sábado, 12 de janeiro de 2013


CARTAS DE COTOVELO 2013.4

A TEIMOSIA DA CHANANA

Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor-veranista

Em minhas caminhadas na praia de Cotovelo, sempre me chamou à atenção, a persistência ou teimosia de uma flor silvestre, que permanentemente se multiplica nos terrenos baldios da comunidade praiana - é a "Chanana", que tem o nome científico de tunera guynensis ou turnera ulmifolia.

Pois bem, e o que tem isso de tão importante a merecer um comentário nestas minhas Cartas de Cotovelo? Respondo que, primeiramente, ela traz uma beleza rústica ao lugar e em complemento, vem merecendo pesquisas nos centros universitários, com maior destaque para a Professora, Doutora Terezinha Rego, da UFMA, que há cerca de duas décadas vem trabalhando para descobrir a sua utilidade para fins medicinais, com resultados já proclamados no tratamento coadjuvante da aids e do câncer.

A chanana é presença constante nas ruas, avenidas, canteiros e terrenos baldios de várias cidades nordestinas, cujo clima propicia a sua reprodução, com uma capacidade incrível de suportar as intempéries, hibernando no inverno e ressurgindo vigorosa quando das estações governadas pelo sol.

Foi constatado que o extrato da Chanana tem sido utilizado por pessoas enfermas dos males referidos, principalmente após as sessões de radioterapia e quimioterapia, onde a tintura começou a ser ingerida, como método de tratamento alternativo, havendo a constatação da diminuição de sensação de mal estar e ânsias de vômito que a radioterapia e a quimioterapia causam.

Relata-se, ainda, que o uso do extrato vem auxiliando na recuperação do sistema imunológico dos pacientes do vírus da aids, reduzindo diarréias, pneumonias, dores musculares, alergias. 

“A utilização dos fitoterápicos no tratamento não resultam na cura do câncer, mas refletem no aumento da disposição dos pacientes em relação ao lazer e também na diminuição dos efeitos colaterais de remédios usados no tratamento”, adverte a pesquisadora.

Estamos, assim, com oferta da natureza para o socorro das pessoas doentes a custo "zero", sendo suficiente que existam pessoas abnegadas, como a mestra Maranhense e vontade política dos gestores públicos.
Por enquanto filio-me ao trabalho de divulgação, fazendo coro com os professores potiguares Geraldo Batista e Diógenes da Cunha Lima, que vêm dando atenção à "chanana".

Não custa nada aos nossos novos Prefeitos reservarem em suas cidades um canteiro para manter exuberante a flor silvestre, que somente se apresenta florida nas manhãs, fechando-se no ápice do sol, para somente reabrir no próximo raiar do sol. 

Era brasileira a primeira eleitora da América Latina.


PESQUISADO E ESCRITO POR: Gibran Araújo. Enviado por: rOgério Dias

Em 1887, Susanna Madora Salter foi eleita prefeita de Argonia, uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos, se tornando a primeira prefeita do mundo.¹
Apesar desse marco histórico e revolucionário, até o início do século XX, o direito ao voto feminino tinha ocorrido, excepcionalmente, apenas em poucos países, como a Nova Zelândia e a Austrália.²
Na América Latina, a Constituição do Uruguai de 1917 outorgou às mulheres uruguaias o direito ao sufrágio. Mesmo ano em que as mulheres canadenses começaram a votar e três anos antes que as estadunidenses. Em julho de 1927, no Uruguai, Rita Ribeira, brasileira de 90 anos, entrou para a história votando em um plebiscito na localidade de Cerro Chato, embora o voto feminino no Uruguai só fora regulamentado em 1932. O primeiro país latino-americano a regulamentar o voto feminino foi o Equador em 1929.³
Enquanto isso no Brasil, a influência da noção de “república” foi tratada como tema marginal. Como se sabe, apesar do fato histórico conhecido por “Independência” do Brasil, ter ocorrido em 7 de setembro de 1822, no contexto das revoluções norte-americana e francesa, e das guerras napoleônicas, o nosso divórcio separatista foi, contraditoriamente, coordenado pelo príncipe regente. Após quase 70 anos de uma monarquia cercada por repúblicas de caudilhos, quando a república tardiamente foi implementada no Brasil através de um golpe de estado em 15 de novembro de 1889, a linguagem radical do republicanismo, que permeou a época moderna, já se havia dissipado. A república no Brasil foi, assim, caracterizada por sucessivos governos autocráticos, uma continuidade da exclusão político-social e do caudilhismo eleitoral que já existiam desde o império.4
Devido aos conflitos entre a legislação estadual e a federal, o então governador do Rio Grande do Norte, José Augusto Bezerra de Medeiros, sancionou a Lei nº 660, de 25 de outubro de 1927, que estabelecia não haver mais “distinção de sexo” para o exercício eleitoral. O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado a regular o “Serviço Eleitoral no Estado”.²
Em 1927, Israel Ferreira Nunes, natural de Luiz Gomes/RN, concluiu sua formação de Bacharel na Faculdade de Direito do Recife/PE, e foi nomeado Juiz Municipal da Comarca de Areia Branca, onde deixou descendência. Era também o Juiz Substituto da Comarca de Mossoró, onde teve a oportunidade histórica de deferir a petição da professora natalense Celina Guimarães Viana [ver imagem abaixo], requerendo sua inclusão no rol de eleitores para votar na eleição de Senador em 5 de abril de 1928 na cidade de Mossoró, onde ela residia e lecionava. O Juiz Israel Nunes deu parecer favorável ao título da eleitora e enviou telegrama ao presidente do Senado Federal, pedindo em nome da mulher brasileira, a aprovação do projeto que instituía o voto feminino, amparando seus direitos políticos reconhecidos na Constituição Federal.²
Ainda que Celina Viana tenha requisitado seu alistamento eleitoral em 25 de novembro de 1927, três dias depois que a natalense Júlia Alves Barbosa se inscreveu para votar em Natal, por ter sido inscrita por intermédio de seu marido, o influente advogado e professor paraibano, Eliseu de Oliveira Viana, Celina teve o seu requerimento despachado com mais rapidez, a ponto de ser publicado antes do requerimento de Júlia no Diário Oficial do Estado. Mas o ato de pioneirismo de Júlia Alves Barbosa, uma das fundadoras da Associação de Eleitoras Norte-rio-grandenses, rendeu enorme repercussão no estado e lhe garantiu uma cadeira na Câmara Municipal de Natal, no mandato que se iniciou em 1928, sendo a primeira vereadora da capital estadual. Durante sua vida, foi casada com o poeta e professor Francisco Ivo Cavalcanti.²
Criou-se, então, a farsa mossoroense que Celina Viana teria sido a primeira eleitora da América Latina, quando na verdade foi somente a primeira eleitora do Rio Grande do Norte, mas nunca do país.
Em 1905, as professoras Alzira Nogueira Reis, a primeira mineira a se formar em medicina, e duas amigas, Cândida Maria Souza e Clotilde de Oliveira, invocando a Constituição, alistaram-se como eleitoras de Minas Novas/MG, onde as três votaram em separado, causando grande escândalo e revolta, sobretudo, na própria cidade, entrando para a história como as primeiras eleitoras do Brasil e da América Latina. Embora a historiografia oficial desconheça essa versão, não há como contestar o pioneirismo dessas eleitoras mineiras, nem o fato de que, infelizmente, o mito mossoroísta sufocou esse importante e belo episódio histórico da luta feminista pelo voto no Brasil, que realmente antecedeu Celina Viana em Mossoró em quase um quarto de século.8

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Em Mossoró/RN.


