Direito de imagemEPAImage captionMacron é primeiro presidente centrista da França em 40 anos, mas sua popularidade tem caído nos últimos meses
Jovem, sem partido e eleito ao cargo máximo sem nunca ter disputado antes qualquer tipo de eleição: o presidente francês, Emmanuel Macron, se tornou um modelo de líder político que inspira candidatos em vários países, inclusive no Brasil.
Repetir a façanha de Macron está longe, no entanto, de ser algo simples. Ele não representou apenas um candidato novo e fora do sistema político. Há vários fatores combinados que explicam sua ascensão.
No Brasil, a possibilidade de surgir um candidato nos moldes do francês nas eleições presidenciais de outubro é praticamente inexistente, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
Macron chegou a ser chamado de "óvni" na campanha presidencial francesa. Ele parecia ter caído de paraquedas no cenário político que se repetia há décadas, com velhos partidos se alternando no poder.
No entanto, sua trajetória foi construída progressivamente, com um movimento lançado um ano antes das eleições presidenciais de 2017.
O "En Marche" (Em Marcha), que permitia a adesão gratuita pela internet, percorreu o país ouvindo a população e consolidou uma nova forma de fazer campanha política na França.
Três meses após o seu lançamento, o movimento já havia atraído milhares de pessoas em um evento em Paris.
"Macron já estava pronto desde muito cedo para a disputa com um movimento estruturado e fez uma campanha original", disse à BBC Brasil Guillaume Liegey, especialista em estratégia eleitoral no mundo digital e presidente da LMP, empresa de tecnologia que coordenou a campanha de Macron.
"Uma das condições fundamentais para fazer o que Macron conseguiu é a de criar um movimento, e não desenvolver seu projeto dentro de um partido já existente", afirma Bruno Cautrès, professor da universidade Sciences Po de Paris.
No Brasil, por outro lado, a filiação partidária de um candidato é obrigatória, o que já diminuiria as chances de alguém como Macron chegar ao Planalto.
"É muito difícil, em razão do sistema brasileiro, que um candidato novo, de um partido desconhecido, ganhe as eleições e, além disso, tenha apoio no Congresso", afirma Carlos Gustavo Poggio Teixeira, chefe do departamento de Relações Internacionais da PUC-SP.
"Não vejo atualmente no Brasil um caldo social, econômico e político que permita a ascensão de uma figura como o Macron. É muito difícil reproduzir esse fenômeno"
Os sistemas políticos do Brasil e da França têm muitas diferenças, mas o Brasil também vive atualmente, como a França, um clima de forte desconfiança e até de rejeição da opinião pública em relação à classe política.
Durante a campanha, Macron adotou o discurso de fazer política diferente dos velhos partidos e, sobretudo, fez a aposta estratégica de ocupar um espaço que existia no centro do espectro político, afirmando não ser "nem de direita nem de esquerda" em um cenário de forte polarização política.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionMovimento que levou Macron ao poder permitia adesão rápida pela internet e atraiu jovens franceses
O último presidente centrista do país, Valéry Giscard d'Estaing, havia sido eleito há mais de 40 anos. O centro na França, durante décadas, foi um dos componentes de governos da direita conservadora.
"Quando há um espaço no centro há mais chances de surgir um outsider (alguém de fora da política). Mas ganhar a eleição é outra coisa", destaca Liegey.
Embora tenha feito parte de um governo de esquerda - como ministro da Economia do presidente socialista François Hollande - Macron cultivou a imagem de alguém "livre intelectualmente" e que poderia agradar à centro-direita, observa Cautrès, da Sciences Po.
"O espaço no centro não pode ser preenchido por mágica. Tenta-se fabricar um Macron no Brasil, mas isso não se fabrica", diz Jean-Jacques Kourliandsky, pesquisador do Instituto de Pesquisas Internacionais e Estratégicas (IRIS) da França.
Segundo ele, o único que consegue atualmente ocupar um vazio no campo político brasileiro e criou uma dinâmica eleitoral é o pré-candidato Jair Bolsonaro, do PSL, que "nem de longe" seria uma figura como Macron.
O perfil do presidente francês, diz o pesquisador Cautrès, é outro elemento importante para explicar seu percurso. "Macron surge como uma personalidade nova e que representa uma aspiração de que a política seja conduzida por pessoas competentes e não por políticos profissionais."
