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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
domingo, 19 de outubro de 2014
O meu tempo e os novos tempos
Eu não
tinha feito ainda 70 anos de idade, como recentemente aconteceu (4 de outubro)
e só agora estou refletindo sobre essa nova condição etária. Quando era mais
novo, confesso, nunca parei para pensar na minha sétima década de vida, nunca. O
ser humano não pensa nisso, vai vivendo, vai vivendo e quando menos espera a
idade avança ou a idade chega. Nos anos da infância não havia tempo para
imaginar esse futuro tão distante. As brincadeiras e os deveres ocupavam as
horas todas. E na juventude também não, porque o ofício tomava conta dos dias,
era um vaivém danado e a cabeça tinha que se dedicar à família, aos estudos de atualização
e aos caprichos das injúrias orgânicas.
Ontem
voltava para casa com minha mulher e conversávamos sobre as mudanças todas do
mundo. Tudo mudou, disse ela, referindo-se ao que vimos de transformação nesse
mundo de meu Deus. Saíamos de uma padaria, onde tínhamos feito um lanche, a
título de ceia. Isso não havia no Recife do antes e hoje está disseminado, com
casas especializadas espalhadas pelos bairros residenciais e também nas
cercanias do comércio. E os bancos? Deixaram a condição anterior de
estabelecimentos personalizados para se tornarem comunitários. Hoje, as máquinas
assumiram as funções dos antigos bancários, que estão resumidos nos interiores
das agências a consultores e captadores financeiros.
Foi ela
quem lembrou outra mudança nos hábitos e nos costumes da cidade: o tipo de
moradia. Agora, mora-se em apartamentos, conjuntos habitacionais que juntam de
uma só vez, quase cinquenta famílias. Mas, não existe mais quintal ou não se
brinca nas ruas, como sucedia outrora. Até a geração de minhas filhas isso era
possível, porém o tempo e a violência mudaram esse comportamento. Não se pode
mais! E o extraordinário desenvolvimento da técnica, em todos os sentidos. Eu,
por exemplo, fui operado da coluna pelas mãos maviosas do Dr. Geraldo Sá
Carneiro – o Dr. Geraldinho – e duas hastes de titânio foram postas em minhas
costas e eu estou andando e bulindo da melhor forma. Hei de comemorar os 10
anos de operado a 4 de maio!
É! A
expectativa de vida aumentou! Gente como eu já poderia ter morrido, se a
técnica não tivesse alcançado o ponto que alcançou. Os exames estão cada vez
mais sofisticados; as tomografias e as ressonâncias têm acesso a tudo e mais um
pouco. A Tomografia por Emissão de Pósitrons (o Pet Scan) revolucionou a
oncologia e hoje se pode muito bem, não apenas diagnosticar, como também fazer
o estadiamento do tumor. Os meus cadernos do último ano de medicina não servem
mais pra nada, estão defasados, desatualizados. Nada se aplica mais!
Imagine
o leitor como ficará um doente do estômago hoje, depois da invenção
da endoscopia. Não fará mais a radiografia do órgão, uma seriografia,
como se
dizia antes. E ninguém terá mais o trabalho de identificar uma úlcera a
partir
da imagem de uma chama de vela. Nem vela se usa mais! E os stents
cardíacos, que permitem uma sobrevida que não se tinha no passado, mesmo
com as pontes?
Geraldo:
Aí está por você bem explanado. A gente ia vivendo sem pensar que as
idades avançavam....E o tempo corria e corre para todos. Você sempre foi
vitorioso, até na cirurgia em tempo de tantos e quantos avanços da
Medicina. Eu estou em minha SOBREVIDA. Nunca havia pensado nesta
sinistra palavra, já comemorando 4 anos no próximo dia 22 de novembro.
Vamos que vamos.......quem sabe a Medicina avance mais ainda e o tempo
de vida se prolongue. Escreveu muito bem. Abafei pensamentos e
enfrentei a realidade... Bjss
Para fazer um DDD, Disque 0 (zero) código da operadora + DDD e em seguida o número de telefone da cidade
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Vigilância com tecnologia de guerra cria polêmica sobre privacidade nos EUA
Ed RamDa BBC News
Há 2 horas
Avião com câmeras monitora ruas em tempo real
Uma empresa americana desenvolveu uma forma de monitorar bairros
inteiros utilizando uma tecnologia desenvolvida, originalmente, para as
guerras do Iraque e do Afeganistão.
Mas, enquanto a polícia vê com
bons olhos a perspectiva de obter acesso à tecnologia, ela foi alvo de
críticas por ser vista como ameaça à privacidade dos cidadãos.
O
sistema funciona por meio de um avião tripulado que grava o que está
acontecendo no solo em uma área de 40 quilômetros de diâmetro.
A aeronave é equipada com 12 câmeras de alta resolução, que formam uma espécie de "Google Earth" em tempo real.
"A
resolução não é alta o suficiente para mostrar quem é a pessoa, elas
aparecem como um pixel acinzentado na tela", diz Ross McNutt, veterano
da Aeronáutica aposentado e presidente da empresa que desenvolveu o
sistema, a PSS (Persistent Surveillance Systems). Doze câmeras de alta resolução estão na aeronave
Mas esse pixel é suficiente
para que os movimentos das pessoas sejam monitorados de forma precisa
enquanto o avião está no ar - por até seis horas.
