sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Novena dos carnaubenses em Natal vai até o dia o fim de agosto.

Os católicos da Associação Recreativa dos Carnaubenses Ausentes-ARCA realizaram, na noite de ontem, na residência de Célia Lima Dantas, em Potilândia, mais uma novena de Nossa Senhora das Vitórias, em Natal. O encontro fraterno-religioso é realizado diariamente em vários bairros da capital e municípios do Rio Grande do Norte e da Paraíba, há vários anos, entre 02 e 30 de agosto.Ontem, na novena, foi lido um trecho dos Evangelhos, cânticos e preces dos presentes. O encontro serve para integrar a comunidade de moradores católicos, ou de outra crença,de Carnaúba dos Dantas, município do Seridó potiguar, ausentes de sua terra natal. Ontem, 14, foi na casa de Célia, viúva de Luiz Alberto Dantas, conhecido por Lucas, que era da mesma família de Tonheca Dantas, compositor e autor de "Royal Cinema".

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CHAMEMOS OS DE MARTE?


                                                             Públio José – jornalista



                       O Brasil já viveu inúmeros modelos políticos. Sem irmos muito longe, para a análise não ficar cansativa, foquemos nosso olhar no período militar até os dias atuais. De 1964 até os últimos dias do governo de João Figueiredo os militares, no poder, criaram um sistema tripartite de gestão, onde imperava a convivência entre os políticos, os próprios militares e os tecnocratas. Era um sistema baloiçante – em português do tempo dos nossos avós. Em certas ocasiões dominavam a cena os políticos. Em outros momentos os espaços eram ocupados pelos tecnocratas. Em ambas as situações os militares estavam sempre por trás dando as regras, definindo, optando pela decisão final. O país aprendeu, a partir daí, a conviver com o noticiário badalando sempre a presença de um czar, de uma liderança vinda de um dos três mundos, trazendo a solução para os problemas nacionais.
                               É desse tempo, por exemplo, o grande fascínio que exerceu sobre os detentores do poder a figura poderosa de Delfim Neto – na qualidade de tecnocrata. Para entronizá-lo no poder, com ampla liberdade para pintar e bordar em torno das questões econômicas, os militares distribuíam pela imprensa longas considerações e argumentos sobre a vantagem de um técnico exercer o comando da economia ao invés de um político. Com essa poderosa couraça em torno de si – e dos “delfim boys” que normalmente o acompanhavam – Delfim Neto deu pitaco e opinião, durante um longo período, em todos os assuntos que demandavam a agenda política, econômica e social daquele tempo. Só não se responsabilizou pela escalação da seleção brasileira de futebol porque não quis. Nesse caso prevaleceu a vontade do mundo militar, com a solução insossa, inodora e incolor representada por Cláudio Coutinho.
                               Quem não se lembra do General Gollbery, com sua marcante onipresença ditando os rumos da política, do planejamento, do rumo que o país deveria seguir? Teve também a influência de políticos poderosos, como Magalhães Pinto, Dinarte Mariz, José Sarney, Célio Borja, Petrônio Portela, Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf (até ele) e outros que agora não vêm à lembrança. Foi um período no qual a diretriz nacional se dividiu entre a visão dos políticos, dos militares e dos tecnocratas. Bom, depois veio a redemocratização, eleições diretas e a grande conclusão: militar no poder nunca mais! Tecnocratas mandando no país? Nem pensar! A visão política dos homens que sabiam disputar o voto do eleitor, que empolgavam as massas com seus discursos, que tinham na essência do seu conhecimento a solução dos problemas nacionais – pelo menos era assim que se dizia – passou a prevalecer.
                        Mais: somente aos políticos cabia a missão de levar o Brasil ao seu grandioso destino de futura potência mundial. A partir daí vieram, como se sabe, Tancredo, Sarney, Itamar, Collor, Fernando Henrique, Lula e agora Dilma. Com pequenas exceções, durante as quais o país viveu fugazes momentos de normalidade, nenhum dos tais conseguiu passar ao brasileiro a sensação de desenvolvimento tão esperada. E agora? Os militares não acertaram; os tecnocratas nos legaram uma enorme dívida pública; os políticos nos jogam, de tempos em tempos, em caldeirões de escândalo, corrupção e roubalheira. Chamemos, então, os marcianos? A saída está – mais uma vez – com o eleitor. Renovando. Fazendo prevalecer a sua vontade, através da qual poderão surgir novas lideranças. E um bom momento vem aí: as eleições de 5 de outubro. Os marcianos?  Ficam para outra ocasião. Vamos renovar?            

sábado, 9 de agosto de 2014



TJRN ganha Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça em Inovação e Endomarketing
O TJRN foi contemplado no encerramento do X Congresso Brasileiro de Assessores de Comunicação da Justiça (Conbrascom), por apresentar os melhores projetos do país nas categorias Inovação e Endomarketing, respectivamente, com os projetos TJ Mais Sustentável e Campanha das Metas 2014.
Um projeto de economia de recursos e meio ambiente que usa game virtual para estimular a conscientização. Uma campanha para cumprimento das metas de julgamentos que convoca a equipe de magistrados e servidores a seguir o mesmo ritmo de mobilização de uma Copa do Mundo. Duas ideias, desenvolvidas pela Secretaria de Comunicação Social do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, que numa disputa com dezenas de outros projetos de toda a Justiça, foram escolhidas as melhores do Brasil. [Portal TJRN > Saiba mais]


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 8/08/2014 06:34:00 PM

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Superfaturamento na construção da Ponte da Redinha.

