quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Verbas federais para eleição do filho de Elias, diz Diário de Natal.

Edição de quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Filho de Elias Fernandes teria se beneficiado de verbas do Dnocs
Mais de R$ 9 milhões em recursos e de convênios foram liberados em 2010
Josie Jeronimo

Do Correio Braziliense

Convênios do Departamento Nacional Contra a Seca (Dnocs) beneficiaram o filho de Elias Fernandes Neto, diretor do órgão, nas eleições de 2010. Pelo menos R$ 9,3 milhões em recursos liberados e de convênios firmados em ano eleitoral - sem vinculação com obras emergenciais - foram para 27 municípios do interior em que prefeitos apoiaram a candidatura de Gustavo Fernandes (PMDB) para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Em 2010, de acordo com o Dnocs, R$ 12,2 milhões em recursos públicos abasteceram convênios do Rio Grande do Norte.

Elias liberou convênios que beneficiaram eleição do filho. Foto: Marco Polo/DN/D.A Press
Desconhecido no estado e com caixa de campanha oficial de R$ 259 mil, o filho do diretor do Dnocs conseguiu figurar como deputado mais votado nos municípios que receberam recursos do órgão do Ministério da Integração (veja o quadro abaixo) sem ter que rodar o estado para pedir votos. Gustavo Fernandes também recebeu uma ajuda de empreiteira que recebe recursos do Ministério da Integração. A Empresa Industrial Técnica (EIT), empresaque ganhou R$ 21 milhões da pasta em 2010, transferiu R$ 50 mil para a campanha do filho do diretor do Dnocs.

Gustavo, filho de Elias, foi um dos mais votados no estado. Foto:Eduardo Maia/DN/D.A Press
Prefeito que faz oposição ao PMDB no município de Pau dos Ferros, Leonardo Rego (DEM) reclama que sua cidade foi prejudicada nas transferências de verbas pois não fez parte do acordo. "Foi explícito, quando conversávamos com vários prefeitos da região, eles nos relatavam o privilégio da liberação dos convênios após a pactuação de apoio ao filho dele (Elias Fernandes). Há relatos de colegas prefeitos de que houve atropelo das etapas de liberação dos empenhos e que em alguns casos os convênios foram pagos em parcelas únicas e nós sabemos que para se aprovar um projeto que envolve verba federal é uma verdadeira maratona", denuncia o prefeito de Pau dos Ferros.

No estado, mudanças de comportamento de líderes municipais, como a prefeita de Martins, Maria José Gurgel, chamara a atenção dos partidos na capital. Correligionários da prefeita do DEM se aborreceram após a chefe do executivo municipal declarar apoio a Gustavo Fernandes em vez de defender a candidatura de deputados estaduais de sua legenda. A cidade tinha, desde 2008, um convênio de R$ 600 mil com o Dnocs que estava parado por falta de execução orçamentária. Após as eleições, no entanto, os recursos foram liberados de uma só vez. Procurada pela reportagem, a assessoria do departamento informou que três ordens bancárias de pagamento foram expedidas, mas a segunda ordem bancária cancelou a primeira e por isso os recursos foram todos pagos em 2011.

Os recursos do convênio destinavam-se à recuperação do acesso ao sítio arqueológico Casa de Pedra, ponto turístico da região. O apoio ao município de Martins rendeu a Gustavo Fernandes sucesso eleitoral no município. Ele recebeu 30,9% dos votos válidos na cidade. Na disputa pela Assembléia, o deputado estadual mais votado teve média de votação inferior a 4% em todo o estado. O recorde do filho do diretor do Dnocs, no entanto, foi registrado no município de Água Nova. Ele recebeu 51,3% dos votos válidos e em novembro de 2010 a cidade recebeu R$ 100 mil para a construção de uma passagem molhada, nome dado às pontes que ligam comunidades separadas por riachos.

Na lista dos convênios liberados em ano eleitoral também está recurso de R$ 150 mil para readequação de 40 casas em Alto do Rodrigues. A Controladoria-Geral da União (CGU) relacionou problemas na execução do convênio, como direcionamento de licitação e suspeita de desvio de recursos graças à utilização de empresas de fachada para realizar os serviços. Mesmo assim, eleitoralmente a proximidade do Dnocs com o município rendeu a Gustavo Fernandes desempenho de 22,2% entre os eleitores de Alto do Rodrigues.

Questionada pela reportagem, a assessoria de imprensa do DNOCS afirmou que "desconhece o favorecimento de municípios que ajudaram a campanha do Deputado Estadual Gustavo Fernandes."

Lista dos municípios favorecidos

Martins R$ 600 mil para a recuperação de sítio arqueológico 30,9% dos votos válidos.

Rafael Fernandes R$ 390 mil para passagens molhadas, em agosto de 2010 25,2% dos votos válidos São Paulo do Potengi R$ 390 mil para abastecimento de água, convênio firmado em setembro de 2010 4,7% dos votos válidos

São Bento do Norte R$ 351 mil para a construção de passagens molhadas, convênio firmado em agosto de 2010 12,2% dos votos válidos

Serra de São Bento R$ 341 mil para construção de passagens molhadas, convênio firmado em agosto de 2010 32,6% dos votos válidos Porto alegre R$ 341 mil para recuperação de açude, convênio firmado em junho de 2010 18,9% dos votos válidos

São João do Sabugi R$ 200 mil para pavimentação, repasse feito em dezembro de 2010 12,5% dos votos válidos Alto do Rodrigues R$ 150 mil para a realocação de 40 casas, em dezembro de 2010 22,2% dos votos válidos

Pilões R$ 130 mil para construção de passagem molhada, em dezembro de 2010 23,4% dos votos válidos

Água Nova R$ 100 mil para a construção de passagens molhadas, em novembro de 2010 51,3% dos votos válidos

Ceará-Mirim R$ 100 mil para a desobstrução de canal, em maio de 2010 8,7% dos votos válidos

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CANGAÇO EM APODI - UM RELATÓRIO OFICIAL (INÉDITO) DE SUMA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA. (II).

