Carta da Europa 7
Maria das Graças English *
O que vivenciei
esta semana foi no mínimo diferente.Vamos ver o que foi e tentar fazer uma
comparação entre o Brasil e a Inglaterra. Esta semana iniciei em Portsmouth um
curso chamado “Desenvolvendo seu Inglês”. Havia 10 alunos na classe: três
estrangeiros e 7 ingleses. Entre os sete ingleses, 3 eram razoavelmente
alfabetizados e 4 eram, eram, o que? Eles eram um negócio difícil de um
brasileiro entender: semi-analfabetos, com grande dificuldade de expressão,
civilizados e ... pasmem, orgulhosos. Exatamente no dia que tive contato com
estes senhores, recebi, via e-mail, um artigo escrito por um jornalista de
Natal (Laurence Bittencourt) sobre o passado da Igreja Católica, as infâmias, a
inquisição etc. O artigo era de bom nível e eu diria que era de um tipo pouco
encontrado na imprensa britânica que é muito tímida ao atacar a Igreja
Católica. Posso fazer uma comparação
entre estes dois países? Um está indo, o outro está voltando. A Inglaterra
ainda não sabe conter esta marcha ré dos eventos. O caminho é, a meu ver, a
reciclagem, a energia alternativa. No entanto, é preciso que eles sejam mais
ágeis nisso, eles dormiram no ponto e tentam agora ser tão “verdes” quanto os
alemães que estão na vanguarda da ecologia na Europa. Há algumas semanas atrás,
a Prefeitura local iniciou um projeto piloto chamado “vizinhos verdes” para,
entre outros, obter dos moradores voluntários o lixo de cozinha (restos de
frutas e legumes) para ser compostado e usado como adubo nos “allotments” da
cidade. “Allotment” é uma pequena parcela de terreno, onde os moradores
registrados podem plantar suas frutas e legumes. Advinhe quantas pessoas se
propuseram a ajudar neste projeto? Só uma. Eu. Por aí se vê o sufoco dos
ingleses em conter a crise, têm de correr contra o tempo.
Vou falar agora
sobre outra viagem. O inverno chegou e Robin, que morou tantos anos no Brasil,
não suporta ficar em casa durante o frio. Fomos ao sul de Portugal exatamente
no dia em que uma grande frente fria chegou em Portsmouth (12.1). Pegamos um
vôo da easyJet direto para Faro, no Algarve, com duração de 2 ½ horas. A
temperatura local era 13 gráus.O Algarve
é uma destinação de verão, mas no inverno ainda consegue captar alguns turistas
europeus do norte descontentes com a neve. Ficamos 8 dias na praia de Alvor,
perto de Portimão, a 1 ½ hora do aeroporto de Faro. Fizemos alguns passeios
e visitamos alguns lugares de interesse, mas, no cômputo geral, o Algarve não é
cheio de atrações. A tão famosa Sagres, na ponta sudoeste, não tem um edifício
ou ruína chamada Escola de Sagres, só tem a ruína, muito arruinada mesmo, da
fortaleza. Nada especial. Fomos ao ponto mais alto da costa em Fóia, perto de
Monchique. A vista é fantástica. Visitamos um castelo mouro e um museu em
Silves, perto de Portimão. O museu de Silves contém uma preciosidade. Em 1980
os arqueólogos descobriram uma cacimba desconhecida, cheia de entulho. Ao
desentulharem a mesma, coletaram restos de objetos de cerâmica e outras relíquias
que remontavam desde ao período mouro até a idade média. Foi uma dádiva para o
setor de turismo do lugar. Restauraram a cacimba, que tem uma pequena
edificação no tôpo, e a circundaram do edifício do museu. Nada mal. Fora isso,
vale mencionar as deliciosas laranjas portuguesas que comemos na nossa estadia,
compradas à beira da estrada a preço de banana. Foi a parte mais gostosa da
viagem.
*Maria English,
Portsmouth, Inglaterra, 26 de Janeiro de 2013.
* Natural de Natal/Rn.
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