Justiça condena onze por ‘vícios’

O parecer do juiz da 4ª Vara Federal, Janilson Ferreira de Siqueira, absolveu do crime de improbidade administrativa, no processo de superfaturamento na construção da Ponte Newton Navarro, os treze réus - dez pessoas físicas e três empresas. Pela decisão, dos treze envolvidos, onze - incluindo as três empresas -  foram condenados a pagar multas devido a ‘vícios’ identificados na licitação para as obras realizadas entre os anos de 2006 e 2008, durante a gestão da ex-governadora Wilma de Faria. A decisão publicada na última quinta-feira, dia 31 de julho, atesta que houve superfaturamento nas obras da Ponte Forte-Redinha em  R$ 17,2 milhões.
Júnior SantosDecisão da Justiça, publicada no dia 31/7, atesta que houve superfaturamento de R$ 17,2 milhões nas obras da Ponte Forte-RedinhaDecisão da Justiça, publicada no dia 31/7, atesta que houve superfaturamento de R$ 17,2 milhões nas obras da Ponte Forte-Redinha

“Se não há prova ou indícios de má-fé ou intenção de causar o dano ao Erário, não é legítimo imputar aos réus ato de improbidade”, afirma a sentença. “Concluo que  não restou evidenciada a ofensa ao objeto jurídico protegido pela lei de licitações que é a moralidade administrativa e a lisura do processo licitatório em benefício do Estado e dos concorrentes”.

Foram condenados ao pagamento de multa os membros da Comissão Especial de Licitação do processo da obra, Kilva Vankilva Leite de Freitas, Victor José Macedo Dantas, Damião Pita, Welbert Martinho Accioly. Ao ex-secretário e deputado estadual Gustavo Carvalho (PSB), além de multa, o magistrado determinou a suspensão dos direitos políticos  por 3 anos. Igual pena foi aplicada a Ulisses  Bezerra Filho, então secretário-adjunto de Infra-estrutura, e  Carlos Cabral Freitas Macedo, integrante da Comissão. 

A “exigência excessiva e desarrazoada” de quantitativos relativos à qualificação técnica das empresas interessadas em participar do certame, segundo o juiz, caracteriza  “dolo indireto dos membros da Comissão e do secretário  Gustavo Carvalho, com o objetivo de impedir a participação (…) em evidente prejuízo à concorrência pública”.

À Outec Engenharia de Projetos Ltda, que fez o projeto básico da obra e ao diretor-sócio Tunehiro Uono foram imputadas multas, após comprovado que “a ausência de limitação dos preços unitários no Edital de licitação e de detalhamento do Projeto Básico em planilhas que expressassem a composição de todos os custos unitários da obra foram determinantes para a superfaturar a obra”.

As empresas Queiroz Galvão S/A e Construbase Egenharia Ltda, que formaram consórcio para a construção da  ponte, foram condenadas a ressarcir de forma solidárias, na proporção de 60% e 40%, respectivamente, os cofres públicos com o valor superfaturado. A obra custou R$ 176.7 milhões, segundo os autos, mas foi reajustada para  R$ 193.9 milhões - gerando um sobrepreço de R$ 17.202.388,04. Até abril de 2007,  o Consórcio recebeu R$ 181.7 milhões.

Absolvidos
As acusações contra o ex-secretário de Infraestrutura, Francisco Adalberto Pessoa de Carvalho foram julgadas improcedentes. Apesar de constado como um dos responsáveis pelas irregularidades apontadas no relatório inicial da CGU, ficou comprovado que enquanto secretário, ele assinou termo aditivo apenas em relação ao prazo de prorrogação da obra, “em nada tendo contribuído para o aumento do valor contratado”, observou o juiz. Já Francisco Antônio Cordeiro Campos, membro da comissão de licitação, foi retirado do processo após falecimento.

Como a justiça decidiu no processo 0006575-24.2007.4.05.8400:
Gustavo Henrique Lima de Carvalho – Era secretário de infraestrutura do Estado, na  epóca, foi condenado ao pagamento de multa civil equivalente a 1/150 (um cento e cinquenta avos) do valor do dano causado ao Erário, correspondente ao apurado sobrepreço, totalizando R$ 114.682,58, além da suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 3 (três) anos, contados do trânsito em julgado da sentença;

Ulisses Bezerra Filho – condenado ao pagamento de multa civil equivalente a 1/200 (um ducentésimo) do valor do dano causado ao Erário, correspondente ao apurado sobrepreço, totalizando R$ 86.011,94 e suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 3 anos, contados do trânsito em julgado da sentença;

Kilva Valnkilva Leite de Freitas - presidente da Comissão de Licitação, condenada ao pagamento de multa civil equivalente a 5 (cinco) vezes o valor da remuneração recebida  à época dos fatos;

Welbert Marinho Accioly – membro da Comissão de Licitação, foi condenado ao pagamento de multa civil equivalente a 5 (cinco) vezes o valor da remuneração recebida à época dos fatos; 
n Carlos Cabral Freitas de Macedo - membro da Comissão de Licitação, terá que pagar multa civil equivalente a 1/150 (um cento e cinquenta avos) do valor do dano causado ao Erário, correspondente ao apurado sobrepreço, totalizando R$ 114.682,58 e suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 3 anos, contados do trânsito em julgado da sentença;

Victor José Macedo Dantas - membro da Comissão de Licitação foi condenado ao pagamento de multa civil equivalente a 5 (cinco) vezes o valor da remuneração recebida à época; 

Damião Pita - membro da Comissão de Licitação foi pagamento de multa civil equivalente a 5 (cinco) vezes o valor da remuneração percebida pelo agente à época dos fatos; 

Outec Engenharia Ltda. - Construtora contratada para elaboração do projeto, pela decisão, irá arcar com o pagamento de multa civil equivalente a 20% do valor do contrato firmado com a Administração, para elaboração do Projeto Básico, equivalente a R$ 150.000,00; 

Tunehiro Uono: sócio-diretor da Outec Engenharia. Pagamento de multa civil equivalente a 6,7% (seis vírgula sete por cento) do valor do contrato firmado com a Administração para elaboração do Projeto Básico, equivalente a R$ 50.250,00 (cinquenta mil duzentos e cinquenta reais);

Construtora Queiroz Galvão S.A. e Construbase Engenharia Ltda. - condenadas ao ressarcimento integral do dano, solidariamente com a ré , no montante de R$ 17.202.388,04, acrescido de correção monetária e juros de mora desde o evento danoso até o efetivo pagamento, além de pagamento de multa civil equivalente a 1/100 (um centésimo) do valor do dano, na quantia de R$ 172.023,88, mais correção e juros a contar da sentença. Os honorários do perito judicial devem ser suportados pelas empresas, tendo em vista o princípio da causalidade.