Marcos Pinto - advogado e pesquisador.


Ao receber o despacho exarado pelo Diretor, datado de 20.09.1928, logo no dia seguinte o Capitão Jacinto datilografou o seguinte documento, que hoje faz parte do acervo do Arquivo Público Estadual:
" DEPARTAMENTO DA SEGURANÇA PÚBLICA.
INFORMAÇÃO.

Ao Exmo. Sr. Dr. Diretor Geral da Segurança Pública.

Cumprindo o despacho de V. Excia, exarado na petição de Tilon Gurgel, que a esta acompanha, tenho a dizer que é em parte inexacta a narrativa do facto dela constante, como passo a expor.
Permita-me, porém, V. Excia, ligeira digressão sobre antecedentes: Ao ser nomeado para o cargo de Delegado Especial de Polícia em Apody, disse-me o Exmo. Dr. Governador confiar-me a missão mais árdua da polícia, no interior, pois se tratava de extirpar o cangaceirismo que alí se estava implantando.
De facto, chegando ao Apody, encontrei a população alarmada com as ocorrências delictuosas que se vinham sucedendo, praticadas por um grupo de maus indivíduos chefiados por Benedicto Saldanha e Décio Sebastião de Albuquerque, vulgo Décio Holanda, genro e amigo de Tilon, que por meio do cangaço esperava ser um dos chefes políticos do Apody. Verifiquei ser a residência do Tilon, em Pedra de ABelhas, um dos antros onde se reuniam os bandoleiros para combinar, com o
placet deste, as desordens que deviam cometer.
Assim, após múltiplas peripécias, em que Tilon, seu genro Décio e apaniguados tudo fizeram para amesquinhar
as autoridades e o governo, achava-me naquela cidade, quando, na noite de 26 de Dezembro de 1925, compareceram à Delegacia Especial dois indivíduos armados de rifles e apresentaram-me Manuel Delfino, preso à ordem de Tilon Gurgel que mandara trazê-lo ao Dr. Juiz de Direito e ante a ausência deste foram entregá-lo ao Delegado. Interrogados, declararam em presença de diversas pessoas que Manuel Delfino nenhum crime ou desordem cometera: Que Tilon lhes dera os rifles municiados, que traziam, e mandar prender a Manuel Delfino e que, chegando à casa deste, encontraram-no calmo, no convívio dos seus, ficando surpreso ao receber a ordem de prisão.
Efecctivamente nada autorizava esse facto. Não era possível homologasse a polícia actos abusivos de quem quer que fosse, menos ainda de quem notoriamente se conhecia como fomentador de ataques de cangaceiros e procurava sobrepor-se pelas armas, às auctoridades constituídas, das quais assim menoscabava, aparentando interesse na repressão a um delicto imaginário.
Evidenciado o facto, a improcedência da prisão, não tive dúvidas como auctoridade, em desarmar aqueles indivíduos portadores de armas proibidas, e, assim, contraventores do disposto no artigo 377 do Cód. Pen. da República.
Feita a apreensão e lavrado o termo respectivo, remetí-os a auctoridade judiciária local, para os fins de direito. Algum tempo depois, fiz entrega à Repartição Central da Polícia, nesta capital, das mencionadas armas, o que, de certo, constará do livro competente, salvo equívoco, no mês de Junho de 1926.
É o que me cumpre informar a V. Excia. Julgo, entretanto, conveniente, acrescentar que dias depois, fazia-se notório em Apody, que a indébita prisão de Manuel Delfino se fizera porque procurava mudar-se da propriedade do seu acusador, Tilon Gurgel, por tentar este seduzir pessoa de sua família, em cuja defesa resolvera tomar essa atitude, reveladora de dignidade e de prudência.
Como vê V. Excia, nenhum fundamento tem a pretensão do requerente, cujas informações não correspondem a verdade dos factos.
Natal, 21 de Setembro de 1928.
Jacinto Tavares Ferreira.
Capitão - Polícia Militar.".
Resposta rápida
<>
Para: Marcos Pinto

sábado, 21 de janeiro de 2012

As diversas formas de medicina (1)

