Em um desses
feriadões encompridados, eu quis inovar nas minhas rotinas diárias. Decidido a
quebrar com a mesmice do dia-a-dia, resolver não ler jornais, abrir a caixa de
e-mails, ligar a internet, ver televisão, ler livro, escrever ou ir à praia.
Cedinho, desci e fui andar no pretensioso jardim de alguns metros quadrados que
orna a minha casa e tomei um banho de piscina, coisas que eu não fazia há já
alguns meses. Depois de tomar café e acender meu charuto matinal, fui brincar
com a cachorra, mas as horas não passavam. Fiquei doido para, pelo menos,
folhear o jornal; mas me contive. O jeito foi andar pelas ruas do entorno da
minha residência. Como era feriado, também era muito cedo para encontrar alguém
nas ruas. Vez ou outra aparecia uma alma penada que passava por mim e fazia um
cumprimento meio acanhado, com as palavras ditas pela metade, faladas para
dentro.
Assim
passei a manhã inteira, procurando fazer coisas diferentes. Liguei para os amigos
daqui, de outros cantos do Brasil e fiz até uma ligação para a minha sobrinha
que mora no Texas, nos Estados Unidos, coisa que antes nunca tinha feito. Mas
não consegui falar com ela, vez que lá era dia de trabalho. Lá para as tantas,
arrastei minha mulher e fomos passear em um dos shoppings da cidade. Eu acho
que essa parte da ideia fui minha e de quase todo mundo, pois toda a população
da urbe estava lá. Mal dava para se andar nas alamedas. As lojas que estavam
abertas tinham compradores “escoando pelo ladrão” e a praça da alimentação
formigava de gente. Em determinada altura vi-me em frente de uma livraria.
Parei um pouco e fiquem conversando com meus botões: folhear livro é a mesma
coisa de ler livro? Resolvi que não era. Entrei.
Estava
vendo as prateleiras das novidades e olhando as outras, quando uma jovem senhora
se aproximou e pediu que eu autografasse um livro meu sobre contabilidade, que
ela havia terminado de comprar. Atendi e agradeci à minha ilustre leitora (todo
meu leitor é ilustre) o fato dela comprar algo de minha autoria e me voltei
para continuar a folhear os livros que faziam parte de um lote de lançamentos. Ai
fui abordado por um senhor com mais ou menos a minha idade, que tinha em mãos
um exemplar de outro livro de minha autoria. Falei para mim mesmo: “Puxa, isso
nunca me aconteceu antes, e agora acontece em dose dupla”.
Mais
não era nada disso. O cidadão queria simplesmente discutir o conteúdo do livro.
O livro em questão era a biografia do Padre Mota, lançado há poucos anos, de
quem o dito cujo se disse bastante conhecedor. Questionou o que disse ser a
“aridez” do meu texto, que no seu entender deveria ser mais informal, menos
técnico. Achava que teria que haver mais “causos” engraçados, que eu deveria
ter contado aquele do Raimundo Sacristão e aquela outra história etc. e tal.
Disse que não faria falta se eu não tivesse escrito nada da primeira parte,
onde são abordados aspectos da região e da gente de Mossoró e do Oeste do Rio
Grande do Norte. Nessa altura eu lhe perguntei se ele era de Mossoró e ele me
respondeu que não. Ai ele engatou uma marcha mais forte e continuou sua
análise. Disse que o livro deveria ter mais noticias sobre o padre e menos do
prefeito, pois ele, evangélico, não concordava com essa história de padre se meter
em política.
Ai
aconteceu algo surrealista. Eu perguntei: “O senhor conhece Mossoró?”. Ele
respondeu: “Não. Não gosto de calor”. Eu: “O senhor já leu o livro”. Ele: “Não.
Folhei aqui na livraria”. Eu: “Como é o seu nome”. Ele: “Johan Maurits van Nassau-Siegenda da Silva,
mas os meus amigos me chamam só de Maurício de Nassau”. E foi embora, sem ao
menos dizer um tchau.
Minha mulher, que até
então estava em outra parte da livraria vendo outros livros, chegou e me
perguntou: “Estava conversando com quem?”. Respondi: “Com o próprio, o fabuloso
Mauricio de Nassau”. Ela: “Com o fabuloso quem?”.
Fui para casa ler meus jornais, abrir a
caixa de e-mails, ligar a internet, ver televisão, ler meus livros e escrever meus
artigos. Só não havia mais tempo para ir à praia.
sábado, 11 de julho de 2015
Notícias da Assembleia
NOTÍCIA DO DIA 09/07/2015 | NOTÍCIASMárcia quer fortalecimento do Programa de Resistências às Drogas
A deputada estadual Márcia Maia (PSB) solicitou, na sessão plenária desta quinta-feira (9), que o Governo do Estado fortaleça os programas de Resistência às Drogas (PROERD) e o Ronda Escolar. Para a deputada, os programas são importantes para crianças e jovens do Estado e não podem sofrer nenhum esvaziamento, em detrimento da implantação do Ronda Cidadã, anunciado pelo Governo do Estado.
