sábado, 13 de maio de 2017

A megausina de energia solar encravada no deserto que pretende abastecer a Europa

UsinaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEnorme complexo fica ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate
O micro-ônibus atravessa um enorme planalto em uma estrada recém-pavimentada do deserto de Marrocos. O chão é de terra seca e está cheio de rachaduras.
Ainda assim, a região não parece tão desolada quanto já foi no passado. Neste ano, ela virou o lar de uma das maiores usinas solares do mundo.
Centenas de espelhos cruzados, cada um deles maior que um ônibus, estão enfileirados cobrindo 1,4 quilômetro quadrado de deserto, uma área do tamanho de 200 campos de futebol.
O enorme complexo está em um local ensolarado ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate, uma cidade cujo apelido significa "porta do deserto". Com cerca de 330 dias de sol por ano, é o lugar ideal.
Além de suprir as demandas domésticas de energia, o Marrocos espera um dia poder exportar energia solar à Europa. Essa usina tem o potencial para ajudar a definir o futuro energético da África e do mundo.
Centenas de enormes espelhos curvadosDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionCentenas de enormes espelhos curvados estão enfileirados na usina
No dia da visita da reportagem da BBC, porém, o céu estava coberto de nuvens. "Nenhuma eletricidade será produzida hoje", disse Rachid Bayed, da Agência Marroquina de Energia Solar (Masen, na sigla em inglês), responsável por implementar o projeto.
Um dia de "folga" não os preocupa. Atualmente, a energia solar está sendo adotada por vários países que passaram a vê-la como a mais abundante fonte de energia limpa.
Essa usina marroquina é apenas uma entre várias outras na África, e outras parecidas estão sendo construídas no Oriente Médio, na Jordânia, nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita. O custo cada vez menor da energia solar a tornou uma alternativa viável mesmo nas regiões mais ricas em petróleo do mundo.
Noor 1, a primeira fase da usina marroquina, já ultrapassou expectativas em termos de quantidade de energia produzida. É um resultado encorajador para o objetivo do Marrocos de reduzir a produção de combustíveis fósseis ao focar em energias renováveis e ainda assim atender às necessidades domésticas, que crescem em 7% todos os anos.
A estabilidade do governo e da economia do Marrocos ajudou o país a conseguir investimento da União Europeia, que financiou 60% dos custos do projeto Ouarzazate.
Região de OuarzazateDireito de imagemSANDRINE CEURSTEMONT
Image captionCom cerca de 330 dias de sol ao ano, a região de Ouarzazate é um local ideal para a usina solar
O país planeja gerar 14% de sua energia através do sol até 2020 e acrescentar outras fontes renováveis como vento e água ao plano com o objetivo de produzir 52% de sua própria energia até 2030.
Isso torna o Marrocos mais ou menos alinhado com países como o Reino Unido, que quer gerar 30% de sua eletricidade através de energias renováveis até o fim da década, e os Estados Unidos, onde o ex-presidente Barack Obama havia determinado índice de 20% até 2030.
Donald Trump ameaçou cortar o financiamento às energias renováveis, mas talvez suas ações não tenham grande impacto, já que muitas políticas são controladas por Estados e que grandes companhias já começaram a adotar fontes mais limpas e baratas.
Os refletores da usina geralmente podem ser ouvidos enquanto eles se movem para seguir o sol como um campo gigantesco de girassóis. Os espelhos filtram a energia do sol e esquenta um óleo sintético que segue por uma rede de canos.
As temperaturas podem chegar a 350ºC e o óleo quente é usado para produzir vapores de água em alta temperatura, alimentando um gerador movido a turbinas. "É o mesmo processo dos combustíveis fósseis, só que usamos o calor do sol como fonte", diz Bayed.
A usina continua gerando energia mesmo após o pôr do sol, quando a demanda chega ao pico. Parte dessa energia é guardada em reservatórios feitos de nitrato de sódio e potássio, o que mantém a produção por até mais três horas. Na próxima fase da usina, a produção continuará por até oito horas após o sol se pôr.
Funcionário de usinaDireito de imagemSANDRINE CEURSTEMONT
Image captionQuando estiver em força total, a usina empregará entre 50 e 100 funcionários
