sábado, 6 de setembro de 2014

Renan Calheiros é citado em depoimentos de delator da Operação Lava Jato .


 
 
 
 
Renan Calheiros é citado em depoimentos de delator da Operação Lava Jato

Andreza Matais, Fausto Macedo e Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo
05 Setembro 2014 | 19h 02

 

Segundo Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás que fechou acordo de delação premiada, empresas ganhariam contratos em troca do pagamento de propina de 3% para deputados e senadores

Atualizada às 21h29
O nome do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi mencionado pelo ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, em depoimento prestado à Justiça na tentativa de conseguir o perdão judicial por meio da delação premiada. O peemedebista também foi citado por outros colaboradores da Justiça flagrados na Operação Lava Jato. 
Um dos negócios mencionados supostamente envolvendo Renan é um acerto com o doleiro Alberto Youssef para que o fundo de pensão dos Correios, o Postalis, comprasse R$ 50 milhões em debêntures (um título que confere a seu detentor um direito de crédito contra a companhia emissora) emitidos da Marsans Viagens e Turismo, que tinha Youssef como um dos investidores. 
Segundo o relato de um colaborador ao Ministério Público Federal no Paraná, o doleiro teria se reunido com Renan, em Brasília, no início de março, para acertar a comissão do PMDB nesse negócio. O negócio não ocorreu porque Youssef e Paulo Roberto foram presos antes. A Marsans fechou seus escritórios e pediu recuperação judicial após as prisões. 
O fundo de pensão dos Correios é controlado pelo PMDB e PT. Em julho, os quatro integrantes da cúpula do Postalis tiveram sua exoneração pedida por dois conselheiros. A acusação é que a interferência dos partidos políticos no Postalis levou a “operações suspeitas” que explicam o rombo de R$ 2,2 bilhões acumulado de 2013 a junho de 2014. 
Procurada na tarde desta sexta-feira, 5, a assessoria de Renan Calheiros afirmou que não localizou o senador para comentar o assunto até o fechamento desta edição. O Estado também tentou falar com o senador pelo celular, mas o aparelho estava desligado. 
Dida Sampaio/Estadão
Renan Calheiros foi mencionado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa em depoimentos prestados à Justiça
As investigações também revelaram que um apadrinhado de Renan tinha contato com Paulo Roberto. Na agenda e cadernos de anotação do ex-executivo, quando este já havia deixado a Petrobrás e operava negócios na iniciativa privada, o nome do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, constava quatro vezes em anotações nos anos de 2012 e 2013. 
A Transpetro é o braço da Petrobrás em processamento de gás natural e transporte e logística de combustível. Indicado para o cargo ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva, Sérgio Machado se mantém há dez anos e quatro meses no posto com o apoio de Renan. Na agenda de Paulo Roberto há registros da anotação de celulares de Machado e de uma menção a "curso c/ Sérgio Machado, 5%", ao lado do valor R$ 5 mil e da inscrição "dois meses". A PF tenta decifrar a anotação. Em julho de 2012, Paulo Roberto, já ex-servidor da estatal, chamou a atenção ao comparecer a uma cerimônia de entrega do navio petroleiro Sergio Buarque de Holanda para a Transpetro. 
Deputados. As investigações da Lava Jato pela Polícia Federal apontaram nomes de vários parlamentares e partidos supostamente envolvidos no esquema de corrupção. Entre eles, o tesoureiro do PT, João Vaccari, os deputados André Vargas (sem partido-DF), Luiz Argôlo (SD-BA) e o senador Fernando Collor (PTB-AL). Todos negam envolvimento em esquema de propina, mas não que tenham relações com o ex-diretor. 
Por causa do envolvimento dos parlamentares, o depoimento de Paulo Roberto será encaminhado para à Procuradoria Geral da República ao final para ser submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre a validade da delação. O procurador-geral, Rodrigo Janot, acompanha com atenção o acordo de delação premiada que está sendo feita por Paulo Roberto Costa a colegas da força-tarefa da Procuradoria da República no Paraná que cuidam do caso. A reportagem apurou que Janot já foi informado da menção de autoridades com foro privilegiado nos depoimentos que estão sendo dados por Costa diariamente. 
Com a palavra, a Transpetro. A Transpetro esclareceu que "não há novidade" em relação a seu presidente. Em abril, a empresa já havia se manifestado ao Estado sobre a  citação a Machado na agenda do ex-diretor da Petrobrás.  Na ocasião, a Transpetro informou que as reuniões ocorreram a pedido de Costa para tratar de um pleito do Sindicato Nacional dos Mestres de Cabotagem e Contramestres em Transportes Marítimos. "O sindicato solicitava que a Transpetro patrocinasse um curso para que contramestres pudessem se formar mestres de cabotagem. A companhia reuniu-se com o sindicato e recebeu deste o pleito para realizar o curso. A Gerência de Recursos Humanos estudou o assunto e elaborou documento em que listava ao sindicato as razões pelas quais não era de interesse da Companhia patrocinar o curso. A Transpetro possui apenas contramestres em seu quadro funcional, os quais não pilotam embarcações da empresa. O curso não foi realizado."

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

UFRN produz GPS para monitorar meio-ambiente.

Fonte: Tribuna do Norte - 05.09.2014
Pedro Andrade
repórter

Desenvolver  e inovar pela independência tecnológica e para facilitar estudos científicos brasileiros. Esses são os objetivos do “aeroGPS”, projeto criado e desenvolvido por um professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pioneiro no Brasil. Já lançado seis vezes em foguetes suborbitais (que não vão para o espaço) e utilizado em praticamente todos os lançamentos da Agência Espacial Brasileira (AEB), agora será aprimorado para uso em satélites.
DivulgaçãoFoguete com aeroGPS foi lançado na segunda, em AlcântaraFoguete com aeroGPS foi lançado na segunda, em Alcântara

O último lançamento de foguete com aeroGPS ocorreu na noite da segunda-feira passada, 1º de setembro, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. “É um equipamento de localização e velocidade aprimorado, mais preciso que os radares usados hoje em dia no Brasil. Mas isso não os substitui, eles se acrescentam”, resumiu o professor Francisco das Chagas Mota, que desenvolveu software específico para foguetes.

