segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Médicos: a opinião do ex-secretário de educação do RN e professor Dalton Melo.

Caros amigos, estou anexando três artigos (num único arquivo) escrito por Dalton Melo de Andrade. Simplesmente genial!!! Abraços, Armando Negreiros.

Mais médicos

            Dalton Melo de Andrade
Escrevinhador

            Esse é o nome. Programa aparentemente sem pé nem cabeça, até para leigos no assunto, como eu. Contestado pelas entidades médicas, não pode ser boa coisa. Quem, por amor de Deus, vai fazer milagre em postos de saúde, mínimos em quantidade e ínfimos em qualidade, ou hospitais (se é que podem ser chamados assim) desequipados das menores coisas, até água potável, segundo se escuta, em alguns casos? E essa história de obrigar o estudante a ir para lugares incertos e não sabidos, por dois anos, depois de seis anos de curso, para poderem receber seu diploma?
Se fala agora de transformar esse período em residência. Parece uma emenda pior que o soneto. Residência pressupõe qualidade. É onde o recém-formado adquire sua especialidade, devendo estar cercado de bons professores e dos equipamentos necessários, de preferência de último tipo. Será que os locais onde se pretendem colocar esses médicos oferecem tais condições?
            A UFRN, por seu Reitor Dr. Onofre Lopes, criou o programa  CRUTAC (Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária), em Agosto de 1966, quase 50 anos passados. Prestava assistência à saúde,  sem  violentar o estudante e durante o seu período normal do curso. Dava ele sua contribuição às comunidades interioranas, aprendia como era conviver com as dificuldades da profissão, e sentia o valor do seu saber.
            Teve repercussão nacional. O MEC chegou a patrociná-lo e apoiou sua extensão para outras regiões do pais. Foi adotado por várias  universidades e bem atendeu às populações interioranas por um largo tempo. Levou, junto, a instalação de ambientes adequados aos trabalhos desenvolvidos, promoveu o apoio dos professores às atividades dos estudantes no campo, e deixou, em algumas regiões, estruturas apropriadas. Aqui no RN ainda há hospitais, como o de Santa Cruz e Santo Antônio, que foram criados ou melhorados em razão do CRUTAC e, creio, ainda recebem apoio da UFRN.
            Não sei como está hoje o funcionamento do programa. Segundo tenho escutado, como aconteceu com tantas outras coisas interessantes, terminou sendo relegado a segundo plano, ou esquecido, pois algumas inteligências privilegiadas das nossas novas estruturas educacionais o consideraram invenção dos militares, imposto pela ditadura.
Ledo engano, pelo menos com o CRUTAC. Saiu da cabeça de Onofre Lopes que, nascido no campo e tendo vivido sua infância e parte da juventude, como dizia ele, “no mato”, sentiu na pele a falta de assistência médica. Formado em Medicina, nunca esqueceu as suas agruras passadas e o CRUTAC foi uma tentativa de redimir esses tempos.
Que os estudantes das nossas universidades públicas, ou bolsistas, venham a ressarcir parte de seus custos, pagos pelo povo, prestando um serviço comunitário, nada mais justo. Mas, que os façam penar por dois anos, apos seis de estudos intensos,  é pura maldade. Que prestem essa assistência durante o curso. Que voltem a funcionar como no passado os CRUTACs. Foram muito úteis. Podem voltar a sê-los.
Que esse programa, na parte que busca levar médicos ao interior, buscando melhores condições de trabalho e remuneração condigna, dentro de uma carreira estabelecida, seja implementado. Mas, sem o autoritarismo inerente ao programa Mais Médicos.



Mais médicos (II)

Dalton Melo de Andrade
Escrevinhador

            Fiquei feliz com a notícia. O ex-presidente Lula foi totalmente liberado pelo Sírio-Libanês. Está apto a continuar usando sua arenga demagógica e perambular por todo o pais. Por atendimento semelhante passaram a Presidente Dilma, e o bispo namorador do Paraguai, Fernando Lugo. Todos também totalmente recuperados. Além, claro, de muitas outras figuras mais ou menos célebres e que puderam arcar, de uma ou outra forma, com os custos. Hugo Chávez, oferecido a oportunidade, resolveu ir para Cuba. Deu no que deu.
            Mas, o hospital não faz milagres. Encontraram todos, e receberam, o que há de melhor e mais moderno em atendimento. Médicos e enfermeiros competentes, equipamentos adequados e de última geração, e todos os medicamentos atuais mais apropriados para cada tipo de doença. Alguns desses medicamentos, ainda em nível de teste. Super avançados. Os demais mortais, no meio dos quais me incluo, estão longe de tanto privilégio.
            E isso nos leva de volta ao programa acima. Tenho certeza, até mesmo convicção, que a intenção do governo é das melhores. Ninguém, por mais incompetente que seja, inventa alguma coisa que não seja cheio de bons augúrios. Especialmente políticos, que dependem de votos. O problema não é esse. O problema é a falta de comunicação. Houvesse diálogo com a classe medica, e provavelmente programa semelhante poderia ter sido desenvolvido e, com certeza, com mais sucesso.
            Dizem os jornais que cerca de 6% das vagas oferecidas já foram preenchidas, ou estão a ser. Candidatos há que se sujeitam a um regime de bolsa, com duração de dois anos sem garantia de renovação, salários razoáveis, mas condições de trabalho, no mínimo, duvidosas, além de restritas a determinadas áreas. Não devem ser os mais competentes, pois estes já estão trabalhando. Especialmente se vêem do exterior. Com exceção dos cubanos, ansiosos por deixarem a ilha, segundo se lê. Se, nas principais cidades, com médicos livres, os serviços são precários, imagine-se nesses ermos locais, que também, claro, merecem um mínimo de atendimento. Faltarão enfermagem, equipamentos e medicamentos, como falta hoje por todos os lados. O estetoscópio, que todos os médicos levarão consigo, são extremamente úteis, especialmente para confirmar a morte.
            Portanto, ao me regozijar pela saúde recuperada do ex-presidente, não me alegro com as perspectivas de tantos outros que irão ser atendidos por essa nova medicina cativa. Rezemos ao Papa Francisco. Que Deus os proteja. Aliás, que nos proteja a todos.

