sábado, 6 de abril de 2013

Marco de concreto pode ser do tempo da II Guerra.


Nesta terra de tantos “ambientalistas”, não tenho notícias de preocupações com o futuro do “Morro do Navio”, nas dunas de Pium, Parnamirim, a cerca de 22 quilômetros de Natal. Também conhecido como “Morro Vermelho”, por causa da coloração da areia, a área fica a mais de 300 metros do nível do mar, de onde se pode curtir um bonito panorama, inclusive de parte de Natal. A área seria uma  ZPA, perto de Alcançuz e da famosa “Casa de Pedras”, construção do século XVI, do período holandês. E aí? E aí é que morro está sendo degradado pelo homem (bugreiros, praticantes de ralis fora de estrada, etc) e os ventos, devido ao  abandono, mas algumas moradores de Pium estão preocupados com um possível detalhe histórico: um marco de concreto no Morro do Navio.
E o que significa esse marco de 1.50 m de altura e cerca de 80cm de diâmetro, que está “rolando cabeça abaixo” do morro? Segundo um pesquisador que me deu a informação e sugeriu que procurasse os vídeos do Youtube,  o marco de concreto, que está com a parte superior para baixo, seria o alicerce de algum equipamentos militar usado pelo Exército brasileiro no período da II Guerra, provavelmente um haliografo (instrumento de uso manual para orientação marítima).
Os produtores dos vídeos estão afirmando que o marco teria sido feito em 1943 e, segundo os moradores mais idosos de Alcançuz, havia uma placa com inscrições com aquela data. Em Pium, há guias que cobram R$ 25,00 por passeios educacionais e de lazer na área que teria mais de 10 hectares e que está sendo alvo de investidores americanos. Uns dizem que querem construir um clube de golfe, outros que seria um condomínio residencial  sobre as dunas vermelhas, cuja vegetação é rasteira, mas com muitos pés de mangabeiras, um fruta nativa  em extinção. Um guia afirma, no vídeo, o produtor afirma que o Morro do Navio, encravado no município de Nísia Floresta,  “é um pedaço importante de nossa história que deveria receber maior atenção por parte das autoridades”. A àrea seria vizinha ao terreno pertencentes aos herdeiros do médico Silvino Lamartine de Faria e abrange aos dois municípios do litoral sul.
Quem quiser conhecer os acessos ao local basta pesquisa “morro do navio” no Youtube, através do Google.
Luiz Gonzaga Cortez.


 mnavio.jpgMarco de concreto desperta curiosidade dos pesquisadores que querem saber se é mesmo equipamento equipamento militar do tempo da 2ª Guerra (1943?). Foto de vídeo do Youtube.

domingo, 31 de março de 2013

Cassiano Arruda relembra Campanha de Angicos.

Sujeito oculto
Com esse título, o jornalista Cassiano Arruda Câmara (sempre
relembrando fatos da nossa história), na sua coluna de hoje, 31, se
refere a "Experiência de Alfabetização de adolescentes e adultos",
através do Método Paulo Freire, em Angicos/RN, terra de Aluizio Alves,
a partir de 18 de janeiro de 1963. Informa o jornalista que a
Secretaria Estadual de Educação e Desportos relembrará a "Campanha de
Angicos", com programação que será desenvolvida nos próximos dias 2 e
3, mas sem "nenhuma referência ao Governador Aluizio Alves". Bom, acho
que AA deve ser lembrado, e muito.
Não somente Aluizio Alves, mas o jornal "Diário de Natal". Como é a
história?, indagarão. Sim, apesar de extinto, o Diário de Natal,
através do "Cadernos DN EDUCAÇÃO", editado pela jornalista Ana Maria
Concentino Ramos, foi o primeiro veículo de comunicação potiguar a
publicar reportagens sobre o Método Paulo Freire, depois de 1964. Foi
18 de setembro de 1992 que saiu a 1ª reportagem da série sobre "A
Experiência de Angicos", cujo título era "Igreja recusa apoiar método
Paulo Freire" .
A idéia da campanha foi de Calazans Fernandes, secretário de educação,
nomeado por Aluizio Alves, "após um encontro casual num aeroporto do
Rio de Janeiro". Com a idéia na cabeça, Calazans, sabedor de uma
campanha educacional que se desenvolvia no Senegal, procurou Odilon
Ribeiro Coutinho e este sugeriu "um obscuro professor do Recife, que
fazia uma experiência com empregadas domésticas em Ibiribeira". Era
Paulo Freire, que relutou muito em aceitar a missão porque tinha
dinheiro americano no meio, da USAID. Djalma Maranhão recusou porque
já fazia a sua campanha de "Pé no Chão também se aprende a ler", com
"dinheiro brasileiro para o povo brasileiro".
Foram oito reportagens publicadas no caderno "DN EDUCAÇÃO", entre
setembro/92 e março/93. O Sindicato dos Jornalistas do RN-Sindjorn,
criou o prêmio de jornalismo "Raimund o Ubirajara de Macedo" ( foi a
única premiação e não se fala mais nesse concurso).
Parabéns, Cassiano, por relembrar a grande experiência de Angicos, ali
realizada "porque é o centro geodésico do RN e a terra do governador".
Mas isso é outra história.
Luiz Gonzaga Cortez, jornalista e autor da série de reportagens no DN Educação.



Calazans Fernandes (2º à esq.) com o Presidente John Kennedy,na Casa Branca.






sábado, 30 de março de 2013

Cortez Pereira e a seca no Nordeste.




