domingo, 10 de dezembro de 2017

Quem foi a primeira mulher a governar o Brasil




 Laís Modelli
 De São Paulo para a BBC Brasil






Há 4 horas






 Pintura de Josef Kreutzinger, em 1815, dois anos de Leopoldina embarcar para o Brasil Image caption "D. Leopoldina ajudou a escrever nossa história política, mas é comum explicá-la apenas como mãe de D. Pedro 2º e esposa de D. Pedro 1º" | Foto: domínio público A primeira mulher a governar o Brasil ocupou o cargo interinamente por apenas alguns dias, mas em um momento histórico: foi durante os dias de regência da imperatriz Maria Leopoldina que a independência do Brasil em relação a Portugal foi firmada, em 1822. Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena nasceu em Viena, na Áustria, em 22 de janeiro de 1797, e integrava uma das famílias mais poderosas da Europa no século 18, os Habsburgo. Terceira filha de Francisco 1º, Imperador da Áustria, a princesa embarcou ao Brasil há 200 anos e mudou os rumos do nosso país. Aos 20 anos, em maio de 1817, Leopoldina se casou à distância e por procuração com um homem que nunca havia visto: o príncipe português Pedro de Bragança, futuro Dom Pedro 1º, como forma de firmar uma aliança diplomática entre Portugal e Áustria. Para consumar a união, Leopoldina embarcou em uma viagem de navio de seis meses de duração, rumo a um continente que o mundo pouco conhecia, a América. Na tripulação, trouxe pintores, cientistas e botânicos europeus, conhecida como Missão Científica Austríaca, para catalogarem a fauna e flora brasileiras. "Leopoldina foi muito bem preparada para governar e aceitou de bom grado cruzar o oceano e deixar para trás tudo o que conhecia para obedecer e agradar ao pai e a sua nação, cumprindo o papel que era esperado dela como princesa", afirma a professora Maria Celi Chaves Vasconcelos, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ e especialista em educação de mulheres nobres. Em 1822, durante uma viagem do marido a São Paulo, Leopoldina permaneceu no palácio imperial e ocupou o cargo de regente do país, período que inclui a assinatura da independência brasileira, em 2 de setembro. Como seria uma guerra com a Coreia do Norte? Como surgiu o lunfardo, o curioso e complicado dialeto de Buenos Aires Somente cinco dias depois Dom Pedro 1º foi informado sobre a notícia da independência, dando o famoso grito às margens do rio Ipiranga, sendo essa segunda data a que entrou para os livros de história como o Dia da Independência: 7 de setembro de 1822. "O período em que a princesa exerceu o poder foi pequeno, mas fundamental para o Brasil. Além disso, ela foi a primeira mulher a exercer o governo", explica a professora de pós-graduação em História Social da USP Cecilia Helena L. de Salles Oliveira. Apesar de ela ser retratada como uma mulher melancólica e humilhada com os escândalos e relações extraconjugais de Dom Pedro 1º, escritores têm reivindicado a Leopoldina uma imagem menos passiva na história nacional. Em pintura de Georgina de Albuquerque, reunião de Leopoldina com o Conselho de Ministros em 2 de setembro de 1822 Image caption Reunião de Leopoldina com o Conselho de Ministros em 2 de setembro de 1822; escritores têm reivindicado a ela uma imagem menos passiva na história nacional | Foto: domínio público "As pesquisas das últimas três décadas apontam várias interpretações novas sobre a história do Brasil. Tais descobertas apresentam questões diferentes e revelam situações pouco ou nada conhecidas", explica Oliveira. Para o escritor Paulo Rezzutti, o modo como é contada a história de Leopoldina demonstra como nosso passado tem sido narrado somente do ponto de vista masculino. "Quando entra para a história, a figura da mulher o faz por causa de uma suposta 'santidade' ou por causa de suas relações familiares, dando a impressão que somente homens fizeram parte de assuntos como a política nacional", afirma o escritor. "D. Leopoldina ajudou a escrever nossa história política, mas é comum explicá-la apenas como mãe de D. Pedro 2º e esposa de D. Pedro 1º". Em seu último livro, D. Leopoldina: a história não contada - A mulher que arquitetou a independência do Brasil, Rezzutti busca documentos históricos, como cartas escritas pela imperatriz para a família na Europa, para apresentar uma Leopoldina menos melancólica e mais hábil nos assuntos políticos e diplomáticos. "Em 1822, D. Leopoldina desrespeitou as ordens das cortes constitucionais portuguesas e declarou o 'Fico' antes de D. Pedro, com uma visão muito mais astuta que o marido: a imperatriz tinha certeza que se saíssem do Brasil como os políticos portugueses desejavam, não só Portugal perderia o domínio do Brasil, como provavelmente haveria uma guerra civil aqui", explica Rezzutti. Exímia política A postura de Leopoldina ao se recusar a retornar a Portugal ainda divide opiniões. Enquanto para um grupo de escritores aquela foi uma atitude revolucionária, para outros a princesa foi apenas estrategista. Para Vasconcelos, não existe o menor traço de rebeldia em qualquer escrito de ou sobre Leopoldina. "Seria revolucionária por ter influenciado D. Pedro na Proclamação da Independência? Não creio que haja aí nenhum traço revolucionário; acho que ela era, talvez, conhecedora o suficiente da história política para fazer o julgamento correto sobre o momento vivido e o quanto ele era propício à Independência", defende a pesquisadora, se referindo ao fato de Leopoldina temer ir a Portugal em um momento de intensa movimentação popular contra o rei D. João 6º, sogro da princesa. Além disso, Leopoldina temia revoluções populares por crescer ouvindo o exemplo deixado pela tia-avó Maria Antonieta, última rainha da França, guilhotinada durante a Revolução Francesa. O professor do departamento de História da USP, João Paulo Garrido Pimenta, explica que todos os Habsburgo do século 19 foram criados para governar. Pintura de Luís Schlappriz, Leopoldina já no Rio de Janeiro Image caption Recusa de Leopoldina a retornar a Portugal divide opiniões: foi atitude revolucionária ou apenas estrategista? | Foto: domínio público "Leopoldina foi educada na Áustria de maneira exemplar e comum à época: para servir aos interesses públicos de sua dinastia - os Habsburgo - e de seu Estado - o Império Austríaco", explica Pimenta. Foi servindo os interesses da dinastia Habsburgo que a irmã mais velha de Leopoldina, a arquiduquesa Maria Luíza, se casou com o maior inimigo da família, Napoleão Bonaparte, como estratégia para deter o avanço do francês sobre a Europa. Maria Luíza era uma inspiração para Leopoldina. "Napoleão era chamado de 'o flagelo da Europa'. Ele derrubou diversas monarquias, inclusive de parentes dos Habusburgos. Os próprios Habsburgos tiveram que fugir duas vezes de Viena durante guerras entre a Áustria e a França de Napoleão. Por isso, Leopoldina e seus irmãos tinham um boneco apelidado de Napoleão, em que eles batiam", conta Rezzutti. Fazia parte da formação da família o aprendizado de línguas - Leopoldina falava 11 idiomas - a formação intelectual em diversas áreas do saber, além de aulas de teatro que tinham a finalidade de ensinar os Habsburgos a desempenhar o papel de monarcas diante do povo. Diferentemente de D. Pedro, Leopoldina sabia dialogar com o povo brasileiro, mesmo sendo este tão diferente das suas raízes germânicas: a princesa incluiu o nome de Maria, passando a ser conhecida como Dona Leopoldina ou Maria Leopoldina, e adotou o catolicismo, muito forte em Portugal, como forma de estabelecer relações com a cultura nacional. Independentemente dos motivos que fizeram Leopoldina permanecer no Brasil, para Rezzutti, a imperatriz deve ser interpretada como uma mulher revolucionária por ter sido a primeira a fazer política na alta esfera de decisões brasileiras. "Além de chefiar o conselho de Estado que aconselhou D. Pedro 1º a proclamar a independência, também tomou diversas resoluções importantes, como a contratação de militares estrangeiros para chefiar o Exército brasileiro contra os militares portugueses e contra uma futura invasão de Portugal durante a Guerra da Independência", defende o escritor. Datada ou moderna? Apesar de reconhecer as habilidades diplomáticas e políticas de Leopoldina no cenário brasileiro, Vasconcelos defende que a imperatriz não foi uma mulher moderna para os padrões europeus do século 19. "Como uma arquiduquesa, Leopoldina foi educada com os mais rígidos padrões de etiqueta, conduta, pensamento moral e religioso, dos quais jamais se afastou. Foi educada para ser como foi, uma imperatriz consorte, que deveria obedecer ao marido em tudo e por tudo, aceitando, inclusive, sua infidelidade, grosseria e caprichos", aponta a pesquisadora, destacando a submissão da austríaca a D. Pedro. Pintura de Domenico Failutti. Leopoldina com os Filhos, D Pedro 2º no seu colo. Acervo do Museu Paulista da USP Image caption Apesar de dar nome a ruas, bairros e até escola de samba no Rio de Janeiro, Dona Leopoldina viveu apenas nove anos no Brasil por causa de sua morte prematura, aos 29 anos | Foto: domínio público "É sabido que parte desse comportamento decorria de sua paixão pelo marido, mas, por outro, era um traço da educação das arquiduquesas, principalmente depois do fim trágico de Maria Antonieta em decorrência de suas extravagâncias", complementa Vasconcelos. A amante mais famosa de D. Pedro foi a Marquesa de Santos, que teve uma filha com o Imperador e entregou a criança para crescer no palácio, junto com Leopoldina, e para ter influência no paço imperial. Pouco antes de morrer, Leopoldina era proibida de circular por determinados lugares dentro do próprio palácio para não encontrar a Marquesa. Mesmo não se opondo ao marido, a Imperatriz fazia desabafos em cartas enviadas ao pai, tia e irmã, contando as humilhações que sofria com D. Pedro 1º. São conhecidas cerca de mil cartas escritas pela austríaca, guardadas no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. Rezzutti conta que em uma das últimas que escreveu à família, Leopoldina chegou a afirmar que essas humilhações a levariam a morte. Por essas cartas, Leopoldina é comumente retratada como uma mulher melancólica e triste. "Até no seu leito de morte foi necessário que afastassem a amante do marido, a Marquesa de Santos, para que Leopoldina pudesse, pelo menos, morrer em paz", completa Vasconcelos. Com relação às pautas sociais, como direitos e emancipação das minorias, a imperatriz foi conhecida por fazer muita caridade aos necessitados, mesmo que isso gerasse dívidas enormes ao Império, e por ser querida pelo povo. "Leopoldina sabia falar sobre qualquer assunto, em qualquer língua mais usual e dominava ciências da natureza tão em voga naquele momento histórico. Também é sabido que era contra a escravidão", afirma Vasconcelos. "Mas o restante, o quanto ela pensava ou acreditava em termos de emancipação da mulher, por exemplo, jamais saberemos". Para Pimenta, um dos pontos positivos de Leopoldina era que, diferentemente do marido, ela acreditava que ser princesa e imperatriz era uma função pública a serviço da nação e não somente um status social. "Mesmo antes de conhecer o Brasil e seu futuro esposo, Leopoldina preocupava-se com o bom exercício de sua função pública como princesa que, por meio de seu casamento com D. Pedro 1º, serviria para aproximar diplomaticamente Áustria e Portugal", explica o historiador. Legado Durante a vida, Leopoldina procurou formas de acabar com o trabalho escravo. Em uma tentativa de mudar o tipo de mão de obra no Brasil, a Imperatriz incentivou a imigração europeia para o país. Primeiro vieram os suíços, se fixando no Rio de Janeiro e fundando a cidade de Nova Friburgo. Depois, a fim de povoar o sul brasileiro, a imperatriz incentivou a vinda dos alemães. Dona Leopoldina também contribuiu para a formação da cultura e da educação científica brasileira. Além da Missão Científica Austríaca que trouxe consigo em 1817, também trouxe para o Brasil sua biblioteca particular, dando início a uma biblioteca nas salas do Palácio em que viveu com D. Pedro 1º. A imperatriz também caçava pequenos mamíferos e coletava minerais, ajudando e incentivando estudos sobre a História Natural do Brasil. Na Áustria, os estudos, retratos e coletas feitos pela Missão Científica fundou no país de origem da imperatriz o Museu Brasileiro, despertando interesse dos europeus em conhecer as belezas naturais do "Novo Mundo". Outro legado de Leopoldina é a bandeira nacional. Embora a história conhecida seja a de que o amarelo representa o ouro e o verde, as florestas brasileiras, as cores do maior símbolo nacional representam as duas Casas que deram origem ao Brasil independente: o verde representa a Casa de Bragança, de D. Pedro 1º, e o amarelo representa a Casa de Habsburgo, de Leopoldina. Apesar de dar nome a ruas, bairros e até escola de samba no Rio de Janeiro, Dona Leopoldina viveu apenas nove anos no Brasil por causa de sua morte prematura, aos 29 anos, no dia 11 de dezembro de 1826. Estava grávida, tendo abortado o filho no leito de morte. A causa da morte da imperatriz até hoje causa divergências. As versões mais conhecidas dizem que Leopoldina, grávida, teria sofrido violência física por D. Pedro 1º, enquanto que outra versão aponta uma septicemia puerperal. "Em uma carta de Leopoldina para a irmã, escrita na vinda para o Brasil, a princesa diz não esperar fazer nada tão especial e importante pela Áustria quanto fez Maria Luísa ao casar-se com Napoleão. Mas defendo que Leopoldina fez muito mais que a irmã, pois ela ajudou a criar um Brasil independente", defende Rezzutti.