“Fui procurada por pessoas que fazem o PROERD e que demonstraram preocupação com um possível esvaziamento do programa e eu não posso me calar porque nosso interesse é que esse programa se fortaleça. Ele é extremamente importante, sobretudo nesta situação de insegurança que vivemos”, disse a deputada. O assunto será debatido nesta quinta-feira (9), às 14h30, em Audiência Pública na Assembleia Legislativa proposta por Kelps Lima (SDD).
Durante pronunciamento, a deputada disse ainda que tem a informação de que o Ronda Escolar já acabou e que a Coronel Margarida, comandante do PROERD no Rio Grande do Norte, foi destituída do Conselho de Políticas sobre Drogas e demonstrou preocupação quanto a isso. Ela ressaltou a importância de manter a comandante à frente do PROERD e elogiou sua atuação.
O deputado estadual Fernando Mineiro (PT), Líder do Governo na Assembleia, disse que o programa não irá acabar e que esse possível esvaziamento não passa de um boato. “O Governo do Estado não irá acabar o Proerd”, falou o parlamentar. Em aparte, o deputado Kelps Lima (SDD) disse que foi procurado por vários militares para falar do esvaziamento. Jacó Jácome (PMN) também afirmou que foi procurado e elogiou a iniciativa de tratar sobre o assunto. Getúlio Rêgo (DEM) e Tomba Farias (PSB) parabenizaram o pronunciamento da parlamentar.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte | Assessoria de Imprensa
09.07.2015
Deputados discutem projeto de combate às drogas
Crédito da foto: Eduardo Maia
Os deputados Ezequiel Ferreira de Souza (PMDB), Jacó Jácome (PMN) e Fernando Mineiro (PT) se reuniram na manhã desta quinta-feira (9) com representantes do Governo do Estado e do Ministério Público Estadual para tratar sobre o Projeto de Lei nº 015/2015, de autoria de Jacó, que dispõe sobre a erradicação das drogas.
“Nos reunimos com o propósito de adequar a minha proposta às ações do Executivo e do MP e assim formatarmos a Rede Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas”, disse Jacó Jácome. Segundo o parlamentar, a Rede irá atuar na prevenção e no combate às drogas, permitindo a participação de todos os setores da sociedade. “Será o maior marco legislativo que o Rio Grande do Norte terá do ponto de vista de combate às drogas”, declarou.
Com as alterações propostas para o Projeto de Lei, a matéria será novamente apreciada pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Social da Casa Legislativa. De acordo com Jacó, a proposta será votada antes do recesso parlamentar.
“A expectativa é que o projeto seja votado na próxima semana, pois o presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira, sempre atento e sensível às causas de relevância social, assegurou que o projeto é uma prioridade do Legislativo potiguar. O deputado Mineiro, presidente da Comissão de Educação, garantiu o mesmo”, concluiu Jacó.
domingo, 5 de julho de 2015
Fordismo,
toyotismo e verticalização
Tomislav R. Femenick – Contador e economista
A verticalização da produção é
uma ação de uma empresa ou grupo empresarial, que visa à otimização dos
recursos que lhe são disponíveis, integrando processos de compra, produção,
distribuição e venda de seus produtos. Ao agregar insumos, processos e
tecnologia, a empresa ou o grupo estaria reduzindo custos ou ampliando suas
vendas; no mesmo setor ou em segmento correlatos.
Há dois tipos básicos de
integração da produção; aquela que visa fortalecer a organização assegurando o
fornecimento de matérias-primas e outros insumos que lhe são necessários
(integração para trás), e a outra que objetiva agregar consumidores (integração
para frente); não confundir com diversificação de atividades.
A
verticalização da escala produtiva e padronizada foi uma das bases do fordismo,
concepção desenvolvida por Henry Ford em sua fábrica de automóveis, segundo a
qual tudo deve pertencer ao mesmo dono e deve ser controlado de maneira
centralizada, objetivando manter um ritmo adequado da produção. Por esse
motivo, no inicio do século passado foi amplamente utilizado o conceito de
integração vertical do processo produtivo (integração para trás), centralizado
em um mesmo empreendimento. Na forma de pensar da época, as organizações
verticalizadas eram chamadas de “tradicionais”
e analisadas de forma desvinculadas de seu mercado consumidor.
Nos anos 1950
teve início o processo de mudança na estratégia das empresas para garantir
suprimentos para sua linha de produção. A própria Ford adotou a prática do outsourcing,
ou seja, a aquisição de componentes junto a terceiros. Essa política foi adotada
com o objetivo de reduzir os custos de produção, já que reduz os investimentos
fixos (com edificações, máquinas, equipamentos, por exemplo), bem como os
custos de estocagem e gerenciamento de material e outros, além de reduzir os
encargos financeiros, visto que a redução de necessidade de ativos produtivos
reduz a necessidade de tomada de recursos de terceiros para financiá-los.