Luto

Ex-jogador do Santa Cruz, Neto Maranhão tem parada cardíaca e morre aos 28 anos

Atleta estava treinando em Mossoró, no Rio Grande do Norte, quando teve mal súbito e faleceu

Redação Superesportes - Diario de Pernambuco

Publicação:

09/01/2013 13:00
  

Atualização:

09/01/2013 14:08
Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press
Faleceu na manhã desta quarta-feira, em Mossoró, no Rio Grande do Norte, ex-meio-campista do Santa Cruz, Neto Maranhão. O atleta tinha apenas 28 anos e sofreu uma parada cardio-respiratória durante o treino em um hotel de Mossoró, a 285 quilômetros de Natal. Ele ainda chegou a ser socorrido, mas faleceu a caminho do hospital. Neto estava fazendo a pré-temporada pelo Potiguar, visando a disputa do Estadual. 

Neto defendeu o Santa Cruz em 2009. No mesmo ano, também jogou pelo Petrolina. Em 2011, também defendeu o Salgueiro. O atleta ainda jogou por clubes como o América-MG, Treze e o Campinense, antes de ser anunciado como uma das principais contratações do Potiguar para a atual temporada.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013




Via Láctea pode abrigar 17 bilhões de ‘Terras’

  • Estudo aponta que uma em cada seis estrelas da galáxia teria um planeta rochoso pequeno na sua órbita

CESAR BAIMA (
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Publicado:
8/01/13 - 0h00
Atualizado:
8/01/13 - 19h53


Ilustração do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos EUA, mostra os diferentes tipos de planetas que têm sido encontrados pelos astrônomos
Foto: lgação/CfA/C. Pulliam & D. Aguilar

Ilustração do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos EUA, mostra os diferentes tipos de planetas que têm sido encontrados pelos astrônomos lgação/CfA/C. Pulliam & D. Aguilar
RIO - Desde a descoberta do primeiro planeta extrassolar, em 1995, a busca por um que seja parecido com a Terra e esteja na distância certa de sua estrela para ter água líquida em sua superfície — condição considerada necessária para o desenvolvimento da vida como conhecemos — tornou-se uma obsessão entre os astrônomos e cativa a atenção do público. Agora, análise de dados coletados pelo observatório espacial Kepler, lançado pela Nasa em 2009 tendo como um de seus principais objetivos justamente procurar esta “Terra 2”, indica que só a nossa galáxia, a Via Láctea, teria 17 bilhões de planetas rochosos com tamanho entre 0,8 e 1,25 vez o da Terra orbitando suas estrelas a uma distância menor que a de Mercúrio. Embora isso torne estes planetas quentes demais para serem habitáveis, os cálculos indicam que eles são muito mais comuns do que se imaginava, aumentando as chances de um estar na distância certa.
A estimativa foi apresentada nesta terça-feira por François Fressin, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos EUA, durante reunião da Sociedade Americana de Astronomia. Segundo Fressin, o levantamento realizado pelo Kepler de uma pequena faixa do céu com cerca de 150 mil estrelas entre as constelações de Cygnus (Cisne) e Lira sugere que cerca de 17% das estrelas da galáxia, ou uma em cada seis, têm planetas com o tamanho aproximado da Terra com um período orbital inferior a 85 dias. E como a Via Láctea tem pelo menos 100 bilhões de estrelas, o total na galáxia atinge a cifra de 17 bilhões.
O Kepler faz sua busca pelo método conhecido como trânsito, isto é, a passagem do planeta em frente à sua estrela do ponto de vista da Terra. Dotado de um fotômetro hipersensível, o observatório espacial é capaz de medir as ínfimas reduções que eles causam no brilho de suas estrelas quando do trânsito. Para se ter uma ideia do quanto isso é difícil, os trânsitos da Terra provocariam redução de menos de 0,001% no brilho do Sol para um observador localizado fora do Sistema Solar. Assim, Fressin decidiu calcular quantos planetas do tipo da Terra o Kepler estaria deixando passar.
— Há toda uma lista de configurações astrofísicas que podem imitar o sinal do trânsito de um planeta, mas, somadas, elas respondem por um décimo do enorme número de candidatos a planeta detectados pelo Kepler. Todos os outros sinais são de planetas de verdade — afirma.
É importante notar que o levantamento do Kepler indica apenas possíveis planetas, por isso o termo “candidatos”, que devem então ter sua presença confirmada por novas observações com outros telescópios e métodos. Além disso, só são considerados candidatos os planetas que tiveram pelo menos três trânsitos observados pelo equipamento, o que até o momento limita-os a corpos celestes com períodos orbitais curtos, e trânsitos mais frequentes, como Mercúrio. Por fim, a própria natureza do método usado pelo Kepler faz com que ele só detecte planetas cujo plano de sua órbita atravesse a face da estrela de seu ponto de vista.
Com o tempo, porém, a expectativa é de que os dados do Kepler comecem a indicar a existência de planetas do tamanho da Terra em órbitas mais longas, isto é, mais distantes de suas estrelas. Isto é considerado fundamental para encontrar a verdadeira “Terra 2”, já que para a maior parte das estrelas é nestas distâncias que fica sua chamada “zona habitável”, nem perto nem longe demais de forma que a temperatura na superfície do planeta permita a existência de água em estado líquido.


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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Gracinha e a Carta da Europa.


