sábado, 10 de março de 2012

Leite materno é alimento forte.

Aleitamento materno

É conhecida de todos a intensa campanha feita pelo Ministério da Saúde
e Sociedade Brasileira de Pediatria ao incentivo do aleitamento
materno. O leite materno é hoje reconhecido, sem sombra de dúvidas,
como o melhor alimento para o recém-nascido. Durante muito tempo, no
entanto, acreditou-se que o leite humano fosse fraco e que o ideal
seria alimentar as crianças com leite de outros animais, mais
“nutritivos e fortes”.
As conseqüências de tal ideologia até hoje dificultam – e como! – o
trabalho dos pediatras e médicos da família. No inconsciente coletivo
da população ainda paira ideias da mítica existência de “leite fraco”
ou de que tal mãe não consegue dar leite, reforçada pelo fato de que
crianças que se alimentam exclusivamente ao seio necessitam mamar
muitas vezes durante o dia.
Isso ocorre, pois, o leite materno é tão bom, tão adaptado ao bebê que
é rapidamente digerido, penetrando logo, logo no sangue e nas células
do recém-nascido. Dar leite de vaca em tal fase da vida é o mesmo que
dar uma feijoada pra criança: ela vai ficar quietinha, vai dormir a
tarde inteira, mas não porque foi bem alimentada e sim porque está
empanturrada.
O sistema digestivo do bebê não tem condições de digerir as proteínas
do leite de vaca, que ficam “acumuladas” no estômago, fazendo com que
a criança “se empanzine”. E, pra piorar, ainda se acreditava
antigamente que criança boa era criança gordinha. Assim, além do leite
de vaca, se dá aos recém-nascidos as piores “massas” que se pode
imaginar. Mal sabem essas pessoas que uma criança cheia de “pneus” é
tão saudável quanto o papudinho do bar.
O excesso de sais do leite de vaca pode sobrecarregar o rim da
criança. Ele também é pobre em ferro de boa “biodisponibilidade” e em
outros micronutrientes fundamentais pra uma criança saudável, de modo
que, certamente, o que se faz é cultivar uma boa anemia a médio e
longo prazo.
Não há como se discutir. O leite materno é o alimento perfeito para o
recém-nascido. Seria de se estranhar se assim não fosse, se o Supremo
Arquiteto do Universo tivesse errado na medida...
Todo recém nascido deve amamentar exclusivamente até os 6 meses de
idade, iniciando outros alimentos gradualmente a partir de então até
que possa acompanhar o cardápio da família. Mesmo que sua sogra tenha
criado 8 filhos com leite de vaca, o pediatra certamente já criou mais
de 1000 mil e talvez tenha um pouquinho mais de parâmetro pra falar do
assunto...

Paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN
paulo_tarcisio@hotmail.com

sexta-feira, 9 de março de 2012

A UFRN deveria monitorar, também,as praias do litoral sul do RN.

Natal, 09 de Março de 2012 | Atualizado às 16:30
UFRN vai monitorar orla de Ponta Negra à Redinha
Publicação: 09 de Março de 2012 às 00:00

As idas e vindas do mar em Ponta Negra destruíram o calçadão de um dos pontos turísticos mais conhecidos do Brasil, trazendo à tona um questionamento: em uma medida de prevenção, como determinar até onde a água do mar chegará nos próximos anos? Aqui no Estado, os estudos existentes não oferecem um  prognóstico preciso. De acordo com o professor do  Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Werner Farkatt, os levantamentos atuais permitem apenas afirmar que o avanço é natural e deve ocorrer em menor ou maior grau ao longo do tempo, sem grandes consequências.
Júnior SantosOntem, na maior maré registrada este ano, as águas chegaram até o calçadão de Ponta NegraOntem, na maior maré registrada este ano, as águas chegaram até o calçadão de Ponta Negra

Para definir em quais regiões o avanço se dará e em quanto tempo isso deve ocorrer, o professor explica que seria necessário ter acesso a registros históricos da região, informações que não existem. Essa realidade,  contudo, deve mudar em breve. Na próxima semana, o departamento  de Geologia, juntamente com o departamento de Geografia e o laboratório de Geoprocessamento da UFRN, deverão iniciar os procedimentos que possibilitarão o registro de tais previsões. Os primeiros resultados, no entanto, serão divulgados daqui a 14 meses.

O processo contempla um ciclo  completo de estações do ano e leva em conta, ainda, as variações  proporcionadas pelas mudanças de maré, e por isso leva tempo. "Começaremos em Ponta Negra e chegaremos até as proximidades do Hotel Praia Mar. A etapa seguinte deve contemplar a faixa litorânea que vai de Ponta Negra ao Rio Potengi, mas não há previsões de início para a segunda parte", conta o professor. O trabalho se dá através da instalação de marcos geodésicos e de sondas de varreduras  que produzirão imagens capazes de    identificar o comportamento da nossa orla. São equipamentos de alta tecnologia que colocam o Rio Grande do Norte na vanguarda desses estudos.

A equipe monitora, atualmente, o litoral setentrional do Rio Grande Norte, que vai do município de Touros ao limite com o Ceará. Nas localidades foi observado um avanço razoável, indicado pela observação de um processo erosivo relativamente natural. "Esse processo ocorre em todo Brasil. A culpa não é do mar, e sim da ocupação irregular do homem", explica Werner Farkatt. Segundo o professor, os níveis do oceano no do Rio Grande do Norte não apresentaram grandes variações ao longo dos últimos anos, principalmente em Ponta Negra.

De acordo com os cientistas que compõem a equipe, essa "invasão", é constante mas pode -  nas próximas centenas de anos - recuar. Os prognósticos mais otimistas mostram um aumento de 18 cm a 59 cm do nível do mar nos próximos 100 anos. Em áreas urbanas, esse avanço é mais notado, devido a destruição de equipamentos urbanos. Quando a temperatura das águas muda, muda também o comportamento das correntes oceânicas e dos barrancos de areia.   Se o ambiente da orla é modificado pela ação humana,  as ondas e bolsões de areia irão se adaptar de uma outra maneira,  o que tem provocado os estragos dos últimos meses em Ponta Negra.

Um porém

A tese de doutorado de Michael Vandesteen Silva Souto, do Programa de Pós-graduação em Geodinâmica e Geofísica   traz desde a perspectiva mais pessimista até a mais otimista para a orla do nosso Estado. Na perspectiva mais otimista, quando o nível do mar se elevaria "somente" um metro, o RN teria 15 cidades atingidas, entre elas Natal, Guamaré, Macau, Extremoz, Caiçara do Norte, São Bento do Norte, entre outros.

