segunda-feira, 6 de agosto de 2012


Dom Eugênio: Uma pomba guardou seu caixão

Publicação: 05 de Agosto de 2012 às 00:00

Murilo Melo Filho - Jornalista, escritor e integrante da ABL

Com a morte de D. Eugênio,  a Igreja Católica  perdeu no Brasil o seu maior líder de todos os tempos. Sou muito suspeito para falar sobre ele, porque, entre outras coisas, nos conhecemos há  mais de 60 anos, como seu conterrâneo e  seu  contemporâneo, desde os comuns tempos da nossa mocidade, em Natal. Acompanhei de perto a sua escalada como sacerdote, desde os tempos de Seminarista, de  Padre, de Bispo, de Arcebispo e de  Cardeal.

A primeira imagem que dele guardo até hoje é a de um jovem seminarista de 17 anos, magrinho,  nascido na Cidade de Acari, a 220 kms. de Natal, em pleno Seridó, a região mais seca e árida do Nordeste. Vigário na cidade de Nova Cruz e auxiliar de Dom Marcolino Dantas, então Arcebispo de Natal, já demonstrando as suas preocupações com os flagelados da seca e já lançando seus projetos de Educação Rural, Educação de Base, Alfabetização de Adultos, Escolas Radiofônicas, Comunidades Eclesiais, Sindicato dos Camponeses e Pastoral da Terra. Ali ele já estava atraindo as atenções do Vaticano, que levaram o Papa Pio XII, em 1954, a promovê-lo a Bispo Diocesano. Em 1964, foi transferido para Salvador, como Administrador Católico. Em 1969, o Papa Paulo Sexto colocou na sua cabeça o chapéu cardinalício. Ele tinha 48 anos  e era o mais jovem Cardeal do Vaticano.

Em 1971, com a morte de Dom Jaime Câmara, o mesmo Papa Paulo Sexto o designou para o Arcebispado do Rio de Janeiro, onde, com Dom Helder, ampliou o Banco e a Feira da Providência; criou as "Casas de Acolhida", para homens, mães, jovens e bebês aidéticos e também para  prostitutas. Lançou as Pastorais dos meninos de rua e dos presidiários. 

Amigo pessoal e confidente do Papa João Paulo Segundo, Dom Eugênio conseguiu trazê-lo três vezes ao Rio de Janeiro. 

Nas sucessivas vagas de Dom Aquino Corrêa, de Dom Silvério Pimenta, de Dom Marcos Barbosa, de Dom Lucas Neves e do Padre Fernando Bastos de Ávila, grupos de Acadêmicos importantes, diversas vezes,  solicitaram-lhe que aceitasse ser candidato a Academia Brasileira de Letras. Humildemente, agradecia os convites, que recusava sempre, argumentando que era apenas um padre, sem pretensões de ser um escritor.

Devo a Dom Eugênio algumas dívidas que, agora, com sua morte, já não mais saldarei, como a da minha vinda de Natal para trabalhar no Rio, no "Correio da Noite"; como a minha primeira viagem a Roma no Ano Santo de 1950; e até há pouco tempo, como a escolha de uma área para eu pagar uma promessa de construir em Natal uma Igreja em homenagem a Nossa Senhora de Fátima. Devo-lhe a celebração, em sua capela no Palácio São Joaquim, de uma Missa em Ação de Graças, no dia em que me empossei na Academia.

Mas, um dos meus maiores débitos com ele data exatamente do dia em que atendi o telefonema de um jornalista, meu companheiro no  Conselho Administrativo da A. B. I. Líder comunista, ele tivera um filho de 15 anos, desaparecido de circulação em plena ditadura. Aflito, o pai recorreu a mim, sabedor da minha amizade com Dom Eugênio, que me garantiu: 

- Murilo. Diga ao seu amigo que fique tranqüilo e deixe o filho por minha conta, porque vou agir imediatamente junto ao General Siseno.

Logo em seguida, Dom Eugênio descobriu o rapaz deitado no chão de uma cela do DOI-CODI e conseguiu libertá-lo naquele mesmo dia.

Noutra tarde, Dom Eugênio recebeu o telefonema de um coronel, do Comando Militar do Leste, que lhe fez um insólito apelo:

- Precisamos esconder 15  presos políticos, que não podem ser molestados, porque são muito importantes para nós e temos interesse em que nada lhes aconteça. Precisamos protegê-los. 

Dom Eugênio respondeu:

- Olha aqui, Coronel. Temos esses esconderijos justamente para evitar que os nossos amigos sejam presos e seviciados.  Mas, uma vez que os seus protegidos já estão presos e precisam da nossa proteção, pode contar com ela.