Inocentados:
Francisco Adalberto Pessoa de Carvalho – Foi também secretário de Infraestrutura do Estado. Os pedidos em relação a ele foram julgados improcedentes.

Francisco Antônio Cordeiro Campo - retirado do processo por motivo de falecimento, sem inclusão de descendentes.

domingo, 3 de agosto de 2014

Professor JALES COSTA


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JALES COSTA



Jurandyr Navarro

Do Conselho Estadual de Cultura


Inteligência lúcida, desempenhou Jales Costa cargo de superior instância administrati­va no Tribunal de Contas do Estado. Advogado militante, ao longo dos anos, prestigiando, com seu saber jurídico e seu trabalho afanoso, a Classe que defendeu e res­guarda os direitos da Cidadania, nas nações tidas como civilizadas.

No Governo Geraldo Melo exerceu o cargo de Procurador Geral do Estado e se houve com serenidade, honradez e competência. Na docência da Universidade Federal integrou o Departamento de Direito Privado do Curso das Leis. Lecionou "Introdu­ção à Ciência do Direito", disciplina filosófica desta ciência social aplicada, dentre outras disciplinas. Neste oficio pedagógico distinguido-se como dos melhores docentes.

O estudo do direito aclara a inteligência e dá asas à imaginação criadora.

Preleciona Jean Girandorix:

"A melhor forma de exercitar a imaginação é estudar Direito: nenhum Poeta já inter­pretou a natureza tão livremente como um Advogado interpreta a Verdade".

Estudou, Jales Costa, Religião, no Curso que fez na ordem dos Irmãos Maristas. Especializou-se em Literatura, em curso de pós-graduação universitária.

Sensível às coisas do pensamento, não poderia Jales Costa alhear-se dos deleites da leitura das belas páginas literárias                                         

Enfatiza o Padre Serttilanges no seu monumental livro "A Vida Intelectual" que a virtude própria do homem de estudo é a estudiosidade. E que tudo num intelectual, deve ser intelectual.

Disso infere Van Helmont:

"Todo estudo é estudo de eternidade".

O que complementa o preceito ditado por Santo Tomás de Aquino: "Nunca deixeis de orar”.

Ainda sobre o estudo proferiu Platão, aconselhando colocar mais azeite na lâmpada do que vinho na taça. E Bossuet levantava-se de noite para encontrar o gênio do silêncio e da inspiração.           

 É que Jales apurou o espírito no estudo e dele fez hábito, uma segunda natureza. E através dele manteve aceso o cérebro de homem inteligente e ilustrado em Ciência e Religião. Os homens cultos e de Ciência são raros, mormente os de conhecimento geral, como é o caso do nosso biografado, que se adentrou pelos seus vários ramos pelo estudo diuturno, investigando as suas origens e consequências, entre os povos mais diversos. A propósito disso comentou o grande jurista Pontes de Miranda:


"Não saiu a Ciência, inteira e perfeita, dos espíritos de uma raça ou de uma civilização. Quem negará que a cultura nacional, quanto aos elementos que a compõem, seja mesclada e sintética? Os gregos tiveram mística, e nenhuma escolástica, dizia há mais de meio século Walther Rathenau; tiveram ciência, porém não técnica. Os judeus, escolástica, mas nenhuma pesquisa; os romanos, livre pensamento e técnica, porém não ciência. Egípcios e chineses, técnica, mas nem pensamento livre, nem pesquisa, nem mística interior. Ora, a contemporaneidade para chegar ao que conseguiu, utilizou tudo isso; ou melhor, foi de tudo isso que surgiu a Ciência, que é o balanço do que se verificou e do que não se verificou na vida e na experiência dos homens. A Ciência precisa do saber de todos os lugares e de todos os povos".


Abeberando-se no estudo dessas fontes foi que Jales Costa conseguiu, pela estudiosidade refletida, apurar o seu espirito nas ciências dedutivas em que brilham miríades de estrelas no firmamento das letras, do direito, da música e da poesia, da história e da religião. Através desse prisma especulativo e no campo teológico e filosófico discerniu o segredo da Esfinge do saber, na sua área de atividade, ampliando a sua liberdade cultu­ral. Tem mais liberdade na vida quem mais sabe.

A Verdade te libertará, disse Jesus Cristo!

Jean Jacques Rousseau advertia no seu "Emílio", que cérebros bem preparados são os monumentos onde com maior segurança se gravam os conhecimentos humanos.

A cultura de Jales Costa é um amálgama da Fé com a Razão. Absorveu os conheci­mentos do Medievo e do Renascimento. Daí afigurar-se cristão humanista.

Outro mérito do, seu espirito atilado é a oratória concisa, seguindo o pensamento de La Rochefoucauld – “a eloquência autêntica consiste em dizer tudo que é necessário, e nada mais que o necessário. Como repetisse La Bryère: - 'Se vous voulez dire il pleut, vous direz seulement il pleut.”


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sexta-feira, 25 de julho de 2014

O Cardeal que recebeu aplausos da sociedade civil brasileira.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

JN




Cardeal EUGÊNIO SALES
Jurandyr Navarro
Do Conselho Estadual de Cultura
Aplicando a capacidade cognitiva à disposição de um labor construtivo, fez de Dom Eugênio Sales alvo do aplauso unânime dos seus patrícios.

Um Prelado originário de uma minúscula cidade - Acari, obscuridade geográfica do mapa-mundi, converteu-se no grande apóstolo da modernidade católica, cuja admi­ração causada pelo trabalho magnífico empreendido, atravessou fronteiras internacio­nais e chegou à abóbada do Vaticano.

Dom Eugênio tornou-se

"um virtuoso na arte do possível",

como diria Jean Lacouture (1991) a respeito do herói de Pamplona o fundador da Ordem Jesuíta, a instituição dos conquistadores e dos intelectuais da Igreja Católica Apostólica Romana.