Quando os cenários vão se agravando, com a elevação do nível do mar crescendo, vão-se incluindo outros municípios como Mossoró, São Gonçalo do Amarante, Touros, Rio do Fogo, até chegar ao número de 23 municípios, sendo 12 na porção mais ao Norte e 11 na porção mais ao sul. Mais uma vez, as áreas do litoral setentrional - depois de Touros - são as mais afetadas. "Sem dúvida preocupa a situação nessas áreas, porque serão mais afetadas. Nos municípios depois de Touros, existem barreiras naturais que amenizam esses efeitos", afirmou o também professor de geologia Venerando Amaro, em entrevista concedida a Tribuna do Norte no final de  2010.  Outros relatórios fixam essa variação entre um e seis metros, mas para que isso ocorra é necessário que todos os fatores - como mudanças climáticas e nas placas tectônicas - ocorram simultaneamente ao logos das décadas, o que é improvável.

Influência das Marés - Como ocorre:

 Maré é o movimento periódico de elevação ou diminuição do nível médio das águas do mar. Ela é causada principalmente pela força de atração gravitacional da lua sobre a terra e pelo movimento de rotação do sistema Terra - Lua em torno de seu centro de massa.

O "bulbo" voltando em direção à lua é devido principalmente à força de atração gravitacional e o bulbo oposto à lua é devido à força centrípeta produzida pelo movimento da terra em torno do centro de massa do sistema terra-lua. As marés variam de acordo com as fases da lua. Quando lua, terra e sol estão alinhados na Lua Nova e na Lua Cheia, a maré é chamada de maré de sizígia, e é durante essa fase que são observadas as maiores variações no nível médio dos oceanos.
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Nota: A TV Ponta Negra, de Natal, foi a única emnissora de tevê que documentou o avanço do mar em 2010, no litoral sul, após a nossa descoberta de que os cacimbões do Exército, construídos por volta de 1943,  era notícia nacional.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Justiça ouve delegado que investigou IPEM/RN.

Delegado afastado após suposta influência de Rychardson confirma investigação no Ipem

Publicação: 07 de Março de 2012 às 14:54
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O delegado Matias Laurentino, ex-titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Ordem Tributária (Deicot), foi a primeira testemunha de acusação da operação Pecado Capital a ser ouvida pelo juiz Halison Rêgo Bezerra e pelo promotor do Ministério Público Federal Rodrigo Teles. O delegado detalhou que iniciou as investigações como prioridade da auditoria federal instituída pelo Inmetro no Ipem potiguar. Em menos de um mês, no inquérito foi destituído pelo ex-delegado geral Ronaldo Gomes.
júnior santosO delegado Matias Laurentino foi a primeira testemunha de acusação a ser ouvidaO delegado Matias Laurentino foi a primeira testemunha de acusação a ser ouvida

A Polícia Civil investiga o possível tráfico de influência na instituição, mais precisamente por parte de Rychardson de Macedo Bernardo, ex-diretor do Ipem e apontado como mentor de esquema de corrupção no órgão. Escutas telefônicas mostram que Rychardson pode ter influenciado no afastamento do delegado Matias Laurentino da Deicot, por possíveis investigações contra o principal suspeito de comandar o esquema fraudulento no órgão. O juiz Mário Jambo, que analisou inicialmente o processo da operação Pecado Capital na Justiça Federal, chegou ase posicionar sobre o assunto.

"É simplesmente estarrecedor quando este Juízo se depara com a informação de que quatro dias após o mencionado diálogo o delegado Matias Laurentino foi efetivamente transferido para outra delegacia. Fica evidente que Rychardson de Macêdo é pessoa que possui perniciosa influência política", escreveu Jambo em decisão do dia 12 de novembro do ano passado.

Após o depoimento à Justiça, o delegado Matias Laurentino preferiu não dar mais esclarecimentos sobre o caso sob o argumento de que não queria atrapalhar as investigações da Justiça Federal.

Os depoimentos na 2ª Vara Criminal prosseguem durante a tarde. Rychardson de Macedo está no local para atuar em defesa própria. Fonte: TRIBUNA DO NORTE.

segunda-feira, 5 de março de 2012

RN de fora do salão de turismo do Paraná.


Paraíba é o único Estado nordestino no Salão Paranaense de Turismo


Sábado, 03 de março de 2012 - 15h57
A Paraíba é o único Estado do Nordeste presente na 18ª edição do Salão Paranaense de Turismo, que está sendo realizado no Expo Unimed, em Curitiba (PR), nesta sexta-feira (2) e sábado (3). O evento, um dos mais tradicionais da região Sul brasileira, deve reunir, nestes dois dias, mais de dez mil visitantes, entre agentes, operadores de viagens e profissionais do turismo do Brasil e também da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
Esta é a primeira vez que o Governo do Estado, por meio da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), participa do Salão. Segundo o diretor de Marketing da empresa, Temístocles Cabral, o estande paraibano tem sido um dos mais visitados neste primeiro dia. “Já recebemos visita de muitos agentes de viagens interessados em conhecer o ‘Destino Paraíba’”, disse o executivo.
O agente de viagem Júnior Moreira, da Classtur, de Faxinal (PR), é um destes profissionais que visitaram o estande da Paraíba no evento. Segundo ele, a partir do dia 18 deste mês ele fará uma série de visitas às capitais nordestinas – e já programou passar dois dias em João Pessoa. Júnior revelou que tem excelentes informações sobre a Capital paraibana, mas pretende conhecer pessoalmente, para poder negociar pacotes melhores aos seus clientes.
Para a agente de viagem Carolina Freire, da agência Megatour Viagens e Turismo, de Curitiba (PR), João Pessoa é uma cidade “fascinante”. “A cidade tem as praias mais lindas do Nordeste”, observou. Já Débora Ritlei, agente de viagem de Carambei (PR) – onde existe uma colônia holandesa bastante populosa – a Capital paraibana é uma das mais lindas da região. Ela disse que seu namorado é paraibano, por isso já visitou a Paraíba e revelou ter se encantado com as praias urbanas e a “calçadinha”, uma área na qual adorou fazer caminhadas. “É uma cidade muito linda e tranquila”, atestou.
Estratégia – A participação da PBTur no evento em Curitiba parte da proposta de ampliar a divulgação dos atrativos e equipamentos turísticos do Estado. Esses atrativos estão sendo mostrados em um estande de 12 metros quadrados, coordenado pela estatal. “A exemplo dos eventos anteriores, a PBTur disponibilizou, sem nenhum custo, o espaço para os representantes do trade paraibano divulgar seus atrativos, infraestrutura e serviços turísticos”, observou Cabral.
No estande da Paraíba, os profissionais estão recebendo kits institucionais com material promocional contendo revistas, DVD e folder. Além da Paraíba, estão participando do Salão Paranaense representantes do Espírito Santo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu (PR).
Fonte: Governo da Paraíba/SECOM.
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Nota: Os empresários do turismo de Natal, que vivem reclamando dos governos, recebem vultosas quantias para divulgarem o potencial turístico do RN, mas as últimas pesquisas provaram que mais de 73 % dos visitantes são turistas brasileiros. No entanto, o pessoal do setor turistico potiguar quer mais verbas para a publicidade no exterior... Dá para entender? São mais de 4 milhões de reais por ano que o Estado do RN gasta com publicidade para o turismo. Mas os turistiqueiros querem mais. Não dê, não, governadora.
Parabéns para o governo da Paraíba pela iniciativa de enviar representantes para o salão de turismo nacional no Paraná.