Fonte: BBC
Pinturas e fotos vejam em www.candelariaeasuarealidade.blogspot.com

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

STF pode julgar hoje 'calote' de R$ 5 bilhões dos planos de saúde no SUS André Shalders - @shaldim Da BBC Brasil em São Paulo Há 3 horas Compartilhe este post com Facebook Compartilhe este post com Twitter Compartilhe este post com Messenger Compartilhe este post com Email Compartilhar Dinheiro e pílulasDireito de imagemGETTY IMAGES Image caption O setor de saúde privada argumenta que todos têm direito ao SUS - independente de ter plano ou não No Brasil, ninguém ganha isenção de impostos ao contratar um plano de saúde. Mesmo assim, os planos (e, indiretamente, os usuários) precisam pagar quando enviam algum paciente para o Sistema Único de Saúde. Por outro lado, é justo que a saúde pública custeie um serviço pelo qual as operadoras já estão cobrando? É essa questão que deve ser decidida pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte pode perdoar hoje um "calote" de R$ 5,6 bilhões das operadoras de planos de saúde no SUS. O STF dirá se é constitucional ou não que o sistema público cobre dos planos toda vez que atende um paciente encaminhado pela rede privada. O Supremo julgará um recurso de uma seguradora de saúde contra a Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS. Trata-se de um caso com "repercussão geral", isto é, que criará regra para todos os outros casos do tipo. O relator é o ministro Gilmar Mendes. O plano ambicioso da Nasa para salvar mundo de supervulcão nos EUA, ameaça maior que 'qualquer asteroide' Caso de romena encontrada com filha após 10 anos presa em porão choca Itália Quando uma pessoa que possui plano de saúde é enviada para fazer qualquer procedimento na rede pública (como uma consulta ou uma cirurgia), o plano é obrigado a pagar ao governo pelo procedimento. Os valores de cada serviço são tabelados e são definidos pelo próprio SUS. Essa tabela é atualizada periodicamente. Uma tomografia dos seios da face (usada para diagnosticar uma sinusite, por exemplo) sai por R$ 86. Já uma cirurgia cardíaca para correção de problemas na válvula mitral (que separa os dois lados do coração) está tabelada em R$ 7,7 mil. Sessão do Supremo Tribunal Federal Image caption Ministros do STF têm várias ações sobre a área de saúde para julgar hoje | Foto: José Cruz/Ag. Brasil O SUS é hoje responsável pela maioria dos transplantes de órgãos, por exemplo. Também faz quase todos os tratamentos de doenças infecciosas, como a hanseníase, entre muitos outros. A maioria dos estabelecimentos que oferecem esses tratamentos são públicos ou conveniados ao SUS. E é por isso que muitas pessoas que têm planos de saúde são encaminhados para o atendimento público, diz a professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Helena Eri Shimizu. O sistema funciona assim: a ANS compara a base de dados dos brasileiros que possuem planos de saúde com o registro de quem foi atendido pelo SUS. Quando encontra uma correspondência, envia a cobrança à operadora. "A forma como isso é feito hoje é pouco eficaz, e abre margem para que as operadoras contestem na Justiça os procedimentos, além de deixar alguns atendimentos de fora. Então o valor que poderia ser arrecadado poderia ser ainda maior", diz Shimizu. Uma decisão com efeito cascata O julgamento é o terceiro item da lista de temas a serem julgados hoje - antes, estão previstas mais duas ações sobre outros temas da saúde pública. Não é incomum, porém, que os ministros do STF mudem a ordem dos julgamentos. De acordo com os últimos dados da ANS, os planos contestam na Justiça o pagamento de R$ 4,99 bilhões em procedimentos realizados entre 2000 e 2017. Esse dinheiro - que não chegou a ser cobrado - depende de decisões judiciais nas instâncias inferiores da Justiça. Se o Supremo decidir que a cobrança é inconstitucional, a Justiça dará ganho de causa às operadoras, que não precisarão pagar. "Entre 2000 e 2017 foram identificados 4,51 milhões de atendimentos no SUS de usuários de planos de saúde passíveis de ressarcimento, totalizando R$ 7,5 bilhões. Desse total, apenas R$ 1,9 bilhão foram repassados ao Fundo Nacional de Saúde (responsável pelo SUS)", disse o Ministério da Saúde em nota enviada à BBC Brasil. "O Ministério da Saúde informa que a extinção da obrigatoriedade do ressarcimento ao SUS pelos planos de saúde pode causar grandes perdas ao sistema. Levantamento feito pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estima que a decisão pode acarretar uma perda imediata de R$ 5,6 bilhões)", diz o ministério. O ministro Gilmar Mendes Image caption Gilmar Mendes, relator do caso, já se disse favorável à redução das ações judiciais na área da Saúde | Foto: TSE/Reprodução Planos de saúde em risco? O setor de planos de saúde, por outro lado, teme que algumas operadoras (especialmente as menores) possam ficar em risco caso o STF decida que a cobrança é constitucional. As operadoras menores, principalmente as do interior, são as maiores devedoras do SUS. Em última análise, é provável que o custo de uma decisão dos ministros acabe transferido para o consumidor. Para se ter uma ideia da importância que o setor dá à questão, há até o momento 20 advogados representantes da saúde privada acompanhado este processo no Supremo. A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) enviou nota à reportagem da BBC Brasil. Para a entidade, "todos os cidadãos brasileiros que têm plano de saúde mantêm o direito de utilizar o sistema público de saúde". Por isso, não faz sentido cobrar por algo que o paciente já paga na forma de imposto, diz a entidade. "O fato de uma pessoa ou empresa decidir contratar um plano de saúde não as exime do pagamento de seus impostos e contribuições", reforça o texto da entidade. Além disso, a associação diz que o ressarcimento não se dá simplesmente pelo valor do procedimento na tabela do SUS: o valor é acrescido em 50% na hora de calcular o total devido. Se uma operação custa R$ 10 mil na tabela, por exemplo, o plano terá de ressarcir o SUS em R$ 15 mil. "As operadoras questionam do que se trata esse custo de 50% a maior. Isso seria uma taxa ou um imposto?", pergunta a entidade. Tópicos relacionados BrasilSaúdeEconomia

