segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fuja do Carrefour.


[PLURAL] Fuja do Carrefour.

FRANÇOIS SILVESTRE
Escritor
▶ fs.alencar@uol.com.br
Fui a Natal. Precisava resolver algumas coisas e comprar uma televisão. Resolvi fazer isso no Carrefour; tem caixa eletrônico do Banco do Brasil e um chope de boa qualidade na praça de alimentação, apesar do banheiro mal cuidado e fedido. A compra teve tudo de normal, quase tudo. A primeira “TV” foi desaprovada no teste. O testador descobriu que fora usada. Voltei e me entregaram outra. Deixei a “televisão” no carro e voltei à praça de alimentação, onde sou conhecido, de longas datas, dos proprietários e garçons.
Após um certo tempo, fui embora. Ao chegar ao carro, nada notei. Quando mexi na capa do computador que deixara no banco dianteiro, notei que estava fofa. O computador sumira. Fui verificar a “televisão”; também sumira. Aparentemente nada arrombado.
Indicaram-me um senhor, aparentemente sério, responsável pela segurança. Numa pequena sala, ele passou a mexer em papéis, escrever numas folhas soltas, telefonar. Uns cinquenta minutos. Depois me disse: “O senhor resolva juridicamente”.
Perguntei o porquê da demora para ele decidir aquilo. “Se era pra resolver na justiça, por que o senhor me reteve aqui esse tempo todo”? Ele respondeu que era a rotina e que eu deixara o carro aberto. Perguntei: “Você fez a perícia”? Silêncio.
Tempo suficiente para a fuga do roubo.
Fui ao Via Direta fazer um BO policial. Descobri que uma porta do carro fora violada. Violação de perito. Voltei ao supermercado. Encontrei funcionários da “casa” entre risinhos, cochichos, sem qualquer atenção a mim. Num certo momento, um dos empregados, talvez ausente do esquema, aproximou-se e falou baixinho: “O senhor levou sorte. Tem coisa muito mais grave acontecendo por aqui”. Disse e saiu empurrando um carrinho de compras.
Conclusões de uma coisa terrível dos nossos tempos. Aprendi, por um amigo policial, que tudo tem uma explicação nessa atividade hoje institucionalizada. O fato de não levar a capa do computador é para o roubado sair dali pensado que nada aconteceu. Feito isso, libera a Loja da responsabilidade do estacionamento.
A demora, na sala de “segurança” da Loja é outra maçada para conseguir a segunda via da Nota Fiscal. Tudo muito suspeito. Você notou que grafei “televisão” com aspas? Pois é. No BO, da Polícia, foi descoberto que o Carrefour me vendera um Monitor e não uma Televisão. Um dentão no ligar da cioba.
Fui enganado na Loja e roubado no estacionamento. O Carrefour não é uma loja comercialmente digna. Fuja de lá. Té mais.
1 comment
1 François Cavalcante { 07.01.12 at 23:01 }
Já faz um bom tempo que o Carrefour e o Hiper Bompreco vem prestando um verdadeiro desserviço à população. Além do problema relatado por Silvestre é corriqueiro os preços divergentes, sempre mais caros do que anunciado nas gôndolas. Esses supermercados hoje vivem mais só cartão de credito e do mercado financeiro do que da prestação de serviços. Fiquemos atentos e boicotemos esses grupos.

Disputam eleitorais acentuam feridas entre PT e PMDB.


Fonte: Estadão - 01.07.2012- Do blog de João Bosco Rabello.
Henrique Eduardo pode ser escanteado da disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, especula o autor da matéria abaixo:

"As divergências eleitorais em cidades estratégicas, como São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e Campina Grande, na Paraíba, agravaram feridas na combalida relação entre PT e PMDB. De acordo com um cacique peemedebista, os rumos da aliança com o PT em 2014 dependem do resultado das eleições municipais e, logo depois, da sucessão nas presidências da Câmara e do Senado. Outra conjuntura política poderá surgir desses novos cenários, diz o peemedebista.
O PMDB receia que o PT não cumpra o compromisso de apoiar o seu candidato na sucessão do petista Marco Maia (RS) na presidência da Câmara, conforme acordo firmado no ano passado. Os rumores são de que o governo rejeitaria o nome do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que cobiça o cargo. Por isso, planejaria apoiar, nos bastidores, o candidato de uma ampla aliança entre partidos médios, encabeçada por PSB e PSD.
Esse medo se acentua com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu o direito do PSD ao tempo de televisão e aos recursos do fundo partidário. Nesse cenário, o PSD desponta como a terceira maior bancada da Câmara, ultrapassando o PSDB, e como força política com musculatura para enfrentar o PMDB, caso junte-se ao PSB do governador Eduardo Campos (PE).
O PMDB já não escondia o ressentimento com o PT ao perder espaço no governo da presidente Dilma Rousseff, quando deixou de comandar pastas importantes, como o Ministério da Saúde. Nessas eleições, o maior baque foi o rompimento da aliança de mais de oito anos em Campina Grande, onde o PT deixou de apoiar o candidato do senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) para compor a chapa de Daniella Ribeiro (PP), irmã do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. A composição foi parte do acordo para que o PP de Paulo Maluf apoiasse Fernando Haddad em São Paulo.
Um alento nesse cenário de disputas foi Manaus (AM), onde após intensa articulação, o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), conseguiu trazer o PT para a coligação de um candidato apoiado por ele. O PT resistia e Braga chegou a desabafar com a presidente Dilma Rousseff que seria um desprestígio pra ele, como líder do governo, não levar o PT para a aliança local. Na última hora, uma reviravolta: a candidata que era para ser Rebecca Garcia, do PP, abandonou a disputa. Com isso, a candidata a prefeita será a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB), com apoio do PMDB de Braga, do PSD do governador Omar Aziz e do PT. O vice na chapa será um petista, o ex-secretário municipal do Trabalho Vital da Costa Melo".

domingo, 1 de julho de 2012

Chico Canhão, um dos pioneiros da fogueteria.

