domingo, 17 de dezembro de 2017

Eleições 2018: Os pré-candidatos à Presidência e quais dificuldades têm de superar até a campanha


Bússula com bandeira do Brasil e a palavra "voto"Direito de imagemGETTY IMAGES

A cerca de oito meses das eleições, o Brasil tem pelo menos 14 pré-candidatos à Presidência. As projeções indicam uma disputa com muitos candidatos e, até o momento, tão aberta que dificulta até mesmo definir os nomes que estarão nas urnas.
No entanto, todos os que aparecem nas pesquisas de intenção de votos ou que já se lançaram como pré-candidatos têm importantes obstáculos a superar até o início da campanha, marcada para começar em agosto.
Pendências na Justiça, disputas partidárias internas, tempo escasso de propaganda no rádio e na televisão, alta rejeição ou falta de popularidade e impedimento para participar em debates são alguns dos desafios que os postulantes à Presidência e seus respectivos partidos ainda precisam driblar até agosto.
Apesar de a Justiça Eleitoral ainda não ter divulgado o calendário oficial das eleições do próximo ano, marcada para 7 de outubro, partidos trabalham com prazos para atrair políticos, firmar alianças e lançar seus candidatos na tentativa de aumentar suas chances eleitorais.
Mudança na legislação feita em 2015 reduziu de um ano para seis meses o prazo para filiação partidária de quem quer disputar a eleição. Em março, contudo, será aberta uma janela de 30 dias para a troca de partido de políticos que queiram se candidatar sem o risco da perda do mandato em curso.
Muitas bancadas apostam nessa janela para aumentar o número de representantes na Câmara e, assim, elevar o tempo de televisão e participar de debates.
Do total do tempo de propaganda, 90% será distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais de cada legenda e o restante será distribuído igualitariamente. Para participar de debates na televisão, por sua vez, o candidato precisa estar filiado a um partido com mais de cinco deputados federais.
A BBC Brasil listou obstáculos dos principais pré-candidatos e partidos que já anunciaram a intenção de lançar um nome à Presidência da República.

Lula (PT)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera os cenários para a eleição presidencial em 2018, mas pode ter a candidatura barrada caso a segunda instância da Justiça federal mantenha por unanimidade a condenação por corrupção - o julgamento do recurso foi marcado para janeiro.
Se condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4), Lula pode também ser preso - ainda que a prisão após condenação em segunda instância seja um tema cuja discussão tem dividido os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Se concorrer, Lula pode usar a campanha como estratégia de defesa das acusações que pesam contra ele. A defesa de Lula, que tenta reverter a condenação sob o argumento de que o ex-presidente é inocente e que não há provas contra ele, traça estratégias jurídicas para mantê-lo na disputa por meio de diferentes recursos.

Ex-presidente Lula durante discurso no primeiro dia do 6º Congresso do nacional do PT em Brasília em junho de 2017.
Image captionEntre os pré-candidatos, Lula lidera as pesquisas de intenção de votos, mas é também o com maior rejeição | Foto: Lula Marques/Agência PT

Mesmo que seja absolvido no caso do tríplex do Guarujá, o ex-presidente ainda responde a outras quatro ações na Justiça, sob acusação de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.
Além das pendências judiciais, Lula também tem rejeição alta - segundo pesquisa Datafolha realizada entre 29 e 30 de novembro, 39% disseram não votar nele de jeito nenhum. Na frente dele está somente o presidente Michel Temer, que não deve disputar a campanha presidencial, com 71%.
Ainda assim, muitos integrantes da cúpula do PT veem em Lula a única opção para a disputa presidencial. Um plano B seria o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que já declarou ser uma "grande deselegância com Lula" se colocar como opção do partido para 2018.
O PT enfrenta dificuldades para se coligar e deve participar das eleições sem partidos aliados. O PCdoB, um dos mais fiéis aliados dos petistas, por exemplo, anunciou que pretende disputar a eleição com a deputada estadual gaúcha Manuela D'Ávila.
Lula nasceu em Pernambuco, mas construiu sua carreira política em São Paulo, incialmente como sindicalista.
Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo para participar da Assembleia Nacional Constituinte. Foi eleito presidente em 2003, depois de ter disputado as presidenciais outras três vezes. Comandou o Brasil por dois mandatos e elegeu a sucessora, Dilma Rousseff, em 2010.

Jair Bolsonaro (PSC)

Segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos, o deputado federal Jair Bolsonaro ainda precisa trocar de partido para participar da presidencial ou disputar dentro do PSC com Paulo Rabello de Castro, lançado candidato pela legenda em novembro.
Bolsonaro deve concorrer pelo PEN (Partido Ecológico Nacional), que espera a homologação da Justiça Eleitoral para mudar o nome para Patriota.

Jair Bolsonaro
Image captionAinda filiado ao PSC, Bolsonaro deve trocar de partido em março para disputar a Presidência | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agencia Brasil

"Mudamos o nome do partido, colocamos cinco pessoas dele na Executiva, fizemos tudo o que ele pediu. Antes era um noivado, agora ele está casado com o partido", diz Adilson Oliveira, presidente do PEN.
Segundo ele, Bolsonaro já assinou a ficha de filiação com data de 10 de março de 2018, quando já poderia trocar de partido sem o risco de perder o mandato de deputado.
Oliveira lista os obstáculos que o Patriota e Bolsonaro vão precisar enfrentar. Primeiro, a legenda precisa aumentar a bancada, que hoje tem três deputados. O presidente do PEN diz que, em março, a filiação de Bolsonaro e do filho Eduardo já garantiriam ao deputado o direito de participar de debates, mas que haverá mais nomes migrando para o Patriota.
Recursos de campanha também são vistos como um desafio e Oliveira aposta na divulgação do número de uma conta para arrecadar doações junto a apoiadores pela internet. O pouco tempo de propaganda oficial - 10 segundos se o Patriota não se coligar - seria, segundo o presidente do partido, contornado pelas redes sociais e pela produção espontânea de conteúdo de simpatizantes.
Para Oliveira, Bolsonaro vai precisar mostrar a uma parcela do eleitorado que não é agressivo nem radical e que domina diferentes temas.
Bolsonaro, militar da reserva e professor de educação física, é deputado federal desde 1991 - tem sete mandatos por cinco partidos diferentes.