Além de aumentar a produção de energia do Marrocos, o projeto Ouarzazate está ajudando a economia local. Cerca de 2 mil funcionários foram contratados durante os dois anos iniciais da construção, sendo que muitos deles são marroquinos.
Estradas foram construídas para criar acesso à planta e conectá-la às cidades mais próximas, ajudando as crianças a chegar até a escola. Além disso, uma grande quantidade de água foi levada ao complexo através de encanamentos, dando acesso a água para mais 33 vilarejos.
Masen também ensinou práticas sustentáveis a fazendeiros da área. No pequeno vilarejo de Asseghmou, a 48 km da cidade de Ouarzazate, a forma como ovelhas são criadas mudou.
A maioria dos fazendeiros ali dependiamm apenas de sua experiência, mas agora estão entrando em contato com técnicas mais confiáveis, como simplesmente separar os animais em suas gaiolas, o que está aumentando a produtividade.
A Masen também doou ovelhas para criação a 25 fazendas. "Agora eu tenho mais segurança nos alimentos", diz Chaoui, dono de uma fazenda local. E sua amendoeira está prosperando graças às dicas de cultivo.
Ainda assim, alguns locais se preocupam com a usina. Abdellatif, que viva na cidade de Zagora, 120 quilômetros ao sul dali, onde há taxas mais altas de desemprego, acha que Masen deveria se concentrar em criar empregos permanentes.
Ele tem amigos que foram contratados para trabalhar lá, mas apenas por alguns meses. Uma vez que entrar em operação total, a usina empregará entre 50 e 100 funcionários, apenas. "Os componentes da usina são feitos no exterior, mas seria melhor produzi-los aqui para gerar trabalho contínuo para os moradores locais", diz.
Região de OuarzazateDireito de imagemSANDRINE CEURSTEMONT
Image captionA usina solar usa uma enorme quantidade de água da represa El Mansour
Um problema maior é a enorme quantidade de água que a usina utiliza da represa de El Mansour Eddahbi. Nos últimos anos, a escassez de água tem sido um problema na região semidesértica e houve cortes no fornecimento.
A agricultura ao sul do Vale Draa depende da água da represa - ocasionalmente despejada no rio local, que geralmente é seco. O coordenador da usina, Mustapha Sellam, diz que a água usada pelo complexo representa 0,05% do abastecimento, pouco comparado à sua capacidade.
Ainda assim, o consumo da usina é o bastante para fazer uma diferença na vida dos fazendeiros locais, que já enfrentam dificuldades. É por isso que a usina está tentando reduzir a quantidade de água que consome, utilizando ar pressurizado para limpar os espelhos.
Além disso, a água usada para resfriar o vapor produzido pelos geradores é reutilizada para produzir mais eletricidade.
Há novas sessões da usina em construção no momento. A Noor 2 será parecida com a 1, mas a 3 terá um design diferente. Em vez de espelhos enfileirados, ela vai capturar e guardar a energia solar através de uma torre única, que acredita-se ser mais eficiente.
Sete milhares de espelhos retos serão dispostos ao redor da torre para capturar e refletir os raios de sol em direção a um capturador no topo dela, usando menos espaço do que as filas de espelhos exigem hoje. Sais derretidos no interior da torre vão capturar e armazenar o calor diretamente, sem a necessidade do óleo quente.
Sistemas parecidos já estão em uso na África do Sul, na Espanha e em alguns lugares nos Estados Unidos, como no deserto Mojave, na Califórnia e em Nevada. Mas, com uma altura de 26 metros, a estrutura de Ouarzazate será a mais alta do tipo no mundo inteiro.
UsinaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA quantidade de sol da África pode tornar o continente um exportador de energia solar no futuro
Outras usinas similares estão em construção no Marrocos. O sucesso dessas usinas no Marrocos e na África do Sul podem incentivar outros países africanos a adotar a energia solar.
A África do Sul já entrou na lista dos dez maiores produtores de energia solar do mundo, e Ruanda tem a primeira usina do tipo no leste africano, criada em 2014. Há também planos de construção de usinas solares em Gana e Uganda.
O sol da África pode um dia transformar o continente em um exportador de energia para o resto do mundo. Ao menos Sellam tem grandes expectativas em relação a Noor. "Nosso principal objetivo é a independência energética, mas, se um dia estivermos produzindo a mais, podemos suprir outros países", diz.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site da BBC Future.

