sexta-feira, 10 de maio de 2013

Cientista natalense comenta a luz síncroton.


Luz síncrotron, o que é isso?

No momento em que o Brasil começa a construir uma das máquinas mais potentes de luz síncrotron, o físico Carlos Alberto dos Santos dedica sua coluna a contar a história e explicar os conceitos por traz desse tipo de radiação.
Por: Carlos Alberto dos Santos
Publicado em 03/05/2013 | Atualizado em 03/05/2013
Luz síncrotron, o que é isso?
Projeto da Sirius, máquina de terceira geração que o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron começou a construir em abril. Orçada em 700 milhões de reais, deverá ser usada por milhares de pesquisadores em estudos do campo. (imagem: LNLS)
Uma das principais formas de observar a natureza é por meio de radiações eletromagnéticas. Isso pode soar estranho para quem não conhece as leis da ótica, mas começa a ficar claro quando se descobre que é dessa forma que enxergamos as coisas.
A luz, que é uma radiação eletromagnética, é espalhada pelos objetos e detectada pelo nosso olho. Muda-se o tipo de radiação e o tipo de detector, mas o processo é essencialmente o mesmo. Para observar objetos microscópicos, por exemplo, podemos usar a luz como radiação e o microscópio ótico como detector, com um conjunto de lentes capaz de ampliar a imagem. No caso de objetos nanométricos, uma boa opção é a luz síncrotron, produzida em grandes máquinas que aceleram partículas.
Esse tipo de luz tem comprimento de onda variável – entre infravermelho e raios X – (Leia a coluna ‘Ligue o laser, o filme vai começar’ para mais detalhes), além de grande intensidade e alto brilho, duas propriedades importantíssimas para a obtenção de imagens em alta resolução.
O Brasil ocupa posição destacada nessa área. É o único país da América Latina a possuir uma máquina de luz síncrotron, ou simplesmente síncrotron, cuja história é um exemplo de iniciativa bem-sucedida. No mês passado, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) iniciou a construção de uma máquina de terceira geração,denominada Sirius, cuja iniciativa mereceu uma nota na Science do dia 26 de abril.
LNLS
O Brasil é o único país da América Latina a contar com equipamentos geradores de luz síncrotron, instalados na cidade de Campinas, SP. Ali se encontra o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, projetado em 1983 e inaugurado em 1997. (foto: Wikimedia Commons)
Surpreso em encontrar apenas três textos sobre a luz síncrotron nos arquivos digitais da Ciência Hoje, e nenhum com uma descrição dos conceitos básicos dessa radiação e de suas aplicações, achei por bem dedicar-lhe a coluna deste mês, a título de comemoração do início das obras da Sirius.

Panorama histórico

A base teórica da radiação síncrotron foi estabelecida logo depois que o físico britânico Sir Joseph John Thomson descobriu o elétron, em 1897. Naquele mesmo ano, o irlandês Sir Joseph Larmor mostrou que uma partícula acelerada irradia energia na forma de ondas eletromagnéticas.
No ano seguinte, o físico e engenheiro francês Alfred-Marie Liénard generalizou a fórmula de Larmor para o caso relativístico, ou seja, quando a partícula se desloca com velocidade próxima à da luz.
A base teórica da radiação síncrotron foi estabelecida logo depois que o físico britânico Sir Joseph John Thomson descobriu o elétron, em 1897
Em 1906, o matemático britânico George Augustus Schott deu continuidade aos trabalhos de Larmor e Liénard e desenvolveu uma teoria clássica da irradiação de partículas carregadas aceleradas, no contexto do modelo atômico clássico, em que os elétrons se movem em círculos, mas compensam a tendência à irradiação por meio de diversos mecanismos.
Nos anos seguintes ele publicou oito artigos sobre o assunto, culminando com a publicação do livro Radiação eletromagnética, em 1912. Esse foi também o período dos experimentos do cientista neozelandês Ernest Rutherford, que resultaram na descoberta do núcleo atômico e inspiraram o modelo do físico dinamarquês Niels Bohr, publicado em 1913, há exatamente um século, e que deu início à teoria quântica.
Para fugir de contradições no seu modelo, Bohr postulou que os elétrons que giram em torno do núcleo atômico, e estão, portanto, acelerados por uma força centrípeta, não irradiam, como prevê a teoria clássica e o modelo de Schott. Isso foi um banho de água fria nos estudos sobre irradiação de energia por partículas carregadas aceleradas, e Schott permaneceu um ferrenho opositor da teoria quântica.
Bohr e modelo bário
Niels Bohr e seu modelo para o átomo de bário. Há exatamente um século, o físico dinamarquês publicava o modelo atômico que deu início à teoria quântica, fundamental para a descoberta da luz síncrotron. (imagens: Wikimedia Commons)
Aparentemente ninguém se interessou em investigar essa questão, até o ano de 1935, quando cientistas e engenheiros se viam às voltas com a perda de energia das partículas nos aceleradores que começavam a ser fabricados, sobretudo naqueles do tipo betatron e cíclotron.
Em ambos os modelos, as partículas são aceleradas ao longo de círculos, e esse movimento circular é produzido por um campo magnético externo, perpendicular à velocidade das partículas. Inicialmente essas máquinas foram concebidas para acelerar elétrons, prótons e outras partículas em experimentos de física nuclear, de modo que a perda de energia das partículas por causa da irradiação eletromagnética era um fenômeno deletério para os propósitos da pesquisa.
No caso do betatron, cálculos sugeriam que a perda de energia por irradiação limitava em 0,5 GeV (gigaeletronvolt, um bilhão de eletronvolt) a energia máxima das partículas.
Nos cíclotrons, a limitação da energia máxima também tinha a ver com o fato de as partículas serem aceleradas, a cada volta, por um sistema de radiofrequência (RF). Nesse caso, a frequência do sistema acelerador tinha que ser a mesma da partícula em seu movimento circular. Ou seja, a partícula tinha que chegar ao ponto onde se encontrava a RF no momento em que esta estivesse sendo ativada.
O problema é que em altas energias – nos casos relativísticos –, em que a massa da partícula aumenta, a frequência do movimento passa a ser diretamente proporcional ao campo magnético e inversamente proporcional ao valor da energia. Portanto, no caso de um campo magnético constante, cada vez que aumenta a energia, diminui a frequência, e a partícula chega atrasada no ponto de aceleração. Ou seja, a RF dispara antes de a partícula chegar.
Existem duas alternativas para solucionar esse problema. A primeira é aumentar o campo magnético com o tempo, de modo a deixar a frequência do movimento igual à frequência do sistema acelerador. Essa alternativa originou o síncrotron. A outra, que deu origem ao sincrocíclotron, é variar a frequência do sistema acelerador.
Observado pela primeira vez há exatamente 66 anos, o brilhante feixe de luz branca recebeu o nome de luz síncrotron
Em 1946, pesquisadores da General Electric começaram a construir um pequeno síncrotron, com diâmetro aproximado de 60 centímetros (as máquinas em uso atualmente são do tamanho de um campo de futebol, ou maior), e, por sorte, deixaram uma janela de vidro no tubo por onde circulavam os elétrons.
No dia 24 de abril de 1947, eles estavam fazendo alguns testes quando o equipamento apresentou falhas intermitentes. Começaram a ligar e desligar, a verificar o funcionamento da máquina, e, de repente, viram pela janela um brilhante feixe de luz branca. Observada pela primeira vez há exatamente 66 anos, recebeu o nome de luz síncrotron.

