uso de vários instrumentos da própria Contabilidade e de outras ciências, tal como os indicadores analíticos de alavancagem, endividamento, prazos médios de compra, venda, estocagem e, não menos importante, do Orçamento Empresarial.
Todavia, há obstáculos a serem transpostos. Alguns gestores dessas instituições formam uma das correntes mais fortes, pois, não importa seu nível de escolaridade, entre eles predomina o espírito do voluntarismo empreendedor, do capitão dos negócios, do desbravador de fronteiras da indústria, do comércio e de outros setores. Esses empresários não anteveem a importância das variáveis que a Contabilidade pode lhes indicar. E ainda existem aqueles que pensam que ao setor contábil cabe apenas atender às exigências das Leis fiscais, trabalhistas e societárias. No mais das vezes a visão desses “empreendedores” ainda veem seus negócios como uma grande aventura, a lá Indiana Jones. E não pensem que são somente os pequenos e micros empresários que ainda assim pensam. Há também dirigentes de grandes organizações que raciocinam desse jeito arcaico e torto. Já tive oportunidade de ter contato com grandes empresas que seguem essa decadente forma de administrar seus negócios – siderúrgicas, construtoras etc., cujas sedes estão espalhadas por vários Estados do país.
 Essa conduta estranha é compartilhada por pessoas de todos os gêneros e cores. Há executivas, afrodescendentes e asiáticos que igualmente põem sua vontade pessoal acima dos interesses das empresas que dirigem. Portanto não há origem social na tipificação desse modo de agir, de se portar. Há, isso sim, um individualismo exacerbado. Um exemplo disso foi o comportamento dos gestores de uma empresa mineira que quiseram alterar meu relatório porque o resultado lhes desagradava.
Aos contadores cabe revidar, propondo e impondo a realidade e a legislação que esteja em conformidade com a natureza de cada empresa, órgão ou instituição.

Tribuna do Norte. 05 jan. 2017

Os celulares nos quais o WhatsApp não funcionará mais neste ano


  • BBC de Londres -

  • 3 janeiro 2017
Arte do WhatsAppImage copyrightPA
Image captionO aplicativo de mensagens instantâneas vai parar de funcionar em vários sistemas antigos até junho de 2017
Se você usa o WhatsApp, mas não costuma atualizar com frequência o sistema operacional do seu celular, é bom fazer isso logo: em 2017 o aplicativo de mensagens instantâneas vai parar de funcionar em vários sistemas antigos.
O aplicativo anunciou que quer se dedicar "às plataformas de telefones móveis usadas pela grande maioria das pessoas".
Atualmente, o WhatsApp é usado por mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.
Com a chegada do novo ano, porém, deixou de ser compatível com as plataformas Android 2.1, Android 2.2, iPhone 3GS/iOS 6 e Windows Phone 7.
Já os sistemas operacionais BlackBerry, BlackBerry 10, Nokia S40 e Nokia Symbian S60 só vão continuar sendo compatíveis com o aplicativo até o dia 30 de junho de 2017.

De olho no futuro

"Estas plataformas foram muito importantes na nossa história, mas já não têm a capacidade necessária para expandir as funções do nosso aplicativo no futuro", explicou o WhatsApp em fevereiro do ano passado, quando fez o primeiro anúncio da mudança.
Telefones BlackBerry
Image captionQuando o WhatsApp surgiu, em 2009, 70% dos celulares vendidos eram Blackberry ou Nokia. Mas esse quadro mudou com o passar dos anos
"Se você tem algum dos celulares com os sistemas citados, sugerimos que compre um modelo Android, iPhone ou Windows Phone mais recente antes que 2016 termine, para que possa continuar usando o WhatsApp", foi a recomendação feita à época.
O aplicativo lembrou que quando surgiu, em 2009, "cerca de 70% dos smartphones vendidos tinham sistemas operacionais do BlackBerry e da Nokia".
Mas hoje os sistemas oferecidos por Google, Apple e Microsoft representam 99,5% das vendas do setor.
E a maioria dos sistemas operacionais que vai perder o WhatsApp já não é instalada em novos telefones nem atualizada pelas suas companhias.

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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Casa de Saúde Natal fará 50 anos.

Homenagem póstuma ao Dr. Severino Lopes

No final da tarde de ontem, “Lógico Cursos Aliados”, estabelecimento de ensino que funciona em Natal à rua Alberto Maranhão, 942, na preparação de candidatos ao Vestibular, prestou uma significativa homenagem póstuma ao médico e Professor Severino Lopes da Silva.
Foi inaugurado um espaço denominado “Centro de Convivência Dr. Severino Lopes”, justamente no imóvel que durante anos serviu de residência ao homenageado e sua família (foto) O professor João Maria Fraga, um dos diretores do colégio, justificou o evento, ressaltando que o Dr. Severino Lopes da Silva era um idealista. Fundou em 1955, a Clínica Heitor Carrilho, a primeira instituição estadual a prestar assistência a crianças excepcionais, instalando sub-sedes em Mossoró e Caicó.  A Clínica Heitor Carrilho  significou a primeira semente das APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais)  no RN. Posteriormente, foi o criador da Casa de Saúde de Natal, que este ano completa 50 anos de prestação de serviço à população do Estado. No magistério, ensinou na Escola Normal de Natal e na UFRN, tendo sido o fundador da cadeira de “Medicina Legal” e titular de “Psicologia médica”.
Severino Lopes era um desportista. Jogou e presidiu o “Alecrim Futebol Clube”, a sua paixão.
A placa comemorativa do “Centro de Convivência” foi inaugurada pela sua dedicada esposa, Isabel Lopes, presente à solenidade, ao lado de filhos, netos e familiares (fotos a seguir).
Post scriptum – Por ser primo de Severino Lopes sou suspeito de falar sobre ele. Repito apenas a frase de Bertolt Brecht: “Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, há os que lutam toda a vida. Esses são os imprescindíveis”. Severino está entre aqueles que lutaram toda a vida! 
A placa inaugurada
Coral de jovens assistidos pela APAE-RN
A esposa dedicada, Dra. Isabel Lopes, descerra a placa do Centro de Convivência Severino  Lopes
Platéia
Familiares
Fonte: 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016