A extraordinária trajetória do Cardeal Sales começou em nossa Capital, passando pela Cúria de Salvador e ultimando no Arcebispado da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Foram cinquenta anos de luta pertinaz, sem canseiras nem cavilações; nem de­magogia, sem alarde e sem buscar os holofotes da publicidade paranóica. Proeza fan­tástica somente realizável e consumada pelos verdadeiros líderes da Humanidade, la­bor incansável reconhecido por todos.

Não direi aqui as suas muitas realizações. O seu número exorbitaria do texto aqui aplicado. Não aludirei às suas Palestras nacionais e internacionais, às Medalhas rece­bidas, aos Troféus acumulados, os testemunhos dos políticos, intelectuais e Cardeais de todos os idiomas ditos a seu respeito e também de Pontífices. O seu curriculum vitae daria as páginas de uma plaquete. Desenho, apenas, nesta página, alguns traços marcantes da sua vida trepidante, a vol d’oiseau.

Pertence, Dom Eugênio, à categoria restrita daqueles bravos em que a Nação pode confiar o seu patriotismo e a Igreja o seu altar. Nele, dificuldade não era sinônimo de impossibilidade.

Ninguém poderá medir no compasso, pesar na balança, e pôr na estatística as realizações desse Notável condutor de almas. Muitas vezes pensava uma iniciativa pela manhã e na parte da tarde estava ela concretizada. A sua atividade indormida transfor-mou-o num grande administrador, auxiliada, também, pela clarividência de sua mente objetiva.

Disse Peter Druker, famoso autor da Ciência da Administração, que

"não há países subdesenvolvidos; e sim, sub-administrados".

Conclui-se desse corolário ser o bom político, o bom administrador o fator essen­cial do desenvolvimento civitizatório de uma nacionalidade. O Brasil já teve bons e me­díocres governantes todos sabem; como a Igreja Católica, Bispos realizadores e outros apenas contemplativos.

O Trabalho foi sempre a constante e a determinante ideia fixa posta em prática por esse audaz cavaleiro do Grande Rei, vencendo todos os aclives do caminho tortuoso percorrido. Ele semeou a semente do Bem no coração dos fiéis, dos infiéis, dos letrados e ignorantes, pois todos são filhos de Deus.

Como disse Vieira, tribuno inigualável, há muita diferença entre o semeador e o que semeia.

O semeador é o nome, o que semeia é ação! O apostolado de D. Eugênio foi todo de Ação.

Não havia óbices para o herói de Pamplona no ardor da sua luta. O mesmo se deu na vida do Cardeal Sales, toda ela determinada através de um trabalho pertinaz, em edificar uma Igreja melhor "Quero uma Igreja de Homens e não de pedras", disse certa vez, visando o Bem da humanidade, como induz a divisa jesuíta: Ad Majorem Dei glori­am (Para a maior glória de Deus).

Todos devemos ter um ideal, um ideal nobre. D. Eugênio acendeu a chama do ideal desde a mocidade.

"Felizes, disse Bordeaux, os que colocaram bem alto o sonho da sua vida". Afirmou Riboulet (Rumo à Cultura, 1977): "Quando o ideal se apodera de uma inteligência, domina-a completamente".

Expressões estas condizentes com a postura existencial do eminente Bispo potiguar, obedecendo, sempre, na sua vida um ideal nobre.

Eis por que exultava Pierre Rostand, da Plêiade, a chamar, sobre a amplidão da praia sombria, a onda sonora do ideal.

Além de cultuar um ideal elevado, Dom Eugênio aprofundou-se no fazer, dizendo com Carlyle:

"O viver é uma conjugação ininterrupta do verbo fazer".

Não o fazer por fazer, da multidão anônima; mas, o fazer programado pela inteli­gência e acionado pela vontade: o savoir faire!

De suas meditações e questionamentos redundaram mudanças importantes no Governo pontifício. A sua palavra autorizada foi ouvida por Chefes da Cristandade.

A formação do ínclito varão católico foi mais intensificada no ambiente temporal, do que propriamente no ambiente religioso, embora jamais descurasse a atenção primacial deste último. Cursou o Seminário depois do período turbulento da puberdade. Passou a infância e parte da adolescência envolvido na sociedade profana, leiga e libe­ral.

Diversa, portanto, a sua visão social daquela vislumbrada pela maioria dos seus colegas de ministério eclesial. Assim foi a vida de Loyola; do Bispo de Hipona e de alguns Papas, dentre eles João XXIII e Paulo II.

Daí, a inclinação de D. Eugênio, desde a Ordenação em buscar responsabilidades junto aos leigos, para juntos atuarem nas comunidades ditas carentes. Tal se depreende do texto bíblico, a atuação de Esdras, o sacerdote e de Neêmias, o leigo; animados ambos, numa ação conjunta pelas terras da Judeia.

Ciente da força da Imprensa, usou o Jornal, o Rádio e depois a Televisão, para ampliar a voz do púlpito.

A prece contemplativa no Altar e a ação do Trabalho formaram o binômio vitorioso da trajetoria do aplaudido Pastor. Jamais foi dobrado pelo cansaço na caminhada por estrada tortuosa, sem admitir recuos ou desfalecimentos.

Lembra esse labor incansável, as palavras incisivas de Henri Bergson:

"O que me impressiona em Jesus, é essa ordem de ir sempre avante. De modo que se poderia dizer que o elemento estável do Cristianismo é a ordem de jamais se deter".

Por todos reconhecida a extraordinária gesta de meio século pela Igreja, pelos trabalhadores, pela sorte dos detentos e reclusos e dos pobres em geral e também guieiro da elite social.

Foi ele um Pastor que teve dignidade no cargo exercido, em consideração e reve­rência aos postulados éticos do Cristianismo.

A propósito disso declarou Guizot:

"A Igreja Católica é a mais vasta escola de respeito, de obediência e de autoridade".