Modo de funcionamento

Toda essa história tem duas conexões interessantes com o Brasil. A primeira, que está na ordem do dia, é o início da fabricação da Sirius, a máquina síncrotron de terceira geração já mencionada.
A outra conexão nos remete a 1952, quando o CNPq adquiriu um pequeno sincrocíclotron da Universidade de Chicago, que foi instalado em Niterói, mas jamais chegou a ser usado em pesquisa científica ou tecnológica – parte dessa história está contada aqui. Foi a primeira tentativa de construção de uma grande máquina de pesquisa científica no Brasil.
Em 1952, o CNPq adquiriu um pequeno sincrocíclotron da Universidade de Chicago, que foi instalado em Niterói, mas jamais chegou a ser usado em pesquisa
Quase todas as máquinas de luz síncrotron funcionam da mesma forma. Os elétrons são extraídos de um metal aquecido em vácuo, cuja temperatura é tão alta que seus elétrons evaporam e são imediatamente acelerados até atingirem a energia aproximada de 90 mil eletronvolts (90 keV).
Esses elétrons entram num acelerador linear, conhecido como Linac, capaz de acelerar o elétron até a energia de 100 milhões de eletronvolts (100 MeV). Do Linac, os elétrons vão para o anel de aceleração (booster ring), onde ficam girando até atingirem a energia máxima projetada para a máquina.
Depois disso, são transferidos para um anel externo, conhecido como anel de armazenamento (storage ring). Nesse anel, o feixe de elétrons é capaz de ficar circulando durante mais de 20 horas, dependendo da máquina. Em volta dos dois anéis, que ficam permanentemente em alto vácuo, diferentes tipos de eletroímãs e lentes magnéticas são dispostos para providenciar o movimento circular e concentrar o feixe eletrônico. Em alguns pontos do anel acelerador são colocados sistemas aceleradores de radiofrequência.
Para a realização dos experimentos, laboratórios específicos ou estações de análise são montados em diferentes pontos em torno do anel de armazenamento. Cada laboratório tem os equipamentos adequados aos tipos de experimentos que realiza, mas todos têm um monocromador no ponto de extração da luz síncrotron para escolher o comprimento de onda apropriado para seus experimentos.
A título de ilustração, a Sirius, cujo orçamento é de aproximadamente 700 milhões de reais, produzirá feixes de elétrons com 3 bilhões de eletronvolts (3 GeV), o dobro da primeira máquina do LNLS, circulando no anel de armazenamento com aproximadamente 165 metros de diâmetro, e deverá ser usada por aproximadamente 2 mil pesquisadores por mês. O brilho do seu feixe será um dos maiores do mundo.

Veja vídeo do projeto conceitual da Sirius, a nova fonte brasileira de luz síncrotron

Como disse o químico argentino Galo Soler-Illia à revista Science, Sirius é uma estrela brilhante para a América Latina.

Carlos Alberto dos SantosProfessor-visitante sênior da Universidade Federal da Integração Latino-americana

Durante as décadas e 20 e 30 (séc. XX), a Ribeira era o bairro dos ricos de Natal. O Café Magestic reunia o melhor da sociedade natalense da época e era uma marca registrada do bairro.
Em dado momento o proprietário, preocupado com o crescente número de “fiados”, compartilhou sua preocupação com um amigo, também frequentador do Café - poeta, boêmio, dono de um senso de humor apurado - o qual sugeriu ao amigo que afixasse um cartaz no estabelecimento, que ele teria o maior prazer em redigir o texto.
Sugestão aceita. No dia seguinte lia-se em letras garrafais, logo no salão principal do tradicionalíssimo Café Magestic, esta peça rara da literatura brasileira:
Pra que não haja transtorno
Aqui no meu barracão
Só vendo fiado a corno
Fela da puta e ladrão
Fonte: “A Natal que Eu Vi”, de Lauro Pinto.
PS – Conta-se que o número de “fiados” foi quase a zero.
Para você entender que não era fácil fugir do FIADO, diz Evaldo que SEU PAI FALIU POR SUA CAUSA.
Estou recuperando e colando aqui material que produzi para o GeoCities, no início dos anos 2000.
© 2002 C.A. dos Santos
Texto revisado em novembro/2002
veja outros bares neste endereço