STF pode julgar hoje 'calote' de R$ 5 bilhões dos planos de saúde no SUS André Shalders - @shaldim Da BBC Brasil em São Paulo Há 3 horas Compartilhe este post com Facebook Compartilhe este post com Twitter Compartilhe este post com Messenger Compartilhe este post com Email Compartilhar Dinheiro e pílulasDireito de imagemGETTY IMAGES Image caption O setor de saúde privada argumenta que todos têm direito ao SUS - independente de ter plano ou não No Brasil, ninguém ganha isenção de impostos ao contratar um plano de saúde. Mesmo assim, os planos (e, indiretamente, os usuários) precisam pagar quando enviam algum paciente para o Sistema Único de Saúde. Por outro lado, é justo que a saúde pública custeie um serviço pelo qual as operadoras já estão cobrando? É essa questão que deve ser decidida pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte pode perdoar hoje um "calote" de R$ 5,6 bilhões das operadoras de planos de saúde no SUS. O STF dirá se é constitucional ou não que o sistema público cobre dos planos toda vez que atende um paciente encaminhado pela rede privada. O Supremo julgará um recurso de uma seguradora de saúde contra a Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS. Trata-se de um caso com "repercussão geral", isto é, que criará regra para todos os outros casos do tipo. O relator é o ministro Gilmar Mendes. O plano ambicioso da Nasa para salvar mundo de supervulcão nos EUA, ameaça maior que 'qualquer asteroide' Caso de romena encontrada com filha após 10 anos presa em porão choca Itália Quando uma pessoa que possui plano de saúde é enviada para fazer qualquer procedimento na rede pública (como uma consulta ou uma cirurgia), o plano é obrigado a pagar ao governo pelo procedimento. Os valores de cada serviço são tabelados e são definidos pelo próprio SUS. Essa tabela é atualizada periodicamente. Uma tomografia dos seios da face (usada para diagnosticar uma sinusite, por exemplo) sai por R$ 86. Já uma cirurgia cardíaca para correção de problemas na válvula mitral (que separa os dois lados do coração) está tabelada em R$ 7,7 mil. Sessão do Supremo Tribunal Federal Image caption Ministros do STF têm várias ações sobre a área de saúde para julgar hoje | Foto: José Cruz/Ag. Brasil O SUS é hoje responsável pela maioria dos transplantes de órgãos, por exemplo. Também faz quase todos os tratamentos de doenças infecciosas, como a hanseníase, entre muitos outros. A maioria dos estabelecimentos que oferecem esses tratamentos são públicos ou conveniados ao SUS. E é por isso que muitas pessoas que têm planos de saúde são encaminhados para o atendimento público, diz a professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Helena Eri Shimizu. O sistema funciona assim: a ANS compara a base de dados dos brasileiros que possuem planos de saúde com o registro de quem foi atendido pelo SUS. Quando encontra uma correspondência, envia a cobrança à operadora. "A forma como isso é feito hoje é pouco eficaz, e abre margem para que as operadoras contestem na Justiça os procedimentos, além de deixar alguns atendimentos de fora. Então o valor que poderia ser arrecadado poderia ser ainda maior", diz Shimizu. Uma decisão com efeito cascata O julgamento é o terceiro item da lista de temas a serem julgados hoje - antes, estão previstas mais duas ações sobre outros temas da saúde pública. Não é incomum, porém, que os ministros do STF mudem a ordem dos julgamentos. De acordo com os últimos dados da ANS, os planos contestam na Justiça o pagamento de R$ 4,99 bilhões em procedimentos realizados entre 2000 e 2017. Esse dinheiro - que não chegou a ser cobrado - depende de decisões judiciais nas instâncias inferiores da Justiça. Se o Supremo decidir que a cobrança é inconstitucional, a Justiça dará ganho de causa às operadoras, que não precisarão pagar. "Entre 2000 e 2017 foram identificados 4,51 milhões de atendimentos no SUS de usuários de planos de saúde passíveis de ressarcimento, totalizando R$ 7,5 bilhões. Desse total, apenas R$ 1,9 bilhão foram repassados ao Fundo Nacional de Saúde (responsável pelo SUS)", disse o Ministério da Saúde em nota enviada à BBC Brasil. "O Ministério da Saúde informa que a extinção da obrigatoriedade do ressarcimento ao SUS pelos planos de saúde pode causar grandes perdas ao sistema. Levantamento feito pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estima que a decisão pode acarretar uma perda imediata de R$ 5,6 bilhões)", diz o ministério. O ministro Gilmar Mendes Image caption Gilmar Mendes, relator do caso, já se disse favorável à redução das ações judiciais na área da Saúde | Foto: TSE/Reprodução Planos de saúde em risco? O setor de planos de saúde, por outro lado, teme que algumas operadoras (especialmente as menores) possam ficar em risco caso o STF decida que a cobrança é constitucional. As operadoras menores, principalmente as do interior, são as maiores devedoras do SUS. Em última análise, é provável que o custo de uma decisão dos ministros acabe transferido para o consumidor. Para se ter uma ideia da importância que o setor dá à questão, há até o momento 20 advogados representantes da saúde privada acompanhado este processo no Supremo. A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) enviou nota à reportagem da BBC Brasil. Para a entidade, "todos os cidadãos brasileiros que têm plano de saúde mantêm o direito de utilizar o sistema público de saúde". Por isso, não faz sentido cobrar por algo que o paciente já paga na forma de imposto, diz a entidade. "O fato de uma pessoa ou empresa decidir contratar um plano de saúde não as exime do pagamento de seus impostos e contribuições", reforça o texto da entidade. Além disso, a associação diz que o ressarcimento não se dá simplesmente pelo valor do procedimento na tabela do SUS: o valor é acrescido em 50% na hora de calcular o total devido. Se uma operação custa R$ 10 mil na tabela, por exemplo, o plano terá de ressarcir o SUS em R$ 15 mil. "As operadoras questionam do que se trata esse custo de 50% a maior. Isso seria uma taxa ou um imposto?", pergunta a entidade. Tópicos relacionados BrasilSaúdeEconomia

terça-feira, 7 de novembro de 2017

QUARTA EDIÇÃO DO SARAU QUINTA DAS ARTES ACONTECERÁ NO DIA 09 DE NOVEMBRO NO IFRN CIDADE ALTA
 
Será realizado no próximo dia 09 de novembro, quinta-feira, das 19:00 às 22:00h, no Auditório do IFRN Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743, Centro, em Natal-RN), o SARAU QUINTA DAS ARTES.
 
O Projeto SARAU QUINTA DAS ARTES é uma realização da ASSEFIT-RN, Associação dos Ex-alunos das Escolas Federais, Industriais e Técnicas do RN, e tem o objetivo de valorizar a cultura brasileira, em especial, a potiguar; promovendo a apresentação de artistas associados e não-associados em um evento multicultural.
 
O Evento terá uma intensa programação envolvendo várias linguagens artísticas, como Cinema, Poesia, Artes Plásticas e Música. Nessa edição de Novembro teremos um Bate-papo poético com Alfredo Neves, Ozany Gomes e Ivam Pinheiro. A exibição do curta-metragem “Sêo Inácio”, de Hélio Ronyvon e um grande encontro musical com o grupo Selenita Aparte e Zé Martins e a banda Fibra de Coco.
 
A programação ainda contará com a Exposição de Artes Plásticas “Cores de Orvalho” do poeta e artista plástico Alfredo Neves.



 

 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Festa de Nossa Senhora da Apresentação começa dia 11

ARQUIDIOCESE DE NATAL

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO 

FONE: (84) 3615-2800



A programação da festa da padroeira da Arquidiocese e da cidade de Natal, Nossa Senhora da Apresentação, terá início no próximo sábado, 11. Às 18 horas, haverá procissão, saindo da antiga Catedral para a Catedral Metropolitana, onde será celebrada missa solene, presidida pelo arcebispo, Dom Jaime Vieira Rocha.
No período de 12 a 20, a programação será intensa nas duas Igrejas. Na Igreja de Nossa Senhora da Apresentação (antiga Catedral), às 5 horas, acontecerá o ‘Caminhando com Maria’, saindo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, culminando na antiga Catedral, com a celebração de missa. Às 16h30, haverá recitação do Ofício de Nossa Senhora e missa. Já, na Catedral Metropolitana haverá celebração de missa às 8h, às 11h e às 16 horas. Nos sábados, a celebração será às 11h e às 16h30, e, aos domingos, às 7h, às 11h e às 19 horas. Diariamente, às 19h, acontecerá a novena, seguida da parte sócio-cultural, com quermesse e apresentações de cantores e bandas potiguares, no pátio da Catedral.
Os festejos serão encerrados no dia 21 de novembro, feriado no município de Natal. Todo o novenário da festa será transmitido pela internet, através dos meios de comunicação da Arquidiocese de Natal.
A programação completa da festa está disponível no site www.arquidiocesedenatal.org.br

SERVIÇO

Festa de Nossa Senhora da Apresentação


Data: 11 a 21 de novembro de 2017
Local: Igreja de Nossa Senhora da Apresentação (antiga Catedral) e Catedral Metropolitana
Cidade Alta - Centro


Área de anexos

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Saiba de onde os trambiqueiros e os canalhas estão ligando para você e oferecendo empréstimos e prêmios. São os golpes por telefones.

Mapa do Brasil com códigos DDD
PrefixoEstadoCidade/Região
11São PauloSão Paulo/Região Metropolitana
12São PauloSão José dos Campos e Vale do Paraíba
13São PauloSantos/Baixada Santista/Vale do Ribeira
14São PauloBauru/Marília/Jaú/Botucatu
15São PauloSorocaba e Itapetininga
16São PauloRibeirão Preto/Araraquara/São Carlos
17São PauloSão José do Rio Preto/Barretos
18São PauloPresidente Prudente/Araçatuba/Assis
19São PauloCampinas e Região Metropolitana/Piracicaba
21Rio de JaneiroRio de Janeiro, Região Metropolitana e Teresópolis
22Rio de JaneiroCampos dos Goytacazes/Nova Friburgo/Macaé/Cabo Frio
24Rio de JaneiroPetrópolis/Volta Redonda/Angra dos Reis
27Espírito SantoVitória e Região Metropolitana
28Espírito SantoCachoeiro de Itapemirim
31Minas GeraisBelo Horizonte, Região Metropolitana e Vale do Aço
32Minas GeraisJuiz de Fora/São João Del Rei
33Minas GeraisGovernador Valadares/Teófilo Otoni/Caratinga/Manhuaçu
34Minas GeraisUberlândia e Triângulo Mineiro
35Minas GeraisPoços de Caldas/Pouso Alegre/Varginha
37Minas GeraisDivinópolis/Itaúna
38Minas GeraisMontes Claros
41ParanáCuritiba e Região Metropolitana
42ParanáPonta Grossa/Guarapuava
43ParanáLondrina/Apucarana
44ParanáMaringá/Campo Mourão/Umuarama
45ParanáCascavel/Foz do Iguaçu
46ParanáFrancisco Beltrão/Pato Branco
47Santa CatarinaJoinville/Blumenau/Itajaí/Balneário Camboriú
48Santa CatarinaFlorianópolis e Região Metropolitana/Criciúma/Tubarão
49Santa CatarinaChapecó/Lages/Caçador
51Rio Grande do SulPorto Alegre e Região Metropolitana/Santa Cruz do Sul/Litoral Norte
53Rio Grande do SulPelotas/Rio Grande
54Rio Grande do SulCaxias do Sul/Passo Fundo
55Rio Grande do SulSanta Maria/Uruguaiana/Santana do Livramento/Santo Ângelo
61Distrito Federal e GoiásAbrangência em todo o Distrito Federal e municípios da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno
62GoiásGoiânia e Região Metropolitana/Anápolis
63TocantinsAbrangência em todo o estado
64GoiásRio Verde/Itumbiara
65Mato GrossoCuiabá e Região Metropolitana
66Mato GrossoRondonópolis/Sinop
67Mato Grosso do SulAbrangência em todo o estado
68AcreAbrangência em todo o estado
69RondôniaAbrangência em todo o estado
71BahiaSalvador e Região Metropolitana
73BahiaItabuna/Ilhéus
74BahiaJuazeiro
75BahiaFeira de Santana/Alagoinhas
77BahiaVitória da Conquista/Barreiras
79SergipeAbrangência em todo o estado
81PernambucoRecife e Região Metropolitana/Caruaru
82AlagoasAbrangência em todo o estado
83ParaíbaAbrangência em todo o estado
84Rio Grande do NorteAbrangência em todo o estado
85CearáFortaleza e Região Metropolitana
86PiauíTeresina e Região Metropolitana/Parnaíba
87PernambucoPetrolina/Garanhuns/Serra Talhada/Salgueiro
88CearáJuazeiro do Norte/Sobral
89PiauíPicos/Floriano
91ParáBelém/Região Metropolitana
92AmazonasManaus/Região Metropolitana/Parintins
93ParáSantarém/Altamira
94ParáMarabá
95RoraimaAbrangência em todo o estado
96AmapáAbrangência em todo o estado
97AmazonasAbrangência no interior do estado
98MaranhãoSão Luís e Região Metropolitana
99MaranhãoImperatriz/Caxias


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    quarta-feira, 25 de outubro de 2017

    Exposição na Assembleia sobre Reforma Protestante atrai alunos do ensino médio 

    Crédito da Foto: Eduardo Maia
     
    A Rosa de Lutero feita em cerâmica atraiu os olhares dos estudantes do colégio Hipócrates, que visitaram a Expo Reforma na Assembleia Legislativa. O selo é uma das peças que estão expostas na mostra, que conta a história de 500 anos da Reforma Protestante. A exibição tem atraído estudantes do ensino médio de Natal, que podem conhecer mais sobre o período, através de fotos, vídeos e réplicas dos símbolos que marcaram a época.

    “Me chamou a atenção os painéis com a foto de Martinho Lutero”, disse Ana Laura Santana, de 15 anos. O alemão é uma das figuras centrais da Reforma. Há 500 anos, ele Levantou-se contra diversos dogmas do catolicismo romano, contestando sobretudo a doutrina de que o perdão de Deus poderia ser adquirido pelo comércio das indulgências. Essa discordância inicial resultou na publicação de suas famosas 95 Teses em 1517. O texto completo é distribuído entre os visitantes.

    Gabriel Ferreira, de 13 anos, era um dos mais empolgados. “A exposição ajuda a compreender esse importante momento da história”, disse ele, que visitou a mostra juntamente com os alunos do sétimo e oitavo anos da escola. Acompanhados pelo professor de história Wendel de Oliveira, os estudantes percorreram a exposição, nesta terça-feira (24).

    “A visita ao legislativo é uma oportunidade para aproximar os alunos das atividades parlamentares e poder conhecer também sobre a Reforma Protestante foi um extra em nossa visita”, disse o professor.

    A Expo Reforma é uma iniciativa do mandato do deputado estadual Jacó Jácome (PSD), que também propôs sessão solene alusiva a data. O evento acontece dia 30 de outubro, no plenário da Casa Legislativa. “O nosso objetivo é que a sociedade potiguar possa compreender as consequências políticas, econômicas, culturais e educativas do movimento”, explica o parlamentar. A exposição fica aberta até o dia 31 de outubro, no Salão Nobre da Assembleia, das 8h às 15h, e tem entrada gratuita.