O eminente nordestino foi uma das autoridades mais acatadas da nação brasileira.

Não irei mais me alongar sobre personalidade tão significativa, mesmo porque dela falar seria um nunca acabar...

Numa palavra, foi ele o grande Príncipe da nossa Igreja!

O Cardeal Eugênio de Araújo Sales não é somente uma destacada figura do Rio Grande do Norte e do Brasil; tem ele o seu nome augusto lugar perpétuo na galeria restrita e luminosa dos imortais vultos da Humanidade.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Não houve envolvimento russo na derrubada de avião na Ucrânia, segundo EUA.

Mundo

Fonte: Voz da Alemanha - dw.de

EUA não encontram sinais de envolvimento direto da Rússia na queda do MH17

Inteligência americana diz, porém, que russos criaram as condições para a queda da aeronave ao apoiar separatistas do leste da Ucrânia e que estes provavelmente derrubaram avião "por engano".
Representantes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos afirmaram, nesta terça-feira (22/07), não terem encontrado evidências de envolvimento direto da Rússia na queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines. Entretanto, os funcionários declararam que Moscou foi responsável por "criar as condições" que levaram à tragédia no leste da Ucrânia.
Numa entrevista à imprensa em Washington, os funcionários, que pediram para que seus nomes não fossem revelados, afirmaram que os russos vêm armando os separatistas no leste ucraniano, mas que não há evidência direta de que o míssil usado para derrubar o avião veio da Rússia.
"Ainda estamos trabalhando para determinar se houve uma ligação direta, se havia russos em terra, se eles treinaram os separatistas", afirmou também o vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, em entrevista à emissora CNN.
Os representantes da inteligência americana que falaram sob anonimato à imprensa afirmaram que o voo MH17 deve ter sido derrubado "por engano" por um míssil terra-ar SA-11, disparado por separatistas pró-Rússia. "A explicação mais provável é que foi um engano", disse um dos funcionários.
Também foram rebatidas as alegações de que o Boeing 777 teria executado uma manobra perigosa semelhante "às que fazem os aviões militares". Segundo um alto funcionário, tal afirmação não tem fundamento.
Além disso, para a inteligência americana, a explicação da Rússia sobre a catástrofe, que sugere que a Ucrânia teria derrubado o avião, não é realista, pois Kiev não tem mísseis do tipo usado nessa área, claramente dominada pelos separatistas. Se a versão russa fosse verdadeira, isso significaria que as tropas do governo ucraniano teriam lutado para entrar na área, atirado no avião e, depois, lutado para sair novamente.
Além disso, Kiev teria que ter orquestrado as postagens de separatistas nas redes sociais, dizendo que haviam abatido um avião. "Isso não me parece plausível", afirmou um dos funcionários.
Outro argumento que depõe a favor do governo ucraniano é que ele não teria motivos para empregar um sistema antiaéreo, já que os separatistas não têm utilizado helicópteros e nem realizado bombardeios. O mesmo não pode ser dito dos militantes, que enfrentam ofensivas aéreas do governo, afirmaram as autoridades americanas.
Chegada dos corpos
Na tarde desta quarta-feira, está prevista a chegada de um voo com os primeiros restos mortais das vítimas do voo MH17 a Eindhoven, na Holanda – país de origem de 193 das 298 pessoas que estavam a bordo da aeronave.
Os caixões serão recebidos pelos parentes das vítimas, pelo casal real holandês e pelo primeiro-ministro do país, Mark Rutte. Será feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. O governo declarou luto nacional nesta quarta-feira.
Ainda não se sabe ao certo o número de corpos que foram colocados no trem com vagões resfriados usado para o transporte dos restos mortais das vítimas. Um especialista holandês que examinou os restos mortais falou em 200 corpos, mas os separatistas teriam falado em 282.
Junto com os corpos está prevista também a chegada das caixas-pretas. Elas foram entregues pelos separatistas a especialistas malaios, que o repassaram aos investigadores holandeses. Por fim, especialistas britânicos avaliaräao o conteúdo das gravações, que deverá fornecer pistas sobre a causa do acidente.
IP/dpa/afp/rtr/lusa/ap

terça-feira, 22 de julho de 2014

O homem foi à Lua e a bandeira não tremeu porque não há vento.


Clique Ciência: se na Lua não venta, por que a bandeira dos EUA tremeu?

Tatiana Pronin
Do UOL, em São Paulo




Clique Ciência61 fotos

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Lá se vão 45 anos que o homem pisou na lua pela primeira vez. E ainda assim, há quem acredite que tudo não passou de uma armação dos americanos. O maior argumento diz respeito à bandeira americana, que parece se mover na foto. É isso mesmo? Conheça os fatos para acabar com esse mito Nasa/AP
Nesta semana, o mundo comemora o aniversário de 45 anos do dia em que o homem colocou os pés na Lua pela primeira vez. E apesar de tanto tempo ter passado, ainda há quem acredite que tudo não passou de uma armação dos americanos. Um dos argumentos mais utilizados para alimentar a teoria da conspiração é o da bandeira dos EUA, que aparece em movimento nos vídeos da Nasa (a agência espacial americana). Como isso é possível se na Lua não venta?
O questionamento sobre a ondulação da bandeira aparece em todos os textos e documentários criados para espalhar a tese de fraude, que nasceu nas palavras de Bill Kaysing, autor do livro "Never Went to the Moon"("Nunca fomos à Lua"), de 1974. Kaysing morreu há alguns anos, mas suas ideias nunca deixaram de circular, ainda mais com o advento da internet.
A questão é que os vídeos originais da Nasa são bem tediosos e ninguém tem muita paciência para assisti-los inteiros. E se a bandeira aparece tremulando no momento em que é fincada na Lua, ou quando o astronauta a arruma, as mesmas imagens a mostram paradinha momentos depois, como deve ser em um ambiente de vácuo como é o espaço.
"Se você olhar com cuidado os filmes da época, ou as fotos, verá que a bandeira está parada, e só se mexe quando algum astronauta a toca. Quando ele faz isso, ela se move como um tecido se moveria, ou seja, vai fazer uma onda. Não por causa de vento, mas sim pelo movimento provocado pelo astronauta diretamente na bandeira e pela flexibilidade do tecido", explica Douglas Galante, pesquisador do Laboratório Brasileiro de Luz Síncrotron e do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo).
Na verdade, a bandeira se move daquele jeito ao ser manipulada justamente porque não está sujeita à resistência do ar. Vale lembrar que o mastro é de alumínio flexível, por isso o movimento continua mesmo depois que o astronauta tira a mão. "A inércia faz com que ela continue a se mover", esclarece o especialista Roger Launius, do Museu Espacial Smithsonian, em Washington, em reportagem da National Geographic sobre o tema.