O conceito de verticalização da produção mais ou menos
que perdurou até os anos 1970, quando houve o surgimento de novos paradigmas
técnico-econômicos tais como: a) a produção enxuta; b) a customização –
personalização, adaptação, adequação dos produtos – de acordo com o gosto ou
necessidade do mercado, e c) os blocos regionais – União Europeia, Mercosul
etc.
Então foi o
declínio das indústrias do modelo fordistas, ou seja, do sistema de produção
baseado na verticalização e o nascimento da produção enxuta, também conhecida
como toyotismo (desenvolvido pela montadora japonesa Toyota), modelo que integra o just-in-time,
kanban, TQC. O just-in-time
é um processo de administração da produção que visa reduzir estoques e os
custos decorrentes, evitando comprar, produz ou transportar qualquer insumo ou
produto antes da hora exata. O kanban é uma técnica que controla os fluxos de produção. Esse conjunto
de novas visões sepultou a integração para trás.
Essa
onda de mudanças também atingiu a integração para frente, onde os processos de
distribuição da produção, integração dos produtos como insumos de outros
setores e “fechamento” da cadeia produtiva deixaram de ser atrativos por
produzirem resultados não satisfatórios, tendo em vista os custos de aquisição
de novas tecnologias para essas novas atividades.
Então, o novo
paradigma industrial passou a se articular sob três dimensões básicas: a)
cooperação entre empresas fornecedoras e compradoras; b) uso intensivo de novas
tecnologias nas atividades básicas; c) padrão de organização voltada para
melhores resultados nas atividades básicas.
Tribuna do Norte. Natal, 05 jul 2015.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
'Os EUA podem hoje desligar a internet de qualquer país'
Hartmut Glaser diz que há avanços na proposta para uma governança global da internet
A visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, nesta semana, teve como um de seus objetivos virar a página do mal estar criado nas relações bilaterais pelas denúncias de que a Agência de Segurança Nacional americana (NSA) teria espionando figuras do alto escalão do governo brasileiro.
Foram tais denúncias, feitas pelo ex-funcionário da NSA, Edward Snowden, que levaram Dilma a cancelar uma visita oficial ao país em 2013. Dois anos depois, ainda é impossível ter garantias de que esse tipo de espionagem não possa voltar a ocorrer, segundo Hartmut Glaser, secretário-executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), entidade que administra a distribuição de endereços eletrônicos e zela pelo bom funcionamento da rede no país.
Segundo Glaser, porém, um dos resultados positivos do caso foi dar ao Brasil protagonismo em uma área que tende a ganhar importância nos próximos anos: a busca pela formulação de um sistema de governança internacional da internet.
O secretário-executivo do CGI diz que, em parte pressionados pelo escândalo da NSA, os Estados Unidos concordaram em abrir mão da tutela que, desde os anos 90, exerciam sobre a chamada Corporação da Internet para Designação de Nomes e Números (ICANN), entidade que administra questões técnicas fundamentais ligadas a internet, como a distribuição de domínios.
Por que isso é importante? Segundo Glaser, o problema é que hoje, tecnicamente, os Estados Unidos podem 'desligar a internet' de qualquer país.
Na terça-feira essa transição foi um dos temas discutidos em São Paulo na iniciativa conhecida como NetMundial, encontro que contou com a presença do presidente da ICANN, Fadi Chehadé, e com o Ministro de Administração do Ciberespaço da China, Lu Wei. Confira abaixo a entrevista concedida a BBC Brasil pelo secretário-executivo do CGI durante a reunião:
BBC Brasil: Dois anos após o escândalo da NSA, em que avançamos no que diz respeito às garantias contra esse tipo de espionagem?
Glaser: É muito difícil responder isso de forma direta. Acho que, para começar, nunca foi provado que o problema denunciado pelo Snowden estava ligado a internet. Pode ser que a espionagem tenha ocorrido via telefônica, por celular. Na abertura de nosso evento da NetMundial, o ministro chinês (Lu Wei) lembrou que em tudo (o que diz respeito a rede) há um lado positivo e um negativo. Temos cada vez mais usuários na internet – o que é bom. Mas isso de fato também aumenta o risco de existência de hackers e de uma invasão indesejada.
Dilma e Barack Obama se encontram nos EUA
BBC Brasil: Mas então não há como limitar a espionagem ou a exposição de alguns dados na rede?
