quinta-feira, 24 de agosto de 2017







Brasil

Governo anuncia privatizações e inclui Casa da Moeda

Lista adiciona 57 projetos ao Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Além do órgão que confecciona dinheiro e passaportes, medida envolve Eletrobras e aeroporto de Congonhas. Previsão é arrecadar R$ 44 bilhões.










O governo federal anunciou nesta quarta-feira (23/08) a inclusão de 57 projetos na lista de concessões e privatizações do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Além da já esperada Eletrobras, a medida envolve aeroportos, portos, rodovias e empresas estatais, incluindo a Casa da Moeda.

O anúncio, mais uma rodada de concessões do PPI, foi realizado por ministros do governo após reunião com o presidente Michel Temer nesta quarta-feira. O objetivo, segundo eles, é melhorar o caixa da União e estimular a economia. Com a medida, o governo informou que espera arrecadar, a partir deste ano, cerca de 44 bilhões de reais ao longo dos anos de vigência dos contratos.

A Casa da Moeda, com sede no Rio de Janeiro, deve ser vendida até o fim do ano que vem. Ainda não foi definida, no entanto, a forma como será desestatizado o órgão, responsável por confeccionar as notas de real e passaportes do Brasil. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, pode ser que seja vendida somente 51% e a União permaneça no negócio.

Sobre a Eletrobras, o governo declarou que concederá apenas uma parte. "Haverá emissão de papéis da empresa sem subscrição da União, que será diluída e perderá o controle acionário", explicou.
A proposta de privatização da companhia, que atua na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, havia sido antecipada na segunda-feira. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a redução da participação da União no capital da Eletrobras dará mais competitividade e agilidade à empresa.

O governo também confirmou a privatização da Lotex, braço da Caixa Econômica Federal para loterias instantâneas. A estimativa é obter 2 bilhões de reais com a venda, segundo um novo modelo de negócio anunciado. A previsão anterior era de 1 bilhão de reais.
Entre outras estatais incluídas na lista estão a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), a Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg) e CeasaMinas.

Aeroportos e mais

Além das empresas, o pacote engloba ainda 14 aeroportos, 11 lotes de linhas de transmissão, 15 terminais portuários e trechos de duas rodovias.
Os aeroportos a serem licitados foram divididos em quatro blocos. Um deles inclui Congonhas, em São Paulo – ele é o mais lucrativo da Infraero e o segundo maior do país, com movimento de 21 milhões de passageiros por ano. O valor estimado de venda é de 4 bilhões de reais somente em outorgas.
Um segundo bloco abrange aeroportos do Nordeste (Maceió, Aracaju, João Pessoa, Campina Grande, Juazeiro do Norte e Recife). Outro é formado por terminais localizados no estado do Mato Grosso (Cuiabá, Sinop, Alta Floresta, Barra do Garça e Rondonópolis). Um quarto bloco engloba os aeroportos de Vitória e de Macaé.

Ainda no setor aeroportuário, o governo anunciou a venda da participação acionária da Infraero nos aeroportos de Guarulhos, Confins, Brasília e Galeão, que foram leiloados durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.


Os lotes de linhas de transmissão, que serão licitados em dezembro, estão distribuídos em dez estados: Bahia, Ceará, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Tocantins. Já os terminais portuários são em Belém, Vila do Conde, Paranaguá e Vitória.
Em relação a rodovias, o governo anunciou que pretende leiloar um trecho da BR-364, entre Rondônia e Mato Grosso, e relicitar o trecho da BR-153 entre Goiás e Tocantins. A previsão é realizar a venda dos dois trechos no último trimestre de 2018.
O primeiro pacote de concessões e privatizações do PPI foi apresentado por Temer em setembro do ano passado, incluindo 25 projetos de infraestrutura, como aeroportos. Em março passado, o governo federal anunciou o leilão ou renovação da concessão de mais 55 projetos, entre rodovias, ferrovias, portos e linhas de transmissão de energia.
EK/abr/ots
Fonte: dw.de


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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Suspeito de mais de 15 homicídios morre em troca de tiros com a polícia na Grande Natal

Tiroteio aconteceu em Extremoz nesta segunda-feira (21). O homem ainda é apontado como traficante de armas e drogas.