Geraldo Alckmin e João Dória (PSDB)

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumiu neste mês a presidência do PSDB para tentar apaziguar o partido, que se dividiu entre ficar ou sair da base do governo Temer.
Alckmin, contudo, não é o único nome tucano para a eleição presidencial.
O prefeito de São Paulo, João Dória, ainda tenta se viabilizar dentro do PSDB. Mas muitos tucanos acreditam que ele "queimou a largada" ao fazer um giro pelo Brasil na tentativa de aumentar sua popularidade - ele ainda é considerado desconhecido no país e não conseguiu alavancar seu nome nas pesquisas. O ex-senador e atual prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, por sua vez, pressiona o PSDB para participar de prévias com Alckmin.

Geraldo Alckmin e João Dória
Image captionGeraldo Alckmin precisa enfrentar uma disputa interna no PSDB para se viabilizar candidato | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Além das disputas internas, Alckmin assume um PSDB desgastado pelas denúncias de corrupção contra integrantes do partido, em especial as que pesam contra o senador Aécio Neves, que disputou as eleições presidenciais em 2014. Alckmin também foi acusado de receber R$ 10 milhões em quantias não declaradas da Odebrecht, o que nega.
O governador também não sabe se e quando contará com o apoio do DEM, aliado de fiel de eleições anteriores. Coligada, a chapa PSDB-DEM teria, por exemplo, mais tempo de propaganda.
Alckmin já disputou as eleições presidenciais em 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno.
Formado em Medicina, começou a carreira política como vereador e, depois, prefeito de Pindamonhangaba (SP). Em 1994, foi eleito vice-governador de São Paulo e acabou assumindo o governo com o agravamento da saúde de Mário Covas em 2001. Perdeu a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2008, mas voltou como governador em 2010 e foi reeleito em 2014.

Marina Silva (Rede)

Com duas eleições presidenciais no currículo, Marina Silva lançou oficialmente a candidatura em 2 de dezembro. A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, contudo, deve ter somente 12 segundos de propaganda e dificilmente a Rede vai se coligar com outros partidos para aumentar o tempo na televisão e no rádio.
Por isso, o primeiro obstáculo do partido é aumentar a bancada na Câmara antes do registro da candidatura para que Marina participe dos debates - a Rede, atualmente, conta com apenas quatro deputados federais.

Marina Silva
Image captionMarina corre o risco de ficar de fora dos debates na TV e deve ter apenas 12 segundos na propaganda eleitoral obrigatória | Foto: Rede Sustentabilidade

Marina enfrenta uma rejeição de 24%, segundo o último Datafolha. Vai precisar também responder a críticas de ser omissa em momentos em que muitos aguardavam um posicionamento ou opiniões firmes sobre temas centrais ou disputas política e de ter declarado voto a Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014.
Avessa a embates e a ataques, a própria candidata avalia que será uma campanha extremamente agressiva.
Marina disputou as duas últimas eleições presidenciais, uma pelo PV e outra pelo PSB. Ela começou a carreira política no PT.

Ciro Gomes (PDT)

A candidatura do ex-ministro e ex-governador do Ceará é considerada "irreversível" pelo presidente do PDT, Carlos Lupi. À BBC Brasil, Lupi disse que o partido marcou para 8 de março um evento para confirmar o nome de Ciro como pré-candidato à Presidência.
A falta de aliados para fortalecer a candidatura numa coligação formal é um obstáculo a ser enfrentado. O PDT negocia alianças com o PSB e o PC do B. "São conversas que ainda estão em construção", diz Lupi.
O estilo franco e impulsivo que há anos rende a Ciro a fama de "destemperado" pode ser um empecilho. "Todo mundo já teve uma palavra maldita ou foi mal interpretado", pondera Lupi.
Ciro enfrenta uma rejeição de cerca de 22% do eleitorado, que segundo o Datafolha diz não votar nele de jeito nenhum, e não decolou. A depender do cenário ele tem de 6% a 10% das intenções de voto.

Ciro Gomes em entrevista à BBC Brasil em maio de 2017
Image captionO temperamento explosivo de Ciro e a dificuldade de se formar uma coalização de centro-esquerda são desafios a serem enfrentados pelo candidato do PDT

Ciro Gomes já foi prefeito de Fortaleza, deputado estadual, deputado federal, governador do Ceará e ministro dos governos Itamar Franco (Fazenda) e Lula (Integração Nacional).
Ele já passou por sete partidos em 37 anos de vida pública. Ciro já concorreu à Presidência duas vezes, em 1998 e em 2002.

Manuela D'Ávila (PCdoB)

Ao anunciar a ex-deputada federal e atual deputada estadual no Rio Grande do Sul como pré-candidata, o PCdoB praticamente acabou com a possibilidade de o partido ser vice numa eventual chapa encabeçada por Lula.
Ao perderem o aliado, petistas classificaram a decisão do PCdoB como "erro histórico".