Carta da Europa 6
Pra quem gosta de viajar, a Europa oferece uma incomparável oferta de destinações turísticas por vários meios de transporte. Atraída por uma boa oferta e ainda com boas lembranças do meu primeiro cruzeiro, reservei outro, desta vez com destino ao Mediterrâneo do leste, mais precisamente à Grécia, Turquia, Croácia e Itália. Farei agora um relato da viagem e concluirei com alguns comentários.
Embarquei em Veneza onde fiz um passeio de barco ao redor da cidade velha, na chamada lagoa. Passamos pelas várias ilhas e ilhotas que compõem o complexo. O dia estava claro e pude ver os Alpes ao longe. Infelizmente não tive tempo de visitar a Praça de São Marcos. À 1hora da tarde partimos para Dubrovnik, Croácia.
Dubrovnik é uma cidade que sofreu muitos terremotos e agora só resta sua cidade velha protegida por uma imensa muralha. Em seguida navegamos rumo à  primeira ilha grega, Corfu, que atrai muitos turistas no verão, tem um bonito quarteirão antigo. Infelizmente o museu estava fechado. Apesar de ser baixa estação (era meados de outubro) a temperatura estava alta, em torno de 24⁰C. De tarde tomamos o rumo de Katakolon, onde se situa a antiga cidade de Olímpia, local dos primeiros jogos olímpicos. As ruínas são restos mesmo e não impressionam muito.
O próximo porto foi o de Pireus que dá acesso à cidade de Atenas, onde visitei a Acrópole e fiz um passeio de ônibus pela cidade. A este ponto já estava se formando em minha mente um quadro da Europa oriental. Pelo que vi, os vestígios das antigas civilizações estão em quase total ruína e só com um guia bem habilitado é possível fazer sentido daquele monte de pedras e colunas. O que era interessante mesmo foi pilhado por outros povos (turcos, romanos). O que restou em termos de relíquias e artefatos está hoje nos museus das grandes cidades européias ou foi surrupiado por outrem. A Acrópole, no topo de uma colina em meio à cidade, é hoje um triste retrato do constante desgaste causado pelo tempo e por guerras, que os gregos hoje tentam salvar através de restaurações. A guia no entanto era muito boa e fez questão de que os turistas aprendessem o que era uma coluna dórica, iônica e corintiana.
No dia seguinte estava em Mikonos, uma ilha grega visitada por ricos e milionários, sem muito apelo turístico. No dia 22 de outubro, ainda com bom tempo, estava em Kusadasi, Turquia, um lugar que nunca tinha ouvido falar antes, mas que me ofereceu uma agradável surpresa: era o porto para se chegar a Ephesus. Se você já leu os depoimentos e epístolas de São Paulo na Bíblia,  ele pregou nesta cidade (52-54 DC) no início da cristianização. Era uma região habitada desde o neolítico pelos hititas. No século 1 AC tinha uma população de cerca de 250.00 habitantes. No século 1 DC deveria conter 400-500.000 habitantes. Era famosa pelo templo de Artemis completado em 550 AC que foi destruído em 401 DC. Esta grande cidade foi parcialmente destruída em 614 DC por um terremoto, mas entrou mesmo em declínio quando perdeu seu porto comercial devido a aluvião. Restam  diversas ruínas de valor: o teatro ao ar livre que podia conter 25.000 pessoas, a majestosa biblioteca de Celsus (um governador da era romana) e a rua de blocos de mármore que dava acesso ao porto. As excavações continuam e os artefatos obtidos estão hoje em diversos museus, sobretudo o de Viena.
Santorini, que visitei no dia seguinte, vale a pena ser vista pela sua localização. Fica num arquipélago que se encontra na caldeira de um vulcão submerso. O que resta depois de uma grande e violenta erupção são umas pequenas ilhas. A maior delas, também chamada de Santorini, abriga a cidade de Fira, capital do arquipélago, que fica no topo de um rochedo, sendo só acessível a pé, de burro ou de teleférico. Foram encontrados aí alguns restos da civilização minoana, que foi totalmente destruída pela citada erupção (3.600 anos AC). Acredita-se que Santorini foi o lugar que deu orígem à lenda de Atlântida, a cidade submersa citada por Homero. Imagine: o navio-cruzeiro ficou ancorado na boca de um vulcão cheio d’água...
Após dois dias em alto mar contornamos a costa sul da Itália, passamos pelo estreito de Messina  (que me pareceu muito estreito mesmo) que separa o continente da ilha da Sicília, e rumamos norte para Nápoles, cidade onde  nasceu a pizza. Tivemos muito pouco tempo para visitar esta grande cidade, parecida com Palermo na Sicília em sua arquitetura. O marco da cidade é o Castel Nuovo (Castelo Novo), uma edificação com vários estilos devido a contínuas modificações, que fica bem na entrada do porto. Nápoles  é uma das cidades mais antigas do mundo que foram continuamente habitadas. Tem um dialeto característico. A vista da cidade é imponente com o Vesúvio ao longe. O nome Nápoles vem do grego nea(nova) + polis(cidade), nome dado pelos gregos ao fundarem uma colônia aqui.
27 de Outubro. Último dia do cruzeiro. Deixei o navio “Crown Princess” num ônibus que nos levou do porto Civita Vecchia a Roma , Ostiense, onde pegamos um trem para a estação de Termini. Logo ao chegar, senti o impacto de uma estação enorme, grandíssima. Achamos uma saída e fomos logo para o hotel que havíamos reservado online. Não encontramos logo o endereço do mesmo; quando finalmente achamos, havia um homem esperando na calçada por a gente e ele disse que o hotel ficava em outro lugar não muito longe. Mandou um rapaz nos acompanhar até o hotel localizado a uns 15 minutos de distância; de tarde fizemos logo um passeio: fomos ao Colosseum de metrô cujo ticket era barato, demos uma volta grande a pé, passando pelo grandioso monumento de Vittorio Emanuelle, e tomamos de volta o metrô. Vimos muita ruína por perto. Roma é pontilhada de ruínas. De noite fomos a um restaurante onde pedimos um jantar com dois pratos por 10 Euros. O quarto do hotel era muito calmo e dormimos bem. No dia 28, domingo, fomos à parte antiga da cidade. Tomamos o metrô até Fontana di Trevi. Gostamos muito desta famosa fonte, mas não jogamos nenhuma moeda nela, como reza a tradição. Em seguida fomos ver o Pantheon, que também foi fácil achar. O Pantheon éextraordinário. Robin disse que após vê-lo, qualquer construção será um anti-climax. Vittorio Emanuelle, que liberou a Itália no final do século 19, está sepultado lá. Depois fomos para a Praça Navona com sua linda “fonte dos quatro rios”, Sempre a pé, fomos ver o rio Tibre e passamos por uma ponte e o Castelo dos Anjos de onde tivemos uma vista do Vaticano. Depois caminhamos ao longo da Avenida Vittorio Emanuelle onde fizemos uma pausa para um lanche. Tomei um delicioso chocolate quente com um pedaço de pizza. Sempre caminhando nesta longa avenida, paramos para ver a Praça das Flores, onde Giordano Bruno foi levado à fogueira. Novamente, muitas ruínas e igrejas. Dobramos à esquerda para a rua do Corso e paramos no local da linda Coluna de Trajano. Em cima desta a Igreja colocou uma estátua de São Pedro, que não cai bem sobre um monumento  que representa as vitórias de Trajano sobre os dacianos (na atual Romênia).  Por fim paramos um pouco  na notória Escadaria Espanhola, que não passam só de uns degráus. Em seguida tomamos o metrô de volta para o hotel. Podíamos ter parado em alguns outros locais, mas tentamos selecionar os mais interessantes no contexto turístico. De noite jantamos num pequeno restaurante simpático (indiano ou paquistanês) que vendia comida italiana, bem pertinho da estação de Termini.

Na manhã seguinte, os museus perto de Termini estavam fechados e decidimos ir ao Vaticano. Havia filas enormes para entrar nos museus e na Basílica, mas não entramos nelas. Após um lanche no McDonald da vizinhança, voltamos para Termini, almoçamos pasta e tomamos o metrô para o Colosseum de novo. Compramos um bilhete para visitar o Forum ao lado (que dá concessão a pessoas da terceira idade). Ingressamos no Forum às 3:15 e saímos às 4:15. Foi uma visita  rápida demais para se ter uma idéia precisa da área. Em seguida damos uma volta por perto do Colosseum e tomamos o metrô de volta para Termini, onde retiramos nossas coisas do porta-bagagem e tomamos um ônibus ao lado da estação às 7 horas da noite para o aeroporto Fiumicino.

Este relato suscinto não descreve a emoção de visitar uma cidade que já foi o centro do mundo ocidental. Você vê poder cristão em cima do poder romano em toda parte. Vê a supremacia das energias sutis na coluna de Trajano, com seus altos-relevos em elipse, revelando uma obra de espírito artístico de alto impacto, como que vencendo qualquer domínio material. No plano bem material mesmo foi uma surpresa ir a um simples restaurante e ser oferecido um cardápio só de chocolate quente. Nunca tinha visto coisa igual. Inesquecível.

Como mencionei no início, a Europa oferece todo tipo de viagem. Cabe a você extrair o máximo de cada uma das opções. Algumas delas são voltadas a aventuras, lugares pouco conhecidos, caminhadas, história de povos antiquíssimos, vulcões que viraram cidades e ruínas que ainda revelam o espírito humano em sua trajetória.

Maria English
Portsmouth (Inglaterra)
7.1.2013o

domingo, 6 de janeiro de 2013

Mais uma notícia desanimadora para a economia potiguar.