JOSÉ, O SUCESSO DE UM SONHADOR


      Públio José – jornalista



                        Ao que tudo indica, desde os tempos mais remotos, sonhar não é um bom negócio. São inúmeros os exemplos conhecidos, através da história, de personagens que imaginaram grandes projetos, grandes descobertas, grandes invenções, grandes planos, enfim, e que amargaram cerrada oposição de seus contemporâneos. Por que será? Já agora, nos tempos atuais, a tradição popular jogou o termo sonhador na vala comum dos significados pejorativos, entranhados de preconceito, tratando-o como algo sem valor, sem graça, sinônimo de avoamento inconseqüente. Tanto é que hoje não é bom se ser identificado como pessoa que sonha, que almeja, que flutua no insondável e fértil terreno da imaginação. Quando se diz fulano é um sonhador, está-se utilizando, na verdade, de um julgamento centrado na intenção de carimbar o outro com tintas carregadas de ironia, de maldade, de ridicularia. Por quê?
                        Na Bíblia, por exemplo, são incontáveis os casos de agressividade direcionada por comunidades inteiras contra pessoas detentoras de grandes sonhos, muitas das quais arcando, além do mais, com a responsabilidade de serem portadoras de sonhos do próprio Deus, segundo testemunhos largamente conhecidos. Noé, o da arca; Moisés, o das tábuas da Lei; Davi, o que unificou os hebreus em torno de um só reino; José, o do Egito; Jeremias, o do cativeiro babilônico; Daniel, o da cova dos leões; e Paulo, e João, e o próprio Jesus, portador do plano de salvação de Deus para a humanidade, tão incompreendido no seu tempo como também nos dias de hoje. No entanto, de todos estes, José, o do Egito, foi mais odiado ainda – pelo simples fato de sonhar. Já havia contra ele uma inveja enorme dos seus irmãos por conta do amor que o pai, Jacó, lhe devotava. Seus sonhos fizeram-no ser mais invejado ainda.   
                        O livro de Gênesis, no capítulo 37, versículos 4 e 5, contempla a saga de José. “Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos os seus irmãos, aborreceram-no e não podiam falar com ele pacificamente. Sonhou também José um sonho, que contou a seus irmãos; por isso, o aborreciam ainda mais”. Porque será que aos sonhadores está sempre reservada uma taxa além da média de inveja, de ranço, de embutida rejeição? Ao que parece – e isso tem implicações até os dias atuais – o fato de sonhar impregna o sonhador de uma aura carregada de risco, de exposição avantajada, de visibilidade excessiva. José foi um caso típico. Tudo que fazia, tudo que planejava era amplificado odiosamente pelos irmãos.  A ponto de terem tramado a sua morte, só não o fazendo em função de uma estratégica mudança de planos: ao invés de matá-lo, jogaram-no numa cisterna seca – em pleno deserto.
                        A História nos aponta também a existência de dois tipos de sonhador: o que, diante das pressões, dos inconvenientes, das dificuldades, da iminência de conflito, adota uma postura de retraimento, abandonando seus sonhos, abraçando o caminho da desistência, do querer está de bem com todos, e aquele que não desiste nunca. Que enfrenta tribulações, aflições, incompreensões, sem esmorecer, sem fraquejar, alimentando-se das experiências negativas para sair do processo mais revigorado ainda. Que tal comportamento não seja confundido com intransigência cega e burra! Não. O sonhador que não desiste nunca também sabe recuar, dar um passo atrás. Só que, para este, um passo atrás não significa sinônimo de fraqueza, mas, em verdade, uma forma de se fortalecer mais ainda para seguir adiante, asfaltando, com as inesperadas dificuldades, a estrada da concretização de seus sonhos.
                        É um caminho fácil? Não, não é. Mas, junto com os dissabores, tem também seus momentos de realização. O próprio José foi um clássico exemplo disso. Em um dos seus sonhos, via que o sol (seu pai), a lua (sua mãe) e onze estrelas (seus irmãos) se inclinavam diante dele. E essa perspectiva tempos depois se concretizou. Após ser vendido como escravo, ser caluniado pela mulher de seu dono, mofar por longos dias na prisão, foi libertado pelo rei egípcio. Galgou espaços na corte e alcançou o posto de número dois na hierarquia do reino. Seu mérito foi o de nunca ter desistido de seus sonhos e de ter se mantido sempre fiel a valores e princípios recebidos do seu Deus – o mesmo Deus que assegura hoje “fiel no pouco, no muito te colocarei”. José perdoou os irmãos, reinou sobre os seus e sobre o Egito inteiro. Inscreveu seu nome na História. Ah, os sonhos! Vale à pena tê-los e preservá-los. Ah, como vale!           
                             



domingo, 4 de março de 2012

Médico denuncia laudo de trânsito.