As diversas formas de medicina (1)
Ao amigo Luiz Gonzaga Cortez
Prezado Cortez, é realmente admirável o fato de as medicinas tradicionais, como o caso da medicina chinesa, ou da própria homeopatia, não serem, na prática, reconhecidas e utilizadas por nossa ciência atual. É admirável, porém entendível que assim o seja. Cada momento na história da humanidade tem seus dogmas, tanto religiosos, quanto científicos. E assim como o cristianismo é a religião do momento presente, a alopatia é a única ciência médica verdadeira e capaz de ajudar o homem em seu caminho. “Só a alopatia salva.”
Mas se uma pessoa decide deter-se um pouco mais profundamente no estudo das religiões de todo o mundo verá que, no final das contas, todas elas falam a mesma coisa, porém sob as mais distintas vestimentas. Assim também o são as ciência médicas: se todas elas se referem a um mesmo mistério, que é o homem, como haveriam de ser diferentes?
Como posso acreditar que uma ciência com mais de 5000 anos, como a acupuntura, não é mais do que baboseira, ou o produto da imaginação de povos primitivos? Tal postura é semelhante àquela que todo adolescente tem de rejeitar tudo o que vem de seus pais quando ainda é demasiado imaturo para compreender a vida.
Tampouco podemos cair no extremo em que se encontram alguns terapeutas de acreditar que a alopatia é demoníaca: cada ciência médica tem suas potencialidades e suas limitações. O estudo comparado delas permite que um médico tenha um “arsenal terapêutico” muito mais amplo, eficaz e inócuo para “a coisa” mais importante de sua prática médica: o paciente. A melhor forma de medicina, amigo Cortez, é aquela que Cura meu paciente, com a maior eficácia, os menores efeitos colaterais e os menores custos. Isso é uma medicina sem dogmas.
Nos próximos artigos, me deterei um pouco mais em cada forma de medicina, falando sobre seus princípios gerais e sobre como supostamente elas funcionam. Que uma verdadeira curiosidade científica nos guie nessa pequena jornada.
Obs.: Artigo escrito a pedidos do jornalista Luiz Gonzaga Cortez esclarecendo brevemente como funcionam as diferentes formas de medicina. Uma pequena série de artigos seguirá a este.
Paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O cangaço em Apodi (I)

CANGAÇO EM APODI - UM RELATÓRIO OFICIAL (INÉDITO) DE SUMA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA(I).

Marcos Pinto - Historiador.

É inexpugnável a necessidade que os pesquisadores/historiadores devem ter, de elencarem os fatos históricos sempre arrimados na verdade, isento do descabido temor de ferir suscetibilidades de pessoas e/ ou famílias que protagonizaram os fatos, e que foram/são objeto de conteúdo de documentos oficiais irrefutáveis. A rebuscada leitura, de tudo o que já foi escrito sobre a história do cangaço na região Oeste potiguar, nos conduz à contundente e decepcionante certeza de que há muitas lacunas na temática. Cotejando-se os fatos históricos do cangaceirismo nestes rincões,ainda presentes na tradição oral, com os documentos oficiais ainda existentes nos arquivos-mortos cartoriais (Inquéritos/Processos-crimes), depreende-se de que os historiadores, sem exceção nenhuma, optaram por omitirem a verdade histórica, como uma forma de esconderem o libelo, o dolo, a culpa de pessoas que, por um vínculo amistoso ou formal qualquer, suplantou suas hombridades morais. Foram jagunços/ cangaceiros que protagonizaram atos belicosos,sádicos, psicopatológicos. Os relatos feitos por anciões idôneos, que viveram a contemporaneidade das décadas de 1920 e 1930, tiveram suas versões desvirtuadas, quando passadas para as páginas dos livros e dos jornais. Dura e triste constatação. Um desserviço à história e à memória dos grandes homens.
A existência de grupos armados e mantidos (Décadas de 20 e 30) à expensas de abastados fazendeiros do lugar denominado de "Pedra das Abelhas" ( Tilon Gurgel e seu genro Décio Holanda) e de Caraúbas (Benedito e Quincas Saldanha) é fato incontestável, público e notório. No ano de 1925 houve um recrudescimento do cangaceirismo em Apodi, principalmente na zona rural, tendo como foco principal um processo de cabala eleitoral com o emprego da força das armas, da coação, da ameaça velada, do chibateamento, como instrumento de insana persuasão. As duas hordas assassinas uniram-se em conluio para, sob a rubrica do cangaceirismo, proporcionarem uma vitória eleitoral ao seu assecla Sebastião Paulo Ferreira Pinto,ao cargo de Presidente da Intendência Municipal (Atual cargo de prefeito). Para a concretização do intento político, Sebastião abriu dissidência político-familiar, para se aliar a corja malfazeja e abominada pela grei apodiense. Durante os meses de Abril e Maio de 1925, as atrocidades e ameaças veladas foram se tornando amiúdes, tendo como principais protagonistas os indivíduos Décio Sebastião de Albuquerque, Benedito Dantas Saldanha, Manoel Elias de Lima, Francisco Gurgel de Freitas (Chico de Freitas, do Mulungú), Epifânio José de Queiroz e Luiz Felipe de Oliveira, contando com o veemente apoio do Dr. João Dantas Sales, então Juiz de Direito da comarca de Apodi. Diante este cenário, o então Delegado Especial de Polícia Capitão Jacinto Tavares, instaurou vários inquéritos policiais, que foram objeto de acolhida pelo Dr. Promotor de Justiça da comarca, que ofereceu denúncia contra 22 pessoas.
Felipe Guerra - o estudioso das secas e Desembargador (Cunhado de Tilon Gurgel) teve a desfaçatez de afirmar, em seu livro intitulado "AINDA O NORDESTE", pág. 79, publicado no ano de 1927, que "No Rio Grande do Norte não existia cangaceirismo", quando já era pública e notória a atuação do bando de jagunços comandados por Décio Holanda, com o ostensivo apoio do seu sogro Tilon Gurgel. Em Dezembro de 1925 o Capitão Jacinto Tavares, que se encontrava como Delegado Especial em Apodi desde o mês de Abril, apreendeu dois rifles de Tilon, portados por dois jagunços do mesmo, que tinham se dirigido ao Apodi em diligência, até à presença do Juiz de Direito, que por não se achar na cidade, fez com que os jagunços se encaminhassem, inadvertidamente, à presença do Capitão Jacinto. Vejamos a íntegra do requerimento do Tilon Gurgel, dirigido ao então Diretor do Departamento de Segurança Pública do RN, Dr. Adauto da Câmara,em 18.09.1928:
"Tilon Gurgel, criador,comerciante,agricultor em Brejo do Apody prendeu em dias do mês de Dezembro de 1925 um indivíduo de nome Manoel Delfino porque tentava matar sua própria mulher, e escoltado mandou o referido indivíduo para a cidade do Apody a fim de até ser o mesmo apresentado as respectivas autoridades policiais, que por segurança das pessoas que conduziram o criminoso forneceu dois rifles de sua propriedade. Acontece porém que o Capitão Jacinto Tavares
então Delegado Especial do Apody ao receber o criminoso apreendeu os dois rifles e estes não mais foram entregues ao suplicante. Nestes termos atenderiam que as mesmas armas são para a defesa do suplicante residente em um sítio distante dos meios populosos onde há necessidade de tal recurso, para a segurança individual e da propriedade. Requer a V. Excia a entrega das duas armas acima referidas as quais se encontram ainda em poder da polícia.
P. Deferimento.
Natal, 18 de Setembro de 1928.