Apollo 11- Homem pisa a Lua pela primeira vez20 fotos

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20.Jul.1969 - Armstrong foi o primeiro a sair da nave. Ao pôr os pés na Lua, disse a célebre frase: "Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a Humanidade" Leia mais Arquivos da Nasa

Mitos

O astrônomo Phil Plait, autor do premiado blog "Bad Astronomy", tem um post específico para explicar não só a história da bandeira, mas todas as outras divulgadas pelos conspiracionistas. Como o fato de que não há estrelas nas fotos tiradas pelas máquinas embutidas nos trajes dos astronautas da Apollo 11. Ele explica que o tempo de exposição das câmeras estava configurado para ser curto, já que o pouso ocorreu de manhã, com o Sol brilhando intensamente. Assim, a luz das estrelas que estão ao fundo não pode ser vista.
Outro argumento famoso é o das pegadas, que para ficarem assim tão bem definidas só poderiam ter sido feitas em areia molhada, segundo os céticos. Plait também derruba o questionamento, lembrando que o solo lunar é composto por uma areia finíssima, que lembra pó ou cinza vulcânica. Por isso, ela se comprime facilmente, formando o desenho detalhado da bota. E por que fica intacta por tanto tempo? Novamente, por causa do vácuo.
Vários desses mitos foram derrubados pelos divertidos apresentadores do programa "MythBusters", do Discovery Channel, que até usaram uma câmara de vácuo para desbancar as teorias. Mas o povo do contra não se convenceu: de acordo com eles, o programa é patrocinado pela Nasa.

Provas

"Muita gente tentou desacreditar a ida dos americanos à Lua, mas ela de fato aconteceu e isso é um consenso hoje em dia", comenta Galante. O pesquisador até cita uma prova clara disso: "Podemos enviar um laser para a Lua, fazê-lo refletir em um dos espelhos deixados para esse propósito pelos astronautas da Apollo, e medir o sinal de volta aqui na Terra."
Há várias outras confirmações, não só do pouso da Apollo 11, mas das missões que se seguiram até 1972, quando o dinheiro acabou. A missão indiana Chandrayaan-1, lançada em 2008, orbitou a Lua e confirmou que os jatos propulsores do módulo lunar da Apollo 15 alteraram a superfície, deixando-a mais clara. E olha que a Índia não teria nenhum interesse em apoiar os EUA em um eventual embuste.
Ainda há fotos de satélites que mostram objetos deixados pelos astronautas americanos na Lua, e confirmam a desconfiança de Buzz Aldrin de que a famosa bandeira caiu com a vibração do módulo lunar durante a decolagem. E, bom, há as centenas de amostras de rochas lunares trazidas pelos astronautas. Russos também fizeram coletas em missões não tripuladas e eles certamente teriam feito algum barulho caso houvesse diferença de composição entre as pedras.
Mas talvez seja mais interessante para certas pessoas pensar que foi tudo foi simulado - e teve até direção do cineasta Stanley Kubrick, dizem. Pelo menos enquanto não for possível para qualquer mortal ir até a Lua e procurar as provas pessoalmente. "Em breve, se alguém vencer o Google Lunar Prize, talvez tenhamos um pequeno rover particular visitando um dos antigos locais de pouso na Lua, mostrando aos incrédulos que há quase 50 anos já éramos capazes de viajar para outros corpos do nosso Sistema Solar", conclui Galante.




Imagens do espaço 2014200 fotos

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GALÁXIA CENTAURUS - Imagem mostra a galáxia elíptica Centaurus A. A imagem foi captada pelo telescópio Hubble, da Nasa, a agência espacial americana, para sondar os arredores desta galáxia e saber mais sobre seu halo escuro de estrelas ESA /NASA

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Os escravos, conforme depoimento de Manoel da Rocha Bezerra.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Escravos, depoimento de Manoel da Rocha Bezerra