Trabalho escravo

            Dalton Melo de Andrade

            Voltamos ao tempo da escravidão. O governo acaba de firmar acordo, com interveniência da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e Cuba, no sentido de serem enviados para cá 4.000 supostos médicos cubanos. O Brasil pagará dez mil reais por cada um deles. Vai entregar o dinheiro à OPAS que, por sua vez, o entregará à Cuba. Esta pagará aos supostos médicos uma importância não estabelecida no acordo. Lá, informa-se, eles ganham vinte dólares por mês. Ficarão em locais pré-determinados, e dele não se podem mover. Pelo menos é o que se escuta na TV e se lê nos jornais. Portanto, voltamos ao tempo da escravidão e, pior, terceirizada. Duas coisas que os nossos sindicatos de trabalhadores, com razão, vêm combatendo há muito. Vamos ver o que dirão os defensores dos direitos humanos. E o Ministério Público.
            O outro aspecto incrível desse acordo é que esses médicos não farão exames de revalidação. Passarão, segundo parece, por uma rápida análise em algumas universidades, onde se pretende ensinar português, e irão diretamente para o trabalho. Ninguém sabe de sua capacidade profissional, que atendimento prestarão, e se realmente contribuirão para a saúde do povo. E como se entenderão com esse povo. Uma coisa é certa. Só virão para cá os apadrinhados do regime, com toda a feitura para agirem como prosélitos do sistema, pois os dissidentes não terão qualquer chance de aqui aportarem. E não se podem rebelar, pois suas famílias continuam em Cuba. Podem pagar um preço alto.
            Este governo do PT, apoiado por quase todos os partidos, obviamente comprados com cargos e benesses, está de mal a pior, totalmente perdido. Para onde se olha, o descalabro. A economia em frangalhos. Basta olhar o preço do dólar e a queda da Bolsa, da produção industrial, das contas externas, do desemprego que começa a aumentar e da inflação que ressurge. Insatisfação nas ruas. Saúde, educação, mobilidade urbana, corrupção, desmandos e malfeitos abundam. As soluções são engodos, como os desses supostos médicos. 
            Aparecem protestos das entidades médicas. É de supor que agirão com mais firmeza, e usarão os meios legais ao seu dispor para buscar o cancelamento desse acordo espúrio. E é de se acreditar que contarão com o respaldo da Justiça, que não pode se coadunar com tamanho despautério. É esperar para ver.



        Médicos cubanos: avança a  integração  da América Latina!



                       “O que brilha com luz própria , ninguém pode apagar
                        Seu brilho pode alcançar a escuridão de outras costas
                        Que pagará este pesar do tempo que se perdeu....
                        Das vidas que nos custou e das que nos podem custar..
                        O pagará a unidade dos povos em questão....
                        E a quem negar esta razão, a história condenará...”

                        Canción por La Unidad Latinoamericana
                        Pablo Milanez


       
Não faltaram emoção, lágrimas e dignidade na chegada dos 176 médicos cubanos, que desembarcaram neste sábado à noite em Brasília, para um trabalho indispensável em municípios brasileiros, mais de 700, ainda sem qualquer assistência médica.  Quando aqueles cidadãos cubanos, muitos deles negros, muitas mulheres, com bandeirolas brasileiras e cubanas nas mãos, pisaram  o solo brasileiro,  ali estava o retrato do enorme progresso social, educacional e sanitário alcançado pela Revolução Cubana. Mas, também, uma prova concreta de que a integração da América Latina está avançando; não é só comércio, é também  saúde. O Brasil coopera com Cuba na construção do Complexo Portuário de Mariel  -   sua  mais importante obra de infra-estrutura  atualmente  - e Cuba coopera com o Brasil preenchendo uma lacuna imensa, a falta de médicos.

A campanha conservadora contra a integração latino-americana sofrerá um revés tremendo quando o programa Mais Médicos ,  começar a apresentar seus efeitos concretos. Esses resultados terão a força para revelar o teor medieval  das críticas feitas pelas representações médicas e pela mídia teleguiada pela publicidade da indústria farmacêutica.

                                                                Volumosa desinformação

Tendo em vista o volume de desinformação que circulou contra a vinda de médicos estrangeiros,  mas contra os médicos cubanos em especial, é obrigatório travar a batalha das idéias, primeiramente, em defesa da Revolução Cubana como uma conquista de toda a humanidade. Cercada, sabotada, agredida, a Revolução Cubana,  que antes de 1959,  possuía os mais tenebrosos indicadores sociais,  analfabetismo massivo, mortalidade infantil indecente, desemprego e atraso social generalizado, consegue libertar-se da condição de colônia, e, mesmo sem ter uma base industrial como a brasileira, por exemplo,  e passa a exportar médicos, professores, vacinas, desportistas.Exporta, principalmente, exemplos!

Esse salto histórico da Revolução Cubana deixa desconcertada a crítica, seja  emanada pela mídia colonizada  pelas lucrativas transnacionais fabricantes de fármacos ou equipamentos hospitalares, seja a crítica oligarquia difundida pelas representações médicas. Os que questionam a qualidade da formação profissional dos médicos cubanos são desafiados a responder por que a mortalidade infantil em Cuba é das mais baixas do mundo, sendo inferior, inclusive, àquela registrada no Estado de Washington, nos EUA?


                                                             Cuba e a libertação africana


Vale lembrar que Cuba possuía, antes de 1959, pouco mais de 6 mil médicos, dos quais, a metade deixou o país porque não queria perder privilégios, nem concordava com a socialização da saúde. Apenas cinco décadas depois, é esta mesma Cuba que tem capacidade de exportar milhares de médicos para socorrer o povo brasileiro de uma indigência   grave construída por um sistema de saúde ainda determinado pelos poderosos interesses das indústrias hospitalar, farmacêutica e de equipamentos, privilegiando a noção de uma medicina como um negócio, uma atividade empresarial a mais, não como um direito, como determina nossa constituição.

Já em 1963, quando a Revolução na Argélia precisou, iniciou-se a prática de cubana de enviar brigadas médicos aos povos irmãos. Ensanguentada pela herança da dominação francesa, a Revolução Argelina encontrou em Cuba a fraternidade concreta, quando ainda não havia na Ilha um contingente médico tão numeroso como o existente atualmente. Predominou sempre na Revolução Cubana a idéia de que em matéria de solidariedade internacional comparte-se o que se  tem, não o que lhe sobra. Foi exatamente ali na Argélia que se estabeleceram laços indestrutíveis entre a  Revolução Cubana e os diversos movimentos de libertação da África. A partir daí, Cuba participou com  brigadas militares e médicas em diversos processos de libertação nacional do continente. De tal sorte que, em 1966, a primeira campanha de vacinação contra a poliomielite realizada no Congo, foi organizada por médicos cubanos! Os CRMs conhecem esta informação? Sabem que a poliomielite foi erradicada em Cuba décadas antes do Brasil fazê-lo?

       
                  Será  o Revalida capaz de avaliar a dimensão libertadora da medicina cubana?