 
Chico Canhão, um dos cérebros da fogueteria e fogueteria em Natal, quando dava depoimentos sobre os foguetes feitos pelos adolescentes da Sociedade de Estudos Astronáuticos-SEA, de Natal. A participação de Francisco de Assis Varela Barca ocorreu durante a palestra de outro fundador da SEA, o professor e físico PHD Joel Câmara de Carvalho Filho, no auditório da Barreira do Inferno, na manhã do dia 22 de junho. O seminário para professores das escolas públicas terá prosseguimentos no decorrer deste mês.


Palestra do físico Joel Câmara na Barreira do Inferno.

O astrofísico potiguar Joel Câmara de Carvalho Filho, na manhã do dia 22 de junho, foi um dos palestrantes do seminário de astronomia e astronáutica, patrocinado pela Agência Espacial Brasileira, no auditório do Centro de Lançamentos de Foguetes da Barreira do Inferno, em convênio com a UFRN e Secretarias de Educação do Estado e dos municípios de Parnamirim e Nísia Floresta, com o objetivo de transmitir conhecimentos para os professores de geografia e história. O seminário realizou e realizará mais  palestras naquele auditório para mais centenas de professores (as), com o objetivo de melhorar a capacitação dos educadores. Joel Câmara falou sobre o Universo Estelar e a Fogueteria no Brasil e em Natal. Foto de Luiz Cortez.
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A Guerrilha de Catolé do Rocha - 1968. A versão do blog Pontos Históricos informa que o movimento começou em 1969, quando, na verdade, os envolvidos foram presos em 1968.


69 em Catolé do Rocha/PB - histórias que cruzam. Segunda parte: Combatentes da Liberdade (continuação)

Imagem 06 –  “Antiga Cadeia Pública” de Catolé do Rocha/PB (não sabemos data da fotografia)



A opção por elevarem o nível de luta, com a tentativa de implantar uma Guerra de Guerrilhas em Catolé do Rocha, está ligada ao fato de alguns estudantes terem ido dar continuidade aos seus estudos em João Pessoa.  
Lá passaram a ter contato com um movimento estudantil muito atuante e conhecer suas lideranças. Tiveram também contato com partidos e personalidades políticas,  e com situações de embate entre os movimentos sociais e a ditadura militar.


Mas, e a decisão pela Guerra de Guerrilhas? Para responder como se deu essa decisão seria necessário uma investigação mais aprofundada e ao mesmo tempo mais espaço para escrita, pois aqui não podemos nos alongar demasiadamente. Temos alguns indícios sobre isso, mas a entrada nessa história de agremiações políticas (PCB “partidão” e PCBR) merece maior estudo. Temos que saber quais articulações foram estabelecidas, pois inclusive nesse ponto pode haver uma ligação direta ou indireta com a história que segue na terceira parte deste artigo.
O que pretendemos nesse momento é compreender o que foi propriamente a “Guerrilha de Catolé”. Aqui ficamos com as palavras de um dos participantes mais ativos nos acontecimentos. Nesse caso ele atribui o nome de “Guerrilha de Capim-Açu”, nome da serra que serviu como espaço geográfico para os treinamentos:

A guerrilha de Capim-Açu, teve início com uma primeira subida a serra, em que participaram um pessoal mais intelectualizado, Whasingnton líder estudantil ligado ao PCBR um pessoal de Campina da AP, Expedito Figueiredo presidente do Centro Estudantil Catoleense, Pererinha do Banco do Brasil, José Soares e José Cidalino de Almeida estudantes. Houve debates sobre a conjuntura nacional e internacional e a possibilidade de início de um foco guerrilheiro. A segunda subida já foi mais completa e organizada dentro das técnicas da guerrilha rural, nossos equipamentos já indicavam uma preparação para combates com mochilas facões cordas redes coturnos e botas. (...) livros de Chê Guevara, GUERRA de GUERRILHAS, REVOLUÇÃO na REVOLUÇÃO de Carlos Debray, o LIVRO VERMELHO de MAO, um manual de contra guerrilha do exército e tudo que sabíamos sobre Canudos, Zumbi, Lampião, Princesa todo conhecimento sobre guerra de resistência da Revolução chinesa Russa, Guerra do Vietnã. (Ubiratan, entrevista escrita, fevereiro de 2012)

Escolheram a Serra do Capim-Açu, nas imediações de Catolé do Rocha, não por acreditarem que nela era possível fazer movimentações militares, mas por estar mais próxima da cidade e por ser suficientemente grande para realização de trilhas, subida em pedras, montagem de acampamento e outros treinamentos. Imaginavam que a serra era isolada das demais, o que facilitaria o cerco e dificultaria ações de fuga durante os futuros combates.
Para os pais, amigos e vizinhos, diziam que estavam indo caçar. Alguém chegou a “pensar alto” que eles eram “os escoteiros”.
Além dos livros e do conhecimento, tinham como armas: uma submetralhadora cal. 38 de fabricação caseira com pente, mas que dava apenas um tiro e depois tinha que ser rearmada; um mosquete cal. 38 fabricado a partir de um mosquetão por um armeiro “nas margens do Rio Piranhas”; um histórico “Rifle Papo Amarelo do meu avô que pertenceu ao meu bisavô trazido do acre e que foi usado na guerra do Acre sob o comando de Plácido de Castro” (Ubiratan, fev/2012); uma pistola Luger 7mm sem munição; dois revolveres 38; uma espingarda de cartucho; e uma “soca-soca”. A maior parte foi conseguida entre os bens familiares.
Algumas dessas armas resistiram ao tempo e ainda hoje existem, como a pistola Luger, mas não tivemos a possibilidade de ver e realizar uma fotografia pessoalmente. O único material de época que encontramos foi o desenho abaixo (feito possivelmente em 1968): um projeto para fabricação de submetralhadora. Pelo que sabemos até agora, ela foi construída, mas tinha um problema na alimentação e, após um disparo, engasgava e tinha que ser novamente armada. 