Carta aberta à governadora do RN, Dra. Rosalba Ciarlini
SOBRE DESONESTIDADE E MANIPULAÇÃO PERICIAL NO TRÂNSITO
José Delfino – médico – CREMERN 531               
Em 23 de dezembro passado, um bacharel em Direito, bêbado, às seis da manhã, cortou em alta velocidade o sinal da Prudente de Morais com a Nascimento de Castro e destruiu o carro da minha mulher, Margareth Dore (perda total para fins de seguro). Ela escapou da morte por puro milagre. Foi internada com concussão cerebral e ainda hoje está com amnésia lacunar, possivelmente para sempre.
O causador da tragédia, visivelmente em estado de embriaguês, comentava na ocasião que não aconteceria nada, pois tinha costas largas. Sob influência do pai (agente da policia federal que tentou de todas as maneiras obstruir o serviço da perícia) se negou a fazer o bafômetro. Alegou na delegacia, ainda em visível estado de embriaguês, que não permitiria ser colhida amostra de sangue, no ITEP, por motivo religioso (dizia ele ser católico).
O carro do delinquente embriagado, autor da colisão criminosa e dolosa, apesar de estar com a documentação vencida há dois anos, não foi apreendido, assim como não foi retida a sua carteira de habilitação. Em apenas 48 horas foi emitido um laudo pericial, manipulado e falso, onde as posições dos carros foram criminosa e propositalmente invertidas. De posse do laudo manipulado a seu favor, o autor do crime doloso partiu, pasmem, para intimidação e chantagem: ou pagaríamos todas as despesas ou iriam à justiça.
Contestamos o laudo, por via administrativa, e nada aconteceu. Hoje, quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012, pela manhã, fomos chamados para conversar. A “conversa”, que na realidade foi um monólogo, girou em torno de um novo laudo, no qual agora se lê que não existem provas suficientes para conclusão de culpabilidade das partes. Apesar de me terem  dito, durante o “monólogo”, que foram constatados fatos realmente graves com relação aos que fizeram a perícia e a quem assinou, ou quem influenciou (?) o laudo.
O comandante geral da Polícia Militar mostrou-se indignado, na minha presença e de outras testemunhas, com os absurdos encontrados no laudo inicial. Mesmo assim, optaram por um novo laudo, no qual não se apontavam culpados. Em tempo, o advogado bêbado é de uma família de policiais militares. Um tio é  coronel e exerce função de confiança no gabinete de Vossa Excelência.
É triste se constatar a ocorrência de atitudes criminosas e desonestas, bem como assistir, com revolta , o cinismo inserido nessa cabal demonstração de certeza de impunidade, por pessoas que são pagas para defender o direito do cidadão e fazer justiça.

Como encarar a asma.


Asma
                A asma é uma doença inflamatória crônica do trato respiratório que acomete entre 7 e 10% da população mundial. A idade mais comum de surgimento de tal enfermidade é durante a infância – o que corresponde a 75% dos casos – mas algumas pessoas desenvolvem a patologia na terceira idade, mais comumente entre 50 e 70 anos. Boa parcela das crianças que desenvolvem asma se curam espontaneamente ao chegar a idade adulta.
                Existe um forte componente genético por trás da asma: se um dos pais apresenta a doença, a chance de a criança desenvolvê-la é de cerca de 25%; se os dois pais a apresentam, as chances aumentam para 50%.
                Além do fator genético, no entanto, é necessário haver um desencadeante ambiental para as crises de asma. O fato é que, uma vez que as vias aéreas estão “irritadas”, componentes normais do ar e dos ambientes, que não fariam mal a outras pessoas, sensibilizam as vias aéreas do asmático, desencadeando as crises. É como quando não dormimos à noite e, no dia seguinte, qualquer “coisinha” fora do lugar é o suficiente para nos tirar do sério. Ácaros, poeira, stress emocional, mudanças de clima etc. tudo isso pode desencadear uma crise de asma.
                As crises de asma são compostas, normalmente, por tosse, falta de ar (dispneia) e “piado no peito” (sibilância). Diante de tais sintomas, até que se prove o contrário o indivíduo tem uma crise de asma brônquica – porém é indispensável a avaliação médica para a exclusão de outras enfermidades.
                Existe medicações para retirar a criança da crise – nesse caso, a alopatia, ou medicina ocidental – é praticamente imbatível, e as medicações para manter as pessoas fora da crise – aqui, vale a pena experimentar especialmente a homeopatia, sem igual em problemas alérgicos. A asma tem tratamento e pode ter cura.

Paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN

sábado, 3 de março de 2012

O homem que matou 500 homens na Finlândia.


Simo Häyhä era um pacato fazendeiro e vivia lá na gelada Finlândia, sossegado em seu canto. Até que um belo dia, em 1939, a União Soviética resolveu invadir seu país.
Inconformado, resolveu fazer alguma coisa por conta própria. As invasões aconteciam pela floresta. Então pegou seu velho fuzil, enfiou um monte de comida enlatada na mochila e se plantou sozinho no alto de uma árvore, onde passava seus dias dando "pipoco" em russos.
Sem exército e encarando um terrivel frio que variava entre 20 e 40 graus negativos. Ninguém esperava um ataque naquelas condições. Mas começaram a aparecer, do nada,  uns furinhos no meio da testa dos soldados, que iam caindo um por um.
A história se espalhou rapidamente e quando descobriram que aquela chacina era obra de um único Atirador, o terror se instalou na tropa. Chamavam o cara de “morte branca”, por causa da camuflagem. Missões inteiras eram montadas. Forças-tarefa eram enviadas para o meio das árvores, mas ninguém voltava. Häyhä matava pelotões inteiros. Derrubava um por um.
Você consegue enxergar o Häyhä nessa foto? Pois é...
Depois tentaram de longe, usando contra-snipers. Foram todos mortos. Ninguém conseguia pegá-lo. Usava técnicas aprendidas na prática para ficar invisível, como miras comuns sem lentes para não refletir o sol, neve na boca para não expor sua respiração, apertava a neve a sua frente para que os tiros não “soprassem”, etc.
A contabilidade de Simo Häyhä depois de 100 dias enfiado na floresta comendo sardinha enlatada, era a seguinte: 443 mortos com o fuzil, mais uns 150 mortos com sua metralhadora de mão. Oficialmente foram 505 mortes creditadas a ele, só nesse periodo. Nessa altura não havia mais ninguém para enfrentar Simo Häyhä.
Com o placar marcando 500 x 0, ninguém mais tinha coragem de fazer nada. Era, simplesmente, suicídio.
Aquilo foi indignação e vergonha demais para o exército russo, que resolveu bombardear a área só para matar um único soldado inimigo!  Mas, mesmo embaixo de uma chuva de bombas e ferido, Häyhä conseguiu escapar. Até que no dia 6 de março de 1940, já cansado, Häyhä foi finalmente atingido por uma bala explosiva que arrancou metade do seu rosto. Era o fim do “morte branca”.
Porém, depois de uma semana, em 13 de março de 1940, exatamente no dia em que a guerra entre os dois países acabou, Simo Häyhä recobrou sua consciência.
Foram anos até conseguir se recuperar, mas sua mandíbula foi refeita e Häyhä acabou voltando a sua vida pacata, como um grande Caçador de alces e criador de cães.
Em 1998, em uma entrevista, perguntaram como ele conseguiu se tornar um Atirador tão extraordinário. Respondeu com uma palavra: “Praticando”. Quando perguntado se havia algum arrependimento por ter matado tantas pessoas, respondeu: “fiz o que precisava ser feito, da melhor maneira possível”. Preciso também com as palavras.
Simo Häyhä é considerado o maior e mais eficiente franco-atirador de todos os tempos. Passou seus últimos anos morando numa pequena vila. Claro, bem na fronteira com a Rússia.