Esse foi mais um trabalho inteligente e subterrâneo, que D. Eugênio realizou durante 20 anos, sem espalhafatos ou exibicionismos, longe dos holofotes da televisão e dos jornais. E explicava-me:  

- Sou um pastor que tem o dever de velar por todos os seus rebanhos, sejam eles católicos, ateus, evangélicos ou comunistas.   

Esse Cardeal, como um grande brasileiro e no recato de uma vida impecável, ministrou diariamente lições milenares do seu Evangelho. No Sumaré, promoveu nove encontros com intelectuais de direita e de esquerda. Na juventude, ajudando a fundação de sindicatos, foi considerado comunista. Quando, depois, abriu um crédito de confiança no governo, foi tido como reacionário.

Dele, disse o Acadêmico  João Paulo Horta: 

- Ele não estava na vida para brincar".

No seu sepultamento,   assisti quando uma pomba branca pousou durante horas sobre o seu caixão, como se tivesse sido enviada por Deus,  para guardá-lo.   Bem haja o Rio de Janeiro, pelo admirável pastor que guiou suas ovelhas, durante mais de 30 anos. Bem haja a sua humilde cidade potiguar de  Acarí, que ele tanto cultivou e que ela agora tanto cultivará, com muita vaidade e saudade, o querido filho  que lá nasceu. Bem haja o nosso comum Rio Grande do Norte, ao qual ele sempre foi tão fiel e tão grato. Bem haja o Brasil inteiro, pelo exemplo de prelado correto modesto recatado sensato  discreto  habilidoso  pragmático  conciliador  religioso e virtuoso,  um motivo de justo orgulho, para todos quantos, como eu, tivemos a suprema felicidade de conviver com ele e  de amá-lo para sempre. 
Fonte: Tribuna do Norte.

domingo, 5 de agosto de 2012

Durma bem e tenha boa saúde.


Por Paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN / paulo_tarcisio@hotmail.com
Algo fundamental para que o homem desenvolva uma boa saúde é que ele tenha boas noites de sono. Não acredito, pessoalmente, em uma quantidade de horas “fixa” e generalizada que seja necessária para cada pessoa. devemos, pouco a pouco, conhecer a nós mesmos e ir escutando a voz de nosso corpo.

Existe uma quantidade de horas de sono abaixo da qual tendemos a ficar irritados; também existe uma quantidade acima da qual tendemos a ficar, como se diz, “abestalhados”. O ideal é que durmamos entre essas duas quantidades. Essa, no entanto, não será uma quantidade fixa: com o passar dos anos, nossa necessidade de dormir diminui. Curiosamente, também, grandes homens, com grandes sonhos às vezes diminuem por vontade suas necessidades em nome daquilo que acreditam.

Mas o que a medicina do sono enfatiza sobremaneira atualmente é a “higiene do sono” – o ambiente no qual dormimos deve ser adequado: boa ventilação, baixíssima iluminação e uma cama adequadamente confortável. É bom termos sempre um ritual antes de dormir, como quem diz para nosso corpo “vou dormir”. Tomar um banho levemente morno, escovar-se enquanto se escuta uma música tranqüilizante, ler 3 páginas de um bom livro etc.

As medicações para dormir, drogas fortíssimas que viciam, não nos dão qualidade de sono, mas quantidade. Ficamos, mais uma vez, “abestalhados” o dia inteiro. Especialmente para idosos é um perigo: essa droga se acumula na gordura de todo o nosso corpo e é liberada durante o dia, aumentando muito a possibilidade de uma queda. E queda para idoso pode ser uma catástrofe...

Comer muito perto de dormir faz com que o alimento fique “fermentando” em nosso intestino. O horário da última refeição é controverso: há quem fala 1h, há quem fale 3h, mas pessoalmente sinto-me muito melhor com que diz a naturopatia: se acordas às 6 da manhã, faça sua última refeição entre 18h-19h. Conheça-te e escolha.

Já excedo meu espaço. Existem muitas coisas que se pode fazer em relação à insônia e a ficar movendo-se na cama de um lado para o outro. Dúvidas, estou à disposição de todos por email. Um abraço e boa noite.


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN em 8/05/2012 09:20:00 AM

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O custo da desnacionalização.

  O custo da desnacionalização

Adriano Benayon* – 29.07.2012
 
1. Venho mostrando que a desnacionalização está na raiz das travas ao desenvolvimento econômico e social do País, que  se traduzem em suplícios diariamente vivenciados pela imensa maioria dos brasileiros.