Avalanche de reformas
Desde que assumiu o cargo, o presidente lançou uma avalanche de reformas nas mais variadas áreas, que vão do trabalho à educação e imigração, passando por hospitais, funcionalismo público e agricultura.
Aos críticos, ele responde que está cumprindo suas promessas de campanha. Na imprensa, diz-se que ele envia mensagens a colaboradores e ministros na madrugada e costuma dormir poucas horas.
No entanto, as pesquisas de opinião têm demonstrado queda no apoio a Macron. Após uma melhoria nos últimos meses, sua popularidade voltou a cair e atingiu o pior índice desde o início do mandato, há dez meses - menos da metade dos franceses aprova sua gestão.
Ele passou a ser chamado de "presidente dos ricos" e criticado por implementar apenas medidas conservadoras, em detrimento de políticas sociais.
Para boa parte da população, as prometidas reformas rápidas ainda não surtiram efeitos no dia a dia, sobretudo em relação à melhoria de poder de compra.
Mesmo assim, analistas consideram que Macron tem o caminho livre para governar. Ele se beneficia de uma conjunção excepcional de fatores para levar adiante suas reformas: oposição e sindicatos enfraquecidos e um cenário econômico favorável, com a retomada do crescimento.
Para levar adiante suas reformas, o presidente dispõe de uma confortável maioria parlamentar. Seu partido, batizado de A República em Marcha, elegeu mais de 300 deputados saindo de zero.
Essa, também, é uma grande diferença do cenário francês em relação ao Brasil. "A maioria parlamentar contribui para dar peso à figura presidencial", afirma Gaspard Estrada, do Observatório Político da América Latina e Caribe (Opalc) da Sciences Po.
"No Brasil, como não houve uma real reforma política, o novo presidente vai ter de manter uma coalizão e vai precisar compor com a velha política", diz.
Apesar da maioria parlamentar, Macron optou por utilizar medidas provisórias em alguns casos, como na reforma trabalhista e na reforma da empresa ferroviária estatal ferroviária, algo incomum na França. Segundo ele, o objetivo é acelerar o processo e evitar muitas discussões.
Direito de imagemREUTERSImage captionAssim como França, Brasil vive clima de desconfiança de instituições e vácuo de poder político
Pouco tempo
O presidente francês também conseguiu se impor rapidamente no cenário internacional. Sua ação no exterior é aprovada pela maioria dos franceses, segundo pesquisas.
Para Teixeira, da PUC-SP, ainda é possível que surja na corrida presidencial no Brasil um candidato sobre o qual ninguém está falando e que desponte. "Mas não dá para fazer um paralelo com o Macron. Acho muito difícil", afirma.
Segundo o estrategista eleitoral Guillaume Liegey, que atuou na campanha de Macron e esteve no Brasil para prospectar clientes, um eventual candidato com esse perfil teria de obter apoio de movimentos como o Agora! e o RenovaBr.
Mas ele teria de aparecer na cena política até o início de abril no máximo, "se não será tarde", afirma Liegey, acrescentando que "Macron não pode ser clonado".
Em 7 de abril termina o prazo para o registro de filiação partidária no Brasil.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
As bebidas gasosas engordam? Testamos o efeito delas sobre o corpo e temos a resposta
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionUm teste revelou que as bebidas gasosas adoçadas fazem o corpo liberar em maior quantidade o hormônio da fome
Todos sabemos que as bebidas gasosas açucaradas são supercalóricas - com o equivalente a sete colheres de chá de açúcar em uma lata.
Mas é apenas o açúcar da bebida que aumenta nossa cintura ou também podem ser as borbulhas?
Em um estudo feito no ano passado na Universidade Birzeit, nos territórios palestinos, os pesquisadores avaliaram um grupo de ratos machos dando a eles bebidas adoçadas gasosas (além de refrigerantes, águas saborizadas etc.) e sem gás ou água natural.
Eles descobriram que os ratos que tomaram regularmente as bebidas adoçadas gasosas ganharam mais peso e de maneira mais rápida do que aqueles que ficaram com as bebidas sem gás ou água.