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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Condenado por corrupção e peculato, ex-governador do RN é citado em delação da Lava Jato

Nome de Fernando Freire apareceu durante depoimento de marqueteira sobre pagamentos ilícitos de serviços de publicidade e marketing para a campanha de 2002.

Ex-governador do RN é citado em delação premiada da 'Operação Lava Jato'
Ex-governador do RN é citado em delação premiada da 'Operação Lava Jato'
O ex-governador do Rio Grande do Norte Fernando Freire foi citado em depoimentos da operação Lava Jato (veja acima matéria exibida pela Inter TV Cabugi). Nesta quinta-feira (11), o Supremo Tribunal Federal derrubou o sigilo das delações premiadas do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, investigados por receberem dinheiro de caixa dois de campanhas eleitorais.

Fernando Freire, ex-governador do RN, está preso desde julho de 2015 (Foto: Marcelo Barroso/Tribuna do Norte
O nome de Fernando Freire apareceu quando Mônica Moura deu detalhes sobre pagamentos ilícitos de serviços de publicidade e marketing contratados para a campanha do ex-governador, pelo PMDB, em 2002
A marqueteira disse que recebeu parte dos pagamentos em Natal, e que Freire assinou uma nota promissória que nunca foi paga. Mônica também contou que tem, até os dias de hoje, documentos que comprovam esses encontros, além da referida nota promissória.
No primeiro volume do documento, no termo de colaboração número 18, há o registro da citação de Mônica à campanha de Fernando Freire ao governo do estado, em 2002. Na época, o político era apoiado pelo então ex-governador Garibaldi Alves Filho. Em outro trecho, há o registro de que o acerto do custo da campanha de Freire foi feito pelo ex-deputado Henrique Eduardo Alves e pago por fora.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

CULTURA

02.05.2017 - Deutsch Welle

"Olga acreditou até o fim que seria libertada"

Em entrevista à DW Brasil, escritora Sarah Helm, autora de "Ravensbrück", revela que Olga Benário assumiu papel de liderança entre as detentas no campo de concentração. Governo britânico foi responsável por sua prisão.
Campo de concentração, Ravensbruck
Ravensbruck foi o maior campo de concentração exclusivo para mulheres
A militante alemã Olga Benário Prestes, mulher do líder comunista brasileiro Luís Carlos Prestes, teve seu destino selado pela inteligência britânica por duas vezes, revela o livro Ravensbrück (Editora Record), que acaba de chegar às livrarias do Brasil. Escrito pela jornalista britânica Sarah Helm, o livro resgata a história do campo de concentração exclusivo para mulheres, onde Olga esteve presa.
Documentos obtidos por Sarah Helm revelam que a prisão de Olga [e Prestes] no Brasil, após a Intentona Comunista, só foi possível graças a informações repassadas pelo governo britânico em 1936. Logo veio o pedido de deportação para a Alemanha, já sob o governo de Adolf Hitler – uma grande ameaça para uma jovem comunista e judia.
Olga Benario
Olga Benário foi uma das primeiras mulheres a chegar a Ravensbrück
Os documentos mostram também que, no mesmo ano, a inteligência britânica avisou que os comunistas ingleses pretendiam interceptar o navio que levava Olga – grávida de sete meses – do Brasil para a Alemanha e libertá-la na Inglaterra. Por conta da informação, a escala britânica da viagem foi cancelada, e a militante seguiu direto para Hamburgo, onde foi entregue nas mãos da Gestapo.
Após sete anos presa, acalentando a ideia de que poderia ser libertada a qualquer momento, Olga foi enviada ao campo de extermínio de Bernburg, onde foi morta na câmera de gás, em 23 de abril de 1942, aos 34 anos de idade, junto com outras 199 prisioneiras.
Em entrevista à DW Brasil, Sarah Helm fala sobre o papel de liderança que Olga teve entre as mulheres no campo de concentração.
DW Brasil: Olga Benário teria chegado a Ravensbrück logo depois de ter sido separada de sua filha recém-nascida, Anita, certo?
Sarah Helm: Sim. Ela ficou um tempo em uma prisão de mulheres da Gestapo em Berlim, onde sua filha Anita nasceu e foi amamentada. Em março de 1938, depois de ser separada da filha, ela foi enviada a Litchenburg, um campo temporário, e, em 1939, para Ravensbrück. Ela estava entre as primeiras mulheres a chegar neste campo.
DW: Pesquisando para o livro, o que você descobriu de novo sobre Olga?
SH: Tive acesso à toda a coleção de cartas e descobri que, olhando para todas elas, temos uma ideia bem melhor da vida e da morte dela nos campos de concentração. Sabemos sobre os protestos que organizava, seu trabalho como chefe do bloco judeu. Era uma mulher forte, que se sobressaía, as outras prisioneiras ficavam muito impressionadas com ela.
DW: Qual era o trabalho de Olga em Ravensbrück?
SH: Ela era responsável por um dos blocos de prisioneiras, o das judias, o que significa que tinha que obedecer aos nazistas e manter a ordem no bloco. Para ela, foi uma tarefa difícil. Mas, por outro lado, ela também podia ajudar as prisioneiras. Ela conseguia fazer contato com outras prisioneiras comunistas e foi criando uma rede de resistência.

