Exposição
Os paralelos entre China e Egito antigos
Da estrutura das moradias à noção de vida após a morte:
museu de Berlim expõe semelhanças surpreendentes entre duas altas
civilizações da Antiguidade, separadas por milhares de quilômetros e sem
contato entre si.
"Cola" , plágio, espionagem industrial em grande estilo: há muitos
motivos para dois resultados serem espantosamente semelhantes. Mas, e
quando dois objetos são inexplicavelmente semelhantes, sem que se trate
de nenhum desses casos, quando dois inventores chegaram à mesma ideia,
quase ao mesmo tempo?
Em exemplo é o bridão, a parte da rédea que
fica na boca do cavalo: um bocado alongado de bronze, mantido flexível
no centro por dois elos ligados entre si, permitindo puxá-lo para a
direita e a esquerda, e assim conduzir o animal.
Essa invenção tão decisiva se encontra logo duas vezes na mostra especial China e Egito: Berços do mundo,
que pode ser visitada até 3 de dezembro no Novo Museu (Neues Museum) de
Berlim. Uma é originária no Egito, por volta de 1200 a.C., a outra na
China, um pouco mais tarde. Certo está que, neste caso, ninguém "colou"
do outro, já que em seus primórdios essas duas altas culturas não
tiveram qualquer contato.
Respostas semelhantes para desafios humanos
Na
época, era comum comerciantes cobrirem distâncias de até 3 mil
quilômetros em suas viagens, porém os 8 mil quilômetros que separavam o
Egito da China eram um obstáculo intransponível.
No entanto as
duas primeiras civilizações avançadas da história da humanidade
apresentam surpreendentes similaridades, não só no quotidiano e nos
objetos de uso, como também, por exemplo, nos cultos funerários e em
suas noções religiosas.
Para Friederike Seyfried, responsável
pela exposição, juntamente com a curadora Mariana Jung, a explicação é
simples: "Quem deseja um teto firme sobre a cabeça, e também roupas que
protejam e enfeitem vai acabar chegado em algum momento às mesmas
soluções."
Assim, chineses e egípcios em algum momento inventaram
a agulha, experimentando inicialmente com espinhas de peixe, raques de
penas ou ossinhos. Da mesma forma, os indivíduos desenvolveram respostas
e noções de divindade para questões abstratas, como "o que acontece
após a morte".
Quase 5 mil anos e 8 mil quilômetros de distância
Friederike
Seyfried é diretora do Museu Egípcio e da Coleção de Papiros de Berlim,
de onde provém aproximadamente a metade das peças expostas na mostra
especial. A outra metade são empréstimos do Museu de Xangai, com o qual
os museus estatais da capital alemã mantêm cooperação.
Partiu de
ambas as casas a ideia e o desejo de realizar essa inusitada e
bem-sucedida justaposição, cobrindo de 4500 a.C. até a Antiguidade
Greco-Romana, por volta de 300 d.C.. Em vez de ordenadas
cronologicamente, porém, as peças são apresentadas em cinco grupos
temáticos: Quotidiano, Escrita, Domínio e administração, Culto dos
mortos e Céu divino.
Afinal, o que torna tão excitante essa
exposição, é a questão cultural-antropológica que ela propõe: como se
desenvolve a cultura humana? E a que soluções chegam os seres humanos
diante de determinados desafios?
Unidos pela necessidade, separados pelos materiais
Modelos
de terracota, numa das primeiras vitrinas, mostram como a estrutura das
moradias simples do Egito se assemelhava às da China. Ambos também
adotaram desde cedo os cães como animais de estimação.
Estátuas,
joias, potes para cosméticos e peças de cerâmica igualmente contam sobre
a vida no dia a dia dessas duas culturas. E seus artefatos de higiene
pessoal, por exemplo, não eram muito diferentes: sempre um conjunto
formado por um jarro com alça e uma bacia. Só o tipo de decoração nos
recipientes de bronze revela as diferentes assinaturas culturais: no
Egito as delicadas cinzeladuras só eram aplicadas após a fundição.
Dependentes
das matérias primas à disposição, ambas se distinguiam, ainda, no
tocante aos materiais empregados. Além do bronze, objetos de luxo
típicos para os chineses eram vasilhas laqueadas. No Egito, em
contrapartida, onde não existiam as árvores produtoras da resina da
laca, o vidro era a acepção do luxo, como testemunham os recipientes de
vidro opaco para guardar óleos e perfumes, com mais de 3.500 anos de
existência.
Semelhanças entre os usos funerários
O
culto aos mortos compõe uma das seções mais interessantes da mostra,
pois ambas as sociedades desenvolveram rituais e práticas se
sepultamento complexos, como mostram as preciosas oferendas funerárias.
Uma
das mais impressionantes entre as peças cedidas por Xangai é a
vestimenta de jade com que um certo Liu He foi solenemente sepultado,
durante a Dinastia Han Ocidental (século 206 a.C. ao 9º d.C.). O traje
prateado com reflexos verdes, confeccionado com 2.216 plaquinhas do
mineral translúcido unidas com fios de prata, é como uma armadura para
proteger o corpo e a alma do morto no além. Para os chineses, o jade era
a pedra da imortalidade.
A peça é confrontada com a múmia da
egípcia Nes-Chons-pa-cheret, morta mais de sete séculos antes. Aqui, o
invólucro artisticamente decorado com divindades aladas visava oferecer
proteção para o corpo mumificado e preservá-lo para a eternidade.
A mostra China und Ägypten. Wiegen der Welt
(China e Egito: Berços do mundo), no Neues Museum de Berlim, exibe, de 6
de julho a 3 de dezembro de 2017, peças da Antiguidade no Egito e na
China, muitas das quais pela primeira vez na Europa.
Fonte: dw.de
- Data 14.07.2017
- Autoria Tina Hüttl
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- Data 14.07.2017
- Autoria Tina Hüttl
- Assuntos relacionados Egito, Filarmônica de Berlim, Portão de Brandemburgo, Hong Kong, Mao Tsé-tung, Berlim, Marlene Dietrich, Ásia, Comac, Biblioteca de Alexandria
- Palavras-chave China, Egito, Neues Museum, Berlim, paralelos culturais, museu, arqueologia
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