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sexta-feira, 2 de março de 2012

Atenção Jovens para alguns concursos abertos!

EVENTOS    CONCURSOS
PLANEJAMENTO E TRANSPARÊNCIA - Reconhecida por sua capacidade de organização e lisura na realização de vestibulares, a FUNDAÇÃO CESGRANRIO passou a ser procurada por órgãos públicos para a realização de concursos. Os concursos já realizados, cercados da maior garantia de eficiência e qualidade, dentro de normas altamente profissionais de segurança quanto ao sigilo das provas e transparência do processo, são a prova inconteste da experiência da FUNDAÇÃO CESGRANRIO nesses tipos de atividade.

Concursos Abertos 


Concursos em Andamento 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

E se essas quadrilhas chegarem em Natal?

Al-Qaeda e Estados Unidos disputam controle do tráfico em João Pessoa

No dia 11 de setembro de 2001, dois aviões se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, no maior ataque terrorista da história. O atentado foi cometido pela organização Al-Qaeda, de Osama Bin Laden. Durante anos, os Estados Unidos tentaram capturar o terrorista e em maio do ano passado Bin Laden acabou morto por tropas norte-americanas.
Inspirados neste conflito, bandidos de João Pessoa, na Paraíba, criaram, nos últimos anos, duas facções criminosas que disputam o controle de comunidades da cidade: a Al-Qaeda e os Estados Unidos.
A Al-Qaeda foi criada há cerca de dez anos. Segundo o titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil, Alan Murilo Terruel, a ideia surgiu de um grupo de presos que planejava se estabelecer em determinadas localidades de João Pessoa e, para isso, usava de extrema violência. Daí, o nome Al-Qaeda, que também é chamada de Okaida.
“A ideia da Al-Qaeda se alastrou e virou até funk. Eles se inspiraram no Osama Bin Laden e pretendiam realizar ações kamikazes”, diz Terruel. A facção se propagou por alguns bairros de João Pessoa, como Mandacaru, São José, Novais, Alto do Mateus e Ilha do Bispo, e nestes locais uma estrutura de tráfico de drogas.
O grupo, segundo as investigações, vendia de 20 kg a 30 kg por semana de crack, droga fornecida pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), organização que age nos presídios de São Paulo.
No ano passado, após sucessivas ações da polícia para reprimir o tráfico, integrantes da Al-Qaeda chegaram a promover badernas na cidade, como a queima de dois ônibus. Um de seus principais líderes, criminoso conhecido como Fão, acabou transferido para o presídio federal de Porto Velho (Rondônia).
O delegado Terruel afirmou ao iG que os integrantes da Al-Qaeda tem peculiaridades próprias. Entre elas, tatuar palhaços (bobo da corte) e o boneco Chuck, do filme “Brinquedo Assassino”. Outra característica, segundo ele, era montar um “Exército de Viciados”, ou seja, recrutar jovens consumidores de drogas para trabalhar para o tráfico e, em troca, oferecer entorpecentes como pagamento pelos serviços. Crianças e adolescentes também são admitidos pelo grupo.
O promotor Herbert Carvalho, do Gaeco (Grupo de Combate às Organizações Criminosas), afirmou ao iG ter informações de que o ingresso na Al-Qaeda é feito mediante um “ritual de iniciação” no qual a pessoa precisa matar outra para se filiar ao grupo. Segundo ele, neste caso, as principais vítimas seriam os que possuem dívidas com os traficantes. No entanto, caso não existam alvos específicos, os suspeitos procuram vítimas, quem quer que seja, informou o representante do Ministério Público.
Os traficantes seguidores da Al-Qaeda desafiavam a polícia. Ousados, os criminosos escreveram uma mensagem em um muro: “Não entre. Vai levar bala”. Em setembro do ano passado, pelo menos três escolas de João Pessoa fecharam após surgirem boatos de que os criminosos desta facção iriam incendiá-las. Os bandidos picharam a sigla do grupo (OKD) no muro de um dos colégios.
Bandeira e carpa japonesa
A facção Estados Unidos surgiu depois da Al-Qaeda. O delegado Terruel não tem uma data exata para a criação do grupo, mas disse que o objetivo era fazer frente aos rivais da Al-Qaeda. O grupo atuava principalmente no Mandacaru, onde dividia as bocas de fumo com a facção inimiga, e também na comunidade Bola na Rede, no bairro dos Novais. A quadrilha tinha como uma das características recrutar menores de idade para trabalharem no tráfico.
De acordo com o coordenador da DRE, para demonstrar a força da quadrilha, os bandidos chegaram a pintar a bandeira dos Estados Unidos em seus domínios. Os criminosos também usavam tatuagens com o símbolo ou de uma carpa japonesa (espécie de peixe), sendo este último também utilizado por membros do PCC paulista. O principal líder da facção, o bandido conhecido como Alexandre Neguinho, foi transferido para o presídio federal de Porto Velho.
“Os ‘americanos’ comercializam até mesmo o oxi. Há cobrança de dívidas de drogas que chegam a culminar com mortes”, disse o promotor Herbert Carvalho.
Bala perdida
Um capítulo da guerra entre os dois grupos ocorreu no último domingo (26). Bandidos ligados aos Estados Unidos atacaram os rivais no bairro dos Ipês. O tiroteio deixou uma criança de quatro anos ferida por bala perdida.
No último dia 16, dois homens foram presos em Mandacaru suspeitos de terem matado um adolescente de 14 anos. Um deles tinha a bandeira norte-americana tatuada na perna e disse à polícia ser inimigo da Al-Qaeda.
Outros confrontos entre integrantes dos dois grupos resultaram em mortes no Mandacaru, na comunidade Bola na Rede (que fica no bairro dos Novais) e também na localidade de Taipa, no bairro Costa e Silva. Na Bola na Rede, a Al-Qaeda expulsou os rivais.
Presídio
A rivalidade entre Al-Qaeda e os Estados Unidos também ocorre no sistema penitenciário. Na última semana de outubro, um confronto entre detentos das duas facções resultou em uma rebelião no presídio do Roger. Dois presos acabaram mortos e 13 ficaram feridos. Dias antes, também devido a uma briga entre as gangues, um presidiário acabou morto e teve o corpo esquartejado na mesma unidade.
Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da Secretaria Estadual da Cidadania e da Administração Penitenciária, Manoel Leite, as brigas entre as gangues são frequentes nos presídios.
De acordo com ele, os presos das duas facções ficam em celas separadas mas acabam se encontrando durante os banhos de sol ou refeições quando ocorrem as confusões. Na semana passada, cinco presos ficaram feridos durante uma briga entre os grupos rivais, segundo o sindicalista.
O promotor Herbert Carvalho disse ao iG que, em razão da transferência de integrantes das duas facções para presídios do interior do Estado, houve uma migração de integrantes para outros municípios da Paraíba. A Al-Qaeda, por exemplo, teria ramificações em outras cidades paraibanas também como Bayeux, Cabedelo e Santa Rita.
Assim como acontece no Rio de Janeiro com as facções Comando Vermelho (CV), Amigos dos Amigos (ADA) e Terceiro Comando Puro (TCP), os grupos paraibanos lançaram funks na internet e nas letras há mensagens incitando a violência contra os rivais.
Entrada do PCC
O delegado Alan Murilo Terruel disse ao iG que a facção criminosa PCC estaria planejando se estabelecer no Estado. Segundo ele, já haveria conversas entre integrantes da facção paulista com membros da Al-Qaeda em presídios de Pernambuco para firmar uma aliança.
O policial afirmou que o PCC forneceria, a cada 20 dias, cerca de 50 kg de crack para os traficantes paraibanos. No entanto, estaria tendo dificuldades de se obter lucro porque nem tudo é vendido em razão da violência empregada pelas facções nas comunidades, o que tem resultado em diversas ações da polícia.
“O PCC não domina as áreas de venda de drogas de João Pessoa e quer traçar uma nova linha de comando na cidade, mudar o funcionamento destas facções. Para eles, quanto mais violência mais vai ter ação da polícia e prejudicará a venda de venda de drogas”, disse.
O delegado disse temer que integrantes das duas facções reajam aos interesses do PCC porque isso poderia provocar novos confrontos. No final de 2010, um suposto integrante da organização paulista foi morto no bairro de São José, reduto da Al-Qaeda. Na ocasião, ele estava de posse de um estatuto do grupo de São Paulo.
Mario Hugo Monken, iG
Bananeiras Online