Brasília, 06.01.2013

Há exatamente 20 anos iniciamos as tratativas para a instalação da ZPE de Natal,
com sacrifícios inclusive familiares/pessoais, a convite do governo estadual (01/1993).
Não havia a chamada "vontade política"! Nada pode ser realizado sem ela e, após nove meses, retornei as minhas atividades no Banco do Brasil (09/1993).
A notícia abaixo não é animadora, apesar de todo empenho do meu amigo prof. Helson Braga.
Quousque tandem abutere... ... ...

Cortez.



RN corre risco de perder ZPE de Assu

Andrielle Mendes - Repórter

O Rio Grande do Norte, estado nordestino que menos cresceu em termos de Produto Interno Bruto, empregos formais e exportações nos últimos anos, pode perder outra chance de diversificar a produção e alavancar as exportações. O Estado descumpriu o prazo para instalação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Sertão, em Assu, e agora corre o risco de ficar sem uma de suas duas áreas de livre comércio com o exterior. As obras de desmatamento, terraplenagem, e cercamento da área - criada em 2010 - deveriam ter sido concluídas até dezembro de 2012, mas até agora nada foi feito no local, segundo afirmou o vice-prefeito da cidade, Eurimar Nóbrega, recém-empossado, e o prefeito reeleito Ivan Júnior. Com o prazo estourado, o Município planeja romper com a empresa administradora da ZPE - nas mãos de um investidor inglês - e encontrar novos administradores. A prefeitura já comunicou a decisão ao Ministério do Comércio Exterior.
Júnior SantosHelson Braga, que preside a associação nacional, teme que Assu perca sua zona de processamentoHelson Braga, que preside a associação nacional, teme que Assu perca sua zona de processamento

O Município se prepara para cancelar o contrato com a empresa administradora ainda em janeiro e elabora um dossiê para apresentar ao Conselho Nacional das ZPEs e assim convencer o governo federal a não anular o decreto de criação da área de livre comércio com o exterior, em Assu.

A justificativa para o atraso precisa ser apresentada até março, quando o conselho se reúne. O RN, porém, não é o único estado nesta situação. Outros dois enfrentam o mesmo problema: Roraima e Sergipe. As chances de reverter a situação, no entanto, são maiores este ano. Uma lei sancionada no último mês - a nº 12.767, de 27 dezembro de 2012 - permite que o Conselho Nacional das ZPEs analise as justificativas apresentadas pelos estados e suspenda a anulação dos decretos de criação. A lei também amplia até 2015 o prazo para instalação de ZPEs criadas até 1994, o que não é o caso do RN, que criou as suas duas - a de Assú, a ser executada através de uma parceria público-privada - e a de Macaíba, a ser executada através de um convênio firmado entre Prefeitura, Estado e Federação das Indústrias do RN - em 2010.

Apesar da possibilidade, o risco de perder a ZPE de Assu existe, alerta Helson Braga, professor aposentado de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e presidente da Associação Brasileira das Zonas de Processamento de Exportação (Abrazpe). O prefeito de Assu, Ivan Júnior, diz estar ciente do risco e já procurou o governo estadual e federal. "Essa obra não é importante só para Assu. É importante para todo o estado. Por isso, pedi ajuda ao governo estadual. Acredito, inclusive, que o governo deveria ter se envolvido mais com esta ZPE. O Município é pequeno demais para tomar decisões desta envergadura. Além disso, a instalação desta ZPE, que tem como objetivo atrair investimentos para o RN, não vai gerar emprego e renda só em Assu, vai gerar emprego e renda no Rio Grande do Norte", afirma.

Segunda etapa é desafio em Macaíba

Área terraplenada e cercada. O desafio em Macaíba agora é garantir a execução da segunda etapa da ZPE, afirma José Wilson, secretário de Planejamento do Município e diretor da Empresa Administradora da ZPE de Macaíba. Segundo ele, seriam necessários pelo menos R$ 5 milhões para obter os licenciamentos e o alfandegamento da área - autorização da Receita Federal, etapa que vence em junho deste ano.

A obra toda, estima a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, custará entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões. O investimento, acredita Rogério Marinho, titular da pasta, será feito via empréstimo. "A prefeitura de Macaíba é a sócia majoritária e não tem os recursos necessários", observa Rogério. A dificuldade em levantar recursos atrasou a execução da primeira etapa, concluída com vários meses de atraso, relembra Wilson.

Embora tenha avançado bem mais que a ZPE de Assu, a ZPE de Macaíba ainda não tem muito o que oferecer ao investidor, reconhece Wilson. "Só temos o terreno cercado. As empresas só se instalarão se encontrarem água, energia, telefone, transporte. Buscaremos as empresas depois que garantirmos a infraestrutura básica". A ideia é concluir a ZPE e recepcionar os novos moradores o quanto antes.

Empreendimento mais atrativo

O projeto de lei que promete tornar mais atrativo o modelo das Zonas de Processamento de Exportação brasileiras deve se transformar em lei apenas no final do ano. A estimativa é da Associação Brasileira das ZPEs. Depois de passar pelo Senado, o projeto passará por três comissões da Câmara de Deputados e poderá retornar para o Senado antes de seguir para a sanção da presidenta Dilma Rousseff e virar lei no decorrer deste ano de 2013, segundo previsão de parlamentares que defendem a proposta no Congresso nacional. O projeto, entre outras providências, aumenta de 20% para 40% nas vendas para o mercado interno; permite a instalação  de empresas prestadoras de serviços dentro das ZPEs e deixa de exigir um valor mínimo para os investimentos totais das empresas investidoras. Com as mudanças, as chances dos estados viabilizarem suas ZPEs aumentam, acredita a Abrazpe.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013


Exupéry na cabine do seu avião. A tradução abaixo está sujeita a correções. Foto: acervo do Google. 



