segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Presidente da FUNCARTE diz que sai se não aparecer verbas.

Transcrição do caderno
Muito - Diário de Natal/RN.
Repórter: Sérgio Villar.
Edição de sábado, 20 de agosto de 2011

Entrevista >> Roberto Lima

O professor Roberto de Souza Lima durante o lançamento do livro da professora Ana Maria Cortez, em março de 2010, na Aliança Francesa de Natal.



"Se não me derem condições, eu saio"


O professor Roberto Lima pediu férias do cargo de presidente da Funcarte no início de agosto para cuidar da saúde. Enquanto isso, a cultura municipal permanece na UTI. O sangue necessário à completa recuperação da paciente é do tipo Dinheiro Positivo. Isso porque a reestruturação administrativa e jurídica da Funcarte já foi idealizada por Roberto Lima, elaborada e finalizada em formato de Projeto de Lei com cinco princípios básicos capazes de tornar a frágil saúde da cultura municipal em uma garotona com ritmo de atleta. Para isso é preciso muito tratamento e doação do tipo de sangue citado. E a previsão para tal "voluntarismo" já é conhecida. Sem dotação orçamentária própria, a Fundação Cultural Capitania das Artes mantém a dependência histórica à boa vontade da prefeitura em disponibilizar recursos. E a doadora de sangue se mostra sanguessuga da cultura. Um exemplo foi a realização do Forraço. O Diário de Natal publicou matéria com a palavra de Roberto Lima garantindo antecipação do cachê. Fim do evento e até hoje artistas estão de bolsos vazios.
O senhor volta da licença médica quando?
A rigor tirei férias para cuidar da saúde. Para um cargo comissionado conseguir licença médica é muito burocrático. Então, preferi pedir férias. Mas mesmo assim tenho acompanhado os trâmites e mantido contato com a prefeita Micarla e a secretária Rosy de Sousa para resolver pendências do Carnaval e São João. No evento da fotografia, por exemplo, a prefeita prometeu um posicionamento até esta segunda-feira, quando a receita do município é finalizada, sobretudo no tocante aos impostos.
Se a prefeitura prorrogar ou não pagar esse compromisso, o senhor se mantém no cargo?
Se eu perceber que me faltam condições de realizar meu trabalho, não terei mais o que fazer na Funcarte. Não faço milagres. Temos uma equipe muito boa, temos ampliado o acervo com doações de intelectuais, promovido eventos com a Banda Sinfônica, incentivando a cultura junto às escolas, enfim, temos feito a cultura do dia-a-dia, mas implementar um plano de culturasustentável está difícil.
Qual seria o plano?
Já temos pronto um Projeto de Lei que cria um sistema municipal de cultura a partir de cinco princípios: um Conselho Municipal de Política Cultural, que seria uma emenda para dotar o Conselho já existente de estrutura para trabalhar, entre outras providências; criar uma secretaria de cultura; um sistema de financiamento à cultura; o fundo municipal de cultura; e o plano de cultura, que contemplaria um sistema de acompanhamento, avaliação e tombamento do patrimônio material e registro do patrimônio imaterial e vivo. Deífilo Gurgel, por exemplo, é um patrimônio vivo que merece registro.
O que falta para implementar esse plano sustentável de cultura?
Quando eu voltar terei uma conversa com a prefeita para institucionalizar esse plano do ponto de vista jurídico e administrativo. Se não tivermos essas ferramentas, qualquer gestor chega e faz o que quer. Com esse sistema oficializado podemos nos inserir no Sistema Nacional de Cultura e facilitar o diálogo com o MinCe cidades mais estruturadas nesse quesito.
Essas ações serão a sua herança?
Isso: uma gestão sustentável da cultura, inserida no Sistema Nacional e também deixar a Funcarte em dia com os órgãos federais. O resto é a batalha do dia-a-dia, que é grande. Muitas vezes somos mal compreendidos.

A previsão para a 2ª edição do Encontro de Escritores da Língua Portuguesa seria outubro?

Teremos uma reunião oportuna para estudar a viabilidade disso. Precisamos de diversas situações: apoio de outras entidades, captação de recursos, parceria com as instituições portuguesas, etc. Não posso anunciar nada ainda.

E o Natal em Natal?

Também faremos reunião a respeito. Mas aí já temos condições melhores de captação junto ao Banco do Brasil e MinC. Além dos órgãos de Turismo.





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