A ideia é
sobrevoar áreas com altos índices de crimes. No início de 2012, as
aeronaves monitoraram a cidade de Compton, na Califórnia, durante nove
dias. Gravaram assassinatos, roubos e diversos outros crimes.
Ao
comparar as gravações com o depoimento de testemunhas, os analistas e a
polícia conseguiram determinar o momento em que os crimes foram
cometidos.
Dessa forma, puderam descobrir onde os suspeitos estavam antes e depois do momento do crime, afirma McNutt.
Durante os testes em Ohio, na Califórnia e no México, o PSS testemunhou 34 assassinatos.
Ameaça à democracia
As
câmeras da PSS, no entanto, não veem apenas assassinatos e criminosos.
Elas registram a atividade cotidiana de ruas e quintais. Durante teste, câmeras captaram 34 assassinatos
Apesar de a firma insistir que
a resolução das câmeras é baixa, muitos americanos veem o sistema como
uma ameaça às liberdades individuais.
"O sistema não apenas viola a
privacidade das pessoas; monitorar movimentos de uma comunidade inteira
é uma ameaça à democracia", disse Jennifer Lynch, advogada da
Electronic Frontier Foundation.
Os moradores de Compton, por exemplo, não foram informados quando a polícia testou o sistema.
"São
coisas como essa e o monitoramento secreto de estudantes muçulmanos
pela polícia de Nova York em 2012 que geram desconfiança da polícia",
diz Lynch.
A empresa afirma que segue um "política de privacidade
forte" e só monitora pessoas após comunicações de crime ou em
investigações criminais. Diz também que pode saber exatamente quais
foram as imagens observadas pelos seus analistas. Apesar de não permitir distinguir rosto da pessoa, sistema gera preocupação com privacidade
Em locais como Compton, onde
uma grande fatia da população é negra, há uma preocupação com a
possibilidade de minorias virarem alvo de vigilância.
Também há o
temor de que o sistema possa levar pessoas a deixar de fazer coisas que
não querem que outros saibam, mesmo não sendo ilegais. Isso inclui, por
exemplo, ir a um bar gay, instituições religiosas ou ter mais de um
relacionamento.
"Vigilância policial pode afetar a liberdade de
expressão e, com isso, o direito democrático e constitucional das
pessoas está ameaçado", acrescenta Lynch.
O presidente da firma
diz que está atento a essas questões e procurou o American Civil
Liberties Union, uma ONG que defende liberdades individuais, para
discutir o tema.
Enquanto isso, nenhum Estado americano adotou a tecnologia de forma sistemática.
Tomislav R. Femenick –
Contador, mestre em economia e historiador.
Plantar e colher alimentos foram
ações determinantes para a evolução do processo civilizatório da humanidade. A
posse da terra teria sido decisiva para a formação das famílias, dos clãs e das
nações. Inicialmente propriedade comum a todos os componentes do grupo, depois
a propriedade da terra tomou o caráter individual; isso em decorrência da
imposição das armas ou das leis. Friedrich Engels, o amigo mais intimo de Karl
Marx, aborda esse assunto em seu famoso livro “Origem da família, da
propriedade privada e do Estado”.
Todavia, os excluídos da posse da
terra sempre se insurgiram contra essa situação. A historiografia registra lutas
de camponeses em diversas épocas, sendo a mais citada a liderada pelos irmãos
Tiberio e Caio Graco no século II, antes de Cristo. Os detalhes dessa revolta é
que são importantes e, paradoxalmente, geralmente ocultados: embora plebeus, Tiberio
e Caio eram integrantes de uma importante e aristocrática família romana e a
reforma por eles pregada era a distribuição das terras tomadas pelas invasões romanas
(notadamente nas regiões de Tarento e na
Cápua), que estava concentrada nas mãos da nobreza.
Durante toda a Idade Média, a
Igreja adotou a postura de limitar o direito de propriedade com base no bem
comum e no direito do indivíduo a uma vida digna, porém ela mesma era uma das
maiores detentora do direito sobre a terra. Essa contradição, bem como o
enfraquecimento da autoridade dos reis e o fortalecimento do poder dos senhores
feudais sepultaram as frágeis tentativas de conquista de posse da terra pelos
trabalhadores rurais. O resultado foi um retrocesso no desenvolvimento da
economia.
Esse estado de coisa começou a
mudar no século XVIII com a Revolução Francesa, que aboliu a servidão rural,
reformulando as relações de trabalho no campo. Outro grande avanço ocorreu em
1862 nos Estados Unidos, quando foi sanciona a lei que concedeu terras públicas
a pequenos fazendeiros, a baixo custo. Não por acaso ainda hoje a França é
considerada o celeiro da Europa e os Estados Unidos são os maiores produtores
agrícolas do mundo; claro que à solução do problema fundiário se somaram a
facilidade do crédito e o desenvolvimento tecnológico.