Glaser: Você nunca vai ter uma estrada que não tem acidente. Ou melhor... na realidade, é muito fácil acabar com todos os acidentes da (Via) Dutra: basta fechar a Dutra. Mas isso é aceitável? Não. O mesmo ocorre com a internet. Há alguns anos teve um juiz que mandou 'desligar' o YouTube (no Brasil). O que aconteceu: em vez de resolver um problema, criou milhares de outros. Precisamos tomar cuidado com os extremos. A internet é uma ferramenta essencial, muito útil, mas deve ser usada com critério. Não é culpada de nada.
BBC Brasil: Como avançamos?
Glaser: Um passo importante é treinar os usuários a lidar com essa nova realidade. Muita gente acaba expondo os seus dados e a sua intimidade nas mídias sociais, por exemplo. Na minha época, algumas meninas mantinham diários escondidos. Hoje, os jovens revelam tudo no Facebook. Isso é parte de uma revolução, uma expressão de uma nova sociedade que está surgindo. Não sou contra mídias sociais, mas é preciso tomar cuidado com informações pessoais. Até com o telefone é preciso cuidado. Não dá para entregar a sua vida de bandeja. Milhares de empresas, quando contratam alguém hoje, fazem a varredura na internet e redes sociais. Dá para saber se um candidato tem uma vida noturna agitada e etc. Então (proteger nossos dados e intimidade) não é algo que depende do CGI, da ICANN ou do governo, depende de todos nós.
BBC Brasil: O seu argumento faz sentido quando o tema são informações pessoais colocadas em mídias sociais. Mas o caso de e-mails confidenciais de chefes de Estado parece diferente, não?
Glaser: Não tenho acesso aos dados do governo brasileiro, mas, pelo que soube, na época (do escândalo da NSA) o software usado (nas correspondências oficiais) era um software comum, sem muita proteção. Algo que já recomendamos ao governo, e eles estão trabalhando nisso, é que deveria haver uma rede própria (para essa troca de e-mails entre autoridades), que não seja uma rede comercial. Houve a instalação de uma fibra ótica ligando todos os ministérios, mas cada um tem a sua autonomia, seu próprio orçamento, falta uma ação coletiva.
Houve um despertar para essa responsabilidade. Tanto a Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) quanto o pessoal da área militar, que também faz parte do governo, se preocuparam e estão trabalhando para ampliar a segurança. Não quero ficar mencionando nomes de empresas, fornecedores e softwares. Mas eu tomo alguns cuidados e meu computador nunca foi invadido. Pela natureza do que eu faço, pode ser que tenha gente que queira acompanhar minhas mensagens. O governo deveria ser o primeiro a se consultar com especialistas. Nesse sentido, também houve falhas do lado do governo.
Edward Snowden expôs rede de espionagem da NSA
BBC Brasil: A ICANN deveria deixar de estar sob tutela americana em alguns meses. O que isso significa?
Glaser: Em 1998, quando a internet passou da área militar para a acadêmica, a ICANN, uma ONG sem fins lucrativos, surgiu para administrar os nomes de domínio. Isso ocorreu justamente para que a rede pudesse sair das mãos do governo americano. Mas um cordão umbilical não foi cortado: o Departamento de Comércio ainda tem controle sobre as atividades (dessa ONG). Desde o início, havia a previsão de que essa relação deveria terminar. Em 98 e 99 se falava que em dois ou três anos já se acharia uma alternativa. Estamos em 2015 - e nada.
Depois das revelações de Snowden, a presidência brasileira foi envolvida (nesse debate). Em Nova York ela anunciou que iria atuar para chegar a um acordo sobre princípios globais da internet - quase que um código de ética. O CEO da ICANN conversou com a presidente e o primeiro encontro da NetMundial foi organizado em abril de 2014 para debater o tema.
Os Estados Unidos se apavoraram com esse movimento. O Snowden fez um baita estrago. Envergonhou os americanos, que costumavam levantar a bandeira do respeito à privacidade e dados pessoais. Até então, os Estados Unidos eram os grandes heróis da internet. Os ruins eram sempre os outros, os hackers da China, os russos.
Em fevereiro de 2014, os americanos finalmente anunciaram que estava na hora de deixar a ICANN e permitir uma governança global (da internet). Agora, eu faço parte de um grupo de 30 pessoas que está estudando a melhor forma de fazer essa transição. Há uma série de pré-requisitos. Um deles é que a nova governança da rede deve ser multisetorial. Além de governo, precisa incluir empresas, acadêmicos e ONGs. Nós, brasileiros, já fomos acusados de querer assumir a internet por realizarmos a NEtMundial. Isso nunca passou pela nossa cabeça.
BBC Brasil: Por que interessa quem está no controle da ICANN?
