DEUS FALA. VOCÊ OUVE?
Públio José –
jornalista
Para a maioria da população mundial a afirmação de que Deus fala às pessoas
constitui-se uma verdadeira doideira, uma aberração de cunho religioso. Para
outras, que se dizem mais estudadas a respeito do assunto, Deus não fala às
pessoas, mas se manifesta através dos elementos da Natureza (mares, rios,
oceanos, lagos, montanhas), das estações do ano (verão, outono, inverno,
primavera) dos fenômenos climáticos (secas, chuvas, nevadas, enchentes) e dos
corpos celestes em geral (sol, lua, planetas, satélites). Tanto é assim que
inúmeras civilizações passadas – e até expressivas parcelas da população atual
– se dedicam a adorar tais elementos imaginando, dessa forma, cumprirem culto a
Deus. (Na verdade, estão trocando a adoração ao Criador pela adoração à
Criatura, invertendo uma equação espiritual que os faz se afastarem da ordem
natural do que Deus planejou para o homem).
Bom, este é um assunto para tratarmos outro dia. Voltemos à questão principal:
se Deus fala às pessoas – e se é ouvido por elas. Pelo ensaio anterior, sob
título “Deus lhe ouve?”, recebemos várias manifestações, via e-mail, de pessoas
favoráveis à afirmação e de outras tantas (o que é natural) divergindo. Entre
as mensagens recebidas, a de um amigo chamou a atenção. Conta ele que viveu recentemente
uma experiência extraordinária – que lhe comprovou que Deus ouve a quem a Ele
se dirige. Numa certa madrugada, segundo seu relato, acordou com uma dor aguda
no rosto. Além da dor, sentiu a face repuxada violentamente para um lado e a
constatação de que sua voz tinha desaparecido. Tentou gritar, pedir socorro – e
nada. Nenhum som lhe saiu pelos lábios. Sofrimento, pavor, impotência... Aí se
lembrou de Deus. E clamou. E foi ouvido – e prontamente atendido.
Em questão de segundos, a dor passou; os músculos faciais retornaram ao lugar;
e a voz voltou à normalidade. Aliado a isso tudo, uma sensação de paz, de
serenidade, e a certeza de que Deus o ouvira. (Tanto o ouvira que providenciara
sua cura). Este é um caso a atestar o desejo e a prontidão com que Deus ouve as
pessoas. Mas, e a questão colocada pelo lado oposto? Ou seja, quando Deus quer
se fazer ouvir? Algumas O ouvem – e O atendem (os testemunhos são inúmeros).
Outras não. O que as diferencia? A fé, em parte, explica a diferença. Pois está
escrito:“sem fé é impossível agradar (e ouvir) a Deus”. Daí nem se cogitar a
possibilidade dos que não crêem vir a ouvi-Lo. Entretanto, mesmo parcelas
expressivas dos que crêem (será?) dizem não ouvir a Deus. E agora? Segundo
Jesus Cristo, o fato de tais pessoas não O ouvirem acontece pela prioridade às
riquezas, aos favores – às seduções do mundo.
Como está escrito (Mateus 13.22): “E o que foi semeado entre espinhos é o
que não ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das
riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera”. Nessa seara, por sinal,
não existe receita pronta. (Afinal, Deus não é um computador!). Mas um fato é
certo: o ouvir a Deus começa pela aceitação à sua Palavra, pela comunhão
com suas revelações – manifestas na Bíblia – e pelo hábito contínuo da leitura,
da meditação, do estudo. Pois muito da incredulidade e da insensibilidade
espiritual advém não por maldade nem posicionamento antagônico explícito, mas
do desconhecimento do que Deus deseja para o homem. Assim, antes de tudo, ouvir
a Deus é um gesto de submissão, de humildade, de amor à sua Pessoa. Que, com o
passar do tempo, e maturidade advinda, se desdobra em inimagináveis
possibilidades. Orientação, consolo, carinho, atenção... Audivelmente. Já
pensou?
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