Em cada esquina um poeta, em cada beco um jornal. Assim é Natal, boêmia e cheia de bares, com poetas e escritores a dar com pau. Fui buscar na literatura referências a antigos bares natalenses. Garimpei o material relacionado abaixo.
Apesar de tantos bares e botecos, apenas a Confeitaria Delícia teve a primazia de ser imortalizada numa obra exclusiva. Trata-se do magnífico livro de José Alexandre Garcia,Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia, ao qual dedico página exclusiva.
A vida boêmia ocupa boa parte da obra de Diógenes da Cunha Lima (Natal. Biografia de uma cidade), mas ele pouco menciona os nomes dos bares. Quando fala de Albimar Marinho, é um bar atrás do outro. Quando fala de Berilo Wanderley, menciona o bar do Nemésio, mas não diz como se chamava. Não seria Granada Bar?. Alguém aí pode me confirmar?
Diógenes também fala do Bar da Tripa, e conta uma história muito engraçada envolvendo Zé Areia, barbeiro, boêmio, humorista nato, improvisador, satírico e epigramista. Era assim que Diógenes via Zé Areia. A propósito, José Alexandre Garcia fala bastante de Zé Areia, principalmente das suas estripulias na Confeitaria Delícia.
Vingt-un Rosado, com a sua insuperável visão editorial, publicou um pequeno trecho do diário de viagem do americano John dos Passos, quando este visitou o Rio Grande do Norte, lá pelos idos de 1962. Quando descreve sua chegada em Natal, ele diz: Descemos no hotel no centro da cidade. Consegue-se no bar um gim tônico [sic] pouco convidativo, mas não há sanduíches. Algumas pessoas de aspecto desanimador transpiram na entrada do hotel. Não almoçamos. São três da tarde e estamos famintos. Mas só conseguimos para comer algumas fatias de queijo seco. Sem pão. Pela descrição, suponho que John dos Passos esteja se referindo ao Grande Hotel, que era, à época, o melhor hotel de Natal, mas estava localizado na ribeira, e não no centro da cidade.
Boêmio por natureza, Augusto Severo Neto (ASN) refere-se a vários bares no seu agradabilíssimo Ontem vestido de menino. Situado na Tavares de Lyra, o Cova de Onça era um bar parecido com os aristocráticos bares portugueses do Rossio. Durante os anos vinte, trinta e quarenta servia cafezinhos, vermute, cinzano, quinado Constatinno, conhaque Macieira, tudo isso acompanhado de azeitonas e queijo do reino. Entre petiscos, aperitivos e muita conversa política, ficou o dito popular: conversa fiada foi o que fechou o Cova da Onça.
O Café Magestic, ficava em frente ao Royal Cinema, bem ali na esquina da Ulisses Caldas com a Vigário Bartolomeu. Quando ASN o conheceu já dava ares de decadência: Semi-pardieiro de água-e-meia, teto metade forrado com tábua de forro de pinho-de-Riga, metade de telha vã, com muita teia, caibros redondos, viga e tesouras descobertas. Deve ter tido melhor vida, senão não teria o lugar que tem no nosso imaginário. Quem conta sua história detalhadamente é João Amorim Guimarães em Natal do meu tempo. João Amorim nos informa que no local do Magestic existia, no início do século XX, o Café Potiguarânia.
Augusto Severo Neto também escreve sobre o bar do Hotel Internacional, o Wonder Bar, o OK Bar e o Zepelim, dos quais me ocuparei na próxima atualização desta página.
Falando sobre Os americanos em Natal, Lenine Pinto refere-se ao Café O Grande Ponto, no centro da cidade, e ao bar do Grande Hotel, na Ribeira, aquele mesmo que deve sido visitado por John dos Passos.
O Café São Luís, de tantas histórias, é mencionado por Jeanne Fonseca quando descreve o Grande Ponto.
Em O menino e seu pai caçador, Berilo Wanderley faz um comovente obituário do Bar e Confeitaria Cisne e uma elegia em prosa para o Restaurante Pérola e para o Bar do Nasi, ambos no famoso Beco da Lama.

Veja também

Bibliografia

  1. GARCIA, J.A. Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia Natal: Clima, 1987.
  2. GUIMARÃES, J.A. Natal do meu tempo. Natal: Fundação Hélio Galvão, 1999.
  3. LEIROS, J. Relembranças. Natal: Nossa Editora, 1985.
  4. LIMA, D.C. Natal. Biografia de uma cidade. Rio de Janeiro: Lidador, 1999.
  5. NESI, J.F.L. Caminhos de Natal. Natal: Gráfica Diplomata, 2002.
  6. PINTO, L. Os americanos em Natal. Natal: Sebo Vermelho, 2000.
  7. ROSADO, V. John dos Passos no Rio Grande do Norte. Natal: Gráfica Diplomata, 2002.
  8. SEVERO NETO, A. Ontem vestido de menino. Natal: Nossa Editora, 1985.
  9. WANDERLEY, B. O menino e seu pai caçador. Natal: Clima, 1980.