O Diretor do Departamento de Segurança Pública exarou o seguinte despacho: "Informe o Capitão Jacinto Tavares".

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Prevenção de câncer de próstata.

Por Paulo Tarcísio Neto / paulo_tarcisio@hotmail.com


Medicina UFRN.
A próstata é uma glândula exclusivamente masculina que pesa cerca de 20g e se localiza na pelve (região abaixo do abdômen). Sua função não está totalmente esclarecida, porém sabe-se que participa na produção do sêmen. O governo federal está cada vez mais preocupado com o que chama de “Saúde do Trabalhador”. Temos agora um programa de Saúde Pública com foco nos homens e um de seus aspectos mais relevantes é a investigação das doenças da próstata.
São duas as doenças que mais chamam a atenção na próstata masculina: a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) e o Câncer de Próstata. Ambas, fisicamente, se caracterizam por um crescimento da próstata, porém o câncer é formado por células malignas e tem naturalmente um maior risco de mortalidade.
Os sintomas de um paciente com HPB são de uma dificuldade cada vez maior de urinar com os anos, tornando-se o jato urinário cada vez mais fraco, associado a uma sensação de que não esvaziou a bexiga totalmente e a necessidade de fazer força para urinar. Porém certamente o pior para a qualidade de vida é a necessidade de acordar várias vezes durante a noite para ir ao banheiro. O tratamento para a HPB, dentro da medicina alopática, pode ser medicamentoso ou cirúrgico.
O problema é que no câncer de próstata, o 2º câncer mais comum entre os homens, como em quase todos os cânceres, temos sucesso em seu tratamento especialmente quando descoberto precocemente. Nessa fase, ele pode apresentar-se sem sintoma nenhum, ou como se fosse uma simples HPB.

Não está escrito na testa de ninguém a presença ou ausência de câncer, de modo que é indispensável para homens com mais de 50 anos a realização anual do exame de sangue chamado de PSA e do toque retal. Somente um dos exames não apresenta um nível elevado de segurança. Se há história familiar de câncer de próstata ou outros fatores de risco, o check-up deve ser feito a partir dos 45 anos.
Não necessariamente tais exames devem ser feitos por um urologista. Um bom clínico geral também pode realizá-los. A masculinidade se encontra em agir com coragem e valor apesar das circunstâncias e de nossos medos – é fazer aquilo que deve ser feito e não aquilo que gostamos ou não de fazer. Solicite o exame ao seu médico. Seja homem.
- Com post no Blog de Paulo Tarcísio Cavalcanti  e http://www.assessorn.com/, de Bosco Araújo, jornalista.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Primeiras chuvas de 2012 foram fracas no litoral sul do RN.

As primeiras chuvas de 2012, no litoral sul potiguar, começaram a cair às 03h28 min de hoje, 8, mas fracas.Às 5h30 min, novas  fracas precipitações, seguidas de chuvas médias por volta de  07h15mim e 07h28min, mas rápidas, talqualmente os meteorologistas denominam de "pancadas". Em suma, foram chuviscos rápidos, mas as águas rolaram ladeira abaixo em Búzios e Tabatinga, Nísia Floresta. Há mais de 30 dias que não chuvia na região, o que estava ocasionando, além do calor, ventos com poeiras e mar bravio nos últimos dias, que coincidiram a fase da lua cheia. O navio africano que encalhou em Búzios, há mais de um ano, balança mais do que galhos de árvores com macacos. Os veranistas do litoral sul estão reclamando dos altos preços de alimentos nos mercadinhos de Pirangi do Norte e do Sul, Búzios, Tabatinga e Camurupim. Peixe de primeira, como cioba e cavala, estão sendo cobrados por 20 a 25 reais o quilo, enquanto o meca custa R$ 18,00. Roubalheira, dizem alguns consumidores, enquanto os comerciantes alegam que o pescado está escasso. A mesma ladainha mentirosa de sempre: quando chega o inverno, o peixe some e ficam dizendo que as chuvas impedem a pescaria. Agora estão falando que está escasso "não sei o porquê". 
O policiamento está bom. Os bombeiros estão presentes e atentos aos banhistas.O mar está bravio do litoral sul, principalmente em Búzios. Os pais não devem deixsr seus filhos menores a sós nas praias. Os "caldeirões" são constantes nesta época. Quem avisa amigo é.