Campo de concentração em Ravensbrück
O maior campo de concentração para mulheres da Alemanha foi construído em 1939
DW: Em que consistia exatamente essa rede?
SH: Ela fazia muitas coisas pelas presas. Lia poemas, fazia exercícios físicos, organizou, com as comunistas, um grupo de leitura de Tolstoi [como o livro era banido pelo regime, os nazistas o usavam como papel higiênico, o que logo chamou a atenção das presas, que o resgataram]. Esse grupo de leitura foi descoberto certa vez, o que rendeu punições severas, com várias presas indo para a solitária e passando fome por semanas.
DW: O que mais te chamou a atenção na história de Olga?
SH: Ela realmente acreditou, quase até o fim, que conseguiria sair, ser libertada. Havia uma lei que garantia a liberdade se a pessoa fosse casada com alguém natural de um país estrangeiro, o que era o caso dela. E havia uma campanha mundial liderada pela mãe de Luís Carlos Prestes pedindo por sua libertação. Mas a guerra eclodiu antes que elas conseguissem o visto.
DW: Você menciona que a inteligência britânica selou o destino de Olga por duas vezes. Como foi?
SH: A inteligência britânica estava monitorando um comunista alemão, Arthur Ewert, que fazia parte do grupo de Prestes. Foi por meio desse monitoramento que eles descobriram o paradeiro de Prestes e Olga [que estavam na clandestinidade após a Intentona Comunista no Brasil] e o informaram para o governo brasileiro. Mais tarde, depois que Olga já tinha sido presa e estava sendo levada para a Alemanha, foi novamente a inteligência britânica quem interceptou um comunicado entre o Partido Comunista Soviético e o Partido Comunista Britânico, pedindo que Olga fosse resgatada durante a escala do navio em Southampton. Com a informação, o navio acabou seguindo direto para a Alemanha [até então se acreditava que a grande ameaça ao mundo era o comunismo, não o nazismo]. Então, sim, podemos dizer que, de certa forma, o governo britânico foi responsável pelo destino de Olga.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O que vi e aprendi aos70
BERILO DE CASTRO 

· a dormir em rede;

· a dormir e acordar cedo;

· a cuidar mais da saúde;

· a viajar no imaginário das boas leituras;

· a escutar mais e falar menos;

· a gastar menos e guardar mais;

· a administrar os paraefeitos da idade;

· a usar mais a razão do que a a emoção;

•        a repelir com horror e indignação as danosas,  maléficas e criminosas torcidas organizadas de  
•          futebol;

· a continuar praticando atividade física;

· a continuar com os divertidos, animados e relaxantes papos com amigos, regados a um bom uísque;

· a admirar cada dia mais as belas  poesias musicais (raras, hoje);

· a detestar e não suportar a poluição sonora, com o uso criminoso de" paredões"- um atrazo secular e sem solução;

· a admirar  mais os homens de bom caráter;

· a ojerizar a mentira e detestar a falsidade;

· a conviver com a simplicidade e valorizar mais o humano;

· a não aceitar o gene da ganância como dominante;

· a me indignar mais e mais com a corrupção institucionalizada;

· a continuar a não entender as pessoas raivosas e mesquinhas;

· a repulsar veementemente a ingratidão;

· a assistir, cada vez mais revoltado e deprimido, ao descaso, à indiferença e ao abandono na saúde pública;

· a continuar  assistindo tristemente ao descaso e à deteriorização do sistema de ensino público;

•        a acreditar e me sentir triste, envergonhado e roubado em saber que nos  últimos quinze anos o país foi criminosamente governado por um antro de corruptores de  um Departamento de Propina da Empresa Construtora Odebrecht;

· a avistar, finalmente, políticos corruptos e empresários corruptores na cadeia;

· a acreditar e louvar o novo perfil do Ministério Público;

· a enaltecer a coragem e a independência da nova geração de Promotores Públicos e da Polícia Federal;

· a continuar a não vislumbrar solução para o  combate às drogas, o  mal maior do século;

· a, infelizmente, assistir à falência total do sistema carcerário e o seu domínio  nas  mãos das facções criminosas;

· a assistir; indignado, triste e revoltado, à total insegurança que assombra, ameaça e domina a população nos dias atuais;


· a, infelizmente, continuar enxergando as pessoas mais egoístas e o mundo mais desumano e cruel.