2. Entre os aspectos da vida em que nossa população é mais sacrificada está o transporte para ir ao trabalho e de lá voltar, em que se perde, em muitos casos, seis horas diárias, ademais de passá-las em extremo desconforto.

3. Isso atinge mais duramente os que dependem totalmente dos meios de transporte públicos, mas não poupa os que têm veículo próprio, emperrados no trânsito urbano e nas estradas deficientes e congestionadas, ou exploradas por concessionárias vorazes na extorsão dos pedágios exorbitantes.

4. Esses prejuízos e os decorrentes dos preços dos veículos mais altos do mundo - que, por vezes, passam do dobro do que pagam os consumidores de outros países -  são os mais visíveis, mas não são os únicos nem os maiores.

5. As colossais transferências de recursos financeiros que as subsidiárias das transnacionais efetuam em favor de suas matrizes são a causa principal dos déficits das contas externas e o fator básico do endividamento.

6. Este,  por seu turno, deu lugar aos abusos que fizeram exponenciar a dívida pública, através da composição de juros extorsivos e de numerosas e injustificáveis taxas, sem falar na estatização de dívidas privadas.

7. Assim, nos últimos 30 anos o “serviço da dívida” come a parte do leão das receitas públicas, fazendo minguar os investimentos na infra-estrutura, na saúde e na educação.  Para cúmulo, a insuficiência quantitativa é grandemente agravada pela escolha “errada” em onde investir e como investir.

8. Quanto ao onde, priorizou-se, entre os transportes, o rodoviário. Mas quem induziu ao erro? Há erros tão grosseiros, que não podem ocorrer só por ignorância: alguém exerceu poder para que eles fossem cometidos. Esse é o fulcro da maior – e menos comentada – corrupção existente no País.

9. Os juristas da Roma Antiga recomendavam procurar a quem o crime aproveita. A quem, senão  à indústria automotiva e ao cartel do petróleo, cujos interesses, em âmbito mundial, são, em grande parte, os mesmos?

10. Quanto ao como, os investimentos são feitos antes para propiciar ganhos às grandes empresas mundiais que em proveito do País. Omitindo as verdadeiras causas do “custo Brasil”, os que reclamam dos impostos altos, energia e transportes caros não sabem do falam, ou fingem não saber.

11. De fato, não fosse a dívida inflada por obra do modelo dependente, não teríamos, como hoje, de usar quase metade da receita de  impostos e contribuições  no serviço dessa dívida.  Além disso, as alíquotas poderiam ser reduzidas para a metade das atuais, gerando  o dobro da receita, se tivessem ficado no País e fossem investidos sensatamente os recursos apropriados e transferidos ao exterior pelas transnacionais.

12. Quanto à energia o  Brasil tem todas as condições naturais para que seja barata, e assim seria se não se importassem, com enormes sobrepreços, as turbinas e outros equipamentos dos cartéis mundiais, sob o esquema da dependência financeira e tecnológica. Depois, a dívida resultante subiu para estratosfera.

13. A energia seria muitíssimo mais barata se se tivesse desenvolvido corretamente a da biomassa, com óleos vegetais substituindo o diesel de petróleo e o álcool combinado com a agropecuária.  Mesmo sem isso, seria muito mais módica, se FHC não tivesse favorecido as estrangeiras British Gas, Shell e Enron com os contratos para importar gás da Bolívia, destinado a antieconômicas termelétricas. Seria ainda mais competitiva sem  as corruptas privatizações e concessões.

14. O Brasil é superdotado em recursos aquaviários, base da modalidade mais econômica dos transportes: extensíssima costa marítima e abundância de rios navegáveis, ou transformáveis em tal, e interligáveis por canais. Há 70 anos, o Prof. Affonso Várzea elaborou o projeto “Ilha do Brasil”, que incluía a ligação entre as bacias do Prata e do Amazonas. E, até hoje, nada!

15. Se tivesse investido em ferrovias e material rodante, prosseguido com as estatais e estimulado o desenvolvimento de tecnologia, não se teria aprofundado a desvantagem em que o País se encontrava há 56 anos, quando a política passou a exacerbar as falhas da malha ferroviária, ao invés de corrigi-las.