Manuela D'ávila
Image captionO PCdoB de Manuela D'Ávila deve enfrentar dificuldade em desassociar a própria imagem da do PT, de quem foi fiel aliado | Foto: Marcelo Bertani/Agência ALRS

Manuela, de 36 anos, terá cerca de 20 segundos no tempo de propaganda e poderá participar de debates. Apesar de ter sido deputada federal por dois mandatos e líder do PCdoB da Câmara, Manuela não é um nome conhecido em todo o país. Conforme apontou o Datafolha, ela é conhecida por 24% do eleitorado.
Entre os obstáculos, provavelmente, também estará a dificuldade de desassociar a imagem do partido à do PT - em especial porque o PCdoB foi contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e muitos de seus filiados defendem Lula das acusações que pesam contra ele na Justiça.
Manuela é jornalista de formação e foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita aos 23 anos. Em 2006, foi para a Câmara dos Deputados, onde ficou por dois mandatos. Concorreu à prefeitura da capital gaúcha duas vezes, sem sucesso. É deputada estadual desde 2014.

Álvaro Dias (Podemos)

O ex-tucano ganhou fama no Senado por ser um ferrenho crítico da gestão petista e integrante ativo de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).
Ele trocou de partido para ser candidato à Presidência, mas ainda enfrenta o desafio de se tornar um nome mais conhecido nacionalmente capaz de conseguir mais que os 4% de votos que as pesquisas indicam para ele.
Segundo o Datafolha, o senador é conhecido por 44% dos entrevistados, mas apenas 9% disseram que o conhecem muito bem.
O Podemos é o ex-PTN e as projeções indicam que deve ter 12 segundos no rádio e na televisão.

Alvaro Dias
Image captionSenador Álvaro Dias ainda tenta se tornar mais conhecido entre o eleitorado | Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Álvaro Dias cursou História e está no quarto mandato consecutivo de senador. Já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e governador do Paraná. É de uma tradicional família de políticos do Paraná.

João Almoêdo (Novo)

O ex-banqueiro João Amoêdo se afastou da presidência do partido que ele próprio ajudou a criar em 2015 para ser lançado pré-candidato à Presidência. Pelas regras do Novo, candidatos não podem exercer funções partidárias nos últimos 15 meses antes da eleição.
Amoêdo não é um nome que desfruta de popularidade e tem viajado o país para fazer palestras na tentativa de se tornar mais conhecido.

João Amoêdo fala ao microfone
Image captionUm dos criadores do partido Novo, João Amoedo deve ser o nome da primeira disputa presidencial da legenda | Foto: Partido Novo/Reprodução Facebook

Novato em eleições gerais, o partido de Amoêdo conta com o apoio de profissionais liberais, de economistas que ocuparam cargos importantes no governo de FHC, como Gustavo Franco, e tem entre seus quadros o ex-treinador de vôlei Bernardinho. A legenda ainda tenta atrair tucanos descontentes que estão deixando o partido.
A maioria deles, contudo, são neófitos das urnas.
Formado em Engenharia Civil e Administração, Amôedo começou a carreira profissional trabalhando para bancos. Atualmente é sócio do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças.

PSOL

O PSOL conta com cinco pré-candidatos, sendo que um deles ainda não se filiou. Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, é citado pelo deputado federal Chico Alencar (RJ) como um dos possíveis nomes da legenda para disputar a Presidência.
Além deles, o partido conta com os economistas Plínio de Arruda Sampaio Jr e Nildo Ouriques, Hamilton Assis, militante do movimento negro, e Sônia Guajajara, líder indígena.
Para Chico Alencar, é mais fácil o partido se coligar com movimentos da sociedade civil-organizada que com partidos políticos. "Há um descrédito muito grande, as pessoas estão com nojo dos partidos", diz Alencar.

militantes do PSOL em mesa durante congresso nacional do partido
Image captionO PSOL tem cinco pré-candidatos e caminha para formar alianças informais com movimentos da sociedade-civil | Foto: PSOL

Além disso, o partido avalia que o grande desafio será cumprir a cláusula de barreira que exige para 2018 1,5% dos votos em nove Estados para que as legendas continuem recebendo fundo partidário e tendo acesso à inserções no rádio e na televisão.
O PSOL terá cerca de 13 segundos de propaganda eleitoral, mas vai conseguir participar dos debates por ter uma bancada com seis deputados.

Paulo Rabello de Castro (PSC)

Recém-filiado ao PSC, o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, foi lançado candidato em novembro.

Paulo Rabello de Castro
Image captionPaulo Rabello de Castro é presidente do BNDES e foi lançado pré-candidato do PSC em novembro | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nome desconhecido de grande parte do eleitorado, Rabello de Castro contabiliza apenas 1% nas pesquisas de intenção de voto. Além de incrementar a popularidade do candidato, o PSC pode precisar conter uma migração em massa de sua bancada para outras legendas.
Antes de assumir o BNDES, ele havia sido indicado por Michel Temer para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Formado em economia e em direito, é fundador da primeira empresa brasileira de classificação de riscos de crédito do país.

Henrique Meirelles (PSD)

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, busca o apoio do PMDB de Michel Temer para se viabilizar como candidato. Ele ainda corteja partidos do centrão como PP e PR para uma possível candidatura.
Mas a popularidade de Meirelles ainda é um obstáculo a superar. O ministro, apontou o Datafolha, é conhecido por 48% do eleitorado, mas só 9% o conhece muito bem.

Henrique Meirelles
Image captionHenrique Meirelles estabeleceu uma meta própria nas pesquisas de intenções de votos para decidir se sai oficialmente candidato | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Com cerca de 2% nas pesquisas de intenção de votos, ele estabeleceu uma meta de 5% a ser alcançada em março para confirmar ou não sua candidatura.
Para se lançar oficialmente, ele teria que se desincompatibilizar do cargo.
A trajetória profissional de Meirelles está ligada à área financeira internacional. Antes de ser presidente do Banco Central, entre 2003 e 2011, no governo Lula, foi o principal executivo do BankBoston. Antes de assumir a Fazenda, Meirelles atuou por quatro anos como presidente do conselho de administração da J&F Investimentos, holding criada pela família Batista e controladora da JBS.
Estão cotados também para participar da disputa os nomes do senador Cristovam Buarque (PPS), que foi candidato presidencial em 2006, e o do filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart (PPL).