E o exame de sangue comprovou: os ratos que tomaram as bebidas gasosas tinham um nível maior do hormônio da fome, a grelina, o que poderia explicar o ganho de peso.
Teste do sanduíche de queijo
Foi uma pesquisa tão interessante que a BBC pensou em fazer um teste similar, mas com humanos, no programa Trust Me I'm a Doctor ("Confie em mim, eu sou médico", em tradução livre para o português). Com a ajuda do médico James Brown, da Universidade Astom, em Birmingham, recrutamos um grupo de voluntários saudáveis, mas não contamos a eles sobre o que era nosso experimento, para não influenciar de alguma forma o resultado.
Então em vez de contar a eles que o teste era sobre as borbulhas, dissemos que era para medir o impacto de bebidas com acúçar no sangue - o que em parte era verdade.
No começo do teste, os voluntários chegaram ao laboratório após 10 horas de jejum. Eles então receberam sanduíches de queijo idênticos para comer, para que todos tivessem um nível similar de grelina no sangue quando o teste começasse.
Uma hora após comerem o sanduíche, cada voluntário recebeu um dos tipos diferentes de refrigerante. Também receberam um copo de bebida adoçada gasosa e sem gás, um copo de água com gás e um de água.
Dez minutos após ingerirem as bebidas, o Brown fez um exame de sangue para medir o nível de grelina nos voluntários.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionO experimento da BBC mostrou que quem optou pela bebida gasosa consumiu mais calorias do que quem preferiu as sem gás
Depois, os voluntários foram liberados para ir embora - o único pedido foi que escrevessem numa cadernenta tudo que comessem, para o médico saber a quantidade de calorias ingeridas após as bebidas.
Eles tiveram que voltar ao laboratório mais três vezes nas semanas seguintes para comer o mesmo sanduíche de queijo e novamente tirar sangue. A cada vez, entretanto, tomaram uma bebida diferente.
Isso é conhecido como ensaio clínico cruzado - a ideia de testar diferentes coisas nas mesma pessoa em vez de apenas em um grupo. Isso significa que você pode produzir resultados estatísticos significativos com poucos voluntários.
A grelina é a chave
Quando Brown analisou os números, reunimos os voluntários para contar a eles o propósito do estudo, que era para não apenas medir o impacto do açúcar no nosso corpo, mas também o das borbulhas das bebidas gasosas na nossa fome.
O médico descobriu que os níveis de grelina aumentaram quase 50% em quem tomou uma bebida adoçada gasosa. Após uma hora de sua ingestão, essas bebidas fizeram as pessoas terem muito mais fome do que quem tomou a versão sem gás.
Esse aumento da grelina não foi visto apenas em quem tomou as bebidas adoçadas gasosas; também houve um pequeno efeito quando a equipe de Brown comparou o impacto da água normal com a gaseificada.
Também quisemos saber qual foi o efeito na quantidade de comida ingerida de quem tomou as bebidas gaseificadas. E o resultado foi revelador.
"Quem tomou bebida gaseificada comeu uma média de 120 calorias a mais do que quem optou pela sem gás, e isso é realmente uma descoberta significante", diz o médico James.
Mas por que as borbulhas deveriam ter esse efeito nos nossos sinais de fomes?
Não sabemos com certeza, mas o médico acredita que há duas possíveis razões.
"Uma é que depois de tomar uma bebida carbonatada, o dióxido de carbono é liberado em seu estômago. Existem receptores químicos no estômago que detectam o dióxido de carbono e fazem com que as células no topo do órgão liberem grelina e isso te faz sentir fome", diz o médico. "Outra possibilidade é uma coisa mecânica. O estômago incha e se expande com esse gás e novamente estimula as células a liberarem grelina."
Então é OK tomar bebidas adoçadas sem gás?
Na verdade, não. "A mensagem que levamos para casa, infelizmente, é que a opção mais saudável é a água natural, sem gás", afirma o especialista.
Em termos de pesquisa científica ainda é cedo para avaliar o experimento, mas ele fornece outra boa razão pela qual as pessoas deveriam evitar bebidas gasosas adoçadas.
domingo, 17 de dezembro de 2017
Eleições 2018: Os pré-candidatos à Presidência e quais dificuldades têm de superar até a campanha
A cerca de oito meses das eleições, o Brasil tem pelo menos 14 pré-candidatos à Presidência. As projeções indicam uma disputa com muitos candidatos e, até o momento, tão aberta que dificulta até mesmo definir os nomes que estarão nas urnas.