Este é o ponto mais alto de Búzios: a ladeira da RN 063, onde estão as torres de telefonia celular. Local para se observar o panorama da praia de Búzios. A foto é de março de 2007. Em 18 de janeiro de 2004, salvo engano, começou a chover no litoral sul do RN. A chuvarada durou 3 dias de chuvas contínuas.


Enélio Petrovich, o nome maior da preservação histórica potiguar!

Na tarde de sexta-feira, 6, fui ao velório de Enélio de Lima Petrovich, no Instituto Histórico e Geográfico do RN, onde trabalhou durante quase 5 décadas em prol da preservação da maior instituição cultural potiguar. Dei os meus pêsames a sra. Miriam e aos filhos Enélio e Célio no salão principal do nosso IHG, onde Enélio Petrovich, o maior advogado em direito previdenciário do RN, era presença constante nas reuniões e encontros informais. Tornei-me sócio efetivo do instituto em 1983, graças ao convite de Enélio ( de sobrenome de  origem eslava, para uns, de origem germânica para outros), que foi referendado pelo confrade Minervino Wanderley. Tomei posse ao lado de outros confrades, cujos nomes não me recordo, mas me lembro que um deles foi Valério Mesquita, escritor, intelectual e político. Nunca exerci cargos no IHG porque nunca tive tempo e nem fui convidado para tal.
Não fui ao sepultamento do amigo de meus irmãos. Sim, Enélio era amigo de três irmãos meus: Cleóbulo, Francisco e Miguel. Foi amigo dos meus pais que me levaram muitas vêzes para assistir palestras de Cascudo e outros luminares da nossa cultura, nos anos sessenta. Os três irmãos não puderam comparecer, estavam fora do Estado e outro doente.
No velório, vi a governadora Rosalba Ciarline apresentar as condolência a dona Miriam e seus dois filhos e a filha. Fotografei o ambiente do velório. Recordei-me de alguns passagens da minha convivência com Enélio Petrovich, mas ainda não encontrei o momento para registrá-los. Tirei várias fotos e vou publicá-las amanhã ou depois de amanhã.
Estive com Jurandir Navarro, Ana Maria Cascudo Barreto e outros intelectuais da terra, como Racine Santos, Carlos Roberto de Miranda Gomes e outros. Gente do povo, moradores da Redinha, funcionários e seus familiares compareceram para dar o último a deus a Enélio. Encontrei-me com Jurema dos Santos Lima, minha colega e amiga do antigo Diário de Natal, prima do falecido, hoje funcionária do TRT/RN e outras pessoas que foram dar condolências à família enlutada.
No território potiguar, não teve outro homem que se preocupasse mais do que Enélio Petrovich com a conservação dos documentos mais antigos e importantes da história do Rio Grande do Norte. Que Deus o guarde em paz, Enélio de Lima Petrovich.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Policial civil atacado e agredido por bandidos em Cotovelo, litoral sul.

O agente policial civil Reno Rodrigues foi atacado por dois bandidos armados, no final da tarde do dia 29 de dezembro, na RN 063, em Cotovelo, praia do litoral de Parnamirim. Reno, 44, casado, natural de Caicó, professor de educação física, se preparava para sair da casa da sua tia, a dentista Socorro Rodrigues, "Neínha", com duas crianças, no seu  carro, quando foi abordado por um bandido que desceu de uma motocicleta. Com o cano da arma "no pé do ouvido", segundo um familiar residente em Natal, Reno não teve como reagir e foi forçado a entrar com os meninos na casa, onde foram trancados no banheiro. Os bandidos fizeram uma varredura no carro de Reno e acharam o revólver e a carteira de policial civil do Estado. Segundo a fonte, um dos bandidos disse: "Ah, então você é oolícia, né?". Em seguida, Reno, amarrado, começou a levar chutes e socos, enquanto os meninos choravam e gritavam, mas ninguém apareceu para socorrê-los. Resultado: os bandidos levaram a arma e distintivo de Reno Rodrigues e vários utensílios domésticos de propriedade de sua tia e de outros familiares que tinham saído. A família Rangel Rodrigues estava se preparando para o reveillon.
Os bandidos não foram localizados até a tarde de ontem, 5, sete dias depois do assalto, mas estaria havendo total empenho das polícias para prender os dois motoqueiros-bandidos que agiram de caras limpas. Reno estaria se recuperando dos ferimentos no rosto e no tórax.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Será que Jean Paul Prates vai comentar sobre a bateria da China?

China cria bateria do tamanho de um campo de futebol - a maior do mundo!

Com potência de 36 megawatts-hora, bateria foi ligada a um sistema que aumenta eficiência da energia renovável em até 10%
05 de Janeiro de 2012 | 15:47h
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Reprodução
Maior bateria do mundo
A distribuidora estatal de energia elétrica da China se uniu à fabricante de carros elétricos BYD para criar a maior bateria do mundo, que tem capacidade de armazenar 36 megawatts-hora de eletricidade, segundo o Popsci.

Com potência para fornecer energia para 12 mil casas durante uma hora e com investimento de US$ 500 milhões, a bateria é "pouco maior que um campo de futebol", de acordo com a estatal, e tem como objetivo aumentar a eficiência de energia renovável na província de Hebei em 10%.