Glaser: A internet é como uma árvore. No topo estão alguns computadores em que estão registrados os chamados top level domains - o que está a direita do nome de domínio. No caso do Brasil é o .br (ponto br), no da França o .fr, no da Alemanha .de. Esse código está em 13 computadores e o computador principal está nos Estados Unidos. Então, se por algum motivo eles desligarem o .br (ponto br) desse computador, todos os domínios do Brasil deixam de existir. Na prática isso quer dizer que hoje o poder de desligar a internet está nas mãos de um país e as pessoas questionam isso. Nos computadores do CGI, tenho 3,7 milhões de domínios do Brasil. As minhas salas são controladas. Sei quem entra, quem sai. Há um sistema de identificação com impressão digital. Mas se eu fosse mal intencionado poderia entrar e desligar seu domínio ou seu provedor.
BBC Brasil: O que o senhor está dizendo, então, é que, tecnicamente, hoje os Estados Unidos poderiam desligar a internet da China ou do Brasil?
Glaser: Poderiam. Por isso países com a China e a Rússia sempre fizeram certa oposição aos Estados Unidos e quiseram participar (de um novo sistema de governança da internet). Na realidade, no ano passado os chineses aderiram a esse modelo setorial. Eles estavam querendo sair e criar uma internet própria, o que fragmentaria a rede. Em um encontro em Buenos Aires na semana passada, a Índia também aderiu a uma internet para todos trabalharem juntos. Hoje a grande expectativa é em torno da Rússia. Mas estamos convergindo para uma solução: uma internet, um protocolo, uma forma de comunicação que precisam ter um gerenciamento global representativo.
BBC Brasil: Seria como uma espécie de ONU da internet?
Glaser: Não é uma ONU porque os membros não são só Estados ou governos. Há essa composição multisetorial, com todos os setores da sociedade representados. Pode até ser que a ICANN mantenha seu papel, mas seria preciso mudar seu estatuto, sua forma de eleição e representação. Teríamos de cortar esse cordão umbilical com os Estados Unidos e dar autonomia para a entidade. Provavelmente ela vai precisar de um diretor da Índia, um da China e um do Brasil. Hoje você tem cinco ou seis americanos, cinco ou seis europeus - dois terços na mão do mundo desenvolvido. E África, Ásia e América Latina ficam de fora. Temos um latino-americano em um board de vinte e uma pessoas. É muito pouco.
Glaser: O contrato da ICANN com o governo americano vai até setembro e havia a expectativa de que a transição poderia ocorrer neste momento, mas vimos que não será tão fácil. Já se fala em um adiamento de seis meses - para março. Possivelmente, também poderia haver outro adiamento para junho ou julho. Há muitos detalhes e minúcias para serem resolvidos. Não vamos atropelar esse processo.
BBC Brasil: Essa entidade global não precisaria ter princípios e valores definidos para cuidar da 'governança da internet'? Ao incluir países acusados de censura na rede, como China e Rússia, que tipo de desafios pode ter de enfrentar?
Glaser: Essa entidade não vai ser a polícia da internet. Não vai zelar pelo conteúdo. É muito mais uma entidade técnica. O CGI no Brasil não avalia conteúdo. Somos quase que uma junta comercial. Se você quer uma vida na internet, abre um registro conosco. Como você usa isso? Deve seguir as leis do país, a Constituição. Se a Justiça chega para mim e diz: eu quero saber quem é o dono desse IP, esse endereço da internet, respondemos. Mas não somos censura, não temos filtro.
BBC Brasil: Algumas pessoas acham que estão imunes à lei na internet?
Glaser: O Google por exemplo tem publicado imagens de casais no topo de prédios ou na praia em momentos de intimidade (as imagens são captadas para o Google Maps). De certa forma isso é invasão de privacidade, mas intimidade se faz em casa, certo? A tecnologia criou uma nova realidade e as pessoas têm de se conformar com algumas coisas e aprender a lidar com isso. Precisamos nos acostumar a essa vida nova. Além disso, incitação a bagunça, nazismo, racismo, terrorismo, tudo isso já está proibido pela lei. A internet é só mais uma mídia, o que você não publicaria em um artigo de jornal não pode publicar na internet.
Gustavo Carvalho apresenta dados e elogia os
seis primeiros meses do Governo
Crédito
da foto: João Gilberto
O
deputado estadual Gustavo Carvalho (PROS) apresentou, em sessão ordinária nesta
quinta-feira (2), um balanço das atividades desenvolvidas pelo Governador
Robinson Faria (PSD) nos seis meses de gestão. Para o parlamentar, o Governo tem
demonstrado eficácia e vontade.
“É impossível não notar o comprometimento
do Governo e não podemos deixar de elogiar o trabalho da gestão em todas as
áreas da administração pública”, disse Gustavo Carvalho.
O parlamentar
citou as ações desenvolvidas em diversas áreas. Na segurança, ele destacou a
implantação do Comitê de Gestão Permanente e do Gabinete de Gestão de Crise,
capacitação dos agentes de Segurança Pública e renovação dos contratos dos
aluguéis das viaturas.