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Auto de perguntas a Manoel da Rocha Bezerra, em continuação do interrogatório feito na Vila de Macau, a cerca da questão dos africanos.
Aos 3 dias do mês de agosto do ano do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta, nesta cidade do Assú, comarca do mesmo nome da província do Rio Grande do Norte, em casa de residência do delegado de polícia em exercício do termo do Assú, capitão Luiz José Soares de Macedo, comigo escrivão interino de seu cargo abaixo nomeado, aí, perante o cidadão Manoel da Rocha Bezerra, pelo dito delegado lhe foram feitas as seguintes perguntas. 
Perguntado qual o seu nome, idade, estado, filiação, naturalidade, e profissão? Respondeu chamar-se Manoel da Rocha Bezerra, de setenta e sete anos, casado, filho legítimo de Balthazar da Rocha Bezerra, já falecido, natural desta Freguesia, e empregado na mesa das rendas provinciais da Vila de Macau.
Perguntado pelo delegado se conhece em Macau José Joaquim de Moura e Silva, e se sabe que ele vendera clandestinamente uma mulher livre como escrava pela quantia de oitocentos mil réis, quando e a quem? Respondeu que conhece José Joaquim de Moura e Silva, e sabe que ele vendeu a seu próprio pai Balthazar de Moura e Silva uma escrava de nome Benedicta, crioula, e que ouviu dizer que a venda se efetuara por oitocentos mil réis. Perguntando, ele delegado, se ele respondente sabe em que se funda o correspondente de Macau, para dizer em uma correspondência inserida no “Liberal do Norte”, de onze de junho deste ano, e datada de quatro do mesmo junho, que ali fora vendida por José Joaquim de Moura e Silva uma mulher livre? Respondeu que não sabia, mas que ouviu dizer que esta correspondência fora feita por pessoas desafetas ao mesmo José Joaquim de Moura e Silva, e a Joaquim Rodrigues Ferreira. Perguntado mais pelo delegado, se ele respondente sabia que em poder de Joaquim Rodrigues Ferreira, existem como escravos três pessoas livres, como também, além destes, outras pessoas livres em poder de alguém como escravo, segundo diz o mesmo correspondente? Respondeu que sabe que Joaquim Rodrigues Ferreira possui de oito a dez escravos entre os quais Antonia e duas filhinhas, cujo nome não se recorda; e que por ser a mesma Antonia filha de negra de Angola presume-se que nasceu de ventre livre; e quanto aos outros a que alude a correspondência, ele respondente não sabe.
Perguntado mais pelo delegado, se sabe de quem é filha a dita escrava Antonia? Respondeu que é filha de uma escrava de nome Josefa pertencente ao pai de Joaquim Rodrigues Ferreira. Perguntado mais pelo delegado se sabe de quem o pai de Joaquim Rodrigues Ferreira houve a dita escrava Josefa? Respondeu que não sabia.
Perguntado mais pelo delegado se sabia que no lugar Camoropim estiveram uns africanos que desembarcaram na Ilha de Manoel Gonçalves, vindos em uma escuna que ali aportou no ano de mil oitocentos e trinta e cinco; e se sabe que alguns desses africanos ou filhos dos mesmos são por alguém conservados em cativeiro, como diz o capitão Francisco Trajano Xavier da Cunha, em sua carta de vinte e oito de julho próximo passado, dirigida a esta delegacia por ocasião de ter sido chamado para dizer o que sabia a cerca daquela correspondência? Respondeu que é voz publica na Vila de Macau, que, na Ilha de Manoel Gonçalves aportou um barco no qual vinham africanos, e que dali seguira o mesmo barco para o Ceará, onde ouviu dizer que foram tomados os mesmos africanos pela justiça, em consequência de serem contrabandos; mas que do tempo em que isso se deu não recorda: tendo-lhe dito o mesmo Francisco Trajano Xavier da Cunha, que o finado D. Manoel de Assis Mascarenhas, quando presidente desta província, mandara sindicar desse fato por intermédio das autoridades daquela Ilha de Manoel Gonçalves, onde era então Juiz de Paz, Joaquim Álvares da Costa, mas que não sabe, ele respondente, se ali ficaram africanos vindos no mesmo barco.
Perguntado mais pelo delegado, se sabia de quem era filha Benedita, vendida por José Joaquim de Moura e Silva? Respondeu que era filha de Joaquina, escrava que foi de Balthazar de Moura e Silva. Perguntado mais pelo delegado se ainda existe Joaquina, e de que nação é, e se escrava, ou livre? Respondeu que ainda existe na Vila de Macau, é de nação angola, e hoje liberta pelo dito Balthazar de Moura e Silva; em consequência dos bons serviços a ele prestados. Perguntado mais pelo delegado se sabe donde houve Balthazar de Moura e Silva, a dita escrava Joaquina? Respondeu que por herança do sogro Antonio Joaquim de Sousa. Perguntado mais pelo delegado se sabe de quem a houve Antonio Joaquim de Sousa? Respondeu que não sabia.
Aqui encerrou o auto de perguntas que foi escrito por Luiz da Circuncisão Ferreira Cabeça e assinado em 23 de setembro de 1870.
Este documento foi extraído do jornal “O Assuense”, de 6 de outubro de 1870, digitalizado pela Hemeroteca Nacional.
Manoel da Rocha Bezerra, casou na Ilha de Manoel Gonçalves em 1829, com Josefa Jacinta de Vasconcelos. Era tio-avô do jornalista Pedro Avelino; Francisco Trajano Xavier da Cunha, viúvo, em 1826, de Maria Ignácia Fernandes Pimenta, casou em 1829, nas Oficinas, com Senhorinha Clara dos Anjos, irmã de Josefa Jacinta de Vasconcelos.
O português Antonio Joaquim de Sousa era casado com Thomázia Martins Ferreira, filha do capitão João Martins Ferreira. A filha deles, Josefa Martins de Sousa, casou com o português Balthazar de Moura e Silva, e daí nasceu José Joaquim de Moura e Silva. Este último casou, em 1871, com Antonia Leopoldina de Sousa, filha de Pedro Virgulino de Sousa e Maria Rodrigues Ferreira, esta última, irmã de Joaquim Rodrigues Ferreira, ambos filhos do português Manoel Rodrigues Ferreira e Izabel Martins Ferreira.


sábado, 12 de julho de 2014

Conversa a portas fechadas.