A República das Melancias
Tomislav R. Femenick – Mestre em economia, com extensão em sociologia e história.

A pesquisadora Célia Caldas, pós-doutorada pela Universidade de Jönköping, na Suécia, usando elementos da física quântica, explicar que “todo átomo é composto de 99,9% de espaço vazio e as partículas que se movem neste espaço são feixes de energia que carregam informação. [Por cauda disso] Cada célula é consciente de como você pensa e como se sente”. Se isso é verdade, só nos resta acreditar que no Brasil de hoje há uma crise de conectividade entre as informações que as células possuem. As nossas autoridades parecem que se blindaram contra qualquer espécie de consciência. O que a elas interessa é tão somente aparecer na mídia, ser notícias, nem que para isso sejam objetos de ridículo e da execração pública. O recato desapareceu, a cautela sumiu, a moderação se escafedeu.
O Congresso Nacional é o palco maior dessa tragicomédia verde-amarelo. Lá cada ator é um arlequim, um bufão sem graça, um farsante, se não um palhaço sem medo de assim ser. Termos os bolsonaros, os jeans willys, os caiados, os renans, os maias e toda a tropa de choque da esquerda, com os lindbergs, os fátimas, as gleisis e companhia. Isso para não falar do baixo clero que tudo faz para aparecer, nem que seja escorregando em uma casca de banana. No fundo no fundo, todos pensam na reeleição. Quer algo mais constrangedor que a votação do impeachment na Câmara Federal? Cusparada, exaltação a torturadores, mentiras desvairadas e “otras cositas mas”. Comprometeram até os filhos, netos, parentes e aderentes.
No executivo temos uma plêiade que mescla comprometimento com a república de Curitiba, farsas circenses e desacertos, em que despontam ora os jucás, os geddeis, os francos. No mais o governo Temer é refém do Congresso, do qual precisa para aprovar as reformas das quais o país necessita para voltar a entrar nos eixos. Todo deputado, todo senador tem um pleito junto ao governo; no mais das vezes um cargo para um familiar ou apaniguado político. O resultado é um embaraço geral. Até quando estão certos, tomam atitudes erradas. O exemplo maior foi a saída de Marcelo Calero do Ministério da Cultura. Deixou a diplomacia de lado (ele é diplomata de carreira) e agiu como a vestal das vestais e, clandestinamente, gravou uma conversa com o presidente da República. Dizem que hoje procura um partido para se candidatar a deputado federal.
A nossa esperança era a Justiça; reforçada pela atuação do juiz Moro, dos procuradores e da Polícia Federal do Paraná. Lá tudo dava certo e seu exemplo estava sendo refletido pelo país. Além do mais já tinha havido o celebre julgamento do mensalão; mesmos com os casos de estrelismo e histrionismo, protagonizados por um ou outro ministro. Mas as coisas começaram a mudar de forma radical. O venerável Joaquinsão se aposentou antes do tempo e passou a dar palpites (quasem sempre infelizes) sobre tudo e todos – mas se cala quando se fala no seu apartamento comprado em Miami através de uma offshore. O ministro Ricardo Lewandowski endossou o fatiamento do processo de impeachment de Dilma; ou seja, aceitou mudar a Constituição sem que ela tivesse sido alterada. Seu colega Marco Aurélio Mello resolveu, de forma monocrática, individual, afastar o presidente do Congresso. Deu no que deu: uma balbúrdia danada; nem o vice do senado aceitou, embora seja do PT. O jeito foi dar um jeitinho a lá brasileira e tudo ficou quase como estava. A última foi do Ministro Luz Fuz; resolveu, também de forma monocrática, anular todo um processo de votação já havida na Câmara Federal e encaminhada ao Senado. Pelo que eu sei um dos princípios basilares de nossa Constituição é a independência dos Poderes. Vamos ver o que isso vai dar. Parece que todos estão ancorados em um outro mundo que não este em que vivemos; sem qualquer dimensão geográfica e histórica com este Brasil empobrecido e com pobres expectativas para o futuro.
O termo “Republica das Bananas” era muito comum no século passado para identificar países sem governo próprio, pois eram títeres de outras potências. Este não é o nosso caso. Por comparação somente, têm-se a impressão que a nossa pátria se transformou em uma imensa República das Melancias, onde quase todas as autoridades somente pensam em si e querem aparecer na foto, mesmo que para isso tenham que pendurar uma melancia no pescoço e deixem um rastro de excrementos por onde passam. Parece até que ninguém tem consciência de como pensa e de como se sente.
Nesta terra que Cabral nos legou, até tese de pós-doutorado é solenemente desacatada. Suas excelências preferem chafurdar na lata do luxo.

Tribuna do Norte. Natal, 21 dez. 2016