 
Imagem 07 –Desenho para fabricação caseira de um submetralha (1968)



Quanto ao grupo dos envolvidos, ele era “(...) bastante heterogêneo, constituído, em sua grande maioria de jovens menores de 18 anos, sem nenhuma experiência política, com pouca formação política. (...) Ari, juntamente com Ubiratan, começaram a organização da militância em torno da perspectiva revolucionária.” (José Soares)
Alguns nomes podem não constar a seguir, mas entre os que participaram dos treinamentos estão: Ariosvaldo da Silva Diniz, os irmãos Francisco Alves Dantas e Flavio Alves Dantas, os irmãos Ubiratan Cortez Costa, Irapuan Cortez Costa, Ubiraci Cortez Costa, Jose Soares Dantas, Carlos Ribeiro de Sá, Rogério Ribeiro de Sá, Manoel  Pedro e irmão, Ronaldo de Jeová, Orinaldo, Luiz Gonzaga, Gildásio de Rui, Santino Rocha, João Salustiano e Noel Veras.
Parece que os jovens catoleenses estavam tão instigados com a ideia de revolução e tão dispostos a pegar em armas por conta disso que ironicamente chegou a surgir uma dissidência formando um novo grupo de guerrilheiros.

(...) depois do exercício da serra, do primeiro treino nas férias de julho de 69 voltamos à capital, dando continuidade aos estudos e a resistência. Em Catolé havíamos sentido uma aproximação de Zezito, Jose Otavio de Vasconcelos filho de Jose Sérgio o “coronel” que vinha do movimento estudantil do Rio Grande do Norte. Achávamos que era um “infiltrado” da oligarquia local mas suas atitudes e coerência  traduzia um honesto interesse pela causa revolucionária mudou essa opinião, então no vazio criado pela nossa ausência, ele junto com Cacheado (Francisco Alves Dantas) e Zeínha (Rogério Ribeiro de Sá) se organizaram e fundaram uma dissidência denominada MR-8 ou  MR-3, morte de Chê ou Ho-Chi-Min e começaram juntando algumas armas, expropriaram o mimíografo do Colégio Estadual, feita antes de uma visita do Governador João Agripino, acelerou uma tomada de posição dos orgãos de segurança uma máquina de descrever da Escola Agrícola, isso no intervalo das férias de julho e o mês de outubro quando fomos presos. (Ubiratan, entrevista por escrito, fevereiro de 2012)

Outras fontes apontam a formação desse “segundo grupo guerrilheiro na mesma cidade e suas ações”, como sendo provavelmente o fator que acelerou o início da repressão contra as movimentações que estavam ocorrendo. Além da expropriação do mimeógrafo ocorrida entes da visita a Catolé do Rocha do então governador do estado em 1969, esse grupo chegou a tramar um plano para matar o delegado da cidade, mas não executaram tal ação.
Possivelmente ao ter conhecimento com maiores detalhes sobre o que ocorria em Catolé do Rocha, e possivelmente tendo recebido uma ordem superior, o secretário de segurança pública do Estado da Paraíba mandou prender os envolvidos.

As prisões aconteceram na cidade quase todas ao mesmo tempo, com exceção de Ariosvaldo da Silva Diniz que, segundo Ubiratan, foi preso no Colégio Liceu, em João Pessoa. Edmilson foi preso em outra circunstância, enquanto distribuía panfletos em João Pessoa.
Acima, na IMAGEM 06, podemos ver a Antiga Cadeia Pública de Catolé do Rocha, com inscrição “Onde fomos prêsos em 22/10/69”.
Parece que os menores de idade permaneceram em Catolé, em prisão domiciliar (não sabemos se a decisão foi judicial ou prática), enquanto que os maiores de idade seguiram para João Pessoa.
Talvez os primeiros que tenham sido levados de Catolé foram Ubiratan e Neto de Boca Rica (este foi presidente do Centro Estudantil). Foram levados para Patos e de lá agentes do DOPS os levaram para a capital. Ficaram por 15 dias incomunicáveis; passaram pela delegacia da polícia federal e pelo quartel da polícia. Aí ficaram por alguns meses até julgamento.
       Através de dois documentos oficiais da ditadura (Certidão emitida pela Auditoria da 7ᵃ Circunscrição Judiciária Militar em Recife/PE, 19 de julho de 1971, e Declaração de Soltura da Penitenciária Modelo de João Pessoa/PB, 29 de outubro de 1970), ficamos sabendo um pouco da história processual de Ubiratan Cortez Costa, depois de ter sido preso:

* em 12 de janeiro de 1970 foi denunciado pelo Ministério Público Militar, com base no decreto-lei 510/69 que seguiu o AI-5 (Ato Institucional n° 5), sendo acusado pelos: “Art. 33 – Incitar: I – à guerra ou à subversão da ordem político-social; II – à desobediência coletiva às leis; (...) IV – à luta pela violência entre as classes sociais; (...) Pena: Detenção, de 1 a 3 anos.” e “Art. 40 – Importar, fabricar, ter em depósito ou sob sua guarda, comprar, vender, doar, ou ceder, transportar ou trazer consigo armas de fogo ou engenhos privativos das Fôrças Armadas, ou quaisquer instrumentos de destruição ou terror. Pena: Reclusão, de 1 a 3 anos";

* foi processado, julgado e condenado pelo Conselho Permanente de Justiça do Exército em sessão realizada em 11 de maio de 1970, sendo condenado a pena de um (01) ano de detenção;

* a defesa recorreu ao Superior Tribunal Militar na data de 01 de junho de 1970;

* Ubiratan Cortez Costa foi solto da Penitenciária Modelo em João Pessoa/PB no dia 29 de outubro de 1970, por cumprimento de pena;

* depois de cumprida a pena e da soltura, o Superior Tribunal Militar informa em comunicado oficial (datado de 17-05-1971) que foi discutido e resolvido o caso, sendo o réu obsorvido de apenas uma das acusações, restando a acusação referente a fabricação, porte e transporte de armas.

     Poderíamos continuar com essa mesma linha investigativa. Falar o que aconteceu com os jovens catoleenses na prisão, os diferentes tipos e níveis de tortura que passaram. Falar dos anos seguintes a saída da prisão, o engajamento deles no movimento hippie, entre outras histórias. Entretanto, para não nos alongarmos em um texto já longo, a partir de agora iremos trilhar os caminhos da nossa outra história.

     Em outubro de 1969 é divulgada uma notícia que agitou Catolé do Rocha: a morte de um estudante por afogamento, tendo seu corpo sido encontrado no açude Olho D’água. Depois confirmaram a identidade do falecido, e este era João Roberto.
   Estudando e militando em João Pessoa, João Roberto se tornou uma grande liderança do movimento estudantil paraibano. Vinha sendo perseguido pela ditadura militar desde a primeira vez que foi preso e fichado pelos órgãos da repressão, no mais que conhecido Congresso da UNE em Ibiúna/SP (1968).    
   Já vimos que a “Guerrilha de Catolé” foi desbaratada ainda na fase muito inicial, quando alguns envolvidos com o movimento foram presos possivelmente em 22 de outubro de 1969.
    Por sua vez, João Roberto “apareceu” morto em 10 de outubro de 1969.

Continua.

sábado, 30 de junho de 2012

Rocco Rosso, o memorialista italiano que amou Natal.

Viver - Tribuna do Norte

Natal, 30 de Junho de 2012 | Atualizado às 20:13

Memórias de um velho imigrante

Publicação: 30 de Junho de 2012 às 00:00
Yuno Silva - repórter

A memória de Natal enquanto centro urbano ainda é um grande e incompleto quebra-cabeças, onde lacunas históricas são preenchidas aos poucos e a revelação de novos detalhes atiçam a curiosidade quanto à formação da própria identidade da capital potiguar. Dentro desse contexto, um novo capítulo sobre a cidade será conhecido a partir das lembranças do italiano Rocco Rosso (1899-1997). Como uma verdadeira colcha de retalhos, as lembranças de Rosso, que chegou no RN em 1926, foram costuradas pelo genro Carlos Roberto de Miranda Gomes e organizadas no livro "O velho imigrante", a ser lançado na próxima quinta-feira (5), às 19h, na Academia Norte-Riograndense de Letras.
Rodrigo SenaEscritor Carlos Roberto de Miranda Gomes transforma em livro as memórias e as paixões do italiano Rocco Rosso.Escritor Carlos Roberto de Miranda Gomes transforma em livro as memórias e as paixões do italiano Rocco Rosso.

O título sai com a chancela da Sebo Vermelho Edições e da União Brasileira de Editores (UBE-RN), e pode ser encarado como uma biografia ampliada devido a presença de informações preciosas sobre a época em que Natal era uma importante base para a aviação mundial como documentos, relatos, fotografias e anotações colecionadas ao longo de quase sete décadas por Rocco. Entre as várias pérolas garimpadas por Carlos Roberto, 72, no acervo do sogro, uma deverá reacender a contestada passagem do aviador e escritor francês Saint-Exupéry pelo Estado.

"Apresento uma versão pessoal para o episódio, a partir de documentos, reportagens e fotografias reunidas por Rocco", disse Miranda Gomes por telefone à reportagem do VIVER. O autor explica que teve o cuidado de incluir opiniões divergentes sobre o fato polêmico: "As fotos que estão no livro foram feitas por Rocco, que trabalhava na base aérea e tinha o hábito de fotografar as pessoas que passavam por lá. Ele identificou a pessoa nas duas imagens publicadas no livro como sendo Exupéry, e não vejo motivo para inventar uma história dessas", acredita. Rosso mantinha cadernos com recortes de jornais, chegou a ter três mil, "mas quase todo esse acervo foi comido por cupins. Sobrou muito pouco", lamentou o escritor.   

Também advogado e pesquisador, Gomes lembra que as possíveis imagens do francês durante sua passagem por Natal começaram a ser contestadas algum tempo depois, quando disseram que era "apenas" uma pessoa parecida.

Segundo Carlos Roberto, que dedicou boa parte de um capítulo para esmiuçar o assunto, há depoimentos, reportagens, registros históricos e estudos sobre os relatos do aviador afirmando ser muito difícil para Exupéry descrever a geografia da região se não tivesse passado por aqui. "Há argumentos dos dois lados, mas os mais fortes dão conta dessa passagem", informou, lembrando que o fotógrafo João Alves de Melo (1896-1980) fez fotos do período e que um livro está para ser editado pela família com a comprovação (ou não) da presença ilustre em solo potiguar. "Eu vi a foto, mas a família não permitiu fazer uma cópia", garantiu.