16. Veículos automotores em excesso atravancam as vias urbanas, pois faltam densas linhas de metrô nas metrópoles, enormemente infladas em suas periferias pela migração decorrente da estrutura fundiária e da baixíssima renda das massas, gerada pelo modelo. Nos transportes interurbanos e interestaduais dá-se problema semelhante.
17. Conforme estudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), as transnacionais montadoras servem-se da pesquisa tecnológica, feita aqui, para remeterem, como despesa, seu lucro real às matrizes, muitíssimo mais que introduzir inovações em processos produtivos.
18. O IPT observa:"O Brasil tem no mundo o maior número de marcas produzidas internamente, mais até que os Estados Unidos.”  Aduz O pesquisador do IPT, Mário Sérgio Salerno: “Isso não é bom para o produto, porque cria uma pulverização, e essa indústria depende de escala para ser competitiva".
19. O engenheiro Carlos Ferreira comenta: “4º  maior mercado de veículos e 6º maior montador. Nenhuma marca nacional. Entretanto, fartura de subsídios às transnacionais, que aqui produzem veículos de baixa tecnologia,  e remessas de bilhões para suas matrizes no exterior. Algumas delas já teriam desaparecido sem este “eldorado dos trópicos”.
20. Como aponta Salerno, as montadoras realizam, em geral,  testes, e não, pesquisa e desenvolvimento (P&D), já que a parte substantiva dos modelos é projetada nas matrizes. Assim, o País paga elevados royalties em favor delas, que contabilizam, como investimento em P&D, numerosas horas de engenharia aplicadas nos testes.
21. Essa é, portanto, uma das rubricas usadas pelas transnacionais para remeter ganhos ao exterior, obtidos com os elevados preços do mercado brasileiro, acrescidos dos subsídios que o “poder público” brasileiro presenteia as montadoras, ademais das isenções  e reduções fiscais.
22. Os insumos importados a preços superfaturados são outro grande conduto de recursos para o exterior, resultando, ao mesmo tempo, no preço final elevadíssimo no mercado brasileiro.
23. Os mais importantes deles são os motores, que não são desenvolvidos no Brasil. Fabricam-se aqui, mas sempre por transnacionais, como ocorre com a maior parte das autopeças, indústria que, até os anos 70,  era controlada em cerca  de 80% por empresas de capital nacional.
24. Esses são dados da realidade  demonstrativos de que, embora tenha crescido quantitativamente, a produção no Brasil decaiu qualitativamente. O atraso é espantoso não só em relação aos países asiáticos - que se industrializaram muito depois do Brasil - mas também em relação aos progressos havidos, enquanto teve governo passavelmente autônomo, i.e., na Era Vargas.
25. A Fábrica Nacional de Motores (FNM), fundada em 1942,  produziu motores aeronáuticos, tendo o primeiro avião com motor FNM saído em 1946. Embora a tecnologia fosse norte-americana, Curtiss-Wright, a produção sob controle nacional viabilizaria o desenvolvimento de tecnologia brasileira.
26. Com a deposição de Vargas em 1945, deu-se o primeiro retrocesso, convertendo-se a produção para motores de eletrodomésticos. Em 1949, a FNM iniciou a fabricação de caminhões, retomada em 1951, em associação com a estatal italiana Alfa-Romeo, com Vargas de volta.
27. Depois, a fábrica de Xerém, RJ, produziu novo modelo do exitoso caminhão FNM e depois o automóvel de passeio Alfa-Romeo JK, mas, em 1968, o governo do novo golpe militar fez alienar a FNM para a empresa italiana, mais tarde privatizada em favor da Fiat.
28. A política econômica do modelo dependente promoveu a crescente apropriação do mercado interno brasileiro pelas transnacionais, inclusive através das barreiras à importação. A partir da abertura radical à globalização, iniciada por Collor, os veículos produzidos no Brasil foram tendo conteúdo decrescente de insumos locais, e cresceram as importações de veículos. 
29. O resultado disso espelha-se na balança comercial do 1º quadrimestre de 2012: as exportações de automóveis somaram US$ 1,2 bilhão, enquanto as importações atingiram US$ 3,3 bilhões.
30. Segundo o estudo do IPT, Volkswagen, General Motors e Fiat desenvolveriam alguma tecnologia local, em produtos aqui concebidos, como o Fox, da Volks, e a Meriva, da GM.
32. Mas não são desenvolvimentos significativos.  Pior: em qualquer caso, pode-se ter certeza que eles se tornam propriedade das transnacionais, protegida por patentes.
33. Na realidade é para isto que a Volkswagen ganhará mais um subsídio: o financiamento pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no montante de nada menos que R$ 342 milhões, para “desenvolver” um subcompacto e um sedã, e  “modernizar” modelos existentes.
34. Como assinala o economista Paulo Kliass, em artigo publicado em 13.07.2011, “Prioridades do governo, BNDES e indústria do automóvel”, trata-se de modelos já vendidos em outras praças, como o supercompacto “Up”. O crédito, da linha “Proengenharia” do BNDES, serve para gerar valor agregado no exterior.
35. Aduz Kliass: “Os projetos chegam aqui prontos e acabados”. Lembra, ainda, que o  BNDES já havia favorecido a Renault, em projeto semelhante, com R$ 374 milhões para “adaptação de veículos ao clima e às condições de ruas e estradas do País. Uma loucura!”
36. Poder-se-ia concluir que o BNDES – com “N” de “Nacional” – dissipa recursos fazendo de conta que as transnacionais sejam brasileiras, por ocuparem os mercados do País e exercerem poder sobre o “governo”.
37. Leonardo Sakamoto, em 03/07/2012, no seu blog,  apud Folha SP informa que as montadoras planejam demitir, apesar do aumento de vendas trazido pela redução de IPI. GM e Volkswagen abriram programas de demissão voluntária, e a GM estuda fechar a linha de montagem em São José dos Campos e extinguir 1.500 vagas, segundo o sindicato de metalúrgicos local.
38. Cita, ademais, matéria do Estado de São Paulo, conforme a qual, desde a crise internacional, o governo brasileiro abriu mão de R$ 28 bilhões em impostos para a indústria automobilística, e esta enviou, ao exterior, no período, US$ 14,6 bilhões. Saliento que essa cifra não inclui o grosso da transferência real dos lucros.
39. Sakamoto assinala que, na lógica que as transnacionais impingem ao “governo”, o Estado ajuda as empresas, mas estas não devem sofrer intervenção alguma: “um liberalismo de brincadeirinha, com o Estado atuante, mas subserviente ao poder econômico, em que o (nosso) dinheiro deve entrar calado ...”
40. Recorda  Gabriel Barros, do Instituto Brasileiro de Economia da FVG: “A indústria automotiva do Brasil tem 60 anos e a da Coreia do Sul, 35, e eles são tão mais competitivos, que o consumidor consegue perceber isso simplesmente entrando no carro”.  Ele não explica, porém, que na Coréia do Sul a indústria  é de capital nacional.
41. Nos âmbitos estadual e municipal, os subsídios não são menos escandalosos que na esfera federal. Ancelmo Gois, em O Globo,  de 20.06.2012, informa que Andrea Calabi, secretário de Fazenda de São Paulo ficou “escandalizado” com o incentivo fiscal dado a duas montadoras por Sérgio Cabral, “governador” do Rio de Janeiro:

“O governo fluminense vai financiar 80% do ICMS em 50 anos, com 30 de carência, para Nissan e PSA (Peugeot/Citroen).  Juntos, os benefícios chegam a R$ 10 bilhões.  A medida é insana.  Outras empresas e setores vão querer as mesmas condições...” 

* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, editora Escrituras SP.

O social impulsionando para uma vida mais ativa.


Recentemente li uma interessante entrevista na Veja, extraindo da mesma a constatação que a dramaturgia novelesca nacional caminha para mostrar a ascensão das classes B e C, pois são destas classes sociais que estão emergindo as figuras mais badaladas do Brasil atualmente.
As celebridades atuais são jogadores de futebol, cantores de músicas regionais, atletas e novos ricos, todos com histórias interessantes de vida, sepultando momentaneamente os antigos cenários da classe rica nacional, sempre mostrada em seus dramas em belos cenários no eixo Rio-São Paulo.
Essa nova situação, bem expressa na novela Avenida Brasil, me leva a outra reflexão. Como convivo com todas as classes sociais, devido a meu envolvimento com a Casa do Bem, que trabalha com classes sociais distintas e de baixa renda, observo que nestas classes C e D, estão pessoas que agarram com vontade os projetos que disponibilizamos em várias áreas.
Observo ainda que os jovens, da classe A, não todos, éclaro, estão presos às redes sociais, perdendo o interesse por conhecimento e muito interessados em troca de mensagens, muitas das quais despidas da observância das regras gramaticais. Não consigo detectar neste meio uma garra, uma pujança na busca de ideais de vida, precisando que os pais fiquem cutucando com vara curta o tempo todo, para que assumam um comportamento mais objetivo na vida.
Os jovens de classes sociais menos favorecidas economicamente estão me parecendo mais ativos, buscando agarrar as oportunidades, formando times, grupos musicais, frequentando as ruas e os ambientes culturais, esportivos e sociais com mais intensidade, correndo atrás para que suas vidas possam alcançar níveis mais satisfatórios de prazer pessoal e de tranquilidade econômica.
A constatação de que a classe A está assistindo em suas luxuosas poltronas a ascensão das demais classes, passando a ver o cotidiano, o linguajar, as comidas e as multidões aplaudindo seus sucessos, é real tanto nas novelas, quanto na vida real.
Quem são hoje os grandes ibopes do Brasil, podemos citar o Neymar, jogador de futebol, Anderson Silva, lutador de MMA, o Lula, ex-presidente, uma grande quantidade de cantores, atores e atrizes, todos oriundos das classes B, C e D, que chamam atenção das antenas da raça, os escritores, diretores e jornalistas, ávidos para revelar a todo o Brasil e até ao planeta, as origens e as histórias de todos estes vencedores.
Essa exposição, tirando questões filosóficas, sociológicas e psicológicas diversas, tem seu lado bom, a meu ver, essa multidão anônima de jovens, nascidos em berço de cobre, muitos dos quais doados ou adquiridos em 50 suaves e criminosas prestações de juros estratosféricos, vendo na TV ou demais meios de comunicação o sucesso do seu semelhante, aquele que saiu lá do meio do mato e foi enfaixado presidente, aquele que saiu da favela, lutou e subiu no pódio mundial de Las Vegas e o que saiu do bairro periférico e é hoje um dos mais balados jogadores de futebol do planeta, entre tantos outros, só pode vibrar, ficar feliz, sentir dentro de si que também pode chegar lá.
Como dirigente de uma organização não governamental tive o prazer de receber em nossa Casa do Bem o jogador de futsal Falcão. Os jovens ficaram loucos e a visita teve um efeito muito positivo. Ele que saiu da Zona Norte de São Paulo e chegou a ser eleito o melhor jogador de sua categoria do mundo, disse para os jovens presentes que todos ali podiam chegar aonde ele chegou.