Executado, testado e bem-sucedido, o projeto nasceu em 2001 nos Estados Unidos, mas começou a se desenvolver para sua aplicabilidade atual em 2006, no laboratório de Engenharia da Computação e Automação da UFRN, graças a um edital da AEB para projetos que visam desenvolver equipamentos a serem usados pela agência.

“A AEB é financiadora por edital que dura dois anos e estamos conseguindo renovar. Recebemos R$ 400 mil para equipamentos  e material para montagem de cerca de 30 GPS”, explica. Segundo ele, o custo unitário de um aparelho desse fica em torno de R$ 200 e são usados cerca de dois por ano.

A importância do desenvolvimento desse GPS no país, segundo Francisco Mota, é para facilitar o acesso a esse tipo de equipamento no Brasil. Para importar o produto o custo é alto e é preciso atender ao Internacional Traffic in Arms Regulations (Itar), ou “Normas para Tráfego Internacional de Armas” em tradução livre. “É preciso atender ao Itar, uma série de quesitos que vão avaliar em que será usado, de que forma, até com visita ao laboratório, porque o aeroGPS é considerado equipamento de risco, já que pode ser usado em mísseis”, conta o professor.

Segundo ele, esse é um equipamento estratégico e vantajoso, de importância fundamental pela parte de localização de um foguete, o que pode para levar a certa autonomia tecnológica do país.  Outra parceria destacada pelo professor Francisco Mota foi com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), de São José dos Campos, no interior do Estado de São Paulo.

“A parceria começou com a dificuldade que tivemos para conseguir os equipamentos e montar. Hoje, eles executam o nosso projeto de montagem e fazem a integração com o foguete. É uma parceria de interesses, boa para a gente, que tem o equipamento pronto, e bom para eles, que tem o nosso projeto”, explica.

Para o próximo edital da AEB, há um projeto que inclui as universidades federal de Brasília e Santa Catarina entre outras. Essas entrariam com a parte dos satélites que portariam o aeroGPS. O equipamento também precisa ser aprimorado e para ir a órbita. Mas, antes disso, participará do Projeto Sara, que deve lançar em dezembro o maior foguete dos últimos anos do Centro de Lançamento Barreira do Inferno, em Parnamirim.