Por G1 RN
 
Gilson Coelho de Medeiros Filho, conhecido por Gilson Cabeção, foi morto pela polícia (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Gilson Coelho de Medeiros Filho, conhecido por Gilson Cabeção, foi morto pela polícia (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Gilson Coelho de Medeiros Filho, conhecido por Gilson Cabeção, foi morto pela polícia (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Um foragido da Justiça morreu depois de trocar tiros com a polícia nesta segunda-feira (21) na cidade de Extremoz, na Grande Natal. Segundo a Polícia Civil, Gilson Coelho de Medeiros Filho, conhecido por Gilson Cabeção, de 32 anos, estava sendo investigado por mais de 15 homicídios ocorridos no estado da Paraíba. O homem ainda era apontado pela polícia como suspeito de comercializar entorpecentes em vários estados do país, entre eles o Acre, Paraíba, Pernambuco, e o Rio Grande do Norte.
Ainda segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil, Gilson foi encontrado em casa. O imóvel foi localizado a partir de uma apuração conjunta entre a Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), em parceria com o Departamento de Repressão a Entorpecentes da Paraíba (DRE/PCPB).
A Polícia Civil informou que, no momento em que os policiais chegaram ao local, Gilson Cabeção atirou conta eles. A polícia reagiu e acertou o foragido, que morreu.
Na residência, a polícia apreendeu uma pequena porção de maconha, celulares, notebook, balança de precisão, um veículo de modelo Fox, e uma pistola de calibre 380 com seis munições intactas.
A assessoria da Polícia Civil informou que investigações indicam que Gilson era integrante de uma organização criminosa, e que ele realizava negociações de armas de fogo na cidade de João Pessoa, e no estado do Rio Grande do Norte.

domingo, 20 de agosto de 2017

URGENTE

Prenderam um homem há poucos minutos na rua Raposo Câmara. Segundo informações, trata-se de um foragido de presídio do Ceará ,que tem dois homicídios, mas não foi identificado.
O homem gordo, 1m80 de altura, trajando roupa preta, estava pedindo ajuda para voltar para Salvador e que precisava de 36 reais, que estava desempregado e com fome.
Foi removido para a delegacia de plantão da zona sul.
Nota: o foragido foi detido e estaria sendo recambiado para presídio de Fortaleza/CE.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Rizolete Fernandes lança mais uma obra: Tecelãs.

O poetisa e escritora Rizolete Fernandes, na próxima 5ª feira, às 18 horas, na Academia de Letras, lançará "Tecelãs", seu mais livro. Para a professora Conceição Flores, "é um livro surpreendente, arquitetado com maestria, que demandou de Rizolete Fernandes uma pesquisa acurada sobre as 20 mulheres às quais a autora cede a palavra para que elas contem suas histórias, suas lutas". A editora é a Sarau de Letras.
A Academia fica na rua Mipibu, nº 443.

A vida era pálida, até que...