Contemporâneo dos fotógrafos Jaecy Emerenciano e Valdemir Germano, ambos vivos, Rocco Rosso nunca solicitou naturalização e considerava-se cidadão brasileiro.

RÁDIO E TELEVISÃO

Ferido durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Rocco Rosso voltou ao front como operador de rádios e técnico em eletrotécnica. Com o fim do conflito e o mundo em plena recessão, o italiano, que já tinha parentes no Rio de Janeiro, resolveu atravessar o Atlântico em busca de novas oportunidades. "O Brasil era tido como o 'Eldorado' na época, e como ele tinha brevê de piloto e entendia de mecânica de aviões logo conseguiu um emprego na empresa que viria a ser a Air France", contou Carlos Roberto.

De acordo com o autor, Rosso ajudou a instalar várias bases de rádio pelo país e quando estava trabalhando no Recife, em 1936, resolveu trazer a família para morar em Natal. Foi responsável pela instalação da central de rádio na base aérea de Parnamirim "e durante esse período viu muitos pilotos aterrissarem e decolarem".

O imigrante italiano atuou na aviação até o momento do Brasil tomar partido. "Quando o país passa a integrar o time dos Aliados, preferiu sair da base com medo de ser acusado de alguma possível sabotagem que viesse a acontecer", informou. Ainda há outra versão para a saída de Rosso da base: a representação da empresa onde trabalhava foi desativada aqui em Natal. "Depois disso, abriu uma oficina na Ribeira e passou a consertar aparelhos eletrônicos".

Rocco Rosso manteve o ponto no número 45 da Travessa Argentina até 1962, entre 1963 e 64 foi morar em Belém (PA), mas acabou retornando à Natal quando a filha casou-se com Carlos Roberto de Miranda Gomes.

Irmão do arquiteto Moacir Gomes, projetista do estádio Machadão, o autor de "O velho imigrante" lembra que Moacir trouxe uma televisão do Rio de Janeiro quando Natal ainda nem tinha emissoras. "Rocco acabou inventando uma antena e conseguíamos assistir, muito precariamente, alguns programas exibidos em canais de Pernambuco". O fato despertou interesse de amigos, que resolveram investir no novo negócio: fincaram uma antena em um ponto alto da cidade "e foi a partir disso que as lojas da cidade começaram a vender aparelhos de televisão por aqui"; e assim Rosso passa a consertar rádios e televisores, indo trabalhar nas Casas Régio até se aposentar nos anos setenta.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O foliaduto paraibano.

MP quer afastamento de políticos presos até o fim de investigações; Confira nomes dos envolvidos em fraude