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domingo, 10 de dezembro de 2017

Quem foi a primeira mulher a governar o Brasil




 Laís Modelli
 De São Paulo para a BBC Brasil






Há 4 horas






 Pintura de Josef Kreutzinger, em 1815, dois anos de Leopoldina embarcar para o Brasil Image caption "D. Leopoldina ajudou a escrever nossa história política, mas é comum explicá-la apenas como mãe de D. Pedro 2º e esposa de D. Pedro 1º" | Foto: domínio público A primeira mulher a governar o Brasil ocupou o cargo interinamente por apenas alguns dias, mas em um momento histórico: foi durante os dias de regência da imperatriz Maria Leopoldina que a independência do Brasil em relação a Portugal foi firmada, em 1822. Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena nasceu em Viena, na Áustria, em 22 de janeiro de 1797, e integrava uma das famílias mais poderosas da Europa no século 18, os Habsburgo. Terceira filha de Francisco 1º, Imperador da Áustria, a princesa embarcou ao Brasil há 200 anos e mudou os rumos do nosso país. Aos 20 anos, em maio de 1817, Leopoldina se casou à distância e por procuração com um homem que nunca havia visto: o príncipe português Pedro de Bragança, futuro Dom Pedro 1º, como forma de firmar uma aliança diplomática entre Portugal e Áustria. Para consumar a união, Leopoldina embarcou em uma viagem de navio de seis meses de duração, rumo a um continente que o mundo pouco conhecia, a América. Na tripulação, trouxe pintores, cientistas e botânicos europeus, conhecida como Missão Científica Austríaca, para catalogarem a fauna e flora brasileiras. "Leopoldina foi muito bem preparada para governar e aceitou de bom grado cruzar o oceano e deixar para trás tudo o que conhecia para obedecer e agradar ao pai e a sua nação, cumprindo o papel que era esperado dela como princesa", afirma a professora Maria Celi Chaves Vasconcelos, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ e especialista em educação de mulheres nobres. Em 1822, durante uma viagem do marido a São Paulo, Leopoldina permaneceu no palácio imperial e ocupou o cargo de regente do país, período que inclui a assinatura da independência brasileira, em 2 de setembro. Como seria uma guerra com a Coreia do Norte? Como surgiu o lunfardo, o curioso e complicado dialeto de Buenos Aires Somente cinco dias depois Dom Pedro 1º foi informado sobre a notícia da independência, dando o famoso grito às margens do rio Ipiranga, sendo essa segunda data a que entrou para os livros de história como o Dia da Independência: 7 de setembro de 1822. "O período em que a princesa exerceu o poder foi pequeno, mas fundamental para o Brasil. Além disso, ela foi a primeira mulher a exercer o governo", explica a professora de pós-graduação em História Social da USP Cecilia Helena L. de Salles Oliveira. Apesar de ela ser retratada como uma mulher melancólica e humilhada com os escândalos e relações extraconjugais de Dom Pedro 1º, escritores têm reivindicado a Leopoldina uma imagem menos passiva na história nacional. Em pintura de Georgina de Albuquerque, reunião de Leopoldina com o Conselho de Ministros em 2 de setembro de 1822 Image caption Reunião de Leopoldina com o Conselho de Ministros em 2 de setembro de 1822; escritores têm reivindicado a ela uma imagem menos passiva na história nacional | Foto: domínio público "As pesquisas das últimas três décadas apontam várias interpretações novas sobre a história do Brasil. Tais descobertas apresentam questões diferentes e revelam situações pouco ou nada conhecidas", explica Oliveira. Para o escritor Paulo Rezzutti, o modo como é contada a história de Leopoldina demonstra como nosso passado tem sido narrado somente do ponto de vista masculino. "Quando entra para a história, a figura da mulher o faz por causa de uma suposta 'santidade' ou por causa de suas relações familiares, dando a impressão que somente homens fizeram parte de assuntos como a política nacional", afirma o escritor. "D. Leopoldina ajudou a escrever nossa história política, mas é comum explicá-la apenas como mãe de D. Pedro 2º e esposa de D. Pedro 1º". Em seu último livro, D. Leopoldina: a história não contada - A mulher que arquitetou a independência do Brasil, Rezzutti busca documentos históricos, como cartas escritas pela imperatriz para a família na Europa, para apresentar uma Leopoldina menos melancólica e mais hábil nos assuntos políticos e diplomáticos. "Em 1822, D. Leopoldina desrespeitou as ordens das cortes constitucionais portuguesas e declarou o 'Fico' antes de D. Pedro, com uma visão muito mais astuta que o marido: a imperatriz tinha certeza que se saíssem do Brasil como os políticos portugueses desejavam, não só Portugal perderia o domínio do Brasil, como provavelmente haveria uma guerra civil aqui", explica Rezzutti. Exímia política A postura de Leopoldina ao se recusar a retornar a Portugal ainda divide opiniões. Enquanto para um grupo de escritores aquela foi uma atitude revolucionária, para outros a princesa foi apenas estrategista. Para Vasconcelos, não existe o menor traço de rebeldia em qualquer escrito de ou sobre Leopoldina. "Seria revolucionária por ter influenciado D. Pedro na Proclamação da Independência? Não creio que haja aí nenhum traço revolucionário; acho que ela era, talvez, conhecedora o suficiente da história política para fazer o julgamento correto sobre o momento vivido e o quanto ele era propício à Independência", defende a pesquisadora, se referindo ao fato de Leopoldina temer ir a Portugal em um momento de intensa movimentação popular contra o rei D. João 6º, sogro da princesa. Além disso, Leopoldina temia revoluções populares por crescer ouvindo o exemplo deixado pela tia-avó Maria Antonieta, última rainha da França, guilhotinada durante a Revolução Francesa. O professor do departamento de História da USP, João Paulo Garrido Pimenta, explica que todos os Habsburgo do século 19 foram criados para governar. Pintura de Luís Schlappriz, Leopoldina já no Rio de Janeiro Image caption Recusa de Leopoldina a retornar a Portugal divide opiniões: foi atitude revolucionária ou apenas estrategista? | Foto: domínio público "Leopoldina foi educada na Áustria de maneira exemplar e comum à época: para servir aos interesses públicos de sua dinastia - os Habsburgo - e de seu Estado - o Império Austríaco", explica Pimenta. Foi servindo os interesses da dinastia Habsburgo que a irmã mais velha de Leopoldina, a arquiduquesa Maria Luíza, se casou com o maior inimigo da família, Napoleão Bonaparte, como estratégia para deter o avanço do francês sobre a Europa. Maria Luíza era uma inspiração para Leopoldina. "Napoleão era chamado de 'o flagelo da Europa'. Ele derrubou diversas monarquias, inclusive de parentes dos Habusburgos. Os próprios Habsburgos tiveram que fugir duas vezes de Viena durante guerras