Não tem palestra com fotos, novela, filme, preleção, livro ou artigo que possa influenciar tanto um jovem, como o contato direto com uma pessoa bem sucedida na área que ela almeja, por isso, proponho a todos os seres que alcançaram sucesso, que sempre abram um tempinho na agenda para dar testemunho, estimular, fazer ver a tantos quantos possam que é possível sim chegar lá, basta agarrar as oportunidades, jogar, treinar, estudar, ler, ensaiar, correr, pensar positivo e, aos jovens de todas as classes sociais, lembro, facebook, twitter, orkut, e-mails, tudo isso é muito bom, mas, avitória final exige mais, exige uma atuação também no mundo real.
* Flávio Rezende é escritor, jornalista e ativista social em Natal.

Bandas antigas retorna dia 10, em Mossoró.


A banda Cantarerê é uma das atrações do Mossoró das Antigas, que será realizado na sexta-feira, 10 de agosto, no Obâ Restaurante.
Tudo começou com uma turma de amigos, a afinidade com os instrumentos musicais, o gosto pela música e o batuque no estilo Olodum. Foram esses os elementos necessários para que surgisse a banda Cantarerê, que embalou o público mossoroense na década de 1990.
O grupo musical, liderado por Nil Costa e Marcílio Maia, surgiu como um hobby e fez sucesso na cidade. Hoje, ao menor sinal de alegria a turma se reúne novamente para soltar a voz e as notas musicais. No início desse ano, eles fizeram os mossoroenses dançarem durante a realização do Verão das Antigas, em Tibau.
Agora, eles voltam a se encontrar para animar a plateia mais uma vez, durante o Mossoró das Antigas.
Na mesma noite, o público se diverte ao som da banda Perfume de Gardênia. A programação contará ainda com a participação do ‘pistoleiro do amor’, José Orlando, do cantor Netinho e do DJ Lenilton.

 
Postado por João Bosco, do Assessorn.com.c

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Banana, mel de engenho e cachaça incrementam receitas da cidade de Serraria no Caminhos do Frio


Doze restaurantes e lanchonetes da cidade de Serraria irão participar da quinta edição do Festival Regional de Gastronomia da Rota Cultural do Caminhos do Frio. A partir de sexta-feira dia (3), quem visitar o município vai poder conferir pratos preparados especialmente para o roteiro e que usam ingredientes regionais, como a cachaça, mel de engenho e banana. Para oferecer aos turistas e moradores da cidade, receitas diferenciadas, os empresários passaram por uma consultoria do Sebrae Paraíba, através do consultor e chefe de cozinha Josimar Aurélio, que acompanhou a elaboração dos pratos. Ele explicou que o uso de produtos regionais nas receitas proporciona um incremento nos sabores e regaste na história e autoestima da população. Tapioca Fundo de Quintal (massa de tapioca recheada com doce de mamão verde, coco, banana, e cachaça), Crepe Macaíba (massa de crepe com cachaça, recheada com frango desfiado e temperado, com banana em tiras puxada na manteiga) e Torta Baixa Verde (torta de macaxeira, com banana e mel de rapadura) são algumas das iguarias que poderão ser degustadas durante o Festival, que segue até o final da rota cultural do Caminhos do Frio. A gestora de Turismo do Sebrae Paraíba, Regina Amorim, disse que os festivais gastronômicos são excelentes alternativas culturais para quem vai participar do Caminhos do Frio. “A gastronomia faz parte do turismo de experiência e as cidades do Brejo como Bananeiras e Areia já estão com iniciativas neste segmento, focadas na produção associada ao turismo”, explicou Regina. Os circuitos gastronômicos da Rota Cultural Caminhos do Frio são realizados pelo Sebrae Paraíba. Além de Serraria, as cidades de Areia, Alagoa Grande e Alagoa Nova ainda promoverão o evento. A Rota Cultural dos Caminhos do Frio começou no dia 23 de julho e segue até o dia 2 de setembro em seis cidades do brejo paraibano – Bananeiras, Serraria, Pilões, Areia, Alagoa Grande e Alagoa Nova.