Quando Angola foi invadida por tropas do exército racista da África do Sul, baseado nas supremas leis do internacionalismo proletário, Agostinho Neto, presidente angolano, também médico e poeta, solicita a Fidel Castro ajuda militar para garantir a soberania da nação africana. Uma das mais monumentais obras de solidariedade foi realizada por Cuba que, ao todo, enviou a Angola, cerca de 400 mil homens e mulheres para, ao lado dos angolanos e namíbios, expulsar as tropas imperialistas sul-africanas tanto de Angola como da Namíbia. E sob a ameaça de uma bomba atômica, que Israel ofereceu à  África do Sul, argumentando que as tropas cubanas tinham que ser dizimadas porque pretendiam chegar até Pretória..... Na heróica Batalha de Cuito Cuanavale  -  que todos os jornalistas, historiadores, militantes deveriam conhecer a fundo   -   lá estavam as tropas cubanas, mas lá estavam também as brigadas médicas de Cuba, que se espalharam por várias pontos de Angola. A vitória de Angola e da Namíbia contra a invasão da África do Sul,  foi também a derrota do regime do Apartheid. Citemos Mandela: “ A Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do Apartheid.  Devemos o fim do Apartheid a Cuba!”.

Qual exame Revalida será capaz de dimensionar adequadamente o desempenho de um médico cubano em Cuito Cuanavala, com sua maleta de instrumentos numa das mãos e na outra uma metralhadora, livrando a humanidade da crueldade do Apartheid?  Como dimensionar o bem que o fim do Apartheid, com a decisiva participação cubana, proporcionou  para a saúde social da História da Humanidade?

                                                      As crianças de Chernobyl em Cuba

O sentido de solidariedade internacionalista está tão plasmado na sociedade cubana que, quando aquele terrível acidente ocorreu na Usina Nuclear de Chernobyl, em 1986,   o estado cubano recebeu, das organizações dos Pioneiros  -   que congregam crianças e adolescentes cubanos  -   a proposta de oferecer tratamento médico às crianças contaminadas pela radioatividade vazada no desastre. Um documentário realizado pelo extinto Programa Estação Ciência, dirigido pelo jornalista Hélio Doyle, exibido com freqüência TV Cidade Livre de Brasília, registra como Cuba compartilhou seus recursos médicos e hospitalares, mas, sobretudo, sua fraterna solidariedade com cerca de 3 mil crianças russas que foram levadas para tratamento na Ilha, nas instalações dos Pioneiros, em Tarará.  Destaque-se, primeiramente, que a idéia partiu dos Pioneiros. Segundo, que Cuba não se colocava na condição de doadora, mas apenas cumprindo um dever solidário. Lembravam que o povo soviético havia sido solidário com Cuba quando os EUA iniciaram o bloqueio contra a Ilha cortando a cota de petróleo e do açúcar, suspendendo o comércio bilateral, na década de 60. A URSS passou a comprar todo o açúcar cubano, pelo dobro do preço do mercado internacional, e a abastecer Cuba de petróleo, pela metade do preço de mercado mundial. São páginas escritas, em uma outra lógica, solidária, fraterna, socialista. É de se imaginar o quanto os dirigentes das representações médicas brasileiras poderiam aprender com aquelas crianças cubanas que ofertaram tratamento às 3 mil crianças russas, um contingente menor que o de médicos cubanos que virão para o Brasil?


                                                                     Impublicável

A cooperação entre Brasil e Cuba em matéria de saúde não está iniciando-se agora. Durante o governo Sarney, recém re-estabelecidas as relações bilaterais, em 1986,  foram as vacinas cubanas contra a meningite que permitiram ao  nosso país enfrentar aquele surto. Na época, a mídia teleguiada também fez uma sórdida campanha contra o governo Sarney, primeiro por reatar as relações, mas também por comprar grandes lotes da vacina desenvolvida pela avançada ciência de Cuba.  De modo venenoso, tentou-se desqualificar as vacinas, afirmando serem de qualidade duvidosa, tal como agora atacam a medicina cubana.  Na época, foram as vacinas cubanas que permitiram controlar aquele surto e salvar vidas. Mas, também trouxeram, por meio do exemplo, a possibilidade de que aprendêssemos um pouco dos valores e das conquistas de uma revolução. Afinal, por que um país com poucos recursos, com uma base industrial muito mais reduzida, conseguia não apenas elevar vertiginosamente o padrão de saúde de seu povo, mas, também desenvolver uma tecnologia com capacidade para  produzir e exportar vacinas, enquanto o Brasil, com uma indústria muito mais expandida, capaz de produzir carros, navios e aviões,  não tinha capacidade para defender seu próprio povo de um surto de meningite? São sagradas as prioridades de uma revolução. E é por isso, que, ainda hoje, a sexta maior economia do mundo,  se vê na obrigação de recorrer a Cuba para  não permitir a continuidade de um crime social configurado na não prestação de  atendimento médico a milhões de brasileiros.

Mais recentemente, quando a Organização Mundial da Saúde convocou a indústria farmacêutica internacional a produzir vacinas para combater um tenebroso surto de febre amarela  que se espalhou pela África, obteve como resposta desta indústria o mais sonoro e insensível NÃO. Os preços que a OMS podia pagar pelas vacinas não eram, segundo as transnacionais farmacêuticas, apetitosos.  Milhões de vidas africanas passaram correr risco, não fosse a cooperação entre dois laboratórios estatais, o Instituto Bio Manguinhos, brasileiro, e o  Instituto Finley, cubano. Essa cooperação permitiu a produção, até o momento, de 19 milhões de doses da vacina que a África necessitava, a um preço 90 por cento menor que o preço do mercado internacional. Onde foi publicada esta informação?

        Apenas na Telesur e na imprensa cubana. A ditadura dos anúncios da indústria farmacêutica, que dita a linha editorial da mídia  brasileira em relação ao programa Mais Médicos e à cooperação da Medicina de Cuba, simplesmente impediu que o grande público brasileiro tomasse conhecimento desta importantíssima cooperação estatal brasileiro-cubana.


Os médicos cubanos e o furacão Katrina


Para dimensionar a inqualificável onda de insultos que os médicos cubanos vêm recebendo aqui na mídia oligárquica, lembremos um fato também sonegado por esta mesma mídia, o que revela suas dificuldades monumentais para o exercício do jornalismo como missão pública. Quando ocorre o trágico furacão Katrina, que devasta Nova Orleans, deixando uma população negra e pobre ao abandono, dada a incapacidade e o desinteresse do governo dos EUA naquela oportunidade, em prestar-lhe socorro,  também foi Cuba que colocou  à disposição  do governo estadunidense   -   malgrado toda a hostilidade ilegal deste para com a Ilha   -   um contingente de 1300  médicos ,  postados no Aeroporto de Havana, com capacidade de chegar prestar ajuda à população afetada pelo furacão. Aguardavam apenas autorização para o embarque, e  em questão de 3 horas de vôo estariam em Nova Orleans salvando vidas. Esta autorização nunca chegou da Casa Branca.  A resposta animalesca do presidente George Bush foi um sonoro NÃO  à oferta de Cuba, o que tampouco foi divulgado pela mídia oligárquica, provavelmente para protegê-lo do vexame de ver difundido seu tosco caráter,  que tal recusa representava. Os Eua estão sempre prontos para enviar militares e mercenários pelo mundo. Mas, são incapazes de prestar ajuda ao seu próprio povo, e também arrogantes o suficiente para permitir uma ajuda de Cuba à população pobre e negra afetada pelo furacão.