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) vai solicitar à Justiça o afastamento dos prefeitos de Sapé, Solânea e Alhandra. Eles foram presos na manhã desta quinta-feira (28), durante a Operação “Pão e Circo”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco/MPPB) e Polícia Federal, com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU). 
O Tribunal Regional Federal da 5a Região já determinou a suspensão do repasse de recursos federais do Ministério do Turismo para as 13 prefeituras paraibanas, onde foi constatado esquema criminoso para desviar dinheiro público através de irregularidades nas contratações de bandas e serviços para eventos festivos. 
As prefeituras envolvidas são as de Mamanguape, Sapé, Solânea, Santa Rita, Itapororoca, Conde, Jacaraú, Mulungu, Boa Ventura, Capim, Cuité de Mamanguape, Cabedelo, Alhandra. As irregularidades também foram constatadas na Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), a Capital. As investigações apontaram direcionamento nos processos de licitação para contratar empresa responsável pelo show pirotécnico do último Réveillon, em João Pessoa, por exemplo.
Segundo o assessor da CGU em Brasília, Israel Carvalho, estima-se que tenham sido desviados, desde 2008, cerca de R$ 65 milhões dos cofres públicos (entre verbas municipais, estaduais e federais). “A CGU esteve em loco em três municípios e constatou as irregularidades e desvios de dinheiro público. Só um grupo criminoso de empresas movimentou cerca de R$ 14 milhões. As investigações deverão apontar a participação de outros grupos”, exemplificou.
O procurador-geral de Justiça, Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, informou que as fraudes ocorreram em vários eventos festivos de municípios que têm baixos IDHs (índices de desenvolvimento humano) e que têm vários problemas sociais, com escolas sucateadas e serviços de saúde precários. “O esquema envolvia duas estruturas: a iniciativa privada e as prefeituras. Pudemos ver o tamanho da influência dos empresários na administração pública e o sentimento de impunidade que os envolvidos tinham”, disse.
Ele agradeceu o apoio do Tribunal de Contas do Estado (que disponibilizou um banco de dados), das Polícias Civil e Militar e dos órgãos envolvidos na operação.
Investigações
As investigações feitas durante um ano pelo Gaeco remetem a contratações realizadas pelas prefeituras desde 2008, com verbas municipais e estaduais. Já as investigações da PF são referentes a contratações feitas com recursos federais desde 2009. “São duas investigações paralelas, distintas, que ocorreram concomitantemente e que, para o sucesso dessa operação, houve a troca de informações entre PF e MPPB”, esclareceu o superintendente da PF, Marcello Diniz Cordeiro. 
Mais de 40 mil escutas foram feitas com autorização judicial e foi possível constatar a participação direta de prefeitos, seus familiares e servidores públicos, além de empresas “fantasmas” que foram constituídas com a finalidade de desviar dinheiro público e fraudar procedimentos de contratação de serviços para a realização de eventos festivos (Ano Novo, São João e São Pedro, Carnaval e Carnaval fora de época, aniversários das cidades, etc).
As fraudes eram feitas em licitações, dispensas e inexigibilidades de licitação, contratos com bandas musicais, montagem de palcos, som, iluminação, comercialização de fogos de artifício, shows pirotécnicos, aluguéis de banheiros químicos e serviços de segurança.
Além do superfaturamento dos objetos contratados, as investigações constataram a não prestação de serviços contratados e documentos forjados atestando a falsa exclusividade de artistas e bandas para justificar irregularmente o procedimento de inexigibilidade de licitação.
Mandados cumpridos
Segundo o delegado de repressão aos crimes financeiros da PF, Fabiano Martins, os 28 mandados de prisão, os 65 mandados de busca e apreensão e os sete mandados de condução coercitiva expedidos pelo Tribunal de Justiça da Paraíba e pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região foram cumpridos em 18 municípios paraibanos e no Estado de Alagoas.
Também foram apreendidos imóveis, armas sem registro, uma lancha, carros nacionais e importados, R$ 56 mil em espécie, HDs e documentos. Os bens sequestrados serão encaminhados à Justiça. Cerca de 300 policiais federais, 30 policiais militares, 20 auditores da CGU e 12 promotores de Justiça participaram da operação.
Além dos três prefeitos, a primeira-dama de Solânea e mais dez servidores públicos (sendo três secretários municipais) também foram presos, durante a operação. Outras duas primeiras-damas foram conduzidas coercitivamente para prestar esclarecimentos e liberadas em seguida. Os mandados de prisão também tiveram como alvo empresários que atuam no ramo de eventos festivos e outros servidores públicos. Um dos mandados foi cumprido em Alagoas, contra o empresário Carlos Abílio Ferreira da Silva.
As 35 pessoas (alvo dos mandados de prisão e condução coercitiva) serão ouvidas nesta quinta e sexta-feiras pelos promotores de Justiça no Núcleo Criminal do MPPB, localizado no centro de João Pessoa.
Eles são acusados de falsificar documentos públicos e privados, falsidade ideológica, crimes contra a ordem tributária (sonegação), corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, desvio de verba pública, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A pena para esses crimes pode chegar a 48 anos de prisão.
O material será analisado pela PF, Gaeco e CGU e poderá revelar o envolvimento de mais empresas, prefeitos e servidores públicos no esquema criminoso.
Confira a lista das pessoas que foram alvo de mandados de prisão
  1. Ozimar Berto de Araújo
  2. Maria do Carmo Régis de Araújo
  3. Daniel Gomes da Silva
  4. Felipe Silvestre Pordeus
  5. Márcio de Melo
  6. Djalma da Silva Toscano
  7. Andressa Ingrid Amâncio de Lima
  8. Severino Justino da Silva (“Menudo”)
  9. Marcos Antônio Bezerra da Silva
  10. Geraldo Félix da Silva
  11. Carlos Abílio Ferreira da Silva
  12. Gilmar Sales Cordeiro
  13. Renato Mendes Leite
  14. Vinícius Lemos de Sousa Melo
  15. Rosiberto Carlos da Silva Santos
  16. José Walter da Costa
  17. Lúcia de Fátima Lemos de Sousa Melo
  18. Francisco de Assis de Melo (Dr. Chiquinho)
  19. Jacy da Silva Mendonça
  20. João Clemente Neto
  21. Edivaldo Rodrigues de Lima (“Peninha”)
  22. José Antônio Azevedo Melo
  23. Antônio Edson da Silva (“Edinho”)
  24. Marcos Elpídio Pereira Portela
  25. Ednaldo de Sousa Lima
  26. Manoel Ferreira Sobrinho
  27. Marinézio Ferreira da Silva
  28. Cláudia Izabel da Silva Maia
Mandados de condução coercitivos
  1. Josvaldo Araújo Trajano da Silva
  2. Fabiana Marinho Lins
  3. Daygela Gomes da Silva
  4. Romacele Karpowicz Menezes
  5. Thiago Henrique Assis de Moura
  6. Helena Rafaela Pereira de França
  7. Nathália Régis de Araújo
Bananeiras Online com Ascom
Fonte: Bananeiras On Line.

Otto Guerra: homem sereno e íntegro

29 de Junho de 2012 - Tribuna do Norte.

t
Dom  Jaime Vieira Rocha - Arcebispo Metropolitano de Natal

Otto Guerra - “1912-1996. O homem que amou e serviu à Igreja, à Família e ao Próximo” (do livro Ponte para o Amor de Maria Ignez Guerra Molina, p. 25).

Este personagem é referência frequente e visível na vida e missão da Igreja de Natal e do Estado do Rio Grande do Norte, a quem tive a graça e o privilégio de conhecer a partir da concretização da minha vocação sacerdotal, ao ingressar no Seminário de São Pedro, o velho e imponente casarão da Avenida Campos Sales, 850, no Tirol, em fevereiro do ano de 1961. Vivíamos um período de pleno desenvolvimento e expansão da Ação Pastoral e Evangelizadora da Igreja de Natal, quando se configurava, pelas inúmeras iniciativas e pioneirismo de uma Igreja viva, voltada para a realidade e condição da vida humana do povo de Deus, o conhecido e famoso Movimento de Natal. Esse Movimento tinha a orientação lúcida e segura do então Bispo Auxiliar e depois Administrador Apostólico, Dom Eugênio de Araújo Sales, reconhecidamente perspicaz em escolher pessoas-chaves como colaboradoras na efetuação e eficácia do seu pastoreio. 