No entanto, todos os que aparecem nas pesquisas de intenção de votos ou que já se lançaram como pré-candidatos têm importantes obstáculos a superar até o início da campanha, marcada para começar em agosto.
Pendências na Justiça, disputas partidárias internas, tempo escasso de propaganda no rádio e na televisão, alta rejeição ou falta de popularidade e impedimento para participar em debates são alguns dos desafios que os postulantes à Presidência e seus respectivos partidos ainda precisam driblar até agosto.
Apesar de a Justiça Eleitoral ainda não ter divulgado o calendário oficial das eleições do próximo ano, marcada para 7 de outubro, partidos trabalham com prazos para atrair políticos, firmar alianças e lançar seus candidatos na tentativa de aumentar suas chances eleitorais.
Mudança na legislação feita em 2015 reduziu de um ano para seis meses o prazo para filiação partidária de quem quer disputar a eleição. Em março, contudo, será aberta uma janela de 30 dias para a troca de partido de políticos que queiram se candidatar sem o risco da perda do mandato em curso.
Muitas bancadas apostam nessa janela para aumentar o número de representantes na Câmara e, assim, elevar o tempo de televisão e participar de debates.
Do total do tempo de propaganda, 90% será distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais de cada legenda e o restante será distribuído igualitariamente. Para participar de debates na televisão, por sua vez, o candidato precisa estar filiado a um partido com mais de cinco deputados federais.
A BBC Brasil listou obstáculos dos principais pré-candidatos e partidos que já anunciaram a intenção de lançar um nome à Presidência da República.
Lula (PT)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera os cenários para a eleição presidencial em 2018, mas pode ter a candidatura barrada caso a segunda instância da Justiça federal mantenha por unanimidade a condenação por corrupção - o julgamento do recurso foi marcado para janeiro.
Se condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4), Lula pode também ser preso - ainda que a prisão após condenação em segunda instância seja um tema cuja discussão tem dividido os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Se concorrer, Lula pode usar a campanha como estratégia de defesa das acusações que pesam contra ele. A defesa de Lula, que tenta reverter a condenação sob o argumento de que o ex-presidente é inocente e que não há provas contra ele, traça estratégias jurídicas para mantê-lo na disputa por meio de diferentes recursos.
Image captionEntre os pré-candidatos, Lula lidera as pesquisas de intenção de votos, mas é também o com maior rejeição | Foto: Lula Marques/Agência PT
Mesmo que seja absolvido no caso do tríplex do Guarujá, o ex-presidente ainda responde a outras quatro ações na Justiça, sob acusação de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.
Além das pendências judiciais, Lula também tem rejeição alta - segundo pesquisa Datafolha realizada entre 29 e 30 de novembro, 39% disseram não votar nele de jeito nenhum. Na frente dele está somente o presidente Michel Temer, que não deve disputar a campanha presidencial, com 71%.
Ainda assim, muitos integrantes da cúpula do PT veem em Lula a única opção para a disputa presidencial. Um plano B seria o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que já declarou ser uma "grande deselegância com Lula" se colocar como opção do partido para 2018.
O PT enfrenta dificuldades para se coligar e deve participar das eleições sem partidos aliados. O PCdoB, um dos mais fiéis aliados dos petistas, por exemplo, anunciou que pretende disputar a eleição com a deputada estadual gaúcha Manuela D'Ávila.
Lula nasceu em Pernambuco, mas construiu sua carreira política em São Paulo, incialmente como sindicalista.
Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo para participar da Assembleia Nacional Constituinte. Foi eleito presidente em 2003, depois de ter disputado as presidenciais outras três vezes. Comandou o Brasil por dois mandatos e elegeu a sucessora, Dilma Rousseff, em 2010.
Jair Bolsonaro (PSC)
Segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos, o deputado federal Jair Bolsonaro ainda precisa trocar de partido para participar da presidencial ou disputar dentro do PSC com Paulo Rabello de Castro, lançado candidato pela legenda em novembro.
Bolsonaro deve concorrer pelo PEN (Partido Ecológico Nacional), que espera a homologação da Justiça Eleitoral para mudar o nome para Patriota.
Image captionAinda filiado ao PSC, Bolsonaro deve trocar de partido em março para disputar a Presidência | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agencia Brasil
"Mudamos o nome do partido, colocamos cinco pessoas dele na Executiva, fizemos tudo o que ele pediu. Antes era um noivado, agora ele está casado com o partido", diz Adilson Oliveira, presidente do PEN.
Segundo ele, Bolsonaro já assinou a ficha de filiação com data de 10 de março de 2018, quando já poderia trocar de partido sem o risco de perder o mandato de deputado.
Oliveira lista os obstáculos que o Patriota e Bolsonaro vão precisar enfrentar. Primeiro, a legenda precisa aumentar a bancada, que hoje tem três deputados. O presidente do PEN diz que, em março, a filiação de Bolsonaro e do filho Eduardo já garantiriam ao deputado o direito de participar de debates, mas que haverá mais nomes migrando para o Patriota.
Recursos de campanha também são vistos como um desafio e Oliveira aposta na divulgação do número de uma conta para arrecadar doações junto a apoiadores pela internet. O pouco tempo de propaganda oficial - 10 segundos se o Patriota não se coligar - seria, segundo o presidente do partido, contornado pelas redes sociais e pela produção espontânea de conteúdo de simpatizantes.
Para Oliveira, Bolsonaro vai precisar mostrar a uma parcela do eleitorado que não é agressivo nem radical e que domina diferentes temas.
Bolsonaro, militar da reserva e professor de educação física, é deputado federal desde 1991 - tem sete mandatos por cinco partidos diferentes.
Geraldo Alckmin e João Dória (PSDB)
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumiu neste mês a presidência do PSDB para tentar apaziguar o partido, que se dividiu entre ficar ou sair da base do governo Temer.
Alckmin, contudo, não é o único nome tucano para a eleição presidencial.
O prefeito de São Paulo, João Dória, ainda tenta se viabilizar dentro do PSDB. Mas muitos tucanos acreditam que ele "queimou a largada" ao fazer um giro pelo Brasil na tentativa de aumentar sua popularidade - ele ainda é considerado desconhecido no país e não conseguiu alavancar seu nome nas pesquisas. O ex-senador e atual prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, por sua vez, pressiona o PSDB para participar de prévias com Alckmin.
Image captionGeraldo Alckmin precisa enfrentar uma disputa interna no PSDB para se viabilizar candidato | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Além das disputas internas, Alckmin assume um PSDB desgastado pelas denúncias de corrupção contra integrantes do partido, em especial as que pesam contra o senador Aécio Neves, que disputou as eleições presidenciais em 2014. Alckmin também foi acusado de receber R$ 10 milhões em quantias não declaradas da Odebrecht, o que nega.
O governador também não sabe se e quando contará com o apoio do DEM, aliado de fiel de eleições anteriores. Coligada, a chapa PSDB-DEM teria, por exemplo, mais tempo de propaganda.
Alckmin já disputou as eleições presidenciais em 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno.
Formado em Medicina, começou a carreira política como vereador e, depois, prefeito de Pindamonhangaba (SP). Em 1994, foi eleito vice-governador de São Paulo e acabou assumindo o governo com o agravamento da saúde de Mário Covas em 2001. Perdeu a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2008, mas voltou como governador em 2010 e foi reeleito em 2014.
Marina Silva (Rede)
Com duas eleições presidenciais no currículo, Marina Silva lançou oficialmente a candidatura em 2 de dezembro. A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, contudo, deve ter somente 12 segundos de propaganda e dificilmente a Rede vai se coligar com outros partidos para aumentar o tempo na televisão e no rádio.
Por isso, o primeiro obstáculo do partido é aumentar a bancada na Câmara antes do registro da candidatura para que Marina participe dos debates - a Rede, atualmente, conta com apenas quatro deputados federais.
Image captionMarina corre o risco de ficar de fora dos debates na TV e deve ter apenas 12 segundos na propaganda eleitoral obrigatória | Foto: Rede Sustentabilidade
Marina enfrenta uma rejeição de 24%, segundo o último Datafolha. Vai precisar também responder a críticas de ser omissa em momentos em que muitos aguardavam um posicionamento ou opiniões firmes sobre temas centrais ou disputas política e de ter declarado voto a Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014.
Avessa a embates e a ataques, a própria candidata avalia que será uma campanha extremamente agressiva.
Marina disputou as duas últimas eleições presidenciais, uma pelo PV e outra pelo PSB. Ela começou a carreira política no PT.
Ciro Gomes (PDT)
A candidatura do ex-ministro e ex-governador do Ceará é considerada "irreversível" pelo presidente do PDT, Carlos Lupi. À BBC Brasil, Lupi disse que o partido marcou para 8 de março um evento para confirmar o nome de Ciro como pré-candidato à Presidência.
A falta de aliados para fortalecer a candidatura numa coligação formal é um obstáculo a ser enfrentado. O PDT negocia alianças com o PSB e o PC do B. "São conversas que ainda estão em construção", diz Lupi.
O estilo franco e impulsivo que há anos rende a Ciro a fama de "destemperado" pode ser um empecilho. "Todo mundo já teve uma palavra maldita ou foi mal interpretado", pondera Lupi.
Ciro enfrenta uma rejeição de cerca de 22% do eleitorado, que segundo o Datafolha diz não votar nele de jeito nenhum, e não decolou. A depender do cenário ele tem de 6% a 10% das intenções de voto.
Image captionO temperamento explosivo de Ciro e a dificuldade de se formar uma coalização de centro-esquerda são desafios a serem enfrentados pelo candidato do PDT
Ciro Gomes já foi prefeito de Fortaleza, deputado estadual, deputado federal, governador do Ceará e ministro dos governos Itamar Franco (Fazenda) e Lula (Integração Nacional).
Ele já passou por sete partidos em 37 anos de vida pública. Ciro já concorreu à Presidência duas vezes, em 1998 e em 2002.
Manuela D'Ávila (PCdoB)
Ao anunciar a ex-deputada federal e atual deputada estadual no Rio Grande do Sul como pré-candidata, o PCdoB praticamente acabou com a possibilidade de o partido ser vice numa eventual chapa encabeçada por Lula.
Ao perderem o aliado, petistas classificaram a decisão do PCdoB como "erro histórico".
Image captionO PCdoB de Manuela D'Ávila deve enfrentar dificuldade em desassociar a própria imagem da do PT, de quem foi fiel aliado | Foto: Marcelo Bertani/Agência ALRS
Manuela, de 36 anos, terá cerca de 20 segundos no tempo de propaganda e poderá participar de debates. Apesar de ter sido deputada federal por dois mandatos e líder do PCdoB da Câmara, Manuela não é um nome conhecido em todo o país. Conforme apontou o Datafolha, ela é conhecida por 24% do eleitorado.
Entre os obstáculos, provavelmente, também estará a dificuldade de desassociar a imagem do partido à do PT - em especial porque o PCdoB foi contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e muitos de seus filiados defendem Lula das acusações que pesam contra ele na Justiça.
Manuela é jornalista de formação e foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita aos 23 anos. Em 2006, foi para a Câmara dos Deputados, onde ficou por dois mandatos. Concorreu à prefeitura da capital gaúcha duas vezes, sem sucesso. É deputada estadual desde 2014.
Álvaro Dias (Podemos)
O ex-tucano ganhou fama no Senado por ser um ferrenho crítico da gestão petista e integrante ativo de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).
Ele trocou de partido para ser candidato à Presidência, mas ainda enfrenta o desafio de se tornar um nome mais conhecido nacionalmente capaz de conseguir mais que os 4% de votos que as pesquisas indicam para ele.
Segundo o Datafolha, o senador é conhecido por 44% dos entrevistados, mas apenas 9% disseram que o conhecem muito bem.
O Podemos é o ex-PTN e as projeções indicam que deve ter 12 segundos no rádio e na televisão.
Image captionSenador Álvaro Dias ainda tenta se tornar mais conhecido entre o eleitorado | Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil
Álvaro Dias cursou História e está no quarto mandato consecutivo de senador. Já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e governador do Paraná. É de uma tradicional família de políticos do Paraná.
João Almoêdo (Novo)
O ex-banqueiro João Amoêdo se afastou da presidência do partido que ele próprio ajudou a criar em 2015 para ser lançado pré-candidato à Presidência. Pelas regras do Novo, candidatos não podem exercer funções partidárias nos últimos 15 meses antes da eleição.
Amoêdo não é um nome que desfruta de popularidade e tem viajado o país para fazer palestras na tentativa de se tornar mais conhecido.
Image captionUm dos criadores do partido Novo, João Amoedo deve ser o nome da primeira disputa presidencial da legenda | Foto: Partido Novo/Reprodução Facebook
Novato em eleições gerais, o partido de Amoêdo conta com o apoio de profissionais liberais, de economistas que ocuparam cargos importantes no governo de FHC, como Gustavo Franco, e tem entre seus quadros o ex-treinador de vôlei Bernardinho. A legenda ainda tenta atrair tucanos descontentes que estão deixando o partido.
A maioria deles, contudo, são neófitos das urnas.
Formado em Engenharia Civil e Administração, Amôedo começou a carreira profissional trabalhando para bancos. Atualmente é sócio do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças.
PSOL
O PSOL conta com cinco pré-candidatos, sendo que um deles ainda não se filiou. Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, é citado pelo deputado federal Chico Alencar (RJ) como um dos possíveis nomes da legenda para disputar a Presidência.
Além deles, o partido conta com os economistas Plínio de Arruda Sampaio Jr e Nildo Ouriques, Hamilton Assis, militante do movimento negro, e Sônia Guajajara, líder indígena.
Para Chico Alencar, é mais fácil o partido se coligar com movimentos da sociedade civil-organizada que com partidos políticos. "Há um descrédito muito grande, as pessoas estão com nojo dos partidos", diz Alencar.
Image captionO PSOL tem cinco pré-candidatos e caminha para formar alianças informais com movimentos da sociedade-civil | Foto: PSOL
Além disso, o partido avalia que o grande desafio será cumprir a cláusula de barreira que exige para 2018 1,5% dos votos em nove Estados para que as legendas continuem recebendo fundo partidário e tendo acesso à inserções no rádio e na televisão.
O PSOL terá cerca de 13 segundos de propaganda eleitoral, mas vai conseguir participar dos debates por ter uma bancada com seis deputados.
Paulo Rabello de Castro (PSC)
Recém-filiado ao PSC, o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, foi lançado candidato em novembro.
Image captionPaulo Rabello de Castro é presidente do BNDES e foi lançado pré-candidato do PSC em novembro | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Nome desconhecido de grande parte do eleitorado, Rabello de Castro contabiliza apenas 1% nas pesquisas de intenção de voto. Além de incrementar a popularidade do candidato, o PSC pode precisar conter uma migração em massa de sua bancada para outras legendas.
Antes de assumir o BNDES, ele havia sido indicado por Michel Temer para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Formado em economia e em direito, é fundador da primeira empresa brasileira de classificação de riscos de crédito do país.
Henrique Meirelles (PSD)
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, busca o apoio do PMDB de Michel Temer para se viabilizar como candidato. Ele ainda corteja partidos do centrão como PP e PR para uma possível candidatura.
Mas a popularidade de Meirelles ainda é um obstáculo a superar. O ministro, apontou o Datafolha, é conhecido por 48% do eleitorado, mas só 9% o conhece muito bem.
Image captionHenrique Meirelles estabeleceu uma meta própria nas pesquisas de intenções de votos para decidir se sai oficialmente candidato | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Com cerca de 2% nas pesquisas de intenção de votos, ele estabeleceu uma meta de 5% a ser alcançada em março para confirmar ou não sua candidatura.
Para se lançar oficialmente, ele teria que se desincompatibilizar do cargo.
A trajetória profissional de Meirelles está ligada à área financeira internacional. Antes de ser presidente do Banco Central, entre 2003 e 2011, no governo Lula, foi o principal executivo do BankBoston. Antes de assumir a Fazenda, Meirelles atuou por quatro anos como presidente do conselho de administração da J&F Investimentos, holding criada pela família Batista e controladora da JBS.
Estão cotados também para participar da disputa os nomes do senador Cristovam Buarque (PPS), que foi candidato presidencial em 2006, e o do filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart (PPL).