Criado por um potiguar, desenvolvido no RN para aplicação no país, Francisco Mota já contou com quatro alunos da pós-graduação em Engenharia Elétrica e agora tem apenas uma equipe no IAE, de cerca de cinco pessoas, trabalhando nisso. “Com essa tentativa de aplicabilidade em satélites, estou tentando trazer o projeto pra cá e instalar no Instituto Metrópole Digital, onde já tem um laboratório destinado a isso”.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Espaços públicos com nomes de árvores
Por Anchieta Fernandes
Foto pesquisa Google/Canindé Soares
Quando, em 1928, visitou Natal, Mário de Andrade, um dos criadores do modernismo na literatura brasileira, guardou boas impressões sobre a arborização da cidade, dizendo depois, em seu livro “O Turista Aprendiz”, a seguinte constatação entusiasmada: “Gosto de Natal demais. Com os seus 35 mil habitantes, é um encanto de cidadinha clara, moderna, cheia de ruas conhecidas encostadas na sombra de árvores formidáveis”.
Citando a frase de Mário em seu livro “Breviário da Cidade do Natal” (Edições Clima, 1979), o escritor Manoel Onofre Júnior lamenta que, “os ´espigões`começam a emparedar a paisagem”, e que das “árvores formidáveis” a que se referiu Mário de Andrade “restam apenas algumas na rua Jundiaí e na praça André de Albuquerque.” Teve contudo épocas, mesmo depois da visita de Mário, em que Natal foi bastante arborizada, inclusive contando com o maior cajueiro do mundo.
Os cronistas mais antigos lembram de como era agradável sentar-se nos bancos de madeira da Praça Padre João Maria, onde à gostosa sombra da gameleira e dos pés de fícus-benjamin chegava-se até a armar redes nos galhos, dormindo-se uma boa sesta após o almoço. Alguns tipos de árvores caracterizavam algumas ruas e avenidas, como as mungubeiras da Avenida Rio Branco, as carnaubeiras da Rua Potengi etc. Ou caracterizavam os quintais das casas dos ricos (fruteiras).
Hoje, os canteiros de algumas avenidas são arborizados (jambeiros, acácias, castanholas etc.). Mas, se atualmente, existe o perigo dos “espigões” emparedarem a paisagem – como alertou o escritor Manoel Onofre Júnior -, tirando o oxigênio tão necessário aos nossos pulmões hoje tão encharcados de etanol e hidrocarbonetos, existe contudo uma vocação arbórea a denominar ruas, avenidas, praças, travessas e alamedas de Natal com nomes de árvores. Exemplos:
Rua das Tílias (no Alecrim). Rua Babaçulândia  e Rua Buriti (no Conjunto Amarante), Rua Cajarana (Conjunto Boa Vista), Rua das Laranjeiras (no centro da cidade), Rua Bananeira, Rua Cajazeira e Rua Timbaúba (na Cidade da Esperança), Rua Algaroba, Rua das Carnaúbas, Rua Ciprestes, Rua Rio Curuá, Rua do Loureiro e Rua do Marmeleiro (na Cidade Satélite), Rua da Tamarineira (no bairro Felipe Camarão), Alameda das Acácias e Alameda dos Eucaliptos (Neópolis).
De outros conjuntos natalenses, os campeões em nomes de árvores denominando seus espaços públicos são o Panorama e o Potengi, ambos com dez árvores homenageadas, respectivamente: Rua do Sapotizeiro, Rua Umbuzeiro, Rua Castanhola, Rua Jaboticabeira, Rua Casuarina, Rua Cerejeira, Avenida das Oliveiras, Rua Mangabeira, Rua Maracujazeiro (que são as dez do Conjunto Panorama). Do Conjunto Potengi são as seguintes:
Rua do Cajueiro, Rua Jurema, Rua das Pitombeiras, Rua do Limoeiro, Rua do Coqueiro, Rua do Abacateiro, Rua Pau Brasil, Rua Oiticica, Rua da Jaqueira e Rua da Goiabeira. De todas as árvores mencionadas, algumas são mais vulgares e outras são árvores nobres, ricas de tradição na vida urbana e econômica de determinado país. Compare-se, por exemplo, a casuarina com o pau brasil. A primeira é apenas ornamental, a segunda é presença marcante, dando nome ao nosso país.
Mas cada árvore, até mesmo a mais aparentemente desimportante, tem a sua importância para a vida como representante do reino vegetal. As árvores entrelaçam dois objetivos: o de nos levar à comunhão com as raízes da vida, e o de nos deliciar com o sabor dos seus frutos juntamente com as magias da beleza ao exporem suas flores perfumadas, nos jardins, nos vasos caseiros, nas mesas de reuniões e seminários, e no nosso coração a cada primavera.
Por isso que elas motivam tantos artistas. Da mesma maneira que as tensões psicológicas de Van Gogh levaram-no a pincelar nervosamente os ciprestes, como chamas expressivas de sua febre interior, o natalense Vatenor pinta seus cajueiros, ou apenas detalhes dos seus frutos e folhas. Contudo, ao contrário do pintor holandês, que apresenta nas suas telas imagens angustiadas, Vatenor traz aos nossos olhos uma memória de infância vivida na Redinha.
Aliás, os artistas plásticos tem amor pelas árvores desde o próprio material com que trabalham, que usam para produzirem suas imagens e formas recriadas. O pincel com que Maria do Santíssimo desenhava seus galos e flores e folhas era feito de palito de coqueiro. Quanto aos artesãos, utilizam bastante madeiras, principalmente a umburana, para criarem seus objetos, seus carros de bois, seus cangaceiros, seus santos, seus vaqueiros, suas bandinhas de música.
Os cronistas desenham com as palavras, para expressarem seus sentimentos em relação às árvores, O saudoso Berilo Wanderley  fixou assim um momento inesquecível visto da janela do seu quarto: “Às vezes, quando não acordo tarde, ainda descubro lágrimas de orvalho escorrendo pelas folhas espalmadas das bananeiras que, vistas da janela, parecem diamantes, cintilando no sol” (trecho de uma das crônicas de Berilo Wanderley no livro “B.W. Revista da Cidade”, organizado por Maria Emília Wanderley, e publicado em 1994 pela Editora da UFRN).
O conjunto de todas as árvores inclusas na toponímia de espaços públicos de Natal pode ser dividido em várias espécies, conforme sua serventia prática ou apenas simbólica pelos seres humanos. Por exemplo: fruteiras (Rua do Abacateiro, Rua Bananeira, Rua do Coqueiro, Rua da Goiabeira, Rua Jaboticabeira, Rua das Laranjeiras, Rua Lagoa da Mangueira – no conjunto Soledade II; Rua do Sapotizeiro, Rua da Tamarineira, Rua Umbuzeiro). Outras espécies são ornamentais, medicinais etc.
Dentro do conjunto de todas as árvores com presença, pelo nome, nos espaços urbanos de Natal, existe a lacuna de algumas importantes em sua origem ou adaptação a solos nordestinos. Eu lembraria a canafístula, a cuitezeira, o licurizeiro, o pequizeiro, a quixabeira e o trapiazeiro. Veja-se a descrição científica delas: a canafístula é uma espécie do gênero Cássia, ornamental, apresentando-se com belas flores, ora vermelhas ora amarelas, nascendo em grandes cachos. Também é chamada tapira-caiena.
A cuitezeira, que tem também o nome cabaceiro amargoso, é uma árvore da família das cucurbitáceas (Lagenaria vulgaris), apresentando flores brancas e um fruto cuja polpa é amarga, prestando-se a tratamentos purgativos. O licurizeiro, ou aricuri, é da família das palmáceas (cocos coronata), com frutos comestíveis, dos coquilhos extraindo-se óleo, e das folhas cera (como a gloriosa carnaubeira, ambas resistentes às secas. Falarei agora do forte pequizeiro:
É da família das cariocaráceas (caryoca brasiliense), vem do cerrado mas muitas mudas foram plantadas no Nordeste, onde se adaptou bem. Com folhas trifoliáceas e grandes flores com bastantes estames. Os frutos, aromáticos, podem servir de tempero e para se fabricar licor. A quixabeira – não vi este nome em qualquer espaço urbano de Natal. É uma árvore de cor leitosa, da família das sapotáceas (Brumelia sartorum), proliferando bastante na caatinga.
Por fim, o trapiazeiro, também chamado catauari, vindo da Amazônia, mas também adaptado ao Nordeste. É da família das caparidáceas (cratalia benthami), com flores de pétalas lanceoladas e com frutos de bagas globosas. Tem propriedades medicinais. Esta árvore e as outras já mencionadas como vindas de outras regiões (originais do Nordeste é o juazeiro, a mangabeira e plantas cactáceas como o xique-xique ou a macambira), são adaptadas ou elas próprias sobrevivem através do xerofilismo.
O mestre José Guimarães Duque (o mesmo que deu nome à fundação mossoroense que, durante algum tempo se tornou responsável pela publicação da enciclopédia “Coleção Mossoroense”) explicou, em seu livro “Solo e Água no Polígono das Secas” (1949), que “no Nordeste seco, o clima de estabilização é o xerofilismo, é a caatinga, ou cerrado ou sertão, vegetação xerófila, baixa, retorcida, unida, espinhenta e agressiva, em solo raso, pedregoso, seco, quase sem húmus.” Esta vegetação natural possibilita restaurar o solo.
Outro botânico, F. von Luetzelburg, explicou sobre a resistência da vegetação xerófila às secas, principalmente quando a flora arbórea apresenta raízes tuberculadas, “verdadeiro sistema xilêmico ou tecido lignoso com os característicos particulares de zonas geratrizes ou de câmbio, gerando novas camadas de madeira ou lenho.” Ter estas árvores fornecedoras de madeira é de grande utilidade ao habitante da região, que assim pode ter com que construir o madeiramento de suas casas e saber porque uma árvore dá nome a
*Com postagem na página online do Jornal Zona Sul

sábado, 30 de agosto de 2014

Formatura da 1ª Turma de engenheiros da UFRN : 1964-2014.