Da redação (com ascom Sebrae) - brejo.com – Blog do Braga Neto Solâne

sexta-feira, 27 de julho de 2012

CARTA DA EUROPA 3
Um traço marcante da cultura inglesa é se queixar do tempo. Estes dias o inglês tem muito a se queixar, pois o verão não veio e chove dias a fio há 3 meses e a temperatura ronda uns parcos 17°C.
Os jogos olimpícos vem aí. Admiro-me com as providências de segurança tomadas. Ontem entrou na barra de Londres o HMS Ocean, um porta-helicópetros que atuará como comando militar para todo tipo de operações de segurança. Nas ruas os policiais terão que enfrentar os bandos de batedores de carteira, vindos dos países europeus, como a Romênia e Espanha, mais precisamente de Barcelona, onde o número deste tipo de ladrão é altíssimo.
Um recente programa de televisão inglesa pintou um quadro vivo da situação da obesidade na Inglaterra e demonstrou bem claramente que o governo não é muito firme em relação à indústria alimentícia e parece temê-la. O apresentador finalizou prevendo que o governo só tomará medidas decisivas quando o NHS  (Serviço Nacional de Saúde) ficar tão sobrecarregado com os doentes obesos que não valerá mais a pena apoiar a indústria alimentícia.
Mas a notícia da semana ficou por conta do caso de um sudanês que recebeu status de refugiado, estuprou uma menor de 12 anos, foi para a prisão por três anos somente e depois recebeu permissão judicial de permanecer na Inglaterra. O juiz se fundamentou na legislação da Comunidade Européia que protege os direitos humanos. Na minha opinião, a legislação não vê o direito que os cidadãos têm de viver em paz, longe de criminosos hediondos. Este aspecto da lei dos países pertencentes à Comunidade Européia está causando muito ressentimento na Inglaterra e provalvelmente influenciará o resultado do referendum sobre a permanência ou não deste país na Comunidade, referendum este que provalvemente acontecerá no futuro próximo.

Enquanto a sociedade como um todo permanece quieta frente aos últimos acontecimentos , o barulho fica por conta no momento das gaivotas. Elas fazem  parte do ambiente inglês e não há nada parecido no Brasil. Por estas bandas, principalmente nas regiões litorâneas, as gaivotas craquejam num barulho ensurdecedor, principalmente ao entardecer. Em menor número existem os “corvos”, um pásaro grande e preto, muito feio que craqueja alto. Em número menor ainda estão as “pegas”, um pássaro menor da família dos corvos, mas muito bonito. Na próxima carta descreverei várias coisas do ambiente inglês. Por exemplo, você sabe o que é uma “loja de caridade” ?
Maria English (Gracinha)
Julho 2012 -  Portsmouth, INglaterra
 ***
Maria das Graças English é natalense e filha de Maria Natividade Cortez Gomes.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Mais subsídios sobre as escravidão no RN.