                                              Uma Escola de Medicina para outros povos

Também não circulam informações aqui de que Cuba, após o furacão Mity, que devastou a America Central e parte do Caribe, decide montar uma Escola Latino-americana de Medicina, que, em pouco mais de 10 anos de funcionamento, já formou mais de 10 mil médicos estrangeiros, gratuitamente. Entre eles,  500 jovens negros e pobres dos EUA, moradores dos bairros do Harlem e do Brooklin. Eles me revelaram que se tivessem continuado a viver ali, eram fortes candidatos a serem presa fácil do narcotráfico. Frisavam que, estar ali em Cuba, formando-se em medicina, gratuitamente, era uma possibilidade que a maior potência capitalista do mundo não lhes oferecia. Há,  estudando na ELAM, cerca de uma centena de jovens do MST, filhos de assentados da reforma agrária.  Isto significa que Cuba compartilha com vários países do mundo seus modestos recursos. Também estudam lá cerca de 600 jovens do Timor Leste, sendo que existem 40 médicos cubanos trabalhando já agora no Timor. O tipo de exame Revalida seria capaz de dimensionar esta solidariedade cubana com a saúde dos povos?


                                                       Ampliar a integração em outras áreas


 Também não se divulgou por aqui,  que Cuba montou três Faculdades de Medicina na África, (Eritreia, Gambia e Guiné Equatorial),  em pleno funcionamento, com professores cubanos. Toda esta campanha de insultos contra Cuba e os médicos cubanos, abre uma boa possibilidade para discutir e conhecer  mais a fundo todas estas conquistas da Revolução Cubana, mas, especialmente, para que as forcas progressistas  reflitam sobre quantas outras possibilidades de cooperação existem entre Brasil e Cuba, em muitas outras áreas.

Mas, serve também para reavaliar a posição de certos parlamentares médicos da esquerda no Brasil que se opõe,  inexplicavelmente, ao Programa Mais Médicos, alguns chegando, ao  absurdo de terem apresentado  projetos de lei proibindo, pelo prazo de 10 anos, a abertura de qualquer novo curso de medicina no Brasil.
             
                                                     Qualificar o debate sobre a integração


Enfim, um debate democrático e qualificado em torno do programa Mais Médicos, da presença de médicos cubanos aqui no Brasil e em mais de 70 países, e também, sobre as conquistas da Revolução Cubana, deve ser organizado pelos partidos e sindicatos, pelo movimento estudantil, pelos movimentos sociais, pela Solidariedade a Cuba, pelas TVs e rádios comunitárias, como forma de impulsionar a integração da America Latina, que, neste episódio, está demonstrando o quanto pode ser útil à população mais pobre. A TV Brasil pode cumprir uma função muito útil, pode divulgar documentários já existentes sobre o trabalho de médicos em regiões inóspitas e adversas em diversos países.

 É preciso expandir esta integração, avançar pela educação, pela informação, não havendo justificativas para que o Brasil ainda  não esteja conectado com a Telessur, por exemplo, que divulgado amplo material jornalístico informando que 3 milhões e meio de cidadãos latino-americanos já foram salvos da cegueira graças a Operação Milagro,  pela qual médicos cubanos e venezuelanos realizam, gratuitamente, cirurgias de cataratas em vários países da região. Enquanto o povo argentino, por exemplo, já  pode sintonizar gratuitamente a Telesur e informar-se de tudo isto, o povo brasileiro está impedido, praticamente, de receber informações que revelam o andamento da integração da America Latina. Mas, com a chegada dos médicos cubanos, a integração será cada vez mais pauta da agenda do debate político nacional e  receberá , certamente,  um impulso político e social, notável, pois o povo brasileiro, saberá , com nobreza e humanismo, valorizar e apoiar o programa Mais Médicos. Alias, é exatamente  isto o que tanto apavora a medicina capitalista.

                              Há 70 mil engenheiros estrangeiros no Brasil hoje!

Segundo dados recentes do Ministério do Trabalho, existem hoje trabalhando no Brasil cerca de 70 mil engenheiros estrangeiros. Nenhuma gritaria foi feita. Neste caso, trata-se de petróleo e outros projetos, muito lucrativos para as multinacionais. Mas, quando se trata de salvar vidas, acendem-se todas as fogueiras do inferno da nova inquisição contra uma cooperação que é lógica e indispensável, solidária e humanitária. Por que é aceitável  a importação de telefones, equipamentos médicos, remédios, cosméticos, roupas, caviar, bebidas, vacinas e não se aceita a cooperação de médicos de Cuba, sendo este o único pais  em condições  objetivas  de apresentar-se prontamente e de maneira eficaz com profissionais experimentados.  Será que as representações médicas brasileiras possuem sequer uma remota idéia de que estão proferindo insultos a esta bela história da medicina  socialista de Cuba?

                                              Quem pagará a conta da demora?


 A presidenta Dilma tem inteira razão em convocar os Médicos Cubanos, algo que já poderia ter sido feito há mais tempo, amenizando a dor e o sofrimento de milhões de brasileiros abandonados por um sistema de saúde e por uma mentalidade de parcelas das representações médicas que, por mais absurdo que pareça, ainda tentam justificar este abandono. Aliás, com a determinação da presidenta Dilma está absolutamente revelada a importância da integração da América Latina, não havendo justificativas para que esta modalidade de integração nas esferas sociais,  não avance também para outras áreas, como a educação, por exemplo. Foi exatamente com o método cubano denominado “Yo, si, puedo”,  que Venezuela, Bolívia, Equador são países declarados pela UNESCO como “Territórios Livres do Analfabetismo”, sempre com a participação direta de professores cubanos. Muito em breve, será a Nicarágua, que vai recuperar aquele galardão, que já havia conquistado durante a Revolução Sandinista, mas depois perdeu,  na era neoliberal.  Por quanto tempo o Brasil terá apenas projetos pilotos, em apenas 3 cidades, com o método de alfabetização cubano, que, aliás, já tem absoluta comprovação e reconhecimento mundiais?  Que espera a sexta economia do mundo em  convocar ainda mais a cooperação cubana para erradicar o analfabetismo? Quem pagará a conta desta injustificável demora?

Termino com a declaração da Dra Milagro Cárdenas Lopes,  cubana, negra, 61 anos “Somos médicos por vocação, não nos interessa um salário, fazemos por amor”, afirmou.  Em seguida, dirigiu-se com seus companheiros para os ônibus organizados pelo Exército Brasileiro, que cuida de seu alojamento. Sinal de que a integração está escrevendo uma nova página na história da América Latina.

Beto Almeida
Diretor da Telesur                   

25 de agosto de 2013

sábado, 24 de agosto de 2013

Obama ampliou a espionagem, afirmou delator.