Bares e Restaurantes no topo da minha memória

Bar Dia e NoiteA PalhoçaSorveteria OásisCarne de Sol do LiraCarne de Sol do MarinhoO Casarão
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Confeitaria Delícia

Estou recuperando e colando aqui material que produzi para o GeoCities, no início dos anos 2000.
© 2002 C.A. dos Santos
Texto revisado em dezembro/2002
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O texto aqui apresentado é inspirado no extraordinário livro de José Alexandre Garcia, Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia (Clima, 1987). Como convém a um material na web, este será apresentado em sucessivas atualizações.
Em 1942, o chileno Jacob Lamas e seu cunhado italiano, Amadeu Grandi fundaram a Confeitaria. O potencial econômico ficou logo evidente, mas a administração do empreendimento era um problema para o representante comercial Jacob e para o alfaiate Amadeu. Estava claro que a confeitaria não podia ocupar o lugar dos ofícios primários dos proprietários. Resolveram vender, enquanto estava no auge.
Sinval Duarte Pereira, filho de Ismael Pereira adquiriu o estabelecimento e convidou o português Olívio Domingues da Silva para gerenciar a Confeitaria. Para Olívio a atividade comercial era inata. O freguês entrava para comprar uma caixinha de fósforo e saía com uma caixa de vinho. Logo a Confeitaria ganhou um reservado para funcionamento de um bar.
Em 1948, Olívio adquiriu o estabelecimento por Cento e vinte mil cruzeiros, uma fortuna! A transação foi acompanhada de fatos cheios de ternura e confiança na honestidade de Olívio. Sinval exigia sessenta mil cruzeiros no ato e sessenta mil em promissórias. As economias de toda a vida não davam ao português mais do que quarenta mil. O patrício Manoel Gonçalves Ribeiro entregou, espontaneamente, os vinte mil cruzeiros para a entrada.
Você começa a me pagar quando começar a ganhar dinheiro, disse antes de ouvir os enternecidos agradecimentos do conterrâneo pobre.
Olívia desejava que Oswaldo Medeiros fosse um dos seus avalistas, mas não tinha coragem para fazer a abordagem. Vejamos, nas palavras de José Alexandre, como se isso se sucedeu.
Oswaldo raramente aparecia na Delícia e quando o fazia era às pressas, só comprava à vista, só pagava à vista, negócio com ele era como Cancão dizia “em cima do pára-lama, pei e pou”. Comprou, pagou. Ainda por cima, era meio caladão, sem muitas intimidades, fidalgo, passara anos estudando na França.
Um belo começo de tarde, inopinadamente, entra Oswaldo no bar. Uma forte azia complicava-lhe a digestão. Pediu um bitter.
Olívio fez das tripas coração. Falou.
O filho de Aureliano não disse palavra. Sentou-se no birô do dono, cavalgou os óculos no nariz e comandou.
-Traga as promissórias.
Olívio ainda duvidava.
-O sr. vai assinar todas, “seu” Oswaldo?
Oswaldo, de Parker 51 em punho, balançou a cabeça afirmativamente.
-Olívio, se num mês, você não tiver o dinheiro todo, me procure que eu completo.
Grossas lágrimas desceram pelo rosto do portuga.
Finalmente era dono e senhor da Confeitaria Delícia.

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domingo, 5 de maio de 2013


CARTA AOS NETOS
(*) Rinaldo Barros
Escrevo esta carta com esperança de ser lido novamente daqui a alguns anos, por vocês, meus netos (Maria Clara, Pedro, Isabella, João e Lucas), os quais chegaram a este Mundo agora recentemente; e pouco ainda sabem dos mistérios da vida neste lindo planeta azul.
Todavia, espero que aí por volta de 2030, a geração dos meus netos possa avaliar se, enfim, triunfou a estupidez humana, ou se conseguimos, pelo menos, manter viva a esperança. Prestem atenção!
Neste início de Milênio, não estamos atravessando apenas mais um momento de turbulência. Estamos dentro do olho do furacão.
A história contemporânea nos levou ao término da onda industrial, à drástica diminuição do Estado, à universalização da sociedade da informação (dominada pelo grande capital financeiro internacional), ao crescimento extraordinário dos fundos de previdência e aos lucros astronômicos das grandes instituições financeiras, fenômeno que fez explodir o estoque de recursos financeiros disponíveis, dos quais uma boa parte tem se destinado a perigosas especulações de curtíssimo prazo.
Falo do “capital volátil”. Um dinheiro sem pátria, ganancioso, sem coração, que quer ganhar muito e, se possível, muito rapidamente. Algumas fontes chegam a estimá-lo em mais de 30 trilhões de dólares. Especulação financeira pura e simples, que vai pra onde estiverem os juros estão altos. Com um poder diabólico.
Nada deste dinheiro é investido para melhorar a qualidade de vida, não há interesse em acabar com a fome, nem preservar o meio ambiente, nem desenvolver qualquer economia, além de ser incontrolável.
Além disso, é preciso não esquecer a virulência da política externa da (por enquanto) maior potência do planeta, agora estimulada pela “vitória” na guerra contra um inimigo que não existia, nem tinha armas nucleares: o Iraque.  Para quem não sabe, Bin Laden, era da Arábia Saudita; não era iraquiano.
Para manter os lucros do complexo industrial-militar, e para conquistar reservas estratégicas de minérios, petróleo, entre outras; a guerra contra o Iraque bem não acabou; e já estão preparando outras invasões.
As vendas do complexo industrial-militar não podem parar. São muitas indústrias multinacionais, faturando bilhões de dólares em aviões, helicópteros, veículos blindados, mísseis, armamentos, bombas, minas, munições, uniformes, alimentos, medicamentos, a lista é imensa.
Ah! O terrorismo deve ser incluído como ingrediente desse molho. Semana passada, uma nova série aparentemente coordenada de explosões acordou Bagdá e cercanias na manhã do aniversário de dez anos da Guerra do Iraque. São mais de 2.000 mortos e feridos apenas em 2013, que começa a ser um dos anos mais violentos no país desde a retirada das últimas tropas norte-americanas.
Na mesma sequência de ações de guerra, vimos caças de Israel bombardearem alvos dentro da Síria. Segundo o New York Times, o carregamento era de mísseis terra-terra de última geração que vinham do Irã.
Será o início do indesejado (?) triunfo da estupidez humana?
Relembro: para depor Saddam Hussein, Bush mentiu e sacrificou, além das vidas de milhares de iraquianos (mártires, na visão árabe); desrespeitou a ONU, a OTAN (aliança militar ocidental), a coalizão antiterror; comprometeu a imagem dos EUA perante o mundo; destruiu monumentos e milhares de relíquias do berço da civilização e a própria noção de que a humanidade progride, ou deveria estar evoluindo.
Bush inaugurou a barbárie contemporânea. Aparentemente, o mundo caminha, perigosamente, sob uma estúpida hegemonia, no médio prazo, para a barbárie de alta tecnologia.
Cá no meu canto, ingenuamente, como queria Agostinho (354 a 430 d.C), eu persisto com a Esperança, ao lado de suas duas filhas lindas: a Indignação e a Coragem de continuar lutando por um mundo melhor.
Na estação futuro, vocês, Maria Clara, Pedro, Isabella, João e Lucas, poderão tirar a limpo se valeu a pena este avô haver sonhado com a Estrela da Manhã; ou se a estupidez humana triunfou.
Saibam que torço e vibro para que, com os pés bem firmes no chão, toda a geração dos meus netos possa ter os olhos, o coração e a mente nas estrelas.
E que possam encontrar motivos para continuar gostando da vida como ela é.