A bateria foi conectada a um sistema de 140 megawatts de energia solar e eólica e a um sistema de transmissão de energia inteligente. Esses elementos, juntos, permitem que a China consiga gerar energia renovável mesmo em condições adversas, e ainda consegue armazenar o excesso gerado durante o dia dentro da bateria.

Na China, o que se comenta é que essa é apenas a primeira bateria desse nível que entrou em ação. Outras devem ser feitas no futuro, no que os chineses chamam de "modelo do futuro de desenvolvimento de energia renovável".

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Missa por Ney da Silva Gurgel morto por tresloucada.

Nei Gurgel.
Será amanhã, 4, a missa de sétima dia por Ney da Silva Gurgel (02.06.1930 - 04.12.2011), na igreja de Santa Teresinha, Tirol, às 17h30m, conforme aviso publicado na Tribuna do Norte de domingo. Ney Gurgel, como era conhecido o professor de física da UFRN, foi morto na noite de 4 de dezembro de 2011, último dia de bacanal do Carnatal, nas proximidades do Miduei, em Lagoa Seca, por uma mulher supostamente tresloucada que dirigia um veículo em alta velocidade e desejava chegar ao local do famigerado Carnatal. CHEIA DE CANA? Só se sabe que a vítima teve morte instantanea, na faixa de pedestre, abaixo do semáforo que estava em Vermelho para a condutora do carro que estava "doida" para chegar ao Carnatal, segundo informações de amigos do professor Ney Gurgel.
Nascido em Natal, filho do dentista José Gurgel, o professor Ney Gurgel residiu muitos anos na rua Felipe Camarão, Cidade Alta. Foi remador na juventude, professor de física do Atheneu e do curso de biofísica da UFRN. Deixou viúva a sra. Libânia e dois filhos (William Kelvin e Cássia) e netos. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

E o projeto de Nicanor? Tomou Doril? Vejam o vídeo na Internet, em Zero Hora de 16.10.2011.

COMENTÁRIOS (3)

fabricio
Por isso que nosso Brasil não vai para frente,somos ricos em petróleo mas pagamos caro pelo nosso combustível, nossos carros são umas carroças, os carros importados quando saem de linha em outros países vem pra cá como lançamento e top de linha. é sempre assim, em vez de darmos um passo a frente damos 10 para trás, agora será que vão revelar o que aconteceu? Claro que não, pois o povo é movido a desculpas e mentiras e isso sempre acaba ficando no passado...
17/10/2011 | 00h03 Denunciar
jose
O grande erro do inventor foi ter feito isso em um quartel da BM. Algum araponga bem "inteligente" e bem "competente" deve ter sabotado o invento. Claro! no mundo paranóico do "miliquismo" um automóvel que poluísse menos representaria um perigo para a soberania nacional, coisa de civil subversivo. Gasolina R$ 1,80 graças aos arapongasbrasileiros.
16/10/2011 | 22h25 Denunciar
O VERDADEIRO
Certa feita ouvi falar desse segredo e diziam que o engenheiro do projeto inclusive teria sumido...achava que era lenda, mas ao que parece tem seu fundo de verdade. Legal a sucata da Viatura Corsel da Brigada Militar...queiram ou não é histórico e faz parte dos anais da instituição e deve ser preservado.
16/10/2011 | 08h59 

E o projeto do professor Nicanor de Azevedo Maia, da UFRN?

16/10/2011 | 01h05

Projeto Chambrin: três décadas de um segredo de Estado

Escolhida em 1980 para acolher um projeto confidencial, oficina da BM em Porto Alegre ainda guarda partes do sigilo

Projeto Chambrin: três décadas de um segredo de Estado Fernando Gomes/Agencia RBS
Sargento Trois espia os vestígios ocultados pelo tempoFoto: Fernando Gomes / Agencia RBS
Construído em meados da década de 1960, um galpão, com 150 metros quadrados e oito metros de altura, no quartel da Escola de Bombeiros, no bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, guarda um segredo que agitou o país no século passado. 

Telhado de amianto despencando, janelas com vidros quebrados e paredes com a tinta descascada, rodeadas de mato e carcaças de viaturas, o local é fonte de proliferação de ratos e insetos. Um lacre soldado à porta enferrujada impede o acesso há três décadas e reforça os contornos do mistério.

A "descoberta do prédio secreto" aconteceu há quatro meses, quando a Brigada Militar começou reformas no quartel para abrigar a sede do comando dos bombeiros. Mas o segredo é tamanho que nem a BM teve acesso. Pleiteia na Justiça autorização para entrar no prédio da corporação. 

Fechado por ordem do Palácio Piratini em nome da "segurança nacional", o pavilhão era a oficina II do Centro de Suprimentos de Motomecanização da BM, onde eram pintados os carros dos bombeiros.

Por quase dois anos, o local serviu como laboratório para uma experiência sigilosa do governo sob os olhares vigilantes do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI): a invenção de um reator alimentado por água e álcool (em proporções iguais) que fazia mover carros, caminhões, ônibus, tratores e motores em geral, desenvolvida pelo engenheiro mecânico francês Jean Pierre Marie Chambrin.

Lacrada desde dezembro de 1982, a oficina foi cenário de um enredo recheado de mistérios e cuja pretensão era mudar os rumos da indústria petrolífera mundial e consagrar o uso de etanol. 

A experiência que revolucionaria o mercado de combustíveis e valeria, hoje, R$ 19,4 milhões, conforme calculava Chambrin, não prosperou. Permeada por interesses nem sempre claros, encobertos por suspeitas de sabotagem, boicote, furto e desconfiança, virou uma batalha nos tribunais que só teve derrotados.