Tomislav R. Femenick – Escritor

Sua vida sempre foi previsível e pálida. Teve asma na infância, começou a usar óculos quando estava fazendo o segundo grau, tentou e não conseguiu entrar na universidade pública. Seus pais, funcionários, de classe média-média, tiveram que bancar a mensalidade de uma faculdade particular noturna. Não era das melhores, mas também não era das piores. Como eles, estava um pouco abaixo da média. Comprar livros nem pensar. A grana não dava. O jeito era apelar para os parcos livros da pobre biblioteca da escola, ou tirar xerox. Dava sempre um jeito de estudar. Quando “fazia” o segundo ano, conseguiu, por intercessão de um primo de sua mãe, entrar em um banco como estagiário. Como era esforçado, aprendia fácil a burocracia daquele mundo de papéis e informações digitalizadas e trabalhava além do expediente normal, acabou sendo efetivado como funcionário. Aí já sobrava um dinheirinho que dava para sair com os amigos, em alguns finais de semana.
Entre as colegas de faculdade, na mesma sala havia uma que era de classe média como ele, igualmente estudiosa, que trabalhava na lojinha do pai, era acanhada e frágil e deveria ter uma vida tão insípida como a dele. E tinha, como veio a saber mais tarde. O nariz é que era um pouquinho grande demais e, dizia ela, por causa disso tinha uma rinite alérgica permanente. Fez dela a sua eleita. A progressão amizade, namoro, noivado e casamento acompanhou as suas promoções no banco; auxiliar, escriturário, caixa, encarregado e supervisor administrativo de uma agência recém-inaugurada.
Ainda no tempo do namoro fez amizade com o sogro. Um cara legal, que gostava de fazer churrasco, tomar cerveja (só em lata e só Brahma), dormir depois do almoço quando não estava trabalhando. Era pequeno comerciante de produtos populares. Bem populares: vendia refugo das fábricas de roupa. A sogra, como todas as sogras, era embirrenta, queixosa e toda cuidadosa no querer saber aonde eles iam, que horas a filha estaria de volta em casa. Seus pais gostaram da moça.
A grande surpresa veio quando eles foram à igreja, marcar a data do casamento. Lá, ela quis fazer uma confissão, não ao padre, mas a ele. Revelou que não era mais virgem. Que foi há muitos anos, com um primo, que hoje mora longe, lá pras bandas de Altamira, no Pará. Que foi algo sem importância, mas que ela se achava na obrigação de contar. Foi um choque. Matou no peito, ajeitou com a cabeça e, só depois de muito pensar, é que chegou a conclusão que foi um ato de sinceridade por parte dela. Depois até se esqueceu de tudo, que passou a ser apenas um pormenor.
Já tinham terminado o curso quando se casaram. Foi uma festa simples, com a mesma simplicidade que cercava as duas famílias. Foram morar em um condomínio da periferia, com muitos prédios de poucos andares e sem elevador. Por causa da coriza, ela fez uma operação plástica no nariz. Ganhou um afilado e arrebitado, mas não perdeu a rinite. Deixou de trabalhar, pois queria se acostumar a ser dona de casa. Tomava a pílula, porque acha muito cedo para ter filhos. Primeiro haveriam que gozar a vida, dizia. Dormia até tarde, fazia comida que já desse para o almoço e o jantar; à noite assistiam à novela e nos finais de semana almoçavam na casa dos pais dela ou dele. Ela não gostava de praia. Para ele a vida voltou a ser pálida e rotineira.
Um dia, estava no banco quando lhe chamaram ao telefone. Era um vizinho de seu pai. “Venha urgente, aconteceu uma tragédia. Seu pai descobrira que sua mãe, há muitos anos, mantinha um caso com aquele primo que lhe arranjou o emprego no banco e que, talvez, você não seja filho dele. Seu pai matou a sua mãe e se entregado à polícia”. Na hora não assimilou totalmente a tragédia; sua mãe assassinada pelo seu pai, seu pai era outro. Só ficou pensando em como dizer isso para a esposa. Não era notícia para se dar por telefone, tinha que ser ao vivo e com muito cuidado, pois ela era uma criatura frágil. Em casa, para não acordá-la de chofre, silenciosamente abriu a porta com sua chave e... sua mulher, de nariz novo e sem nada no corpo, estava na cama com aquele primo que ela dizia morar lá pras bandas de Altamira. Matou os dois.
Hoje a sua vida é bastante movimentada. Preso, com 30 anos para cumprir, é o dono de pedaço na Penitenciaria e por isso goza de algumas regalias. Controla o tráfico de drogas na cadeia, os outros lhe temem, recebe visitas íntimas quando as quer, sua alimentação é igual a dos administradores do presídio, já saiu algumas vezes por “licença de natal” e recebe, por conta do governo, assistência médica e dentária. Só tem uma queixa da vida: seu pai, que está na mesma prisão, não fala mais com ele.
Tribuna do Norte. Natal, 13 ago. 2017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O enigma da reencarnação
Postado em 10 Aug 2017 02 28 OutroOlhar-provisori

Provavelmente, hoje os físicos têm mais  
a contribuir sobre o tema reencarnação  
do que religiosos atados a suas certezas  


por JOMAR MORAIS



Dois anos antes de morrer, de câncer, um grande amigo, jornalista, desabafou, em um texto brilhante, que, para além da morte, nada esperava. Não pensava em continuar vivo e consciente e, sobretudo, em retornar ao mundo, reencarnar. Queria apenas desaparecer.