Um encontro de confraternização está sendo programado para 50º aniversário de formatura da primeira turma de engenheiros civis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN, no dia 12 de dezembro próximo. Foram cinco os formados em 1964: Romeu Gomes Soares e Walter Araújo (falecidos), Liacir Lucena, Jario Pereira Pinto, José Ivaldo Borges, Joaquim Elias de Freitas e Evandro Costa Ferreira. Os cinco engenheiros se reuniram recentemente em Natal, após a missa de 30º dia do falecimento do engenheiro Romeu G. Soares, quando decidiram realizar o encontro comemorativo. O local do evento está sendo pesquisado e será brevemente divulgado.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Não foi Cabral quem descobriu o Brasil nem Jesus nasceu em dezembro.

Estes são os fatos
(*) Rinaldo Barros

“O grande oceano da verdade permanece completamente por descobrir à minha frente”.  (Isaac Newton)

            Prepare o seu coração, e para mudar tudo o que você aprendeu na escola sobre as origens da nossa história. Segundo fontes credenciadas, nem foi Cabral quem descobriu o Brasil, nem foi Colombo quem descobriu a América, nem o menino Jesus nasceu no dia do Natal.
Vamos começar pelo que há de verdade nas circunstâncias do descobrimento do Brasil.
            Naquele tempo, manter segredo sobre os descobrimentos no Novo Mundo era questão de Estado para a coroa portuguesa. Os diários de bordo eram trancados a sete chaves, e quem ousasse revelar seu conteúdo era condenado à morte.
            Pois bem. Em uma dessas missões secretas, o cosmógrafo e navegante Duarte Pacheco Pereira teria chegado por aqui em 1498. Cabral teria vindo depois apenas tomar posse oficial, e fazer estardalhaço sobre a descoberta. O feito encontra-se registrado no Tratado dos Novos Lugares da Terra, de autoria do próprio Pacheco e publicado somente em 1882. Tudo confirmado pelo historiador português Jorge Couto, em seu livro A Construção do Brasil, publicado em 1995.
            Existem também alguns escritos que comprovam a presença anterior do italiano Américo Vespúcio, e dos espanhóis Yanez Pinzon e Diego de Lepe. Sem falar nos chineses, por volta de 1421...
            Por outro lado, o caro leitor já deve ter percebido que o nosso continente tem o nome de América, e não de Columbia. Claro, homenageia-se a Vespúcio, o verdadeiro descobridor do Novo Mundo. Vespúcio dá a entender, em seu Novus Mundus, que esteve por aqui em junho de 1499, provavelmente no litoral do Maranhão.
Colombo jurou até o fim da vida que havia chegado à China ou à Índia, e essa teimosia arruinou sua carreira; somente tendo sido reabilitado, em 1866, quando americanos de origem italiana inventaram o Columbus Day: um truque ideológico dos imigrantes italianos, com o objetivo de obterem o reconhecimento como cidadãos estadunidenses.
Temos ainda a comprovação documental de que os navegadores espanhóis Yanez Pinzon e Diego Lepe foram condecorados pelo rei da Espanha, por terem “descoberto o Brasil”, em janeiro de 1500.
Calma. Misture tudo e respire. Agora, vamos enfrentar a revelação mais impressionante: Cristo não nasceu em 25 de dezembro.
Mitra, um deus persa que representava a Luz, a Benevolência e a Sabedoria, esse sim, era o aniversariante na data de 25 de dezembro, em Roma, pelo menos até o século II.
A data coincide com o início do solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério Norte. Daí em diante, o sol fica mais tempo no céu até o final do verão e significa a certeza de boas colheitas no ano seguinte. Motivo para festas, com trocas de presentes.
Com o mesmo motivo, e no mesmo período, os gregos celebravam Dionísio, o deus do vinho, os egípcios festejavam o deus Osíris, e na China até hoje homenageiam a harmonia da Natureza, através dos símbolos yin-yang.
Os primeiros seguidores de Jesus guardavam apenas o martírio, a Sexta-feira Santa e a ressurreição, a Páscoa. Diziam que não fazia sentido comemorar o nascimento de um santo ou mártir, já que ele somente se torna sagrado após a morte. Também concordo.
Ninguém fazia idéia da data do nascimento de Jesus. Somente em 221 d.C o historiador Sextus Julius Africanus afirmou, com o aval da Igreja, que Jesus havia nascido na mesma data do deus Mitra. O Novo Testamento não se refere ao assunto.
Segundo o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp, somente a partir do século IV, portanto, quando o Cristianismo virou religião oficial do Império, a comemoração do solstício do inverno, o Festival do Sol Invicto, mudou de homenageado.
Associado ao deus-Sol, Jesus assumiu a forma da Luz que traria a salvação para a humanidade. Uma troca cultural, telúrica, e bastante inteligente. Perdura há mais de 2 mil anos.
O caro leitor pode até não gostar de ter suas ilusões destruídas, mas estes são os fatos.
           
(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

domingo, 24 de agosto de 2014

Analise o que pode acontecer com a enconomia se a Marina for eleita.



A política, a economia e os sonhos
Tomislav R. Femenick – Mestre em economia e historiador