>>>Leia a reportagem completa na edição de Zero Hora deste domingo

domingo, 25 de dezembro de 2011

"SOMOS A CIA DO POVO", afirma porta-voz do Wikileaks,


Porta-voz do WikiLeaks analisa as estratégias da organização e os impactos que sua atuação vem causando no mundo

 
Igor Felippe Santos, João Brant, Maria Mello e Pedro Carrano.
de Foz do Iguaçu (PR)










Jornalista islandês Kristinn Hrafnsson, porta-voz
do Wikileaks.






Foto: Helge Ogrim/CC





Regido pelo princípio de que a livre circulação de informações emancipa os povos para que empreendam suas lutas, o WikiLeaks – organização responsável pela divulgação de documentos confidenciais que revelam a má conduta de governos, empresas e organizações no mundo inteiro – chegou a tornar públicos, até dezembro do ano passado, cerca de 250 mil documentos diplomáticos estadunidenses. Por sua luta, tem sido penalizado por grandes conglomerados financeiros, como Mastercard, Visa, American Express, Bank of America etc., que têm bloqueado a transferência de doações feitas por simpatizantes no mundo inteiro, por meio de seus cartões de crédito. Apesar da tentativa de miná-la, a organização continua ativa e recebendo doações. O jornalista investigativo islandês Kristinn Hrafnsson, seu porta-voz, falou sobre o assunto ao Brasil de Fato, durante sua participação no I Encontro Mundial de Blogueiros, realizado entre os dias 27 e 29 de outubro, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Brasil de Fato – Como você chegou ao WikiLeaks?
Kristinn Hrafnsson – Depois de trabalhar mais de 20 anos com jornalismo, tornava-me mais e mais exasperado com o fato de os jornalistas não estarem cumprindo com seu papel de expor a má conduta dos governos. O jornalismo é reflexo do que acontece na Europa e nos EUA, com a noção errada de objetividade. Os jornalistas se impõem uma castração quando vão cobrir os fatos, sob o pretexto de uma pretensa objetividade. Comecei a ser muito crítico com o jornalismo. Eu tinha estado no Afeganistão, no Iraque, cobria eventos internacionais. Claro que eu estava com nojo da cobertura da imprensa sobre as questões do meu país, momentos antes das invasões ao Iraque e Afeganistão. Mas, relação a estas, via-se que os jornalistas estavam sendo alimentados com mentiras como se fossem bebês para justificar o envolvimento militar estadunidense na região
Onde você trabalhava?
Na televisão islandesa. Em 2008, houve a bolha com os bancos na Islândia, mais um exemplo de mentiras que os jornalistas compraram. Em quatro dias ela estourou e colapsou todo o sistema bancário. As pessoas que não tinham nenhuma experiência em promover manifestações políticas foram às ruas e ameaçaram queimar o parlamento. Foi, basicamente, o que derrubou o governo, um processo popular. Quando a poeira começou a baixar, começamos a receber informações de como os bancos armavam as fraudes; o trabalho interno. O que todos achavam que era um milagre econômico era simplesmente o trabalho de jovens banqueiros com tendências doentias por jogos. Em 2009 eu conheci o WikiLeaks, quando ele expôs pela primeira vez esse sistema ao publicar a carta de empréstimos do maior banco da Islândia. Eles eram tão poderosos que controlavam governos e as instituições que deveriam monitorá-los. Para mim, foi um momento chave de mudança quando eu percebi que ele podia expor o que meus colegas jornalistas não expunham, as falcatruas. Nesse período, conheci Julian Assange na Islândia e nos tornamos amigos. Ele me contou que a proposta do WikiLeaks era baseada no ideal dos hackers australianos do final dos anos 1980, e, embora o termo hacker tenha hoje uma conotação ruim, trabalhava com a ideia clara e simples de que a informação deve ser pública. No momento em que me engajei, esse movimento estava crescendo em espiral, vindo à tona esses vazamentos massivos que temos publicado desde abril do ano passado. O primeiro foi o vídeo do helicóptero num ataque ao Iraque [Assassinato colateral], que me deixou muito chocado. A ideologia do WikiLeaks é muito simples e direta: trata-se de liberdade de informação, transparência e importância dos informantes que ajudam a revelar corrupção e má conduta. Quando a notícia é apropriadamente disseminada, pode ser um veículo de mudança social, para trazer o que chamamos de justiça.
Julian Assange, fundador do WikilLeaks - Foto: Esther Dyson/CC





Qual balanço vocês fazem do resultado desses vazamentos?



