terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Borracha escolar resolveu mistério dos pergaminhos medievais

O velino ultrafino das bíblias medievais terá sido feito com a pele de animais abortados? A resposta foi agora obtida utilizando uma técnica muito simples e não invasiva.
Uma simples borracha em PVC permitiu a uma equipa internacional de biólogos, arqueólogos, medievalistas e outros especialistas concluir que o finíssimo pergaminho de que foram feitas, na Idade Média, as páginas das primeiras “bíblias de bolso”, afinal não provém, como especulavam alguns, da pele de fetos de animais. Os resultados foram publicados na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences(PNAS).
Milhares de bíblias de bolso foram fabricados, a partir do século XIII, sobretudo em França, mas também em Inglaterra, Itália e Espanha, lê-se num comunicado a Universidade de Iorque (Reino Unido), onde o estudo foi realizado. Alexander Devine, co-autor do estudo, e estudioso de manuscritos antigos, explica no mesmo documento que a importância e a influência das bíblias produzidas em grande escala ao longo do século XIII foram “o resultado directo do seu formato em volume único e portável, tornado possível pela combinação inovadora de estratégias de miniaturização e de compressão conseguidas através do uso de pergaminho extremamente fino”.
Como salientava, por outro lado e com alguma ironia, um outro co-autor do estudo – Bruce Holsinger, medievalista da Universidade da Virgínia (EUA) – num artigo da sua autoria publicado na mesma semana na revista The New York Review of Books, o facto é que “uma grande parte da nossa herança escrita sobrevive sob a forma de uma grande massa de restos mortais de animais”.
E este especialista fazia notar ainda que, no Reino Unido, continua a ser é obrigatório “imprimir e conservar as cópias oficiais das leis aprovadas pelo Parlamento em pele de animal, o que inspira ocasionalmente debates em Westminster acerca da ética e da economia do comércio de pergaminho” – tradição essa que poderá vir a acabar em breve, “para a grande consternação da comunidade dos conservadores [de arquivos] e dos especialistas de livros de arte”.
Velino uterino?
Seja como for, a utilização da palavra em latim abortivum em muitas fontes documentais para se referir ao pergaminho ultrafino desses volumes antigos levou alguns especialistas a sugerir que se tratava de “velino uterino” – isto é, que a pele de fetos de bovino, ovino e de outros animais de criação fora usada para o fabricar.
Pelo seu lado, os críticos desta teoria retorquiam que não teria sido sustentável criar animais apenas para abortar fetos com vista a produzir as grandes quantidades de velino necessárias para as edições em grande escala daquela altura. Ainda outra teoria estipulava que, para fabricar o pergaminho, também teriam sido utilizados animais selvagens como coelhos ou esquilos. Por último, havia quem propusesse que era possível obter o velino a partir da pele de animais mais velhos através de uma técnica específica de produção, hoje esquecida. E parece ser esta a teoria que agora se confirma a partir do estudo.
O trabalho foi realizado por cientistas do Reino Unido, França, Bélgica, Dinamarca, Irlanda e Estados Unidos, liderados por Sarah Fiddyment e Matthew Collins, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Iorque. Os cientistas aplicaram pela primeira vez uma técnica não invasiva, dita de “extracção triboeléctrica de proteínas”, para resolver esta controvérsia de longa data. O método não podia ser mais simples e imediato: consiste em esfregar suavemente o pergaminho com uma borracha de PVC.
Na área da conservação, explicam os autores na PNAS, é corrente utilizar-se borrachas de PVC, semelhantes às borrachas da escola, para limpar os documentos antigos. Ora, como fazem ainda notar, o método apresenta uma vantagem adicional: proteínas provenientes do material antigo ficam agarradas à borracha ao mesmo tempo que a sujidade – e podem portanto ser analisadas para determinar a sua origem. Já agora, é graças à electricidade electroestática criada pela fricção (o chamado efeito triboeléctrico) que a borracha consegue “apagar” a sujidade e extrair as proteínas.
Os cientistas recolheram desta forma proteínas animais no velino de 72 bíblias de bolso medievais originárias de França, Inglaterra e Itália – e ainda, de 293 amostras de pergaminho do século XIII, lê-se no comunicado. A espessura dos pergaminhos variava de 0,03 a 0,28 milímetros.
Quando a seguir submeteram o material recolhido à clássica técnica de espectroscopia de massa, os cientistas conseguiram determinar, em particular, quais as espécies animais que tinham sido utilizadas para fabricar o velino. Uma primeira conclusão: “Não encontrámos qualquer vestígio de animais imprevistos”, diz Sarah Fiddyment, citada no mesmo documento. “Porém, conseguimos identificar mais do que uma espécie de mamífero num mesmo documento, e isso bate certo com a disponibilidade das peles conforme o local de fabrico.”
Quanto ao facto de poder tratar-se de pele de animais abortados, nada indica que esse seja o caso: “Os nossos resultados sugerem que o velino ultrafino não provém necessariamente do uso de animais abortados ou recém-nascidos com uma pele ultrafina, mas podem [pelo contrário] reflectir a utilização de um processo de produção que permitia transformar em velino de igual qualidade e finura a pele de mamíferos em maturação de diversas espécies”, acrescenta a investigadora.
A prova disso é o facto que, depois de concluído este trabalho, o co-autor e especialista em conservação de pergaminhos Jirí Vnoucek conseguiu recriar pergaminhos semelhantes ao “velino uterino" a partir de peles antigas. “É mais uma questão de utilizar a tecnologia certa de fabrico do que de recorrer à pele de animais uterinos”, explica. “Claro que as peles de animais mais novos são as melhores para produzir pergaminho fino, mas posso imaginar que toda a pele era utilizada e que nada era deitado fora.”