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Antigamente era bom dirigir em Natal.

EDIFÍCIO-GARAGEM
Públio José – jornalista
Certa ocasião um parente meu, de férias por aqui, comentava sobre a facilidade de se dirigir em Natal. Vivíamos décadas atrás. Morador do Rio de Janeiro, narrava a tortura que era dirigir no Rio e de como era tranqüilo fazê-lo em Natal. O tempo passa e vemos hoje Natal com um sistema viário complicado. Aliás, retiro o dito. Natal é, ao contrário, uma cidade bem traçada, dotada de ruas e avenidas largas, ideais para o escoamento do tráfego de veículos. Seu trânsito ficou atravancado em função de décadas e décadas de omissão dos governos em relação ao crescimento da frota e, por outro lado, pela não realização de obras que preparassem o conjunto viário da cidade para uma demanda que cresce a cada dia. Daí que o atual sistema de ruas e avenidas de Natal está adequado para uma época que já se foi, que já passou. E o novo tampo que chegou encontrou a cidade despreparada, desaparelhada para tal fim.
A estrutura de então, planejada à feição para a frota de Simcas, Gordinis, Dauphines, Aero Willys, Fuscas e assemelhados, via desfilar, pela Natal dos anos sessenta, uma realidade na qual o ritmo de vida era perfeitamente apropriado ao sistema viário da época, com estacionamento em todos os recantos. No centro, por exemplo, a Rio Branco e a João Pessoa eram usadas, sem problemas de engarrafamento, como vias de mão dupla. O que foi feito, então, para adaptá-las à realidade atual? Nada. A não ser transformá-las em mão única, permanecendo-as com o mesmo rosto urbano, o mesmo traçado original. Outra questão interessante envolvendo o assunto em Natal – principalmente no âmbito do poder público – é que nenhuma discussão é levantada, que aponte solução inteligente, viável, descomplicada para os sucessivos engarrafamentos que atingem as várias regiões da cidade.
Há um estéril silêncio como se o natalense estivesse gostando do trânsito que enfrenta diariamente, ou, por outro lado, acomodado, anestesiado, sem forças para protestar contra a omissão das autoridades, sem ao menos exigir delas idéias, por mais simples que sejam, para minorar o problema. Enquanto isso, a frota de veículos aumenta a cada dia. Segundo dados de 2011 do Denatran, Natal conta atualmente com 282.319 veículos, incluídos nessa categoria automóveis, bondes, caminhões, tratores, caminhonetes, micro-ônibus, ônibus, motocicletas, motonetas, com exclusão de bicicletas, lanchas, barcos e carroças de tração animal, embora também contribuam para engarrafamentos. Como se vê, muitos veículos para pouco planejamento! Enquanto mundo a fora o problema faz parte das preocupações rotineiras das populações e autoridades, por aqui o tema passa ao largo incólume, altaneiro.
Soluções inteligentes, criativas, existem e que até dispensam o envolvimento direto do poder público. Uma delas é a construção de edifícios garagem. Opção simples tendo em vista a dificuldade de estacionamento que a frota enfrenta, ficando a rodar um tempo acima do normal à procura de vaga, engarrafando mais ainda o que já está bastante engarrafado. Nesse sentido, cabe ao poder público trazer o assunto à discussão e incentivar a iniciativa privada a investir em edifícios garagem. Essa idéia resolve a questão? Não. Porém, sem onerar os cofres públicos, soluciona um problema gritante que a cidade enfrenta: a falta de espaços para estacionamento, fato que tanto prejudica a fluidez do tráfego. Essa, por sinal, é uma das bandeiras que quero abraçar, como forma de, pelo menos, ver o assunto trazido à luz, já que, por aqui, a discussão com frivolidades rouba tempo aos temas mais caros à cidade.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um mossoroense no comando da PRF potiguar.