É difícil avaliar os impactos, mas talvez o mais forte tenha sido o psicológico. Por mostrar que uma organização pequena pode expor as grandes más ações das nações mais poderosas, que tem o impacto de dar poder ao povo e convencê-lo de que a justiça é possível. De que é possível trazer mudanças sociais por meio da ação direta. Nós mostramos tantas informações novas sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, expondo suas realidades, que foi possível contar o que realmente aconteceu a partir dos próprios atores que dela participaram, dos papéis oficiais. Os papéis jogaram luz sobre a vocação imperialista dos EUA no mundo e mostraram como eles operam em cada país, além das informações de má conduta que os próprios EUA encontraram nesses países.
Você vê relação entre os vazamentos do WikiLeaks e a Primavera Árabe e os movimentos “Occupy”?
É quase certo que, quando começamos a expor os papéis da Tunísia, por exemplo, isso foi como um catalisador que deixou as pessoas mais furiosas para fazer a transformação. Não queremos superestimar o papel do WikiLeaks, mas acredito que as pessoas ficaram mais dispostas após os vazamentos. Mas o real ponto de virada foi a autoimolação do jovem Mohamed na praça, que derrubou o Ben Ali em dez dias. Não quero exagerar, mas acredito que alguma dose de contribuição foi dada naqueles processos. Quando as pessoas derrubaram os ditadores na Tunísia e Egito, perceberam que podiam derrubar também os maiores ditadores de todos, os bancos, o capital financeiro, as grandes corporações, que na realidade causaram mais estragos do que qualquer praga. Não houve mudanças, mesmo com esse efeito devastador. Foram socorridos financeiramente, não houve regulação do sistema financeiro em lugar nenhum. Os movimentos “occupy” são grandes apoiadores do WikiLeaks, reconhecem-se de alguma forma como lugar de inspiração. Começaram pequenos e foram crescendo, e a expectativa é a de que haja mais impulso e ganhe um papel mais proeminente. Esperamos poder entregar ainda muito mais informação sobre as instituições financeiras, que em geral trazem muito segredo e muita corrupção, geralmente em graus próximos, proporcionais. Da mesma forma em que segredos de Estado são geralmente justificados para proteger as pessoas contra o terrorismo etc, no caso financeiro, os segredos dos bancos são considerados essenciais, mas na prática são uma forma de esconder as “falcatruas”.





 

Operação militar no Iraque: informações jogaram



luz sobre a vocação imperialista estadunidense



Foto: U.S.Army











Operação militar no Iraque: informações jogaram luz sobre
a vocação imperialista estadunidense.

Vocês trabalham com informações prontas ou há situações em que, a partir do vazamento de um documento, é preciso investigar mais, aprofundar a apuração? Apenas a exposição da informação é suficiente?



Fizemos isso seja por nossa própria conta ou via parceria com outros órgãos de mídia. Depende basicamente da natureza do material. No caso do vídeo do helicóptero, trouxemos mais informações internas e divulgamos as duas coisas ao mesmo tempo, o vídeo e as informações mais detalhadas. Claro que as informações do Iraque e do Afeganistão tornaram o WikiLeaks mais famoso, mas antes disso já vínhamos trabalhando informações sobre falcatruas em todas as partes do mundo, como o banco do Julius Baer na Suíça, a Igreja da Cientologia, o despejo de lixo tóxico na África, corrupção no governo queniano... Havia um largo escopo de informações que foram sendo reveladas aos poucos, e quando você as junta vê que não é uma agenda meramente antiestadunidense.


O trabalho do WikiLeaks mostrou a hipocrisia do discurso da liberdade de expressão e do direito à informação. Você diria que as garantias legais de liberdade de expressão nas democracias ocidentais são fracas?
Um dos aspectos psicológicos mais interessantes do trabalho é justamente expor essa hipocrisia. É hilário, por exemplo, comparar um discurso da Hillary Clinton, em janeiro de 2010, falando da importância da internet para informantes conseguirem vazar esquemas de corrupção na China, e alguns meses depois se deparar com a mesma exposição, mas de seu próprio governo. O tom mudou completamente. Expusemos também a hipocrisia na mídia corporativa; revelamos, por exemplo, quão suscetíveis são empresas como o New York Times e o The Guardian para uma cultura de autocensura e de cooperação com o governo. Esses são alguns efeitos colaterais da nossa atuação. No que se refere à legislação, é frustrante ver como, ao invés de se partir de um ponto extremo de que tudo deve ser livre, com algumas exceções muito bem definidas, quando se vai trabalhar no aspecto legal em relação à democratização da informação parte-se do contrário: o segredo é a regra, apenas algumas coisas devem ser públicas, o que fere a lógica do direito público ao acesso à informação. Há também a tendência, em grande parte dos governos ocidentais, de privatizar parte importante da esfera pública, jogando o que devia ser público para o privado e acabando com a liberdade de informação. Esse é um dos problemas que fazem a ideia da liberdade de informação menos efetiva.

Qual seria a grande mudança no WikiLeaks desde o início do trabalho? Aumentou a credibilidade ou o impacto, ou eles vêm juntos? O WikiLeaks pode, hoje, garantir que se houver uma informação ele vai divulgar e que, se divulgar, ela vai repercutir?
Nós publicamos informações que foram escondidas ou suprimidas e que são de relevância política, histórica, social ou econômica. Nós somos o refúgio dessas informações. Somos a agência de inteligência do povo. A CIA do povo.

De quanto o WikiLeaks precisa para continuar trabalhando?

3,2 milhões de dólares. Uma boa parte vai ser usada para promover batalhas legais contra as corporações financeiras que estão fazendo o bloqueio econômico ao WikiLeaks, como Visa, Mastercard, PayPal, Bank of America, Western Union... vamos destruir esses canalhas. Estamos falando de expor governos, mas, pela resposta que essas organizações financeiras deram ao nosso trabalho, fica claro a quem esses governos estão ligados. Visa, American Express, estão todos ao nosso redor, e mantêm a ideia de que não são políticos, de que funcionam para todos... Você pode dar seu dinheiro para a Ku Klux Klan com seu Visa, patrocinar zoofilia com seu Mastercard, pode bancar movimentos nazi da Europa, grupos de extrema direita, você pode comprar quase tudo, menos doar para o WikiLeaks. (Colaborou Natália Viana) - Edição 460.

Extraído do BRASIL DE FATO -Edição de 17 a 23/11/2011.

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