entre a Áustria e a França de Napoleão. Por isso, Leopoldina e seus irmãos tinham um boneco apelidado de Napoleão, em que eles batiam", conta Rezzutti. Fazia parte da formação da família o aprendizado de línguas - Leopoldina falava 11 idiomas - a formação intelectual em diversas áreas do saber, além de aulas de teatro que tinham a finalidade de ensinar os Habsburgos a desempenhar o papel de monarcas diante do povo. Diferentemente de D. Pedro, Leopoldina sabia dialogar com o povo brasileiro, mesmo sendo este tão diferente das suas raízes germânicas: a princesa incluiu o nome de Maria, passando a ser conhecida como Dona Leopoldina ou Maria Leopoldina, e adotou o catolicismo, muito forte em Portugal, como forma de estabelecer relações com a cultura nacional. Independentemente dos motivos que fizeram Leopoldina permanecer no Brasil, para Rezzutti, a imperatriz deve ser interpretada como uma mulher revolucionária por ter sido a primeira a fazer política na alta esfera de decisões brasileiras. "Além de chefiar o conselho de Estado que aconselhou D. Pedro 1º a proclamar a independência, também tomou diversas resoluções importantes, como a contratação de militares estrangeiros para chefiar o Exército brasileiro contra os militares portugueses e contra uma futura invasão de Portugal durante a Guerra da Independência", defende o escritor. Datada ou moderna? Apesar de reconhecer as habilidades diplomáticas e políticas de Leopoldina no cenário brasileiro, Vasconcelos defende que a imperatriz não foi uma mulher moderna para os padrões europeus do século 19. "Como uma arquiduquesa, Leopoldina foi educada com os mais rígidos padrões de etiqueta, conduta, pensamento moral e religioso, dos quais jamais se afastou. Foi educada para ser como foi, uma imperatriz consorte, que deveria obedecer ao marido em tudo e por tudo, aceitando, inclusive, sua infidelidade, grosseria e caprichos", aponta a pesquisadora, destacando a submissão da austríaca a D. Pedro. Pintura de Domenico Failutti. Leopoldina com os Filhos, D Pedro 2º no seu colo. Acervo do Museu Paulista da USP Image caption Apesar de dar nome a ruas, bairros e até escola de samba no Rio de Janeiro, Dona Leopoldina viveu apenas nove anos no Brasil por causa de sua morte prematura, aos 29 anos | Foto: domínio público "É sabido que parte desse comportamento decorria de sua paixão pelo marido, mas, por outro, era um traço da educação das arquiduquesas, principalmente depois do fim trágico de Maria Antonieta em decorrência de suas extravagâncias", complementa Vasconcelos. A amante mais famosa de D. Pedro foi a Marquesa de Santos, que teve uma filha com o Imperador e entregou a criança para crescer no palácio, junto com Leopoldina, e para ter influência no paço imperial. Pouco antes de morrer, Leopoldina era proibida de circular por determinados lugares dentro do próprio palácio para não encontrar a Marquesa. Mesmo não se opondo ao marido, a Imperatriz fazia desabafos em cartas enviadas ao pai, tia e irmã, contando as humilhações que sofria com D. Pedro 1º. São conhecidas cerca de mil cartas escritas pela austríaca, guardadas no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. Rezzutti conta que em uma das últimas que escreveu à família, Leopoldina chegou a afirmar que essas humilhações a levariam a morte. Por essas cartas, Leopoldina é comumente retratada como uma mulher melancólica e triste. "Até no seu leito de morte foi necessário que afastassem a amante do marido, a Marquesa de Santos, para que Leopoldina pudesse, pelo menos, morrer em paz", completa Vasconcelos. Com relação às pautas sociais, como direitos e emancipação das minorias, a imperatriz foi conhecida por fazer muita caridade aos necessitados, mesmo que isso gerasse dívidas enormes ao Império, e por ser querida pelo povo. "Leopoldina sabia falar sobre qualquer assunto, em qualquer língua mais usual e dominava ciências da natureza tão em voga naquele momento histórico. Também é sabido que era contra a escravidão", afirma Vasconcelos. "Mas o restante, o quanto ela pensava ou acreditava em termos de emancipação da mulher, por exemplo, jamais saberemos". Para Pimenta, um dos pontos positivos de Leopoldina era que, diferentemente do marido, ela acreditava que ser princesa e imperatriz era uma função pública a serviço da nação e não somente um status social. "Mesmo antes de conhecer o Brasil e seu futuro esposo, Leopoldina preocupava-se com o bom exercício de sua função pública como princesa que, por meio de seu casamento com D. Pedro 1º, serviria para aproximar diplomaticamente Áustria e Portugal", explica o historiador. Legado Durante a vida, Leopoldina procurou formas de acabar com o trabalho escravo. Em uma tentativa de mudar o tipo de mão de obra no Brasil, a Imperatriz incentivou a imigração europeia para o país. Primeiro vieram os suíços, se fixando no Rio de Janeiro e fundando a cidade de Nova Friburgo. Depois, a fim de povoar o sul brasileiro, a imperatriz incentivou a vinda dos alemães. Dona Leopoldina também contribuiu para a formação da cultura e da educação científica brasileira. Além da Missão Científica Austríaca que trouxe consigo em 1817, também trouxe para o Brasil sua biblioteca particular, dando início a uma biblioteca nas salas do Palácio em que viveu com D. Pedro 1º. A imperatriz também caçava pequenos mamíferos e coletava minerais, ajudando e incentivando estudos sobre a História Natural do Brasil. Na Áustria, os estudos, retratos e coletas feitos pela Missão Científica fundou no país de origem da imperatriz o Museu Brasileiro, despertando interesse dos europeus em conhecer as belezas naturais do "Novo Mundo". Outro legado de Leopoldina é a bandeira nacional. Embora a história conhecida seja a de que o amarelo representa o ouro e o verde, as florestas brasileiras, as cores do maior símbolo nacional representam as duas Casas que deram origem ao Brasil independente: o verde representa a Casa de Bragança, de D. Pedro 1º, e o amarelo representa a Casa de Habsburgo, de Leopoldina. Apesar de dar nome a ruas, bairros e até escola de samba no Rio de Janeiro, Dona Leopoldina viveu apenas nove anos no Brasil por causa de sua morte prematura, aos 29 anos, no dia 11 de dezembro de 1826. Estava grávida, tendo abortado o filho no leito de morte. A causa da morte da imperatriz até hoje causa divergências. As versões mais conhecidas dizem que Leopoldina, grávida, teria sofrido violência física por D. Pedro 1º, enquanto que outra versão aponta uma septicemia puerperal. "Em uma carta de Leopoldina para a irmã, escrita na vinda para o Brasil, a princesa diz não esperar fazer nada tão especial e importante pela Áustria quanto fez Maria Luísa ao casar-se com Napoleão. Mas defendo que Leopoldina fez muito mais que a irmã, pois ela ajudou a criar um Brasil independente", defende Rezzutti.