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Boatos sobre o Hospital Onofre Lopes da UFRN.

Caros chefes de redação, pauteiros, editores de portais de notícias, blogueiros, bom dia.

Nos últimos dias, o uso intermitente das redes sociais repassando falsas informações a respeito do centenários hospital público universitário Onofre Lopes (HUOL) afeta não só a imagem ilibada desse importante equipamento público para a saúde, como cria um clima de desconfiança entre usuários, sobretudo os atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
 
Na perspectiva do cumprimento do seu papel social, sugerimos a expontânea colaboração da mídia potiguar - inclusive das redes sociais - no sentido de apurar/checar a informação difamatória junto aos gestores do hospital.

Agradecemos antecipadamente.

Sirleide Pereira
Assessora de comunicação da reitoria/UFRN

sábado, 28 de novembro de 2015

Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte | Assessoria de Imprensa
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Ezequiel Ferreira solicita reabertura das UTIS no Hospital Regional de Currais Novos

Crédito da foto: Eduardo Maia
 
Preocupado com o atendimento da população no setor de saúde no Seridó, o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PMDB) solicitou à Secretaria Estadual de Saúde Pública a reabertura das unidades de terapia intensiva (UTIs) do Hospital Regional Dr. Mariano Coelho, de Currais Novos. Em reunião com o governador Robinson Faria (PSD) na manhã desta sexta-feira (27), Ezequiel lembrou a urgência na reabertura das UTIs na cidade.

“É preciso celeridade no atendimento às solicitações feitas pela Suvisa quando interditou parcialmente o Hospital. Estamos unidos para resolver essa situação”, destaca o presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira.

Os motivos da interdição parcial dos leitos de UTIs – iniciada no dia 24 de novembro - foram desconformidades em relação à estrutura física e falta de equipamento, que já foram solucionadas parcialmente pela diretoria do Hospital conduzida pelo diretor José Arimatéia Bezerra.  “O nosso maior problema agora é o gerador de energia, já que os outros itens da interdição foram resolvidos. Precisamos ter a garantia de continuidade da eletricidade para assistir os pacientes internados”, frisa o diretor.

No último dia 20 de novembro, Ezequiel assinou enquanto governador em exercício um convênio na ordem de R$ 100 mil para abastecimento da unidade hospitalar, que irá garantir o suprimento dos insumos da unidade.

O Hospital Regional e Maternidade de Currais Novos são de média complexidade com atendimento para urgência clínica infantil e adulta, cirúrgicas, obstétricas e traumatológicas com 96 leitos cadastrados, atendendo toda a região do Seridó com mais de 300 internações e quase 4 mil atendimentos na urgência por mês. 

domingo, 22 de novembro de 2015

Telegrama trapalhão vira liberdade em Natal

Telegrama trapalhão vira liberdade em Natal

Por João Bosco de Araújo*
Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com  

Foto de acervo do pesquisador Cortez
Nem o título acima, nem o texto que segue abaixo são de minha autoria, mas gostaria que fossem, pois achei interessante a argumentação de que um telegrama enviado três dias antes teria mudado o rumo de uma ação que seria concretizada no meio de uma semana do dia 27 de novembro de 1935, ou seja, nessa data estava previsto o golpe para a instalação de um governo popular revolucionário no Rio Grande do Norte, que certamente as forças de repressão já teriam essas informações, pegando-os de surpresa, com a mensagem antecipada do telegrama, resultando na intentona ou insurreição que durou exatamente esse período, de cerca de três dias.