INÍCIO

Antoine de Saint-Exupéry

Para os americanos, é Amelia Earhart. Para os franceses, foi Antoine de Saint-Exupéry. O desaparecimento do autor e piloto Saint-Exupéry fez o seu caminho dos anais da história da aviação em lenda depois que ele desapareceu há 60 anos, durante uma II Guerra Mundial missão de reconhecimento. Na semana passada, a lama foi literalmente varrido do mistério quando uma equipe arqueológica francesa identificou os restos mortais de seu avião.
Aviador e escritor francês, herói da vida real que olhou para a aventura e perigo com olhos de poeta - algumas vezes do ponto de vista de uma criança. O trabalho mais famoso de Saint-Exupéry é O Pequeno Príncipe (1943), que ele também ilustrado. Tornou-se um dos clássicos da literatura infantil do século 20. Durante a Segunda Guerra Mundial Saint-Exupéry serviu como piloto. Ele foi abatido em uma missão sobre a França, em 1944.
Antoine de Saint-Exupéry nasceu em Lyon, em uma família tradicional da nobreza provincial, um de seus ancestrais tinham lutado com os americanos em Yorktown. Seu pai era um executivo da companhia de seguros, que morreu de um derrame em 1904. Sua viúva artístico talentoso, Maria de (Fonscolombe) Exupéry (1875-1972), mudou-se com os filhos para Le Mans em 1909. No castelo de Saint-Maurice-de-Remens, Saint-Exupéry passou sua infância cercado por irmãs, tias, primos, enfermeiros e fräuleins. Ele foi educado em escolas jesuítas na Montgré e Le Mans, e na Suíça, em um internato católico (1915-1917), dirigida por padres Marianista em Friburgo. Após falhar em seu exame final em uma escola preparatória universidade, ele entrou na École des Beaux-Arts para estudar arquitetura.
O ponto de viragem na vida de Saint-Exupéry veio em 1921, quando ele começou o serviço militar no Regimento de Caçadores 2 º, e foi enviado para Estrasburgo para treinamento como piloto. Ele tinha frescos, com um piloto, pela primeira vez em 1912. Em 9 de julho de 1921, ele fez o seu primeiro vôo sozinho em um Sopwith F-CTEE. No próximo ano Saint-Exupéry obtido sua licença de piloto, e foi oferecido a transferência para a Força Aérea. No entanto, quando a família de sua noiva se opôs, ele se estabeleceu em Paris, onde ele pegou um emprego de escritório e começou a escrever. Os anos seguintes foram de azar. Seu envolvimento com a Louise de Vilmorin quebrou, e ele não teve sucesso em seu trabalho e de negócios - ele teve vários empregos, incluindo o de guarda-livros e vendedor de automóveis.
Primeiro conto de Saint-Exupéry, "L'Aviateur" foi publicado em 1926 na revista literária Le Navire d'argent. Sua verdadeira vocação Saint-Exupéry, em seguida, encontrado em voar o e-mail para a Aéropostale comercial companhia aérea. Ele voou sobre o e-mail do Norte de África, durante três anos, fugindo morte várias vezes. Em 1928 ele se tornou o diretor do remoto aeroporto de Cap Juby, no Rio de Oro, Sahara. Sua casa era um barraco de madeira e ele slep em uma palha fina colchão. "Eu nunca amei a minha casa mais do que quando eu morava no deserto", lembrou ele.
Neste isolamento Saint-Exupéry aprendeu a amar o deserto, e usou sua beleza dura como o pano de fundo para O Pequeno Príncipe e A Sabedoria das Areias (1948). Durante esses anos, Saint-Exupéry escreveu seu primeiro romance,Correio do Sul (1929), que comemorou a coragem dos pilotos iniciais, voando no limite da segurança, a velocidade sobre o e-mail e ganhar uma vantagem comercial sobre os rivais ferroviários e vapor. Outra linha de história na obra retratada caso do autor amor falhou com o romancista Louise de Vilmorin. Em 1929, Saint-Exupéry se mudou para a América do Sul, onde foi nomeado diretor da Companhia Argentina Aeroposta.
Saint-Exupéry voou post através do Andes. Essa experiência deu a base para o seu segundo romance, Vôo Noturno,que se tornou um best-seller internacional, ganhou o Femina Prix, e foi adaptado para a tela, em 1933, estrelado por Clark Gable e Lionel Barrymore. Na história Rivière, o chefe do aeroporto hard-mordido, deixou para trás todos os pensamentos de aposentadoria e vê o trabalho de pilotar o e-mail como o seu destino. "Nós não pedimos para ser eterno", pensou ele. "O que nós pedimos é não ver atos e objetos de repente perder o seu significado. O vazio que nos rodeia, de repente, bocejos por todos os lados." (De Vôo Noturno)
Saint-Exupéry em 1931 se casou com Consuelo Gómez Carillo, uma viúva, cujo outro literária amigos incluída Maurice Maeterlinck e Gabriele D'Annunzio. "Ele não era como as outras pessoas", ela escreveu mais tarde em Mémoires de la rosa ", mas como uma criança ou um anjo que caiu do céu." O casamento foi tempestuoso. Consuelo estava com ciúmes por boas razões e sentia negligenciada, quando seu marido não gastar muito tempo em casa. Ele também teve casos com outras mulheres.
Após o negócio de correio aéreo na Argentina foi fechado, Saint-Exupéry começou a voar entre Casablanca e pós Porta-Étienne e depois serviu como piloto de testes para a Air France e outras companhias aéreas. Ele escreveu para Paris-Soire cobriram os eventos do Dia de Maio em Moscovo, em 1936, e escreveu uma série de artigos sobre a Guerra Civil Espanhola. Saint-Exupéry viveu uma vida, viajando de aventura: ele convenceu Air-France para deixá-lo voar um Simoun Caudron (F-Anry), e teve um acidente de aviação em 1935 na África do Norte. Ele andou no deserto por dias antes de ser salva por uma caravana. Em 1937, ele comprou outra Simoun Caudron, e foi gravemente ferido na Guatemala, em um acidente de avião.
Incentivado pelo seu amigo André Gide, Saint-Exupéry escreveu durante sua convalescença um livro sobre a profissão de piloto. Areia, vento e estrelas, que apareceu em 1939, ganhou a Academia Francesa de 1939 Grand Prix du Roman e do National Book Award, nos Estados Unidos . O diretor Jean Renoir (1894-1979) queria fazer o filme e teve conversas com o autor, principalmente sobre assuntos literários que ele gravou. Naquela época Renoir trabalhou em Hollywood, onde todos baleado em conjuntos. Renoir ideia era tornar a película nos locais descritos no texto. O livro tinha sido bem sucedido em os EUA, mas ninguém queria produzir sua versão cinematográfica.
Após a queda da França na Segunda Guerra Mundial Saint-Exupéry se juntou ao exército, e fez vários voos ousados, embora ele foi considerado incapaz de voar em aviões militares por causa de seus ferimentos vários. No entanto, ele foi condecorado com a Croix de Guerre. Em junho, ele foi morar com sua irmã na Zona Desocupado da França, e, em seguida, ele fugiu para os Estados Unidos. Quando o regime de Vichy nomeou para o seu Conselho Nacional, ele protestou contra esta "nomeação prematura." Saint-Exupéry foi criticado por seus compatriotas para não suportar forças livres de Gaulle França em Londres. Flight to Arras (1942), publicado em Nova York, descreve sua fuga desesperada sobre as linhas inimigas, quando a França já estava batido. O livro foi proibido na França pelas autoridades alemãs.
Em 1943, ele voltou a força aérea francesa no norte da África. Também em Argel, ele continuou seu hábito ao longo da vida de escrever no ar. Depois de uma aterrissagem ruim seu comandante decidiu que ele era muito velho para ir em vôo, mas depois de uma pausa, ele foi autorizado a voltar sua unidade. Em 1943, Saint-Exupéry publicou sua obra mais conhecida, O Pequeno Príncipe (1943), fábula infantil para adultos, que já foi traduzido para mais de 150 idiomas. Tem sido claimend que O Pequeno Príncipe é o livro mais vendido depois da Bíblia e Karl Marx Das Kapital. Saint-Exupéry dedicado ao livro ao seu amigo Léon Werth. O narrador é um piloto que pousou em um deserto. Ele conhece um garoto, que acaba por ser um príncipe de outro planeta. O príncipe fala sobre suas aventuras na Terra e sobre sua rosa preciosa de seu planeta. Ele está decepcionado quando descobre que as rosas são comuns na Terra. A raposa do deserto convence-lo de que o príncipe deve amar sua própria rosa raro e, assim, encontrar sentido à sua vida, o príncipe retorna para casa. A rosa raro é geralmente interpretado como Consuelo.
Em 31 de julho de 1944 Saint-Exupéry decolou de uma pista de pouso na Sardenha em um vôo sobre o sul da França.Seu avião desapareceu - ele foi abatido sobre o Mediterrâneo, ou talvez não foi um acidente, ou se foi suicídio. Saint-Exupéry sentia isolado e sozinho, o seu esquadrão, e foi pessimista sobre o futuro. Em uma missão que ele teve problemas com sua máscara de oxigênio e quase desmaiei. Saint-Exupéry deixou para trás o manuscrito inacabado de La Citadelle(Sabedoria das Areias) e alguns notebooks, que foram publicadas postumamente. "Liberdade e restrição são dois aspectos da mesma necessidade, que é a de ser o que se é e não de outra." (De La Citadelle, 1948) O livro reflete o interesse crescente de Saint-Exupéry na política, e seus ideais posteriores. Último vôo do autor inspirado quadrinhos Hugo Pratt Saint-Exupéry (1996). Em 1998, um pescador encontrou pulseira de Saint-Exupéry a partir do mar, a 150 quilômetros a oeste de Marselha. Seu nome e Conzuela Gomez Castillo foram reconhecidos a partir dele. No entanto, mais tarde, revelou notícias, que a pulseira foi provavelmente uma falsificação. Eventualmente, o avião de Saint-Exupéry, a Lockheed Relâmpago P-38, foi encontrado em Maio de 2000.
Destroços Antoine de Saint-Exupéry avião responde um enigma de 60 anos de idade. Ou não? "Um mistério foi resolvido", diz Bernard Chabbert, falando piloto francês, escritor e herói nacional Antoine de Saint-Exupéry. "E ainda assim o mistério permanece." Francês oceano salvamento firmas Comex e Geocean passou um combinado de US $ 1 milhão para elevar as partes, e um banho de ácido revelou uma 2734L gravado à mão: o número de série do avião de Saint-Ex.As peças são programado para ser exibido em junho no Musée de l'Air et l'espace du Bourget, perto de Paris. Mas o que a exposição não vai responder é a maior questão de todas: O que aconteceu?
Embora ele foi overfond da leitura na cabine, os homme de lettres não foi desleixo como piloto. Por 21 anos, ele passou anos a voar sobre o Saara e América do Sul, e ele não se intimidou, se não inspirado, pela adversidade. (Uma de suas falhas, um mergulho no deserto da Mauritânia, em 1927, serviu de cenário para O Pequeno Príncipe). Ele pode ter correu para fora de oxigênio e desmaiou. (P-38 teve cabines não pressurizados, então os pilotos usavam máscaras de oxigênio.) Um terceiro campo argumenta que ele foi derrubado. Os destroços indica que Saint-Exupéry atingiu a água em um ângulo quase vertical, o que sugere um homem inconsciente nos controles.
Grupo Castellano e Geocean espero continuar procurando o mar para mais segredos-como partes crivados de balas de avião. Mas como um golpe não é provável. O entulho é de 60 anos e, provavelmente, está espalhada por quilômetros.Talvez no final, diz Chabbert, há apenas uma certeza. "A costa de Marselha é um lugar bonito", diz ele. "Teria sido um belo lugar para morrer".