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

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Gabeira vem a Natal dia 10.

 
Foto: Divulgação
Um dos maiores nomes da história do Partido Verde no Brasil, o jornalista, escritor e ex-deputado federal, Fernando Gabeira, estará em Natal sexta-feira, 10 de maio, para falar sobre o Futuro do Brasil e a Consciência Verde, como parte da programação do Seminário Verde, promovido pelo Diretório Estadual do PV. O evento ocorrerá no Plenarinho da Assembleia Legislativa, a partir das 19h30. [por Paulo Tarcisio Cavalcanti]


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 5/05/2013 10:12:00 AM
Resposta rápida

SOS Instituto Histórico.


AJUDA E NÃO ESMOLA
Carlos Roberto de Miranda Gomes

Estimados Confrades e Confreiras, POPULAÇÃO POTIGUAR,
    
O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, como todos sabem, é uma Instituição com 111 anos de glórias e serviços prestados à sociedade potiguar, na condição de pessoa jurídica de direito privado, sem fins econômicos.
É possuidor de um acervo invejável, com mais de 50 mil títulos e muitas relíquias históricas e documentos seculares a servir aos pesquisadores e estudantes do nosso Estado.
Nós da Diretoria assumimos o desafio patriótico de salvar esse patrimônio histórico, numa Cruzada de abnegados colaboradores, quase todos na categoria de anciãos como exemplificam a pessoa deste Presidente da Instituição e dos Professores aposentados Eider Furtado de Mendonça e Menezes, Carlos Roberto de Miranda Gomes, Edgard Ramalho Dantas, Paulo Pereira dos Santos, Odúlio Botelho Medeiros e Tomislav Femenich e outros um pouco mais jovens como Ormuz Barbalho Simonetti, Eduardo Gosson, Lúcia Helena e George Veras, numa reprodução do que ocorria no tempo do Império Romano, com os velhos senadores, e sem perceberem qualquer retribuição financeira.
     Mesmo assim, nos dispomos a dar expediente diário na sede desgastada e sem conforto do IHGRN, arcando muitas vezes com despesas necessárias ao seu funcionamento, na certeza de que encontraremos, nesse caminhar de três anos, os “cirineus” que aliviarão o peso da cruz na difícil jornada.
Os problemas são tantos e tão graves, que não permitem um escalonamento de prioridades, porquanto temos que atacar vários eixos concomitantemente, entre a recuperação física do prédio, busca de mais espaço, conservação do rico acervo, climatização indispensável para os livros e documentos que carecem desse cuidado especial, segurança do patrimônio, estruturação administrativa e contábil e regularização de funcionários com atraso de pagamento de salários para o que só contamos com boa vontade, haja vista o quadro diminuto de sócios que concorrem com uma anuidade de apenas R$ 120,00 e com uma inadimplência de cerca de 50%.
Temos procurado as entidades públicas e delas recebemos alento para a celebração de convênios de cooperação, como podemos enumerar o Governo do Estado, através da Fundação José Augusto, a UFRN, o CREA, o IPHAN, a CAERN, FIERN, FECOMÉRCIO, Prefeitura do Natal, FIERN, SEBRAE e outros como também algumas empresas privadas, das quais não tivemos a receptividade esperada.
Algumas organizações privadas confundem o pedido de ajuda com “esmola” e, quando não nos atendem, ofertam ajuda ínfima ou equipamentos em desuso,o que nos choca.
Nossa missão é conscientizar todos, entidades e população, de que o IHGRN é um patrimônio do povo e deve ser preservado para que não ampliemos o grande número de frustrações que colocam o Rio Grande do Norte numa posição de lanterna da educação, da cultura, da segurança e da saúde, o que incomoda e envergonha a todos.
Precisamos de apoio para garantir a conservação do nosso rico acervo. Temos que climatizar o Instituto para não perder o que já conquistamos. Para isso precisamos de aparelhos e reparos na rede elétrica, além de receitas permanentes que garantam o funcionamento da Casa da Memória.
Ainda temos obrigações para com os funcionários e com os usuários, pois não conseguimos computadores para garantir pesquisas sem contato direto com os documentos e livros, pois isso aumenta o desgaste.
S.O.S.IHGRN.
ESTAMOS ESPERANDO POR VOCÊS.