Na Ásia, até a Segunda Guerra,
Japão, Taiwan e Coréia apresentavam sérios problemas de concentração da posse
da terra e de escassez de alimentos. O problema japonês foi resolvido pelas
forças de ocupação norte-americanas que impôs a reforma agrária, modelo que foi
transplantado para Taiwan, onde em poucos anos foi transferido aos agricultores
o equivalente a 13% do PIB. Na Coréia do Sul o governo forçou os proprietários
a transferirem a posse da terra aos antigos arrendatários, o que provocou
recorde na produção de alimentos e grãos.
De volta a Europa, há que se citarem
os êxitos obtidos com a redistribuição da terra na Itália, Finlândia, Alemanha
e Países Baixos – sempre acompanhada de assistência técnica e juros baixos. Porém,
não se poderia deixar de falar nas reformas agrárias promovidas nos países de
governos socialistas, principalmente na antiga União Soviética e China. Na URSS
houve duas fases distintas. Na primeira os camponeses ocuparam as terras dos
antigos latifundiários em nome da revolução, depois o governo as expropriou em
nome da coletivização, uma experiência que custou a vida de cerca de seis
milhões de pessoas e resultou numa colossal ineficiência produtiva. Na China de
Mao de Mao
Tse-tung,a reforma agrária obrigou os camponeses a se agruparem em
gigantescas “comunas agrícolas”, o que teria causado a morte pela fome, de 20 a 40 milhões de pessoas,
até 1962.
Essa conjunção de fatos
históricos nos leva a uma conclusão: a reforma agrária é necessária, deve vir
com assistência creditícia e tecnológica e só dá certa quando realizada sob a
ótica do capitalismo.
Tribuna do
Norte. Natal, 12 out. 2014.
sábado, 4 de outubro de 2014
Êxitos e problemas da fruticultura
Tomislav R. Femenick – Contador, Mestre em Economia.
No ano passado as exportações realizadas pelo Rio
Grande do Norte representaram 15% do total de frutas vendidas pelo Brasil ao
exterior. O fato tem sua importância exponencialmente aumentada se levarmos em
conta que essas frutas foram produzidas nos vale dos Rios Mossoró e Assú, na
região do semiárido; periférica à caatinga nordestina. Esse quase milagre só tem
sido possível graças ao sistema de irrigação que é adotado pelos agricultores
locais.
Outro grande e relevante feito foi a recente 17ª EXPOFRUIT-Feira
Internacional da Fruticultura Tropical Irrigada, que teve lugar no final de
setembro passado em Mossoró. Esse evento reúne anualmente produtores rurais, empresários,
distribuidores, atacadistas, exportadores e importadores de frutas frescas
produzidas em solo potiguar e é resultado de uma parceria entre o COEX-Comitê
Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte, o SEBRAE-RN e a UFERSA-Universidade
Federal Rural do Semiárido. Em sua última edição, EXPOFRUIT contou com a
participação de delegações da Europa (Alemanha, França, Itália, Holanda,
Espanha, República Tcheca, Bélgica, Noruega e Rússia) e também dos Estados
Unidos. Devido à esperada realização de negócios na casa de R$ 20 milhões, o evento
contou com a participação de expositores que ocuparam 300 stands; 180 de empresas
nacionais e 70 de outros países.
Todavia o cenário não é somente de bonança. Há um
conjunto de fatores que pode ameaçar essa conjuntura. O primeiro deles e o mais
premente é a seca dos últimos anos, que reduziu a oferta de água para irrigação
das plantações; tanto a disponibilidade nos leito dos rios, com a dos
reservatórios e dos lençóis aquíferos – água do subsolo que é captada por meio
de poços. Outro problema está ligado ao aspecto financeiro, dado que a produção
de frutas exige investimentos cada vez mais altos, em função da adoção de
tecnologias compatíveis com as exigências dos compradores estrangeiros. A isso
deve ser somada a esperada elevação das taxas de juros, tão logo passem as
eleições.
O terceiro percalço diz respeito à falta de incentivos
governamentais e, por mais contraditório que seja, a alta incidência de
impostos que recai sobre a produção e comercialização de frutas, num contrassenso
inexplicável. Por último, porém não menos importante, há o obstáculo da deficiência
da infraestrutura, principalmente no sistema viário para escoamento da
produção. Não é por acaso que grande parte das frutas produzidas no Rio Grande
do Norte é exportada pelos portos dos Estados vizinhos.
Todas
essas dificuldades, que não são novas, fazem com que os plantadores,
distribuidores, exportadores e todos os envolvidos na cadeia produtiva de
frutas do RN tenham noites de pesadelos constantes e repetitivos. Empresas
locais, nacionais e mesmo estrangeiras já abandonaram o agronegócio potiguar e
o fantasma do desemprego atinge os trabalhadores do setor.
O próximo
governo do Estado há que encarar todos esses problemas de frente, sem
tangenciar, sem postergar soluções, sem fazer figuração. Se a seca propriamente
dita não pode ser evitada, há ações que podem ameniza-la e devem ser tomadas:
aumentar a capacidade e o número de açudes e barragens, por exemplo. A redução
do alto custo financeiro e a isenção fiscal para os equipamentos com novas
tecnologias têm que ser discutidas e resolvidas nos escalões federais, incentivos fiscais têm que ser concedidos pelo Estado e os
gargalos da infraestrutura viária têm que ser estudados e
solucionados.