Alemanha

Fonte: dw.de

Casa Branca quebra silêncio sobre acusação de espionagem na Alemanha

EUA dizem que diferenças com Alemanha devem ser tratadas em conversas fechadas. Merkel desaprova a atitude americana e afirma que não é fácil convencer os EUA a reformular o trabalho dos serviços de inteligência.
Depois da revelação de que dois funcionários do governo alemão estavam realizando atividades de espionagem para os serviços de inteligência dos EUA, o governo dos EUA resolveu quebrar o silêncio neste sábado (12/07) sobre a espionagem americana no Departamento Federal de Informações da Alemanha (BND). Segundo o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, o tema não deve ser discutido abertamente, mas em conversas fechadas.
"Todas as diferenças que nós temos são resolvidas de melhor forma por meio dos canais tradicionais disponíveis, não pela mídia", afirmou Earnest. Na mesma coletiva de imprensa, ele afirmou que o presidente dos EUA, Barack Obama, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, não realizam contato telefônico há mais de uma semana.
Em outro episódio da espionagem americana, celular de Merkel foi grampeado
De acordo com informações publicadas pela revista alemã Spiegel neste sábado, o provável espião americano no Departamento Federal de Informações (BND) não era supervisionado pela Embaixada dos EUA em Berlim.
Segundo a revista, agentes da CIA da Embaixada em Viena, na Áustria, teriam encontrado algumas vezes o homem de 31 anos em Salzburgo, onde teriam recebido documentos secretos e realizado pagamento pelo trabalho realizado.
Críticas de Merkel
A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, voltou a criticar neste sábado (12/07) a Casa Branca. Mesmo assim, ela frisou que a cooperação dos serviços de inteligência dos dois países deve continuar.
Em entrevista à emissora alemã ZDF, Merkel afirmou que a Alemanha não tem como impor que os EUA deixem de espionar em território alemão. "Numa abordagem geral, eu acredito que não é tão fácil convencer os americanos da reformulação do trabalho das agências de inteligência. Por isso temos que deixar claro onde estão as diferenças de atitude."
Ao ser perguntada se tem expectativas de que os EUA mudem a sua conduta, Merkel afirmou que não pode predizer, mas espera que sejam realizadas mudanças. Merkel também não esconde a sua falta de compreensão diante da atitude americana. "Quando isso acontece, do meu ponto de vista não é uma cooperação entre parceiros."
A chanceler federal afirmou, também, que nenhuma relação de confiança implica a aceitação de espionagem. "Nós queremos uma cooperação entre parceiros. Isso inclui a não espionagem mútua, também nos serviços de inteligência", disse Merkel, afirmando ainda que não seria necessário o rompimento da cooperação alemã com os serviços de inteligência dos EUA.
FC/dpa/rtr

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Monsenhor Expedito, um grande homem.

sábado, 12 de julho de 2014




MONSENHOR
EXPEDITO MEDEIROS
Jurandyr Navarro
Procurador do Estado, aposentado, e Presidente
Honorário Vitalício do Instituto Histórico e Geográfico do RN
"Existe, no Rio Grande do Norte, um trabalho perfeito e notável de Desenvoívimento de Comunidade, na cidade de São Paulo do Potengi. Trabalho elogiado por órgão técnico da ONU e que conheço de perto, pois lá estive e fiquei maravilhado. Trata-se de um empreendimento do Mons, Expedito Medeiros, trabalho admirável, realizado sem alarde, em silêncio, anonimamente".
A observação acima, em outras palavras, é do laureado professor Luiz Carlos Mancini, uma das maiores autoridades no assunto, em cujo setor de atividades era representante do Brasil nas Nações Unidas. Menção feita por ocasião da aula inaugural, por ele ministrada aos alunos dos cur­sos populares do M.D.C., de nossa Capital.
Semelhante apresentação, expressada em público por uma inconteste autoridade na matéria, bastaria para consagrar em definitivo um nome.
Mesmo sendo jejuno no assunto, não desconhecia a ímpar realiza­ção do conhecido sacerdote, que consumiu a vida numa cidade afasta­da, e que só via uma coisa neste mundo: O pobre.
Visitei por várias vezes o "Movimento de Potengí", como denomi­nam os jornais europeus ao trabalho desse padre magricela e duro na queda!
Em todas as viagens empreedidas, notava a sua casa cheia de gente. Sempre cheia . Não para pedir esmolas: Todo indigente exibe na face a máscara da tristeza e do sofrimento. E o pessoal que lá se aglomerava trazia sempre um sorriso nos lábios a iluminar o rosto feliz.
Às vezes, pelo caminho de volta, ficava a meditar sobre o que ha­via observado. E fazia a mim a indagação: Como pode viver feliz aquela gente que vai à casa do Mons. Expedito, quando é notório que leva uma vida de padecimentos!? E concluía por um paradoxo! Por uma contradi­ção!
Mas não era. O padre dera vida espiritual intensa àquela gente hu­milde. A sua orientação aprumada criara uma nova mentalidade naque­le povo simples e bom, para enfrentar os rigores da vida árdua do campo: Bendizer ao seu Deus o que lhe dava, suportando a adversidade com hu­mildade e resignação.
É que Mons. Expedito realizou obra magnífica que não encontra similar na espécie. Tudo idealizado por ele e levado a efeito com paciência, sacrifício e muita luta.
Fez parte, também na linha de frente do Movimento de Natal, liderado por Dom Eugênio Sales, movimento social abridor de um leque imenso para as obras sociais da Igreja Católica.
Era ele um homem  de vasta visão em relaçao, também, à cultura. Na pesquisa que empreendi sobre a figura do Padre Luiz Monte, ele, seu contemporâneo, e o Cônego Jorge O’Grady, muito me incentivaram e me cederam material relativo à psicologia da Dor, no ângulo da arte e do sentimento, assim como em relação ao espiritismo, temas estudados por aquele sacerdote de saber múltiplo.
Tive a felicidade de assistir a algumas missas por ele celebradas, em São Paulo do Potengi. Logo na primeira delas, notei uma coisa estranha no recinto daquela Igreja surra­da pela erosão do tempo. É que vi muitos homens em volta do altar como se estivessem a proteger aquela magra figura de homem envolto em para­mentos litúrgicos, a oficiar o santo sacrifício.
Logo depois, outra surpresa agradável: Todos aqueles homens, rudes na aparência, a cantar com a simplicidade de meninos, e depois a comungar, como se estivéssemos no dia da Quinta-Feira Grande!
Foi lá que evidenciei ter sido o primeiro lugar onde a Sagrada Me­sa da Eucaristia havia mais homens do que mulheres!
Daí vi a minha pequenez. Como me tornei um pigmeu naquele ambiente! Eu só possuía uma migalha de Fé em cotejo com a daquela gente!
E não pude evitar chorar. Às vezes, o pranto dispensa o comple­mento das lágrimas. É o choro amargo que experimentou São Pedro, quando negou a Jesus.                                         
Não sei se foi de vergonha ou de emoção, diante daquele espetáculo comovente de contrição e de singeleza, de verdade e de fé.