24/08/2013 - 03h30  - UOL

Para delator, elo de empresas e governo dos EUA é 'incestuoso'

RAUL JUSTE LORES
DE WASHINGTON

Depois de 30 anos como um dos principais matemáticos da Agência de Segurança Nacional (a NSA da sigla em inglês), William Binney, 69, passou a última década denunciando os excessos dos programas de espionagem americanos.
Ele testemunhou em comissões da Câmara e do Senado americanos e falou várias vezes com a imprensa -mas só sentiu que suas acusações foram comprovadas a partir das denúncias do ex-agente de inteligência Edward Snowden.
"Tentei os canais corretos para denunciar, me aposentei e nem me deixaram abrir um negócio. Pago pelas minhas acusações", disse em entrevista à Folha. A seguir, trechos da conversa.
*
Jonathan Ernst - 25.mai.2013/The New York Times
O ex-analista William Binney, que prestou serviços por 30 anos para a Agência de Segurança Nacional norte-americana
O ex-analista William Binney, que prestou serviços por 30 anos para a Agência de Segurança Nacional norte-americana
Snowden e Manning
Snowden e Manning são casos diferentes. Bradley Manning não selecionou o material que encontrou, apenas o despejou, sem filtro. Nem ele sabia o que tinha naqueles 700 mil documentos. Ele devia estar perturbado com o que via, mas foi apenas indisciplinado e irresponsável. Seria serviço público se ele selecionasse o que viu sobre assassinatos ou torturas e divulgar.
Cadê os culpados?
Mas o que mudou mesmo foi a prestação de contas do Pentágono. Quando o tenente William Calley foi denunciado por ordenar o massacre de My Lay, no Vietnã, ele foi julgado e condenado. Desta vez, o que aconteceu com as denúncias de Manning? Cadê os culpados? O que fizemos no Iraque era política americana ou de criminosos de guerra. O que o resto do mundo vai pensar?
Grande negócio
A vigilância da rede é um grande negócio, de US$ 80 bilhões, 70% para fornecedores terceirizados. Essas empresas contratadas não vão querer que o sistema seja reduzido ou desmantelado, é um enorme negócio. Estão construindo na base militar de Fort Mead, Maryland, mais uma central de 65 mil metros quadrados com servidores para armazenar dados.
Brasil sem proteção
Se o Brasil quiser se proteger, vai ter que criar sua própria rede doméstica. Nunca estará totalmente a salvo, pois as conexões internacionais já estão totalmente cobertas. Rússia e China, por exemplo, têm várias redes locais, mas não têm como proteger as internacionais.
Sonho da Stasi
Vivemos com um governo que quer saber tudo sobre todos, aqui nos EUA e no mundo. A desculpa vai ser o terrorismo e a segurança nacional, mas a espionagem é geral e eles podem intimidar pessoas. Fizemos o sonho da Stasi [polícia secreta da antiga Alemanha Oriental] virar realidade. Bush deveria ter sofrido impeachment, mas Barack Obama acabou expandindo a espionagem.
Sem supervisão
Falei em comissões do Congresso, com a imprensa, mas as perguntas do Congresso nas sabatinas dessas agências são jogo leve, com respostas leves. Não há supervisão. Essas empresas que trabalham para as agências do governo são muito ricas e as relações em Washington são bem incestuosas. Duvido que passem a fiscalizar mais.
Intimidação
Uma vez uma equipe armada com 12 agentes do FBI invadiu a minha casa. Apontaram armas para o meu filho, para a minha mulher, saí correndo do banho. Levaram todo o equipamento eletrônico, como se já não tivessem acesso a tudo que fiz. Abriram processos contra mim, mas sempre argumentei abusos nos processos e nunca foram adiante.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013





23/08/2013

A paulada na especulação e a guerra das expectativas


O governo resolveu dar uma paulada na especulação com a taxa de câmbio no país.

A informação veiculada em Brasília nesta 5ª feira, que fez o dólar recuar depois de atingir a cotação recorde de R$ 2,45, é de que o tacape oficial pode desferir golpes sucessivos, num total entre US$ 50 bi a US$ 100 bi para esse fim.

É o custo para se atingir dois objetivos indissociáveis.

Oferecer um seguro de travessia a quem depende de dólar, até o novo ponto de equilíbrio da taxa cambial.

E desmontar a roleta viciosa dos mercados futuros. Mesmo sem extingui-los.

Algo como montar um supermercado ao lado de uma mercearia.

A exemplo das 'correntes', ou bolhas, os mercados futuros se erguem pelos próprios cabelos.

Às vezes, 'puxando' a cotação em operações simuladas de compra e venda dentro da mesma empresa.

Artifícios especulativos. Mas que fazem um estrago real no resto da economia.

Por exemplo, magnificando uma defasagem real do câmbio, de mais de década.

Ela corroeu a própria base industrial do país, com importações baratas de insumos e manufaturas que deixaram de ser produzidos aqui.

E subtraiu competitividade à manufatura brasileira no exterior, com a contrapartida da queda no investimento local em inovação e capacidade produtiva.

O resultado do conjunto é o déficit crescente nas contas externas; em julho ele atingiu um recorde de US$ 9 bi (leia a coluna detalhada de Paulo Kliass sobre esse assunto; nesta pág).

A oferta de dólares, através de leilões diários --com compromisso de recompra pelo governo-- pretende sufocar a manipulação e permitir uma reacomodação industrializante do câmbio.

A travessia pode custar algum prejuízo em termos de inflação.

Saldo que terá que ser avaliado com quem tem mais a perder: o poder de compra dos assalariados.

A negociação é o preço de uma transição coordenada de ciclo, com retífica do motor industrial no meio do caminho.

Não agir, ou agir em conta-gotas, como vinha acontecendo, pode significar o pior.

A rendição; a entrega do comando do país à voragem especulativa.

As reservas seriam devoradas, de qualquer forma. E a inflação também acusaria o golpe.

Tudo de forma predatória, com possível fuga de capitais, sem oferecer lastro à reestruturação industrial.

A livre mobilidade dos capitais favorece esses ajustes de solavanco, liderados pela revoada do dinheiro volátil.

Ele dispensa às nações o mesmo respeito que a nuvem de gafanhoto manifesta diante do trigal.

Uma alternativa aos gafanhotos e ao uso das reservas seria centralizar o câmbio no Banco Central.

E fixar o seu valor.

O Estado teria o monopólio sobre a entrada e a saída de moeda forte; capitais voadores seriam barrados em quarentenas longas, para ingresso e saída.

O Brasil dispõe de instrumento legal para fazê-lo.

A lei que trata da matéria, a 4131 continua em vigor.

Instituída em 1962, a 4131 sobreviveu à ditadura militar protegida pelo verniz nacionalista de alguns segmentos do Exército.

No ciclo tucano, foi sabotada, sem o desgaste da revogação. O mesmo ocorreu quando o ministro da Fazenda de Lula era Antonio Pallocci.