Home Universo Entrevista Rosemberg Alves de Medeiros

Rosemberg Alves de Medeiros

O Mossoroense.
rosemberg_alvesAos 42 anos, natural de Mossoró, o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Rosemberg Alves de Medeiros assumiu a Superintendência do órgão em maio do ano passado.
Bacharel em Administração de Empresas e Direito pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e especialista em Segurança Pública e Cidadania pela mesma instituição de ensino, o superintendente faz um balanço do período em que está à frente da PRF-RN, revela quais são as principais dificuldades existentes no órgão atualmente e destaca as ações que estão sendo planejadas para melhorar a qualidade do serviço prestado pela Polícia Rodoviária Federal.
Na entrevista da semana do caderno Universo, Rosemberg Alves ainda aborda temas como a rotina de trabalho na PRF, avalia as condições das estradas federais que cortam o Estado e faz um alerta quanto à junção dos fatores álcool e direção. Acompanhe.
Por Maricelio Almeida
maricelio_almeida@hotmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
O Mossoroense: O senhor assumiu a Superintendência da PRF-RN em maio do ano passado. Qual o balanço que o senhor faz desse período à frente do órgão?
Rosemberg Alves:
Mesmo após 18 anos na instituição, ter dirigido a delegacia da PRF em Mossoró em duas oportunidades, ter trabalhado na implantação de projetos em diversas áreas na instituição, atuar como instrutor na área de gestão de pessoas, assim mesmo foi um grande desafio para mim. Trabalhar com segurança pública não é uma tarefa fácil de ser realizada, principalmente na gestão. Num primeiro momento, mantive o que estava dando certo, pois muita coisa estava bem engrenada. O primeiro objetivo era melhorar a gestão, pois nenhum órgão público, ou melhor, nenhuma instituição pública ou privada trabalha bem se não houver um sério compromisso nessa área. Nesse contexto, foi feito um mapeamento de processos dentro da sede de nossa regional. Com isso, pudemos enxergar as reais necessidades e os ajustes que deveriam ser feitos. Foram detectados alguns problemas cruciais e ainda estamos trabalhando para solucioná-los. A área de administração e finanças foi reforçada, pois só assim pudemos concluir, no final do ano passado, as licitações para as construções e reformas de unidades operacionais, bem como a aquisição de equipamentos, com execuções e entregas previstas para este ano. A área operacional é de extrema importância. Por conta da falta de efetivo, muitas rodovias estão descobertas, mas com o esforço de todos os policiais operacionais, administrativos e uma gestão eficiente da seção de policiamento e delegacias, conseguimos um avanço significativo no policiamento ostensivo, otimizando os recursos disponíveis. Isso é possível, realizando o deslocamento de policiais de uma delegacia para outra, de acordo com a necessidade, seja pela existência de um evento específico ou um feriado local, por exemplo.
OM: E quais as expectativas do senhor daqui para frente enquanto superintendente da PRF-RN?
RA:
A PRF tem procurado desenvolver um trabalho de excelência, mas esbarra em algumas dificuldades de ordem técnica e estrutural. Mesmo assim, sou otimista em relação ao futuro. Os próximos dois anos serão fundamentais para o RN, e a PRF não está fora dessa realidade. Com o advento da Copa do Mundo em 2014, todos os segmentos da segurança pública estão se preparando de forma a atender essa necessidade. Tenho grandes expectativas de recompor o efetivo, e com uma melhor distribuição ao longo de trechos atualmente não policiados. Há uma orientação da Coordenação-Geral de Operações para que na Região Metropolitana de Natal exista apenas uma delegacia. Isso melhorará em muito a gestão do efetivo, principalmente por conta da Copa do Mundo. Esse processo está em andamento e será detalhado junto ao efetivo das delegacias envolvidas com o intuito de chegarmos a uma decisão no tempo adequado. Por outro lado, temos uma necessidade urgente de localizar mais uma unidade operacional na Região Oeste, talvez na cidade de Pau dos Ferros. Já temos um estudo em andamento e esperamos solucionar esse problema até o final do ano. Ainda em relação às unidades operacionais, o posto 1 da PRF em Mossoró, saída para Natal, vai ter nova localização. O novo posto estará situado logo após a ponte do rio Angicos, sendo um local estratégico, pois existe ali um, digamos, filtro natural, por conta da passagem obrigatória sobre aquela ponte. Além disso, foram licitadas as construções de uma nova unidade na cidade de São Gonçalo do Amarante e outra em Caicó. Quanto aos materiais e equipamentos, foram licitados no final do ano e aguardamos receber no primeiro semestre de 2012, fardamento, composto de gandolas e botas táticas, mobiliários para os postos, viaturas para reposição, cones, material de cozinha, material de informática, dentre outros.
OM: Como o senhor avalia as condições atuais das estradas federais que cortam o Rio Grande do Norte?
RA:
Estiveram em condições piores. A relação entre a PRF e o DNIT, órgão executivo rodoviário da União, melhorou bastante. Atualmente, trabalhamos numa parceria muito salutar, existindo espaço para, levando em consideração a segurança viária, darmos sugestões e solicitarmos intervenções em trechos mais críticos. Obras importantes estão sendo realizadas na BR-304, BR-226, BR-101, dentre outras. A expectativa é que nos próximos dois anos, vejamos uma melhoria substancial. Especificamente, em Mossoró, aguardamos ansiosamente a conclusão da duplicação de parte da BR-304. Certamente os acidentes diminuirão e muitas vidas serão preservadas.
OM: Hoje, quais são os principais tipos de infrações cometidas nas rodovias federais do Estado? E em Mossoró?
RA:
No RN, para se ter um ideia, no período de 1º de janeiro de 2010 até o dia 23 de fevereiro deste ano, as multas por excesso de velocidade, ultrapassagem indevida e dirigir sem ser habilitado atingiram a marca de mais de 25 mil autos. Mesmo com essa quantidade de multas os acidentes graves envolvendo esses tipos de infrações são muitos. Em Mossoró, a ultrapassagem indevida, dirigir sem ser habilitado e licenciamento vencido são as principais.
OM: Com a implantação da Lei Seca, sancionada em 2008, o número de acidentes nas estradas federais reduziu? Qual a avaliação que o senhor faz desses quase quatro anos da nova legislação?