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Cartas da praia.

CARTAS DE COTOVELO (2013.1)
Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor-veranista.
Mais um veraneio começa na região nordestina, tendo o condão de atropelar o calendário dos negócios e das coisas mais sérias do ano que se inicia, perdurando até o carnaval.
Veranear não deve ter a compreensão simplória dos dicionários, como simples lugar distinto da residência, geralmente nas praias, serras, lagos ou montanhas, conforme a localidade onde cada um vive.
Sua real característica permite revigorar a força física, fazer um hiato na labuta cotidiana e um reencontro com a paz interior.
Dou-me a esse deleite desde os idos de 1947, que começou na Barra do Cunhaú, depois na Redinha, por muitos anos e há mais de quatro décadas na praia de Cotovelo, onde encontrei o meu “Nirvana” espiritual.
A visão do veraneio varia com a idade. Quando criança, nada mais do que o lazer dos banhos à toda hora, pescarias e caminhadas.
Na adolescência, prepondera a convivência fraternal com os amigos e amigas, alguns folguedos, no bom sentido e os primeiros eflúvios do amor.
Faz-me, lembrar um filme que se passou num veraneio em uma praia italiana, onde um garoto, mais ou menos da minha idade (16 anos), interpretado pelo ator Gino Leurini realizou a sua primeira aventura amorosa, com uma “Donna” mais velha que ele, que o transformaria psicologicamente para a vida, tal a intensidade de sentimento naquela descoberta. Isso também me impregnou até os dias presentes, embora neste instante da vida, somente pelo desejo de conseguir de algum colecionador uma cópia daquela película “Amor de Outono”. Ainda tenho a esperança de conseguir!
Ao chegar a maturidade aflora a fraternidade, numa convivência harmoniosa entre a família e amigos. Esta é a fase mais duradoura, permitindo impulsos de criatividade intelectual e habilidades manuais nos campos da pintura, marcenaria, hidráulica e eletricidade, nem sempre bem sucedidas!
Mas quando se atinge a terceira idade, se eleva acentuadamente o pendor romântico e literário, pelas lembranças dos momentos vividos e felizes, dando a tudo uma visão especial, seja de um beija flor, um búzio, um luar ou qualquer outra visão do belo e do bom.
No veraneio leio vorazmente e escrevo com o mesmo apetite, entrecortados com uma geladinha ou scotch com água de coco.
Foi num veraneio na Redinha, que aprendi uma canção da autoria do meu pranteado irmão Fernando, composta quando ainda adolescente, que tem a seguinte letra:
REDINHA, praia linda e sem igual.
Poema lírico e imortal, onde nasceu nosso amor.
REDINHA, em teus recantos lindos,
Lembra-me o tempo de menino
Colhendo búzios em multi-cor.
REDINHA, de casas de palha e bangalô,
Onde não há escravo nem senhor,
Todos ali são iguais.
REDINHA volto de novo ao teu seio,
Para viver sem receio
Aqueles tempos ideais.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Reaquecendo e relembrando Exupéry em Natal.

Livro inédito será publicado com fotos de Exupéry em Natal.

Fonte:www.candelariaeasuarealidade.blogspot.com
Natal, 01 de janeiro de 2012.

Exupéry em Natal. Quem está com a verdade?



Luiz Gonzaga Cortez.



Antoine-Jean-Pierre-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint Exupéry: o nome do  piloto francês que esteve em Natal.




Quem é o dono da verdade na polêmica sobre o piloto Antoine Exupéry em Natal? O leitor sabe? Quem foi que inventou essa história do francês que dormiu, tomou café, e almoçou e jantou na Ribeira, no final dos anos 20 do século passado? A edição de O POTI de 10 de fevereiro passado,  traz uma reportagem de Hayssa Pacheco sobre a propalada presença do aviador francês em Natal, sem novidades a respeito do assunto, à exceção da assertiva de que o então secretário municipal Raniére Barbosa, pretendia colocar um busto de Exupéry no Canto do Mangue. Ainda bem que não colocaram o busto, pois jamais se ouviu falar de que tenha saído alguma notícia a respeito, nem um boatinho de pé de ouvido. Deve ter sido invenção de algum biriteiro com saudades do Cova da Onça. Ou invencionice de algum intelectual da província potengina.

Lendo e analisando o noticiário a respeito do piloto francês, na taba potinatalense, resolvi escrever uma matéria para O POTI (vide edição de 06.04.2008, p.11), na qual transcrevi um pequeno trecho de uma entrevista concedida pela minha mãe, Maria Natividade Cortez Gomes, à jornalista Vânia Marinho, no programa Memória Viva, da TV-Universitária da UFRN, além de curtas declarações de Célia de Lima Dantas e Cecília Cortez Gomes, que corroboraram as informações de Nati Cortez. A reportagem não se restringiu a declarações de ouvir dizer e quem assim entendeu, não leu o texto integral ou não está em condições de entender.

Quem inventou essa “história”?