Fonte: BBC
Pinturas e fotos vejam em www.candelariaeasuarealidade.blogspot.com

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

STF pode julgar hoje 'calote' de R$ 5 bilhões dos planos de saúde no SUS André Shalders - @shaldim Da BBC Brasil em São Paulo Há 3 horas Compartilhe este post com Facebook Compartilhe este post com Twitter Compartilhe este post com Messenger Compartilhe este post com Email Compartilhar Dinheiro e pílulasDireito de imagemGETTY IMAGES Image caption O setor de saúde privada argumenta que todos têm direito ao SUS - independente de ter plano ou não No Brasil, ninguém ganha isenção de impostos ao contratar um plano de saúde. Mesmo assim, os planos (e, indiretamente, os usuários) precisam pagar quando enviam algum paciente para o Sistema Único de Saúde. Por outro lado, é justo que a saúde pública custeie um serviço pelo qual as operadoras já estão cobrando? É essa questão que deve ser decidida pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte pode perdoar hoje um "calote" de R$ 5,6 bilhões das operadoras de planos de saúde no SUS. O STF dirá se é constitucional ou não que o sistema público cobre dos planos toda vez que atende um paciente encaminhado pela rede privada. O Supremo julgará um recurso de uma seguradora de saúde contra a Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS. Trata-se de um caso com "repercussão geral", isto é, que criará regra para todos os outros casos do tipo. O relator é o ministro Gilmar Mendes. O plano ambicioso da Nasa para salvar mundo de supervulcão nos EUA, ameaça maior que 'qualquer asteroide' Caso de romena encontrada com filha após 10 anos presa em porão choca Itália Quando uma pessoa que possui plano de saúde é enviada para fazer qualquer procedimento na rede pública (como uma consulta ou uma cirurgia), o plano é obrigado a pagar ao governo pelo procedimento. Os valores de cada serviço são tabelados e são definidos pelo próprio SUS. Essa tabela é atualizada periodicamente. Uma tomografia dos seios da face (usada para diagnosticar uma sinusite, por exemplo) sai por R$ 86. Já uma cirurgia cardíaca para correção de problemas na válvula mitral (que separa os dois lados do coração) está tabelada em R$ 7,7 mil. Sessão do Supremo Tribunal Federal Image caption Ministros do STF têm várias ações sobre a área de saúde para julgar hoje | Foto: José Cruz/Ag. Brasil O SUS é hoje responsável pela maioria dos transplantes de órgãos, por exemplo. Também faz quase todos os tratamentos de doenças infecciosas, como a hanseníase, entre muitos outros. A maioria dos estabelecimentos que oferecem esses tratamentos são públicos ou conveniados ao SUS. E é por isso que muitas pessoas que têm planos de saúde são encaminhados para o atendimento público, diz a professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Helena Eri Shimizu. O sistema funciona assim: a ANS compara a base de dados dos brasileiros que possuem planos de saúde com o registro de quem foi atendido pelo SUS. Quando encontra uma correspondência, envia a cobrança à operadora. "A forma como isso é feito hoje é pouco eficaz, e abre margem para que as operadoras contestem na Justiça os procedimentos, além de deixar alguns atendimentos de fora. Então o valor que poderia ser arrecadado poderia ser ainda maior", diz Shimizu. Uma decisão com efeito cascata O julgamento é o terceiro item da lista de temas a serem julgados hoje - antes, estão previstas mais duas ações sobre outros temas da saúde pública. Não é incomum, porém, que os ministros do STF mudem a ordem dos julgamentos. De acordo com os últimos dados da ANS, os planos contestam na Justiça o pagamento de R$ 4,99 bilhões em procedimentos realizados entre 2000 e 2017. Esse dinheiro - que não chegou a ser cobrado - depende de decisões judiciais nas instâncias inferiores da Justiça. Se o Supremo decidir que a cobrança é inconstitucional, a Justiça dará ganho de causa às operadoras, que não precisarão pagar. "Entre 2000 e 2017 foram identificados 4,51 milhões de atendimentos no SUS de usuários de planos de saúde passíveis de ressarcimento, totalizando R$ 7,5 bilhões. Desse total, apenas R$ 1,9 bilhão foram repassados ao Fundo Nacional de Saúde (responsável pelo SUS)", disse o Ministério da Saúde em nota enviada à BBC Brasil. "O Ministério da Saúde informa que a extinção da obrigatoriedade do ressarcimento ao SUS pelos planos de saúde pode causar grandes perdas ao sistema. Levantamento feito pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estima que a decisão pode acarretar uma perda imediata de R$ 5,6 bilhões)", diz o ministério. O ministro Gilmar Mendes Image caption Gilmar Mendes, relator do caso, já se disse favorável à redução das ações judiciais na área da Saúde | Foto: TSE/Reprodução Planos de saúde em risco? O setor de planos de saúde, por outro lado, teme que algumas operadoras (especialmente as menores) possam ficar em risco caso o STF decida que a cobrança é constitucional. As operadoras menores, principalmente as do interior, são as maiores devedoras do SUS. Em última análise, é provável que o custo de uma decisão dos ministros acabe transferido para o consumidor. Para se ter uma ideia da importância que o setor dá à questão, há até o momento 20 advogados representantes da saúde privada acompanhado este processo no Supremo. A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) enviou nota à reportagem da BBC Brasil. Para a entidade, "todos os cidadãos brasileiros que têm plano de saúde mantêm o direito de utilizar o sistema público de saúde". Por isso, não faz sentido cobrar por algo que o paciente já paga na forma de imposto, diz a entidade. "O fato de uma pessoa ou empresa decidir contratar um plano de saúde não as exime do pagamento de seus impostos e contribuições", reforça o texto da entidade. Além disso, a associação diz que o ressarcimento não se dá simplesmente pelo valor do procedimento na tabela do SUS: o valor é acrescido em 50% na hora de calcular o total devido. Se uma operação custa R$ 10 mil na tabela, por exemplo, o plano terá de ressarcir o SUS em R$ 15 mil. "As operadoras questionam do que se trata esse custo de 50% a maior. Isso seria uma taxa ou um imposto?", pergunta a entidade. Tópicos relacionados BrasilSaúdeEconomia