Carta de Pedro Avelino para Emygdio Avelino
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Um dos documentos encontrados no Museu José Elviro, em Macau, foi a cópia “Xerox” de uma carta que o Jornalista Pedro Avelino escreveu para seu irmão, o advogado Emygdio Avelino (avô de Gilberto Avelino), sobre a liberdade de um escravo, no ano de 1885. Ela foi emitida em Angicos, em 10 de agosto de 1885.
Emygdio. É portador desta o escravo Pedro, pertencente ao Epiphanio, cunhado de Manoel Câmara, que para aí segue, de acordo comigo, e meus amigos, com o fim único de tratar de sua liberdade em cujo desideratum sofre positiva coação do seu senhor representado pelo mesmo Câmara. O referido escravo tem para isso o pecúlio de 100$000 e sofre de hérnia, mas padeceu ultimamente em inventário a avaliação de 300$000; e é quanto quer sem o menor abate o respectivo senhor. O Manoel Câmara julgando-se, talvez na Sibéria (é o que consigo ler) ou em pleno Jardim blasonou aqui publicamente, já ameaçando o escravo pela sua sorte futura, já atacando com o mais revoltante cinismo e petulância o direito das gentes, privilegiado em sua essência e já ofendendo grosseiramente em seu puro e legítimo melindre esse sentimento altruísta, altamente nobre, humanitário e universal, que hoje marca o característico do povo brasileiro, e faz o apanágio das nações civilizadas. Indigna e mesmo escandaliza ver ou ouvir falar a um escravagista ignorante, e que alimenta sentimentos tão baixos e mesquinhos como o de exercer vingança, munido só de bárbara prepotência, - sobre uma fraca e indefesa vítima da mais monstruosa e cruel tirania de que pode ser capaz o homem, - escravizando, inculcando os sentimentos e aspirações nativas e tantas de uma parte bem importante, mas bem infeliz da espécie humana! É preciso não termos ternura no coração para não sentirmos atraídos e interessados por esses infelizes, especialmente perante cenas puramente escravagistas!
É por esta simples, mas forte razão que me empenho em favor do escravo em questão, pedindo-lhe com muito interesse para você, que se orgulha em desposar a grande causa do abolicionismo, faça em prol do direito deste infeliz o que lhe facultarem seus recursos, e luzes – ponderando ao mesmo tempo em que vivamente lhe agradeço, associando-se a mim os amigos daqui – Deus – e a humanidade.
Sim.  O escravo foi recolhido a deposito com a audiência já marcada pela 2ª feira próxima vindoura, porém sucedendo-se um rapto por Manoel Câmara, manda-me aí o dito escravo para o fim acima declarado, porém se não for, por causa disso, possível tratar-se aí da liberdade do escravo, reitero meu pedido a você para por tudo obter atestado médico, com que se prove o mau físico do escravo, ainda(compreenda!) que este documento seja de duvidosa fé médica, mas que para o caso é um poderoso elemento: afinal muito devo esperar dos seus sentimentos generosos, já bastante conhecidos, e nos quais pouso as minhas esperanças nesta questão – o advogado escravagista é  Menezes! Vai o cavalo de tio Aureliano, que está aqui, para você vir. Nisso fazemos, todos, grande empenho, inclusive Padre Vigário, que neste sentido escreveu pelo escravo ao Padre Tote, e alguém a Elias Souto.
Desejava imenso que você Emygdio aparecesse ainda que não se demorasse, em último caso não podendo vir, mande o cavalo pelo mesmo escravo, e mande-me cópia de requerimento, prevenindo um despacho desfavorável, ou outro qualquer incidente nesta questão, que você melhor do que eu pode prever.
Tio Aureliano pede-lhe para você tomar prestado por poucos dias o violão encordoado do filho de Zeza, ou o de Galdino, e tio Aureliano manda-lhe dizer que esperava encontrar você aqui, porém como infelizmente não encontrou, pede-lhe com urgência para você vir cá que tem negócio sério com você.
Diga-me, que do meu remédio? Pois preciso tanto dele. Adeus. Tome em atenção o que lhe vim de dizer nesta, e disponha da vontade do seu mano e amigo, Pedro Avelino.
P.S. Entenda-se com Tote sobre a questão do escravo. Talvez seja preciso. As cartas vão por seu intermédio.
Esse Aureliano, citado acima, é Aureliano da Rocha Bezerra, nascido ao 16 de junho de 1857, filho de Matheus da Rocha Bezerra e Anna Angélica Bezerra. No seu batismo teve como padrinhos o Padre Vigário Felis Alves de Sousa e a irmã Ana Bezerra da Natividade, mãe de Pedro e Emygdio. Ele nasceu na mesmo ano que a irmã casou. Era um pouco mais velho que Emygdio (1858) e Pedro Avelino (1861). Aureliano faleceu em 12/4/1886, com 29 anos de idade em Macau, pouco menos de um ano dessa carta.
O padre Tote, citado acima, era Antonio Germano Barbalho Bezerra, filho de Antonio Barbalho Bezerra e Ignácia Francisca Bezerra. Fundou a Sociedade Libertadora Assuense a 13 de maio de 1885, com o propósito de libertar os escravos existentes no município de Assú. Foi o seu primeiro presidente. Era irmão do padre Elias Barbalho Bezerra como conta monsenhor Severino Bezerra, em Levitas do Senhor.