            Remontam a Aristóteles, trezentos anos antes de Cristo, as primeiras observações teóricas que ligam a economia à política, estudos esses que foram retomados por Montchrétien, dois mil anos mais tarde, e continuados por Adam Smith, David Ricardo, Marx, Engels e muitos outros teóricos. As diferentes abordagens desses pensadores estão nas suas interpretações sobre o papel do governo com relação à produção, à renda, ao consumo, à proteção aos produtos nacionais, ao ganho dos trabalhadores etc.
            Atualmente o termo “economia política” é mais comumente usado para identificar os trabalhos que se apoiam em várias disciplinas – tais como a própria economia, o direito, a sociologia, a matemática e as ciências políticas –, objetivando evidenciar uma visão conjunta dos fatores e eventos que são agentes das atividades econômicas, bem como interpretar seus reflexos na produção e nas condições do bem estar da sociedade.
            No Brasil temos inúmeros exemplos de atos governamentais que afetaram a economia. Uns deram bons resultados, outros nem tanto e alguns foram desastrosos. Na lista dos bons, por exemplo, pode-se citar o pragmatismo de Getulio Vargas com o início de nossa indústria de base com a criação da Cia. Siderúrgica Nacional e da Petrobras; a implantação da indústria automobilística por Juscelino Kubitschek; a ampliação da infraestrutura de transporte e comunicação pelos governos militares; a reestruturação econômica (com o Plano Real) e o início da reforma fiscal, implantadas por Fernando Henrique Cardoso, e a ampliação da política social, realizada pelos governos Lula e Dilma. Na relação dos nem tanto bons, há as tentativas de revitalização da indústria naval efetuada pelos generais presidentes. No rol dos desastres, têm lugar garantido os Planos Sarney e Collor que, ao tentar segurar a inflação nada mais fizeram que incentivar seu crescimento acelerado. 
            Ao analisar esses fatos se constata que os desacertos, acontecidos na história econômica nacional das últimas décadas, resultam do caráter messiânico dos governos que o realizaram. A reconquista da democracia e a trágica morte de Tancredo Neves deram a Sarney e a seu Ministro da Fazenda, Dílson Funaro, um caráter de salvadores da pátria. Deu no que deu. Fernando Collor de Melo, que se via e era visto como a mola do modernismo, terminou cassado, depois de confiscar a poupança do povo e de jogar o país em nova crise inflacionária.  
            Na realidade, nós brasileiros somos mais emocionais que racionais e, além dos mais, sempre queremos que um salvador venha nos tirar das nossas dificuldades. No entanto, em economia não há milagres; a razão prevalece sobre as emoções.
            Agora um novo acontecimento funesto atinge a política nacional. A morte prematura de Eduardo Campos, candidato a presidente da República pelo PSB, fez com que Marina Silva, sua candidata à vice, assumisse novamente a posição de candidata ao cargo máximo do poder Executivo do país. A tragédia e a forte exposição na mídia a levaram ao segundo lugar nas pesquisas, ponto antes ocupado por Aécio Neves, candidato do PSDB.
            Nesse novo cenário político é importante que se analise o que poderá acontecer com a economia, caso Marina Silva seja eleita Presidente da República. “Sonhática” e messiânica, ela pode novamente levar o país pelos caminhos da instabilidade, da incerteza ou, talvez, pode nos levar de volta à trilha do desenvolvimento. O grande perigo são suas atitudes exacerbadas com relação à ecologia, muitas vezes saindo da posição de análise para simplesmente ser crítica, o que pode travar o crescimento econômico. Um alerta deve ser dado: na economia os sonhos somente têm vez se foram pragmáticos; do contrário se tornam pesadelos. E disso nós temos experiência de sobra.
Tribuna do Norte. Natal, 24 ago. 2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Derrocada do homo sapiens
(*) Rinaldo Barros
Em artigos anteriores, abordei, a voo de pássaro, a história do surgimento da vida em nosso planeta. Lembro que o Homo sapiens sapiens (também chamado de pessoa, gente, homem) surgiu há aproximadamente 200 mil anos atrás, possivelmente na África. Em verdade, deveríamos falar que o que somos hoje é o resultado da intersecção de duas histórias paralelas: a história natural e a história social.
Daí porque a própria evolução deve ser repensada como uma co-evolução. Os Homo sapiens sapiens co-evoluímos em conjunto com as outras espécies, com o meio ambiente e com o cosmos. Ou seja, participamos de um sistema vivo complexo, aberto e em expansão. Voltemos ao começo.
Após a derrocada dos nossos primos, Homo Sapiens neanderthalensis, ficou a impressão de que a nossa subespécie, Homo sapiens sapiens, a exemplo dos demais animais, passaria a relacionar-se com a Natureza como uma unidade harmoniosa. Santa Ingenuidade! No começo, até que era assim. Mas, alguns de nós logo descobrimos o fascínio que é exercer o poder sobre os demais. E as formações sociais tornaram-se cada vez mais divididas.
A ciência comprova que foi na passagem do estágio superior da barbárie para a civilização que, com um maior domínio sobre a Natureza, pôde o homem aumentar sua produção e com isso obter um excedente.
Neste momento, nasceu a ganância.
Surge então a propriedade privada, a divisão do trabalho e com ela um salto no desenvolvimento da história. Com a propriedade privada, os produtores não produzem mais em comum para seu próprio consumo, mas individualmente. E se separam do resultado de seu trabalho, não sabem mais de seu destino. Agora produzem para a troca, para a venda. Percebemos que tudo pode virar mercadoria.
Surge a exploração individual da terra e sua posse privada, tornando-a, por conseqüência, uma mercadoria. No seu desenvolvimento, a troca fez surgir o mercador. Alguém separado totalmente da produção que passa a dominar o produto e a produção.
O mercador, como parasita, passa a dominar e acumula grande riqueza e com ela, prestígio e poder. Aparece o dinheiro e a moeda cunhada, instrumento de domínio do mercador sobre os produtores e a produção.
O dinheiro, como equivalente geral, elevou-se à condição de mercadoria especial. Aparecem o empréstimo, os juros e a usura. Logo, o próprio homem, como força de trabalho, virou também mercadoria.
O conflito social entre classes antagônicas levantadas sobre o modo de produzir desenvolve-se como fator subjetivo na condição de motor da história, impulsionando o desenvolvimento da tecnologia, e da competição.
Como ensina Oscar Motomura (motomura@amana-key.com.br), “tecnologia nada mais é do que a extensão de nosso dom de criar”.
Definitivamente, o Homo sapiens sapiens é um ser que cria. É a nossa natureza, nossa essência.
Gradualmente, século após século, década após década, ano após ano, cada vez mais rapidamente, vamos descobrindo mais e mais sobre como tudo funciona.
Mas criamos para quê? Com que propósito, estamos usando o dom de criação? Para que criamos novas tecnologias, novos produtos, novos jeitos de morar, de cozinhar, de movimentar, de transportar, de comunicar?
Imagine o leitor os impactos positivos que poderiam advir com a aplicação do conhecimento novo nas áreas da Biotecnologia (genes), da Neurociência (neurônios) e da Nanotecnologia (átomos).  
Essa brincadeira poderia até estar nos levando a criar mais e mais produtos para melhorar a vida e potencializar o conforto de bilhões de seres humanos. Mas, apenas a minoria está sendo beneficiada.
Sem falar na tecnologia a serviço da irracionalidade destruidora das guerras. Guerra também dá lucro.
Com nossa insuperável estupidez, inventamos a barbárie tecnológica (vide Iraque, Síria, Ucrânia, Israel, Palestina e algo em torno de 19 guerras no continente africano; todas com efeitos devastadores).
O que fazer para que não se consolide a regressão moral do homem pós-moderno (egoísta, acanhado, agachado, pequeno, sem grandeza), para o qual somente importa o “Eu” e o “Agora”?
Resumo da ópera: a desigualdade e a ganância resultam na agressão à Natureza, no desvio de recursos tecnológicos - e em nossa própria capacidade criativa - para a busca do lucro máximo e do consumo supérfluo, motores da derrocada do homo sapiens (assim mesmo, com minúsculas).