STF pode julgar hoje 'calote' de R$ 5 bilhões dos planos de saúde no SUS André Shalders - @shaldim Da BBC Brasil em São Paulo Há 3 horas Compartilhe este post com Facebook Compartilhe este post com Twitter Compartilhe este post com Messenger Compartilhe este post com Email Compartilhar Dinheiro e pílulasDireito de imagemGETTY IMAGES Image caption O setor de saúde privada argumenta que todos têm direito ao SUS - independente de ter plano ou não No Brasil, ninguém ganha isenção de impostos ao contratar um plano de saúde. Mesmo assim, os planos (e, indiretamente, os usuários) precisam pagar quando enviam algum paciente para o Sistema Único de Saúde. Por outro lado, é justo que a saúde pública custeie um serviço pelo qual as operadoras já estão cobrando? É essa questão que deve ser decidida pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte pode perdoar hoje um "calote" de R$ 5,6 bilhões das operadoras de planos de saúde no SUS. O STF dirá se é constitucional ou não que o sistema público cobre dos planos toda vez que atende um paciente encaminhado pela rede privada. O Supremo julgará um recurso de uma seguradora de saúde contra a Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS. Trata-se de um caso com "repercussão geral", isto é, que criará regra para todos os outros casos do tipo. O relator é o ministro Gilmar Mendes. O plano ambicioso da Nasa para salvar mundo de supervulcão nos EUA, ameaça maior que 'qualquer asteroide' Caso de romena encontrada com filha após 10 anos presa em porão choca Itália Quando uma pessoa que possui plano de saúde é enviada para fazer qualquer procedimento na rede pública (como uma consulta ou uma cirurgia), o plano é obrigado a pagar ao governo pelo procedimento. Os valores de cada serviço são tabelados e são definidos pelo próprio SUS. Essa tabela é atualizada periodicamente. Uma tomografia dos seios da face (usada para diagnosticar uma sinusite, por exemplo) sai por R$ 86. Já uma cirurgia cardíaca para correção de problemas na válvula mitral (que separa os dois lados do coração) está tabelada em R$ 7,7 mil. Sessão do Supremo Tribunal Federal Image caption Ministros do STF têm várias ações sobre a área de saúde para julgar hoje | Foto: José Cruz/Ag. Brasil O SUS é hoje responsável pela maioria dos transplantes de órgãos, por exemplo. Também faz quase todos os tratamentos de doenças infecciosas, como a hanseníase, entre muitos outros. A maioria dos estabelecimentos que oferecem esses tratamentos são públicos ou conveniados ao SUS. E é por isso que muitas pessoas que têm planos de saúde são encaminhados para o atendimento público, diz a professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Helena Eri Shimizu. O sistema funciona assim: a ANS compara a base de dados dos brasileiros que possuem planos de saúde com o registro de quem foi atendido pelo SUS. Quando encontra uma correspondência, envia a cobrança à operadora. "A forma como isso é feito hoje é pouco eficaz, e abre margem para que as operadoras contestem na Justiça os procedimentos, além de deixar alguns atendimentos de fora. Então o valor que poderia ser arrecadado poderia ser ainda maior", diz Shimizu. Uma decisão com efeito cascata O julgamento é o terceiro item da lista de temas a serem julgados hoje - antes, estão previstas mais duas ações sobre outros temas da saúde pública. Não é incomum, porém, que os ministros do STF mudem a ordem dos julgamentos. De acordo com os últimos dados da ANS, os planos contestam na Justiça o pagamento de R$ 4,99 bilhões em procedimentos realizados entre 2000 e 2017. Esse dinheiro - que não chegou a ser cobrado - depende de decisões judiciais nas instâncias inferiores da Justiça. Se o Supremo decidir que a cobrança é inconstitucional, a Justiça dará ganho de causa às operadoras, que não precisarão pagar. "Entre 2000 e 2017 foram identificados 4,51 milhões de atendimentos no SUS de usuários de planos de saúde passíveis de ressarcimento, totalizando R$ 7,5 bilhões. Desse total, apenas R$ 1,9 bilhão foram repassados ao Fundo Nacional de Saúde (responsável pelo SUS)", disse o Ministério da Saúde em nota enviada à BBC Brasil. "O Ministério da Saúde informa que a extinção da obrigatoriedade do ressarcimento ao SUS pelos planos de saúde pode causar grandes perdas ao sistema. Levantamento feito pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estima que a decisão pode acarretar uma perda imediata de R$ 5,6 bilhões)", diz o ministério. O ministro Gilmar Mendes Image caption Gilmar Mendes, relator do caso, já se disse favorável à redução das ações judiciais na área da Saúde | Foto: TSE/Reprodução Planos de saúde em risco? O setor de planos de saúde, por outro lado, teme que algumas operadoras (especialmente as menores) possam ficar em risco caso o STF decida que a cobrança é constitucional. As operadoras menores, principalmente as do interior, são as maiores devedoras do SUS. Em última análise, é provável que o custo de uma decisão dos ministros acabe transferido para o consumidor. Para se ter uma ideia da importância que o setor dá à questão, há até o momento 20 advogados representantes da saúde privada acompanhado este processo no Supremo. A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) enviou nota à reportagem da BBC Brasil. Para a entidade, "todos os cidadãos brasileiros que têm plano de saúde mantêm o direito de utilizar o sistema público de saúde". Por isso, não faz sentido cobrar por algo que o paciente já paga na forma de imposto, diz a entidade. "O fato de uma pessoa ou empresa decidir contratar um plano de saúde não as exime do pagamento de seus impostos e contribuições", reforça o texto da entidade. Além disso, a associação diz que o ressarcimento não se dá simplesmente pelo valor do procedimento na tabela do SUS: o valor é acrescido em 50% na hora de calcular o total devido. Se uma operação custa R$ 10 mil na tabela, por exemplo, o plano terá de ressarcir o SUS em R$ 15 mil. "As operadoras questionam do que se trata esse custo de 50% a maior. Isso seria uma taxa ou um imposto?", pergunta a entidade. Tópicos relacionados BrasilSaúdeEconomia