Gustavo Carvalho falou ainda do Instituto de
Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (IDEMA), que tinha várias
licenças travadas e que nesses meses liberou 1.700 licenças, entre elas a que
envolve o complexo eólico. O deputado falou também sobre os avanços no
Turismo, Educação e Saúde e que é preciso reconhecer que o Rio Grande do Norte
voltou a fazer parte da rota de desenvolvimento. “Ainda falta muito a fazer, mas
muito já foi realizado”.
Em aparte, o deputado estadual Dison Lisboa
(PSD), reiterou os dados de Gustavo Carvalho dizendo que agora o Rio Grande do
Norte tem rumo, apesar de ainda ter que avançar. George Soares (PR) enalteceu as
ações do Governo do Estado e a postura do governador Robinson Faria, afirmando
que o Executivo “tem buscado as soluções e está tentando
acertar”.
Assembleia
Legislativa do Rio Grande do Norte | Assessoria de Imprensa
Natal, 02.07.2015
Getúlio diz que o Governo precisa receber
recursos para investir nas áreas críticas do
Estado
Crédito
da foto: João Gilberto
O deputado Getúlio Rêgo
(DEM) chamou atenção, nesta quarta-feira (1º), para a situação das áreas que se
encontram em situações críticas no Rio Grande do Norte, como Saúde, Segurança,
Recursos Hídricos e Agricultura. O parlamentar destaca que o Governo precisa
investir à medida que os recursos cheguem.
“Havendo ampliação da
arrecadação do Estado, as secretarias precisam promover os investimentos. A
Secretaria de Saúde, por exemplo, precisa receber os repasses para tirar o povo
do sofrimento”, disse Getúlio Rêgo.
O deputado falou ainda que é preciso
ter respostas mais efetivas para as populações que sofrem com a falta de água e
faz um apelo ao Governo do Estado para que se reúna com as secretarias de
Recursos Hídricos, Agricultura, Segurança, Saúde e com a Emater para que
encontrem soluções.
Em aparte, o deputado Kelps Lima (SDD) pede atenção
para a situação da Avenida Moema Tinôco, na Zona Norte de
Natal.
Tomislav R. Femenick - Economista e
Auditor Independente
Todos os esforços empregados pelos
historiadores, jornalistas e outros pesquisadores têm como objeto a busca da
verdade. Aqui nos deparamos com um problema: o que é verdade? Para se estudar a
verdade, tem-se que enveredar pelos caminhos de outra disciplina; tem-se que se
debruçar sobre os “conceitos filosóficos de verdade”, que são múltiplos e às vezes
contradissestes e contestadores entre si. O problema torna-se mais complicado
quando se sabe que cada um desses conceitos exige um tratamento
diferente da verdade.
Essa adjetivação da verdade cria
um procedimento coadjuvante para a sua investigação. Se os conceitos sobre a
verdade têm origem em definições filosóficas, tem-se que concluir que a verdade
como coisa única, eterna e irrefutável não existe. Essa concepção sincrética ou
eterna (philosophia perenis) da
filosofia morreu por volta do século XVII, quando da ruptura entre a filosofia
e a ciência.
Segundo o filósofo
norte-americano Donald Davidson a “verdade
é uma locução que só depende de duas coisas: do que as palavras significam e de
como o mundo está ordenado. Não há nada mais relativo do que isso”. Sendo
assim, a verdade não poderia ser encontrada e muito menos enquadrada em uma
fórmula. A verdade verdadeira, a “verdade real” seria, pois, uma “noção
primitiva”. Em determinadas circunstâncias, poderiam perfeitamente ser aceitas
noções múltiplas de verdade.
Outro
conceito filosófico sobre o tema é aquele que busca fazer a “adequação da coisa e da ideia” (adequatio
res et intellectu),
encontrado no pensamento de Aristóteles
e de São Tomás de Aquino.
Embora seja das mais antigas, essa visão da verdade é uma das mais falhas e sua
falha maior está em apresentar uma adequação perfeita entre o fato e o elemento
de sua comprovação. É a “certeza” não cientifica da verdade, que acaba por
induzir certos estudiosos a fazer a adequação dos acontecimentos à “sua certeza
da verdade”, muitas vezes nascidas de perspectivas nada científicas, tais como
a fé e a ideologia. Ai, então, cria-se mitos e não relatos verdadeiros.
E
por que todo esse falar sobre a verdade; perdão, sobre as verdades? É que certo
cronista publicou, em uma dessas revistas mantidas por verbas públicas, um
alentado estudo pseudocientífico falando sobre “os novos tempos da vigorosa economia brasileira, sob a bandeira do
pensamento e do governo petista”. Seria risível se não fosse tolo,
irresponsavelmente, propagandístico. Suas teses são como as folhas de outono:
voam, mas não nem se sustentam no ar. Vejamos alguns pontos levantados pelo “eminente”
sábio petista. A primeira delas é pretensiosa demais da conta, como dizem meus
alunos: a inflação somente teria ido embora (e foi?) por causa da atuação firme
de três pilares da política econômica dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci,
Henrique Meirelles e Guido Mantega. Outra: a primeira política social do
governo brasileiro foi a campanha “Fome Zero”, implantada logo no início da
gestão lulista. Mais uma: foi nos governos do operário-presidente e da
gerentona que a Polícia Federal começou a prender bandidos de colarinho branco
e não só os “três pés”; pobre, preto e puta.
Grande cronista... Grande petista...
Grande bajulador...
Vejamos o quando tem de verdade
nessa versão de bajulice explicita. Não há como não concordar que a política
econômica dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva foi a coisa mais certa dos
seus dois mandatos. Todavia, ela foi uma “herança bendita” do governo de
Fernando Henrique Cardoso, simplesmente continuada por Palocci e Henrique
Meirelles; depois Mantega bagunçou tudo. Aliás, Meirelles quando foi convidado
para assumir o Banco Central era deputado eleito pelo PSDB, partido do governo
anterior. Ora, todo mundo sabe que o tiro mortal contra a inflação teve arma e
autor identificados; o plano real (ao qual o PT foi contra) e FHC, na época
ministro de Itamar Franco. Como também todo mundo sabe, a política econômica do primeiro mandato de Dilma Rousseff foi um desastre completo.
Quanto a “Fome Zero”, as torcidas do
Flamengo e do Corinthianssabem
que ela é irmã gêmea da Viúva Porcina, a que foi sem nunca ter sido. Sem sombra
de dúvida, a grande atuação social do governo Lula foi a Bolsa Família; que
teve origem na Bolsa Escola, no Vale Gás e outras do governo anterior. Mas,
justiça se faça, sua amplitude a transformou numa das melhores, não fossem as
maracutaias nela embutidas.
Dizer que a Polícia Federal somente
começou a trabalhar agora é o mesmo que dizer que seus delegados e agentes
nunca trabalharam; é uma inverdade e até uma ofensa. Eles sempre trabalharam,
acontece que só agora há tantos desmandos com o dinheiro público: petrolão, mansalão,
dólares na cueca, sanguessugas e muito mais. E ainda estão por vir o eletrolão,
o os financiamentos acertados do BNDES “aos amigos do rei e da rainha” e, por
certo, muitos outros mais. Numa coisa Lula tem razão, a utopia do PT acabou.
O espaço é curto para falar no
desemprego, nos juros altos, no aumento dos impostos, na conta de luz, nos
déficits na balança comercial, no preço do dólar et cetera e et cetera e
tal; tudo com digital petista.
Joseph Stiglitz, prêmio nobel de economia, assessor econômico de Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata à Casa Branca: o Brasil está atolado em dívidas que são produzidas pelas expansões monetárias promovidas pelos países ricos, cujos efeitos são pressões inflacionárias. A saída não é austeridade, como tenta impor o ajuste fiscal do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, cortando gastos e investimentos públicos. O correto, diz, é promover reforma financeira, para dar um tranco nos especuladores que invadem a economia nacional para fugir da eutanásia do rentista em vigor nos países capitalistas ricos. O tranco nos especuladores deve, portanto, começar por cobrar mais impostos dos ricos, para distribuir aos mais pobres, em forma de mais investimentos produtivos. Ao mesmo tempo, deve ser atacado o subproduto da desigualdade social gerada pela especulação: os monopólios e oligopólios, aos quais não interessam a economia de mercado, que reduz os preços na concorrência. Mas, como tornar a economia competitiva, se o juro brasileiro é o mais alto do mundo, para enxugar o excesso de moeda especulativa que está entraando no país, sobrevalorizando o câmbio, inviabilizando exportações, e destruindo os empregos, a renda, os investimentos e o progresso? Atacar os gastos públicos e os investimentos, aplicando dura austeridade monetarista, é, portanto, atacar as consequências e não as causas que estão produzindo o subdesenvolvimento nacional em escala acelerada. Ou seja, Stiglitz faz o discurso oposto ao dos neoliberais que fazem a cabeça dos comentaristas econômicos da grande mídia, cuja missão é de culpar os fatores internos e não os externos pelo aprofundamento da crise financeira nacional. Estão dominados, como diria Nelson Rodrigues, pelo espírito de vira latas.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Secretas expõem nomes de candidatos a espiões por e-mail
O secretário-geral das secretas, Júlio Pereira, foi nomeado em 2005, no governo de José Sócrates. Resistiu ao governo PSD-CDS, apesar do escândalo que abalou os serviços com o caso Silva Carvalho e outras situações polémicas. A sua presença tem, no entanto, sido determinante para o apoio do PS ao governo nesta área, em que o “bloco central” funciona ao melhor nível. É chamado o “sobrevivente”
Os serviços de informações enviaram um e-mail a 383 candidatos a espiões pedindo-lhes que confirmassem o interesse na vaga. Mas na lista de destinatários estavam os endereços de todos os concorrentes.