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Novena dos carnaubenses em Natal vai até o dia o fim de agosto.

Os católicos da Associação Recreativa dos Carnaubenses Ausentes-ARCA realizaram, na noite de ontem, na residência de Célia Lima Dantas, em Potilândia, mais uma novena de Nossa Senhora das Vitórias, em Natal. O encontro fraterno-religioso é realizado diariamente em vários bairros da capital e municípios do Rio Grande do Norte e da Paraíba, há vários anos, entre 02 e 30 de agosto.Ontem, na novena, foi lido um trecho dos Evangelhos, cânticos e preces dos presentes. O encontro serve para integrar a comunidade de moradores católicos, ou de outra crença,de Carnaúba dos Dantas, município do Seridó potiguar, ausentes de sua terra natal. Ontem, 14, foi na casa de Célia, viúva de Luiz Alberto Dantas, conhecido por Lucas, que era da mesma família de Tonheca Dantas, compositor e autor de "Royal Cinema".

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CHAMEMOS OS DE MARTE?


                                                             Públio José – jornalista



                       O Brasil já viveu inúmeros modelos políticos. Sem irmos muito longe, para a análise não ficar cansativa, foquemos nosso olhar no período militar até os dias atuais. De 1964 até os últimos dias do governo de João Figueiredo os militares, no poder, criaram um sistema tripartite de gestão, onde imperava a convivência entre os políticos, os próprios militares e os tecnocratas. Era um sistema baloiçante – em português do tempo dos nossos avós. Em certas ocasiões dominavam a cena os políticos. Em outros momentos os espaços eram ocupados pelos tecnocratas. Em ambas as situações os militares estavam sempre por trás dando as regras, definindo, optando pela decisão final. O país aprendeu, a partir daí, a conviver com o noticiário badalando sempre a presença de um czar, de uma liderança vinda de um dos três mundos, trazendo a solução para os problemas nacionais.
                               É desse tempo, por exemplo, o grande fascínio que exerceu sobre os detentores do poder a figura poderosa de Delfim Neto – na qualidade de tecnocrata. Para entronizá-lo no poder, com ampla liberdade para pintar e bordar em torno das questões econômicas, os militares distribuíam pela imprensa longas considerações e argumentos sobre a vantagem de um técnico exercer o comando da economia ao invés de um político. Com essa poderosa couraça em torno de si – e dos “delfim boys” que normalmente o acompanhavam – Delfim Neto deu pitaco e opinião, durante um longo período, em todos os assuntos que demandavam a agenda política, econômica e social daquele tempo. Só não se responsabilizou pela escalação da seleção brasileira de futebol porque não quis. Nesse caso prevaleceu a vontade do mundo militar, com a solução insossa, inodora e incolor representada por Cláudio Coutinho.
                               Quem não se lembra do General Gollbery, com sua marcante onipresença ditando os rumos da política, do planejamento, do rumo que o país deveria seguir? Teve também a influência de políticos poderosos, como Magalhães Pinto, Dinarte Mariz, José Sarney, Célio Borja, Petrônio Portela, Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf (até ele) e outros que agora não vêm à lembrança. Foi um período no qual a diretriz nacional se dividiu entre a visão dos políticos, dos militares e dos tecnocratas. Bom, depois veio a redemocratização, eleições diretas e a grande conclusão: militar no poder nunca mais! Tecnocratas mandando no país? Nem pensar! A visão política dos homens que sabiam disputar o voto do eleitor, que empolgavam as massas com seus discursos, que tinham na essência do seu conhecimento a solução dos problemas nacionais – pelo menos era assim que se dizia – passou a prevalecer.
                        Mais: somente aos políticos cabia a missão de levar o Brasil ao seu grandioso destino de futura potência mundial. A partir daí vieram, como se sabe, Tancredo, Sarney, Itamar, Collor, Fernando Henrique, Lula e agora Dilma. Com pequenas exceções, durante as quais o país viveu fugazes momentos de normalidade, nenhum dos tais conseguiu passar ao brasileiro a sensação de desenvolvimento tão esperada. E agora? Os militares não acertaram; os tecnocratas nos legaram uma enorme dívida pública; os políticos nos jogam, de tempos em tempos, em caldeirões de escândalo, corrupção e roubalheira. Chamemos, então, os marcianos? A saída está – mais uma vez – com o eleitor. Renovando. Fazendo prevalecer a sua vontade, através da qual poderão surgir novas lideranças. E um bom momento vem aí: as eleições de 5 de outubro. Os marcianos?  Ficam para outra ocasião. Vamos renovar?            

sábado, 9 de agosto de 2014



TJRN ganha Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça em Inovação e Endomarketing
O TJRN foi contemplado no encerramento do X Congresso Brasileiro de Assessores de Comunicação da Justiça (Conbrascom), por apresentar os melhores projetos do país nas categorias Inovação e Endomarketing, respectivamente, com os projetos TJ Mais Sustentável e Campanha das Metas 2014.
Um projeto de economia de recursos e meio ambiente que usa game virtual para estimular a conscientização. Uma campanha para cumprimento das metas de julgamentos que convoca a equipe de magistrados e servidores a seguir o mesmo ritmo de mobilização de uma Copa do Mundo. Duas ideias, desenvolvidas pela Secretaria de Comunicação Social do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, que numa disputa com dezenas de outros projetos de toda a Justiça, foram escolhidas as melhores do Brasil. [Portal TJRN > Saiba mais]


--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 8/08/2014 06:34:00 PM

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Superfaturamento na construção da Ponte da Redinha.