RA:
De certa forma sim. Num primeiro momento, quando ainda em formato de Medida Provisória, onde se proibia a venda de bebidas ao longo das rodovias, incluindo o perímetro urbano, ocorreu uma queda vertiginosa no número de acidentes graves. Quando transformada em lei, essa proibição deixou de existir. Coincidência ou não, os números voltaram a subir. Mas é importante enfatizar que a ingestão de bebida alcoólica na condução veicular é um problema cultural também. Percebe-se que ao longo desses últimos anos, e aí entra a importância da Lei 11.705, denominada Lei Seca, houve uma mudança de paradigma, onde os órgãos de segurança pública e a própria sociedade passaram a entender a gravidade da situação. As polícias de trânsito, bem como as judiciárias, passaram a conhecer e efetivar uma nova rotina. O estado do Rio de Janeiro é exemplo nacional. As estatísticas da Polícia Rodoviária Federal apontam que o fator "álcool" tem uma participação enorme nos acidentes mais graves. Essa realidade faz com que o planejamento das ações rotineiras da PRF dê um enfoque específico a esse problema. A PRF do RN tem feito seu dever de casa. Na operação de final de ano, fomos responsáveis, no âmbito das rodovias federais, por quase 10% das prisões efetuadas no Brasil pela ingestão de bebida alcoólica. No Carnaval deste ano, o percentual voltou a se repetir. Creditamos a essa e outras ações, com o apoio de nosso pessoal operacional, a redução do número de mortos em quase 70% e vítimas graves em 40% no último Carnaval.
OM: Atualmente, quantos veículos estão apreendidos pela PRF no Estado? E o que a polícia pretende fazer com eles?
RA:
Temos quase mil veículos retidos em nossos postos, e esse é um dos nossos maiores problemas, mas estamos caminhando para uma resolução. Tentarei explicar a situação. Temos veículos apreendidos, que são de responsabilidade da Justiça, a quem solicitamos que os mesmos sejam retirados e estamos aguardando. Temos veículos envolvidos em acidentes graves, que são peças de inquérito da Polícia Judiciária. Também solicitamos a retirada imediata, inclusive com auxílio do MPF, e estamos aguardando. Os automóveis nessas condições somam quase 30% do total estacionados nos postos. Os outros 70% são veículos retidos, que aguardam a regularização para liberação, mas os proprietários não aparecem, pelo fato de que os débitos de impostos, licenciamento e multas em atraso, superam o valor do bem. Bom, aqui começa o grande problema. Existe uma complexidade muito grande para leiloar esses veículos, pois depende de negociação institucional entre a PRF, Detran, Secretaria de Tributação, prefeituras e outros. Vamos iniciar um novo processo ainda no primeiro trimestre deste ano para um novo leilão, mas não será uma tarefa fácil. Mas enquanto isso, o que fazer com esses veículos? O que fazer para evitar que eles se acumulem em nossos pátios, ocasionando uma poluição visual que tanto chama a atenção do cidadão que passa em frente aos nossos postos? Abrimos também um processo para a construção de pátios em Mossoró, Natal e Currais Novos, fora de nossos postos, para organizarmos melhor os veículos retidos. Com essa medida, podemos dar um aspecto melhor aos postos que serão construídos ou reformados.
OM: Inspetor, como funciona a rotina de trabalho dos policiais rodoviários federais?
RA:
Trabalhamos em regime de escala de serviço de 24 x 72, ou seja, a cada dia trabalhado o policial goza de outros três para o descanso. Mesmo com essa aparente "folga", destaco que o trabalho policial está entre os mais estressantes na atualidade. Não é incomum afastamentos médicos ocasionados por traumas no trabalho, seja em virtude de atendimento a um acidente, que o marca sobremaneira, ou um trabalho voltado para o enfrentamento ao crime, que tenha colocado sua vida em risco. O policial sai de casa com hora marcada para entrar em serviço, mas não tem como garantir à sua família o seu retorno, infelizmente. O PRF atende todas as ocorrências ao longo das rodovias federais, incluindo o acidente de trânsito, auxílio a usuário, enfrentamento aos crimes nas suas variadas facetas, desobstrução das vias, retira de animais, dentre outras atividades. Em Mossoró mesmo, que eu lembre, já registramos em duas oportunidades a realização de partos dentro de viaturas da PRF. Na verdade, embora tenhamos um planejamento diário, também o que determina a ação da PRF é a necessidade do cidadão. Apesar da existência de postos fixos, com abordagens e fiscalizações, a área de maior atuação é na rodovia, embaixo de sol ou chuva, de dia ou de noite.
OM: Existe previsão de realização de novo concurso na PRF-RN?
RA:
No momento estamos dando continuidade ao concurso de 2009. As etapas que incluem testes de capacidade física, apresentação de exames clínicos e o psicotécnico já estão em curso, com o cronograma publicado no site do DPRF bem como no da empresa responsável pelo concurso. A última etapa será o Curso de Formação Profissional, que iniciará em junho, com a conclusão prevista para o início de setembro. Esse concurso tem previsão para 750 vagas, mas a instituição tem ainda a opção de chamar mais 50%, o que deverá ocorrer. Nesse universo de 750 vagas, apenas 04 são destinadas para o RN. Ocorre que concomitante com o ingresso dos novos policiais desse concurso em outras regionais, 46 serão removidos para cá, totalizando 50 novos policiais até o início de outubro. Se houver o acréscimo de mais 50% ainda nesse concurso, outros policiais serão acrescidos ao quadro existente no RN, mas esse quantitativo ainda não foi definido pela direção-geral. O DPRF corre para que o concurso atual seja concluído o mais breve possível, e assim possa publicar edital para um novo concurso no início de 2013. O próprio sr. ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, garantiu um acréscimo de 4.500 novos policiais rodoviários federais até a Copa do Mundo de 2014.
OM: Caso o senhor queira acrescentar algo mais, fique à vontade.
RA:
Infelizmente, o acidente de trânsito se tornou algo banal. Podemos afirmar que o acidente veicular deixou de ser apenas um problema de saúde pública, mas deve ser considerado, também, como uma questão de segurança pública, e a problemática do trânsito afeta diretamente essa garantia, por lesionar a ordem pública e o direito da própria segurança da sociedade que, por conseguinte, atinge um direito maior, o direito à vida.