A identificação de 383 candidatos a espiões foi divulgada, alegadamente por lapso, pelos Serviços de Informações da República Portuguesa (SIRP) durante um processo de recrutamento que está a decorrer para as secretas. Os candidatos receberam um e-mail dos serviços para que confirmassem o seu interesse e na lista de destinatários estava, não só o seu endereço, como o dos outros concorrentes.
O ex-presidente do Conselho de Fiscalização do SIRP, Jorge Bacelar Gouveia, entende que só há uma solução: "anular este concurso e começar do zero". O constitucionalista Bacelar Gouveia salienta que "o sigilo foi comprometido, não só da identidade dos candidatos, como do próprio processo de recrutamento, e por isso o melhor é começar de novo".
O secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, não respondeu às questões do DN para justificar aquele procedimento, nem sobre que medidas iriam ser tomadas. O atual presidente dos fiscais das secretas, o deputado social-democrata Paulo Mota Pinto, também se remeteu ao silêncio sobre este caso, a fazer lembrar o episódio Veiga Simão. Embora desta vez, os potenciais futuros espiões tenha sido denunciados antes de o chegarem a ser.
Tomislav R. Femenick – Contador e Mestre em Economia
Em tempos de crises iguais a esta por que passamos, uma das
preocupações de nove entre dez executivos está ligada a importância da variável
preço de vendas dos produtos da empresa e seu reflexo no faturamento total da
organização.
Há vários fatores envolvidos nessa estratégia mercadológica,
resultando em que o preço de venda seja determinado por uma série de vetores,
entre os quais a estrutura de custos da própria empresa, decorrente dos seus
custos fixos e variáveis. Se o faturamento ótimo depende de como a demanda
reage a diferentes níveis de preços, esses componentes (custos fixos e
variáveis) são determinantes na fixação dos preços e, consequentemente, do
faturamento. Também importantes são os aspectos organizacionais, notadamente
aqueles ligados à tomada de decisão de preços. Destaque-se que nas empresas
cuja direção é altamente centralizada, os preços de venda geralmente fogem ao
composto tecnológico, o que acaba por apresentar uma distorção mercadológica.
Todavia, em um ambiente de retração do mercado consumidor, os
compradores reagem de três formas aos preços praticados por uma dada
organização. Primeiro cada consumidor tem uma percepção individual do fator valor. Em segundo lugar, o preço
seria o valor percebido pelo comprador, em função dos benefícios que a
mercadoria possa lhe dar. Depois, o conjunto de clientes (o mercado comprador)
reagiria de maneira diferente a diferentes níveis de preço.
Nessas condições o aspecto concorrencial assume um papel determinante
sobre o faturamento da empresa. Citando o professor Ricardo Fausti (2006), “o conhecimento da estrutura de custos do
concorrente é fundamental para o estabelecimento do preço do produto, na medida
em que o piso do preço do mercado é dado pela estrutura de custos dos
concorrentes”.
Por último temos os fatores ambientais externos à empresa, tais como as
ações governamentais (legislações ambientais, fixação de tributos, concessões
de incentivos fiscais, majoração de alíquotas, custos dos juros e dos insumos
com preços controlados), novas tecnologias e entrada de novas empresas no mesmo
segmento de mercado.
Há situações que obrigam certas empresas a se comportar de forma a não
considerar algumas desses fatores, principalmente aquelas organizações de menor
porte. Essas empresas não têm condições concretas para se apresentar ao mercado
considerando preferencialmente sua estrutura de custos, suas características
organizacionais e seus clientes. Segundo Kotler (1980), sua política de preços
baseia-se “no que seus concorrentes estão
cobrando, sua política de preços pode ser descrita como orientada para a
concorrência. Não é preciso cobrar o mesmo preço que a concorrência, embora
isso seja um grande exemplo dessa política. A empresa que fixa os preços
orientada para a concorrência poderá procurar manter seus preços mais baixos ou
mais elevados que a concorrência, em certo percentual”.
Esses conceitos valem tanto para empresas que têm como compradores de
seus produtos outras empresas; organizações fornecedoras de insumos para a
indústria e o setor rural e produtos acabados para o comércio, bem como para
aquelas que têm como clientes o consumidor final. Entretanto é no primeiro
segmento (os fornecedores de insumos especialmente e com preços não controlados
pelo governo) que essa realidade se faz mais presente e exige mais acuidades
dos seus executivos. Qualquer passo em falso pode significar perdas
irrecuperáveis de compradores – nada é mais instável que a fidelidade de um
cliente que tem dinheiro na mão.
Conclui-se, portanto, que a variável preço tem importância
determinante para a projeção de faturamento de uma empresa. Todavia há que se
considerar em que circunstância concorrencial essa mesma empresa participa do
mercado.