Entre uma plêiade de homens e mulheres que dedicaram suas vidas e colaboraram com a Igreja de Natal, vamos encontrar a extraordinária figura humana do Dr. Otto Guerra, cujos dados biográficos e história pessoal vamos conhecendo através desta publicação por ocasião do seu centenário (1912-2012). Constato que a sua existência humana atingiu o seu limite, conforme os desígnios de Deus, em 1996, ano em que recebi a graça de ser sagrado bispo, na Basílica de São Pedro em Roma, pelo beato João Paulo II, para a Igreja de Caicó. 

Recordo–me do Dr. Otto Guerra, com sua serenidade, integridade moral e espírito cristão, agindo em meio à conjuntura sócio-política e eclesial do Estado e do País, decididamente influenciada e marcada pelo regime militar, na qual ele atuava não só como um conhecido membro da Igreja Católica, mas como jurista, professor da Faculdade de Direito, da Escola de Serviço Social e Vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Presença sempre edificante nos eventos e promoções da Arquidiocese e suas instituições. 

Esposo e pai de família exemplar, gerando uma prole de 13 filhos aos quais legou uma formação humana, cristã e intelectual comprovada pelo tesouro de sua biblioteca particular, onde se encontra hoje o maior acervo literário sobre as secas do Nordeste e, como católico fervoroso e convicto, também sobre a Doutrina Social da Igreja e documentos pontifícios.

Uma particularidade: na sua sensibilidade humana e cristã, escolheu o nome de Zita para uma de suas filhas, em homenagem e reverência a Santa Zita, patrona das empregadas domésticas, de conhecida devoção aqui em nossa cidade pela existência da Casa Santa Zita, na rua Apodi, uma instituição social da Congregação das Filhas do Amor Divino, na Igreja de Natal, para a promoção humana das empregadas domésticas.

Em 1950, Dr. Otto Guerra recebeu em sessão solene na sede da Ação Católica a Comenda de São Gregório Magno, no grau de Cavaleiro, concedida pelo Papa Pio XII, tornando-se assim, integrante de um grupo seleto de fiéis leigos da Igreja Católica, na condição tão honrosa de Comendador da Santa Sé. Não só como jurista, mas como jornalista co-fundador do jornal A Ordem, por indicação de Dom Eugênio, foi um dos poucos leigos do Brasil a integrar a Comissão Pontifícia para as Comunicações Sociais, como representante da América Latina junto à Santa Sé. Que este seu legado para a Igreja e a sociedade, suscite entre nós, novos testemunhos e lideranças católicas comprometidas com as causas da justiça, da cidadania e da dignidade humana.

Como atual pastor desta Igreja de Natal, uno-me, com muita honra e sentimento de ação de graças a Deus, a todas as manifestações de reconhecimento e homenagem à memória de Otto Guerra, suplicando graças e favores celestiais para seus familiares e todo o povo de Deus que, pela graça do batismo, “são constituídos partícipes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, pelo que exercem sua parte na missão de todo povo cristão na Igreja e no mundo”(LG,31).

quinta-feira, 28 de junho de 2012

"Imagem é tudo"

Sem políticas públicas para a área, fotógrafos se articulam e formam rede visando acompanhar tendências nacionais
Por Sérgio Vilar* [sergiovilar.rn@dabr.com.br]

Foto: Fábio Cortez/DN

“Imagem é tudo”. A frase virou quase aforismo. E antes valorizasse o segmento da fotografia. E produtores fotográficos nem querem “tudo” com suas imagens. Um movimento nacional já com braços articulados em Natal reivindica apenas uma cota específica na hora da divisão do bolo do orçamento destinado à cultura.
Depois da criação das redes potiguares de música, e da formação das redes de teatro e cinema, fotógrafos têm se articulado em torno da Rede Poti de Fotografia – uma espécie de braço da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil. A intenção é acompanhar a tendência nacional de independência do setor nos meandros culturais.
“Não há política pública específica para a fotografia. O orçamento federal é destinado ao audiovisual. E neste bojo está o cinema, as artes plásticas, o grafite, a performance, o hip hop, a moda e também a fotografia. Só o cinema abocanha 85% dos recursos. Praticamente nada sobra pra gente”, lamentou o presidente da Aphoto, Alex Gurgel.
A Associação Potiguar de Fotografia é a única entidade em defesa do segmento no Rio Grande do Norte. Possui 120 associados em dia. Entre eles, profissionais renomados a exemplo de Marcelo Buainain, Adrovando Claro, Pablo Pinheiro, Ricardo Junqueira, e outros, além de milhares de simpatizantes cadastrados em suas redes sociais.
Alex Gurgel tem feito campanha para que fotógrafos potiguares tomem a iniciativa de ingressar nos conselhos e câmaras setoriais da cultura para defender mais espaço à categoria. “É claro que o conselheiro que é músico olhará com melhores olhos projetos musicais. O cineasta com o cinema. O poeta com a literatura. Precisamos de fotógrafos nesses campos para termos vez e voz”, sugeriu.
Um dos setores importantes neste quesito já pode ser pleiteado. Basta o fotógrafo entrar no site do Ministério da Cultura (www.cultura.gov.br/setoriais) e se cadastrar para a seleção de delegados estaduais para representar o Rio Grande do Norte no Conselho Nacional de Produtores Culturais da categoria. O Rio Grande do Norte já possui 30 cadastrados, atrás apenas de São Paulo, com 32.
“A fotografia é a mãe do cinema e prima mais velha das artes plásticas, da pintura. É o segundo produto mais consumido do mundo, dizem especialistas. O primeiro é o sexo, que usa até fotografia para promoção. É um segmento cultural que irá completar 200 anos. Merecemos mais atenção. Queremos um Salão da Fotografia, e não concorrer junto com esculturas e todo tipo de pinturas no Salão de Artes Visuais. Ou na disponibilidade dos recursos públicos, concorrer com o audiovisual. Fotografia não tem som”, reclama Alex Gurgel.
Encontro nacional


Foto: Divulgação

No último fim de semana, Alex Gurgel participou do Encontro Norte-Nordeste de Produtores Culturais da Fotografia. O evento aconteceu em Belém do Pará, e funcionou como prévia do Encontro Nacional que acontecerá no mês de Novembro, em Fortaleza. Antes disso, em 19 de Agosto, a Aphoto promove o Fotoriografia do Norte: um fórum para discutir a radiografar a fotografia potiguar.
“Abordaremos a questão a produção de livros de fotografia, o direito autoral, projetos culturais que envolvam o setor, a fotografia como veículo de inclusão digital, a história da fotografia no Rio Grande do Norte, e pretendemos convidar Itamar Nobre, da UFRN para propormos um curso de extensão na Universidade envolvendo a fotografia”. Alex ressalta que deste fórum sairá a Carta de Natal, que será levada ao encontro em Fortaleza.
Memória perdida
Uma das ideias da Rede Poti de Fotografia é a criação de uma Casa da Fotografia. Espaço para exposição, lançamento de livros, e principalmente um ambiente climatizado para acervo fotográfico impresso e digital, responsável pela memória fotográfica da cidade, hoje dispersa em computadores particulares ou nos setores de arquivos de jornais.
“Darei um exemplo: faremos pelo oitavo ano seguido a Expedição Noturna Natalina. Registramos em fotografia a iluminação de Natal. É um acervo que fica pra história. E nada recebemos por isso. A prefeitura premia a fachada mais bonita de casas e instituições. E quando acaba o período natalino e as luzes são retiradas, o que fica? A foto, o registro! Mas isso não é valorizado”, reclama Alex Gurgel.
A Aphoto também pretende criar o Dia do Fotógrafo Potiguar. Um processo com o pleito já corre nos corredores da Assembleia Legislativa. O Dia Nacional a Fotografia já é comemorado em 8 de janeiro. E o Dia Mundial, em 19 de agosto. A data escolhida para celebrar o Dia Potiguar da Fotografia foi 26 de setembro.
A data de 26 de setembro rende homenagem à provável primeira fotos tirada no Rio Grande do Norte. A autoria é do alemão Bruno Max Bourgard. Ele veio do Recife e clicou a imagem de flagelados da seca reunidos em frente à casa do então governador Tavares de Lira, na subida da Junqueira Aires – hoje o prédio abriga o Solar Bela Vista. A foto é datada de 1905.
Aphoto – Associação Potiguar de Fotografia
CONVOCATÓRIA FOTOGRÁFICA - DIA 03 JULHO

Haverá dia 03 de julho uma Convocatória geral da fotografia do Rio Grande do Norte.
Encontro marcado para as 18:30h no auditório SEBRAE/RN Natal.
Objetivos:
Apresentar aos fotógrafos, produtores culturais e interlocutores da fotografia, a necessidade de organização deste segmento no Rio Grande do Norte.
Fortalecer o segmento para gerarmos ações de desenvolvimento econômico, social e cultural no Estado.
Proposta:
Realizar um encontro, aberto a comunidade da fotografia em seus vários segmentos, em que iremos expor brevemente como encontra-se o cenário da fotografia do Rio Grande do Norte, do Nordeste e do Brasil.
Inicialmente serão expostas as pautas previstas:
O que é a RPCFB
Falar o que foi o ENNEFOTO.12 (PA)
Cadastro e eleições do CNIC (MinC)
A necessidade de organizar-se no segmento
Exemplos dos Estados vizinhos (CE e PE)
Como criar diálogos com o poder público
O que é a cadeia produtiva da Fotografia
Apontamentos e sugestões
Precisamos que nos ajudem a mobilizar esta convocatória para os 04 cantos do Rio Grande do Norte.
Aqueles que moram no interior do Rio Grande do Norte, por favor se manifestem por e-mail ou entrem em contato pelo telefone para tentarmos viabilizar o transporte com algum ponto de apoio.
É uma força tarefa enorme para fotografia, contamos com todos.
Forte abraço,
Interlocutores:
Henrique José
Pablo Pinheiro

Instituto Histórico sem data de eleição.

O professor João Felipe  Trindade, genealogista e ex-secretário de administração da Prefeitura de Natal, foi sondado por um grupo de sócios do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte sobre a possibilidade de se candidatar a presidente da entidade cultural mais antiga no RN. Em princípio, considerou o convite dos amigos como um gesto de confiança na sua reconhecida capacidade administrativa e cultural, mas está muito ocupado com seus afazeres profissionais, particulares e nas pesquisas genealógicas que desenvolve há vários anos. João Felipe tem livre transito em todas as esferas da comunidade, não tem oposição no IHG. O grupo estaria preocurando outro nome para eleger em outubro (pelo velho estatuto) ou em fevereiro, conforme o novo estatuto, que ainda não foi publicado no Diário Oficial do Estado.
O jurista Carlos Roberto Miranda Gomes já teve o seu nome cogitado, mas ele não se pronunciou oficialmente, apenas, informalmente, disse que não está candidato. 
O folclorista Severino Vicente disse que é candidato, contando com o apoio do sócio Gutenberg Costa e que o convite partiu de Jurandyr Navarro, que deixará a presidência do Instituto após a eleição do futuro presidente.