sábado, 4 de maio de 2013


Campanha de Dilma terá homem forte da economia

Fonte: Folha de S. Paulo - UOL
04/05/2013 - 03h00
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NATUZA NERY
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA

Um dos nomes mais influentes da equipe econômica transita agora pela política. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, foi admitido nas articulações para reeleger a presidente Dilma Rousseff em 2014 e é um dos nomes que vão integrar a futura coordenação da campanha petista.
Segundo a Folha apurou, Arno já participou de ao menos uma reunião de mapeamento político para fazer uma radiografia de alianças nos Estados.
Por enquanto, conforme relatos de pessoas próximas, ele tem ajudado nas projeções sobre futuras composições partidárias.
Ainda não se sabe qual função ele assumirá na coordenação da campanha. Arno pode inclusive atuar como coordenador informal se a situação da economia exigir sua presença no governo durante a disputa.

Arno Augustin


Sergio Lima - 8.mar.2013/Folhapress
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O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, foi admitido nas articulações para reeleger a presidente Dilma Rousseff em 2014
Interlocutores presidenciais afirmam que uma das principais funções será construir uma plataforma econômica para um eventual segundo mandato.
A influência de Arno Augustin no debate eleitoral causa surpresa até mesmo entre colegas de Esplanada dos Ministérios. No Palácio do Planalto, porém, assessores afirmam que experiências em campanhas petistas no Rio Grande do Sul o credenciam a um papel de destaque na disputa de 2014.
Em 2006, ele foi o coordenador da candidatura do petista Olívio Dutra ao governo gaúcho, que acabou derrotado pela tucana Yeda Crusius.
CONTROVERSO
Em pouco mais de dois anos de governo, o titular do Tesouro ganhou forte projeção e uma imagem controversa no empresariado, devido a seu estilo intervencionista, e no mercado financeiro, após as maquiagens contábeis realizadas para fechar as contas de 2012.
A relação difícil com o setor privado leva colegas a fazerem galhofa com a posição do secretário no ano que vem: "Ele só não será tesoureiro da campanha, ou não arrecadaríamos nenhum tostão".
Apesar das resistências de fora, e muitas vezes de dentro, Arno foi subindo sucessivos degraus na confiança da chefe. Tanto que, hoje, opina em praticamente todas as áreas do governo, mesmo naquelas discussões mais estranhas ao Tesouro.
Em parco tempo, tornou-se um dos funcionários mais requisitados pelo Planalto, e é visto como um eventual sucessor de Guido Mantega (Fazenda), se a presidente conquistar mais um mandato.
A mais de um ano da corrida nacional, Dilma já começa a esboçar o perfil da equipe que tocará os bastidores da futura disputa. Pelo desenho atual, o grupo se assemelha um pouco com o time de 2010. Ali, as figuras centrais da campanha petista eram Antonio Palocci, José Eduardo Cardozo e José Eduardo Dutra, batizados à época de "os três porquinhos".
Hoje, diz-se na Esplanada, de forma bem humorada, que a presidente já tem pelo menos dois "novos porquinhos": Arno e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.
Ambos devem operar o dia a dia da candidata, mas o grande estrategista da campanha e principal coordenador será o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Função que ele já desempenha desde 2010, com apoio do marqueteiro João Santana.
Outros dois possíveis nomes podem integrar o time de 2014: o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), o único "porquinho" remanescente da campanha passada, e o governador Jaques Wagner (PT-BA), para reforçar os palanques do Nordeste.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Vamos reduzir a maioridade! Ou queremos que a barbárie tome conta?