Os relatos sobre os vôos da travessia do Atlântico não são novidades para os pesquisadores veteranos e novatos. Todos já sabem, há muito tempo, de que os arquivos da Air France, sucessora da Latécoère, não registram a passagem de Saint Exupéry em Natal. E aí? Quais os “historiadores apressados” que inventaram essa “história”. Quem são os intelectuais responsáveis por essas “invencionices”?  E as pessoas que deram entrevistas ou deixaram depoimentos sobre Exupéry em Natal eram delirantes, mentirosas? O que consta das páginas 66 e 67 do livro “Epopéia nos Ares”, do pesquisador Hipérydes Lamartine de Faria? São resumos de declarações de Rocco Rosso, Amelinha Machado, Nati Cortez, jornalista Nilo Pereira, Severina Alvesd Barbosa e Lair Tinoco. O que concluiu o autor do importante livro? “Não dá para por dúvidas nos depoimentos aqui apresentados pois se trata de pessoas idôneas que jamais fantasiariam histórias dessa natureza, pois eles nada tinham a lucrar com isso”, concluiu o autor,na página 67, no capítulo sobre “Saint-Exupéry em Natal”. O ilustre advogado e pesquisador Carlos Roberto de Miranda Gomes acata, sem restrições, a conclusão de Pery Lamartine sobre o assunto, no livro citado. Carlos Gomes acrescenta: Gostaria de enfatizar a frase que o próprio Pery transcreve na apresentação do seu livro e atribuída ao brigadeiro do ar João Eduardo Magalhães Motta: “se cada um de nós se dispuser a registrar sua participação, será possível recompor opassado”. Ele defende que se deve continuar pesquisando, com calma, seja novato ou veterano, pois ninguém é dono da verdade. Carlos Gomes autorizou-me a publicar um texto de sua autoria, recentemente publicado na imprensa sobre Exupéry, um homem que já se tornou imotal em Natal, haja vista que é nome de rua, no bairro San Valle, na zona sul, ao lado de Cidade Satélite. Agora estou procurando um compositor para compor um hino em homenagem aos aviadores francêses dos anos 20/30, destacando o piloto e executivo da “Laté”. Eis a carta do dr. Carlos Gomes:

Prezado Cortez,

É uma satisfação, pela primeira vez, fazer contato com você, coroando uma admiração que sempre tive pelos seus trabalhos e livros, que os tenho em minha biblioteca. Sobre Exupèry fiz correspondência para nosso amigo Serejo, a qual foi publicada no JH desta data, nos seguintes termos, adiantando, contudo, que a fotografia que foi publicada não é a que tenho em meus arquivos, tirada por Rosso, onde aparece Exupèry sozinho e num ângulo bem mais próximo, em que é mais nítida a sua aparência física:

"Prezado Serejo:

A propósito da vinda ou não de Saint-Exupèry a Natal tem sido assunto requentado desde dezembro de 2007, quando do lançamento do “Caminho do Avião”. Já em 2008 novas matérias foram ventiladas onde você desponta como aquele que mais tem se aprofundado no tema.

Não pretendia entrar nessa polêmica, agora, mas como genro de Rocco Rosso, a quem se aponta como fotógrafo de Exepèry em Parnamirim, venho esclarecer que ele, em verdade era rádio técnico da Latécoère e, pelo fato de estar perto do campo de Parnamirim, não perdia oportunidade de fotografar quem por aqui passasse.

Ele sempre defendeu a passagem de Exupèry por Natal e chegou a fotografá-lo. Não tenho por que duvidar dessa afirmação, até em respeito à idade vetusta que viveu, beirando um século e terminando os seus dias em plena lucidez. Em segundo lugar, existem as entrevistas e reportagens que você mesmo divulgou com D. Amélia, a Sra.. Nati Cortez e a reportagem de Nilo Pereira. Em terceiro, nunca ninguém esclareceu se a passagem de Exupèry por Natal tenha acontecido com ele mesmo pilotando (dada a impossibilidade técnica, segundo o Coronel-Aviador Fernando Hippólyto). Pode ter vindo em avião comercial ou por via marítima. Ademais disso, naquela época o autor de O Pequeno Príncipe não tinha nenhuma fama, daí a falta de interesse em divulgá-lo, ou fotografá-lo por D. Amélia, como era costume e a própria falta de registro na pesquisa de Cascudo.

O que tive conhecimento é de que Exupéry era Diretor da Latécoère em Buenos Aires, cargo que exercia sem muito entusiasmo e, em certo período de depressão e saudade do continente europeu teria resolvido visitar o seu compatriota e amigo Jean Mermoz, que morava em Natal.

            Na sua coluna do JH de 18 de fevereiro último você volta ao assunto com a transcrição de carta do poeta e escritor Virgílio Maia onde abre uma janela sobre o tema divulgando texto de um livro ‘Dopo 48 ore di silenzio’. Acrescento a tudo isso correspondência que recebi do amigo e colega José Antônio Pereira Rodrigues, Procurador do Estado, que em suas pesquisas indica referências ao fato publicadas em ‘revista francesa por nome HISTORIA HISTORAMA, edition nº 572 (août 1994), contendo uma rica pesquisa sobre aquela plêiade de desbravadores de mares, de neves, de noturnos, de enigmas, e de infinitos, e que pode contribuir para desfazer essa aura de mistificação que envolve o discutido tema da presença de Exupérie em Natal. A partir da ilustração (colorida) da capa: um avião fazendo a ligação DAKAR/NATAL, com a legenda:”AÉROPOSTALE:L’ÉPOPÉE DE MERMOZ ET DE SAINT-EXUPÉRY”. Na revista a que me refiro há uma série de 8 reportagens, em 36 páginas ilustradas com fotos, abordando as figuras dos aviadores Jean Mermoz, Antoine de Saint Exupérie, Didier Daurat e Henri Guillaumet. Numa delas, o radionavegador Jean Macaigne, um dos últimos sobreviventes da Aéropostale, conta ter voado com Mermoz e Saint Exupérie. ... Há, na matéria jornalística, outros enfoques sobre a nossa cidade que, caracterizando a sua importância, naqueles esquemas de vôos, levam a crer que Exupérie teria passado, realmente, por Natal, até por dever de ofício. Sendo ele Diretor da Aeropostale, em Buenos Ayres, haveria também de marcar presença aqui, pois esta cidade não representava um ponto minúsculo qualquer perdido na imensidão do mapa, resumindo-se a mero objeto de sobrevôo. Ela era, mais do que qualquer outra, que lhe fosse próxima ou até relativamente distante, uma referência para as equipes de vôo, enquanto suporte material, como estrutura física de apoio, na sua condição de último reduto rumo ao longo curso das incertezas transoceânicas. Da mesma forma, no sentido inverso, quando se apresentava como verdadeira catapulta, a fazer projetar as areonaves para dentro do continente, nas trilhas poéticas do correio sul. A esta cidade esteve reservado, então, um papel de relevo na estratégia de objetivação de um sonho: “O tronco Natal-Buenos Ayres (5.000 km) constitui a coluna vertebral da linha sul-americana da Aeropostale (...) Natal não foi escolhida por acaso. Esta cidade brasileira representa o ponto geográfico mais próximo de Dakar, terminal africano da linha.” (Historama, p. 7).’

A correspondência tem mais detalhes, os quais ficam para posterior análise, pois estou escrevendo um livro a respeito, aproveitando as inúmeras fotografias que nos deixou Rocco Rosso.

            Um abraço do seu admirador Carlos Roberto de Miranda Gomes".



Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador.

Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

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Nota: anuncia-se que a Fundação José Augusto vai publicar um livro de João Alves de Melo contendo duas fotos de Exupéry em Natal. As três pessoas   que Edmundo, filho do autor, exibiu as fotos (não permitiu que ninguém pegasse ou reproduzisse) foram : Olimpio Maciel, médico, Vicente Serejo, jornalista, e Carlos Roberto Miranda Gomes, advogado e pesquisador.  
Militantes Brasileiro(a)s dos  Direitos Humanos
Luiz Gonzaga Cortez
Textos e Reflexões
ABC de Textos Militantes




Antoine de Saint Exupéry em Natal
14/02/05

* Luiz Gonzaga Cortez.
Deve-se à última edição do mensário literário O GALO ( junho/2000, Ano XI, n. 05), através de artigo traduzido pelo jornalista Nelson Patriota – “Saint-Exupéry, o mito levanta vôo” – as mais recentes pistas e fontes para se pesquisar sobre as andanças do famoso aviador e escritor francês pela América do Sul e África. O artigo revela que uma irmã dele, Simone (1898-1978), e a viúva, Consuelo, deixaram um livro inacabado e um manuscrito intitulado “Mémoires de la rose” ( “Memórias da rosa”), respectivamente, entre outras novas obras. São novos caminhos para se pesquisar. E mais: quem quiser se aprofundar nas pesquisas pode se dirigir a uma fundação de Paris que mantém o “Espace Saint-Exupéry”, telefone 0143225890, em Paris. Mais: a Internet tem dezenas se páginas sobre Exupéry.
Apesar de não ter se encontrado documentos da empresa Latécoère, da Air France e de órgãos aeronáuticos brasileiros sobre a presença do aviador Antoine de Saint-Exupéry no Brasil, não há dúvida que ele esteve em Natal e em outras cidades que serviram de bases de apoios e/ou escritório da empresa Aeroposta Argentina, uma subsidiária da Laté, antecessora da Air France. Pery Lamartine de Faria ( Epopéia nos Ares, 1995,p.65) e Nilo Pereira (este é autor do artigo “Conheci Saint-Exupéry em Natal”, Tribuna do Norte, p.3, Caderno de Domingo, 14.04.1985) já publicaram artigos com depoimentos de testemunhas oculares da presença de Exupéry em Natal. Segundo Pery, o que dificulta as pesquisa é o fato de que na década de 20,os pilotos franceses e brasileiros não relatavam seus vôos. “O campo de Parnamirim, que pertencia à Latécoère, não deixou nenhum documentos sobre os pousos das aeronaves naquele local”, disse o escritor Pery.
Não temos provas documentais que Exupéry veio de avião ou de navio para Natal, mas veio. O resto é papo furado, inclusive essa versão de que ele passou pelo Brasil num navio, em direção à Argentina. O que pasma é que nunca um pesquisador do Rio Grande do Norte pesquisou no Museu da Air France, em Paris, ou em outras instituições francesas. Só andaram pesquisando em livros e jornais da província dos Xarias e Canguleiros. Mas, nem tudo está perdido, pois, por telefone,uma pesquisadora brasileira, residente em Paris, me disse que está pesquisando o assunto.
Se Jacques Maigne, autor de brilhante reportagem publicada na revista “Air France Magazine”, número 16, de agosto de 1998, diz que Exupéry foi um dos comandantes dos aviões das primeiros linhas aéreas da América do Sul ( o pioneiro foi Paul Vachet e Jean Mermoz, o recordista na travessia do Oceano Atlântico, no vôo Dacar-Natal, em 12 de maio de 1930, no Laté 28), há indícios de que o autor de Vôo Noturno esteve por aqui, já que exerceu o cargo de chefe da Aeropostale( subsidiária da Laté) em Buenos Aires, responsável pelas rotas da América do Sul da Latécoère. E Natal, estava incluída na área supervisionada por Antoine de Saint Exupéry. O jornalista Franklin Jorge conversou muito com Nati Cortez, pessoalmente, na rua Felipe Camarão, nos anos oitenta, sobre a presença dos pilotos franceses em Natal nos anos 20/30.
Um colunista disse que eu agora estava metido na história do RN e que a minha mãe não deixou nada registrado sobre Exupéry em Natal. Ando metido na história desta província há muitos anos, mas somente publiquei um livro sobre “Pequena História do Integralismo do RN” (Fundação José Augusto-Clima, Natal,1986). E graças a Pery, na semana passada, encontrei o original do depoimento manuscrito deixado por Maria Natividade Cortez Gomes, minha mãe, cuja cópia está comigo.
A transcrição literal é literal, sem correções: “Antoine St. Exupery em Natal.
A companhia de aviação francesa, a Latecoere, chegou aqui em Natal em 1919. Em fins de 1927, eu e mamãe, ( minha avó e mãe de criação, Josefa Aguiar) voltamos do Rio de Janeiro, onde passamos uma temporada. Mamãe teve então a feliz idéia de montar um bar e restaurante. A casa era grande, (duas casas conjugadas) prestando-se para isto. Ficava situada na rua Frei Miguelinho, bairro da Ribeira. O restaurante começou então a ser frequentado não só pelos pilotos da Laté que eram brancos, como pela tripulação dos “avisos”, que eram pretos vindos de Dakar. Os aviões eram anfíbios, baixavam no rio Potengi. Os negros eram na sua grande maioria das colônias portuguesas da África. No movimento do bar e restaurante, que era intenso, principiei a falar com os franceses, já que eu tinha uns rudimentos do francez que aprendi com o dr. Adauto Câmara, na Escola Vigário Bartolomeu, situada na Cidade Alta.
Atendendo a uns e a outros, apesar de ser muito nova ( tinha treze anos nesse tempo) notei que, quando chegava um certo piloto por nome Antoine, os outros aproximavam-se, fazendo uma roda em torno dele. Eu, no auge da curiosidade, também ia apreciar a conversa daquele piloto da Laté que denotava possuir uma vasta cultura. Do que ele falava, não me recordo, mas ficou gravada na minha lembrança sua figura brilhante.
Conhecí outros pilotos, inclusive Raimonde e Sidifal. Tive até de receber cartões postais vindos de Dakar, onde falavam muito no nome de Mademoiselle Nati. Ainda hoje conservo estes cartões como recordação da passagem da Latecoere em Natal. Depois de casada, lendo “O Pequeno Príncipe” e “Correio do Sul”, tive a intuição que aquele Antoine era, nada mais nada menos, do que St. Exupery. Até que um dia, vendo uma foto de Antoine num jornal do Rio, verifiquei que era ele mesmo. Natal, 12/6/1984. Nati Cortez”.
Eis aí o depoimento deixado por dona Nati, sem correções. Dos cartões que ela se refere, encontrei dois, mas oferecido pelo piloto Edmond, do “Revigny”, de um “aviso” (embarcação de apoio aos vôos sobre o Atlântico). Também achei cartões postais com as fotos dos ases da aviação da época, como Newton Braga, Sarmento de Beires, Ribeiro de Barros ( o do Jahú, em 1927) e Vasco Cinquine, que eram vendidos pelo Photo “Elite”, de Natal. Na verdade, há muita conversa fiada e fértil imaginação entre alguns que se arvoram a falar desse assunto.
Luiz Gonzaga Cortez é jornalista
e sócio do Instituto Histórico e Geográfico do RN desde 1983.
História dos Direitos Humanos no Brasil
Projeto DHnet / CESE Coordenadoria Ecumênica de Serviço
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular CDHMP