Os pioneiros da agricultura irrigada no Rio Grande do
Norte – José Rodrigues de Lima, Dom Eliseu Simões Mendes, Tarcisio Maia,
Humberto Mendes, José Nilson de Sá e muitos outros – não desejariam que seu
idealismo seja perdido pelo descaso e inércia governamentais; muito menos o
menosprezo pelo suor do trabalhador rural.
Tribuna
do Norte. Natal, 05 out, 2014.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
03.10.2014
Fonte: blog de Miranda Gomes.
FERNANDO DE MIRANDA GOMES
Jurandyr Navarro
Do Conselho Estadual de Cultura
A cidade do sol clareou-lhe o entendimento, desde a infância, ensejando a
vivaz inteligência projetar-se na vida social e profissional. Na adolescência,
partilhou a fantasia da idade entre a bucólica localidade do Barro Vermelho e a
paisagem talássica da praia da Areia Preta, onde o belo cenário
descortinava-lhe um futuro promissor.
Filho de jurista, seguiu-lhe os
passos, dividindo, com os irmãos, o tesouro da inteligência herdada, formando,
com eles e descendência, uma grei familiar honrada, pela régia coroa da
dignidade, conquistada pelo caráter bronzíneo, mercê de aprimorada educação.
Contemporâneo de brincadeiras e
estudos, acompanhei a sua caminhada pelos colégios e universidade, sendo
testemunha da sua fidelidade aos deveres e obrigações e responsável em todo
projeto idealizado.
Diplomado, foi atraído pelas
causas cíveis, com participação ativa em inúmeros debates florenses. A sua
atuação profissional ficou gravada no registro histórico da nobre classe da
Advocacia potiguar. Depois, a fisionomia jurídica revelou o interesse pelo
direito agrário, alcançando desempenho excelente como Advogado de Terras junto
à Secretaria de Estado da Agricultura, antes de pertencer ao Departamento
Jurídico do Estado, chefiando a Procuradoria do Patrimônio.
A imagem jurídica reluzia ao lado
do perfil de homem público, pelo trânsito bem sucedido, no primeiro escalão
administrativo estatal. Toda essa trajetória, destituída de nódoa ética, ante a
conduta ilibada, fez, do seu nome, referência axiológica e jurídica. E assim
procedendo, foi distinguido com a confiança nele depositada por três governos
seguidos, à frente da Procuradoria Geral do Estado e da Casa Civil.
Anteriormente ao desempenho na esfera do direito, Fernando de Miranda
Gomes, nos seus verdes anos, prestou serviços na atividade privada, sendo, por
algum tempo, Interventor Regional do SENAC, em nosso Estado e, em seguida,
exerceu a Diretoria da mesma organização comerciária.
Além da visão administrativa para dirigir órgãos privados e públicos, ele
se tornou um especialista em legislação, do aprendizado no cargo de Procurador
do Estado. Portou-se exímio Parecerista no decifrar a esfinge da emaranhada e
extensa legislação pátria.
Para penetrar no espírito das
leis, o Advogado precisa especializar-se, e assim, poder, detidamente,
equacionar a legislação constitucional e suas emendas, as leis ordinárias, as
delegadas, decretos, suas derrogações e revogações, portarias, medidas provisórias,
mensagem do poder executivo, projetos legislativos, referendos, iniciativa
popular, plebiscitos (estes, oriundos da democracia semi-direta), julgados dos
tribunais, e outros, conferindo-lhes a devida interpretação e consequente
orientação, condizentes com os postulados jurídicos vigentes, pertinentes aos
superiores interesses da sociedade politicamente organizada.
Na condição de Procurador Geral do Estado, Fernando de Miranda Gomes,
competente sempre esteve para fazer a necessária análise da imensa compilação
legal, inclusive os códigos, dela emanados.
O seu sucesso deveu-se, também, ao iluminativo carisma da sua liderança.
O valor de profissional do direito auferido, foi por todos os colegas
reconhecido, a ponto da sua pessoa ser lembrada para Patrono de uma das
Cadeiras da Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte, pelo
idealizador da instituição. E o reconhecimento desse valor chegou ao ponto, de
seu nome representar a “Medalha Mérito Procurador de
Estado”, prêmio instituido na gestão do Procurador Geral do Estado, Miguel
Josino Neto.
A exemplo de outros seres
humanos, de singular grandeza, o destino subtraiu-lhe anos de existência, no
pleno vigor de sua vida, quando prometia, ainda, alongar a órbita dos sucessos
obtidos.
Todavia, ele soube utilizar os
anos vividos no conceito do pensador Séneca, o qual entendia ser a dimensão da
existência humana medida pelas boas ações e complementada pela sabedoria.
"Não é a meta mais longínqua, a vida mais longa; porém, a mais
elevada".
Como a Índia chegou a Marte gastando menos que um filme de Hollywood
Jonathan Amos
Correspondente de Ciência da BBC News
25 setembro 2014
O
programa espacial da Índia conseguiu, na primeira tentativa, o que
outros países tentam há anos: enviar uma missão operacional para Marte.
O satélite Mangalyaan foi confirmado na órbita do planeta vermelho na terça-feira. Um feito considerável.
A
missão foi orçada em 4,5 bilhões de rúpias (cerca de US$ 74 milhões, ou
R$ 178 milhões), o que, para os padrões ocidentais, é incrivelmente
barato.
A sonda americana Maven, que chegou a Marte na segunda-feira, está custando quase dez vezes mais.
Em
junho, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, brincou que a
'aventura na vida real' da Índia custava menos do que o filme de ficção
de Hollywood Gravidade, orçado em US$ 100 milhões.
Mesmo os filmes de ficção científica de Bollywood, como Ra.One, custam menos que o que foi gasto para levar Mangalyaan a Marte.
Como a Índia fez isso?
Gerenciando custos
Com
certeza, os custos com pessoal são menores na populosa nação de 1,4
bilhão de pessoas, e os cientistas e engenheiros que trabalham em
qualquer missão espacial são sempre a maior fatia do preço da passagem
espacial.
Componentes e tecnologias domésticas também foram priorizadas em detrimento das caras importações estrangeiras.
Mas, além disso, a Índia teve o cuidado de fazer as coisas de forma simples.
A missão da Índia a Marte foi uma das iniciativas interplanetárias mais baratas já realizadas.
A MISSÃO
Os cientistas ocidentais também
estão animados de ter a sonda indiana na estação. Suas medições de
outros componentes atmosféricos complementarão as medições da Maven e as
observações feitas pela europeia Mars Express.
"Isso significa que estaremos recebendo as medições de três pontos, o que é muito importante", diz o professor Coates.
Isto
irá permitir que os pesquisadores entendam melhor como o planeta perdeu
o grosso de sua atmosfera bilhões de anos atrás, determinar que tipo de
clima o planeta pode ter tido, e se era ou não propício à vida.
A suspeita dos cientistas é que alguns organismos
produtores de metano, ou metanogênicos, possam existir em Marte se
viverem no subterrâneo, longe das duras condições da superfície do
planeta.
Investimento em ciência e tecnologia pode beneficiar todo o país.
Os cientistas ocidentais também
estão animados de ter a sonda indiana na estação. Suas medições de
outros componentes atmosféricos complementarão as medições da Maven e as
observações feitas pela europeia Mars Express.
"Isso significa que estaremos recebendo as medições de três pontos, o que é muito importante", diz o professor Coates.
Isto
irá permitir que os pesquisadores entendam melhor como o planeta perdeu
o grosso de sua atmosfera bilhões de anos atrás, determinar que tipo de
clima o planeta pode ter tido, e se era ou não propício à vida.
Gerador de riqueza
Mas há muitas críticas a respeito do programa espacial da Índia.
Uma
delas parte do princípio de que a atividade espacial é um brinquedo
melhor deixado para os países ricos e industrializados, sem valor para
as nações em desenvolvimento.
Para os que defendem este argumento, seria melhor aplicar o dinheiro do contribuinte indiano em saúde e saneamento básico.
Mas
o que essa posição muitas vezes ignora é que o investimento em ciência e
tecnologia também constrói aptidão e capacidade, desenvolvendo o tipo
de mão-de-obra que beneficia a economia e a sociedade de forma mais
ampla.
A atividade espacial é geradora de riqueza. Algumas das
coisas feitas no espaço fazem circular dinheiro aqui embaixo. As nações
industrializadas sabem disso e essa é uma das razões pelas quais eles
investem pesadamente na atividade espacial.
O Reino Unido, por
exemplo, aumentou drasticamente seus gastos com espaço nos últimos anos.
O governo até identificou a área de satélites como sendo uma das "oito
grandes" tecnologias que podem ajudar a reequilibrar a economia do país. A Índia quer embarcar nesta
tendência. Com o Mangalyaan e os outros programas de satélites e
foguetes, o país está se posicionando fortemente em mercados
internacionais de produtos e serviços espaciais.
Fonte:BBC de Londres. 25.09.2014.
Manoel Rodrigues de Melo escreveu
na Revista Bando um artigo, intitulado O Saque da Ilha de Manoel Gonçalves,
baseado no livro Documentos do Arquivo – Presidentes de Províncias (1818) -
editado pela Secretaria de Interior e Justiça de Pernambuco no ano de 1943. Quando
estive em Recife, recentemente, fiz imagens de tais documentos, entre eles as
duas correspondências emitidas da Ilha de Manoel Gonçalves que transcrevo aqui.
A primeira é uma carta do
Comandante do Degredo da Ilha de Manoel Gonçalves, Alexandre José Pereira, para
o Capitão Manoel Varella Barca, carta esta copiada pelo Padre Manoel Pinto de
Castro que servia de Secretário do Governo da Província do Rio Grande.
Ilustríssimo Senhor Capitão
Manoel Varella Barca//Ilha de Manoel Gonçalves, 13 de Dezembro de 1818//.
Dou parte a Vossa Mercê que
ontem, treze de Dezembro do corrente, às onze horas do dia, deu fundo fora da
Barra do Amargozo um Corsário de ladrões estrangeiros armado em guerra, com
muito armamento, e entraram nos seus lanchões de tarde dentro do Rio, e
roubaram cinco Sumacas, e conduziram tudo para seu bordo, e ainda se acha
ancorado no mesmo lugar, e penso ser com intenção de virem saquear, e roubar a
terra; aqui se acham alguns homens, mas sem armas, e creio que tudo se acabará,
aqui já se acham pelo que diz seis feridos com tiros que fizeram para terra, e
a mais da gente desta praia vejo esmorecidos, e eu pior que nenhum, pois me
acho doente para morrer, Vossa Mercê mandará o que for servido// Deus Guarde a
Vossa Mercê por muitos anos// De Vossa Mercê atento súdito// Alexandre José
Pereira// Comandante deste Degredo Ilha de Manoel Gonçalves.
Entre as cartas do nosso
Governador para o da Província de Pernambuco, Luis do Rego Barreto, há uma, datada
de 31 de Dezembro de 1818, onde ele escreve: Entre as diferentes partes que
tive sobre este objeto, a que me parece mais correta, e circunstanciada, foi a
de um morador da Ilha de Manoel Gonçalves correspondente de Bento Joze da
Costa, que por isso a ofereço na Cópia N1 para com ela informar a Vossa Excelência
do que se passou no Assu.
Participo a Vossa Senhoria, que
no dia 12 do corrente, pelas onze horas da manhã, apareceu, três léguas a Leste
desta Ilha à popa, uma Escuna com um sinal, ou bandeira estranha no mastro de
proa e veio fundiar defronte da Barra do Amargozo a barlavento da Sumaca Santa
Rita Galatéa de Pernambuco, que se achava fora acabando de carregar de peixe de
vários negociantes destas praias, e logo que fundiou, mandou o Comandante desta
a bordo uma jangada com três homens saber o que queriam, disseram, que refresco
de aguada, e mantimento, que aquela embarcação era Inglesa, e de guerra.
Os ditos jangadeiros viram muito armamento,
gente de toda a nação; imediatamente que largou de bordo a dita jangada,
largaram eles três escaleres, ficando um a bordo da dita Sumaca Santa Ritta, e
dois entraram na Barra do Amargozo, e achando-se ancoradas naquele Rio, com
distancia uma das outras, quatro embarcações, a saber, o Penha, e Victoria de
Pernambuco, Conceição, e Almas da Paraíba, e Flor do Mar de Goiana, e atracando
o primeiro escaler a bordo do Penha, armados tomaram conta da embarcação, e o
segundo seguiu de rio acima, e atracando no último vazo tambémarmados, principiaram a roubar dinheiro,
roupa, maçame, e escravos, e da mesma forma continuaram nas mais embarcações
até chegarem de regresso na Penha, e incorporando-secom os que estavam já de posse da Sumaca,
meteram os oficiais, e a Campanha no Castelo, e continuaram o saque, estando em
terras no Pontal do Amargozo os passageiros que tinham vindo no Penha, e
moradores; entraram-lhe a fazer fogo de bordo, ferindo de bala quatro dos
moradores, a fim de melhor conduzirem o saque nos escaleres, e na lancha do
Victoria, que levaram com seis escravos do Penha e Victoria, três homens
forros, tudo feito na tardeque ancorou.
Imediatamente que soube nesta
Ilha fui com dez homens daqui por terra mais de uma légua, tomando em caminho
seis do Lagamar, e chegando já de noite, tinham saído.
No dia 14 vimos por um óculo de
terra estarem saqueando o Santa Ritta, e no dia 15 indo eu, e os mestres das
Sumacas Penha e Victoria, e os passageiros a bordo do Penha, ver o estrago que
teriam feito, e chegando, tendo deixado os moradores desta Ilha prontos de
pólvora, e bala com as poucas armas de fogo que há de guarda a Ilha, viu largar
de bordo da dita Escuna, os três Escaleres, e providenciando-se esperá-los na
Barra do Amargozo, aqui não vieram, e foram a boca do Rio, distante desta duas
léguas saquear seis casas de palha que tem, porém pouco ou nada acharam.
No dia 16 pelas quatro horas da
tarde, estando parte dos habitantes desta, e de Guamaré juntos de guarnição à
Ilha, viram entrar na Barra do Amargozo o escaler grande carregado de gente, e
tornando a abordar as Embarcações á conduzir o resto do que ainda lhe faltava,
e pegando a lancha da Sumaca Conceição e Alma saíram.
No dia 17 pelas duas horas da
tarde mandaram para terra a dita lancha pelos marinheiros forros que lá tinha
das Sumacas, e um passageiro carregador de peixe no Santa Ritta, e o
Contramestre da mesma, e mandaram dizer ao Comandante que lhes mandasse um Prático
para os botar fora da Ponta Gorda, que queria ir pelo canal, e se o não fizesse
até as quatro horas da manhã, que havia mandar atacar esta Ilha, e tocar fogo
nas casas, e nas Sumacas, porém destas ameaças caso nenhum se fez.
No dia 18 de manhã se viu velejar
a Escuna para barlavento. Contam os marinheiros que lhes ouviram dizer que iam
para America Espanhola, e que ainda haverão de andar três meses fora, e que iam
esperar os navios que haviam saído de Lisboa para o Brasil, e Índia, e que a
gente que traz são noventas e oito pessoas, e que já tinham feito três presas,
que as tinham mandado para America Inglesa de onde tinham saído cento e tantas
velas. A fortificação que traz são seis peças por banda de 12, e uma na proa de
rodízio de 18; este malvados vão de Costa acima esperar as embarcações que
navegam na costa do Sertão até o Maranhão, e Pará.
Eu tenho aviso de Pernambuco do
coronel Bento Joze da Costa, que nas águas próximas da lua nova despedia para
esta a Sumaca Xica, e em Janeiro o Brigue São Manoel
Deus Guarde a Vossa Senhoria,
Ilha de Manoel Gonçalves, 18 de Dezembro de 1818. João Martins Ferreira.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Projeto pioneiro de médico usa escolas como postos de saúde
Camilla Costa
Da BBC Brasil em São Paulo
Há 6 horas
Em projeto de 30 anos, Manoel Paiva (no centro)
quer aproximar alunos de pacientes em cidades do interior
Aos
66 anos de idade, o pediatra e infectologista Manoel Francisco de Paiva
pode dizer que seu trabalho em Pouso Alegre (MG) foi pioneiro da
atenção básica na região - mais de uma década antes da criação do
Programa de Saúde da Família, do governo federal.
Quando começou o
Projeto Saúde - uma atividade de extensão que leva alunos da faculdade
de Medicina onde dá aulas para realizar atendimento médico gratuito em
escolas de diversos municípios -, em 1981, mal havia postos de saúde nas
cidades do entorno de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais.
"Quando
eu mudei pra cá, o acesso aos serviços médicos era muito difícil.
Muitas das cidades aqui perto não tinham um profissional sequer. O
projeto estava suprindo essa falta, fazendo esse trabalho", disse à BBC
Brasil.
"No início do projeto, nem se falava de HIV, por exemplo.
Eu tive até que fazer palestras com os médicos de determinadas
localidades para que eles soubessem o que era."
A iniciativa do
médico, um ex-participante do Projeto Rondon (que levou estudantes
universitários para prestar serviços a comunidades isoladas no interior
do país entre 1967 e 1989), acontece sem interrupções há 34 anos.
Sem política
Criado
na Universidade do Vale do Sapucaí (Univas), onde Paiva é professor
desde 1978, o Projeto Saúde reúne alunos a partir do 2º ano de Medicina
para atendimentos de saúde gratuitos à população.
Os alunos
veteranos, que atuam como monitores, fazem contato com escolas da rede
pública das cidades da região e organizam os eventos. Durante a semana, a
equipe dá palestras para os alunos adolescentes e também para pais,
professores e outros representantes da comunidade. No sábado, a escola
se transforma em uma espécide de "ambulatório global", segundo o médico.
O atendimento acontece mensalmente e há um rodízio entre as escolas que
recebem o projeto.
"Os alunos do 2º ano de Medicina acolhem os
pacientes, conversam com eles, vão pesá-los, medi-los, fazer exames de
pressão. Os alunos mais graduados fazem o atendimento clínico, sob minha
supervisão. Aproveitamos o mobiliário da escola para criar mini
consultórios dentro das salas de aula."
O "ambulatório na escola"
também tem salas especiais para homens e mulheres, e outra em que um
aluno faz exames para detectar diabetes nos pacientes.
O objetivo
inicial do projeto é científico - as informações coletadas formam uma
base de dados sobre a saúde da população local, a partir das crianças de
5 a 14 anos. Por isso a escolha das escolas públicas como local de
atendimento. A carência de serviços, no entanto, tornou a meta mais
abrangente.
"Começou a chegar gente para ser atendida que não
estudava nas escolas: os irmãos dos alunos, os pais. Imagine chegar em
um lugar onde não há médicos. Então continuamos coletando os dados da
faixa etária que planejamos, mas abrimos o atendimento para todo mundo",
diz Paiva.
Mobiliário da escola é aproveitado para criar "mini consultórios" onde alunos atendem crianças e adultos
Para que os alunos consigam
realizar os atendimentos, fazem acordos com as prefeituras dos
municípios, que cedem o transporte, os medicamentos da rede pública e o
material. A escola fornece a alimentação para a equipe. Em alguns casos,
segundo Paiva, conflitos políticos fazem com que as escolas forneçam a
maior parte das necessidades.
O médico, no entanto, afirma não ter
qualquer relação com partidos políticos na organização do projeto. E
diz ter rejeitado ativamente as diversas tentativas de políticos de se
vincularem a ele.
"Quando organizamos a palestra para os adultos, a
primeira coisa que faço é dizer que estou ali espontaneamente, sem
vínculo algum com religião e política. Porque se alguém virar e falar
que 'quem trouxe o projeto para cá fui eu', a população já sabe que é
mentira", diz.
"Isso já aconteceu algumas vezes. Em uma cidade, o
prefeito começou um discurso de abertura dizendo que se empenhou em
trazer o projeto para lá. Mas assim que eu peguei o microfone, disse que
estava ali por vontade própria e que era a primeira vez que tinha
contato com aquele prefeito."
Formação
Além
do interesse acadêmico de fazer um levantamento de dados de saúde nas
cidades, Paiva diz que o projeto pretende contribuir para "melhorar a
relação entre o médico e o paciente" e formar profissionais com a
experiência de atendimento humanizado - que ele afirma ser uma lacuna no
currículo universitário.
"A ideia é dar ao aluno uma formação
generalista e estimular que os alunos se doem à comunidade. A formação
médica atual é centrada no hospital. Agora que estamos vendo os alunos
indo para o posto de saúde, agora é que estão sendo incentivados os
médicos de família e comunidade. Os próprios professores querem ficar
nos hospitais porque é mais prático para eles."
Maria Luiza
Baldassaris, de 30 anos, foi monitora do Projeto Saúde durante o curso
de Medicina. Da intenção inicial de se especializar em pediatria, chegou
à medicina de família e comunidade - formação considerada desejável na
atenção básica, mas que atualmente corresponde a apenas 1% do total de
médicos no Brasil.
"A monitoria me influenciou muito. Quando tive
mais contato com a clínica e com as ações sociais que aconteciam na
faculdade, me interessei pela saúde pública", disse à BBC Brasil.
Equipe em 2008: ex-aluna de Paiva será a 1º docente da universidade com a especialização
Acompanhando as mudanças
curriculares antecipadas pelo projeto de Paiva, Maria Luiza será a
primeira médica de família a ensinar na Univas, como preceptora
(orientadora de residentes) do estágio em Saúde Coletiva. Ela diz que em
sua turma de monitores do projeto, foi a única a seguir a carreira no
SUS. "Todos se empenhavam muito e gostavam muito, mas só eu resolvi
fazer medicina de família e comunidade. Eles pensavam muito na pouca
valorização do profissional".
"Durante a faculdade tivemos muito
pouco contato com a atenção básica. O enriquecimento do currículo vem
acontecendo de uns tempos para cá. Hoje sei que os alunos são inseridos
na atenção básica desde o segundo ano."
Para o médico, a
precarização da carreira pública de Medicina contribui para que os
médicos recém-formados nem sempre ofereçam um bom atendimento aos
pacientes nos postos de saúde. O contato com a população desde a
faculdade, ele espera, pode mudar isso.
"O Brasil tem muito esse
problema. Como o salário é pequeno nos postos de saúde, um finge que
paga e o outro finge que trabalha. O aluno que é formado com uma visão
diferente do atendimento, de que precisa oferecer um bom atendimento a
todos, já pode ter outra postura. Mesmo que só tenha que trabalhar no
SUS até passar em uma residência", afirma.
Leia mais na BBC Brasil: Médica de família 'dirige Chevette e namora Creisom' em apostila para concurso
Cirurgia
Apesar
do foco em problemas básicos, como infecções e doenças parasitárias, a
equipe encontrou uma série de casos graves e raros. Entre eles, o de uma
garota de 13 anos que foi diagnosticada com uma grave má formação no
coração. A suspeita inicial, na verdade, partiu do motorista da van que
levava a menina e outras crianças até a escola todos os dias.
"Durante
o atendimento, o motorista me disse que estava preocupado com essa
menina. Ele achava que ela vinha sempre correndo para o transporte, e
ela dizia que não. Mas estava sempre cansada. Fiquei interessado no caso
e pedi para ele buscá-la", relembra o médico.
Além de doenças comuns, equipe de alunos também encontrou casos graves e raros
Um aluno do 2º ano de Medicina,
que fez os exames iniciais na menina, descobriu que sua pressão
arterial estava altíssima. Com mais exames clínicos, a equipe detectou o
sopro no coração, um ruído que pode indicar a má formação.
"Liguei
imediatamente para o hospital da faculdade e avisei que mandaria a
criança. Em paralelo, pedi para chamarem a mãe dela. Quando fizeram os
exames, perceberam que a menina tinha uma anomalia muito importante no
coração. Pessoas com essa anomalia geralmente não passam dos 30 anos de
idade."
"Eu atendi a garota na hora do almoço na cidade de Santa
Rita do Sapucaí e meia-noite ela já estava sendo operada no Incor, em
São Paulo. Tudo pela saúde pública. Hoje ela tem 25 anos e está muito
bem. E eu cuido da criança dela, olha só que interessante", conta Paiva.
O
diagnóstico da garota aconteceu na Escola Estadual Dr. Luiz Pinto de
Almeida, na cidade de Santa Rita do Sapucaí. O local recebe o Projeto
Saúde a cada dois anos desde o ano 2000.
"O primeiro que fizemos
foi um sucesso tão grande que colocamos o projeto no nosso programa
escolar. Os pais já sabem que vai acontecer e cobram de nós. Quase 100%
dos alunos vêm para as consultas", disse à BBC Brasil a diretora da
escola, Rosemary Mendes.
Em uma das edições, a equipe chegou a
levar microscópios e bioquímicos para a escola. O objetivo era fazer
exames de fezes nos alunos, com resultado imediato. Após casos como o da
garota diagnosticada com a ajuda do motorista da van, segundo Rosemary,
os funcionários passaram a ficar mais atentos a possíveis problemas
apresentados pelos alunos.
"Professores e alunos conversam mais
sobre problemas de visão de audição, até ginecológicos. Depois damos um
toque para os médicos. Os alunos precisam estar bem fisicamente para ter
um bom aprendizado", diz.
Fonte: bbc.co.uk -
25.09.2014