Maioridade penal: com o nascimento
Armando Negreiros – médico
                É sabido que o maior estímulo à criminalidade é a falta de punição. Agora imaginem se a própria lei proíbe o judiciário de punir. O marginal, quando completa 18 anos, começa a contratar os que estão abaixo dessa idade para executarem os seus crimes, como testas de ferro. Qual a diferença de um marmanjo com 15, 16 ou 17 anos, para um com 18? A lista dos que são contra essa diminuição da maioridade penal é enorme. Acusam os que são a favor de “genocidas infantis” e outras baboseiras típicas dos cavilosos, capciosos e manhosos.
                A personalidade civil do homem começa a partir do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo desde a concepção os direitos do nascituro (aquele que há de nascer, ou seja, é o nome que se dá ao ser humano já concebido e que se encontra, ainda, no ventre materno). A mesma regra deveria vigorar, também, para a responsabilidade criminal. Qual o crime que poderia cometer uma criança de tenra idade? Nenhum! Portanto, a partir do momento em que o crime for cometido, o infrator é responsabilizado e punido.
                Num levantamento do que ocorre no mundo, encontramos as maiores disparidades e verdadeiros absurdos. Nos Estados Unidos, onde cada estado tem a sua própria legislação, o início da maioridade penal varia desde os 6 até os 18 anos, entretanto a maioria dos estados adota 7 anos. Na Escócia, 8 anos; Inglaterra e País de Gales, 10 anos. Nesses países a legislação adota, para estabelecer a maioridade penal, a capacidade psíquica. O Brasil adota o sistema biológico, que é a idade. México, 6 a 12 anos.
                Com 7 anos, temos: Bangladesh, Índia, Myanmar, Nigéria, Paquistão, África do Sul, Sudão, Tanzânia, Tailândia; com 8, Escócia, Indonésia e Quênia; com 9, Etiópia, Irã e Filipinas; com 10, Nepal, Ucrânia, Inglaterra e País de Gales;  com 11, Turquia; com 12, Coréia, Marrocos e Uganda; com 13, Algeria, França, Polonia, Uzbequistão; com 14, China, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Vietnã; com 15 Egito, Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia; com 16, Argentina e Chile; com 18, Brasil, Colômbia e Peru.
                O maior absurdo ocorre no Irã, como não poderia deixar de ser pela misoginia (ginecofobia, ginofobia, desprezo ou aversão às mulheres) característica dos muçulmanos: 9 anos para o sexo feminino e 15 para o masculino! Na Suécia, em 1997, havia apenas 15 jovens entre 14 e 18 anos cumprindo pena em alguma prisão. Na China, embora haja regimes especiais educacionais para adolescentes na faixa dos 14 anos, eles podem pegar prisão perpétua se cometem crimes bárbaros, chamados no Brasil de hediondos.
                No Brasil, em 2005 (Unicef, IPEA) havia cerca de 40.000 menores entre 12 e 18 anos cumprindo algum tipo de medida socioeducativa (0,2 da população - um terço em instituições como a FEBEM), a metade em São Paulo. Cerca de 42% por roubo e 15% por homicídio.
                Portanto, diante da gravidade crescente da criminalidade e considerando a situação no resto do mundo, urge – é emergencial – abreviar a maioridade penal. Aliás, a minha proposta é que esta se inicie com o nascimento, já que os direitos civis se iniciam intrauterinamente, com a concepção.

quarta-feira, 1 de maio de 2013


Petróleo para as transnacionais

Adriano Benayon * - 29.04.2013

Leilões

1. A promulgação da lei 9.478, de 1997, foi um dos mais execráveis atos antinacionais praticados por FHC, na linha das mega-negociatas da privatização.

2. Ela permite leiloar o petróleo para as empresas estrangeiras, dando-lhes o direito de dispor dele para exportá-lo.

3. Ademais, instituiu a Agência Nacional de Petróleo, a qual, desde sua criação, favorece as transnacionais, inclusive licitando mais depósitos de petróleo do que a Petrobrás, que os descobriu, tem interesse em explorar a curto e médio prazo.  Esta já foi também  impedida de adquirir blocos licitados.

4. A ANP promoveu, sob governos petistas, maior número de rodadas que sob os do PSDB.  Agora, está chegando à 11ª  rodada, na qual, abriu, nos leilões, quantidade enorme de áreas para exploração, como sempre, arbitrariamente e sem controle da sociedade.

5. Esse é mais um desmentido dos fatos quanto à pretensa natureza democrática do regime político, em que as eleições são movidas a dinheiro e influenciadas por TVs  e outras mídias que sempre propugnaram a entrega do mercado e dos recursos naturais do País a empresas estrangeiras, até com dados falsos e argumentos distorcidos.

6. Como apontam competentes técnicos, inclusive o ex-diretor de energia e gás da Petrobrás, Eng. Ildo Sauer,  o governo joga uma cortina de fumaça para a população, pondo os royalties no foco das discussões, quando a grande questão é licitar 289 blocos de exploração, sem sequer saber o valor deles. 

7. Diz Sauer: “Os royalties não passam de 15% do valor total gerado pelo petróleo nacional, e as entidades representativas da sociedade devem defender a estatização e o controle público do pré-sal e toda a cadeia petroleira do Brasil.” 

8. Os royalties foram o tema dominante durante a tramitação no Congresso da lei 12.351/2010, que regula o pré-sal. E, na realidade, essa lei dá tais “compensações” às petroleiras mundiais, que o que fica no Brasil é bem inferior a 15%.

9. O foco nos royalties, além de insensato, acirra disputas entre Estados, provocando rachaduras no pacto federativo. Governadores e parlamentares brigam por migalhas, em vez de buscarem a revogação da Lei Kandir, a qual isenta as exportações do ICMS.

10. Aos que ignoram ser o Brasil um país ocupado – ou, no mínimo, que o governo se comporta como se fosse – vale lembrar que, nos anos 50 do Século XX, o Xá do Irã, considerado fantoche do império, fez acordo com as grandes petroleiras anglo-americanas, passando a receber 50% das receitas da exploração.

11. O Eng. Paulo Metri mencionou declarações da Diretora-Geral da ANP em que esta declara esperar a descoberta 19,1 bilhões de barris de petróleo nos 289 blocos. Ele lembra que esse petróleo será exportado e pergunta: “quem definiu que a exportação, seguindo a lei 9.478, é a melhor opção para a sociedade brasileira?”

12. Metri: "o porquê de tanta agressividade autoritária e decisão antissocial está relacionado com o fato de que a desinformação do povo é imensa, os governantes não esperam nenhuma reação, e os brasileiros serão respeitados somente quando mostrarem estar informados e revoltados com as decisões antissociais.”   

13. Ele aponta que a ANP só convida para suas audiências, realizadas em locais fechados e guardados, os representantes das empresas interessadas.  Nada de povo, nem de gente que o represente.

14. Sauer: “É uma grande irresponsabilidade o Governo organizar outra rodada desta mesma maneira, considerando ainda o momento de valorização do óleo existente nos blocos.”

15.  E: “Tenho informações seguras, do Consulado americano, de que Dilma sempre defendeu os interesses do capital financeiro. Quando secretária no Rio Grande do Sul, seu nome sempre esteve ligado às privatizações. Inclusive, o Governo vem criando empresas extremamente lucrativas financiadas pelo endividamento público, coordenadas pelo BNDES.”

16. A prioridade do Brasil é reindustrializar-se e renacionalizar sua indústria, com ênfase nos setores de maior valor agregado e intensidade tecnológica, fazendo que empresas nacionais, em competição, se capacitem  para  absorver tecnologias desenvolvidas no exterior e para desenvolver suas próprias. Claro que isso só é possível com política industrial bem diversa da atual.

17. Apostar na exportação de produtos primários, a errada trilha que o Brasil  está seguindo (com o agronegócio e minérios brutos ou em baixo grau de processamento), tornando-se também grande exportador de petróleo, é entrar no caminho da Venezuela no Século XX, quando se formou ali a estrutura econômica menos diversificada e mais dependente da América do Sul, até para alimentos.

18. Não tem base real a propalada falta de recursos da Petrobrás para investir no abastecimento interno, nem carece ela de tecnologia para explorar em águas profundas.

19. Nem há necessidade de exportar petróleo, até porque este - como outros minerais que o Brasil permite exportar - deveria ser preservado para épocas mais próximas a 2050, a partir de quando se projeta, em âmbito mundial, escassez da oferta em relação à procura.

Biomassa

20. Importante seria reformular a produção de combustíveis de origem vegetal. Se o fizesse a sério, o Brasil teria ganhos fantásticos em todos estes campos: 1) econômico-financeiro; 2) social;  3) tecnológico: 4) ecológico; 5) estratégico.

21. Essa produção, ao contrário de prejudicar a de alimentos, deve ser associada a esta. De fato, o cultivo associado de plantas alimentares e de criação de animais propicia excelente sinergia com a do álcool e a do óleo vegetal, porquanto os subprodutos das plantas necessárias aos combustíveis são insumos na produção de alimentos, e vice-versa.  

22  As usinas de álcool e as processadoras de óleo devem ser de pequeno e de médio porte, sendo o combustível usado local e regionalmente: poupa-se a viagem da cana, em caminhões, gastando mais energia, por grandes distâncias, até as destilarias, e outro tanto do etanol, na volta.

23. Com descentralização e desconcentração,  emprega-se  mais  mão de obra e eleva-se a produtividade desta e seus rendimentos, trazendo benefícios sociais junto com os econômicos. Também, segurança no abastecimento de energia e no de  alimentos.

24.  Esse modelo afasta as distorções das atuais plantations de cana-de-açúcar  e das grandes usinas. Em relação aos óleos – cuja produção é hoje intencionalmente mal planejada e dá resultados pífios – ele permitirá aproveitar as plantas de alta produtividade.

25. Entre essas, o dendê na Amazônia e no trópico úmido, em geral. Macaúba, copaíba e pinhão manso na maior parte do Leste e do Centro-Oeste. Até no  semi-árido do Nordeste, há plantas excelentes para a produção de óleos. Com dendê produz-se mais de 6 mil litros/hectare/ano, enquanto com soja, não mais de 400 litros.

26. Esse potencial, precisa, para ser bem aproveitado, de investimentos muito mais modestos que os destinados ao petróleo, e possibilita ao Brasil tornar-se, num período de cinco a dez anos, maior produtor de combustíveis líquidos que a Arábia Saudita, como dizia o Prof. Bautista Vidal.

27. Não há problema algum em dispensar ou adaptar os motores de veículos para o diesel de petróleo. É viável e econômico fabricar, em série, motores para os óleos vegetais, mesmo porque o “biodiesel” envolve a desesterificação dos óleos, ou seja, a extração da glicerina, a qual, queimada pelos motores apropriados, eleva o teor da energia aproveitada.

28. O programa de biomassa gera, portanto, benefícios tecnológicos na fabricação de máquinas para o  cultivo e processamento das plantas e para a associada produção de alimentos, na melhoria das espécies vegetais e na indústria de motores, em que o Brasil ganharia escala, ficando imbatível em preços e qualidade.

29. Há, ainda, ganhos notáveis do ponto de vista ecológico. É falaciosa a campanha de que o desmatamento de áreas na Amazônia e outras causaria danos ao ambiente.

30.  A área necessária para a produção da biomassa, em grande escala,  é modesta  fração da desperdiçada em pastagens para exportar gado e exportar carne barata. É menor que a empregada na soja (esta usa 50% das terras usadas pela agricultura), para  exportar farelo destinado a gado, porcos e galinhas no exterior.

31. Tudo isso traz muito mais danos ambientais e menos ganhos dos que os que adviriam da produção de energia da biomassa. Não têm base científica as estórias das fundações financiadas por grandes petroleiras mundiais – as maiores poluidoras do Planeta – , porquanto as plantas só retiram óxido de carbono da atmosfera quando estão crescendo, pois é isso que elas comem.

32. Florestas já formadas em nada contribuem para a melhora do ambiente. O grande produtor de oxigênio  não são as florestas existentes, mas, sim, os oceanos, na realidade, agredidos pela poluente indústria do petróleo:  terríveis vazamentos de óleo negro nas embocaduras de grandes rios, nos mares  na  exploração costeira e das plataformas continentais, ademais dos naufrágios de gigantescos petroleiros.

33. E que tal a imensa massa de plásticos não biodegradáveis,  provenientes do petróleo,  acumulada sobre os mares e oceanos?

34. Por fim, atente-se para a segurança nacional. Um país que não tem como defender suas águas territoriais, não deveria engajar-se no petróleo antes de aparelhar a marinha e a aviação militares. Para tanto, tem de, antes, desenvolver a indústria nacional, pois ela nem sequer fabrica os chips para os mísseis e demais equipamentos.