Por considerar oportuno, publicamos hoje um depoimento escrito do ex-governador Cortez Pereira, na década de 80, para uma reportagem que o extinto O POTI, de Natal, publicou sobre a sêca no Rio Grande do Norte. Não me lembro da data que ele me entregou quatro folhas de papel almaço contendo as suas opiniões e idéias sobre o semi-árido potiguar, a pouca inteligência dos governantes do Rio Sem Sorte, desde o período colonial, para enfrentar os nossos problemas. As quatro folhas, manuscritas com caneta esferográfica, com tinta azul e sem assinaturas, estão comigo. Recentemente, um artigo de Albimar Furtado, publicado no NOVO JORNAL, de Natal, fez-me lembrar um trecho da entrevista do sábio Cortez Pereira, há uns 30 anos: "Digo que sêca não é a nossa terra, mas a inteligência dos que nos governam desde a era colonial".  Abaixo, a transcrição do texto de Cortez Pereira, filho de Olindina Cortez Pereira e Vivaldo Pereira, neto Manoel Pegado Cortez e Maria Senhorinha Dantas Pegado Cortez-Marica Pegado.





José Cortez Pereira de Araújo*

-Nossa pobreza não decorre das secas, nem da escassez de terras férteis, muito menos do clima. Ela se origina nas múltiplas atividades econômicas que formam nossa agricultura, inadequada às condições e circunstâncias do Nordeste. Nossas atividades agrícolas são contrárias à natureza, são anti-ecológicas, as chuvas irregulares, a alta temperatura, o excesso de luz tudo aqui cultiva culturas arbóreas, perenes e nós fazemos, no Nordeste, exatamente o contrário.
-O Seridó é a maior demonstração do acerto contido na expressão que tenho repetido várias vezes: nós não temos fatores adversos e sim atividades adversárias dos fatores.
Não há, em todo o Nordeste, uma região mais árida do que o Seridó (vértice de aridez 3.3), nem mais quente (até 60°nos afloramentos da rocha), nem com maior luminosidade (quase 3.000 horas/sol/ano), cujos solos sejam tão rasos, secos e erodidos e, no entanto, o nível de vida povo é muito superior ao das populações do fértil e chuvoso Maranhão.
-Tudo começou, como começam sempre a história de todas as gentes, pelas atividades primárias, pelo que se faz o homem sobre a terra. Foi a atividade compatível com a natureza que ajudou o homem melhorar a sua vida.O Seridó começou com os currais, as fazendas de gado, as barragens submersas, as vazantes nos leitos dos rios, os açudes médios e pequenos. Guimarães Duque escreveu que era o seridoense quem sabia melhor aproveitar a pouca e irregular água que caía Nordeste. E foi assim que a pecuária se tornou suporte econômico e alimentar com carne, leite e queijo o homem do seridó.