Meu amigo ainda não sabia do câncer que já lhe corroía as entranhas, mas estava amargurado com os reveses da vida e a injustiça dos homens, contra a qual lutou bravamente em seus últimos anos de vida. Tornara-se ateu e materialista contumaz.

Não sei se o seu ateísmo e materialismo tinham base filosófica ou emocional. Não é fácil conservar a imagem primitiva e convencional de um Deus pessoal, protetor e exigente quando a vida confronta e derrota nossos desejos. Quanto à reencarnação, acho que ele lidava com o conceito mais popular e ocidental daquilo que o oriente, em passado remoto, chamava de transmigração.

Ao contrário de meu amigo, acredito em reencarnação, mas meu conceito sobre esse evento há muito está efervescente e não para de desconstruir-me as certezas. Nossas crenças interagem o tempo todo com nossas experiências e conhecimento acumulado. Também a fé se move no fluxo incessante da criação. Não reconhecer essa evidência é, talvez, a maior fragilidade da maioria das religiões e dos religiosos que gostariam de encontrar na prática espiritual a segurança de um universo estático e acabado.

Anos atrás, cheguei a vivenciar supostas recordações de vida passada que até hoje me impactam a emoção e a percepção sem que isso tenha desvendado o enigma. O que encarna? O que reencarna? Quando relatei uma de minhas experiências na Internet, cheguei a ser contatado pela produção da TV Globo, que então preparava a novela “Além do Tempo”, e por uma produtora de filmes que viam a possibilidade de agregar meu relato a seus projetos literários, mas fiz questão de baixar a bola e explicar que, no texto, eu deixara aberta a possibilidade de o evento narrado ter diferentes explicações, conforme a linha conceitual adotada. Um espírita talvez considerasse a reencarnação de uma estrutura completa, um eu e, quem sabe, um ego; um budista, que não trabalha com a ideia de um “eu” inerente, poderia ver ali apenas a manifestação de agregados energéticos, memórias da consciência única; já um psicólogo junguiano faria considerações sobre o inconsciente coletivo.

Provavelmente, na atualidade, os físicos teóricos têm mais a contribuir para o entendimento dessa questão que os religiosos superficiais, que costumam estacionar sobre “certezas” indiscutíveis. 

Einstein, informa o físico Amit Goswami, em seu livro “A Física da Alma”, afirmava que “passado, presente e futuro existem, em algum nível, simultaneamente”. Ele consolou a viúva de seu amigo Michelangelo Besso dizendo que “para nós, físicos convictos, a diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão, por mais persistente que seja”.

Goswami acha que Einstein intuiu que “as pessoas vivem em seus respectivos quadros temporais” e, a partir daí, desenvolve hipóteses no livro citado. As pessoas viveriam em quadros temporais correlacionados. O significado estaria na mente do experimentador, “a consciência individual específica, que se sintoniza com alguma coisa do parque temático não local, no melodrama específico dessa pessoa”.

As elaborações de Goswami não cabem, completas e íntegras, em um texto genérico e conciso de um mero jornalista. Mas, sem dúvida, são uma provocação a que pensemos de um jeito novo nas questões emaranhadas do ser, do tempo e da influência recíproca entre passado, futuro e presente.

[ Publicado na edição do Novonoticias.com de 08/08/17 ]

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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

EM MATO GROSSO.

Primo de governador, ex-secretário é preso suspeito de mandar grampear políticos e jornalista

Paulo Taques foi secretário chefe da Casa Civil na gestão de Pedro Taques (PSDB). Ele foi preso nesta sexta-feira (4).

Por G1 MT
 
Ex-secretário da Casa Civil de Mato Grosso, Paulo Taques, foi preso nesta sexta-feira (4) (Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)Ex-secretário da Casa Civil de Mato Grosso, Paulo Taques, foi preso nesta sexta-feira (4) (Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)
Ex-secretário da Casa Civil de Mato Grosso, Paulo Taques, foi preso nesta sexta-feira (4) (Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)
O ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, que é primo do governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB) foi preso preventivamente nesta sexta-feira (4) suspeito de envolvimento esquema de grampos clandestinos operados pela Polícia Militar no estado. Ele foi levado para a sede da Polinter, em Cuiabá, onde deve prestar depoimento. O esquema foi denunciado em uma reportagem do Fantástico em maio deste ano.
A prisão foi determinada pelo desembargado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Orlando Perri, relator no órgão sobre a investigação dos grampos clandestinos. A decisão foi assinada na quinta-feira (3) e cumprida hoje.
Paulo Taques foi levado para a sede da Polinter, em Cuiabá, onde deve prestar depoimento (Foto: Lislaine dos Anjos/G1)Paulo Taques foi levado para a sede da Polinter, em Cuiabá, onde deve prestar depoimento (Foto: Lislaine dos Anjos/G1)
Paulo Taques foi levado para a sede da Polinter, em Cuiabá, onde deve prestar depoimento (Foto: Lislaine dos Anjos/G1)
Na decisão, o desembargador afirma que, mesmo em liberdade, o ex-secretário "vem buscando, de todas as formas, interferir diretamente na apuração dos fatos, mediante a utilização dos meios de comunicação, sobretudo pelo forte prestígio que ainda possui perante a imprensa de uma forma geral, ou, quiçá, de espaços decorrentes de suas relações com o governo".
Segundo a denúncia, mais de 100 pessoas tiveram as conversas grampeadas, entre elas políticos de oposição ao atual governo de Mato Grosso, advogados, médicos e jornalistas.
Os telefones foram incluídos indevidamente em uma investigação sobre tráfico de drogas que teria o suposto envolvimento de policiais militares. O resultado dessa investigação, porém, não foi informado pelo governo até hoje.
Paulo Taques, que é advogado, deixou o comando da Casa Civil em maio deste ano. À época, ele alegou que voltaria a se dedicar à advocacia e que reassumiria o papel de advogado pessoal de Pedro Taques, primo dele.
Além de Paulo Taques, estão presos por envolvimento no esquema o coronel Zaqueu Barbosa, os coronéis Evandro Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, e o cabo o cabo Gerson Correa Junior. Eles estão foram presos entre maio e junho deste ano.
"Os mesmos argumentos aduzidos por ocasião da prisão preventiva de vários policiais militares também se aplicam ao caso em apreço, máxime porque há fortíssimos indícios da ligação entre Paulo Taques com o grupo criminoso formado para implantação de diversas escutas telefônicas ilegais", diz trecho da decisão.

Investigações

O promotor de Justiça Mauro Zaque, que comandou a Secretaria de Segurança Pública em 2015, denunciou o caso à Procuradoria-Geral da República, afirmando que alertou o governador Pedro Taques (PSBD) sobre a existência de um "escritório clandestino de espionagem" por meio de dois ofícios. O primeiro chegou a ser enviado para o MPE, mas a investigação foi arquivada por falta de provas.
O segundo, que o governador alega nunca ter recebido, foi protocolado na Casa Civil, mas cancelado no mesmo dia e substituído por outro, conforme apontou auditoria da Controladoria Geral do Estado. Antes do relatório da CGE vir à tona, Taques chegou a entrar com representação contra Zaque em instituições como o Conselho Nacional do Ministério Público e a PGR, acusando-o de falsificação de documento público.
Dias antes do escândalo ser revelado em reportagem do Fantástico, em maio, o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, primo do governador, deixou o cargo. O próprio Paulo Taques, alegando estar sofrendo ameaças, pediu à Sesp para que fossem investigados um jornalista, uma ex-secretária e uma ex-amante dele.

Envolvimento do governador

Em depoimento encaminhado à PGR, o ex-secretário Mauro Zaque afirmou que em 2015, época em que ainda estava no governo, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa, comandante da PM à época, dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Pedro Taques. Ele alega ainda que levou o assunto a Taques e que o governador ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.
Em entrevista ao Fantástico, o secretário de Comunicação, Kléber Lima, negou o envolvimento do governador no esquema.