terça-feira, 7 de novembro de 2017

QUARTA EDIÇÃO DO SARAU QUINTA DAS ARTES ACONTECERÁ NO DIA 09 DE NOVEMBRO NO IFRN CIDADE ALTA
 
Será realizado no próximo dia 09 de novembro, quinta-feira, das 19:00 às 22:00h, no Auditório do IFRN Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743, Centro, em Natal-RN), o SARAU QUINTA DAS ARTES.
 
O Projeto SARAU QUINTA DAS ARTES é uma realização da ASSEFIT-RN, Associação dos Ex-alunos das Escolas Federais, Industriais e Técnicas do RN, e tem o objetivo de valorizar a cultura brasileira, em especial, a potiguar; promovendo a apresentação de artistas associados e não-associados em um evento multicultural.
 
O Evento terá uma intensa programação envolvendo várias linguagens artísticas, como Cinema, Poesia, Artes Plásticas e Música. Nessa edição de Novembro teremos um Bate-papo poético com Alfredo Neves, Ozany Gomes e Ivam Pinheiro. A exibição do curta-metragem “Sêo Inácio”, de Hélio Ronyvon e um grande encontro musical com o grupo Selenita Aparte e Zé Martins e a banda Fibra de Coco.
 
A programação ainda contará com a Exposição de Artes Plásticas “Cores de Orvalho” do poeta e artista plástico Alfredo Neves.



 

 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Festa de Nossa Senhora da Apresentação começa dia 11

ARQUIDIOCESE DE NATAL

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO 

FONE: (84) 3615-2800



A programação da festa da padroeira da Arquidiocese e da cidade de Natal, Nossa Senhora da Apresentação, terá início no próximo sábado, 11. Às 18 horas, haverá procissão, saindo da antiga Catedral para a Catedral Metropolitana, onde será celebrada missa solene, presidida pelo arcebispo, Dom Jaime Vieira Rocha.
No período de 12 a 20, a programação será intensa nas duas Igrejas. Na Igreja de Nossa Senhora da Apresentação (antiga Catedral), às 5 horas, acontecerá o ‘Caminhando com Maria’, saindo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, culminando na antiga Catedral, com a celebração de missa. Às 16h30, haverá recitação do Ofício de Nossa Senhora e missa. Já, na Catedral Metropolitana haverá celebração de missa às 8h, às 11h e às 16 horas. Nos sábados, a celebração será às 11h e às 16h30, e, aos domingos, às 7h, às 11h e às 19 horas. Diariamente, às 19h, acontecerá a novena, seguida da parte sócio-cultural, com quermesse e apresentações de cantores e bandas potiguares, no pátio da Catedral.
Os festejos serão encerrados no dia 21 de novembro, feriado no município de Natal. Todo o novenário da festa será transmitido pela internet, através dos meios de comunicação da Arquidiocese de Natal.
A programação completa da festa está disponível no site www.arquidiocesedenatal.org.br

SERVIÇO

Festa de Nossa Senhora da Apresentação


Data: 11 a 21 de novembro de 2017
Local: Igreja de Nossa Senhora da Apresentação (antiga Catedral) e Catedral Metropolitana
Cidade Alta - Centro


Área de anexos