-O clima tornou saudável a pecuária do Seridó e a imaginação do homem criou os meios para se conviver coma seca.
A outra grande atividade econômica da região não precisou, siquer, de ajuda, porque ela já era a própria natureza, no xerofilismo do algodão mocó. Cultura arbórea, perene, o nosso algodão casava com o clima seco para melhorara sua fibra longa. O solo semi-àrido era sua condição ótima para vegetar e produzir. Plantasse o algodão seridó nas terras férteis dos vales úmidos, que a rejeição o faria amarelar, amofinar, com saudade da terra seca, da quentura infernal do meio-dia e das noites sem orvalhos.
-Nos sertões do Nordeste, em nenhum outro lugar, elevou-se tanto o nível social dopovo, quando no Seridó. Um dos sintomas dessa realidade foi a liderança da Região em relação ao Estado, desde o primeiro Presidente da Província Tomás de Araújo Pereira. Para se sentir a força dessa influência, basta lembrar os nomes de Brito Guerra, José Bernardo, Juvenal Lamartine, Pe. João Maria, Dinarte Mariz e Monsenhor Walfredo Gurgel.
-O nível social alcançado explica a projeção dos seus homens e ambos os fenômenos são explicados pelo desenvolvimento econômico da Região. Esse desenvolvimento econômico só foi possível porque as duas históricas atividades primárias, harmonisavam-se com a natureza, apoiavam-se nela.
-Agora, outro aspecto interessante do assunto: o binômio algodão X boi se complementa, se integra e, assim, potencializam-se recíprocamente. Os campos de algodão, depois da colheita, viram cercados de solta e a praga remanescente é destruída pelo gado, que muito deixa  nos roçados. Tem mais, a cultura do algodão produziu, também, a torta, ou simplesmente o caroço que era o rico alimento proteico dos meses secos e dos anos mais secos.
O Seridó era uma harmonia de trabalho produtivo!
Um outro fato econômico que ocorreu no velho Seridó, eu acho sensacional. Em nenhum outro lugar do Brasil, com a mesma intensidade, aconteceu coisa parecida. Foi como que um planejamento “espontâneo”, nascudo da intuição, que  desenvolveu a atividade agrícola na complementação industrial, com a industria rudimentar situada na própria areada produção da matéria prima. Refiro-me aos descaroçadores de algodão, às tradicionais “bulandeiros” que se situavam nos sítios e nas fazendas, criando , naquele tempo, a agro-industria-rural, que os mais modernos planejadores do Terceiro Mundo apontam, hoje, como a grande solução de quase todos os nossos problemas.
-A agro-indústria –rural integra os dois grandes setores de produção e transformação econômicas, com a grande vantagem de, situando-se no campo, permitir o natural êxodo agrícola, evitando o êxodo rural. Só assim, supera-se o grande, o imenso problema do alto custo social das cidades “inchadas”. Pois bem, tudo isso já existiu no Seridó do passado. Certa vez,  em encontro de políticos importantes e até Ministros, eu destaquei esta originalidade genial, quando um deputado federal do Seridó, sem entender o sentido da coisa, condenou o fenômeno sob a crítica de que o meu pai teria sido – como foi – um desses agro-industriais...
- Este pedaço do Brasil chamado Seridó, precisa um estudo sociológico profundo para se tentar conhecer as raízes da sua vida, do seu comportamento e reações. Contam que o primeiro, ou um dos primeiros açudes do Nordeste teria sido  feito em Caicó. Um preto patriarca, responsável pelo grande feito, pedira ao missionário alemão que pregava missões na “Vila do Príncipe” para abençoar a novidade, o açude. Quando o frade viu que se tratava de contrariar a vontade de Deus que fizera os rios para devolver ao mar as águas que sobravam da terra, amaldiçoou o velho Terencio (que se suicidou) e sua família, até a 3ª geração. Agora, a grande lição: desde então Caicó não deixou mais de fazer açudes e nenhum outro município do Nordeste tem mais açudes do que lá.
-O Seridó tem projeção no Brasil, na época da guerra, pelo grande produção de tugstenio  e outros minérios. Do sub-solo da Região tiram-se muitas matérias primas com as quais é feito o desenvolvimento dos países avançados: capacitores eletrônicos, turbinas de aviões a jato, naves espaciais, reatores nucleares, etc.
-Agora mesmo é o ouro e o ferro que reaparecem na nossa pauta de produção, mostrando a riqueza diversificada do Seridó.
- Uma vez, pelo menos, eu não fui bem entendido, quando responsabilizo o governo como o grande “vilão” na história sem lógica da pobresa do Nordeste. Digo que seca não é a nossa terra, mas a inteligência dos que nos governam. Isto desde a era colonial, quando os portugueses nos ensinaram a cultivar o que faziam na Europa e que não podia dar certo aqui, no Nordeste, que não tem nada parecido com Europa. E o pior,  de lá para cá, os que nos governam não foram sensíveis a fazer uma reformulação de nossas atividades econômicas e, mais grave ainda, não souberam siquer conservar o que se fazia acertadamente, aqui. Exemplo: o algodão mocó. O “bicudo”, apenas deu o tiro de misericórdia. O velho algodão mocó começou a morrer quando o crédito oficial (o Governo) chegou por aqui, aplicando suas normas feitas para o algodão anual de S. Paulo e Paraná.

O financiamento teria de ser pago no mesmo ano e o seridoense, para escapar, plantava entre as fileiras do algodão arbóreo o outro algodão anual, o “rasga letra”, que daria condição de pagamento anual, mas que foi hibridando, misturando-se geneticamente, até fazer desaparecer o patrimônio fantástico do velho algodão mocó.
*José Cortez Pereira de Araújo foi político, professor e ex-governador do Rio Grande do Norte (1970-1974)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Brasil ficou fora do ataque de invasores cibernéticos.

Fonte: veja.com.br - 18.03.2013


Internet

Ataque sofrido pela web foi robusto, mas localizado

Apesar de ter utilizado um tráfego gigantesco, com picos de 300 gigabytes por segundo, o episódio afetou apenas alguns países. O Brasil escapou

Rafael Sbarai
Hacker em um teclado luminoso
(Thinkstock)
Um conflito digital entre o grupo inglês Spamhaus, organização sem fins lucrativos que combate o spam na internet, e a companhia holandesa Cyberbunker, especializada na hospedagem de serviços on-line, estremeceu o mundo digital nas últimas semanas. De acordo com informações publicadas na rede britânica BBC desta quarta-feira, um conflito entre as partes provocou uma operação na rede conhecida como ataque de negação de serviço (DDoS) – conhecida por causar o engarrafamento de dados na rede – provocando lentidão no acesso à internet por milhões de usuários ao redor do planeta. A história, contudo, não teve esse desfecho. A operação em destaque foi vigorosa - a maior já registrada na história da rede -, mas restrita a alguns países. Brasileiros conectados, por exemplo, não foram afetados.
Leia também
Infográfico: entenda o que é um ataque de negação de serviço
Microsoft é a mais nova vítima de crackers nos EUA
China condena acusação de envolvimento em ciberataques
Empresa de cibersegurança adverte sobre vírus similar ao Stuxnet


Segundo informações da rede britânica, a organização Spamhaus sofreu uma série de ataques crackers entre os dias 18 e 26 de março depois de adicionar os serviços da Cyberbunker a uma lista de bloqueio de spam, alegando que a companhia holandesa e seus clientes eram uma fonte de mensagens indesejadas e infectadas por vírus. Assim, os usuários não conseguiriam mais acessar sites hospedados no serviço.

A Cyberbunker, por sua vez, emitiu um comunicado oficial acusando a organização de abuso de poder por decidir quais dados poderiam ou não trafegar pela internet. Horas depois, foi iniciado um ataque para derrubar o Spamhaus ação que, segundo o grupo inglês, foi coordenada pelo o próprio Cyberbunker, com a ajuda de crackers. O objetivo era liberar serviços on-line indesejados que usem a internet para distribuir vírus aos usuários de internet.

De acordo com relatório divulgado pela CloudFare, empresa de proteção contra esses ataques – e contratada nos últimos dias pela própria Spamhouse para proteger as operações on-line da companhia –, o ataque apresentou um volume médio de tráfego de 75 gibabits por segundo (Gpbs) e atingiu um pico de 300 Gbps por segundo – em média esses ataques chegam a 50 Gbps por segundo. “Publicamente, é algo sem precedentes na história da internet”, explica Fabio Assolini, analista sênior de malware da Kaspersky Brasil, empresa que atua no desenvolvimento de soluções de segurança e de administração contra ameaças. “O volume corresponde a mais de 300.000 vezes uma conexão de 10 mbps, comum em residências e empresas”, garante.

Apesar da escala grandiosa do ataque, o problema não foi global – e não fez a internet parar. Segundo o CloudFare, apenas uma das mais de dez empresas que fazem parte do Tier 1 – companhias que mantém de fato a internet em funcionamento, como Telefonica, AT&T e Verizon – sofreram problemas de rede. “Esse fato já nos mostra que o problema foi localizado e não global”, explica Assolini. Relatório de monitoramento divulgado nesta semana pela Akamai, empresa americana que presta serviços de infraestrutura web, mostra que Reino Unido, Holanda, Alemanha e Estados Unidos foram os países mais afetados.

Aos usuários – maiores prejudicados nesses conflitos virtuais – há recomendações. “Eles devem se certificar a atualização dos sistemas operacionais de computadores e apresentar um serviço de antivírus para que a máquina não seja usada para esses ataques”, explica Satnam Narang, pesquisador da comunidade de segurança da Norton. "Além disso, evite clicar em links de e-mail com fontes desconhecidas", finaliza.

terça-feira, 26 de março de 2013


Pulmão do Planeta Água
(*) Rinaldo Barros
“Um dia a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios e nos oceanos”. (Profecia de “Olhos de Fogo”, velha índia da nação Cree, há 200 anos)
A conversa de hoje está cheia de inevitáveis termos técnicos. Não pude evitar.
É preciso ter muito claro o papel da Amazônia no equilíbrio da biosfera. A maior floresta tropical do Planeta, a Amazônia, corresponde a 2/5  da América do Sul e a metade do Brasil. Então, a floresta amazônica é o “pulmão do planeta”. Certo?
Errado! Há muito se sabe que a floresta amazônica se encontra muito próxima de seu ponto de compensação. Ou seja, sua taxa de fotossíntese é quase equivalente à sua taxa de respiração.
É verdade que a floresta produz uma imensa quantidade de oxigênio mediante a fotossíntese durante o dia. Porém, as plantas superiores e outros organismos associados vivendo nessa mesma floresta respiram 24 horas por dia, ou seja, o oxigênio que a floresta produz acaba sendo utilizado na respiração dela mesma.
Ou seja, a nossa majestosa floresta não é, portanto, o “pulmão do mundo”.
Felizmente, o planeta dispõe de outro mecanismo para absorver o CO2 em excesso.
Felizmente, existem os fitoplânctons - nos mares e oceanos (dois terços do nosso Planeta é ocupado por rios, lagos, mares e oceanos) e funcionam como um reservatório, sugador de CO2 da atmosfera e produtor de oxigênio.
Fitoplânctons são minúsculas plantas marinhas que florescem sob água fria e rica em nutrientes. A sua notável coloração esverdeada é causada pela reflexão da clorofila produzida pelos fitoplânctons, que, assim como as plantas terrestres, usam o processo de fotossíntese para criar carboidratos a partir de dióxido de carbono e água, ou seja, fixar em sua estrutura o carbono e devolver o oxigênio ao meio ambiente.
A quantidade de oxigênio produzida pelos fitoplânctons para atmosfera é superior a do oxigênio gerado pelas florestas, porque a massa verde dos fitoplânctons é maior que a biomassa florestal. Os fitoplânctons estão disseminados em todo volume das águas dos mares e oceanos enquanto as florestas ocupam apenas alguns espaços sobre a crosta terrestre. Espaços cada vez menores, pela ganância de alguns.
Caro leitor, acontece mais ou menos o seguinte:
Os mares e oceanos, devido ao aquecimento global, estão tendo as camadas superficiais aquecidas e este aumento de temperatura superficial aumenta o volume das moléculas d’água com a conseqüente diminuição da densidade das mesmas. Por isso, apesar do movimento natural das ondas e das marés, não há uma boa renovação, uma mistura das águas, a superfície não se renova de forma suficiente para arrastar as partículas salinas nutritivas do fundo dos mares e oceanos para a superfície até os fitoplânctons e estes, devido a esse fenômeno, começam a se extinguir por falta de nutrientes.
Outra condição importante é a necessidade de luminosidade para que haja a fotossíntese na biomassa formadora dos fitoplânctons, até porque estes só sobrevivem aonde chega a luz solar.
A poluição reduz a transparência das águas, as águas ficam translúcidas, impedem a passagem parcial ou total dos raios solares. Sem os raios solares, não há fotossíntese. Sem fotossíntese, não há produção de oxigênio e fixação do carbono.
Se os fitoplânctons morrem, liberam por ação anaeróbia, o metano; o qual é vinte vezes mais poluente que o gás carbônico. O metano é um gás leve, procura as camadas mais altas da atmosfera chegando até as camadas de ozônio com o qual reage - quanto maior a quantidade de metano, menor e mais rarefeita será a camada de ozônio, nosso escudo protetor ante os raios ultravioleta. Uma tragédia anunciada!
Onde está a saída?
A saída está em poluir menos - não jogar lixo nas águas - e fertilizar, em grande escala, os mares, oceanos e as águas internas, para aumentar a reprodução primária dessas microalgas, os fitoplânctons.
Para que a profecia de Olhos de Fogo não se concretize, é indispensável proteger o ambiente marinho e cuidadosamente gerir seus recursos. Mares e oceanos seguros, saudáveis e produtivos são parte integrante da segurança econômica e do desenvolvimento sustentável.
Resumo da ópera: por ignorância, as atividades humanas estão tendo um efeito terrível e suicida sobre os oceanos e os mares do mundo.

(*) Rinaldo Barros é doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento, pela UFPR – rb@opiniaopolitica.com


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segunda-feira, 25 de março de 2013



O Deus de Spinoza

Publicação: 30 de Janeiro de 2013 às 00:00Tribuna do Norte - p. 02.
Laurence Bitencourt - jornalista e pensador.
É comum dizer que a história é escrita pelos vencedores, uma visão conservadora, certamente, mas que, aos poucos, e isso em quase todas as áreas do conhecimento humano vem sendo questionada através de pesquisas consistentes e novos fatos. Devemos isso sem duvida a democracia e as liberdades civis.


No âmbito da história das religiões, por exemplo, muitas certezas já foram postas em questão com relação às fontes que deram origem ao cristianismo nascente, em especial a partir das descobertas em 1945 dos textos encontrados em Nag Hammadi.



Ora, a primeira questão que se pode levantar é que do ponto de vista da historiografia oficial a exclusão de outras versões ou textos significa, no mínimo, a existência de novas versões que justamente por serem opostas ao pensamento oficial foram radicalmente banidas, rejeitadas, sufocadas, excluídas e condenadas. Tidas como heréticas.



Mas a pergunta que se deve fazer nesses casos é: por que o banimento de versões diferentes da oficial? Por que outros escritos e pensamentos foram excluídos e proibidos e tidos como “heresia”? O que os tornou perigosos? Esse tipo de questionamento vale muito (e cada vez mais) para confrontarmos o pensamento e o conhecimento Ocidental. Hoje sabemos que os chamados Evangelhos Gnósticos circulavam com força intensa durante os primeiros séculos após a morte de Jesus de Nazaré, mas que foram violentamente combatidos e excluídos. Por quê? Que incômodo eles causavam?



Sabemos desse incômodo a partir da descoberta dos 52 textos em Nag Hammadi. Neste sentido recomento a leitura do livro da historiadora Elaine Pagels intitulado “Os evangelhos gnósticos”. Hoje tem se tornado entre eruditos um campo de pesquisa dos mais férteis e interessantes em todo o mundo.



Claro que a raiz principal do cristianismo continua sendo o judaísmo. Jesus (Yeshua) era judeu, e o que irá se constituir como cristianismo continua sendo uma clara dissidência do judaísmo, amparada em 325 d. C., pelo império romano através do imperador Constantino.



Mas a ideia de exclusão e de excomunhão sempre esteve presente na história do pensamento humano. Basta pensarmos, em outra direção, nos nomes de Spinoza e Karl Marx que sofreram horrores por suas ideias contrárias ao pensamento dominante e oficial. Aliás, ambos judeus (que povo formidável, ainda que sujeito a discordâncias). Cada um em sua linha de entendimento e interesse causaram abalos junto ao pensamento oficial.



E ainda que a vida e as ideias de Marx sejam interessantes, e bem mais conhecidas, o legado e a vida de Spinoza me parece extremamente fascinante. Em seu livro gigantesco “Ética” ele cria uma linha de raciocínio sobre Deus que terminou levando-o a ser excomungado primeiro pelos judeus e depois pelo cristianismo. 



Spinoza nasceu em 1632, século XVII. Seu pensamento difícil postula uma ideia de Deus como uma totalidade presente em cada coisa (pedra, água, planta, árvore) que incomodou profundamente a teologia dominante. Cito um pequeno trecho de sua obra em que o próprio Deus se dirige aos fieis, para se ter ideia do incomodo terrível que causou: “Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Ai é onde Eu vivo e ai expresso meu amor por ti” .



Não é à toa que quando perguntaram ao físico Albert Einstein (outro judeu) se acreditava em Deus ele respondeu: “meu Deus é o Deus de Spinoza”. Mas ai já estávamos em outra época.


O escritor Laurence Bitencourt com o casal José Carvalho e Síria.


domingo, 24 de março de 2013


O SILÊNCIO DE ADÃO  
                                                                                                                                                           


      Públio José – jornalista



                       O silêncio é uma atitude estranha. Na maioria das vezes, apresenta-se como demonstração de humildade, de submissão, de renúncia. Em outras, deixa transparecer o verniz da covardia, da omissão. Mas não deixa de ser um comportamento contraditório, polêmico até. Jesus, por exemplo, deu conotações edificantes ao silêncio. Utilizando-se dele, deixou Pilatos maravilhado e seus acusadores totalmente desnorteados, sem terem o que dizer. Calado, ele eternizou um momento em que o esperado, de sua parte, era que falasse, argumenta-se, se defendesse das acusações injustas que lhe imputavam. Do episódio saiu engrandecido. O seu silêncio rasga os séculos até os dias de hoje como elemento de sabedoria, de renúncia, de negação de si mesmo. Já outros personagens... Estes, pelo silêncio, fugiram do desconforto de falar e deram péssimo testemunho com essa atitude.  
                        Um livro de um escritor cristão trata do assunto de forma interessante. Com o título “O Silêncio de Adão”, ele trata da paralisia cerebral e da inércia comportamental que acomete a grande maioria dos homens nos cruciais momentos de decisão. E constata que duas atitudes se destacam no universo masculino. A primeira delas é o silêncio simplesmente. Covarde, omisso, pegajoso – e, o que é pior, contagiante. Acontece na ocasião em que se faz necessária a prática do falar em defesa de uma causa, em defesa de alguém e – para não se prejudicar – o homem foge, se cala, se omite. A segunda atitude se traduz na incorporação, pelo homem, da figura do machão, que, não tendo o que falar, não tendo destreza mental para argumentar, opta pelo clássico gesto de usar da violência, de esmurrar a mesa. Em ambas as situações ele dá adeus ao diálogo e fecha a porta ao desabrochar de uma nova realidade.
                       Com este enfoque, “O Silêncio de Adão” trata, enfim, da inclinação histórica que o homem vem apresentando através dos tempos para fugir de suas responsabilidades. O primeiro grande exemplo que o livro apresenta é o de Adão. Sim, o Adão da Bíblia, o primeiro homem. Pela narrativa bíblica, Deus fez de Adão o detentor de todo o plano divino para a humanidade. Só exigiu que Adão e Eva, ela criada posteriormente, não comessem da árvore do bem e do mal. A exigência foi feita especificamente a Adão. Certamente já sabendo disso, a serpente procura Eva para tentá-la na desobediência a Deus, convencendo-a a comer do fruto da árvore. O interessante é que Adão estava presente ao episódio e em nenhum momento se pronunciou contrário ao assédio da serpente a Eva. Fez pior. Além de se omitir, de se calar, concordou com a mulher e comeu do fruto da árvore proibida.
                        Porque Adão de calou? Porque não esbravejou contra a invasão da serpente ao território mental de Eva, terreno que, pelas instruções claras de Deus, teria que preservar? Ao que tudo indica, Adão se curvou ao auditório constituído tão somente de duas pessoas, ao invés de argumentar com as instruções das quais era possuidor. Também através de outro exemplo bíblico, o livro mostra um homem que se utilizou da truculência para resolver uma situação que tinha tudo para ser equacionada pelo diálogo. Trata-se de Caim, o assassino de Abel. Na narrativa bíblica consta apenas um convite de Caim a Abel para irem, juntos, ao campo. Lá, ele matou o irmão sem dar nenhuma chance ao diálogo. Foi a típica atitude de quem, não tendo disposição para se utilizar da fala, preferiu dar “um murro na mesa” para deixar bem claro que o mais forte fisicamente tinha o controle da situação. Será?
                        Esse comportamento também pode ser facilmente observado nos dias de hoje. No casamento, então, nem se fala. Quantos lares desfeitos, destruídos pela fuga, pela covardia, pela indisposição de falar, de dialogar, de enfrentar, da parte do homem, situações de conflito. Pelo exemplo de Adão, nessas ocasiões, só resta, ao universo masculino, duas soluções: ou se cala, se omite e vai embora, consumando a separação, ou dá um murro na mesa e vence a situação pela truculência, pela violência, pela lei do mais forte. E vence? Será vitorioso um homem que só sabe resolver suas questões pela violência, pela força? Essa, lamentavelmente, é a herança que o primeiro homem nos deixou. Como antídoto, temos a herança que o segundo homem nos legou, Jesus. Este sim, o Adão perfeito. Que tal conhecê-lo, para passar a praticar o silêncio que edifica e a fala que constrói?                 









                                



terça-feira, 19 de março de 2013


Aprovação do governo Dilma sobe um ponto e atinge 63%, mostra pesquisa

BRASÍLIA - A aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff subiu um ponto no mês de março em relação a dezembro, conforme a pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta terça-feira, 19, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o documento, para 63% da população o governo de Dilma é ótimo ou bom.

Veja também:

Segundo a pesquisa, maior problema do governo Dilma é a saúde pública, com 67% de desaprovação - Dida Sampaio/AE - 16/03/2013
Dida Sampaio/AE - 16/03/2013
Segundo a pesquisa, maior problema do governo Dilma é a saúde pública, com 67% de desaprovação
Nos dois levantamentos anteriores, essa taxa estava em 62%, e em 56% tanto em março de 2012 quanto no mesmo mês de 2011. O levantamento revelou que 29% dos entrevistados consideram o governo da presidente regular e 7% acham ruim ou péssimo.
A CNI/Ibope identificou que houve um crescimento do otimismo em relação aos próximos meses do governo, com a taxa de ótimo ou bom passando de 62% para 65%. Os que projetam o restante do governo como regular está em 24% e, como ruim ou péssimo, em 8%.
A aprovação do modo de governar da presidente Dilma subiu de 78% para 79%. Ao mesmo tempo, foi reduzida a fatia que desaprova a gerência da presidente, atualmente em 17%.
Também aumentou a confiança na presidente, que passou de 73% nas duas pesquisas anteriores, para 75% agora. O total de entrevistados que não confiam em Dilma seguiu estável em 22%.
Áreas. A CNI/Ibope identificou que, de maneira mais geral, a população está mais satisfeita com o governo. Em relação ao combate à fome e à pobreza, a taxa subiu de 62% para 64%. Sobre o meio ambiente, o avanço foi de 52% para 57%. No quesito combate ao desemprego a alta foi um pouco mais tênue, de 56% para 57%. A política de combate à inflação recebeu aprovação de 48% da população, ante 45% visto na pesquisa anterior. Sobre educação, a taxa de aprovação subiu de 43% para 47% e em relação à taxa de juros, de 41% para 42%.
Apenas três quesitos da pesquisa estão com taxa de desaprovação acima de 60%. Um deles é a cobrança de impostos, que está exatamente em 60%. Houve melhora nesse item, pois no levantamento anterior a desaprovação era de 65%. Em relação à segurança pública, também houve queda na desaprovação, passando de 68% para 66%. O maior problema da presidente, na avaliação da população, ainda é a saúde, mas mesmo assim a taxa de desaprovação recuou, de 74% para 67%.
Dilma x Lula. A avaliação de que o governo Dilma é igual ao do antecessor Lula atingiu a marca de 61%. Essa é a maior taxa desde março de 2011, quando estava em 64%. No levantamento anterior, divulgado em dezembro, a taxa estava em 59%.
A pesquisa revelou também que para 20% da população o governo da presidente é melhor do que o de Lula. Essa é a quarta vez consecutiva que essa taxa cresce. Já a avaliação de que o governo Dilma é pior do que seu antecessor caiu pela terceira vez seguida e chegou a 18%.
A CNI enfatizou que, ainda que tecnicamente empatados, essa foi a primeira vez que o porcentual dos que consideram o governo Dilma melhor que o de Lula é superior ao dos que avaliam o inverso.
A pesquisa salientou também que o noticiário foi considerado mais favorável ao governo por 38% dos entrevistados, também o maior porcentual visto nos últimos dois anos. De acordo com o levantamento 34% consideraram o noticiário nem favorável nem desfavorável e 11% mais desfavorável.
Na lista dos fatos mais lembrados do governo Dilma estão: tragédia em Santa Maria/presença de Dilma em Santa Maria (12%); governo descarta possibilidade de apagão/ redução das tarifas de energia (10%); redução de impostos da cesta básica (7%); votação da Lei de distribuição dos royalties do petróleo (7%); e aumento do salário mínimo para R$ 678 (6%).




segunda-feira, 18 de março de 2013

E ainda tem gente que gosta desses "sucos" industrializados.


Supermercados do RN vão retirar sucos AdeS das prateleiras, diz Assurn

Tribuna do Norte 
Publicação: 18 de Março de 2013 às 12:30

Sobre a decisão publicada hoje (18) no Diário Oficial da União, ele afirma que "os supermercados irão seguir as determinações da Anvisa, mas querem ouvir o outro lado e esperam que a Unilever [fabricante do produto] se pronuncie sobre os encaminhamentos das mercadorias". Ele diz que a decisão de empresa pode ser de que os supermercados devolvam os sucos suspeitos de contaminação, mas também pode ficar decidido que as mercadorias sejam mantidas nos estoques de supermercados, até que se descubra a contaminação ou não dos sucos.

A decisão de retirada dos produtos AdeS das prateleiras de supermercados ocorreu após publicação no Diário Oficial da União (DOU) de hoje (18), na qual a Anvisa suspende desde a fabricação até o consumo de todos os lotes de 32 produtos da marca.

Na quinta-feira passada (14) a Unilever anunciou recall de 96 unidades do AdeS Maçã em embalagens de 1,5 litro, por contaminação com produtos de limpeza. O consumo poderia provocar queimaduras. Até a sexta-feira passada, 14 pessoas registraram reclamações do produto.

Em relação ao lote comprovadamente contaminado, Eugênio Medeiros considera uma chance remota de esse produto estar no comércio potiguar. "Esses produtos demoram cerca de quinze dias para chegar aqui e o problema foi detectado cerca de dois dias depois do envase", disse.

A Covisa, Coordenadoria de Vigilância a Saúde em Natal, aguarda orientações da Anvisa quanto à conduta em relação aos sucos em caixa da linha AdeS, da empresa fabricante Unilever.

Por enquanto, segundo o chefe do setor de Controle de Alimentos da Covisa, José Antônio de Moura, não há restrição quanto à retirada do produto das prateleiras do comércio em Natal. A iniciativa é dos próprios revendedores do produto.

José Antônio de Moura afirma que a Coordenadoria aguarda essa eventual orientação da Anvisa, tendo em vista que os técnicos e fiscais estavam nessa segunda feira na sade de fabricação do produto.

"Com base nessas análises é que saberão se há necessidade de retirada dos produtos em outros estados. Até agora, sabemos que o problema ocorreu em apenas um lote, que segundo a empresa foi enviado para os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná", afirmou, ressaltando que a Covisa acompanha a situação com atenção.

Atualizada às 16h27


Jornalista argentino publica documento que indicaria conivência de papa na ditadura

17/03/2013 - 19h28

SILVANA ARANTES
ENVIADA ESPECIAL A BUENOS AIRES

Sucessão PapalO jornalista argentino Horacio Verbitsky voltou a publicar ontem no diário "Página 12" cópia do documento que, a seu ver, "termina com a discussão sobre o papel de (Jorge Mario) Bergoglio" no episódio do sequestro e tortura por parte do regime militar argentino, em 1976, dos padres Orlando Yorio (morto em 2000, aos 67 anos de idade) e Francisco Jalics.