Basicamente, a 4131 dá ao Estado brasileiro poderes cambiais equivalentes aos exercidos hoje pelo governo chinês, que explicam uma parte do êxito exportador da nova fábrica do mundo.

Em vez da livre mobilidade de capitais – que tucanos, como o ideólogo de Marina Silva, André Lara Resende, querem transformar em livre conversibilidade, o que implica renunciar à moeda própria - a 4131 prevê o monopólio do Estado sobre o câmbio.

O Brasil, portanto, tem amparo legal para controlar saídas e ingressos de capitais de risco, bem como empréstimos e financiamentos, ademais das remessas na forma de licenças de patentes e marcas, contratos de assistência técnica, outros serviços e transferências de patrimônio etc.

Desprovida das forças que lhe deram sustentação no passado --e do poder de Estado que ordena a sua equivalente na China-- a 4131 figura como uma reserva política à procura de um ator.

O governo preferiu utilizar a reserva em dólares.

E com ela afogar o núcleo duro da especulação, que maximiza a incerteza em toda economia.

Mesmo sem exercer a centralização cambial, a ação estatal demonstra a sua pertinência.

O mercado futuro de câmbio, em tese, deveria proteger exportadores e importadores, permitindo-lhes fixar uma taxa preventiva, contra surpresas na hora de efetivar compras ou vendas.

A exemplo dos fundos hedge, porém, e das bolsas de commodities, o que deveria ser um fator de estabilidade foi incorporado ao circuito da valorização do capital fictício.

A especulação cambial, no entanto, é só a face mais explícita de uma guerra muito maior em marcha na economia brasileira nesse momento.

A guerra pelo controle das expectativas.

A transição de ciclo da economia mundial, puxada pela recuperação norte-americana, acelerou o timing dessa disputa.

A cogitada redução da liquidez pelo Fed, já precificada no esticão das taxas de juros de longo prazo nos EUA, vai redirecionar os fluxos de capitais para longe das economias em desenvolvimento.

O cavalo de pau inverte a roda da arbitragem de juros, deixa o dólar mais escasso, as importações mais caras e a inflação mais elevada.

Com um agravante no caso brasileiro.

A volatilidade natural de uma travessia desse tipo está sendo exacerbada por uma determinação política de ordem mais geral: a sucessão presidencial de 2014.

Estamos falando de um ajuste de ciclo planetário ao qual se sobrepõe uma tentativa conservadora de retornar ao poder.

Não é uma miudeza.

Instaura-se o vale tudo na associação entre a fome e a vontade de comer.

A manipulação das expectativas num quadro como esse pode abrir um rombo fatal no casco da economia e do governo.

Tão ou mais grave do que a defasagem cambial, que distorce a formação dos preços e a orientação dos mercados.

A formação das expectativas no capitalismo não é algo que se possa ancorar exclusivamente no manejo das taxas de juros e de câmbio.

Ao contrário do que alardeiam os porta-vozes dos mercados perfeitos, as informações na selva capitalista não estão todas disponíveis.

A incerteza é a única certeza efetiva num universo em que a expectativa de cada um se move a partir da expectativa do outro. E, não raro, contra ela.

Ou pior: contra o que se supõe que seja a expectativa do outro.

O ‘outro’ diz respeito frequentemente a mercados inteiros.

A mídia e o interesse especulativo manipulam essas referências nesse momento, acenando com a iminência de um descontrole econômico decorrente da transição cambial em curso.

A meta desse mutirão é soltar todos os demônios da incerteza ao mesmo tempo.

O da inflação, decorrente do impacto dos insumos importados na cadeias de preços; o da parada súbita de ingresso de capitais; o da imposição de um choque de juros para atrair dólares; o do desaquecimento daí decorrente e a sua consequência social explosiva: o desemprego.

A guerra opera no sentido de adiar o investimento de que o país necessita.

E demonizar a insuficiência do investimento feito.

Numa transição de ciclo econômico, como agora, o comportamento errático dos mercados, perde a capacidade de ordenar a formação das expectativas dos investidores.

A mídia que opera com a constância ensurdecedora de uma britadeira, exacerba seu papel e dá sentido estratégico ao conjunto.

Fica claro, que a formação das expectativas não é uma matemática.

Envolve decisões humanas, interesses em conflito e, como se vê no caso brasileiro, luta pelo poder.

A paulada do governo na especulação é necessária.

Mas não será suficiente, se os interesses que querem derrota-lo continuarem a exercer um poder descomunal na guerra das expectativas.

Graças ao monopólio da mídia.
Postado por Saul Leblon às 05:45

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Tombamento salva prédio da cobiça de imobiliária.

Casarão do Clube de Radioamadores é tombado

Publicação: 22 de Agosto de 2013 às 00:00
Fonte: Tribuna do Norte.
O casarão branco de varanda articulada em arcos, encravado no número 1004 da Av. Rodrigues Alves, sede do Clube de Radioamadores e do Clube de Engenharia no Tirol, foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Município. A portaria 50/2013 publicada na edição de ontem do Diário Oficial, afasta de vez o fantasma da especulação imobiliária que rondava um exemplar original da arquitetura influenciada pela presença norte-americana na primeira metade do século 20 em Natal.
Júnior SantosDe arquitetura arrojada, casarão da Rodrigues Alves foi a primeira sede para radioamadores construída no BrasilDe arquitetura arrojada, casarão da Rodrigues Alves foi a primeira sede para radioamadores construída no Brasil

De acordo com a portaria assinada pelo presidente da Fundação Capitania das Artes, Dácio Galvão, o tombamento está embasado no “significativo valor histórico, artístico, arquitetônico e cultural” que a edificação representa no contexto urbano. “O casarão tem importância cultural e social, foi a primeira sede para radioamadores construída no Brasil exclusivamente com esta finalidade. Do ponto de vista arquitetônico é um projeto arrojado, um casarão desses que estão desaparecendo em Natal e pode não sobrar nenhum para contar a história”, disse Hélio Oliveira, do Departamento de Patrimônio da Funcarte que emitiu o parecer favorável ao pedido de tombamento. Construído em 1949, no período pós-Segunda Guerra Mundial, o casarão traz estrutura semelhante às casas da Aeronáutica que existem até hoje em Parnamirim.

Aprovado por unanimidade pelo Conselho Municipal de Cultura, o tombamento foi solicitado por Álvaro José Ferreira Nunes, radioamador e interessado na preservação do lugar. Ele lembra que não enfrentou resistência dentro do Clube e que “não seria justo” que o lugar tivesse outro destino. “É uma relíquia arquitetônica encravada em uma área nobre da cidade, foi um bem para todos nós”, acredita.