Justiça condena onze por ‘vícios’

O parecer do juiz da 4ª Vara Federal, Janilson Ferreira de Siqueira, absolveu do crime de improbidade administrativa, no processo de superfaturamento na construção da Ponte Newton Navarro, os treze réus - dez pessoas físicas e três empresas. Pela decisão, dos treze envolvidos, onze - incluindo as três empresas -  foram condenados a pagar multas devido a ‘vícios’ identificados na licitação para as obras realizadas entre os anos de 2006 e 2008, durante a gestão da ex-governadora Wilma de Faria. A decisão publicada na última quinta-feira, dia 31 de julho, atesta que houve superfaturamento nas obras da Ponte Forte-Redinha em  R$ 17,2 milhões.
Júnior SantosDecisão da Justiça, publicada no dia 31/7, atesta que houve superfaturamento de R$ 17,2 milhões nas obras da Ponte Forte-RedinhaDecisão da Justiça, publicada no dia 31/7, atesta que houve superfaturamento de R$ 17,2 milhões nas obras da Ponte Forte-Redinha

“Se não há prova ou indícios de má-fé ou intenção de causar o dano ao Erário, não é legítimo imputar aos réus ato de improbidade”, afirma a sentença. “Concluo que  não restou evidenciada a ofensa ao objeto jurídico protegido pela lei de licitações que é a moralidade administrativa e a lisura do processo licitatório em benefício do Estado e dos concorrentes”.

Foram condenados ao pagamento de multa os membros da Comissão Especial de Licitação do processo da obra, Kilva Vankilva Leite de Freitas, Victor José Macedo Dantas, Damião Pita, Welbert Martinho Accioly. Ao ex-secretário e deputado estadual Gustavo Carvalho (PSB), além de multa, o magistrado determinou a suspensão dos direitos políticos  por 3 anos. Igual pena foi aplicada a Ulisses  Bezerra Filho, então secretário-adjunto de Infra-estrutura, e  Carlos Cabral Freitas Macedo, integrante da Comissão. 

A “exigência excessiva e desarrazoada” de quantitativos relativos à qualificação técnica das empresas interessadas em participar do certame, segundo o juiz, caracteriza  “dolo indireto dos membros da Comissão e do secretário  Gustavo Carvalho, com o objetivo de impedir a participação (…) em evidente prejuízo à concorrência pública”.

À Outec Engenharia de Projetos Ltda, que fez o projeto básico da obra e ao diretor-sócio Tunehiro Uono foram imputadas multas, após comprovado que “a ausência de limitação dos preços unitários no Edital de licitação e de detalhamento do Projeto Básico em planilhas que expressassem a composição de todos os custos unitários da obra foram determinantes para a superfaturar a obra”.

As empresas Queiroz Galvão S/A e Construbase Egenharia Ltda, que formaram consórcio para a construção da  ponte, foram condenadas a ressarcir de forma solidárias, na proporção de 60% e 40%, respectivamente, os cofres públicos com o valor superfaturado. A obra custou R$ 176.7 milhões, segundo os autos, mas foi reajustada para  R$ 193.9 milhões - gerando um sobrepreço de R$ 17.202.388,04. Até abril de 2007,  o Consórcio recebeu R$ 181.7 milhões.

Absolvidos
As acusações contra o ex-secretário de Infraestrutura, Francisco Adalberto Pessoa de Carvalho foram julgadas improcedentes. Apesar de constado como um dos responsáveis pelas irregularidades apontadas no relatório inicial da CGU, ficou comprovado que enquanto secretário, ele assinou termo aditivo apenas em relação ao prazo de prorrogação da obra, “em nada tendo contribuído para o aumento do valor contratado”, observou o juiz. Já Francisco Antônio Cordeiro Campos, membro da comissão de licitação, foi retirado do processo após falecimento.

Como a justiça decidiu no processo 0006575-24.2007.4.05.8400:
Gustavo Henrique Lima de Carvalho – Era secretário de infraestrutura do Estado, na  epóca, foi condenado ao pagamento de multa civil equivalente a 1/150 (um cento e cinquenta avos) do valor do dano causado ao Erário, correspondente ao apurado sobrepreço, totalizando R$ 114.682,58, além da suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 3 (três) anos, contados do trânsito em julgado da sentença;

Ulisses Bezerra Filho – condenado ao pagamento de multa civil equivalente a 1/200 (um ducentésimo) do valor do dano causado ao Erário, correspondente ao apurado sobrepreço, totalizando R$ 86.011,94 e suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 3 anos, contados do trânsito em julgado da sentença;

Kilva Valnkilva Leite de Freitas - presidente da Comissão de Licitação, condenada ao pagamento de multa civil equivalente a 5 (cinco) vezes o valor da remuneração recebida  à época dos fatos;

Welbert Marinho Accioly – membro da Comissão de Licitação, foi condenado ao pagamento de multa civil equivalente a 5 (cinco) vezes o valor da remuneração recebida à época dos fatos; 
n Carlos Cabral Freitas de Macedo - membro da Comissão de Licitação, terá que pagar multa civil equivalente a 1/150 (um cento e cinquenta avos) do valor do dano causado ao Erário, correspondente ao apurado sobrepreço, totalizando R$ 114.682,58 e suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 3 anos, contados do trânsito em julgado da sentença;

Victor José Macedo Dantas - membro da Comissão de Licitação foi condenado ao pagamento de multa civil equivalente a 5 (cinco) vezes o valor da remuneração recebida à época; 