O documento é uma das peças principais do livro "O Silêncio", que Verbitsky lançou em 2005 e no qual acusa Bergoglio de haver delatado Yorio e Jalics aos militares, por envolvimento com a guerrilha.
Trata-se de uma nota de 1979 assinada pelo então diretor de Culto Católico da Chancelaria argentina, Anselmo Orcoyen, na qual se registra que Bergoglio fez formalmente um pedido para a renovação do passaporte de Jalics, instalado na Alemanha, após sua soltura pelo regime militar. Ele e Yorio haviam sido torturados na Escola de Mecanica da Marinha e ficaram cinco meses em poder dos militares.
No entanto, ao protocolar o pedido, Bergoglio fez verbalmente "especial recomendação" para que ele fosse negado, abastecendo o ministério com informações desabonadoras sobre Jalics, incluindo a suspeita de seu "contato com guerrilheiros".
A reportagem de Verbitsky responde diretamente à declaração feita nesta semana pelo porta-voz do Vaticano de que uma publicação de esquerda argentina conduz uma campanha "anticlerical difamatória e caluniosa", com ataques sistemáticos a Bergoglio.
"Bergoglio e seu porta-voz calam sobre esses documentos e preferem desqualificar quem os encontrou, preservou e publicou", afirma o jornalista.
No texto, Verbitsky cita a afirmação feita por Jalics nesta semana de que está reconciliado com Bergoglio e recorre a um teólogo para definir a reconciliaçao, "um sacramento católico", como "o perdão de coração ao próximo pelas ofensas recebidas".
Em 1994, Jalics escreveu no livro "Exercícios de Meditaçao" que um representante da "extrema direita" católica via "com maus olhos" o trabalho que ele e Yorio desenvolviam junto às populações carentes e os havia denunciado como "terroristas" aos militares. Numa carta escrita em 1977 a uma autoridade da Companhia de Jesus, Yorio nomeia Bergoglio como o suposto delator.
Ainda em seu livro, Jalics diz ter tido acesso a 30 documentos que comprovariam a atuação do delator e conta que os destruiu em 1980. "Desde então sinto-me verdadeiramente livre e posso dizer que perdoei de todo o coraçao", afirma, em trecho reproduzido ontem por Verbitsky.


domingo, 17 de março de 2013


17/03/2013 - 03h00

É cedo para santificar o papa

UOL online.
É compreensível que a massa de fiéis reunida na praça de São Pedro, durante a cerimônia fúnebre de João Paulo 2º, decretasse aos gritos: "Santo subito".
Afinal, o pontificado de João Paulo 2º durara 28 anos, tempo mais que suficiente para exibir ao mundo suas qualidades (defeitos também, mas, nessas horas, ninguém pensa em defeitos).
É um exagero, no entanto, a mídia, inclusive a do Vaticano, transformar o noticiário em torno do novo papa em culto à personalidade de Jorge Mario Bergoglio, como reproduzisse para ele o grito de "Santo subito" de oito anos atrás.
Cada detalhe de sua biografia e cada vírgula de suas palavras são apresentados em "odor de santidade", a fragrância que a tradição católica diz que emana dos santos.
Talvez o exagero se deva ao fato de que Bergoglio era um virtual desconhecido para o mundo, o que leva o jornalismo a procurar, em cada pequeno gesto e cada pequena fala, o rosto do novo pontificado.
Está sendo inútil até agora, a menos que se considere que a escolha do nome Francisco seja uma declaração de intenções, a de querer, como disse ontem, "uma igreja pobre, para os pobres". Não conheço um único religioso (ou político) que tenha defendido uma igreja (ou partido ou governo) para os ricos.
Entendo em todo o caso a carência de definições sobre a vasta e complexa agenda da igreja, que, segundo dom Cláudio Hummes, "precisa de uma reforma em todas as suas estruturas".
O papa explicou que "a igreja, embora sendo certamente também uma instituição humana, histórica, com tudo o que isso comporta, não tem uma natureza política, mas essencialmente espiritual".
Os mortais comuns aprendemos a lidar com a política, gostando ou não dela, mas o espiritual é para poucos escolhidos.
O problema é que temas essenciais da agenda da igreja, como o escândalo de pedofilia ou a polêmica em torno do casamento entre pessoas do mesmo sexo, são essencialmente humanos.
O papa precisará mesmo do odor de santidade para levar a cabo o que dom Cláudio definiu como "obra gigantesca" de renovação da igreja. Precisará também da coragem que lhe faltou durante a ditadura militar argentina, como depõe o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel: "Não considero que Jorge Bergoglio tenha sido cúmplice da ditadura, mas creio que lhe faltou coragem para acompanhar nossa luta pelos direitos humanos nos momentos mais difíceis".
O passado, portanto, não permite sentir odor de santidade no novo papa, até porque santos se revelam exatamente nos momentos difíceis. No caso da Argentina, durante a ditadura, o que estava em jogo era condenar a barbárie, não calar-se.
Mas é hora de virar a página Bergoglio e abrir a página Francisco. O que começará a dar um rosto -santo ou não- ao novo papado serão as escolhas para os cargos vitais da Cúria, em especial a nomeação para a secretaria de Estado, o segundo cargo no Vaticano -escolha que será todo um programa de governo do novo papa e lhe dará (ou não) os primeiros "odores de santidade".
Clóvis Rossi
Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às terças, quintas e domingos no caderno "Mundo". É autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo" e "O Que é Jornalismo". Escreve às terças, quintas e domingos na versão impressa do caderno "Mundo" e às sextas no site.