A conselheira Odinélia Targino participou da votação e recorda que o parecer avaliou uma série de características do prédio, como ausência total de estrutura em concreto armado, alvenaria do contorno em pedras facejadas, alvenaria interna em tijolos maciço, revestimento de areia barrada e cimento, piso com base em concreto simples com revestimento cerâmico da época e forro madeira de ipê. “O casarão tem 64 anos e o estado de conservação é muito bom. Os métodos são originais da época. Acredito no peso do valor simbólico desse tombamento”, disse Odinélia.

Promotores e policiais discutem investigação criminal.


Representantes do MP e da polícia debateram regulamentação da investigação criminal

LEIAM 1 NÃO LEIAM
Compartilhar no Facebook CONAMP acompanhou audiência pública da Câmara e já confirmou presença no próximo debate no dia 27 
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados realizou ontem (20) audiência para debater o Projeto de Lei 5776/13, da deputada Marina Santanna (PT-GO), que trata da investigação criminal no Brasil. O presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP), César Mattar Jr.; o presidente da Associação Goiana do Ministério Público (AGMP), Alencar Vital; o presidente da Associação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT), Antonio Dezan; e o vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Robalinho Cavalcanti; acompanharam a audiência.
Participaram do debate, sugerido pelo deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), o secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, Flávio Caetano; a presidente do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG), Eunice Carvalhido; o procurador da República no Rio de Janeiro Marcello Paranhos; o diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Jorge Xavier; e o delegado da Polícia Federal Fernando Segóvia.
Durante a audiência, Eunice Carvalhido, elogiou o projeto. "Ele estabelece as atribuições do Ministério Público e da polícia, encerrando essa polêmica que surgiu com a PEC 37. Quando ele encerra essa polêmica, traz outra garantia ao investigado, que é preservar a imagem do preso. É proibido o preso ser exposto sua imagem para a mídia, como hoje acontece."
O PL foi apresentado em alternativa à Proposta de Emenda à Constituição 37/11, que atribuía exclusivamente às polícias Federal e Civil a competência para a investigação criminal e foi rejeitada no dia 25 de junho. Ao PL de Marina Santanna, estão apensados os projetos 5789/13, 5816/13, 5820/13 e 5837/13, que tratam da mesma matéria.
Já Marcello Paranhos apresentou algumas sugestões para a investigação criminal: segundo ele, “regras expressas de atuação podem ser mais eficazes do que a dispersão de atuações”. O procurador defende que haja um plano de investigação consensual entre os policiais e o MP.
Flávio Caetano apresentou dados sobre homicídios no país e de acordo com ele, segundo níveis tolerados pela ONU, o total de homicídios não pode ultrapassar 10 para 100 mil habitantes. Flávio afirmou que no Brasil, os números são “horrorosos”, chegando a uma média de 27 homicídios para cada grupo de 100 mil pessoas.
O melhor índice fica com São Paulo, onde são registrados 11 mortos para cada 100 mil pessoas. No entanto, em Alagoas, conforme explicou, a média é de 75 homicídios pelo grupo de 100 mil habitantes. Em certas localidades, acrescentou, há 125 assassinatos para cada 100 mil moradores. “São números de guerra civil”, destacou.
Audiências
A Comissão de Segurança Pública aprofundará o debate. De acordo com o relator, deputado Otávio Leite , essa foi apenas a primeira de uma série de audiências. “É um tema complexo. Eu não tenho pressa, mas isso não vai para a gaveta." Segundo Otávio Leite, o parecer deve ser apresentado em cerca de dois meses.
Um novo encontro já está marcado para a próxima terça-feira (27). Na outra semana as entidades do Ministério Público e da polícia participarão do debate. A CONAMP já confirmou a participação.
Fonte: com informações da Agência Câmara de Notícias
Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre a Ordem Maçônica. Confira!
Amplie seu estudo

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O debate sobre os médicos e a assistência médica no Brasil

Amigos, desculpem-me os que já receberam, mas houve uma falha parcial no envio. Abraços, Armando Negreiros.

RESPOSTA A UMA TRÉPLICA
Meu caro Miguel Aiub Hijjar, como não costumo deixar nada sem resposta passarei a abordar alguns pontos que necessitam ser esclarecidos. De antemão asseguro que não há nada de pessoal e, com absoluta certeza, nossa amizade se consolidará, pois a discussão é no campo das ideias.
Caríssimo Armando, gostaria de lembrá-lo que respondi seu e-mail (foi você quem começou tudo isto ao me enviar suas ácidas considerações, sendo você um bom escritor sarcástico não poderia ser diferente) ressaltando que não gostaria de polemizar por e-mail, mas pelo visto não poderemos nos furtar de tão acalorada discussão. Espero que isso não comprometa nossa amizade, apenas evidencie nossas discordâncias.
ARMANDO: obrigado pelo elogio, mas não fui ácido ou sarcástico, apenas expus um quadro que conforme comentarei adiante poderá produzir um estrago grande com a tentativa de desmoralização da classe – ou categoria – médica.
MIGUEL: Empatamos quanto aos empregos públicos. Entrei no Serviço público, por concurso - e consegui trabalhar e me sustentar com os salários que recebi somadas ás gratificações de chefia. Felizmente, hoje na Fiocruz e com cargo de chefia, recebo um salário digno, juntamente com o salário de minha esposa, que também é médica aposentada pela Fiocruz. Isto nos permite pagar o aluguel de minha residência na esquina da Avenida Atlântica. Aliás, com o seu salário de sua aposentadoria, você também poderia pagá-lo, o que seria um prazer tê-lo como vizinho.
Quanto a atuar no setor privado, nada contra. Inclusive sou contra a exploração aos médicos efetuada pela maioria dos planos de saúde. Quando afirmei que nunca trabalhei no setor privado apenas estava firmando minha posição de coerência com minhas considerações.
ARMANDO: conheço a sua competência e seriedade no exercício dos seus empregos, gratificações e chefias. Mas você criticou repetidas vezes, diferentemente de agora, a cobrança de honorários particulares – “uma anestesia por valor superior a um salário mínimo” – cobrados honestamente a quem pode pagar evitando, dessa forma, a exploração pelos planos de saúde e os preços humilhantes pagos pelo SUS. Aliás, nunca revelei que cobrava mais ou menos do que um salário mínimo. Não é sequer aconselhável vincular qualquer cobrança ao salário mínimo, pois, como o próprio nome indica, é mínimo.
MIGUEL: Nada contra o exercício liberal da medicina. Estou aqui defendendo o direito á saúde, como consta em nossa Constituição, através de um Sistema de Saúde Público de qualidade. Reafirmo minha posição em prol de melhorias de condições de trabalho e salários decentes para a categoria. Participei do histórico movimento sindical na década de 80 em que essas bandeiras foram levantadas inclusive tendo sido perseguido, na época, pela ditadura. Ultimamente não tenho visto um movimento propositivo e efetivo de melhorias nesse sentido, nem de fortalecimento do SUS. Ao contrário vejo o crescimento e fortalecimento de uma terceirização (criação de OS, etc.) e precarização do setor público.
ARMANDO: a Constituição assegura alguns direitos sociais como educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. Lutamos pela volta à democracia e o que vemos hoje é um governo corrupto que não cumpre a Constituição e quer se perpetuar no poder com um projeto de comprar políticos e dar esmola à população. Quem danado é contra um “sistema de saúde pública de qualidade ... melhorias de condições de trabalho e salários decentes para a categoria”? O que o partido que está no poder há mais de dez anos tem feito? Alguns discursos até dão para pensar que ainda estamos sob a égide da ditadura. Quem tem que melhorar o SUS? O dinheiro gasto na copa do mundo, com construção de elefantes brancos e muita corrupção e superfaturamento, resolveria o problema da saúde no Brasil inteiro.
MIGUEL: Não sou demagogo. Se desejar posso lhe mostrar meu currículo nesses quase 40 anos de Servidor Público em que percorri todo o Brasil construindo, definindo, implantando, pesquisando e ensinando. Enfim, defendendo políticas e diretrizes de saúde em prol de imenso contingente da população brasileira. No Rio de Janeiro, que lhe parece causar uma mágoa doentia em ter a beleza de uma praia de Copacabana, atuei com populações carentes com doenças consequentes de determinantes sociais. Foi assim desde quando fiz minha tese de mestrado numa população favelada do município do Rio de Janeiro, abordando o tema da tuberculose.
ARMANDO: não há necessidade, pois conheço o seu currículo, como já afirmei acima. Não há mágoa doentia nenhuma em relação a essa bela cidade do Rio de Janeiro, onde morei dez anos e visito todos os anos. Apenas analisei a contradição, o paradoxo, em não querer aceitar a cobrança de honorários particulares por parte dos médicos que não tem a sua privilegiada e mais do que merecida aposentadoria. Os preços pagos aos médicos pelo SUS são incompatíveis com o mínimo necessário.
MIGUEL: Parece que aqui não temos grandes discordâncias. Porém, veja quantos médicos brasileiros se inscreveram e foram selecionados. Número ínfimo diante das vagas disponibilizadas. NÃO PRECISARÍAMOS DISCUTIR MAIS NADA. ESTÁ PROVADA NA PRÁTICA A MINHA TESE!!!
ARMANDO: nós não podemos criticar, pois nem eu, nem você, nos inscrevemos. O governo está completamente sem rumo. O que danado um médico vai fazer no interior sem as menores condições de trabalho? Veja a entrevista de Miguel Srougi no Salomão Schwartz (está no You tube). São seis anos no curso de graduação, pelo menos três anos de Residência Médica, para ir para um lugar onde não se pode aplicar nada do que se aprendeu, além da frustração em não poder atender ao povo que necessita. Os gestores sabem que primeiramente terão que ser criadas as condições de trabalho, a infraestrutura, o mínimo necessário, para somente depois contratar pessoal e botar para funcionar. Não adianta querer inverter essa lógica. O SUS precisa se estruturar para depois dispensar a terceirização e não ao contrário como o Ministério Público quis fazer há alguns anos. Repito: somente quando os três poderes forem atendidos obrigatoriamente na rede pública teremos um SUS digno para todos.
MIGUEL: Não creio que tenhamos alguma divergência quanto á corrupção. Somos contra e sempre vamos combatê-la. Vou sempre defender que devemos matar o carrapato e não o boi. Se temos carrapatos em algum partido político temos que matá-lo. Não podemos matar o boi (as ideias e os princípios), muito menos a democracia. Discurso raivoso como este seu beira um discurso fascista (mesmo sabendo que você não é). Aliás, você poderia também olhar para o escândalo do Mensalão Mineiro, para o dos trens de São Paulo com o Serra, Alckmin e quem diria Mario Covas...
ARMANDO: você querendo matar tanto carrapato e no final o fascista sou eu? Só porque falei a verdade sobre Lula e sua corja. Esse grande líder – hoje uma das maiores fortunas do país - que é amigo de Paulo Maluf, José Sarney, Fernando Collor, Jader Barbalho e Renan Calheiros? E então, não é verdade que quando os líderes petistas adoecem se tratam no Sírio Libanês e querem obrigar o restante da população aos corredores lotados dos hospitais públicos?
MIGUEL: Novamente estamos em acordo quanto ao bom destino dos recursos financeiros nas três esferas de governo, mas sinceramente, gosto de futebol, acho que temos que ter estádios decentes e esporte também é saúde. Mas claro, nunca em detrimento de suprir primeiramente as prioridades, principalmente de educação.
ARMANDO: esse seu último parágrafo está hilário e mostra que você continua muito bem humorado. A dinheirama que está sendo derramada é justamente em detrimento de todas os direitos sociais elencados no artigo sexto da Constituição: educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados.
MIGUEL: Falei do povo brasileiro para mostrar a contradição da luta dos médicos por melhores salários na rede pública, com valores de consultas privadas, baixas remunerações dos planos de saúde, e rendimentos pequenos da maioria da população brasileira (por ex. salário mínimo). Acho que todos deveriam ganhar como um anestesista: esse seria o verdadeiro socialismo. 
Obrigado por me parabenizar ser carioca, viver na Cidade Maravilhosa e poder pagar o aluguel em Copacabana. Gostaria que você também aproveitasse as belíssimas vistas de Natal sem nenhum constrangimento, crítica ou inveja de minha parte.
Finalmente creio que esse Plano de contratar médicos (sejam brasileiros, estrangeiros ou extraterrestres) somente beneficiará a população brasileira, que sei e vi e vivi ainda carece muito de médicos e serviços de qualidade.
ESPERO SINCERAMENTE CONTINUAR PODENDO MANTER UMA "VERVE" COM VOCÊ, MAS DE PREFERÊNCIA COM TEMAS MENOS POLÊMICOS E QUE NO NOSSO PRÓXIMO ENCONTRO VOCÊ NÃO PRECISE LEVAR UMA PEIXEIRA NEM EU UMA AR-15.
GRANDE ABRAÇO
Miguel Aiub Hijjar
ARMANDO: confesso que não entendi essa afirmação: “mostrar a contradição da luta dos médicos por melhores salários na rede pública, com valores de consultas privadas, baixas remunerações dos planos de saúde, e rendimentos pequenos da maioria da população brasileira (por ex. salário mínimo).” Um verdadeiro “samba do crioulo doido”. O que o médico precisa, repito, é de um plano de carreira com remuneração justa. Porque esse sarcasmo com o suposto ganho dos anestesiologistas? Não seria bom nivelar os honorários por cima, num nível digno? Ou sempre terá que existir alguns mais iguais do que outros?
Enfim, meu caro Miguel, nossa amizade jamais irá se abalar por conta dessas querelas. Você é meu convidado para se hospedar no meu apartamento quando me der o prazer de vir a Natal, juntamente com a sua esposa. Viva a verve!
FORTE ABRAÇO,
Armando Aurélio Fernandes de Negreiros