Damião Pita - membro da Comissão de Licitação foi pagamento de multa civil equivalente a 5 (cinco) vezes o valor da remuneração percebida pelo agente à época dos fatos; 

Outec Engenharia Ltda. - Construtora contratada para elaboração do projeto, pela decisão, irá arcar com o pagamento de multa civil equivalente a 20% do valor do contrato firmado com a Administração, para elaboração do Projeto Básico, equivalente a R$ 150.000,00; 

Tunehiro Uono: sócio-diretor da Outec Engenharia. Pagamento de multa civil equivalente a 6,7% (seis vírgula sete por cento) do valor do contrato firmado com a Administração para elaboração do Projeto Básico, equivalente a R$ 50.250,00 (cinquenta mil duzentos e cinquenta reais);

Construtora Queiroz Galvão S.A. e Construbase Engenharia Ltda. - condenadas ao ressarcimento integral do dano, solidariamente com a ré , no montante de R$ 17.202.388,04, acrescido de correção monetária e juros de mora desde o evento danoso até o efetivo pagamento, além de pagamento de multa civil equivalente a 1/100 (um centésimo) do valor do dano, na quantia de R$ 172.023,88, mais correção e juros a contar da sentença. Os honorários do perito judicial devem ser suportados pelas empresas, tendo em vista o princípio da causalidade.

Inocentados:
Francisco Adalberto Pessoa de Carvalho – Foi também secretário de Infraestrutura do Estado. Os pedidos em relação a ele foram julgados improcedentes.

Francisco Antônio Cordeiro Campo - retirado do processo por motivo de falecimento, sem inclusão de descendentes.

domingo, 3 de agosto de 2014

Professor JALES COSTA


.



JALES COSTA



Jurandyr Navarro

Do Conselho Estadual de Cultura


Inteligência lúcida, desempenhou Jales Costa cargo de superior instância administrati­va no Tribunal de Contas do Estado. Advogado militante, ao longo dos anos, prestigiando, com seu saber jurídico e seu trabalho afanoso, a Classe que defendeu e res­guarda os direitos da Cidadania, nas nações tidas como civilizadas.

No Governo Geraldo Melo exerceu o cargo de Procurador Geral do Estado e se houve com serenidade, honradez e competência. Na docência da Universidade Federal integrou o Departamento de Direito Privado do Curso das Leis. Lecionou "Introdu­ção à Ciência do Direito", disciplina filosófica desta ciência social aplicada, dentre outras disciplinas. Neste oficio pedagógico distinguido-se como dos melhores docentes.

O estudo do direito aclara a inteligência e dá asas à imaginação criadora.

Preleciona Jean Girandorix:

"A melhor forma de exercitar a imaginação é estudar Direito: nenhum Poeta já inter­pretou a natureza tão livremente como um Advogado interpreta a Verdade".

Estudou, Jales Costa, Religião, no Curso que fez na ordem dos Irmãos Maristas. Especializou-se em Literatura, em curso de pós-graduação universitária.

Sensível às coisas do pensamento, não poderia Jales Costa alhear-se dos deleites da leitura das belas páginas literárias                                         

Enfatiza o Padre Serttilanges no seu monumental livro "A Vida Intelectual" que a virtude própria do homem de estudo é a estudiosidade. E que tudo num intelectual, deve ser intelectual.

Disso infere Van Helmont:

"Todo estudo é estudo de eternidade".

O que complementa o preceito ditado por Santo Tomás de Aquino: "Nunca deixeis de orar”.

Ainda sobre o estudo proferiu Platão, aconselhando colocar mais azeite na lâmpada do que vinho na taça. E Bossuet levantava-se de noite para encontrar o gênio do silêncio e da inspiração.           

 É que Jales apurou o espírito no estudo e dele fez hábito, uma segunda natureza. E através dele manteve aceso o cérebro de homem inteligente e ilustrado em Ciência e Religião. Os homens cultos e de Ciência são raros, mormente os de conhecimento geral, como é o caso do nosso biografado, que se adentrou pelos seus vários ramos pelo estudo diuturno, investigando as suas origens e consequências, entre os povos mais diversos. A propósito disso comentou o grande jurista Pontes de Miranda:


"Não saiu a Ciência, inteira e perfeita, dos espíritos de uma raça ou de uma civilização. Quem negará que a cultura nacional, quanto aos elementos que a compõem, seja mesclada e sintética? Os gregos tiveram mística, e nenhuma escolástica, dizia há mais de meio século Walther Rathenau; tiveram ciência, porém não técnica. Os judeus, escolástica, mas nenhuma pesquisa; os romanos, livre pensamento e técnica, porém não ciência. Egípcios e chineses, técnica, mas nem pensamento livre, nem pesquisa, nem mística interior. Ora, a contemporaneidade para chegar ao que conseguiu, utilizou tudo isso; ou melhor, foi de tudo isso que surgiu a Ciência, que é o balanço do que se verificou e do que não se verificou na vida e na experiência dos homens. A Ciência precisa do saber de todos os lugares e de todos os povos".


Abeberando-se no estudo dessas fontes foi que Jales Costa conseguiu, pela estudiosidade refletida, apurar o seu espirito nas ciências dedutivas em que brilham miríades de estrelas no firmamento das letras, do direito, da música e da poesia, da história e da religião. Através desse prisma especulativo e no campo teológico e filosófico discerniu o segredo da Esfinge do saber, na sua área de atividade, ampliando a sua liberdade cultu­ral. Tem mais liberdade na vida quem mais sabe.

A Verdade te libertará, disse Jesus Cristo!

Jean Jacques Rousseau advertia no seu "Emílio", que cérebros bem preparados são os monumentos onde com maior segurança se gravam os conhecimentos humanos.

A cultura de Jales Costa é um amálgama da Fé com a Razão. Absorveu os conheci­mentos do Medievo e do Renascimento. Daí afigurar-se cristão humanista.

Outro mérito do, seu espirito atilado é a oratória concisa, seguindo o pensamento de La Rochefoucauld – “a eloquência autêntica consiste em dizer tudo que é necessário, e nada mais que o necessário. Como repetisse La Bryère: - 'Se vous voulez dire il pleut, vous direz seulement il pleut.”


Nenhum comentário: