Ainda
se distorcem sobre episódios da história do RN (2)
Luiz
Gonzaga Cortez, jornalista e pesquisador.
O
que me levou a escrever sobre a insurreição de 1935 em Natal não foi somente a
veiculação de uma monografia de estudante de História de nossa UFRN, José
Borges da Conceição Filho, cujo título é: “O Levante Comunista de 1935 e as
representações sobre Luiz Gonzaga de Souza”. Foi o fato do estudante de
história ter feito a monografia sob a orientação do professor Homero de
Oliveira Costa (deve ter sido aprovada para fins de conclusão do curso), cujo
mérito não discuto, pois a ordenação do texto pode ser considerada dentro das
normas e metodologias da pesquisa.
O
trabalho de José Borges é mais uma tentativa de procurar entender as “diversas
versões sobre os fatos que se desenrolaram entre os dias 23 e 28 de novembro de
1935, que são alvo de contestação de historiadores e pesquisadores. Muitos
desses fatos, por apresentarem apenas fontes orais, estão se perdendo com o
tempo, e provavelmente ficarão sem uma versão definitiva e satisfatória que
possa dar conta de todos os pormenores, muitos deles excludentes, apresentados
pelas fontes que temos disponíveis hoje em dia” (Conclusão: p.38).
A
monografia é sobre o “herói” Luiz Gonzaga, da PM/RN e não faz nenhuma
referência à série de reportagens “O comunismo e as lutas políticas do RN na
década de 30”, publicadas no semanário O POTI/Diário de Natal, entre 26 de maio
e 24 de novembro de 1985, onde o assunto foi abordado com provas documentais. O
estudante não leu as reportagens e os textos publicados no livro “A Revolta
Comunista de 1935 em Natal”, 2ª edição, 2005, edição do autor. O livro, além
das vinte reportagens publicadas em OPOTI, teve acréscimos de outras matérias
jornalísticas sobre outros episódios da “revolução comunista”, como as
entrevistas com André Batista, Jaime de Souza Bastos, Francisco Meneleu, Manoel
Rodrigues de Melo, Maria do Céu Fernandes e outros. Por que asseguro que ele
não leu as reportagens e o livro? Porque ele escreveu que as minhas fontes
sobre Luiz Gonzaga de Souza (será?), vulgo “Doidinho”, o demente que vivia
mendigando nas proximidades do quartel do Batalhão de Segurança, na
“Salgadeira, próximo do mangue do rio
Potengi, eram orais, que o autor prefácio, Eduardo maffei, foi feito por um
ativista do Partido Comunista na era Vargas (hahahaha, Maffei já era um desiludido com o comunismo e admirador de
Luís da Câmara Cascudo, em 1987), “demonstrando uma inclinação ideológica que o
jornalista carrega por toda a duração de seu livro” (esse aluno não leu a
transcrição do relato do padre José Landim...).
Basta
apenas uma prova documental para derrubar todo o alicerce da construção da
lenda do “herói” Luiz Gonzaga, suposto soldado da PM em novembro de 35.
Qual? O relatório feito por Enock
Garcia, autor do inquérito policial dos acontecimentos da chamada “intentona
comunista”, concluído em 18 de abril de 1936. O documento oficial, de fé de
ofício, foi inserido no livro “Meu depoimento”, p.111, em 1937, sem registrar o
nome do tal Luiz Gonzaga no trecho “As Victimas”. Mas em “82 Horas de
Subversão”, Senado Federal, 1980, p.100, o relatório do inquérito foi
republicado com o enxerto de “Soldado Luiz Gonzaga, do Batalhão Policial”. O
autor, João Medeiros Filho, que era o chefe da polícia em 1935, confirmou que
foi o responsável, mas que não teve má fé. O estudante José da Conceição
reconhece a adulteração, mas, diante de tantas versões diferentes sobre
“Doidinho”, inclusive das apresentadas por Célia Maria Lins de Melo, que não
conheço nem por ouvir dizer, “a análise documental e bibliográfica de Homero
Costa (conheço e cedi a ele, durante vários meses, todos os originais das
reportagens publicadas em 1985, em O POTI, na época em que estava cursando no
Acre, mas que não constam da bibliografia e fontes consultadas para elaborar “A
Insurreição Comunista de 1935 – Natal – O Primeiro Ato da Tragédia” – Edfurn –
1995), não lhe possível chegar a uma conclusão definitiva sobre se existiu
mesmo o “herói” Luiz Gonzaga, baleado e morto por Sizenando Filgueira, conforme
entrevista gravada que fiz com ele, em sua casa, em Lagoa Seca, em 1985. Borges
reconhece que o seu trabalho não obteve sucesso para “retirar a cortina” que
cerca o mistério sobre a condição de soldado ou não de Luiz Gonzaga de Souza.
Mas esse não era o objetivo primordial de Borges, “pois há várias fontes
documentais e orais que apresentam fatos contundentes de ambas as versões sem
serem, no entanto, definitivos”. Concordo. Só não concordo registrar que as
minhas fontes eram somente orais ( jornalismo se faz ouvindo as pessoas e não
por telepatia) e que permaneço desconstruindo um herói. Assim como é outra
história ( e José Borges saberá explicar) a informação de que há obstáculos
para ver as provas oferecidas pela PM. Huuuuuuuum.
Luiz Gonzaga Cortez.
Correções: o autor recebeu imeio do professor Homero Costa, através de um imeio recebido hoje, 1.05.12:
Caro Cortez, acabo de ler seu artigo no JH, como é o segundo (confesso que li o primeiro) e sou citado, faço alguns esclarecimentos. Primeiro, em relação ao Acre. Eu não estava cursando nada no Acre e sim na Unicamp (mestrado em Ciência política). No Acre fui apenas professor. Quando estive na sua casa eu apenas morava lá. E o livro não foi publicado pela edfurn e sim pela editora Ensaio , de São Paulo, com apoio da cooperativa cultural da UFRN. Quanto aos artigos que você me deu e foram úteis para o trabalho, não consta na bibliografia por uma razão simples: por um erro da editora, só percebido no dia do lançamento (os livros chegaram no dia do lançamento!) vi que estavam sem a bibliografia! na bibliografia consta o seu livro sobre integralismo (é só conferir no site da CDDHMP que tem o livro) e fiz referências dos artigos de jornais pesquisados(na época você não tinha publicado o livro, salvo engano) Quanto ao trabalho monográfico de Borges lembr o de ter conversado com ele sobre seu trabalho e se não fez referências (não lembro) foi realmente um erro. Quanto ao "herói" há várias versões e creio que ninguém tem o monopólio da verdade, mas que houve adulteração de documentos, houve (e cito isso também), e há pouco conversando com um cel. da PM ele disse que, pesquisando o tema, realmente o doidinho nunca foi soldado...
é isso
abç
Homero
Correções: o autor recebeu imeio do professor Homero Costa, através de um imeio recebido hoje, 1.05.12:
Caro Cortez, acabo de ler seu artigo no JH, como é o segundo (confesso que li o primeiro) e sou citado, faço alguns esclarecimentos. Primeiro, em relação ao Acre. Eu não estava cursando nada no Acre e sim na Unicamp (mestrado em Ciência política). No Acre fui apenas professor. Quando estive na sua casa eu apenas morava lá. E o livro não foi publicado pela edfurn e sim pela editora Ensaio , de São Paulo, com apoio da cooperativa cultural da UFRN. Quanto aos artigos que você me deu e foram úteis para o trabalho, não consta na bibliografia por uma razão simples: por um erro da editora, só percebido no dia do lançamento (os livros chegaram no dia do lançamento!) vi que estavam sem a bibliografia! na bibliografia consta o seu livro sobre integralismo (é só conferir no site da CDDHMP que tem o livro) e fiz referências dos artigos de jornais pesquisados(na época você não tinha publicado o livro, salvo engano) Quanto ao trabalho monográfico de Borges lembr o de ter conversado com ele sobre seu trabalho e se não fez referências (não lembro) foi realmente um erro. Quanto ao "herói" há várias versões e creio que ninguém tem o monopólio da verdade, mas que houve adulteração de documentos, houve (e cito isso também), e há pouco conversando com um cel. da PM ele disse que, pesquisando o tema, realmente o doidinho nunca foi soldado...
é isso
abç
Homero
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