O texto surrupiei do meu sobrinho Abson de Araújo Soares, aluno do segundo ano do ensino médio do Colégio das Neves, que recebeu a idéia de seu professor de fazer uma redação sobre um fato histórico real, mas com liberdade de criar personagens fictícios. E foi o que ele fez, quando cita o nome do editor do jornal A Liberdade, um bancário de apelido Zé Tampinha. Na verdade, o jornal existiu, e foi o pilar do movimento, porém teve como um dos organizadores o gráfico conhecido por Meneleu, que, segundo o pesquisador e escritor Anchieta Fernandes, este ainda vive em uma cidade do Ceará.

A seguir, o texto do estudante Abson:

“Fato inédito na história brasileira, a capital do Rio Grande do Norte foi sede, em novembro de 1935, de um governo popular revolucionário. O movimento iniciou-se com a participação de forças populares, que só foi possível por causa de um telegrama enviado antecipadamente, cujo conteúdo decretava o início do levante para o sábado, dia 23 de novembro. Conforme estava estabelecido pela Aliança Nacional, a revolução seria na quarta-feira, dia 27, porém, graças ao telegrama trapalhão, o golpe foi antecipado, derrubando o governo de Rafael Fernandes.

Foi nas páginas de ‘A Liberdade’ que o comitê recém instalado dirigiu o manifesto ao povo. O editor do jornal comunista, o bancário José Francisco Corrêa, mais conhecido como ‘Zé Tampinha’, um dos líderes do movimento, contribuiu bastante para o sucesso da revolução em Natal.

Através da publicação, 'A Liberdade' chegava às ruas da cidade. A população tomava conhecimento do novo governo instalado. Ministérios foram criados e empossados. Gente do povo formava o novo governo, como estudantes, funcionários públicos, sapateiros, carteiros e militares não-graduados. Mas o sonho de liberdade dura pouco. Em menos de quatro dias o governo revolucionário chega ao fim. A Intentona Comunista vai por água abaixo, o editor Zé Tampinha é preso com os demais companheiros e o movimento foi contido por tropas do Exército e policiais de outros Estados, que invadiram o RN e restabeleceram a ordem. A data era 27 de novembro de 1935.”

Não sei a nota do professor, mas posso dar a minha: 10.

Agora uma nota de explicação: como estamos no aniversário deste fato histórico, nos seus 73 anos do ocorrido, fui buscar esse texto acima, datado de seis anos atrás, tanto que meu sobrinho cursava o ensino médio, hoje estuda pós-graduação na área de marketing e propaganda, em São Paulo. Esse fato também me faz recordar o meu tio Manoel Salviano, irmão de meu pai.

“Tio Sinhô” era um autêntico contador de histórias, das bandas do Umbuzeiro, em Caicó, e o vi por muitas vezes relatar “a revolução de 35”, segundo sua versão, narrando minuciosamente como Dinarte Mariz juntou um batalhão de homens sertanejos para esbarrar os comunistas – sediados na capital – que marchavam na direção do Sertão. Como narra a história, o Levante foi contido, inclusive em Recife (PE) e Rio de Janeiro, e o meu tio, na ocasião com 29 anos, vivia uma experiência histórica nunca mais esquecida por um jovem sertanejo. O meu sobrinho, por sua vez, outro jovem, criando fatos de uma realidade que me faz mero observador do cotidiano.    

*Publicado no Diário de Natal em novembro de 2008 e outras publicações, anteriormente. Agora nesta data dos 80 anos do Levante de 1935, tendo como cena o RN e outros estados do país.

- No livro A Revolta Comunista de 35 em Natal, o jornalista e pesquisador Luiz Gonzaga Cortez busca detalhes para o fato que revolucionou a história da então provinciana capital potiguar e cidades do interior do estado. Confira postagens anteriores: A Revolta Comunista de 1935 em Natal; A Chacina de Currais Novos (e outras Partes) - A Revolta Comunista de 1935 emNatal; Parte VII

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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 11/22/2015 09:21:00 AM

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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Miss Brasil, Larissa Costa, visita a Casa Durval Paiva.


17 de novembro de 2015 21:35

A vida é bela
Fotos por assessoria/divulgação
Nesta quarta (18/11), a Miss Brasil Larissa Costa visita a Casa Durval Paiva para um bate-papo sobre Moda e Beleza com as mães e acompanhantes da instituição, dentro da programação do Projeto Moda, Vida e Arte, patrocinado pelos Correios. A palestra começa às 14h30min.

X Fórum do Diagnóstico Precoce
Próximo dia 23/11 é o Dia Municipal, Estadual e Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil. Em alusão a data, a Casa Durval Paiva vai promover no dia 25/11, no Holiday Inn Natal, a décima edição do Fórum do Diagnóstico Precoce, voltada aos profissionais de saúde e interessados. As inscrições já podem ser feitas online no endereço www.forumdiagnosticoprecoce.vai.la ou pelo telefone (84) 4006-1600. A entrada custa apenas uma lata ou dois pacotes de leite em pó.

Cybervoluntários
Mais de quatro mil cybervoluntários já abraçaram a luta contra o câncer infantojuvenil, e seguem a Casa Durval Paiva no instagram.com/casadurvalpaiva. Curta você também essa causa!

Quanto mais cedo, melhor!
Assim como no Setembro Dourado e Outubro Rosa, a Casa Durval Paiva também apoia a Campanha Mundial de Prevenção ao Câncer de Próstata – Novembro Azul, pois, na luta contra o câncer, quanto mais cedo, melhor!

Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva
Assessoria de Comunicação
Na luta contra o câncer, quanto mais cedo, melhor!

Sandra Cerqueira
Assessora de Imprensa

Casa Durval Paiva - (84) 4006.1600/
 9981-3474/ 9622-4544


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 11/17/2015 07:03:00 PM

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Como bairro em Bruxelas virou 'celeiro de terrorismo' na Europa

  • Há 5 horas
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Foto JOHN THYSJOHN THYS/AFP/Getty Images
Image captionPolicial vigia rua durante operação para deter suspeitos de envolvimento em ataque em Paris no bairro de Molenbeek em Bruxelas
Após a confirmação de que dois extremistas suicidas teriam vivido em Bruxelas e a emissão de um mandado de prisão contra um terceiro suspeito, nascido na Bélgica, as investigações sobre os atentados de Paris se voltam cada vez mais para o país vizinho.
Não é a primeira vez que investigações de ataques extremistas levam a esse pequeno país de 11 milhões de habitantes, localizado entre a França, a Holanda e a Alemanha.
E mais precisamente ao bairro de Molenbeek-Saint-Jean, em Bruxelas, onde sete pessoas foram detidas durante o fim de semana sob suspeita de terem ligação com os atentados que deixaram pelo menos 129 mortos e 350 feridos em Paris.
"Quase sempre há um vínculo com Molenbeek. Temos um problema gigantesco no bairro", disse o primeiro-ministro belga, Charles Michel, em entrevista à televisão VTM, no domingo.

'Ninho de terroristas'

O mais conhecido cidadão de Molenbeek é Abdelhamid Abaaoud, um belgo-marroquino que está há cerca de dois anos na Síria e ficou conhecido ao aparecer em uma série de fotos sorrindo, ao volante de uma caminhonete carregada de cadáveres.
Abaaoud é considerado o líder de uma célula de terrorismo desmembrada em janeiro na cidade de Verviers, e, segundo a imprensa belga - citando fontes da Procuradoria -, suspeita-se que ele teria planejado os atentados de Paris.
AFPImage copyrightAFP
Image captionAtentados em Paris deixaram pelo menos 129 mortos e 350 feridos
Mas a lista de autores de atentados que passaram pelo bairro é longa. O ministro do Interior, o nacionalista flamengo Jan Jambon, qualificou o local de "ninho de terroristas" no domingo.
O marroquino Ayoub El-Khazzani, suspeito de tentar cometer um atentado em um trem que ligava Amsterdã a Paris em agosto, embarcou no veículo em uma estação de Bruxelas, depois de ter passado semanas em Molenbeek.
Também passaram pelo bairro o francês Mehdi Nemmouche, autor do atentado ao Museu Judaico de Bruxelas, em maio de 2014, e Hassan El Haski, um dos cérebros dos atentados de 2004 em Madri, reivindicado pela Al-Qaeda.
ReutersImage copyrightReuters
Image captionBairro tem grande concentração populacional

Conexão síria

A subprefeita de Molenbeek, Françoise Schepmans, admite que o bairro seja uma espécie de centro de operações de redes de terrorismo.
Schepmans acredita que a alta densidade populacional de Molenbeek - 97 mil habitantes em menos de 6 quilômetros quadrados -, somada ao fato de que 80% dos habitantes é de origem árabe, facilita o anonimato para criminosos que "na maior parte do tempo estão só de passagem".
Para Claude Moniquet, cofundador do Centro Europeu de Inteligência Estratégica e Segurança, os fatos mais recentes estão diretamente relacionados ao número de habitantes do bairro que se uniram aos combatentes islamistas na Síria - apesar de não haver ainda uma cifra exata.
O ministério de Justiça da Bélgica estima que entre 500 e 800 belgas se envolveram no conflito sírio, o que faz do país o principal fornecedor de combatentes europeus em relação a sua população.
APImage copyrightAP
Image captionBélgica é principal fornecedora de combatentes estrangeiros para o 'EI' em relação à população
Um deles era Brian de Mulder, belga filho de uma brasileira, que se somou ao conflito sírio antes da criação do Estado Islâmico, depois de uma rápida radicalização em contato com o grupo extremista Sharia4Belgium.
Acredita-se que o jovem tenha sido morto durante um bombardeio na Síria em 23 de outubro, aos 22 anos.
Não se sabe, por enquanto, se dois homens-bomba de Paris que viviam em Molenbeek - Ibrahim Abdeslam e Bilal Hadfi - eram membros de Sharia4Belgium, considerado o principal recrutador de combatentes belgas para grupos extremistas na Síria.
Mas a Procuradoria da Bélgica confirmou que eles estavam entre os cerca de 120 belgas que lutaram na Síria e voltaram ao país.
Essas pessoas são potenciais aliados em projetos de ataques na Europa, observa Moniquet.

Pobreza

Segundo o ministro Jambon, o número de belgas que viajam à Síria têm diminuído na maioria das cidades desde o início do fenômeno, em 2012.
No entanto, em Molenbeek, as estratégias de "desradicalização" adotadas pelo governo não têm dado resultado e "as pessoas continuam a partir".
"O bairro está fora de controle. Vemos que várias células (jihadistas) estão presentes em Molenbeek", afirmou no domingo, em Paris, prometendo um novo plano de ação específico para o bairro.
O cientista político Dave Sinardet, da Universidade Livre de Bruxelas (VUB), afirma que a composição social do bairro também contribui para torná-lo um terreno fértil para a radicalização.
ReutersImage copyrightReuters
Image captionPara cientistas político, fato de bairro ser jovem e pobre ajuda a explicar radicalização
"É um dos bairros mais pobres e mais jovens do país, com um alto nível de desemprego", observou.
Diferente da parte flamenga da Bélgica, Bruxelas não obrigou seus imigrantes a falar o idioma local ou a integrar-se e facilita até hoje a preservação de costumes dos países de origem.
Esse modelo, elogiado nos anos 70, durante a prosperidade industrial de Molenbeek e o auge da imigração árabe, está sendo agora apontado por muitos políticos como o responsável por ter convertido o bairro em um "gueto" problemático desde a decadência econômica dos anos 90.
O ex-subprefeito de Molenbeek, o socialista Philippe Moureaux, tornou-se alvo de críticas por ter permitido a abertura de 22 mesquitas, muitas delas financiadas pela Arábia Saudita, durante sua gestão, encerrada há três anos.

Armas

Bruxelas também é apontada como um centro do tráfico de armas na Europa, porta de entrada de um grande volume de material desmilitarizado procedente dos países da antiga Iugoslávia.
Essas armas, destinadas a colecionadores ou filmagens, em geral foram manipuladas para não atirarem mais. Mas ela são reabilitadas por uma rede criminosa na Bélgica e voltam a circular ilegalmente.
A proximidade de várias fronteiras internacionais facilita o fluxo desse equipamento.
As investigações dos atentados de Paris de janeiro - contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado judaico - revelaram que parte do arsenal utilizado nessa série de atentados teria sido adquirido em Bruxelas.